Volver a los detalles del artículo Imagen corporal y danza


Imagem corporal e a dança

Body image and dance

Imagen corporal y danza

 

Dr. Anselmo Alexandre Mendes*

Esp. Elaine da Silva Mendes**

elaine_personal@hotmail.com 

Natália Carlone Baldino Garcia**

natalia_flg@hotmail.com

Claudinéia Bueno da Silva**

profanselmo1@gmail.com

 

*UEM-UNICESUMAR – Maringá-PR

Docente da Universidade Estadual de Maringá

*Docente no Centro Universitário de Maringá

**Professora de Educação Física

(Brasil)

 

Recepção: 28/01/2017 - Aceitação: 15/03/2018

1ª Revisão: 13/03/2018 - 2ª Revisão: 13/03/2018

Resumo

    Nos dias atuais o corpo se torna objeto de consumo ou é o mecanismo pelo qual leva as pessoas ao consumo, que investem cada dia mais para conseguirem alcançar o corpo dito como perfeito. O capitalismo junto com a mídia oferece cada vez mais produtos para melhorar a satisfação com o corpo e com isso eleva a insatisfação consigo sobre o universo que é o corpo do sujeito pensante o que leva a alteração da imagem corporal que é definida como a forma pelo qual a pessoa se percebe e sente através de seu corpo. Esta pesquisa de caráter bibliográfico teve como objetivo identificar os possíveis benefícios da dança no âmbito psicológico, corporal e emocional do indivíduo. Diante disso pudemos observar que as pessoas ao procurarem a dança como exercícios físicos para melhorar sua auto-imagem, têm uma resposta positiva nesse quesito, pois a dança trabalha com movimentos, expressão, e de forma oblíqua aspectos psicológicos que levam à modificações de dentro para fora. Dessa forma verificamos que dançar é uma maneira dos indivíduos estruturarem sua experiência e auto aceitação através do movimento e promovendo a liberdade de sentimentos oprimidos, causando assim o efeito positivo na retomada positiva da imagem corporal.

    Unitermos: Dança. Imagem corporal. Âmbito psicológico.

 

Abstract

    Nowadays the body becomes an object of consumption or is the mechanism by which leads people to consumption, investing more and more to get achieve the body said to be perfect. Capitalism with the media offers more and more products to improve the satisfaction with the body and thereby elevates can dissatisfaction about the universe that is the body of the thinking subject which leads to altered body image that is defined as the way by which the person perceives and feels through his body. This bibliographical research aims to identify the possible benefits of dance in the psychological realm, body and emotional individual. Thus we observed that people seek to dance as physical exercises to improve your self-image, have a positive response in this regard, because the dance works with movements, expression, and obliquely psychological aspects that lead to changes from the inside out. Thus we find that dancing is a way for individuals to structure their experience and self-acceptance through movement and promoting the freedom of oppressed feelings, thus causing the positive effect on the resumption of positive body image

    Keywords: Dance. Body image. Psychological scope.

 

Resumen

    En los días actuales el cuerpo se vuelve objeto de consumo o es el mecanismo por el cual lleva a las personas al consumo, que invierten cada día más para lograr alcanzar el cuerpo considerado como perfecto. El capitalismo junto con los medios de comunicación ofrece cada vez más productos para mejorar la satisfacción con el cuerpo y con ello eleva la insatisfacción consigo mismo sobre el universo que es el cuerpo del sujeto pensante, lo que lleva a la alteración de la imagen corporal que se define como la forma por la cual la persona se percibe y siente a través de su cuerpo. Esta investigación de carácter bibliográfico tuvo como objetivo identificar los posibles beneficios de la danza en el ámbito psicológico, corporal y emocional del individuo. En el caso de las mujeres, las personas que buscan la danza como ejercicio físico para mejorar su auto-imagen, tienen una respuesta positiva en ese aspecto, pues la danza trabaja con movimientos, expresión, y de forma oblicua aspectos psicológicos que llevan a las modificaciones desde adentro hacia afuera. De esta forma verificamos que bailar es una manera que tienen las personas para estructurar su experiencia y auto-aceptación a través del movimiento y promoviendo la libertad de sentimientos oprimidos, causando así el efecto positivo en la recreación positiva de la imagen corporal.

    Palabras clave: Danza. Imagen corporal. Ámbito psicológico.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 22, Núm. 238, Mar. (2018)


 

Introdução

 

    O culto ao corpo é uma das características mais marcantes da sociedade nos dias atuais. O corpo torna-se objeto de consumo, onde grandes investimentos fazem com que as pessoas estejam em constante busca da imagem ideal. Essa busca incessante pelo padrão ideal de beleza acarreta a distorção da imagem corporal e transtornos alimentares (Paim, 2004).

 

    O corpo idealizado hoje pela sociedade moderna exige as mulheres um corpo magro e esbelto, por isso há tanta vontade de emagrecer acarretando assim a insatisfação com seu corpo. Já entre os homens essa insatisfação deve-se pela necessidade de obtenção de um corpo forte e musculoso, como exposto pela mídia a todo o momento (Conti et al., 2005).

A mídia, a família e os amigos condicionam as pessoas a se exercitarem, a cuidar de seus corpos, direcionando-os a desejos, hábitos, cuidados e descontentamentos com a aparência visual do corpo (Damasceno et al., 2005).

 

    Em seus estudos Castro (2004) afirma que a estética, saúde, sociabilidade são fatores que levam as pessoas procurarem academias de ginástica, existe ainda também o fator culpa, onde a pessoa se responsabiliza pela sua aparência física, sendo culpado por algum defeito ou imperfeição de seu corpo entendido como falta de cuidados.

 

    As pessoas estão sofrendo cada vez mais por não se encontrar nos padrões de beleza que a mídia nos impõe, por falta de condições financeiras para as práticas corporais modificadoras, ou por não conseguir atingir este padrão, se sentem excluídas, marginalizadas, ridicularizadas.

 

    Segundo Apostólico (2006, p.12) a mídia possui “ingredientes que fazem parte do processo de hipnose e sedação produzidas pelas imagens”.

 

    A mídia é um fator tão predominante que as pessoas costumam adquirir quase tudo que as propagandas oferecem para melhorarem a satisfação com o corpo, que na maioria das vezes deve gerar angustia, pois a mídia serve de interesse ao sistema capitalista no momento. Com isso a insatisfação com o corpo continua sempre constante porque a mídia sempre apresenta algo novo para as pessoas comprarem (Campos, s.d.)

 

    A maneira como cada indivíduo percebe seu corpo denomina-se imagem corporal, com todo esse anseio de ter o corpo perfeito as pessoas procuram melhorar sua auto imagem, buscam clinicas de estéticas, cirurgias plásticas, regimes, exercícios físico entre outros.

 

    Para Russo (2005, p. 80) “A imagem corporal é a maneira pela qual o corpo se apresenta para si próprio”.

 

    Entre os exercícios procurados encontramos a dança, onde essa por trabalhar com movimentos e expressão melhora a auto imagem de seus praticantes. Existem nas academias de ginástica diversos tipos de aulas de dança, por exemplo, dança do ventre, de salão, estilo livre, aulas de axé, entre outras.

 

    Dançar é uma das formas de manifestar nosso interior e comunicar-se por meio do corpo, assim, age no indivíduo em sua totalidade, atuando no desenvolvimento de movimentos expressão e, possivelmente, nas modificações da imagem corporal e da auto-imagem (Medeiros, 2007).

 

    Assim a objetivo desse estudo bibliográfico foi verificar os benefícios da dança na imagem corporal de seus praticantes nos âmbito psicológico, corporal e emocional do indivíduo.

 

A imagem corporal

 

    O que pensamos sobre nosso corpo denomina-se imagem corporal, onde esta imagem pode ser positiva ou negativa. Nos dias atuais a sociedade vem criando modelos quase inatingíveis, deixando as pessoas cada vez mais insatisfeitas com seus corpos, pois desejam atingir o que a sociedade impõe, e não o que seria adequado para si.

Em seus estudos Mataruna (2004) afirma que:

    Imagem corporal é a figuração do próprio corpo formada e estruturada na mente do mesmo indivíduo, ou seja, a maneira pela qual o corpo se apresenta para si próprio. É o conjunto de sensações sinestésicas construídas pelos sentidos (audição, visão, tato, paladar), oriundos de experiências vivenciadas pelo indivíduo, onde o referido cria um referencial do seu corpo, para o seu corpo e para o outro, sobre o objeto elaborado. 

    O corpo é alvo de olhares a todo o momento, onde Barros (2001) afirma que as pessoas na busca de melhorar seu corpo investem cada vez mais em fins estéticos, regimes rigorosos, exercícios físicos em exageros, tentando assim alcançar um padrão de corpo imposto pela sociedade, não pensando nas consequências que poderão surgir com essa obsessão.

 

    O sistema capitalista marca a sociedade, por competição, consumismo e individualismo, as pessoas estão se tornando cada vez mais narcisista, pois o corpo se tornou um objeto, mercadoria, consumo, aparência, com tudo isso gerando lucro ao capital (Campo, s.d.).

 

    Com toda a modernidade dos dias atuais o corpo passou a ocupar um lugar de destaque na sociedade. Como todas as transformações que aconteceram na sociedade foi atingida diferentes áreas, influenciando todo o contexto sociocultural na busca pelo corpo perfeito, e na sociedade capitalista, não seria diferente, pois o corpo tornou-se objeto de consumo, corpo-moeda (Confortin; Pastorio, 2011).

 

    Lara (2004) aponta que “o belo não está no objeto, mas nas relações estabelecidas entre o objeto e o homem, e passa a ser justificado a partir do gosto, mais ou menos refinado, de acordo com a capacidade em resistir aos padrões impostos culturalmente”.

 

    Para Fernandes (2005):

    O corpo está em alta! Alta cotação, alta produção, alto investimento...alta frustração. Alvo do ideal de completude e perfeição, veiculado na pós modernidade, o corpo parece servir de forma privilegiada, por intermédio da valorização da magreza, da boa forma e da saúde perfeita, como estandarte de uma época marcada pela linearidade anestesiada dos ideais. (p.13)

    A imagem do corpo abre cada vez mais vantagem nas relações pessoais, mesmo sabendo o que realmente importa é a essência, mas, a boa aparência conta e muito. (Tommaso, 2010).

 

    Nos dias atuais existe uma preocupação exagerada com o “corpo”. Podemos perceber este fato ao ligar a televisão ou folhear uma revista, a todo o momento aparece um discurso sobre o corpo (Rodrigues, 2003).

 

    Podemos afirmar que o corpo fala como cita Gaiarsa (2002), pois se ele não falasse nenhuma palavra teria sentido e seriamos todos sem expressão. As pessoas podem até estarem em silêncio, mas as expressões faciais se modificam a todo instante. Estar em silêncio significa muitas coisas como se estivesse falando. Devemos começar a interpretar melhor a comunicação não verbal.

 

    Continuando ainda com o mesmo autor ninguém consegue esconder nada de ninguém, pois nosso corpo é um conjunto de sinais contendo as palavras, o movimento do nosso corpo, gestos faciais e até mesmo ao emitir sons podemos modificar muitas coisas. Com isso o corpo revela sentimentos, nossas intenções, nossas emoções fazendo sempre “caras e bocas”.

 

    Afirma Gaiarsa (2002), se pedirmos para cinco pessoas diferentes ler uma frase teremos cinco significados diferentes, pois cada uma delas se expressará de um jeito, umas com mais entonação outras com mais tristeza nos dizeres e assim por diante.

 

    Seguindo o mesmo ideal que nosso corpo fala, Weil e Tompakow (2009) afirmam que o corpo é um centro de informações para nós mesmos, mas as pessoas costumam a ignorar a existência da linguagem do corpo.

 

    Nosso corpo fala mesmo, expõe verdades que muitas vezes não são ditas, aponta mentiras, reforça ideias que na maioria das vezes transmitimos sem notar, apenas com a linguagem do próprio corpo.

 

    Ainda falando dos mesmos autores podemos citar alguns gestos de como nosso corpo fala:

Um simples aperto de mão tem seu significado: se apertar com a mão firme significa que não existem restrições entre as pessoas, mas se for com a mão mais solta a pessoa tem medo de se envolver.

    Mexer nos cabelos significa ter uma ideia; roer as unhas e se mexer demais sinal de tensão.

 

    A mídia influencia cada vez mais as pessoas a terem uma imagem distorcida, como Damasceno (2005) cita, a insatisfação corporal pode estar diretamente ligada com a exibição de corpos bonitos que tem determinado nas últimas décadas uma grande compulsão em buscar o corpo ideal.

 

    A auto imagem que muitas pessoas desejam está diretamente ligadas nas aparências, onde podemos observar personalidades famosas na mídia que tem corpos ditos como perfeitos, deixando assim as mulheres ditas comuns insatisfeitas com seu próprio corpo (Fugikawa, 2006).

 

Insatisfação corporal

 

    A insatisfação corporal surge quando a pessoa não está mais satisfeita com seu próprio corpo.

 

    Em seu estudo Vieira et al. (2006), afirma que muitas pessoas estão insatisfeitas com seu corpo, e são influenciadas pelo “ideal cultural de magreza” que tem levado mulheres cada vez mais cedo ao engajamento em dietas.

 

    Seguindo com o mesmo pensamento esta insatisfação pode estar relacionada com a exibição de corpos bonitos pela mídia e tem determinado nas últimas décadas uma grande compulsão em buscar o corpo ideal (Damasceno et al., 2005).

 

    A mídia se torna um dos principais responsáveis pela insatisfação corporal, pois a cada instante apresenta propostas de como modificar o corpo, através de exercícios físicos ate as formas mais radicais como intervenções cirúrgicas, para que as pessoas consigam atingir o modelo imposto por ela (Maldonado, 2006).

 

    O indivíduo insatisfeito com seu corpo procura mudar alguns comportamentos como a alimentação e a pratica de exercícios físicos, fazendo com que essas mudanças atinjam diretamente sua imagem corporal de maneira positiva (Tribess, 2006, p. 11).

 

    O que leva os indivíduos a darem início a um programa de atividade física é a insatisfação com seu corpo. Na busca do corpo ideal de magreza procuram um programa de atividade física para diminuir o peso corporal. Na verdade, a prática de atividade física regular pode levar as pessoas a alcançarem os corpos que idealizam (Damasceno et al., 2005).

 

Dança

 

    Sabemos que o exercício físico de modo em geral tem a capacidade de melhorar a auto imagem, neste estudo a dança em especifico. Por trabalhar com o corpo todo, com movimentos complexos, faz com que as pessoas expressem o lado de suas emoções, fazendo com as pessoas que dançam melhore sua imagem corporal.

 

    A dança faz parte de nossas vidas desde o inicio da humanidade, os movimentos e ritmos guiados pela musica representa muitas manifestações como: emoções, artes, mito, filosofia e religião que fazem parte de nossas vidas (Volp, 1994).

 

    Para Dascal (2005) destaca que a dança trabalha com todo o corpo de diferentes formas de formas, sendo por meio de movimento de fora para dentro, e quando se dá um movimento de dentro para fora, concretiza-se a consciência corporal e o movimento expressivo.

 

    Segundo Leal e Haas (2006) descrevem que a dança pode ter seis principais funções: autoexpressão, comunicação, diversão e prazer, espiritualidade, identificação cultural, ruptura e revitalização da sociedade. Ainda acrescentam que a dança tem caráter socializador e motivador, mesmo dançando sozinho ou em par, pessoas de mais idade ou jovens, homens ou mulheres, ao dançarem se sentem bem.

 

    Identificamos a dança como ato livre, onde as pessoas podem se movimentarem bem à vontade, Dantas (1999) cita que:

    Uma das especificidades da dança está no fato de que movimentos transformados em gestos de dança adquirem características extraordinárias, pois os fatores espaciais, temporais, rítmicos e o próprio modo de movimentação do corpo tornam-se diferentes e particulares adquirindo valores em si mesmos, ou seja, movimentos comuns são transformados em dança. Outra especificidade é a sua forma simbólica livre que possui em transmitir ideias de emoção, consciência, sentimentos e expressar tensões físicas e espaciais. (p. 35)

    De acordo com Lima (2010) a dança em modo geral distinguir-se pela arte de movimentar o corpo, assumindo um papel essencial nos dias atuais, enquanto forma de expressão torna-se indispensável para vivermos presentes na sociedade.

Para Caminada (1999):

    Na forma mais elementar, a dança se manifesta através de movimentos que imitam as forças da natureza que parecem mais poderosas ao homem e que trazem consigo a ideia de que esta imitação tornará possível a posse dos poderes dessas forças. (p.22)

    Jeito prático e fácil de sair do sedentarismo é dançando, pois traz a seus praticantes uma imensa satisfação, por ser uma atividade conjunta e ter musica embalando, sendo uma atividade lúdica e acessível, podendo participar pessoas de todas as idades e sexo (Ried, 2004).

 

    Por meio da dança as pessoas são capazes de demonstrar aquilo que elas pensam e sentem, ou seja, capaz de evidenciar os conhecimentos e habilidades, de maneira mais transparente possível, elas se expõem por completo. Antigamente a dança era apenas para expressar sentimentos ou agradecimentos, hoje isso ainda persiste, mas incluiu também o conhecimento como arte e educação (Lima, 2010).

 

    A dança não é um objeto material e estável, mas um elemento vivo que sofre influência do universo a sua volta, por isso, representa a natureza do homem e da sua cultura. Ela revela desde os aspectos psicológicos de um povo como seu sistema de valores, normas, ideais e conceitos estéticos (Volp, 1994).

    Dançar, sentindo e pensando, é vivenciar uma maior consciência do sentido e da torção dos ossos, do movimento das articulações, das cinturas escapular e pélvica e da relação entre ambas, do tônus e deslizamento muscular, da sensibilização da pelve. Dançar é trabalhar com transferência de apoios, com a percepção do peso, da direção, com micro e macro movimentos, com alteração de planos, de intenções, de intensidade. (Calazans et al. [coord.], 2003, p. 34)

    São muitos os benefícios à dança, segundo Dantas (1999), dançar melhora o humor, diminui o estresse, minimiza algumas doenças da vida moderna como a depressão, quando movimentamos nosso corpo naturalmente mudamos nosso estado interno.

 

    Quando dançamos trabalhamos: coordenação motora, agilidade, ritmo e percepção espacial; desenvolvemos os músculos de maneira natural, a dança melhora a auto-estima, permite o convívio com outras pessoas e aumenta as relações pessoais, tornando-se ainda uma opção de lazer (Arce, Dácio, 2007).

 

    Ainda afirma Hashizumi et al. (2004), que a dança como exercício físico ajuda a garantir a independência funcional, manter a força muscular, equilíbrio, potência aeróbica, movimentos corporais totais e mudanças no estilo de vida.

 

    Dançar é uma das atividades aeróbicas mais dinâmicas e alegres, onde não há restrições nem contra indicações para participar (Salvador, 2004).

 

    Em seguida trataremos da relação imagem corporal e dança, onde iremos identificar em quais aspectos a dança melhora a auto imagem de seus praticantes. 

 

Estudos que apontam os benefícios da dança na imagem corporal

 

    Em seu estudo Marques (2003) propôs uma relação da imagem corporal e a dança do ventre em mulheres obesas. Pode-se observar nesse estudo onde 130 mulheres obesas foram atendidas. Foram divididas em grupos para aulas de doze encontros, onde essas mulheres faziam aula de dança do ventre durante uma hora e meia, uma vez por semana. Tendo os seguintes resultados: apenas 40% das mulheres continuaram até o final da pesquisa, a autora cita que a maioria delas antes de iniciar as aulas apresentavam a imagem corporal distorcida, dificuldade de representar seu próprio corpo. Depois das doze aulas houve uma grande melhora na imagem corporal, onde as mesmas começaram a se cuidar cada vez mais, indo às aulas mais arrumadas até mesmo maquiadas, com roupas mais sexy deixando seus corpos em maior evidencia. Uma aluna fez um relato que foi a praia depois de muito tempo de maiô sem se importar com o que os outros estavam pensando dela. Concluiu que a dança do ventre melhorou a auto imagem dessas mulheres, tornando assim uma imagem mais estruturada e feminina.

 

    Outra autora que cita sobre a influencia da dança na imagem corporal é Fonseca (2008), onde seu trabalho foi avaliar a dança de salão no esquema corporal e imagem corporal de indivíduos iniciantes. O estudo foi composto por 23 alunos de ambos os sexos, onde 8 desistiram do curso. Como teste foi utilizado o desenho de nove silhuetas, onde o aluno apontava o desenho que melhor o representava. Foram um total de 12 aulas uma vez por semana de 90 minutos. A autora afirma que a maioria dos indivíduos apresentavam percepção maior do que o real de seu corpo, mas após concluírem o módulo e iniciante do trabalho se perceberam mais simétricos, onde homens e mulheres avaliados não queriam mais ter silhuetas diferentes da qual apresentavam, pois estavam satisfeitos com seu corpo atual. As mulheres apresentavam mais insatisfação com seu corpo do que os homens. Como a dança de salão exige bastante concentração, o praticante deve focar ainda mais em seu corpo para conseguir seguir o ritmo da musica e acompanhar o parceiro, esse é um dos fatores que contribui para melhorar a percepção corporal. Notou-se então que a insatisfação que havia no inicio do estudo no final as pessoas estavam satisfeitas com seu corpo, pois a dança de salão influenciou positivamente seus praticantes.

 

    As pesquisadoras Ribas, Haas e Goncalves (2013), apresentaram um estudo sobre a influência da dança do ventre na imagem corporal de mulheres, onde houve participação de 20 mulheres praticantes de dança do ventre, com a média de prática entre seis meses e um ano. O instrumento para coleta de dados foi um questionário de perguntas fechadas. Após analise de resultados pode-se observar que 85% das entrevistadas acreditam que sua imagem corporal se modificou após iniciarem as aulas de dança do ventre. Para 95% das praticantes que observaram melhoras em sua imagem corporal, destaca-se a correção postural e características físicas e emocionais que compõem uma nova autoimagem. Dança do Ventre influencia positivamente na imagem corporal de suas praticantes, destacando a melhora na percepção da autoimagem, postura e mudanças comportamentais em decorrência das alterações físicas.

 

Conclusões

 

    A partir desta revisão, pode-se observar que o corpo é alvo de objeto de consumo, a sociedade capitalista em que vivemos aproveita desse momento para vender ainda mais produtos de todas as espécies, para que as pessoas possam alcançar um corpo dito como perfeito. A todo o momento na mídia é mostrado homens e mulheres com corpos perfeitos, deixando assim muitas pessoas insatisfeitas com sua imagem corporal.

 

    A imagem corporal é a forma que pensamos, sentimos e vivenciamos nosso próprio corpo. Com a grande exposição de mulheres cada vez mais magras e homens musculosos, os indivíduos começam a ter uma insatisfação com sua imagem, causando assim a distorção da imagem corporal. Essa distorção ocorre através da insatisfação do corpo, a pessoa se sente gorda ou magra demais do que realmente ela se encontra. Através dessa insatisfação, pode-se observar os distúrbios psicológicos que algumas pessoas apresentam como: anorexia, bulimia e a vigorexia.

 

    Com a busca incessante em alcançar um corpo ideal às pessoas procuram na pratica do exercício físico a melhora da sua imagem corporal.

 

    A dança é um exercício físico que faz parte de nossas vidas a muitos anos, onde podemos trabalha com o corpo todo, tanto na parte muscular quanto na parte emocional. Os movimentos e ritmos oferecidos pela dança faz com que seus praticantes diminuam o nível de estresse, melhorem a auto estima, minimizem doenças da vida moderna como a depressão, tendo outros objetivos como: emagrecimento, prevenção dos problemas de articulações, aumento do convívio social, pois as aulas de dança são sempre feitas em grupos, melhora a capacidade respiratória e circulatória, postura, fortalecimento muscular entre outros.

 

    Quando relacionamos a dança com a imagem corporal, observamos que os praticantes da mesma, melhoram sua auto imagem, pois quando movimentamos nosso corpo as pessoas se reconhecem melhores, adquiri sensibilidade e começa a compreender melhor a realidade, fazendo com que a sua imagem corporal melhore, sentindo-se mais satisfeitos com seu corpo.

 

    Finalizando, pressupõe-se que a prática regular de exercício físico, no caso a dança, faz com que seus praticantes melhorem sua imagem corporal, mesmo a mídia sendo um grande precursor do corpo dito como perfeito.

 

Referências

 

    Apostólico, C. (2006). Telenovela: o olhar capturado. Construção da tríade, telespectador, corpo e imagem. (Dissertação de Mestrado em Comunicação e Semiótica). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

 

    Arce, A., & Dácio, G. M. (2007). A dança criativa e o potencial criativo: dançando, criando e desenvolvendo. (Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo). Revista Eletrônica Aboré, 3. Acessado em 27 de setembro de 2014 em:http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2011/educacaofisica/artigo/danca_criativa.pdf

 

    Barros, D. D. (2001). Estudo da imagem corporal da mulher: corpo (ir) real x corpo ideal. (Dissertação de Mestrado em Educação Física). UNICAMP. Acessado em 12 de setembro de 2014 em:http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000228730

 

    Calazans, J., Castilho, J., & Gomes, S. (2003). Dança e educação em movimento. São Paulo: Cortez.

 

    Caminada, E. (1999). História da dança: evolução cultural. Rio de Janeiro: Sprint.

 

    Campo, I. G. A influência da mídia sobre o ser humano na relação como corpo e a auto imagem de adolescentes. Acessado em 25 de outubro de 2014 em:http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/884-4.pdf

 

    Castro, A. L. (2004). Culto ao corpo: identidades e estilos de vida. Acessado em: http://www.ces.uc.pt/lab2004/inscricao/pdfs/painel24/analuciacastro.pdf

 

    Confortin, S. C., & Pastorio, A. (2011). Corpo capitalista. Lecturas: Educación Física y Deportes, 15 (152). http://www.efdeportes.com/efd152/corpo-capitalista.htm

 

    Conti, M. A, Frutuoso, M. F. P, & Gambardella, A. M. D. (2005). Excesso de peso e insatisfação corporal em adolescentes. Revista de Nutrição, 491-497, Campinas. Acessado em 10 de outubro de 2014 em:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-52732005000400005&script=sci_arttext

 

    Damasceno, V. O. et al. (2005). Tipo físico e satisfação com a imagem corporal de praticantes de caminhada. Revista Brasileira Méd. Esporte, 11: 181-186. Acessado em 23 de setembro de 2014 em:http://www.scielo.br/pdf/rbme/v11n3/a06v11n3.pdf

 

    Dantas, M. F. (1999). Dança: o enigma do movimento. Universidade/UFRS, Porto Alegre.

 

    Dascal, M. (2005). Eutonia: O saber do corpo. Campinas-SP. Estética da Transformação Imagem Corporal e a Estética da Transformação na Mídia.

 

    Fernandes, M. H. (2005). Corpo: Clinica psicanalítica. São Paulo: Ed. Casa do Psicólogo, Livraria e editora Ltda.

 

    Fonseca, C.C. (2008). Esquema corporal, imagem corporal e aspectos motivacionais na dança de salão. (Dissertação de Mestrado em Educação Física). Universidade São Judas Tadeu, São Paulo.

 

    Fugikawa, C. L. L. et al. (2006). Educação física no ensino médio. Curitiba: Secretaria de Estado da Educação.

 

    Gaiarsa, J. A. (2002). O corpo fala? Motriz, 8 (3). Acessado em 21 de outubro de 2014 em:http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/08n3/Gaiarsa.pdf

 

    Hashizumi, M. M. et al. (2004). Dança pra terceira idade. Acessado em 10 de outubro de 2014 em:http://www.cdof.com.br/idosos10.htm.

 

    Lara, L.M. (2004). O sentido ético - estético do corpo na cultura popular. (Tese de Doutorado). Faculdade de Educação, UNICAMP.

 

    Leal, I. J., & Haas, A. N. (2006). O Significado da dança na terceira idade. Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano, 64-71, Passo Fundo, RS.

 

    Lima, M. S. A. S. (2010). A Importância da dança no processo de Ensino-aprendizagem. Acessado em 27 de setembro de 2014 em:http://monografias.brasilescola.com/educacao/a-importancia-danca-no-processo-ensino-aprendizagem.htm

 

    Maldonado, G. R. (2006). A educação física e o adolescente: a imagem corporal e a estética da transformação na mídia impressa. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, 5 (1): 59-76. Acessado em 27 de setembro de 2014 em:http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/remef/article/view/1302

 

    Marques, I. (2003). Dançando na escola. São Paulo: Cortez.

 

    Mataruna, L. (2004). Imagem Corporal: noções e definições. Lecturas: Educación Física y Deportes, 71: 1. http://www.efdeportes.com/efd71/imagem.htm

 

    Medeiros, T.P.G. (2007). Estudo da auto-imagem de pessoas que frequentam aulas de dança. Universidade São Francisco: Itatiba.

 

    Paim, M. M. C. (2004). Corpos em metamorfose: um breve olhar sobre os corpos na história, e novas configurações de corpos na atualidade. Lecturas: Educación Física y Deportes, 79: 1-1. http://www.efdeportes.com/efd79/corpos.htm

 

    Ribas, C. D., Haas, A. N., & Gonçalves, A. C. B. (2013). A influência da dança do ventre na imagem corporal de mulheres. Lecturas: Educación Física y Deportes, 17 (178). http://www.efdeportes.com/efd178/danca-do-ventre-na-imagem-corporal-de-mulheres.htm

 

    Ried, B. (2004). Fundamentos da Dança de Salão. Londrina: Midiograf.

 

    Rodrigues, S. M. (2003). A relação entre o corpo e o poder em Michel Foucault. Psicologia em Revista, 9 (13): 109-124, Belo Horizonte.

 

    Russo, R. (2005). Imagem corporal: construção através da cultura do belo. Revista Movimento & Percepção, 5: 80-90, Espírito Santo de Pinhal, SP.

 

    Salvador, M. A. (2004). Importância da atividade física na terceira idade: uma analise da dança enquanto atividade física. Acessado em 10 de outubro de 2014 em:http://www.azsate.net/livros/salvador%20et%20al%5B1%5D.%20-%20por%20-%20treino%20dan%E7a%20-%202005.pdf

 

    Tommaso, M. A. (2010). Auto-imagem e a interface da beleza. Acessado em 05 de setembro de 2014 em:http://www.tommaso.psc.br/site/artigos/?id_artigo=104

 

    Tribess, S. (2006). Percepção da imagem corporal e fatores relacionados a saúde em idosas. Dissertação de Pós-graduação em Educação Física. Universidade Federal de Santa Catarina.

 

    Vieira, J. L. L. et al. (2006a). Distúrbios de atitudes alimentares e sua relação com a distorção da auto-imagem corporal em atletas de judô do estado do Paraná. Revista da Educação Física, 17 (2): 177-184, UEM, Maringá. Acessado em 22 de agosto de 2007 em:http://www.def.uem.br/revistadef/admin/artigos/877a39472beeee648df2de29c9db8e4a.pdf

 

    Vieira, J. L. L. et al. (2006b). Distúrbios de atitudes alimentares e sua relação com a distorção da auto-imagem corporal em atletas de judô do estado do Paraná. Revista da Educação Física, 17 (2): 177-184, UEM, Maringá. Acessado em: http://ombrosdegigantes.com.br/doc/03.pdf

 

    Volp, C.M. (1994). Vivenciando a Dança de Salão na Escola. Tese de doutorado. USP, São Paulo.

 

    Weil, P., & Tompakow, R. (2009). O Corpo Fala – a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. (59ª ed.). Petrópolis, RJ: Vozes.


Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 22, Núm. 238, Mar. (2018)