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Imagens postadas no Facebook no ambiente escolar: 

análise sobre o real significado das publicações

Posted Facebook images in the school environment: 

analysis of the real significance of publications

Imágenes posteadas en Facebook en el ámbito escolar: 

análisis sobre el real significado de las publicaciones

 

Anoel Fernandes*

anoelfernandes@ig.com.br

Amanda Rodrigues**

amandah2a@hotmail.com

André Luis Aroni***

andre-aroni@hotmail.com

Vivian de Oliveira****

vivian_oliveira58@hotmail.com

Rubens Venditti Junior*****

rubensjrv@fc.unesp.br

 

*Licenciado em Educação Física e Pedagogia

Mestre e Doutor em Educação: história, política, sociedade pela PUC/SP

Diretor de escola na rede pública estadual de São Paulo

Professor dos Cursos de Educação Física e Pedagogia

da Faculdade Anhanguera de Campinas - FAC IV

**Bacharel e Licenciada em Educação Física

pelo Centro Universitário Metrocamp Wyden de Campinas/SP

***Licenciado pleno em Educação Física pela PUC

Mestre em Treino Desportivo pela ULHT de Lisboa

Doutor e Pós-doutor em Desenvolvimento Humano e Tecnologias pela UNESP

Professor Adjunto do Centro Universitário Metrocamp Wyden de Campinas/SP

****Bacharel em Educação Física pela UNESP

Mestra em Desenvolvimento Humano e Tecnologias pela UNESP

*****Licenciado e Bacharel em Educação Física pela UNICAMP

Mestre em Pedagogia do Movimento pela UNICAMP

Doutor em Educação Física e Sociedade pela UNICAMP

Pós-doutor em Desenvolvimento Humano e Tecnologias pela UNESP

Professor Assistente da UNESP de Baurú/SP

(Brasil)

 

Recepção: 15/09/2018 - Aceitação: 21/02/2019

1ª Revisão: 03/12/2018 - 2ª Revisão: 18/02/2019

 

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt

 

Resumo

    O Facebook é uma das maiores redes de comunicação digital em todo o mundo. Tornou-se uma área de estudos devido às mudanças ocorridas desde a sua criação. Foi criado para ser um canal de diálogo entre universitários, contudo atravessou fronteiras e emerge para o capitalismo comunicacional. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo analisar as imagens publicadas por quatro escolas de Campinas/SP na rede social Facebook®. Esta é uma pesquisa qualitativa do tipo descritivo de modelo netnográfico. Utilizou pra sua análise perfis no Facebook de escolas da rede de ensino público e privado de Campinas/SP e de seus alunos.O instrumento utilizado foi uma adaptação do “Protocolo de análise utilizado para a categorização das imagens” de De Oliveira (2016). Como resultados obteve-se um total de 2139 fotos analisadas, sendo 1985 (92,8%) postadas pela escola, 99 (46%) publicadas por terceiros e 55 (2,6%) divulgadas por alunos. Identificou-se diferença de conteúdos nas imagens postadas pelos alunos e pelas escolas no Facebook® no ambiente escolar, assim como a finalidade das publicações das escolas, uma vez que as publicações das escolas privadas estão associadas a sua divulgação e propaganda, portanto, a finalidade da publicação de tais escolas está vinculada às questões de âmbito econômico.

    Unitermos: Facebook. Escola. Alunos.

 

Abstract

    Facebook is one of the largest digital communication networks in the world. It has become an area of ​​study due to changes since its inception. It was created to be a channel for dialogue among university students, yet it crossed borders and emerged into communicational capitalism. Thus, the present study aims to analyze the images published by four schools of Campinas / SP in the social network Facebook®. This is a qualitative research of the descriptive type of netnographic model. He used for his analysis profiles on Facebook of public and private schools in Campinas / SP and his students. The instrument used was an adaptation of the "Analysis protocol used for the categorization of images" of De Oliveira (2016). As results, we obtained a total of 2139 photos analyzed, being 1985 (92.8%) posted by the school, 99 (46%) published by third parties and 55 (2.6%) reported by students. It was identified a difference of contents in the images posted by the students and the schools in Facebook® in the school environment, as well as the purpose of the publications of the schools, since the publications of the private schools are associated with its publicity and propaganda, therefore, the purpose of the publication of such schools is linked to issues of economic scope.

    Keywords: Facebook. School. Students.

 

Resumen

    Facebook es una de las mayores redes de comunicación digital en todo el mundo. Se ha convertido en un área de estudios debido a los cambios ocurridos desde su creación. Fue creado para ser un canal de diálogo entre universitarios, sin embargo atravesó fronteras y irrumpe como el capitalismo comunicacional. De esta forma, el presente estudio tiene como objetivo analizar las imágenes publicadas por cuatro escuelas de Campinas, SP en la red social Facebook®. Esta es una investigación cualitativa del tipo descriptivo de modelo netnográfico. Utilizó para su análisis perfiles en Facebook de escuelas de la red de enseñanza pública y privada de Campinas, SP y de sus alumnos. El instrumento utilizado fue una adaptación del "Protocolo de análisis utilizado para la categorización de las imágenes" de De Oliveira (2016). Como resultado, obtuvimos un total de 2139 fotos analizadas, siendo 1985 (92,8%) publicadas por la escuela, 99 (46%) publicadas por terceros y 55 (2,6%) divulgadas por alumnos. Se identificó diferencia de contenidos en las imágenes presentadas por los alumnos y por las escuelas en Facebook® en el ambiente escolar, así como la finalidad de las publicaciones de las escuelas, una vez que las publicaciones de las escuelas privadas están asociadas a su divulgación y propaganda, por lo tanto, la finalidad de la publicación de tales escuelas está vinculada a cuestiones de ámbito económico.

    Palabras clave: Facebook. Escuela. Estudiantes.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 23, Núm. 250, Mar. (2019)


 

Introdução

 

    Na sociedade hodierna, torna-se impossível negar a influencia dos inúmeros recursos tecnológicos (computador, internet, câmaras digitais, celulares, tablets, softwares educativos, etc.) no cotidiano das pessoas, particularmente entre os estudantes e nas escolas, sejam elas públicas ou privadas, uma vez que vivemos o auge das redes sociais no mundo que, com o advento da internet proporciona constantes transformações da sociedade. Segundo a Folha de São Paulo (2017), o Twitter chegou à marca de 320 milhões de usuários, o Instagram com 700 milhões de usuários ativos e o Facebook atingiu a marca de 2 (dois) bilhões de utilizadores por mês.

 

    Tamanha a magnitude da tríade tecnologia/internet/sociedade que Castells e Cardoso (2005, p.17) afirmam que “a tecnologia não determina a sociedade: é a sociedade. A sociedade é que dá forma à tecnologia de acordo com as necessidades, valores e interesses das pessoas que utilizam as tecnologias”.

 

    Com a Web, a publicação e o acesso à informação tornaram-se ações de fácil execução para quaisquer indivíduos. As pessoas, ao redor do mundo, passaram a ter em suas mãos a possibilidade de participar ativamente nesses processos (Catarino; Baptista, 2007). Junto a Web, tem a Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) que trouxe à tona o termo Cibercultura, ou cultura digital, para o núcleo das discussões.

 

    A Cibercultura é definida como o produto da associação entre a cultura contemporânea e as novas tecnologias, quando estas criam um novo vínculo entre a técnica e a vida social. Santos, Carvalho e Pimentel (2016) definem a cibercultura como sendo toda produção cultural em relação aos seres humanos e objetos técnicos digitalizados em conexão com a internet.

 

    De acordo com Patrício e Gonçalves (2010) o Facebook® (FB) foi criado em 2004 por universitários de Harvard que tinha como objetivo, uma plataforma de comunicação entre os próprios alunos da Universidade. Ressalta os autores que o Facebook cresceu e “é uma das redes sociais mais utilizadas em todo o mundo como espaço de encontro, partilha, interação e discussão de ideias e temas de interesse comum” (Patrício; Gonçalves, 2010, p. 1).

 

    Brevemente situado o Facebook, cabe ponderar a relação de tal rede social com a educação, uma vez que, concebe-se como ponto de partida que a escola não é incólume às alterações sociais. Nesse cenário, ressalta-se que “há na literatura nacional uma tendência bastante favorável à utilização das novas tecnologias da informação e comunicação nas atividades escolares” (Cavassani; Andrade, 2016, p. 228). Seguindo essa linha de raciocínio, Chaves e Filho (2016, p. 70) argumentam que:

    É inegável os benefícios das tecnologias de informação e comunicação aplicadas à educação, mas ficamos perplexos ao quase silêncio sobre seus entraves ou gradações possíveis entre benefícios e problemas, uma vez que não desejamos ser cooptados, de igual modo, por uma lógica binária e ideológica de análise da situação.

    De acordo Cavassani e Andrade (2016), o uso da internet no ambiente escolar é um processo lento. Mesmo que professores e alunos concordem com a utilização da TIC nas aulas, ainda não tem a convicção da potencialidade dessa nova ferramenta pedagógica. Este acontecimento tem causado impacto nas escolas, isso porque há um discurso bastante difundido que há uma lacuna entre professores e alunos, sendo bastante aceito como um formato de “jargão” de os alunos já dominam as tecnologias e os professores não as dominam. Dessa forma, apresenta-se uma dualidade, pois, se de uma parte há ponderações que defendem a ideia de que “cabe aos profissionais da educação, atualizar-se a esse respeito, uma vez que não se pode negar a ascensão dos recursos tecnológicos e os impactos destes nas formas de ensinar e aprender” (Santos; Pereira; Mercado, 2016, p. 105), por outra parte, culpar somente os profissionais da educação recai sobre uma noção de que estes profissionais estarão sempre obsoletos quantos às novas formas de comunicação que emergem.

 

    De qualquer maneira, coadunando ou refutando qualquer dessas ideias, não há como negar a interface direta que o Facebook estabelece com a vida social. Frente às delineações aqui apresentadas, o presente estudo tem como objetivo analisar as imagens publicadas por quatro escolas de Campinas/SP na rede social Facebook®, mais especificamente cotejar quem usa tais imagens e com quais objetivos.

 

Método

 

    Esta é uma pesquisa qualitativa do tipo descritivo de modelo netnográfico. Segundo Thomas, Nelson e Silverman (2012), a pesquisa descritiva é um estudo de classe usado na educação e nas ciências comportamentais. A netnografia segundo as autoras Montardo e Passerino (2006) apud Kozinets (1997) é uma ferramenta metodológica utilizada em estudos em comunidades virtuais.

 

Sujeitos da pesquisa

 

    Esta pesquisa utilizou para suas análises os perfis no Facebook de escolas da rede de ensino público e privado de Campinas/SP e de seus alunos. Para poder participar do Facebook, o usuário aceita os Termos de Uso, assim como concorda com a Política de Privacidade da rede social, onde se responsabiliza por qualquer conteúdo por ele postado na rede. Além disso, todo o material analisado para esta pesquisa foi alcançado de forma aberta e legal, fazendo com que seja isenta a necessidade da submissão deste trabalho aos Comitês de Éticas em Pesquisas com Seres Humanos. Segundo a resolução nº. 510 de 07 de abril de 2016. Não serão registradas nem avaliadas pelo sistema CEP/CONEP: II - pesquisa que utilize informações de acesso público, nos termos da Lei no12. 527, de 18 de novembro de 2011.Para a escolha das escolas, optou-se pelas quatro centrais da cidade de Campinas/SP, com pressuposto de serem as mais antigas e conhecidas do município.

 

    Neste estudo foi utilizada uma adaptação do instrumento “Protocolo de análise utilizado para a categorização das imagens” de De Oliveira (2016). O instrumento é composto por 7 itens num modelo de check-list sendo cada item com suas categorias para facilitar as análises das imagens. Para este estudo, faremos algumas adaptações conforme demonstrado no quadro 1, que segue abaixo. Assim como no protocolo original, criamos categorias para facilitar a análise.

 

Pessoas/objetos presentes na foto

 

    A primeira questão intrigante é o que ou quem está presente na foto postada pelos alunos, escola ou por terceiros. Para identificação, utilizaremos os seguintes critérios:a) o aluno e outros: engloba fotos em que o aluno dono do perfil está presente, com ou sem outras pessoas, tirada por ele mesmo ou por outros; b) apenas o aluno: abrange fotos tiradas pelo próprio aluno, onde apenas ele aparece; c) alunos: abarca as fotos de aluno (os) com ou sem funcionários da escola postada por outras pessoas ou pela página da escola; d) materiais: fotos onde aparecem alunos e trabalhos escolares desenvolvidos pelos alunos, professores ou funcionários da escola; e) brinquedos: imagens onde aparecem aluno (os) e brinquedos pelos com ou sem a presença de com ou sem funcionários da escola; f) outros: abrange outras possibilidades de postagens que não se enquadram em nenhum dos grupos citados acima.

 

Local

 

    Para uma melhor categorização e caracterização das fotos postadas no FB, é interessante sabermos onde estas fotos foram tiradas. Para isso analisaremos da seguinte forma:a) sala de aula: engloba fotos tiradas em uma sala quadrangular com carteiras e lousa; b) quadra: compreende as fotos tiradas em qualquer tipo de quadra esportiva com marcações dos esportes tradicionais; c) pátio: envolve fotos tirados na área livre das escolas; d) parque: fotos registradas em momento de diversão dos alunos, onde possui brinquedos; e) fora da escola: registro de fotos feitas fora do ambiente escolar, mas a publicação foi feita na página da escola; f) outros: abrange fotos tiradas em outros locais que não estejam se enquadrem em nenhuma das categorias acima; g) não é possível definir: reúne fotos em que não é possível definir onde foram realizadas.

 

Momento

 

    Esta parte do trabalho preocupa-se em caracterizar em que momento a foto foi tirada, para tornar a análise mais específica e evitar possíveis conclusões incompletas. Por exemplo: a foto pode ter sido tirada na quadra, mas não necessariamente no momento de aula de educação física: a) na sala de aula: compreende as fotos tiradas no momento em que os alunos estão realizando atividades dentro da sala de aula; b) fora da sala de aula: envolve as fotos em que os alunos estão fora da sala de aula, porém fazendo atividades orientadas por um professor (a) ou qualquer outro funcionário da escola; c) recreação/descontração: engloba as fotografias capturadas durante o lazer dos alunos e em momentos inespecíficos, em que os estudantes aparecem descontraídos; d) eventos: registros feitos em momentos de festas, comemorações, cerimônias, etc. da escola; e) não é possível definir: contém as fotos onde não se pode definir em qual momento foram realizadas.

 

Coleta e análise de dados

 

    Para a coleta de dados, utilizamos a rede social Facebook®. No dia 15 de maio de 2017 começou-se a seguir quatro páginas de escolas da cidade de Campinas-SP, sendo uma da rede de ensino privada e três da rede de ensino pública.

 

    As imagens foram coletadas todos os dias às 23 horas no período de 15/05/2017 a 30/09/2017. Como critérios de inclusão de imagens, todas as fotos publicadas nas páginas das escolas nesse intervalo que aparecia alunos nas publicações foram analisados diariamente.

 

    As fotos foram analisadas em três grupos: Grupo 1: Alunos (postagens dos alunos na página da escola); Grupo 2: Terceiros (publicações feitas por qualquer pessoa exceto alunos e a própria página da escola); Grupo 3: Escola (imagens postadas pela página da escola). No final, foi feito uma somatória dos dados de todas as escolas. Cada escola foi analisada individualmente e no final os resultados foram somados de acordo sua categoria e grupo.O quadro 1 foi à estrutura para a análise e classificação das fotos.

 

Resultados e discussões

 

    Obtivemos um total de 2139 fotos analisadas, sendo 1985 (92,8%) postadas pela escola, 99 (46%) publicadas por terceiros e 55 (2,6%) divulgadas por alunos. A quantidade de imagens postadas nesse período foi considerável, sendo o grupo escolar responsável pela maioria das publicações.

 

Quadro 1. Resultados

Pessoas/objetos presentes na foto

 

O aluno

Apenas

Aluno (os)

Materiais

Brinquedos

Outros

e

o

outros

aluno

Grupo 1/ Total

21

33

0

1

0

0

%

38,18

60

0

1,82

0

0

Grupo 2/ Total

1

0

92

1

0

5

%

1,01

0

92,93

1,01

0

5,05

Grupo 3/ Total

0

0

1284

523

103

75

%

0

0

64,69

26,35

5,19

3,78

 

Local

 

Sala

Quadra

Pátio

Parque

Fora

Outros

Não é

de

da

possível

aula

escola

definir

Grupo 1/ Total

21

0

5

0

2

3

24

%

38,18

0

9,09

0

3,64

5,45

43,64

Grupo 2/ Total

1

23

24

0

29

16

6

%

1,01

23,23

24,24

0

29,29

16,16

6,06

Grupo 3/ Total

778

51

41

89

60

481

485

%

39,19

2,57

2,07

4,48

3,02

24,23

24,43

 

Momento

 

Na sala

Fora da

Recreação/

Eventos

Não é

de

sala de

Descontração

possível

aula

aula

 

definir

Grupo 1/ Total

2

0

49

2

2

%

3,64

0

89,09

3,64

3,64

Grupo 2/ Total

1

7

28

59

4

%

1,01

7,07

28,28

59,60

4,04

Grupo 3/ Total

623

351

521

368

122

%

31,39

17,68

26,25

18,54

6,15

 

    Resultados da coleta de dados, dividido em três questões e cada questão com suas categorias. Os dados são apresentados em três grupos, cada grupo com o seu total de imagens enquadradas em cada categoria e a porcentagem (%) de cada uma delas.

 

    Para apresentação dos resultados, optamos por dividir em três partes de acordo cada questão do instrumento, em seguida discutiremos.

  1. Pessoas/objetos presentes na foto. O grupo 1 apresenta a categoria “Apenas o aluno” com o maior número de fotos enquadradas, totalizando 33 imagens, os grupos 2 e 3 apontam a categoria “ Aluno(s)” agregando um total de 92 imagens o grupo 2 e 1284 o grupo 3. O grupo 3 chama a atenção também na categoria “Materiais”, onde 523 fotos aparecem mostrando os trabalhos escolares dos alunos, professores ou funcionários das escolas.

  2. Local. Nesta questão o grupo 1 e 3, tiveram muitas fotos que não foram possível identificar o lugar. Esse fato aconteceu, porque muitas imagens foram tiradas em um ângulo que mostrava só o rosto dos alunos não dando para ver onde as fotos foram registradas. No período de coleta de dados, o grupo 2, postou mais fotos fora da escola. Esse dado nos reporta que os terceiros não se preocupam onde a foto foi tirada, diferente do grupo 3 (escola), que 778 imagens foram fotografadas na sala de aula, mostrando que a escola ao fazer uma publicação, está preocupada no conteúdo que quer mostrar com aquela imagem, e não simplesmente postar porque achou bonita ou que está com os amigos no momento do registro, mas mostrar que os alunos em atividades na escola.

  3. Momento. Nos três grupos a categoria “Recreação/Descontração”, tiveram bastantes fotos enquadradas, exibindo que os alunos não estavam esperando o registro durante suas ações. Um acontecimento que chama atenção no grupo 3 é número de fotos tiradas na sala de aula mas o menos número não se repete no momento em sala de aula, apontando que nem todas as fotos que são tiradas na sala de aula, necessariamente foram registradas em situações de aulas, podendo ser em momento de recreação, descontração, eventos, etc. De acordo com os dados apresentados pelo grupo 3, a escola usa a rede social Facebook® para expor a qualidade de ensino da sua rede.

    É através de diversas plataformas como wikis (plataformas que permitem a construção coletiva de conteúdo através de um navegador de web), blogs, mídias sociais e as diversas redes sociais que se forma e espalha a inteligência coletiva, ou seja, o saber é construído de forma participativa como defende Lévy, a inteligência coletiva faz uso das redes sociais para alcançar cada vez mais pessoas. (Costa; Ferreira, 2017, p. 138).

 

    De acordo Pariser (2012), a atuação do Facebook® no início era pra ser uma plataforma de comunicação, contudo a rede mudou. Peixoto (2015) não defende uma opinião do comportamento do Facebook®, pois para o autor há várias questões que pode está além da rede social propriamente dita, portanto, há que se considerar o papel exercido pelo site no capitalismo cognitivo emergente, também chamado de capitalismo comunicacional, estético ou cultural.

 

    Nesse cenário apresentado, pode-se compreender que a sanha capitalista ao apropriar-se da forma de comunicação para atender as demandas do capital. De acordo com Crochík (2003), o avanço da técnica e da tecnologia na sociedade capitalista administrada são elementos que contribuem para dominação dos sujeitos, embora sejam apresentados com uma roupagem de neutralidade ideológica e que estejam supostamente a serviço do progresso, ocultando as suas contradições imanentes.

 

Conclusões

 

    O presente estudo ao identificar as diferenças de conteúdos nas imagens postadas pelas escolas e pelos alunos no Facebook® no ambiente escolar e a finalidade das publicações das escolas, trouxe à tona o fato de que, embora o Facebook® se tornou um espaço público com ferramentas fáceis e de acessos maior acesso no campo da comunicação, assim como tornou a propaganda acessível e de fácil visualização dos usuários, os resultados apontam que o Facebook® pode ser usado para expandir um comércio, uma marca, compartilhar conhecimentos, transmitir informações políticas, econômicas e financeiras, pois como atesta Peixoto (2015, p.231) “as pessoas não apenas têm se comunicado [...], mas também produzem, divulgam produtos, acessam bens culturais imateriais, fazem negócios, estudam, se divertem, se informam, praticam militância política”.

 

    Cabe ressaltar que não devemos generalizar todas as escolas a partir dos resultados apresentados aqui, uma vez que devido o período curto de coleta de dados, tivemos que reduzir o número de escolas participantes, não possibilitando a comparação de conteúdos de escolas públicas X escola privada, porém, destaca-se o fato de que as finalidades da escola privada aqui investigada está associada a sua divulgação e propaganda, atendendo dessa forma os anseios capitalistas em detrimento da comunicação com finalidades pedagógicas.

 

    Por fim, ressaltamos a necessidade de estudos na área da netnografia vinculada com a educação e imagens, assim como a necessidade de pesquisas mais aprofundadas que explicitem quais as reais finalidades que o Facebook tem sido utilizado no meio educacional.

 

Referências

 

    Crochík. J. L. (2003). Notas sobre trabalho e sacrifício. Trabalho, Educação e Saúde, 1(1):61-73.

 

    Catarino, M. E.; Baptista, A. A. (2017). Folksonomia: um novo conceito para a organização dos recursos digitais na web. Data Grama Zero, v. 8, n. 3, p. A04-0, 2007. Disponível em: http://basessibi.c3sl.ufpr.br/brapci/v/a/4483. Acesso em: 30 out. 2017.

 

    Castells, M.; Cardoso, G. (2005). A Sociedade em rede: do conhecimento à ação política. Lisboa: Imprensa Nacional.

 

    Cavassani, T. B.; Andrade, J. J. (2016). Você tem face?: perspectivas discentes e implicações do (não) uso do Facebook no ensino superior. Educação Temática e Digital, Campinas, SP, v.18, n.1, p. 227-247, jan./abr. 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8635352/12237 Acesso em: 11 nov. 2017.

 

    Chaves, H. V.; Filho, O. N. M. (2016). Percepção de tempo e necessidade de atividade na sociedade do excesso: educação no contexto das tecnologias digitais. Educação Temática e Digital, Campinas, SP, v.18, n.1, p. 71-82, jan./abr. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8635719/12228. Acesso em: 11 nov. 2017.

 

    Costa, A. M. S. N.; Ferreira, A. L. A. (2017). Novas possibilidades metodológicas para o ensino-aprendizagem mediados pelas redes sociais Twitter e Facebook. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 3, n. 2, p. 136-147, 2012. Disponível em: http://revistapos.cruzeirodosul.edu.br/index.php/rencima/article/viewFile/494/413. Acesso em: 18 out 2017.

 

    De Oliveira, V. (2016). Além das hashtags: a análise de imagens postadas por atletas no Instagram® e as diferenças relacionadas ao sexo. 78f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Humano e Tecnologias) – Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2016. Disponível em http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/137820/oliveira_v_me_rcla.pdf?sequence=3. Acesso em: 21 fev. 2017.

 

    Montardo, S.P.; Passerino, L.M. (2006). Estudo dos blogs a partir da Netnografia: possibilidades e limitações. Novas Tecnologias na Educação, Rio Grande do Sul, v. 4 n. 2, Dezembro. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/index.php/renote/article/view/14173/8102. Acesso em: 17 mar. 2017.

 

    Patricio, M. R.; Gonçalves, V. B. (2010). Utilização educativa do Facebook no ensino superior. Paper presented at the First Conference learning and teaching in higher education. Instituto Politécnico de Bragança. Bragança. Disponível em http://hdl.handle.net/10198/2879. Acesso em: 18 out 2017.

 

    Pariser, Eli (2012). O que a internet está escondendo de você. Rio de Janeiro: Zahar.

 

    Peixoto, Z. (2015). O Facebook para além da rede social. O usuário como consumidor-mercadoria. In: C. Porto, E. Santos. Facebook e Educação: publicar, curtir, compartilhar. (21ª ed.). Campina Grande: EDUEPB, 445 p. 221-236.

 

    Santos, E. O.; Carvalho, F. S. P.; Pimentel, M. (2016). Mediação docente online para colaboração: notas de uma pesquisa-formação na cibercultura. Educação Temática e Digital. Campinas, SP, v.18, n.2, p. 23-42. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8640749/12238. Acesso em: 05 nov. 2017.

 

    Santos, V. L. P.; Pereira, J.M. S.; Mercado, L. P. L. (2016). Whatsapp: um viés online como estratégia didática na formação profissional de docentes. Educação Temática e Digital, Campinas, SP, v.18, n.1, p. 104-121. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8637398/12229. Acesso em: 05 nov. 2017.

 

    Thomas, J.; Nelson, J.; Silverman, S. (2012). Métodos de pesquisa em atividade física (6ª ed.). Porto Alegre: Artmed.

 

    UOL. Folha de S. Paulo. (2017). Um jornal a serviço do Brasil. São Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/tec/2017/06/1896428-facebook-atinge-marca-de-2-bilhoes-de-usuarios-anuncia-zuckerberg.shtml. Acesso em: 30 out. 2017.


Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 23, Núm. 250, Mar. (2019)

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