ISSN 1514-3465
Respostas neuromusculares pelo tempo de
contato e índice de força reativa em alturas de queda
Neuromuscular Responses by Contact Time and Reactive Force Index during Fall Times
Respuestas neuromusculares según el tiempo de contacto y el índice de fuerza reactiva durante las caídas
Vidal Palacios Calderón
* palacios@ufpr.brAna Cleria Schwartzbach Vieira
**anaschwartzbach@ufpr.br
Ana Carolina Vieira Delfino
***acvd661@gmail.com
Lislaine Fernanda de Souza do Nascimento
+lis.fernanda03@gmail.com
Matheus Souza dos Santos
++matthewsdsantos@gmail.com
*Graduado em Educação Física
pelo Instituto Central de Cultura Física, em Moscou
Doutor em Ciências da Cultura Física
pelo Instituto Superior de Cultura Física "Manuel Fajardo", em Havana
Professor Titular do Departamento de Educação Física
da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Técnico Nível I do World Athletics
**Acadêmica do 8º período do curso de Bacharelado
em Educação Física pela UFPR
***Graduado em Educação Física pela UFPR
+Acadêmica do 8º período do curso de Bacharelado
em Educação Física da Universidade Cesumar (UniCesumar).
++Graduado em Educação Física pela UFPR
Mestrado em Biociências e Saúde
pela Universidade Oeste de Santa Catarina (UNOESC)
(Brasil)
Recepción: 22/06//2026 - Aceptación: 30/07/2026
1ª Revisión: 18/07/2026 - 2ª Revisión: 27/07/2026
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0
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Este trabalho está sob uma licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt |
Cita sugerida
: Calderón, V.P., Vieira, A.C.S., Delfino, A.C.V., Nascimento, L.F. de S. do, e Santos, M.S. dos (2026). Respostas neuromusculares pelo tempo de contato e índice de força reativa em alturas de queda. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(341), 124-143. https://doi.org/10.46642/efd.v31i341.9018
Resumo
Diversos estudos têm investigado variáveis neuromusculares, como o tempo de contato com o solo e o índice de força reativa (IFR), durante a execução do drop jump (DJ). No entanto, análises detalhadas em nível individual, bem como comparações do tempo de contato entre o drop jump e o depth jump (DeJ), ainda são escassas na literatura. Assim, o objetivo deste estudo foi comparar as respostas neuromusculares por meio do tempo de contato com o solo e do índice de força reativa em diferentes alturas de queda. Trata-se de um estudo de caso único, observacional analítico, com delineamento transversal, realizado com uma velocista dos 100 m rasos. Foram realizados saltos do tipo DJ e DeJ a partir de alturas de 40, 60 e 70 cm, utilizando-se um tapete de contato. Os resultados indicaram correlação negativa muito forte e estatisticamente significativa entre o tempo de contato com o solo e o índice de força reativa na altura de 60 cm. Além disso, foi identificada diferença estatisticamente significativa entre DJ e DeJ apenas na altura de 60 cm. Conclui-se que a altura de 60 cm evidenciou os indicadores mais expressivos de desempenho reativo, caracterizados pela associação entre menores tempos de contato com o solo e maiores valores de IFR, além da diferença significativa entre DJ e DeJ. Na atleta avaliada, a altura de queda influenciou o comportamento do tempo de contato com o solo no DJ e do IFR, mas não o tempo de contato com o solo no DeJ.
Unitermos:
Exercício pliométrico. Fenômenos fisiológicos neuromusculares. Desempenho atlético. Força muscular.
Abstract
Several studies have investigated neuromuscular variables, such as ground contact time and the reactive strength index (RSI), during the execution of the drop jump (DJ). However, detailed individual-level analyses, as well as comparisons of contact time between the drop jump and the depth jump (DeJ), remain scarce in the literature. Therefore, the aim of this study was to compare neuromuscular responses through ground contact time and the reactive strength index at different drop heights. This was a single-case, analytical observational study with a cross-sectional design conducted with a female 100-m sprinter. DJ and DeJ trials were performed from heights of 40, 60, and 70 cm using a contact mat. The results indicated a very strong and statistically significant negative correlation between ground contact time and the reactive strength index at the 60-cm height. Furthermore, a statistically significant difference between DJ and DeJ was identified only at the 60-cm height. It was concluded that the 60-cm height exhibited the most pronounced indicators of reactive performance, characterized by the association between shorter ground contact times and higher RSI values, as well as by the significant difference between DJ and DeJ. In the athlete evaluated, drop height influenced ground contact time during the DJ and RSI values, but not ground contact time during the DeJ.
Keywords:
Plyometric exercise. Neuromuscular physiological phenomena. Athletic performance. Muscle strength.
Resumen
Diversos estudios han analizado variables neuromusculares, como el tiempo de contacto y el índice de fuerza reactiva (IFR), en saltos con caída. La literatura científica presenta aún escasas investigaciones centradas en análisis individuales detallados, al igual que en comparaciones específicas del tiempo de contacto con el suelo entre saltos con caída (ScC) y saltos en profundidad (SeP). Por lo tanto, el objetivo de este estudio fue comparar las respuestas neuromusculares a través del tiempo de contacto con el suelo y el índice de fuerza reactiva a diferentes alturas de caída. Es un estudio de caso único, observacional y transversal realizado con un velocista de 100 m. Los saltos ScC y SeP se realizaron desde alturas de 40, 60 y 70 cm utilizando una colchoneta de contacto. Los resultados indicaron correlación negativa muy fuerte y estadísticamente significativa entre tiempo de contacto con el suelo e índice de fuerza reactiva a una altura de 60 cm. Además, se identificó una diferencia estadísticamente significativa entre ScC y SeP solo a una altura de 60 cm. Se concluye que la altura de 60 cm mostró los indicadores más expresivos del rendimiento reactivo, caracterizados por la asociación entre tiempos de contacto con el suelo más cortos y valores de IFR más altos, además de diferencia significativa entre ScC y SeP. En el atleta evaluado, la altura de caída influyó en el comportamiento del tiempo de contacto con el suelo en ScC e IFR, pero no en el tiempo de contacto con el suelo en SeP.
Palabras clave
: Ejercicio pliométrico. Fenómenos fisiológicos neuromusculares. Rendimiento atlético. Fuerza muscular.
Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 341, Oct. (2026)
Introdução
Em diversas modalidades esportivas, os músculos realizam ações de pré-estiramento, caracterizadas por uma rápida sequência de ações musculares excêntricas e concêntricas, denominada ciclo alongamento-encurtamento (CAE) (Seiberl et al., 2021). A eficiência do CAE depende, em grande medida, da capacidade reativa do sistema neuromuscular e da minimização do tempo de transição entre as fases excêntrica e concêntrica.
Para o desenvolvimento da capacidade reativa neuromuscular, os saltos depth jump (DeJ) e drop jump (DJ) são utilizados. Segundo Pedley et al. (2017), o DeJ foi inicialmente concebido por Verkhoshansky como um exercício do método de choque destinado ao desenvolvimento da força explosiva. Por outro lado, o DJ, descrito por Bosco (1994), enfatiza a reatividade neuromuscular, a minimização do tempo de contato com o solo (TC) e a rápida transição entre as fases excêntrica e concêntrica. (Montoro-Bombú et al., 2024)
O TC é considerado um dos principais indicadores da eficiência do CAE rápido (Pedley et al., 2017). A redução do TC está associada à melhora do desempenho explosivo e ao aumento da potência produzida durante a execução do DJ. (Deliceoğlu, 2017)
Boccia et al. (2026) observaram uma relação linear clara entre o TC e a altura do salto no DJ, especialmente quando a análise foi realizada em nível individual. De forma semelhante, Shimizu et al. (2024) encontraram associação entre maiores valores de índice de força reativa (IFR), maior altura alcançada no DJ e menores TC em estudantes universitárias praticantes de atletismo.
O IFR relaciona a altura do salto ao TC e é fortemente influenciado por essa variável, apresentando elevada correlação negativa com o TC (Struzik et al., 2016). Além disso, tem sido utilizado tanto para avaliação quanto para monitoramento das adaptações ao treinamento (Ramirez-Campillo et al., 2023), bem como para mensurar a intensidade dos exercícios pliométricos. (Montoro-Bombú et al., 2024)
A altura de queda exerce influência direta sobre o desempenho no DJ, especialmente sobre o TC e o IFR (Addie et al., 2019). Por sua vez, Yoshida et al. (2018) e Zhang et al. (2021) identificaram uma tendência de aumento do TC à medida que a altura de queda era elevada. De forma semelhante, Deliceoğlu et al. (2017) observaram que o aumento da altura de queda esteve associado ao incremento do TC.
Nesse contexto, alturas moderadas tendem a potencializar o desempenho do CAE. Por exemplo, Andrade et al. (2020) identificaram maior capacidade reativa na condição DJ40 em comparação à condição DJ90. De forma semelhante, Zhang et al. (2025) verificaram que a altura de 30 cm potencializou o aproveitamento do CAE e aumentou a rigidez músculo-tendínea. Portanto, a altura ótima de queda apresenta caráter individual, dependendo das características neuromusculares e da capacidade reativa de cada atleta (Pedley et al., 2017).
Na literatura consultada, o DeJ tem sido pouco utilizado como teste de avaliação, possivelmente em razão das limitações dos equipamentos convencionalmente empregados para a medição de suas variáveis de desempenho. Além disso, não foram encontrados estudos que investigassem o comportamento individual do TC durante a execução do DeJ, nem comparações desse parâmetro com os valores obtidos no DJ.
Diante disso, torna-se pertinente investigar como diferentes alturas de queda afetam o TC, especialmente no DeJ, em razão da lacuna existente na literatura sobre esse tipo de salto e da ausência de valores de referência para essa variável. Tal investigação pode contribuir para avançar no entendimento das respostas neuromusculares associadas ao DeJ e permitir comparações mais robustas com os resultados observados no DJ.
Sendo assim, o objetivo deste estudo foi comparar as respostas neuromusculares por meio do tempo de contato com o solo e do índice de força reativa em diferentes alturas de queda.
Métodos
Trata-se de um estudo de caso único, observacional analítico, com delineamento transversal e medidas repetidas intraindividuais. Foram analisados os TC correspondentes a três alturas de queda (40, 60 e 70 cm), nas variantes DJ e DeJ, em uma atleta velocista do sexo feminino, de alto nível competitivo, finalista do Troféu Brasil de Atletismo no ano de 2024 e recordista estadual do Paraná na prova dos 100 m rasos com tempo de 11,52 segundos.
A atleta apresentava 21 anos de idade, massa corporal de 49 kg, estatura de 158,6 cm e índice de massa corporal de 19,5 kg/m², além de oito anos de experiência na prova, bem como mais de três anos de experiência na realização de saltos em profundidade.
Os princípios éticos estabelecidos pela Declaração de Helsinque (WMA, 2013) foram respeitados e o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Paraná (CEP/SD), parecer nº 6.741.691 (CAAE: 77418324.7.0000.0102). A atleta foi devidamente informada sobre os objetivos, os procedimentos, os potenciais riscos e os benefícios da pesquisa, tendo fornecido seu consentimento livre e esclarecido por escrito antes da realização das avaliações.
Procedimentos de coleta de dados
Coletas antropométricas
As avaliações foram realizadas no Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Paraná. A massa corporal da atleta foi mensurada utilizando uma balança digital Omron® HBF-514C, enquanto a estatura foi medida por meio de um estadiômetro portátil Avaliação Física Nutricionista Persona®. Durante os procedimentos, a atleta foi orientada a utilizar roupas leves e permanecer descalça. A estatura foi registrada em centímetros (cm), com precisão de 0,1 cm.
Procedimento dos testes
Após um aquecimento padronizado de 10–15 minutos, composto por educativos de corrida, exercícios de mobilidade e saltos verticais na pista de atletismo, foram realizadas seis tentativas por condição experimental (três alturas × duas variantes de salto), totalizando 36 saltos. Foram coletados dois parâmetros: o TC e a altura do salto no DJ, utilizados para determinar o IFR.
A coleta de dados foi realizada em dois dias distintos, com intervalo de 48 horas entre as sessões. No primeiro dia, foram executados os saltos do tipo DJ. No segundo dia, 48 horas depois, foram realizados os saltos do tipo DeJ. Todas as coletas foram realizadas no período da manhã, entre 10 e 11 horas.
O intervalo de recuperação foi de 15 s entre as tentativas realizadas na mesma altura e de 4 min entre alturas diferentes, de acordo com o protocolo proposto por Byrne et al. (2020). A ordem de execução das alturas seguiu uma progressão crescente (40, 60 e 70 cm).
O presente estudo utilizou um tapete de contato Jump System Pro (CEFISE®, Brasil), com frequência de amostragem de 1000 Hz, devidamente calibrado para o registro das variáveis dos saltos. Nesse contexto, ajustes no posicionamento espacial do caixote e do alvo visual foram necessários para garantir a validade das medições do DeJ.
Drop jump (DJ)
No DJ (Figura 1), a atleta posicionou-se sobre o caixote e realizou uma queda vertical controlada, iniciando o movimento com apoio unipodal para a saída do caixote e aterrissando com ambos os pés sobre o tapete de contato. Imediatamente após o contato com o solo, executou um salto vertical máximo, com auxílio dos braços.
Foi utilizada a técnica bounce drop jump, que enfatiza mínima flexão do joelho e reduzido TC (Laurent et al., 2020). Além disso, foi utilizada a instrução verbal de “pular o mais rápido possível”. (Boccia et al., 2026)
Figura 1. Execução do salto drop jump de 40 cm de altura
Fonte: Os autores / Gemini AI Flash
Depth jump (DeJ)
Para executar o DeJ (Figura 2), devido às dimensões do tapete de contato (97 cm × 60,5 cm), foi realizado um arranjo experimental específico para garantir o registro válido das variáveis.
Figura 2. Execução do salto depth jump de 40 cm de altura
Fonte: Os autores.
O caixote foi posicionado a uma distância entre 48 e 52 cm da borda anterior do tapete. Após a queda e impulsão vertical, a atleta deveria aterrissar novamente dentro da área útil do equipamento. Para padronização do gesto, foi posicionada uma barreira horizontal a 104 cm do caixote, com fita elástica fixada a 84 cm de altura, utilizada como referência visual para estímulo ao salto predominantemente vertical.
Reprodutibilidade dos testes
Foi realizada uma análise de fidedignidade por meio do Coeficiente de Correlação Intraclasse (ICC), do tipo concordância absoluta e modelo aleatório de duas vias, conforme proposto por Koo, e Li (2016), com o objetivo de avaliar a concordância entre as seis tentativas dos saltos. A classificação da confiabilidade seguiu os seguintes critérios: < 0,5 = confiabilidade pobre; 0,5–0,75 = confiabilidade moderada; 0,75–0,9 = confiabilidade boa; > 0,9 = confiabilidade excelente.
Índice de força reativa (IFR)
Para o cálculo do IFR, a altura do salto é dividida pelo TC no teste de DJ. Foi calculado conforme a Equação 1:
IFR = altura do salto (m)
tempo de contato (s)
Análise estatística
A normalidade das variáveis foi verificada por meio do teste de Shapiro-Wilk. Os dados foram apresentados como média ± desvio-padrão. O coeficiente de correlação de Pearson foi utilizado para avaliar a associação entre as variáveis e a força das correlações foi interpretada de acordo com os seguintes critérios: 0,00 a 0,19 = muito fraca; 0,20 a 0,39 = fraca; 0,40 a 0,59 = moderada; 0,60 a 0,79 = forte; 0,80 a 1,00 = muito forte (Dancey, e Reidy, 2006).
As comparações entre as mesmas alturas em diferentes tipos de salto (DJ e DeJ) foram realizadas por meio do teste t pareado (paired t-test) e o tamanho de efeito foi estimado pelo Cohen’s d para medidas pareadas (dz), acompanhado por intervalos de confiança de 95 %.
Para verificar o efeito da altura de queda sobre o TC nos saltos DJ e DeJ, foi realizada uma análise de variância (ANOVA). Quando identificado efeito significativo, o teste post hoc de Bonferroni foi aplicado para comparações múltiplas entre as alturas, com ajuste do nível de significância para o controle do erro do tipo I. O nível de significância adotado foi de p < 0,05. O tamanho do efeito foi estimado por meio do eta quadrado parcial (η²p), sendo os valores interpretados como pequenos (η²p = 0,01), moderados (η²p = 0,06) e grandes (η²p = 0,14), conforme os critérios propostos por Cohen (1988).
O coeficiente de variação (CV) foi utilizado como medida de dispersão relativa dos dados (Altman, 1991). A interpretação adotada foi: < 5 % = variabilidade muito baixa; 5–10 % = baixa; 10–20 % = moderada; > 20 % = alta.
Todas as análises estatísticas foram realizadas utilizando os softwares IBM SPSS Statistics (versão 25.0), Jamovi (versão 2.3.38) e GraphPad Prism (versão 9.5.1), adotando-se nível de significância de 5 %.
Resultados
Para o DJ, os resultados indicaram baixa confiabilidade (ICC = 0,143; IC95 % = -0,19 a 0,72), F(5,10) = 1,61, p > 0,05. Para o DeJ, foi observada confiabilidade moderada (ICC = 0,56; IC95 % = -0,67 a 0,93), F(5,10) = 2,32, p > 0,05. Em ambos os saltos, os intervalos de confiança apresentaram ampla amplitude e incluíram valores negativos, indicando baixa precisão das estimativas, possivelmente em função do reduzido número de observações e da natureza de estudo de caso. Apesar disso, os coeficientes de variação apresentaram valores baixos (4–9 %), sugerindo adequada consistência intraindivíduo dos TC.
A Tabela 1 apresenta a estatística descritiva dos TC nas alturas de queda.
Tabela 1. Estatísticas descritivas dos tempos de contato (ms) nos saltos DJ e DeJ em diferentes alturas de queda (n = 6)
|
DJ (40 cm) |
DeJ (40 cm) |
DJ (60 cm) |
DeJ (60 cm) |
DJ (70 cm) |
DeJ (70 cm) |
|
|
Média (ms) |
195,50 |
202,33 |
221,50 |
202,83 |
226,33 |
213 |
|
Desvio-padrão |
11,6 |
18,7 |
11,3 |
15,4 |
9,35 |
16,7 |
|
CV (%) |
5,91 |
9,25 |
5,09 |
7,58 |
4,13 |
7,84 |
Nota: DJ = drop jump; DeJ = depth jump; CV (%) = coeficiente de variação. Dados do autoria
O DJ, na altura de 40 cm, revelou o menor TC. Por outro lado, o maior TC foi observado na altura de 70 cm. Diferentemente, no DeJ, os TC foram inferiores aos do DJ nas alturas de 60 cm e 70 cm.
Os coeficientes de variação variaram entre 4,13 % (DJ 70 cm) e 9,25 % (DeJ 40 cm) nas diferentes alturas de queda, indicando variabilidade muito baixa a baixa entre as tentativas.
O teste t pareado indicou que, em média, o TC na altura de queda de 40 cm foi menor no DJ, porém sem diferença estatisticamente significativa, t(5) = -1,15; p = 0,304. A diferença média entre as condições (DeJ - DJ) foi de -6,83 ± 5,96 ms (erro padrão da diferença). O IC95 % variou de -22,2 a 8,50 ms, indicando elevada variabilidade intraindivíduo. O tamanho de efeito foi de magnitude pequena a moderada (dz = 0,47).
Por outro lado, na altura de queda de 60 cm, o TC foi maior no DJ, sendo observada diferença estatisticamente significativa entre os saltos, t(5) = 3,09; p = 0,027. A diferença média entre as condições (DeJ - DJ) foi de 18,67 ± 6,05 ms (erro padrão da diferença). O IC95 % variou de 3,12 a 34,2 ms, não incluindo zero. O tamanho de efeito foi de magnitude grande (dz = 1,26), indicando uma diferença substancial entre as condições e elevada relevância prática.
Por último, na altura de queda de 70 cm, o TC foi maior no DJ. No entanto, não foi observada diferença estatisticamente significativa entre os saltos, t(5) = 1,91; p = 0,115. A diferença média entre as condições (DeJ - DJ) foi de 13,3 ± 7,0 ms (erro padrão da diferença). O IC95 % variou de -4,66 a 31,3 ms, incluindo zero. O tamanho de efeito foi de magnitude moderada a grande (dz = 0,77), indicando uma diferença potencialmente relevante do ponto de vista prático, embora com elevada variabilidade.
A Tabela 2 apresenta os coeficientes de correlação de Pearson entre o TC no salto DJ e o IFR. Observou-se uma correlação negativa muito forte e estatisticamente significativa entre o TC na altura de 60 cm e o IFR.
Tabela 2. Coeficientes de correlação entre os tempos de contato (ms) no
salto DJ e o índice de força reativa (IFR) em diferentes alturas de queda
|
Variável 1 |
Variável 2 |
r |
IC (95 %) |
p |
|
Ts_DJ40 |
IFR_40 |
-0,66 |
-0,959 a 0,319 |
0,150 |
|
Ts_DJ60 |
IFR_60 |
-0,98*** |
-0,998 a -0,845 |
< ,001 |
|
Ts_DJ70 |
IFR_70 |
-0,64 |
-0,957 a 0,343 |
0,163 |
Nota: *p <.05, **p <.01, ***p <.001. Ts DJ = tempo de contato com o solo no salto drop jump; IFR= índice de força reativa; IC95 % = intervalo de confiança de 95 %; r = coeficiente de correlação de Pearson; p = valor de probabilidade. Dados do autoria
A ANOVA de medidas repetidas revelou efeito significativo da altura de queda sobre o TC no DJ (F(2,10) = 17,04; p < 0,001; η²p = 0,773). O teste post hoc de Bonferroni indicou diferenças significativas entre as alturas de 40 cm e 60 cm (p = 0,006; dz = 1,90; IC95 % [-45,66; -6,34]; efeito muito grande) e entre 40 cm e 70 cm (p = 0,0058; dz = 2,42; IC95 % [-49,16; -12,51]; efeito muito grande). Por outro lado, não foram observadas diferenças significativas entre 60 cm e 70 cm (p =1,00; dz = 0,31; IC95 % [-26,91; 17,25]; efeito pequeno) (Figura 3).
Figura 3. Efeito da altura de queda sobre o tempo de contato com o solo no DJ
Nota: DJ = Drop jump. Dados do autoria
Para o DeJ, a ANOVA não revelou efeito significativo da altura de queda sobre o TC (F(2,10) = 1,09; p > 0,05; η²p = 0,179) (Figura 4).
Figura 4. Efeito da altura de queda sobre o tempo de contato com o solo no DeJ
Nota: DeJ = Depth jump. Dados do autoria
A ANOVA revelou efeito significativo global da altura de queda sobre o IFR no DJ (F(2,10) = 4,98; p = 0,032; η²p = 0,49) (Figura 5).
Figura 5. Efeito da altura de queda sobre o IFR no DJ
Nota: IFR = Índice de força reativa. Dados do autoria
O teste post hoc de Bonferroni indicou que, apesar de a ANOVA ter encontrado efeito significativo, as comparações entre pares não revelaram diferenças significativas entre as alturas. No entanto, foram observados tamanhos de efeito de magnitude grande entre 40 cm e 60 cm (p = 0,068; dz = 1,32; IC95 % [-0,019; 0,463]) e entre 40 cm e 70 cm (p = 0,132; dz = 1,09; IC95 % [-0,064; 0,464]), com intervalos de confiança abrangendo o zero.
Por outro lado, a comparação entre 60 cm e 70 cm apresentou efeito pequeno (p=1,00; dz = -0,24; IC95 % [-1,01, 1,21]), indicando ausência de diferença relevante entre as alturas.
Discussão
O objetivo deste estudo foi comparar as respostas neuromusculares por meio do tempo de contato com o solo e do índice de força reativa em diferentes alturas de queda.
De acordo com a literatura consultada, há uma escassez de estudos que comparem os TC durante a realização dos saltos DJ e DeJ em diferentes alturas de queda.
O presente estudo apresentou quatro principais achados: (i) a identificação de uma correlação negativa muito forte e estatisticamente significativa entre o TC e o IFR na altura de 60 cm durante o DJ; (ii) a presença de diferença estatisticamente significativa entre os TC apenas na altura de 60 cm; (iii) o efeito significativo da altura de queda sobre o TC no DJ, mas não no DeJ; e (iv) o efeito significativo global da altura de queda sobre o IFR.
Neste estudo, verificou-se uma correlação negativa estatisticamente muito forte entre o TC, na altura de queda de 60 cm no DJ, e o IFR, ou seja, quanto menor o TC, maior o IFR. Uma possível explicação pode estar relacionada a fatores neuromusculares, uma vez que a execução eficiente do DJ depende de uma rápida transição entre as fases excêntrica e concêntrica, bem como de maior rigidez músculo-tendínea (Di Giminiani et al., 2020).
Além disso, menores TC estão associados a maiores valores de IFR (Ramirez-Campillo et al., 2023). O estudo de Struzik et al. (2016) corrobora os presentes achados ao demonstrar que, quanto menor o TC na execução do DJ, maiores são os valores de IFR, mostrando comportamento inverso entre essas variáveis.
Pedley et al. (2017), ao tratarem da execução do DJ, destacam o TC como a principal variável para avaliação da capacidade reativa, além de ressaltarem que a interpretação do IFR depende diretamente do controle da altura de queda. Em alinhamento com os presentes achados, Addie et al. (2019) demonstraram que diferentes alturas de queda impactam significativamente o desempenho, especialmente o TC e o IFR.
Por outro lado, alturas moderadas, de até 60 cm, parecem favorecer a eficiência reativa, enquanto alturas mais elevadas (76–91 cm) reduzem o IFR em função do aumento do TC. Alturas maiores não promoveram melhora proporcional no desempenho, possivelmente em razão da maior exigência neuromuscular (Deliceoğlu, et al., 2017) e da redução da eficiência mecânica. (Di Giminiani et al., 2020)
Sob essa perspectiva, Andrade et al. (2020) identificaram valores mais elevados do IFR em saltos realizados a partir de 40 cm (DJ40) em comparação aos saltos de 90 cm (DJ90). Além disso, Zhang et al. (2025) indicaram a altura de 30 cm no DJ como a mais adequada para maximizar parâmetros relacionados ao CAE e ao IFR.
Assim, os resultados do presente estudo sugerem que a redução do tempo de aplicação de força é essencial para o desempenho explosivo e que a altura de 60 cm no DJ pode ser considerada ideal para objetivos práticos na atleta em questão.
Um estudo com maior número de atletas, abrangendo participantes de ambos os sexos, é fundamental para avaliar de forma mais aprofundada a pertinência do tema abordado, bem como explorar alturas superiores a 70 cm.
Os resultados do teste t pareado mostraram que os TC entre os dois saltos apresentaram diferença estatisticamente significativa apenas na altura de 60 cm. Embora, do ponto de vista teórico, o DJ esteja associado a menores TC, no presente estudo foi observado comportamento oposto, com menores valores de TC no DeJ nas alturas de 60 e 70 cm. Esse resultado pode estar relacionado a características individuais da atleta, como o nível de rigidez músculo-tendínea e a familiaridade com a tarefa, que podem ter favorecido uma execução mais reativa no DeJ em comparação ao DJ.
Por outro lado, na altura de 40 cm, a ausência de diferença estatisticamente significativa pode ser explicada pelo fato de que a menor altura de queda resulta em menor energia potencial gravitacional, reduzindo a velocidade de impacto e a demanda excêntrica durante a aterrissagem. Nessas condições, as exigências mecânicas impostas ao sistema neuromuscular tendem a ser menores, tornando os dois tipos de salto mais semelhantes em termos de controle motor e estratégia de execução.
De maneira análoga, a altura de 70 cm pode sinalizar um limite neuromuscular, uma vez que o aumento da carga excêntrica gera maior força de impacto com o solo e exige maior tempo de transição entre as fases excêntrica e concêntrica, prolongando o tempo necessário para a dissipação da energia elástica armazenada. Em decorrência disso, as diferenças entre DJ e DeJ tornam-se mínimas ou praticamente desaparecem.
De maneira geral, os resultados apontam que os TC no DJ e no DeJ dependem da altura de queda e da capacidade da atleta de aproveitar eficientemente o CAE, havendo maior responsividade em alturas intermediárias e maior homogeneidade das respostas neuromusculares em condições de baixa ou elevada demanda mecânica.
A ausência de parâmetros de referência para o TC no DeJ restringe a interpretação comparativa dos resultados. Contudo, os achados deste estudo podem servir como base para investigações adicionais, auxiliando na compreensão dos fatores neuromusculares associados ao desempenho nesse tipo de salto.
A ANOVA demonstrou efeito significativo da altura de queda sobre o TC no DJ, evidenciando diferenças entre as alturas de 40 cm e 60 cm, bem como entre 40 cm e 70 cm, mas não entre as alturas de 60 cm e 70 cm.
Uma explicação plausível é que, na altura de 40 cm, há menor exigência na fase excêntrica, contribuindo para a maior eficiência do CAE, com menor TC. Em contraste, nas alturas de 60 cm e 70 cm, a carga excêntrica é maior e, consequentemente, o sistema neuromuscular precisa absorver uma maior quantidade de energia antes da transição para a fase concêntrica.
Nosso achado está em linha com o estudo apresentado por Deliceoğlu (2017), no qual o aumento da altura de queda elevou as demandas mecânicas e as exigências excêntricas, sem melhora proporcional no desempenho do salto e na eficiência reativa, sugerindo que a eficiência do CAE depende da altura de queda e do TC. Resultados semelhantes foram apresentados por Yoshida et al. (2018), ao compararem variáveis biomecânicas entre diferentes alturas de queda (0,30; 0,60; 0,90 e 1,20 m), e por Zhang et al. (2021), que investigaram o desempenho reativo durante o CAE em alturas de queda de 30, 40 e 50 cm.
No DeJ, não foi observado efeito significativo da altura de queda sobre o TC. Provavelmente, esse resultado se deve à adoção de uma estratégia motora mais consistente quando o foco está na reatividade muscular. De forma semelhante, o estudo de Yoshida et al. (2018) demonstrou que, apesar do aumento da altura de queda, a altura do salto permaneceu relativamente estável, sem melhora proporcional do desempenho reativo.
Tais achados podem ser atribuídos à maior eficiência do CAE, uma vez que atletas com elevada capacidade reativa são capazes de absorver e reutilizar a energia elástica armazenada nos músculos e tendões durante a fase excêntrica do salto. No entanto, são necessários estudos com amostras maiores para investigar de forma mais abrangente os efeitos das diferentes alturas de queda sobre o desempenho no DeJ.
Por sua vez, no presente estudo, verificou-se efeito significativo global da altura de queda sobre o IFR, com indícios de redução dessa variável nas maiores alturas, conforme demonstrado por Yoshida et al. (2018) nas alturas de queda de 0,90 m e 1,20 m em atletas saltadores de elite.
Em contrapartida, ao comparar os TC no IFR, não foram detectadas diferenças significativas entre os pares de alturas. Esses resultados sugerem que, embora o TC responda de forma mais evidente ao aumento da altura de queda, o IFR apresenta relativa estabilidade entre as condições analisadas.
Essa consistência dos valores do IFR pode ser explicada pela capacidade de modulação do sistema neuromuscular, possibilitando mecanismos compensatórios entre o TC e a altura de salto ao longo das diferentes alturas de queda.
Evidências semelhantes foram apresentadas por Andrade et al. (2020), que demonstraram que o desempenho do salto e os marcadores neuromusculares são responsivos à altura nos DJs (intensidade), ou seja, alturas mais elevadas nem sempre resultam em melhor desempenho.
Além disso, esses achados podem estar relacionados à existência de uma altura ótima de queda, a partir da qual o atleta deixa de se beneficiar do aproveitamento da energia elástica acumulada durante o alongamento muscular, conforme sugerido por Di Giminiani et al. (2020) e Boccia et al. (2026).
Por outro lado, as comparações post hoc com correção de Bonferroni não confirmaram diferenças específicas entre os pares de alturas avaliados, possivelmente em razão do reduzido número de observações. Entretanto, o valor de η²p = 0,49, classificado como efeito grande, sugere que a altura de queda pode exercer influência prática sobre o IFR.
Apesar de o presente estudo fornecer contribuições relevantes para o entendimento das respostas neuromusculares ao comparar os TC em diferentes alturas de queda nos saltos DJ e DeJ, algumas limitações metodológicas devem ser consideradas. Por se tratar de um estudo de caso com uma única atleta, os resultados refletem respostas intraindividuais e não podem ser generalizados para outras populações de velocistas. Além disso, não foi possível testar diferentes alturas de ultrapassagem no ressalto após a execução do DeJ. No entanto, essas limitações não inviabilizam a compreensão dos resultados observados, os quais devem ser analisados levando em consideração as características específicas da participante e do delineamento utilizado.
Conclusão
O objetivo deste estudo foi analisar as respostas neuromusculares por meio do TC e do IFR em diferentes alturas de queda. A altura de 60 cm evidenciou os indicadores mais expressivos de desempenho reativo, caracterizados pela associação entre menores tempos de contato com o solo e maiores valores de IFR, além da diferença significativa entre DJ e DeJ. Na atleta avaliada, a altura de queda influenciou o comportamento do tempo de contato com o solo no DJ e do IFR, mas não do tempo de contato com o solo no DeJ.
Recomenda-se cautela na generalização dos resultados, considerando as limitações do estudo, especialmente o reduzido número de participantes. A pesquisa fornece insights relevantes acerca dos tempos de contato nos dois tipos de saltos em profundidade, cujos resultados podem auxiliar treinadores na exploração individualizada de diferentes alturas de queda com seus atletas. Recomenda-se, ainda, que futuras pesquisas investiguem diferentes populações e condições experimentais.
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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 341, Oct. (2026)