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ISSN 1514-3465

 

Efeitos de diferentes cadências de pedalada sobre

a resposta cardiovascular de ciclistas amadores

Effects of Different Pedaling Cadences on the Cardiovascular Response of Amateur Cyclists

Efectos de diferentes cadencias de pedaleo sobre la respuesta cardiovascular de ciclistas aficionados

 

João Paulo Rocha de Oliveira*

joaopaulodeoliveira@unifenas.br

Leonardo Costa*

leonardocosta@unifenas.br

Cesar Augusto Costa Rodrigues**

cesar.rodrigues@unifenas.br

Bruno Barbosa Rosa***

brunobarbosa1991@yahoo.com.br

 

*Graduados em Educação Física

Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), Minas Gerais
**Mestre em Saúde Coletiva

Universidade do Vale do Sapucaí (UNIVÁS), Minas Gerais

***Doutor em Promoção de Saúde

Universidade de Franca (UNIFRAN), Franca/SP

(Brasil)

 

Recepción: 15/05/2026 - Aceptación: 13/06/2026

1ª Revisión: 09/06/2026 - 2ª Revisión: 10/06/2026

 

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Cita sugerida: Oliveira, J.P.R. de, Costa, L., Rodrigues, C.A.C., e Rosa, B.B. (2026). Efeitos de diferentes cadências de pedalada sobre a resposta cardiovascular de ciclistas amadores. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(338), 100-114. https://doi.org/10.46642/efd.v31i338.8954

 

Resumo

    A cadência de pedalada representa uma importante variável fisiológica e biomecânica relacionada ao desempenho no ciclismo, influenciando diretamente as respostas cardiovasculares e metabólicas durante o exercício. O presente estudo teve como objetivo analisar o comportamento da frequência cardíaca em diferentes cadências de pedalada em ciclistas amadores. Trata-se de uma pesquisa de campo, de abordagem quantitativa, descritiva e transversal. Participaram do estudo 13 ciclistas amadores do sexo masculino, com idade entre 27 e 56 anos e experiência mínima de dois anos na modalidade. Os testes foram realizados em cicloergômetro, utilizando protocolo de 12 minutos dividido em quatro estágios de três minutos nas cadências de 60, 80, 100 e 120 rpm. A frequência cardíaca foi monitorada a cada 10 segundos durante o protocolo. Para análise estatística utilizou-se ANOVA seguida do teste de Tukey e regressão linear, adotando-se nível de significância de p<0,01. Os resultados demonstraram aumento progressivo da frequência cardíaca conforme a elevação da cadência de pedalada, evidenciando forte associação entre as variáveis analisadas. Observou-se maior estabilidade cardiovascular entre as cadências de 80 e 100 rpm, sugerindo melhor equilíbrio fisiológico nessa faixa de rotação. Conclui-se que a cadência de pedalada exerce influência direta sobre a frequência cardíaca, podendo auxiliar no controle da intensidade do treinamento e na otimização do desempenho esportivo no ciclismo.

    Unitermos: Cadência de pedalada. Ciclismo. Desempenho esportivo. Frequência cardíaca.

 

Abstract

    Pedaling cadence represents an important physiological and biomechanical variable related to cycling performance, directly influencing cardiovascular and metabolic responses during exercise. The present study aimed to analyze heart rate behavior at different pedaling cadences in amateur cyclists. This was a field-based, quantitative, descriptive, and cross-sectional study. The sample consisted of 13 male amateur cyclists aged between 27 and 56 years, with at least two years of cycling experience. The tests were performed on a cycle ergometer using a 12-minute protocol divided into four stages of three minutes each at cadences of 60, 80, 100, and 120 rpm. Heart rate was monitored every 10 seconds throughout the protocol. Statistical analysis included ANOVA followed by Tukey’s post hoc test and linear regression analysis, adopting a significance level of p<0.01. The results demonstrated a progressive increase in heart rate as pedaling cadence increased, indicating a strong association between the analyzed variables. Greater cardiovascular stability was observed between cadences of 80 and 100 rpm, suggesting a more favorable physiological balance within this range. It was concluded that pedaling cadence directly influences heart rate and may contribute to training load control and optimization of cycling performance.

    Keywords: Pedaling cadence. Cycling. Sports performance. Heart rate.

 

Resumen

    La cadencia de pedaleo representa una importante variable fisiológica y biomecánica relacionada con el rendimiento en el ciclismo, influyendo directamente en las respuestas cardiovasculares y metabólicas durante el ejercicio. El presente estudio tuvo como objetivo analizar el comportamiento de la frecuencia cardíaca en diferentes cadencias de pedaleo en ciclistas amateurs. Se trata de una investigación de campo, de enfoque cuantitativo, descriptivo y transversal. Participaron en el estudio 13 ciclistas amateurs de sexo masculino, con edades entre 27 y 56 años y experiencia mínima de dos años en la modalidad. Las pruebas se realizaron en un cicloergómetro, utilizando un protocolo de 12 minutos dividido en cuatro etapas de tres minutos en las cadencias de 60, 80, 100 y 120 rpm. La frecuencia cardíaca fue monitoreada cada 10 segundos durante el protocolo. Para el análisis estadístico se utilizó ANOVA seguida de la prueba de Tukey y regresión lineal, adoptándose un nivel de significancia de p<0,01. Los resultados demostraron un aumento progresivo de la frecuencia cardíaca conforme al incremento de la cadencia de pedaleo, evidenciando una fuerte asociación entre las variables analizadas. Se observó una mayor estabilidad cardiovascular entre las cadencias de 80 y 100 rpm, sugiriendo un mejor equilibrio fisiológico en ese rango de rotación. Se concluye que la cadencia de pedaleo ejerce una influencia directa sobre la frecuencia cardíaca, pudiendo contribuir al control de la intensidad del entrenamiento y a la optimización del rendimiento deportivo en el ciclismo.

    Palabras clave: Cadencia de pedaleo. Ciclismo. Rendimiento deportivo. Frecuencia cardíaca.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 338, Jul. (2026)


 

Introdução 

 

    O ciclismo é uma modalidade esportiva caracterizada por elevada exigência fisiológica e biomecânica, na qual diferentes variáveis influenciam diretamente o desempenho físico e a eficiência do movimento. Entre essas variáveis, a cadência de pedalada destaca-se como um dos principais fatores relacionados ao custo energético, à produção de potência e às respostas cardiovasculares durante o exercício. (Coast, e Welch, 1985; Marsh, e Martin, 1993; Kruschewsky et al., 2018; Lima et al., 2023; Isidoro, 2023; Londoño, e Dávalos, 2025). A cadência corresponde ao número de rotações completas realizadas pelos pedais em determinado intervalo de tempo, sendo considerada um importante componente da estratégia de treinamento e competição no ciclismo. (Kruschewsky et al., 2018; Lima et al., 2023; Isidoro, 2023; Londoño, e Dávalos, 2025)

 

    Nas últimas décadas, diversos estudos investigaram a influência da cadência de pedalada sobre o desempenho esportivo e as respostas fisiológicas ao exercício. Evidências demonstram que ciclistas treinados tendem a adotar espontaneamente cadências mais elevadas, geralmente próximas de 90 rotações por minuto (rpm), especialmente em exercícios submáximos e prolongados (Coast, Cox, e Welch, 1986; Hagberg et al., 1981; Marsh, e Martin, 1997; Lucia et al., 2003; Watson, e Swensen, 2005). Essa preferência parece estar relacionada à redução da sobrecarga muscular periférica e à otimização da eficiência neuromuscular durante a pedalada.

 

    A relação entre cadência e eficiência mecânica vem sendo amplamente discutida na literatura científica. Estudos clássicos apontam que determinadas faixas de cadência favorecem melhor economia de movimento e menor custo metabólico, especialmente entre 90 e 105 rpm em ciclistas treinados (Hintzy et al., 1999). Além disso, pesquisas recentes sugerem que a chamada “cadência ótima” depende de múltiplos fatores, incluindo potência mecânica, recrutamento muscular, fadiga periférica, condicionamento físico e intensidade do exercício. (Marais, e Pelayo, 2003; Pierre, Nicolas, e Frédérique, 2006; Foss, e Hallén, 2005; Araujo et al., 2020; Mater, Clos, e Lepers, 2021; Lucia et al., 2004; Pinto et al., 2025)

 

    Do ponto de vista fisiológico, alterações na cadência de pedalada podem modificar significativamente as respostas cardiovasculares e ventilatórias durante o exercício. Cadências elevadas estão associadas ao aumento da frequência cardíaca, do consumo de oxigênio e da demanda metabólica, refletindo maior exigência fisiológica ao organismo (Gaesser, e Brooks, 1975; Gotshall, Bauer, e Fahrner, 1996; Formenti et al., 2019). Estudos mais recentes demonstram que o aumento da cadência promove maior demanda hemodinâmica e ventilatória, elevando o trabalho respiratório e o fluxo sanguíneo muscular durante o exercício cíclico. (Ansley, e Cangley, 2009; Belli, e Hintzy, 2002; Formenti et al., 2019; Mitchell et al., 2019; Knox-Brown et al., 2025)

 

    Além disso, investigações envolvendo oxigenação muscular demonstraram que cadências mais elevadas podem aumentar o custo fisiológico do exercício ao reduzir a eficiência da utilização periférica de oxigênio, especialmente em exercícios de intensidade elevada (Chavarren, e Calbet, 1999; Padilla et al., 2001; Formenti et al., 2019). Resultados semelhantes foram observados em estudos sobre cinética do consumo de oxigênio, indicando que diferentes cadências influenciam diretamente o comportamento fisiológico durante exercícios severos e prolongados. (Hill, e Vingren, 2023)

 

    A frequência cardíaca representa uma das principais variáveis utilizadas no monitoramento da intensidade do exercício, sendo considerada um método não invasivo de controle fisiológico amplamente empregado no treinamento esportivo. Sua resposta pode variar de acordo com fatores como idade, nível de condicionamento físico, adaptação autonômica e intensidade do esforço realizado (Gallo Jr. et al., 1989; McArdle, Katch, e Katch, 1991). Dessa forma, a análise da frequência cardíaca associada à cadência de pedalada pode fornecer informações relevantes para o planejamento e individualização das cargas de treinamento no ciclismo. (Denadai et al., 2005)

 

    No contexto atual do treinamento esportivo, o controle da potência e das respostas fisiológicas tornou-se essencial para otimização do desempenho. Protocolos baseados em potência, como o Functional Threshold Power (FTP), são amplamente utilizados para definição das zonas de treinamento e monitoramento da intensidade do exercício em ciclistas (Sale, 1992). Entretanto, apesar do avanço das pesquisas relacionadas ao ciclismo, ainda existem lacunas acerca da influência das diferentes cadências de pedalada sobre as respostas cardiovasculares em ciclistas amadores.

 

    Diante disso, o presente estudo teve como objetivo analisar o comportamento da frequência cardíaca em diferentes cadências de pedalada em ciclistas amadores.

 

Metodologia 

 

    O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de campo, de abordagem quantitativa, com delineamento analítico transversal descritivo. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), sob o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº 80532117.1.0000.5143 e parecer consubstanciado nº 2.440.898, emitido em 15 de dezembro de 2017, estando de acordo com os princípios éticos estabelecidos para pesquisas envolvendo seres humanos.

 

    Participaram do estudo 13 ciclistas amadores do sexo masculino, com idade entre 27 e 56 anos, praticantes regulares da modalidade ciclismo há pelo menos dois anos consecutivos, incluindo participação em treinamentos e competições. Todos os participantes foram previamente informados acerca dos objetivos, procedimentos, riscos e benefícios da pesquisa, e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), concordando voluntariamente com sua participação.

 

    Os critérios de inclusão adotados foram: prática regular de ciclismo por período mínimo de dois anos ininterruptos, ausência de limitações locomotoras e inexistência de doenças graves que pudessem comprometer a execução do protocolo experimental. Foram excluídos indivíduos que apresentassem qualquer condição clínica incompatível com a realização de exercício físico em cicloergômetro ou que não concluíssem integralmente as etapas do protocolo.

 

    Os testes foram conduzidos no Laboratório Pro Performance, localizado no município de Varginha, Minas Gerais. Para avaliação das respostas fisiológicas, os participantes foram submetidos a um protocolo de exercício realizado em cicloergômetro da marca Cefise®, modelo Biotec 2100.

 

    Inicialmente, realizou-se aquecimento prévio com o objetivo de preparar o sistema musculoesquelético e minimizar o risco de desconfortos ou lesões musculares durante o protocolo experimental. Após o aquecimento, os participantes iniciaram o teste principal, com duração total de 12 minutos.

 

    O protocolo experimental foi dividido em quatro estágios consecutivos de três minutos cada, nos quais os ciclistas pedalaram em diferentes cadências previamente estabelecidas. As cadências adotadas foram de 60, 80, 100 e 120 rotações por minuto (RPM), respectivamente. Ao final de cada estágio, houve ajuste da rotação do pedal para o valor subsequente, sem interrupção do exercício.

 

    Durante todo o teste, a frequência cardíaca foi monitorada continuamente, com registros obtidos a cada 10 segundos. A mensuração foi realizada por meio do sistema VO2ProFitness da marca Cefise®, utilizando uma cinta cardíaca acoplada ao tórax dos participantes e sincronizada diretamente ao equipamento de análise fisiológica. Os dados coletados foram processados e armazenados pelo software do próprio fabricante, sendo expressos em batimentos por minuto (BPM).

 

    A potência mecânica foi determinada de acordo com a resistência aplicada no cicloergômetro associada ao número de rotações executadas por minuto durante o protocolo experimental.

 

Análise estatística 

 

    Para análise dos dados, foi empregada inicialmente a análise de variância (ANOVA), seguida do teste post hoc de Tukey, com a finalidade de comparar as médias das variáveis analisadas entre as diferentes cadências de pedalada.

 

    Posteriormente, a partir dos resultados obtidos na ANOVA, foi ajustado um modelo de regressão linear com o objetivo de analisar a relação entre as variações da cadência de pedalada, expressa em rotações por minuto (RPM), e os valores de frequência cardíaca dos participantes.

 

    As análises estatísticas foram realizadas no software R, versão Core Team (2018), adotando-se nível de significância de p≤0,01 para todas as análises inferenciais.

 

Resultados 

 

    Os resultados obtidos por meio da análise de variância (ANOVA) demonstraram significância estatística para o modelo de regressão linear ajustado entre a cadência de pedalada e a frequência cardíaca dos participantes (p<0,01), indicando que o modelo apresentou capacidade adequada para estimativas e predição das respostas cardiovasculares em diferentes rotações por minuto (RPM).

 

Y = 112,48 + 0,32X

 

    A análise do modelo linear evidenciou aumento progressivo da frequência cardíaca conforme a elevação da cadência de pedalada. De acordo com os valores estimados pelo modelo, observou-se que, para uma cadência de 140 rpm, espera-se um aumento médio aproximado de 44,8 batimentos por minuto na frequência cardíaca em relação aos menores valores de cadência avaliados.

 

    Na Tabela 1 são apresentadas as médias observadas e estimadas da frequência cardíaca de acordo com as diferentes rotações por minuto analisadas durante o protocolo experimental. Verificou-se incremento gradual da frequência cardíaca à medida que houve aumento da cadência de pedalada. Entre as cadências de 60 e 80 rpm, observou-se diferença média aproximada de 5,7 batimentos por minuto. Entretanto, ao comparar as cadências de 100 e 120 rpm, identificou-se aumento mais expressivo, correspondente a aproximadamente 8,4 batimentos por minuto.

 

Tabela 1. Médias observadas e estimadas das frequências cardíacas de acordo com as rotações por minuto

RPM

Médias observadas

Médias estimadas

60

132,50*

132,65

80

138,33*

137,87

100

143,92*

144,38

120

152,33*

152,18

Nota: Os resultados foram considerados estatisticamente significativos com o p≤0,01 seguidos com *.

Fonte: Dados de pesquisa

 

    A comparação entre os valores observados experimentalmente e os valores estimados pelo modelo de regressão linear demonstrou elevada proximidade entre as médias, evidenciando consistência estatística e adequado ajuste do modelo aos dados obtidos.

 

    O modelo de regressão linear também foi representado graficamente na Figura 1. Observou-se coeficiente de determinação elevado (R² = 99,0 %), indicando que aproximadamente 99,0 % da variação da frequência cardíaca pode ser explicada pelas alterações na cadência de pedalada expressa em rotações por minuto. Esses resultados demonstram forte associação linear entre as variáveis analisadas, sugerindo elevado grau de ajuste do modelo aos dados amostrais obtidos no presente estudo.

 

Figura 1. Médias observadas e estimadas das frequências

cardíacas de acordo com as variações na rotação por minuto

Figura 1. Médias observadas e estimadas das frequências cardíacas de acordo com as variações na rotação por minuto

Fonte: Dados de pesquisa

 

Discussão 

 

    Após a análise dos resultados observa-se que o aumento progressivo da cadência de pedalada promove elevação significativa da frequência cardíaca em ciclistas amadores, evidenciando forte associação entre as rotações por minuto (RPM) e a demanda cardiovascular durante o exercício. Esses achados corroboram investigações clássicas da fisiologia do ciclismo, nas quais aumentos da cadência estiveram diretamente relacionados ao incremento das respostas cardiovasculares e metabólicas ao exercício. (Hagberg et al., 1981; Gotshall, Bauer, e Fahrner, 1996)

 

    A relação observada entre maiores cadências e elevação da frequência cardíaca pode ser explicada pelo aumento da exigência metabólica e do custo interno do movimento durante a pedalada. À medida que ocorre incremento da frequência de contrações musculares, há maior necessidade de recrutamento neuromuscular, aumento da demanda ventilatória e elevação do consumo de oxigênio, promovendo maior solicitação cardiovascular para manutenção do exercício (Gaesser, e Brooks, 1975; Marsh, Martin, e Foley, 2000). Estudos recentes reforçam esse comportamento fisiológico ao demonstrar que cadências elevadas aumentam significativamente as respostas hemodinâmicas e respiratórias durante o exercício cíclico. (Mitchell et al., 2019; Knox-Brown et al., 2025)

 

    No estudo conduzido por Mitchell et al. (2019), observou-se que o aumento da cadência promoveu elevação do trabalho respiratório e maior fluxo sanguíneo muscular, indicando aumento da sobrecarga fisiológica mesmo em situações de potência constante. De maneira semelhante, Knox-Brown et al. (2025) demonstraram que cadências elevadas durante testes cardiopulmonares estiveram associadas ao aumento da demanda cardiovascular e ventilatória, reforçando a hipótese de que o controle da cadência representa importante variável para monitoramento da intensidade do esforço no ciclismo.

 

    Os resultados do presente estudo também demonstraram maior estabilidade da frequência cardíaca entre as cadências de 80 e 100 rpm. Esses achados apresentam elevada concordância com a literatura especializada, especialmente com estudos que descrevem a faixa próxima de 90 rpm como a cadência preferida e fisiologicamente mais eficiente para ciclistas treinados e recreacionais (Hagberg et al., 1981; Marsh, e Martin, 1997; Vercruyssen et al., 2001). Hagberg et al. (1981) observaram que ciclistas competitivos apresentavam respostas fisiológicas mais estáveis em cadências próximas de 90 rpm, sugerindo melhor equilíbrio entre demanda cardiovascular e eficiência mecânica nessa faixa de rotação.

 

    A estabilidade observada entre 80 e 100 rpm pode estar relacionada à otimização da eficiência neuromuscular e da distribuição do trabalho mecânico durante a pedalada. Segundo Hintzy et al. (1999), ciclistas de estrada tendem a apresentar maior eficiência mecânica em cadências entre 90 e 105 rpm, favorecendo melhor sustentação de potência e menor sobrecarga muscular periférica. Esses resultados reforçam a hipótese de que existe uma faixa de cadência considerada ótima para o desempenho, na qual ocorre equilíbrio entre eficiência metabólica, recrutamento muscular e custo cardiovascular.

 

    Estudos teóricos e experimentais mais recentes sugerem que a chamada “cadência ótima” não representa um valor fixo, mas sim uma variável dependente da intensidade do exercício, da potência produzida e do nível de treinamento do ciclista (Dias, Lima, e Novaes, 2007; Foss, e Hallén, 2005; Mater, Clos, e Lepers, 2021). Foss, e Hallén (2005) destacam que cadências mais elevadas podem reduzir a fadiga muscular localizada por meio da diminuição do torque aplicado a cada pedalada, embora aumentem simultaneamente o custo cardiovascular do exercício. Mater, Clos, e Lepers (2021) reforçam que adaptações neuromusculares e biomecânicas influenciam diretamente a dinâmica da cadência ótima em diferentes condições de esforço.

 

    No presente estudo, observou-se aumento mais acentuado da frequência cardíaca na cadência de 120 rpm, indicando maior exigência cardiovascular em altas rotações. Esse comportamento pode ser explicado pelo aumento do custo fisiológico associado à maior frequência de contrações musculares e à menor eficiência mecânica em cadências excessivamente elevadas. Estudos envolvendo oxigenação muscular demonstraram que altas cadências podem reduzir a eficiência da utilização periférica de oxigênio, elevando a demanda cardiovascular e metabólica durante o exercício. (Formenti et al., 2019)

 

    Além disso, investigações sobre cinética do consumo de oxigênio indicam que cadências elevadas podem acelerar as respostas fisiológicas ao exercício severo, aumentando o VO2 e a solicitação cardiorrespiratória durante esforços prolongados (Mitchell et al., 2019; Hill, e Vingren, 2023). Esses achados auxiliam na interpretação dos resultados encontrados no presente estudo, especialmente em relação ao aumento expressivo da frequência cardíaca observado em 120 rpm.

 

    Do ponto de vista aplicado, o monitoramento simultâneo da cadência de pedalada e da frequência cardíaca representa ferramenta importante para prescrição e controle da intensidade do treinamento esportivo. A utilização de frequencímetros permite acompanhamento em tempo real das respostas fisiológicas ao exercício, possibilitando ajustes individualizados das zonas de treinamento conforme objetivos específicos de desempenho, resistência ou recuperação (McArdle, Katch, e Katch, 1991). Nesse contexto, protocolos baseados em potência e frequência cardíaca, como o Functional Threshold Power (FTP), vêm sendo amplamente empregados na organização do treinamento contemporâneo do ciclismo. (Sale, 1992)

 

    Outro aspecto relevante refere-se à aplicabilidade prática dos resultados para ciclistas amadores. Estudos envolvendo ciclistas recreacionais demonstram que ajustes na cadência e na posição de pedalada podem modificar significativamente a percepção subjetiva de esforço, a eficiência mecânica e as respostas fisiológicas ao exercício (Kruschewsky et al., 2018). Além disso, pesquisas anteriores sugerem que diferentes cadências podem influenciar a capacidade aeróbica, o desenvolvimento de fadiga e a sustentação de potência durante o exercício prolongado. (Lepers et al., 2001)

 

    Os elevados valores de ajuste observados no modelo de regressão linear do presente estudo reforçam a forte associação entre a cadência de pedalada e a frequência cardíaca. Dessa forma, os resultados sugerem que ambas as variáveis exercem influência direta sobre o desempenho no ciclismo, podendo auxiliar treinadores e atletas na individualização das cargas de treinamento e na definição de estratégias mais eficientes para otimização do rendimento esportivo.

 

    Apesar da relevância dos achados, algumas limitações devem ser consideradas. O reduzido tamanho amostral e a inclusão exclusiva de ciclistas amadores do sexo masculino limitam a generalização dos resultados para outras populações. Além disso, não foram avaliadas variáveis fisiológicas complementares, como consumo de oxigênio, lactato sanguíneo, percepção subjetiva de esforço e eficiência mecânica, que poderiam ampliar a compreensão das respostas fisiológicas associadas às diferentes cadências de pedalada. Assim, recomenda-se que futuros estudos utilizem amostras maiores e diferentes níveis de treinamento, incluindo análises metabólicas e neuromusculares mais detalhadas, a fim de aprofundar o entendimento sobre a influência da cadência no desempenho ciclístico.

 

Conclusão 

 

    Os resultados do presente estudo demonstraram que a elevação da cadência de pedalada promove aumento progressivo da frequência cardíaca em ciclistas amadores, evidenciando forte relação entre as rotações por minuto (RPM) e a demanda cardiovascular durante o exercício em cicloergômetro. Observou-se maior estabilidade da frequência cardíaca entre as cadências de 80 e 100 rpm, sugerindo que essa faixa possa representar uma condição de melhor equilíbrio entre eficiência mecânica, conforto fisiológico e menor sobrecarga cardiovascular para os participantes avaliados.

 

    Além disso, verificou-se que cadências mais elevadas, especialmente em 120 rpm, estiveram associadas a maior exigência fisiológica, indicando aumento do custo cardiovascular em altas rotações de pedalada. Esses achados corroboram evidências da literatura que apontam a influência da cadência sobre variáveis metabólicas, ventilatórias e hemodinâmicas durante o exercício ciclístico.

 

    Do ponto de vista aplicado, os resultados reforçam a importância do monitoramento simultâneo da frequência cardíaca e da cadência de pedalada como estratégia para controle da intensidade do treinamento, individualização das cargas de exercício e otimização do desempenho esportivo no ciclismo. Dessa forma, o ajuste adequado da cadência pode representar importante ferramenta para melhoria da eficiência fisiológica e do rendimento em ciclistas amadores.

 

    Por fim, recomenda-se a realização de novos estudos envolvendo amostras maiores, diferentes níveis de treinamento e análise de variáveis complementares, como consumo de oxigênio, lactato sanguíneo, potência mecânica e percepção subjetiva de esforço, visando ampliar a compreensão dos mecanismos fisiológicos relacionados à cadência de pedalada e ao desempenho no ciclismo.

 

Referências 

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 338, Jul. (2026)