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ISSN 1514-3465

 

Importância do profissional Educação Física na saúde dos idosos

Atividade física orientada a melhoria de sua saúde mental, física e social

The Importance of the Physical Education Professional for the Elderly.

Physical activity aimed at Improving their Mental, Physical, and Social Health

La importancia de los profesionales de la Educación Física para las personas mayores.

Actividad física orientada a la mejora de su salud mental, física y social

 

Marcelo Bittencourt Jardim, Dsc

jardimmarcelobittencourt@gmail.com

 

Doutorado em Saúde Mental

Instituto Brasileiro de Apoio Técnico às Escolas e Profissionais (IBRATEP)

(Brasil)

 

Recepción: 25/07/2026 - Aceptación: 22/08/2026

1ª Revisión: 19/08/2026 - 2ª Revisión: 20/08/2026

 

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https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt

Citação sugerida: Jardim, M.B. (2026). Importância do profissional Educação Física na saúde dos idosos. Atividade física orientada a melhoria de sua saúde mental, física e social. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(340), 182-193. https://doi.org/10.46642/efd.v31i340.9058

 

Resumo

    O presente estudo foi conduzido na Clínica da Família Medalhista Olímpico Ricardo Lucarelli Souza, no Rio de Janeiro, e teve como objetivo analisar as principais motivações, obstáculos e benefícios vivenciados pelos pacientes, sobretudo idosos, durante a prática de atividade física em um programa de atividade física conduzido pelo profissional da área. Os resultados revelaram que a busca pela melhoria da saúde e qualidade de vida foi a principal motivação para a prática de atividade física entre os idosos, e o médico, enquanto profissional de saúde, desempenhou papel fundamental no início e na permanência dessa prática, contribuindo diretamente para melhor adesão. No entanto, também foram identificadas barreiras que dificultam a prática regular de atividade física, como obrigações familiares ou compromissos com trabalho, por exemplo. A prática de atividade física realizada em dinâmica de grupo também foi destacada como uma forma de socialização e integração entre os idosos, contribuindo para a melhoria da sua autoestima e qualidade de vida, ajudando inclusive no engajamento a essa atividade. Os benefícios relatados pelos participantes incluíram melhorias na saúde física e mental, aumento da disposição e energia, redução do estresse e ansiedade, melhoria na qualidade do sono, auxílio no tratamento de outras doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão, além de contribuição com o alívio de dores crônicas e com o próprio sofrimento psíquico. Esses benefícios ressaltam a importância da promoção da atividade física entre os idosos como uma estratégia eficaz para prevenir e tratar diversas doenças, além de promover um envelhecimento saudável e ativo.

    Unitermos: Idoso. Saúde mental. Atividade física.

 

Abstract

    This study was conducted at the Olympic Medalist Family Clinic Ricardo Lucarelli Souza, located in Rio de Janeiro, with the aim of analyzing the main motivations, obstacles, and benefits experienced by elderly patients engaging in physical activity programs led by a professional in the field. Through interviews with 20 participants, it was identified that the pursuit of improved health and quality of life was the primary motivation for physical activity among the elderly. The physician played a crucial role in initiating and maintaining this practice, directly contributing to better adherence. However, significant barriers such as family obligations and professional commitments were identified, hindering regular physical activity. Group physical activity was highlighted as an effective means of socialization and integration among the elderly, improving self-esteem and quality of life. Reported benefits included improvements in physical and mental health, increased energy and vitality, reduced stress and anxiety, better sleep quality, and aid in managing chronic diseases such as diabetes and hypertension, as well as relief from chronic pain and psychological distress. These findings underscore the importance of promoting accessible and well-structured physical activity programs for the elderly to prevent and treat various diseases and promote healthy and active aging.

    Keywords: Elderly. Mental health. Physical activity.

 

Resumen

    El presente estudio se llevó a cabo en la Clínica de la Familia Medallista Olímpico Ricardo Lucarelli Souza, ubicada en Río de Janeiro, y tuvo como objetivo analizar las principales motivaciones, obstáculos y beneficios experimentados por los pacientes de edad avanzada en la práctica de actividad física. Los resultados revelaron que la búsqueda de una mejora en la salud y calidad de vida fue la principal motivación para la práctica de actividad física entre los pacientes de edad avanzada. Sin embargo, también se identificaron algunos obstáculos que dificultan la práctica regular de actividad física, como cuestiones familiares u obligaciones laborales. La práctica de actividad física en grupo también se destacó como una forma de socialización e integración entre los pacientes de edad avanzada, lo cual contribuye a la mejora de su autoestima y calidad de vida. Los beneficios reportados por los participantes incluyeron mejoras en la salud física y mental, aumento de la energía y vitalidad, reducción del estrés y la ansiedad, mejora en la calidad del sueño y prevención de enfermedades crónicas como la diabetes, hipertensión y enfermedades cardiovasculares, dolores crónicos y depresión. Estos beneficios subrayan la importancia de promover la actividad física entre los pacientes de edad avanzada como una estrategia efectiva para prevenir y tratar diversas enfermedades, así como promover un envejecimiento saludable y activo.

    Palabras clave: Personas mayores. Salud mental. Actividad física.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 340, Sep. (2026)


 

Introdução 

 

    Este trabalho foi desenvolvido em uma unidade de saúde para constatarmos a importância do profissional de educação física na saúde pública do Rio de Janeiro. Que as atividades geram melhoria na qualidade de vida social, física e o mais importante desse estudo mostramos o impacto positivo através de pesquisas e dados relevantes que maior prevalência de melhoria na vida dos idosos e adultos com comorbidades foi a melhoria da saúde mental da população durante as os exercícios físicos e o mais interessante que atrelado com um profissional técnico capacitado para lidar com várias situações adversas no convívio com a população vulnerável estudada mostra a importância do profissional de educação física proporciona bem-estar e melhorias a população. O estudo constata grandes resultados.

 

    A prática regular de atividade física é fundamental para a promoção da saúde e da qualidade de vida (Eckstrom et al., 2020). No entanto, compreender as motivações, os benefícios e as barreiras enfrentadas pelos indivíduos durante a rotina ativa é crucial para promover uma adesão efetiva a essas atividades.

 

    Esse artigo é baseado na tese de doutorado em saúde mental de (Jardim, 2026). Contatamos a importância do exercício físico na qualidade de vida dos pacientes envolvidos na atividade e que grupos de exercícios são fundamentais para a relação social, saúde mental, interação, reabilitação neuropsicomotora e física de idosos que vivem em locais vulneráveis na cidade do Rio de Janeiro no Brasil.

 

Imagem 1. Fotos do grupo de atividade física na Clínica da Família Ricardo Olímpico Lucarelli Souza

Imagem 1. Fotos do grupo de atividade física na Clínica da Família Ricardo Olímpico Lucarelli Souza

Fonte: Autor

 

    Neste estudo, buscamos investigar tais motivações e barreiras para a prática de atividade física na Clínica da Família Medalhista Olímpico Ricardo Lucarelli Souza, que fica no centro do Rio de Janeiro no complexo de comunidades do São Carlos, uma das maiores favelas do centro do Rio, além de mapearmos os principais benefícios referidos pelos pacientes, principalmente da população idosa, a fim de compreendermos os fatores que influenciam seu engajamento nesse tipo de programa.

 

    O envelhecimento da população é uma realidade global (Partridge, Deelen, e Slagboom, 2018). Nesse contexto, os cuidados com a saúde e o bem-estar dos idosos tornam-se cada vez mais relevantes e a prática regular de atividade física emerge como uma importante estratégia para promover um envelhecimento saudável e ativo, porque ela não apenas proporciona benefícios físicos, mas também contribui para a saúde mental, a autonomia e a qualidade de vida dos idosos. (Labra et al., 2015)

 

    A população idosa enfrenta diversos desafios relacionados à manutenção de um estilo de vida ativo. Muitas vezes, a redução da atividade física está associada a fatores como aposentadoria, diminuição da mobilidade, surgimento de doenças crônicas, perda de amigos e familiares, isolamento social e medo de quedas ou lesões.

 

    Esses obstáculos podem levar a um ciclo de inatividade motora e declínio funcional, afetando negativamente a saúde e o bem-estar dos idosos (Venceslau et al., 2023). Portanto, é fundamental compreendermos as motivações e as barreiras que os idosos enfrentam em relação à prática de atividade física, a fim de desenvolvermos estratégias e intervenções eficazes. Identificaremos as motivações intrínsecas e extrínsecas que impulsionam os idosos a se engajarem em atividades físicas (Batista, Matos, e Nascimento, 2017), tal como os obstáculos específicos que limitam sua participação podem ajudar a criar um ambiente favorável e promover a adesão a um estilo de vida mais ativo.

 

    Abordaremos os obstáculos e as motivações relacionadas à prática de atividade física na população idosa, é possível desenvolver estratégias personalizadas que promovam uma participação efetiva. Além disso, identificaremos os principais benefícios que os próprios indivíduos perceberam ao longo do tempo com o exercício físico contribui com um melhor entendimento da relação entre atividade física e qualidade de vida na população analisada.

 

    A criação de programas de exercícios adaptados, a oferta de opções de atividades físicas adequadas às preferências e capacidades individuais, o estabelecimento de redes de suporte social e a conscientização sobre os benefícios da atividade física podem ajudar a superar as barreiras existentes e incentivar a adesão.

 

Métodos 

 

    Elaboramos o presente trabalho e tratou-se de um estudo de doutorado em saúde mental, observacional, qualitativo utilizando fundamentos do estudo de Gomes, Deslandes, e Moreira (2020).

 

    Após livre consentimento, os participantes responderam a um questionário contendo 5 perguntas pré-estruturadas, abertas, que foram transcritas para um formulário de extração dos dados. As perguntas abertas, tinham por objetivo permitir que os sujeitos expressassem livremente suas motivações e barreiras para a prática de atividade física. O questionário utilizou como referência o instrumento construído por Batista, Matos, e Nascimento (2017). As perguntas utilizadas foram:

  1. O que te motivou a iniciar a prática de atividade física na Clínica da Família?

  2. Quais são as principais barreiras que você enfrenta para a prática regular de atividade física na Clínica da Família?

  3. Como você lida com as barreiras identificadas para a prática de atividade física?

  4. Quais são os benefícios que você obteve com a prática regular de atividade física na Clínica da Família?

  5. O que você mais gosta da prática de atividade física na Clínica da Família.

    O estudo foi conduzido na Clínica da Família Medalhista Olímpico Ricardo Luccarelli de Souza, Unidade de Saúde da atenção primária que presta serviço público voltado ao atendimento familiar, focada em ações de prevenção, promoção da saúde e no diagnóstico precoce de doenças, localizada no bairro Centro, no Rio de Janeiro.

 

    A unidade é responsável por mais de 20.000 pacientes, residentes, em sua maioria, do Morro São Carlos, comunidade que faz relação de proximidade com a própria Clínica. Os pacientes são acompanhados por uma equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e um profissional de educação física.

 

    Durante as consultas médicas, é orientada a prática de atividade física, que acontece de forma regular durante as semanas. O referido programa é estruturado de maneira a englobar três sessões semanais, cada uma com uma média de duração de 2 horas.

 

    Previamente ao início de qualquer prática, todos os pacientes têm sua pressão arterial aferida pelo profissional de educação física incumbido. Em seguida, são orientados a realizar uma caminhada com duração de 20 minutos nas imediações da clínica, respeitando-se suas peculiaridades e limitações individuais.

 

    Posteriormente, no primeiro dia, são implementados exercícios voltados para aprimoramento da flexibilidade, mobilidade e resistência. No segundo dia, após a caminhada, é executado um circuito funcional, ao passo que no terceiro dia é conduzida uma sessão de Pilates solo.

 

    A população-alvo do estudo foi composta por pacientes que participaram das atividades conduzidas pelo profissional de educação física na Clínica da Família Medalhista Olímpico Ricardo Lucarelli, durante o primeiro semestre de 2023.

 

    A condução do estudo foi autorizada pela gerente da Unidade de Saúde, garantindo a que aprovação ética necessária para sua realização.

 

    Os dados obtidos durante a pesquisa foram submetidos a uma análise estatística utilizando o software Excel 2000.

 

Resultados 

 

    Foram realizadas na entrevista um total de 20 indivíduos, dos quais 18 eram do sexo feminino e situavam-se na faixa etária entre 50 e 84 anos, e, 2 eram do sexo masculino, com idades 48 e 61 anos, respectivamente.

 

Tabela 1. Distribuição do número de indivíduos do estudo pelo gênero e pela faixa etária

Variáveis

N (indivíduos)

Gênero

Feminino

18

Masculino

2

Faixa etária

40 a 50 anos

1

50 a 70 anos

13

70 anos ou mais

6

Fonte: Elaboração própria

 

    Verificou-se que dezesseis pessoas (80 %) daquelas que se engajaram em atividades físicas regulares na Clínica iniciaram suas práticas mediante recomendação médica. Tal prescrição teve por objetivo promover mudanças no estilo de vida que contribuíssem para o tratamento de doenças crônicas, sendo a hipertensão arterial sistêmica (HAS), o diabetes mellitus (DM), o sofrimento psíquico e as dores crônicas as enfermidades ou condições comórbidas mais frequentemente encontradas.

 

    Nos casos restantes, observou-se que duas pessoas (10 %) foram motivadas por vizinhos ou colegas que já participavam do programa, uma pessoa (5 %) foi incentivada pelo próprio profissional de educação física da Clínica e outro indivíduo (5 %) iniciou a prática por conta própria (Figura 1).

 

Figura 1. Relação entre os motivos que levaram os 

pacientes a buscarem a atividade física na Clínica da Família

Figura 1. Relação entre os motivos que levaram os pacientes a buscarem a atividade física na Clínica da Família

Fonte: Elaboração própria

 

    Constatamos que 13 pacientes (65 %) entrevistados relataram a ausência de obstáculos significativos para a prática regular de atividades físicas na Clínica da Família, especialmente em relação ao acesso. Entretanto, aqueles que identificaram dificuldades ou barreiras para a permanência no programa alegaram problemas de diferentes naturezas (35 %).

 

    Foram citadas questões familiares, em que as pacientes tinham que cuidar dos netos ou filhos em casa e, por conta disso, não conseguiam se locomover até a Clínica; restrições quanto à disponibilidade de horários, quando havia compromissos específicos no mesmo horário da dinâmica da Clínica; e obrigações trabalhistas, que envolveram o desempenho de funções remuneradas, as quais eram fundamentais para o sustento financeiro dos pacientes.

 

    É importante mencionar que, entre aqueles que apresentaram restrições familiares, como o dever de cuidar dos netos em casa, encontrou-se uma estratégia para superar essa barreira. Alguns indivíduos resolveram tal questão trazendo seus familiares à Clínica, permitindo que continuassem participando da atividade.

 

    Além disso, quando não era possível comparecer às aulas por conta de compromissos no trabalho ou falta de tempo, identificou-se a tentativa de buscar compensar essa ausência realizando outras atividades durante o fim de semana.

 

    Essas soluções alternativas demonstram a resiliência e o comprometimento dos pacientes em superar os desafios para manter a prática regular de atividades físicas na Clínica da Família.

 

    Foram abundantes os relatos sobre os benefícios experimentados pelos pacientes durante a prática de atividades físicas na Clínica da Família (Figura 2). Um total de onze pacientes (55 %) mencionaram melhorias na energia e no bem-estar geral decorrentes da atividade física, destacando a capacidade de desempenhar suas atividades diárias em casa e com a família com maior funcionalidade, assim como o aumento da produtividade no trabalho.

 

    Quatro pessoas (20 %) relataram um melhor controle da hipertensão arterial sistêmica (HAS) e até mesmo redução da necessidade de medicamentos após alguns meses inserido no programa.

 

    Três pacientes (15 %) afirmaram que tinham problemas para dormir e perceberam uma melhora significativa. Relataram sentir-se mais cansados ao final do dia, o que contribuía para um sono mais prolongado e de melhor qualidade. Para seis indivíduos (30 %), a dinâmica das atividades físicas impactou positivamente suas vidas ao auxiliar no tratamento do sofrimento psíquico. A prática coletiva incentivou a formação de amizades e a interação humana, proporcionando uma sensação de tranquilidade e alegria.

 

Figura 2. Benefícios relatados pelos pacientes durante as entrevistas

Figura 2. Benefícios relatados pelos pacientes durante as entrevistas

Fonte: Elaboração própria

 

    Adicionalmente, treze pacientes (65 %) constataram uma melhora significativa nas dores corporais, sejam elas de origem muscular, óssea ou articular, sendo a região lombar e os joelhos os locais mais frequentemente afetados. Alguns pacientes recuperaram a mobilidade e melhoraram a flexibilidade, além de reaverem habilidades motoras que haviam sido perdidas devido à dor crônica. Esses relatos destacaram os impactos positivos e abrangentes da prática regular de atividade física na Clínica da Família, abordando desde aspectos físicos, como energia, dor e qualidade do sono, até os benefícios emocionais, a partir da promoção de interações sociais gratificantes. (Oliveira et al., 2019)

 

    Quando perguntados sobre o ponto alto do programa, uma parte significativa dos pacientes (60 %) relatou que a formação de amizades e a sociabilidade proporcionadas pela prática coletiva de atividades físicas eram os aspectos que mais apreciavam.

 

    Muitos deles valorizavam a oportunidade de fazer novas amizades e interagir com os colegas, pois isso lhes permitia compartilhar risadas e esquecer temporariamente dos problemas cotidianos, além de evitar a sensação de solidão em casa.

 

    Adicionalmente, nove pacientes (45 %) destacaram a importância do professor como um fator determinante para sua permanência na Clínica e para a continuidade da prática de atividades físicas.

 

    Eles enfatizaram a personalidade engraçada, atenciosa e divertida do professor na condução das dinâmicas, o que contribuía para tornar as sessões mais agradáveis e motivadoras.

 

    Outros cinco indivíduos (25 %) mencionaram que os exercícios em si eram extremamente benéficos para o alívio das dores e para melhorar sua funcionalidade nas atividades diárias.

 

    Essa parcela entrevistada ressaltou que os exercícios eram o melhor aspecto da prática de atividade física, pois também proporcionavam melhorias significativas em suas capacidades funcionais.

 

Figura 3. Preferências dos pacientes

Figura 3. Preferências dos pacientes

Fonte: Elaboração própria

 

Discussão 

 

    Constatamos que o presente estudo revelou descobertas pertinentes acerca dos benefícios obtidos e dos obstáculos enfrentados por pacientes idosos durante a participação em programas de atividades físicas.

 

    Em primeiro lugar, buscamos constatar que o médico, enquanto profissional de saúde, desempenha um papel fundamental na adesão dos pacientes, uma vez que a maioria expressiva (80 %) dos participantes ingressou no programa mediante recomendação médica, com o intuito de tratar condições de saúde específicas.

 

    Dentre as comorbidades mais frequentemente identificadas, destacaram-se a dor crônica, a hipertensão arterial, o diabetes mellitus tipo 2 e o sofrimento psíquico.

 

    Nesse sentido, é crucial que os profissionais de saúde reconheçam o poder transformador de suas orientações e compreendam a influência que seus direcionamentos exercem na vida dos pacientes, como afirmam Nahas, e Garcia (2010): a “qualidade de vida é a promoção da saúde, é a arte de ajudar as pessoas a mudar seus estilos de vida para atingirem uma saúde plena” e “priorizar a saúde, que é a condição equilibrada de bem-estar físico, emocional, espiritual (de suas crenças) e relacional (social), ausência de doenças, incapacitações e de disfunções”.

 

    Além disso, constatamos que a maioria dos indivíduos que frequentam regularmente o programa de atividade física na Clínica da Família não relatou a existência de barreiras significativas.

 

    A facilidade de acesso, muito em virtude da proximidade das moradias às dependências da Clínica, foi um fator importante de adesão à prática.

 

    Por outro lado, foi observado que os pacientes que residem em áreas geograficamente mais distantes da unidade, em locais de maior dificuldade de acesso na comunidade, apresentaram menor engajamento no programa.

 

    Portanto, investigaremos a perspectiva desses não praticantes pode ser uma direção promissora para estudos futuros, fato que já foi trabalhado e discutido em algum grau por Krug et al. (2015). No trabalho observamos, uma das maiores barreiras identificadas para a prática de atividade física pelos pacientes idosos foi a limitação física, além da falta de disposição, que são aspectos que estão intrinsecamente ligados.

 

    Concluiu-se, ainda, que uma parcela significativa dos pacientes atribui grande importância à prática de atividades físicas em grupo como um fator determinante para a continuidade de sua participação no programa.

 

    A interação social e a formação de laços de amizade não apenas contribuíram diretamente para a realização das atividades propostas, mas também tiveram um impacto indireto ao promover o bem-estar e um senso de pertencimento entre os pacientes, inclusive auxiliando no tratamento de sintomas depressivos.

 

    Oliveira et al. (2019) desenvolveu um estudo que avaliou comparativamente a prevalência de depressão e ansiedade em pacientes idosos sedentários com aqueles engajados em atividade física, revelando que esse estilo de vida ativo diminuiu a presença destas doenças psiquiátricas na comunidade e esteve relacionado com maiores índices de qualidade de vida e de bem-estar geral.

 

    Tais resultados evidenciam o valor da dinâmica de grupo em programas de atividade física, uma vez que muitas pessoas em situação de vulnerabilidade social que atingem a velhice são abandonadas e não possuem qualquer rede de apoio (Seribeli, e Aguiar, 2010), contexto que facilita o surgimento de mazelas como a depressão e a ansiedade.

 

    Outro aspecto valorizado pela maioria dos participantes deste estudo foi a presença de um profissional qualificado, que apresentasse características acolhedoras e proporcionasse um ambiente divertido durante a condução das práticas.

 

    A criação de um vínculo com o professor, de acordo com as próprias pacientes, foi um elemento comumente apontado como o mais importante. A abordagem simples, a paciência e a transmissão de alegria por parte do profissional fizeram diferença e foram amplamente elogiadas durante as entrevistas.

 

    A qualidade de vida a partir da atividade física e a dinâmica saudável entre professor e alunos é um dos objetivos que o trabalho do profissional de educação física busca e tenta proporcionar na unidade de saúde.

 

    Além disso, é válido estimular a conscientização dos alunos aliançada à prática da reeducação psicomotora continuada no seu cotidiano, como expõem em seu trabalho Jardim, e Santos (2020), em que se percebem as mudanças de cunho mental, relacional e de natureza física que alguns discentes despertam ao longo das atividades propostas pelo docente.

 

    Em estudos recentes desse porte técnico com desenvolvimentos de trabalhos com sujeitos idosos, encontramos (Jardim, 2023) a importância do profissional de saúde na transformação que a atividade física promove na vida dos pacientes.

 

    Nesse estudo buscamos, e contatamos que o autor disserta a respeito de trabalhos de atividade física com idosos e adultos com comorbidades na saúde pública e, consideramos interessante como leitura de base para entendermos o trabalho de educação física na saúde pública pelo Núcleo de Apoio à Saúde da Família e sua relevância para o bem-estar físico, mental e social no cotidiano dos pacientes que praticam essas atividades ofertadas na unidade de saúde que estamos acompanhando. Ampliaremos o estudo realizado para aumentar o conhecimento nessa determinada área do saber para auxiliar estudantes e profissionais da área da saúde.

 

    Um avanço no controle de doenças crônicas, como diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica, foi identificado, embora seja importante ressaltar que essa constatação tenha ocorrido apenas de forma verbal.

 

    Para obter uma compreensão mais abrangente e conclusiva, é necessária uma investigação mais aprofundada. Durante o estudo, observou-se uma melhora no controle glicêmico e uma redução nas dosagens da terapia anti-hipertensiva, evidenciando os benefícios do exercício físico no manejo dessas enfermidades, que são amplamente prevalentes na sociedade mundial. (Ribeiro, 2020)

 

    Esses resultados estão em consonância com estudos de renome que abordam o papel da atividade física na prevenção e tratamento de doenças como a hipertensão arterial sistêmica (Brook, 2013). No entanto, é importante ressaltar que a constatação verbal do progresso no controle das doenças mencionadas requer uma investigação mais rigorosa para estabelecer uma afirmação mais sólida.

 

    Verificamos que a atividade física contribuiu para o tratamento de quadros de sofrimento psíquico.

 

    O sofrimento psíquico, um termo amplo que abrange diversos transtornos mentais, é uma condição comum que causa impacto significativo na qualidade de vida do indivíduo e de sua família.

 

    Pode ser de longa duração ou recorrente, afetando negativamente a capacidade de trabalhar, estudar e lidar com as demandas diárias (OMS, 2016). Dentro desse contexto, a prática de atividade física está associada a fenômenos neuropsicológicos e neurobiológicos, conforme discutido por Mendes et al. (2017).

 

    Demostraremos a importância dessa prática, que foi demonstrado contribuir para o tratamento de condições como o sofrimento psíquico, que também foi estudado e compreendido sob uma perspectiva neuroquímica, com evidências de diminuição dos níveis cerebrais de serotonina e noradrenalina. (Ribeiro, 1998)

 

    A atividade física desempenha um papel importante na reversão ou remissão de quadros de sofrimento psíquico, os quais têm sido frequentemente relatados na população idosa. Sua influência é de natureza biopsicossocial, abrangendo aspectos físicos, psicológicos e sociais.

 

    Finalmente, foi especialmente notório o impacto que a prática ativa teve no tratamento das dores crônicas, com relatos de melhora parcial ou mesmo reversão completa dos sintomas. A prática ativa, que envolve o engajamento em atividades físicas regulares e adaptadas, tem sido reconhecida como uma abordagem eficaz no tratamento de dores crônicas. Estudos e relatos clínicos têm documentado o impacto positivo da atividade física na redução da intensidade da dor, no aumento da função física, na melhora do humor e na qualidade de vida geral.

 

    Vários mecanismos podem explicar os efeitos benéficos da prática ativa no tratamento da dor crônica. A atividade física regular pode promover a liberação de endorfinas, que são substâncias químicas naturais do corpo que ajudam a reduzir a percepção da dor e promovem uma sensação de bem-estar.

 

    Além disso, o exercício pode fortalecer os músculos e melhorar a flexibilidade, o que pode reduzir a carga nas articulações e proporcionar um melhor suporte estrutural.

 

    Um estudo publicado no periódico Pain Medicine (Gomez-Pilar et al., 2026) mostrou que programas de exercícios supervisionados, incluindo exercícios aeróbicos e de fortalecimento, foram eficazes na redução da dor em pessoas com dor lombar crônica.

 

    Outra revisão sistemática publicada no British Journal of Sports Medicine (Shiri, e Falah, 2017) analisou diversos estudos e concluiu que a atividade física era benéfica para várias condições dolorosas, incluindo artrite, fibromialgia e dor lombar.

 

Conclusão 

 

    Em conclusão, este estudo evidenciou a importância da atividade física para os pacientes praticantes de atividade física, sobretudo idosos, identificando seus benefícios relacionados ao controle de doenças crônicas, tratamento de sintomas depressivos e redução das dores crônicas.

 

    A recomendação médica desempenhou um papel crucial na adesão dos pacientes, destacando a influência positiva dos profissionais de saúde na promoção da atividade física. Além disso, a prática em grupo e o vínculo com os professores foram fatores determinantes para a continuidade da participação dos idosos nos programas.

    

    Os resultados obtidos reforçam a importância de programas de atividades físicas acessíveis, inclusivos e supervisionados por profissionais qualificados na saúde pública.

 

    Essas intervenções têm o potencial de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, principalmente idosos, promovendo não apenas benefícios físicos, mas também sociais e mentais.

 

    Portanto, é fundamental que sejam desenvolvidas políticas públicas e estratégias que incentivem e facilitem a participação dos idosos em programas de atividade física, visando a promoção do envelhecimento saudável e o bem-estar geral dessa população.

 

Referências 

 

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Brook, RD, Appel, LJ Rubenfire, M, Ogedegbe, G, Bisognano, JD, Elliott, WJ, Fuchs, FD, Hughes, JW, Lackland, DT, Staffileno, BA, Townsend, RR, Rajagopalan, S., American Heart Association Professional Education Committee of the Council for High Blood Pressure Research, e Council on Cardiovascular and Stroke Nursing (2013). Council on Epidemiology and Prevention, and Council on Nutrition, Physical Activity. Beyond medications and diet: alternative approaches to lowering blood pressure: a scientific statement from the American Heart Association. Hypertension, 61(6), 1360-83. https://doi.org/10.1161/HYP.0b013e318293645f

 

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Gomez-Pilar, J., Vaquerizo-Villar, F., D. García-Azorín, D., Sierra-Mencía, Á., Guerrero-Peral, A.L., e Hornero, R. (2026). Pain Medicine, 27(7), 753–762. https://doi.org/10.1093/pm/pnag060

 

Jardim, M.B. (2023). A psicomotricidade ressignificando a educação corporal de idosos e adultos em comunidades de São Gonçalo-RJ: Da teoria á prática (NASF). Pesquisa de Mestrado. Lecturas: Educación Física y Deportes, 27(297), 232-236. https://www.efdeportes.com/efdeportes/index.php/EFDeportes/article/view/3858

 

Jardim, M.B. (2026). A importância do profissional de educação física aos idosos para a melhoria de sua saúde mental, física e social na APS [Doutorado em Saúde Mental, UNIBRATEP].

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 340, Sep. (2026)