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Onde você guarda seu preconceito? Não guarde, jogue fora!

¿Dónde guarda sus perjuicios? ¡No los guarde, tírelos a la basura!

Where do you keep your prejudice? Do not store, throw it out!

 

Universidade do Estado da Bahia

UNEB – Departamento de Educação Campus XII

Guanambi, BA

Marcos Nogueira dos Santos

mnds-_@hotmail.com

(Brasil)

 

 

 

 

Resumo

          No ano de 2015 é notória a crescente onda discriminatória no Brasil. Podemos perceber esse fenômeno nos estádios e nas redes sociais no país, o preconceito é algo que perpassa por gerações inicialmente reproduzidos pelo nossos avós e bisavós seguindo a idéia dos seus antepassados do Brasil colônia. A partir de uma oficina ocorrida em Guanambi/BA em uma turma de 3° ano de um colégio desta cidade espera se que o leitor possa refletir sobre esse fenômeno excludente que é o "racismo" tão presente em todas as sociedades, sendo também que nas aulas de educação física também ocorre esse tipo de acontecimentos.

          Unitermos: Preconceito. Educação Física. Negros. Cor.

 

Abstract

          In the year 2015 it is clear the rising tide discriminatory in Brazil. We can see this phenomenon in the stadiums and on social networks in the country, the prejudice is something that permeates generations initially played by our grandparents and great-grandparents following the idea of the colonial Brazil's ancestors. From a workshop held in Guanambi / BA in a class of 3rd year of a college of this city is expected that the reader can reflect on this exclusive phenomenon which is "racism" as present in all societies and is also that in class physical education also occurs such events.

          Keywords: Prejudice. Physical Education. Black. Color.

 

Recepção: 13/12/2015 - Aceitação: 27/01/2016

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 20, Nº 213, Febrero de 2016. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Esse trabalho foi uma proposta de oficina realizada no Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho de Guanambi/Ba com uma turma do 3° ano do ensino médio, tal proposta foi intitulada como: Onde você guarda seu preconceito? Não guarde, jogue fora! Essa oficina teve o objetivo analisar o conhecimento que alunos do ensino médio têm sobre o fenômeno preconceito e discriminação de cor/etnia.

    O racismo e o preconceito são fenômenos globais, merecem atenção redobrada, deve ser trabalhado com cuidado e em especial nas aulas de educação física. É notória a grande onda discriminatória ao longo do ano 2015, durante esse mesmo ano pode se perceber muitas outras manifestações de ódio em campos, quadras de esportes e redes sociais.

    Essa oficina foi de grande valia, pois, pode-se perceber o que realmente os alunos do 3° ano do Colégio Luiz Viana Filho entendem acerca do fenômeno preconceito e discriminação de cor que os negros sofrem em diversos espaços inclusive nas aulas de educação física.

    Esse tema tem sua relevância ao ser trabalhado durante as aulas de Educação Física, pois sendo a Educação Física um componente que trata pedagogicamente os conteúdos da cultura corporal por meio dos jogos e esportes Coletivo de Autores (1992), esse componente assume o papel de fomentar e propor a discussão a respeito dos estigmas que recai sobre o corpo do negro na busca e soluções desse problema social chamado racismo.

Objetivos

Objetivo geral

  • Analisar o conhecimento que alunos do ensino médio têm sobre o fenômeno preconceito e discriminação de cor.

Objetivo específico

  • Demonstrar várias ações que pode ser preconceituosa em uma aula de educação física;

  • Refletir acerca de tal fenômeno;

  • Propor rompimento contra a visão existente.

Referencial teórico

Como tudo começou

    Para entender as manifestações de discriminação de cor no presente, é necessário entender os acontecimentos históricos do passado e qual sua relação com o presente, bem como perceber os contrastes dessa história Santos (2014, p.17).

    A nação brasileira, em sua política escravocrata com mais de trezentos anos de escravidão, sempre apoiada nos ideais republicanos, tratou de imputar ao Brasil, no percurso longitudinal da sua história, o engendrar de conceitos e princípios de nacionalidade que demonstravam uma linguagem cultural, diferente das idéias republicanas e de patriotismo. (Santos, 2014, p.17).

    Pode se perceber com que foi exposto anteriormente que os acontecimentos do passado escravocrata interferem até os dias atuais, e que o negro apesar de existir e fazer parte dessa sociedade, ainda sente os reflexos do passado escravocrata em uma sociedade que sempre se pautou em ideais de igualdade e união entre os povos sem distinção. Porém no Brasil permanece o preconceito de cor e vários outros tipos de preconceitos, isso nos mostra um contrassenso já que vemos na Constituição de 88 que todos somos iguais sem distinção.

    Continuando o que diz Santos:

    Percebe-se que a escola brasileira ainda é um ambiente repleto de preconceito, embora paradoxalmente seja um espaço cheio de culturas e etnia diferentes, o que implicaria um contexto contrário. A educação brasileira de tempos de escravidão e pós-escravidão comprova que existe a eliminação do negro dos sistemas de ensino, por muito tempo esse espaço foi negado aos negros especialmente nas universidades. (Santos, 2014, p.23).

    Fazendo uma breve reflexão ao que foi dito no parágrafo anterior, podemos perceber se a escola é um espaço que contém várias culturas e que carrega também a marca da sociedade que é o preconceito, e sendo a educação física um componente curricular escolar, é lógico pensar que nas aulas de educação física também haja preconceito de cor, assim como outros tipos de preconceitos como: gênero, orientação sexual, religiosa entre outros.

    A citação seguinte demonstrar de forma objetiva palavra por palavra o parágrafo anterior:

    Até o final do século XIX, mais precisamente 1872, o país registrava a existência de leis que proibiam o acesso de negros e negras, livres ou libertos, à escola de qualquer nível, lembrando que a criação dos primeiros cursos de nível superior data do início do século XIX. (Ribeiro, 2003) [grifos meus].

    Percebe se que em tempos de escravidão existia uma política nacional de exclusão das pessoas de pele mais escura em todos os níveis de ensino. Isso datado no ano 1872 as manifestações de ódio discriminatórias foram passadas de geração a geração pelos nossos avós e bisavós e hoje vemos muitas dessas manifestações em estádios e quadras poliesportivas.

E a educação física o que tem haver com isso?

    Primeiramente, é preciso entender que a todo o momento se discute esse tipo assunto que é de tal importância para uma sociedade, que muitas vezes esta mesma sociedade fecha os olhos frente ao fenômeno do "racismo" essa terminologia que muitas vezes é empregada erroneamente, pois pressupõe se que racismo vem de raças. Em muitas partes desse trabalho buscou se utilizar o mínimo possível dessa expressão. Todos somos seres humanos devemos ser tratados como tal temos nossos defeitos e qualidades todos devem ter o mesmo valor e não essa divisão de raças.

    Ao propor o tema preconceito em Educação Física Escolar, logo apresenta se um grave problema. É extremamente complicado pensar/exercer em práticas pedagógicas mais abrangentes que busque a inclusão, pois o que se observa hoje em dia, é a exclusão pelo viés do preconceito em suas formas mais nefasta, seja pela manifestação étnica ou por qualquer tipo de diferença Bozi et al (2008, p.01).

    Outro motivo é que, devido o preconceito ser fruto de padrões estabelecidos pela sociedade, o corpo reflete a principal forma de manifestação deste, sendo que, especialmente na escola, muitos destes pensamentos são manifestados em forma de críticas, exclusões e humilhações. (Bozi et al 2008, p.01). [grifos meus].

    Nesse sentido as aulas de Educação Física e o professor de educação física deve chamar para si a responsabilidade e assumir o papel de educador, não só pela ótica fisiológica/motora, mas também pelo caminho da formação integral do indivíduo. Nessa perspectiva, é papel do professor de Educação Física fomentar na sua prática diária debates discussões, possibilitando transmissão do saber elaborado, desprendendo se de ideais de valor vindo da sociedade reprodutora de preconceitos, discriminação e subordinação. Bozi et al (2008, p.01).

    É de suma importância que o professor de Educação Física aborde essas temáticas temporalmente próximas ao momento em que eles ocorrem para que isto sirva como objeto que promova reflexões mais aprofundadas por parte dos alunos sobre a ocasião ou problema ocorrido. Um exemplo que pode ser citado aqui é a questão do racismo nos estádios de futebol. Bozi et al (2008, p.01).

    Como a educação física trata da cultura corporal do movimento, lidamos com o movimento, corpos, pessoas que são dotadas de sentimentos e emoções. É notório que o corpo a cor negro seja carregado de estigmas na visão da sociedade, muitas vezes somos associados a futebol, pois a expressão máxima do futebol continua sendo Edson Arantes do Nascimento o "Pelé", ao associar a essa imagem todos pensam "se é negro é bom de bola".

    O estigma que uma determinada cor carrega é bastante influenciado, levando várias pessoas correlacionar negro a dança, o gingado malandro, aos batuques de atabaques, isto sem dizer as palavras e expressões que se podem encontra nos dicionários como: denegrir, câmbio negro, lado obscuro, ou quando algumas pessoas desejam dizer que ela foi enfática, explicativa, objetiva sempre dizemos “eu fui claro". Existe uma série de outras expressões que passaríamos muito tempo aqui expondo.

    Umas das maiores aberrações dos últimos tempos aconteceu no programa do Faustão da Rede Globo de Televisão no quadro dança dos famosos com o Rapper Mv Bill, em que a apresentadora Ana Maria Braga dessa mesma emissora trouxe a questão racial como forma de critério de júri desse quadro que concentra altos índices de audiência nas noites de domingo

Veja o que disse Ana Maria Braga:

    "Eu achava que você Mv Bill fosse assim, olha, um dan-ça-ri-no de primeira por que eu morro de inveja do pessoal assim, que... que tem o samba no... no.... no..., e eu achei que cê tivesse sabe é um negócio por que eu te admiro tanto eu te acho um cara tão assim, que a gente sonha com você e é o negócio da música e eu achei que ele tivesse a música incorporada também no gingado da raça".

Em resposta o Rapper disse:

    "O que me deixou bolado foi mais o critério racial... Como se o fato de ser preto seria já uma garantia de que seria ótimo dançarino... Como apresentadora ela não pode usar o critério racial nem para o mal nem para o bem, nunca".

    São esses tipos de pensamentos potencializa os estigmas que incide em forma de preconceitos sobre a cor negra. Sendo a dança um dos conteúdos da educação física e o negro visto como bom dançarino pressupõe se que a educação física deve propor rompimento e quebra de paradigmas existentes.

Metodologia

    Essa oficina foi realizada no colégio Luiz Viana Filho na turma do 3° ano matutino.

    Etapas da oficina:

Resultados

    Com tudo, pode perceber que os alunos do 3° ano do ensino médio do colégio Luiz Viana Filho entendem que existe um fenômeno excludente de cor que ocorrem a todo o momento e que a sociedade muitas vezes tenta esconder atrás de brincadeiras e anedotas e isso são construções históricas muitas vezes trazidas de tempos de escravidão pelos nossos avós e bisavós que encontram amparo pelas sociedades em cada momento da história.

    Os alunos se posicionaram a respeito do assunto com muita propriedade explanado suas experiências e vivências dos acontecimentos em suas vidas demonstrando assim uma surpresa, pois o que a maioria das pessoas prefere correr do debate ao invés de propor uma discussão séria onde possam ser aproveitadas idéias na busca de soluções dos problemas enfrentados.

Conclusão

    Com este o trabalho, entendemos que todas as formas de preconceito é algo que insiste em permanecer toda a sociedade e isto ocorre também na escola, visto que este fenômeno ocorre comumente nas aulas de Educação Física. E é justamente nas aulas de educação física que nos tornamos alvos de opiniões desrespeitosas como explica Bozi:

    (...) os indivíduos estão mais expostos a todo o tipo de crítica ou julgamento. Seja por sua etnia, raça, questões estéticas, de gênero ou por qualquer outra diferença que fuja dos padrões impostos pela sociedade, muitos alunos hoje são submetidos a algum tipo de preconceito. (Bozi et al, 2008, p.01)

    Ao concluir essa oficina intitulada: Onde você guarda seu preconceito? Não guarde, jogue fora! Pode se afirmar que em todo curso essa foi a melhor das experiências vivida por este discente em todo curso de Educação Física. Isso se deve pela recepção, calor, carinho da turma naquele momento e o amadurecimento, posicionamento, gesticulação destes educandos frente ao tema dessa oficina, vale lembra que a reflexão que este puderam dispor e a troca de experiência na ocasião tornou se uma oportunidade única em que o discente de Educação Física pode se expressar como nunca tivera sido em todo curso.

    Por fim alguns alunos não quiseram se posicionar a respeito por conta de ser tímidos e outros como em qualquer turma tem sempre aqueles que são os "engraçadinhos" e acham que tudo é irrelevante e vivem pondo apelidos nos colegas isso é compreensível por conta da idade, porém o que valeu apena foi o aprendizado obtido naquela ocasião especial. Lembrando que a cor é uma barreira imposta pela sociedade não devemos ser vistos pela cor, gênero, religião e orientação sexual mais sim pelas capacidades que todo ser humano é capaz.

Bibliografia

Outros artigos em Portugués

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EFDeportes.com, Revista Digital · Año 20 · N° 213 | Buenos Aires, Febrero de 2016
Lecturas: Educación Física y Deportes - ISSN 1514-3465 - © 1997-2016 Derechos reservados