Lecturas: Educación Física y Deportes | http://www.efdeportes.com

ISSN 1514-3465

 

Impacto de 12 semanas de treinamento resistido na composição corporal,

dor e capacidades físicas. Estudo em policias militares do interior da Amazônia

Impact of 12 Weeks of Resistance Training on Body Composition, Pain, 

and Physical Capacities. Study of Military Police Officers in the Amazon Interior

Impacto de 12 semanas de entrenamiento de resistencia en la composición corporal, el dolor

y las capacidades físicas. Estudio de oficiales de la policía militar en el interior de la Amazonía

 

Nelson Moreira Diniz Neto*

nnelsondiniz@hotmail.com

Kédson Yuri Lima de Sousa**

kedson2246@gmail.com

Morganna Alves Siqueira+

morgganaalves@gmail.com

Luiz Fernando Gouvêa-e-Silva++

lfgouvea@yahoo.com.br

 

*Graduado em Educação Física (Licenciatura)

pela Universidade do Estado do Pará, Santarém, Pará

Especialista em Preparação Física de Alto Desempenho

pela Faculdade Iguaçu

Especialista em Docência em Segurança Pública

pela Faculdade Iguaçu

Especialista em Docência do Ensino Superior

e Educação Física pela Faculdade Iguaçu

3° Sargento da Polícia Militar do Pará, lotado

no 2° Batalhão de Missões Especiais, Santarém, Pará

**Graduado em Educação Física (Licenciatura)

pela Universidade do Estado do Pará, Santarém, Pará

Graduado em Educação Física (Bacharelado)

pelo Centro Universitário Claretiano, Santarém, Pará

+Graduada em Fisioterapia

pela Universidade Federal de Jataí, Jataí, Goiás

Mestra em Ciências Aplicadas à Saúde

pela Universidade Federal de Jataí, Jataí, Goiás

Doutoranda em Educação Física

pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, Minas Gerais

Membra do Grupo de Estudo e Pesquisa Morfofuncional

na Saúde e Doença – GEPEMSAD

Vice-coordenadora do Laboratório Morfofuncional

na Saúde e Doença – LAMSAD

++Graduado em Educação Física

pela Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, Minas Gerais

Mestre em Genérica e Bioquímica

pela Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, Minas Gerais

Doutor em Doenças Tropicais pela Universidade Federal do Pará

Líder do Grupo de Estudo e Pesquisa Morfofuncional

na Saúde e Doença – GEPEMSAD

Coordenador do Laboratório Morfofuncional

na Saúde e Doença – LAMSAD

Professor da Universidade Federal de Jataí, Jataí, Goiás

(Brasil)

 

Recepción: 17/03/2026 - Aceptación: 08/07/2026

1ª Revisión: 23/03/2026 - 2ª Revisión: 22/05/2026

 

Level A conformance,
            W3C WAI Web Content Accessibility Guidelines 2.0
Accessible document. Law N° 26.653. WCAG 2.0

 

Creative Commons

This work licensed under Creative Commons

Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International (CC BY-NC-ND 4.0)

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.en

Cita sugerida: Neto, N.M.D, Sousa, K.Y.L. de, Siqueira, M.A. e Gouvêa-e-Silva, L.F. (2026). Impacto de 12 semanas de treinamento resistido na composição corporal, dor e capacidades físicas. Estudo em policias militares do interior da Amazônia. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(339), 119-141. https://doi.org/10.46642/efd.v31i339.8813

 

Resumo

    Introdução: Policiais militares (PM) apresentam um estilo de vida sedentário, marcado por alterações na composição corporal, nas capacidades físicas e na percepção da dor. Por outro lado, o treinamento resistido (TR) atua de forma eficaz para a promoção de saúde nessa população. Objetivo: Analisar o efeito de um programa de TR na composição corporal, nas capacidades físicas, na ocorrência e intensidade de dor de PM atuantes no serviço administrativo do município de Santarém-Pará. Métodos: Estudo quase-experimental, com 19 policiais militares atuantes do serviço administrativo, em Santarém, Pará, Brasil, submetidos a 12 semanas de TR. Foram avaliadas, pré e pós-intervenção a composição corporal, força muscular, resistência muscular abdominal, flexibilidade e a dor. Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial, adotando-se p<0,05. Resultados: O sexo feminino predominou (53 %) e a idade média foi de 34,89±7,02 anos. O TR reduziu a adiposidade corporal (p<0,05), aumentou a força muscular (p<0,001), a flexibilidade (p<0,001) e a resistência muscular localizada, evidenciada pelo maior número de repetições no teste de abdominal (p<0,001). Em relação à dor, verificou-se redução na ocorrência de regiões dolorosas (89,5 % vs. 57,9 %) e diminuição da intensidade da dor relatada pelos participantes (p<0,001). Conclusão: Os achados reforçam a importância do TR como estratégia eficiente na promoção de saúde, desempenho funcional e redução de queixas dolorosas em PM.

    Unitermos: Treinamento resistido. Polícia. Composição corporal. Dor.

 

Abstract

    Introduction: Military police officers (MPOs) often exhibit a sedentary lifestyle, characterized by unfavorable changes in body composition, reduced physical capacities, and increased pain perception. In contrast, resistance training (RT) has been shown to be an effective strategy for promoting health in this population. Objective: To analyze the effects of a resistance training program on body composition, physical capacities, pain occurrence, and pain intensity among military police officers working in administrative services in the municipality of Santarém, Pará, Brazil. Methods: This quasi-experimental study included 19 military police officers engaged in administrative duties in Santarém, Pará, Brazil, who participated in a 12-week RT program. Body composition, muscular strength, abdominal muscular endurance, flexibility, and pain were assessed before and after the intervention. Data were analyzed using both descriptive and inferential statistics, with a significance level set at p<0.05. Results: Female participants predominated (53 %), and the mean age was 34.89±7.02 years. RT reduced body adiposity (p<0.05) and significantly improved muscular strength (p<0.001), flexibility (p<0.001), and localized muscular endurance, as demonstrated by a higher number of repetitions in the abdominal endurance test (p<0.001). Regarding pain, a reduction in the occurrence of painful body regions (89.5 % vs. 57.9 %) and a decrease in self-reported pain intensity were observed (p<0.001). Conclusion: These findings reinforce the importance of RT as an effective strategy for promoting health, improving functional performance, and reducing pain complaints among military police officers.

    Keywords: Resistance training. Police. Body composition. Pain.

 

Resumen

    Introducción: Los policías militares (PM) presentan un estilo de vida sedentario, caracterizado por alteraciones en la composición corporal, las capacidades físicas y la percepción del dolor. Por otro lado, el entrenamiento de resistencia (ER) actúa eficazmente para promover la salud en esta población. Objetivo: Analizar el efecto de un programa de ER sobre la composición corporal, las capacidades físicas, la aparición e intensidad del dolor en policías militares que trabajan en el servicio administrativo del municipio de Santarém-Pará. Métodos: Estudio cuasiexperimental con 19 policías militares que trabajan en el servicio administrativo de Santarém, Pará, Brasil, sometidos a 12 semanas de ER. Se evaluaron la composición corporal, la fuerza muscular, la resistencia de la musculatura abdominal, la flexibilidad y el dolor antes y después de la intervención. Los datos se analizaron mediante estadística descriptiva e inferencial, adoptando p<0,05. Resultados: Predominaron las mujeres (53 %) y la edad media fue de 34,89±7,02 años. El entrenamiento de resistencia (ER) redujo la adiposidad corporal (p<0,05), aumentó la fuerza muscular (p<0,001), la flexibilidad (p<0,001) y la resistencia muscular localizada, evidenciada por un mayor número de repeticiones en la prueba abdominal (p<0,001). En cuanto al dolor, se observó una reducción en la frecuencia de las zonas dolorosas (89,5 % frente a 57,9 %) y una disminución en la intensidad del dolor reportado por los participantes (p<0,001). Conclusión: Los hallazgos refuerzan la importancia del ER como una estrategia eficaz para promover la salud, el rendimiento funcional y reducir las molestias dolorosas en los agentes de policía.

    Palabras clave: Entrenamiento de resistencia. Policía. Composición corporal. Dolor.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 339, Ago. (2026)


 

Introdução 

 

    A inatividade física é reconhecida como um dos principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, associada a desfechos adversos como redução da qualidade de vida e aumento da mortalidade (Alonzo et al., 2022; Ballin et al., 2021; Sheng et al., 2021; Stens et al., 2023). Apesar das recomendações para a prática regular de atividade física, uma parcela significativa da população adulta permanece insuficientemente ativa, condição associada ao agravamento de desfechos clínicos e funcionais ao longo do tempo. (Booth, Roberts, e Laye, 2012)

 

    No contexto ocupacional, policiais militares (PM) constituem um grupo particularmente vulnerável a comportamentos sedentários e seus efeitos deletérios, em função das características específicas da profissão, como jornadas de trabalho irregulares, estresse ocupacional e demandas físicas intermitentes (Bernardo et al., 2016; Oliveira et al., 2015). Estudos prévios indicam elevada prevalência de inatividade física nessa população, bem como sua associação com pior desempenho físico e maior risco de agravos à saúde. (Moreira, e Frómeta, 2021)

 

    Entre os PM, aqueles alocados em funções administrativas apresentam exposição prolongada ao comportamento sedentário, caracterizado principalmente pelo tempo excessivo em posição sentada. Esse padrão ocupacional tem sido associado ao aumento da ocorrência de dor musculoesquelética, especialmente na coluna vertebral, além de prejuízos na aptidão física. (Azeredo et al., 2021)

 

    Nesse cenário, o treinamento resistido (TR) tem sido amplamente recomendado como uma estratégia eficaz para a melhoria da composição corporal, aumento da força muscular, melhora na funcionalidade e qualidade de vida em diferentes populações (Sharma et al., 2023). No entanto, apesar dos benefícios amplamente documentados do TR na população geral, observa-se uma escassez de estudos que investiguem seus efeitos em PM, especialmente naqueles que atuam predominantemente em funções administrativas e apresentam elevado tempo de comportamento sedentário.

 

    Além disso, poucos estudos exploraram de forma simultânea desfechos relacionados à dor, composição corporal e capacidades físicas nessa população específica (Hoflinger et al., 2021; Oliveira et al., 2023). Nesse sentido, o objetivo do estudo é analisar o efeito de um programa de TR na composição corporal, nas capacidades físicas, na ocorrência e intensidade de dor de PM atuantes no serviço administrativo do município de Santarém-Pará.

 

Métodos 

 

Delineamento do estudo e amostra 

 

    Trata-se de um estudo quase-experimental, sem grupo controle e não randomizado, realizado com PM do setor administrativo lotados nas sedes do Comando de Policiamento Regional I e do 3° Batalhão de Polícia Militar, no município de Santarém, Pará, Brasil. As avaliações foram realizadas nas dependências da Universidade do Estado do Pará e na academia localizada no quartel do 3° Batalhão de Polícia Militar, onde também foi executado o programa de TR.

 

    O cálculo do tamanho da amostra foi realizado com o software G*Power®️ (versão 3.1.9.7; Instituto de Psicologia Experimental de Düsseldorf, Alemanha). As taxas de erro tipo I e tipo II foram definidas em α = 0,05 e β = 0,90, respectivamente, para obter um tamanho de efeito de pelo menos 0,80, resultando em uma amostra mínima de 19 participantes. No entanto, devido ao uso de uma estratégia de amostragem por conveniência não probabilística, inicialmente, 32 PM lotados no serviço administrativo foram recrutados.

 

    Foram incluídos PM de qualquer graduação, com idades entre 25 e 50 anos, de ambos os sexos, que estivessem em atividade nas suas atribuições profissionais, que não praticassem TR há pelo menos três meses e que tivessem jornada de trabalho de 6 a 8 horas por dia. Foram excluídos do estudo participantes que relatassem alguma restrição médica, lesões ou condições de saúde que inviabilizassem a realização das avaliações ou do programa de TR proposto, participantes que estivessem de férias, licença especial ou em viagens durante o período da intervenção, bem como aqueles que não alcançassem o mínimo de 75 % de assiduidade estipulado para o estudo. Assim, 11 participantes foram excluídos por baixa assiduidade e 2 por lesões em decorrência das atividades laborais, resultando em uma amostra final de 19 PM, caracterizando uma perda amostral (n=13) de 40,6 %.

 

    O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade do Estado do Pará, Campus XII – Santarém (CAAE: 65155817.3.0000.5168). Todos os participantes foram orientados quanto ao estudo e estando de acordo com o mesmo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

Procedimentos e coleta de dados 

 

    A anamnese e as avaliações foram realizados pré e pós o programa de TR. A anamnese foi aplicada com a finalidade de verificar informações sociodemográficas e clínicas, como o sexo, idade, uso de medicações, presença de lesões ou problemas de saúde, local de atuação profissional, jornada de trabalho, prática de atividade física e previsão de licenças ou férias.

 

    Destaca-se, a exceção para a avaliação da força muscular, a qual foi considerada como pré-programa e realizada na 13ª sessão do treinamento, após período de familiarização com os exercícios. O período de familiarização de quatro semanas foi adotado com o objetivo de promover adaptação neuromuscular e aprendizado técnico dos exercícios, especialmente considerando o baixo nível prévio de treinamento dos participantes, minimizando riscos de lesões e aumentando a confiabilidade das medidas de força. (Grgic et al, 2020)

 

    A estatura foi aferida com um estadiômetro portátil da marca Sanny® e a massa corporal por uma balança analógica Welmy®. O índice de massa corporal (IMC) foi calculado dividindo a massa corporal (kg) pela estatura (m) ao quadrado. Os cortes de IMC adotados foram o baixo peso (< 18,5 Kg/m²), normal (18,5 Kg/m² a 24,9 Kg/m²), sobrepeso (25 Kg/m² a 29,9 Kg/m²) e obesidade (≥ 30 Kg/m²). (WHO, 2000)

 

    A circunferência abdominal foi aferida com uma fita antropométrica (Sanny®), posicionada na região da cicatriz umbilical. Para as dobras cutâneas, utilizou-se um compasso científico (Cescorf®), com precisão de 0,1 mm. As dobras do bíceps, tríceps, subescapular, suprailíaca, abdômen, coxa e perna foram mensurados, sendo realizadas três medições em cada ponto e adotada a média como valor final. Como variável de análise, adotou-se a soma de todas as dobras. Os procedimentos e orientações para as coletas das informações acima foram baseados em Fernandes Filho (2003).

 

    A composição corporal foi avaliada por meio de bioimpedância elétrica tetrapolar, utilizando o equipamento Maltron® (modelo BF 900), com os participantes em posição supina. Inicialmente, os avaliados foram orientados a remover objetos metálicos e permanecer em repouso. Em seguida, eletrodos adesivos foram posicionados na mão e no pé direitos, conforme as recomendações do fabricante, sendo dois eletrodos na região da mão e dois no pé. Após a conexão dos cabos ao equipamento, procedeu-se à leitura dos parâmetros de composição corporal, incluindo percentual de gordura, massa magra e massa gorda.

 

    Previamente à avaliação, os participantes foram orientados a evitar a prática de exercícios físicos nas 12 horas anteriores, não ingerir bebidas alcoólicas e/ou cafeinadas nas 24 horas anteriores, manter intervalo de 2 a 3 horas após a última refeição, urinar até 30 minutos antes do exame e evitar consumo excessivo de líquidos imediatamente antes da avaliação. Além disso, foram orientados quanto à importância de manter condições adequadas de hidratação e, no caso das mulheres, realizar a avaliação preferencialmente fora do período de maior retenção hídrica do ciclo menstrual. (Kyle et al., 2004)

 

    Para a mensuração da força máxima (1RM) foram utilizados três exercícios: o supino reto; o hack machine e a puxada aberta. O protocolo utilizado foi o de 1RM predito de 2 a 10 repetições máximas, proposto por Brzycki (1993). Os participantes foram orientados a realizar os movimentos completos de forma correta dentro do intervalo de 2 a 10 repetições. O teste foi interrompido quando o participante apresentava falha concêntrica, execução inadequada do movimento ou quando o número de repetições ultrapassava o intervalo estabelecido. Para calcular a força máxima, utilizou-se a seguinte equação:

 

1RM predito = peso levantado ÷ [1,0278 – (0,0278 x número de repetições)] 

 

    Para avaliar a flexibilidade foi realizado o teste de sentar e alcançar, utilizando o banco de Wells. O procedimento foi realizado três vezes, considerando como resultado a maior distância atingida. (Pollock, e Wilmore, 1993)

 

    Para a avaliação da resistência muscular localizada foi utilizado o teste de abdominal, considerando como resultado o máximo de repetições corretas no período de um minuto. (Pollock, e Wilmore, 1993)

 

    A ocorrência e intensidade da dor foram avaliadas pelo Diagrama de Corlett, construído e validado por Corlett, e Bishop (1976). O diagrama é utilizado para avaliar a presença, localização e intensidade da dor de acordo com a região corporal. O diagrama apresenta ao participante uma figura ilustrativa do corpo humano com 28 regiões relacionadas à presença e intensidade de dor. A intensidade é assinalada de 1 a 5, onde 1 representa nenhuma dor e 5 a dor/desconforto intolerável.

 

Protocolo de treinamento resistido 

 

    O programa de TR teve duração de 12 semanas (36 sessões), com frequência de três vezes por semana e duração aproximada de 60 minutos por sessão. O treino envolveu um aquecimento de 5 a 10 minutos em equipamento aeróbio (bicicleta ergométrica ou esteira), seguido do TR, e, por fim, alongamentos para os grupos musculares recrutados, com duração de 3 a 5 minutos.

 

    As primeiras quatro semanas (sessões 1 a 12) foram voltadas para a familiarização dos participantes com os exercícios propostos (Tabela 1). Nas sessões de 1 a 4, o treinamento foi realizado com um exercício para cada grupo muscular, aplicando-se duas séries de 15 repetições (Tabela 2).

 

Tabela 1. Grupos musculares e exercícios utilizados no programa de treinamento resistido ao longo das 12 semanas

Grupo muscular

Exercícios

Peitoral

Supino reto, supino inclinado, fly reto, fly inclinado, crucifixo reto, crucifixo inclinado, cross over, peck deck

Dorsal

Puxada aberta, puxada fechada, remada sentada, remada curvada, remada unilateral

Deltoide

Elevação lateral, elevação anterior, peck deck invertido, crucifixo invertido, crucifixo invertido no cross over

Bíceps

Rosca Scott, rosca direta, rosca simultânea, rosca unilateral, rosca no cross over

Tríceps

Tríceps pulley, tríceps testa, tríceps francês, tríceps coice

Quadríceps

Leg press, hack machine, cadeira extensora, agachamento guiado

Posterior de coxa / glúteo

Mesa flexora, flexão em pé, avanço guiado, stiff, leg press, hack machine

Panturrilha

Leg press (panturrilha), panturrilha sentada

Abdômen e eretor da coluna

Extensão de coluna, flexão lateral cross, abdominal, flexão lateral

Fonte: Autores

 

    A Tabela 2 demonstra que da 5ª até a 12ª sessão, o treino foi dividido em grupos musculares da parte superior e inferior do corpo. Assim, realizou-se dois exercícios para os grandes grupos musculares e um exercício para os pequenos grupos, com três séries de 12 repetições máximas, concluindo o 1º mesociclo.

 

    Na 13ª sessão, que equivale ao primeiro dia do 2º mesociclo, foi realizado o teste de 1RM. A partir da 14ª sessão, o treinamento foi realizado com três exercícios para os grandes grupos musculares e dois para os pequenos grupos. Da 14ª à 36ª sessão, os treinos foram por grupos musculares que se alternavam durante as sessões da seguinte forma: Treino A - peito, quadríceps e abdômen; Treino B – costas, posterior de coxa, panturrilhas e extensão de coluna; Treino C – tríceps, bíceps, ombro e flexão lateral (Tabela 1; Tabela 2).

 

    Durante o 2º e o 3º mesociclos, foram realizadas três séries de 3 a 15 repetições máximas, de acordo com a intensidade aplicada, que oscilou em 70 % (1ª semana; 3 sessões), 80 % (2ª semana; 3 sessões), 90 % (3ª semana; 3 sessões) e 60 % (4ª semana; 3 sessões) de 1RM. Assim, o modelo de periodização adotado foi o não linear (Tabela 2). Ressalta-se que após o término da 12ª semana (36ª sessão), o teste de 1RM foi reaplicado.

 

Tabela 2. Organização da periodização não linear ao longo dos mesociclos

Variáveis do treinamento

1º Mesociclo

2º e 3º Mesociclos

Familiarização

(sessões 1 a 4)

 

Sessões 5 a 12

Teste de 1RM

Sessão 13

Sessões 14 a 36

Série x repetições

2 x 15

3 x 12

1 x 2 a 10

3 x 3 a 15

Intensidade

Leve / subjetiva

70 % 1RM

Submáxima / máxima

60 % a 90% 1RM

Intervalo de descanso entre séries / exercícios

1 minuto / 2 minutos

1 minuto / 2 minutos

5 minutos / 5 minutos

1 minuto / 2 minutos

Exercícios

Um de cada grupo muscular

2 exercícios para Peito, Dorsal, Quadríceps, Posteriores de coxa/glúteo

Os outros grupos foi escolhido apenas 1 exercício

Supino reto

Hack machine

Puxada aberta

Treino A:

Peito

Quadríceps

Abdômen

 

Treino B:

Costas

Posteriores de coxa/glúteo

Panturrilha

Eretor de coluna

 

Treino C:

Tríceps

Bíceps

Ombro

Abdômen/eretor da coluna

Legenda: 1RM: força máxima. Fonte: Autores

 

Análise estatística 

 

    Os dados foram tabulados e analisados por estatística descritiva, com o uso da média, desvio padrão, mediana, intervalo interquartil, delta percentual, frequência absoluta e relativa. Para a estatística inferencial, aplicou-se primeiramente o teste de normalidade de Shapiro-Wilk, em que o IMC, massa gorda, os exercícios de puxada aberta e supino reto, e a ocorrência e intensidade da dor apresentaram distribuição não normal.

 

    Nesse sentido, utilizou-se para as comparações o teste t pareado para as variáveis com distribuição normal e o teste de Wilcoxon para aquelas com distribuição não normal. O teste de McNemar aplicado na variável categórica binária “presença de dor” antes e após a intervenção.

 

    Adicionalmente, foi calculado o tamanho de efeito por meio do d de Cohen, com respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95 %), para estimar a magnitude (0,2=pequena; 0,5=intermediária; 0,8=grande) das diferenças observadas (Cohen, 1988). Para controle do erro do tipo I decorrente de múltiplas comparações, aplicou-se a correção de Bonferroni. As análises foram realizadas no programa BioEstat 5.3, adotando-se nível de significância de p<0,05. A Figura 1 foi elaborada com auxílio do GraphPad Prism versão 3.0.

 

Resultados 

 

    A amostra foi composta por 19 participantes, sendo 53 % (n=10) do sexo feminino, com idade média de 34,89±7,02 anos, entre 26 e 46 anos. A Tabela 3 apresenta a comparação das variáveis de composição corporal pré e pós-intervenção. Foram observadas reduções significativas na circunferência abdominal (p=0,002), no percentual de gordura (p=0,021), na massa gorda (p=0,038) e na soma das dobras cutâneas (p=0,002). Não foram observadas diferenças significativas na massa corporal total (p=0,138), no índice de massa corporal (p=0,184) e na massa magra (p=0,202). Ressalta-se que após a correção de Bonferroni, apenas a circunferência abdominal e a soma das dobras cutâneas mantiveram significância estatística (Tabela 3).

 

Tabela 3. Comparação das variáveis da composição corporal dos policiais militares, pré e pós-programa de treinamento resistido

Variáveis

Programa de treinamento resistido

p

d (IC95 %)

Pré

(média±dp)

Pós

(média±dp)

Massa corporal (kg)

73,19±13,18

72,45±13,11

0,138

-0,36(-0,82 a 0,10)

IMC (kg/m²)*

25,8(24,1-29,0)

25,1(23,6-28,5)

0,184

-0,34(-0,80 a 0,12)

CAb (cm)

90,19±10,34

87,93±10,31

0,002†

-0,79(-1,28 a -0,28)

Percentual de gordura (%)

30,40±6,03

29,00±6,70

0,021

-0,58(-1,05 a -0,09)

Massa magra (kg)

50,52±7,59

51,03±8,07

0,202

0,30(-0,16 a 0,76)

Massa gorda (kg)*

19,8(16,2-27,2)

19,8(15,8-24,3)

0,038

-0,53(-0,99 a -0,05)

Soma das dobras (mm)

161,58±47,55

149,22±42,36

0,002†

-0,81(-1,30 a -0,30)

Legenda: dp – desvio padrão; IC95 % - intervalo de confiança de 95 %; *dados apresentados em mediana (intervalo interquartil); † significativo após correção de Bonferroni (p ajustado = 0,003); d – tamanho de efeito de Cohen (0,2 = pequeno; 0,5 = intermediário; 0,8 = grande).

Fonte: Dados da pesquisa.

 

    A Tabela 4 apresenta a distribuição da presença e localização da dor. A prevalência de dor reduziu de 89,5 % (n=17) para 57,9 % (n=11), correspondendo a uma variação percentual de -35,3%. O número total de locais de dor relatados reduziu de 101 para 33. As regiões mais frequentes no momento pré-intervenção foram bacia (9,9 %), joelho esquerdo (7,9 %) e costa média (6,9 %). No momento pós-intervenção, as regiões mais frequentes foram costa média (12,2 %), joelho esquerdo (12,2 %) e bacia (9,1 %).

 

Tabela 4. Demonstrativo da presença de dor e dos principais locais de dores

relatados pelos policiais militares, pré e pós-programa de treinamento resistido

Variáveis

Pré

Pós

Δ%

n

%

n

%

Presença de dor

Sim

17

89,5

11

57,9

-35,3*

Não

2

10,5

8

42,1

300,0

Localização de dor

Pescoço

5

5,0

3

9,1

-40,0

Cervical

6

5,9

2

6,1

-66,7

Costa Superior

6

5,9

2

6,1

-66,7

Costa Média

7

6,9

4

12,0

-42,9

Costa Inferior

6

5,9

3

9,1

-50,0

Bacia

10

9,9

3

9,1

-70,0

Ombro Esquerdo

5

5,0

2

6,1

-60,0

Ombro Direito

5

5,0

1

3,0

-80,0

Joelho esquerdo

8

7,9

4

12,0

-50,0

Joelho direito

6

5,9

1

3,0

-83,3

Perna esquerda

5

5,0

2

6,1

-60,0

Perna direita

6

5,9

2

6,1

-66,7

Outros

26

25,8

4

12,2

-84,6

Total

101

100

33

100

-67,3

Legenda: n – frequência absoluta; % - frequência relativa; Δ % - delta percentual (diferença percentual da frequência absoluta do pré para o pós-programa); *Teste de McNemar, p=0,031; para comparação da presença de dor entre os momentos pré e pós-programa de treinamento resistido. Fonte: Dados da pesquisa

 

    A Figura 1 apresenta as comparações das variáveis motoras e da dor. Observou-se aumento na flexibilidade (37,4 %), no número de repetições no teste abdominal (35,4 %), na carga do hack machine (21,8 %), no supino reto (8,3 %) e na puxada aberta (8,4 %). Adicionalmente, houve redução na ocorrência de dor (75 %) e na intensidade da dor (23,1 %).

 

Figura 1. Comparação da flexibilidade (A), do teste de abdominal (B), do hack machine (C), do supino reto (D), da 

puxada aberta (E), da ocorrência de dor (F) e da intensidade de dor (G) pré e pós-programa de treinamento resistido

Figura 1. Comparação da flexibilidade (A), do teste de abdominal (B), do hack machine (C), do supino reto (D), da puxada aberta (E), da ocorrência de dor (F) e da intensidade de dor (G) pré e pós-programa de treinamento resistido

Nota: A a C – valores em média±desvio padrão. D a G – valores em mediana (intervalo interquartil – 25%-75 %; extremidade inferior e superior do box); D a G – a barra inferior e superior do box representa valores mínimos e máximos. Fonte: Dados da pesquisa

 

    Em relação aos achados da Figura 1, os tamanhos de efeito e respectivos IC95% foram os seguintes: flexibilidade (d=1,56; IC95 %: 0,91 a 2,17), teste de abdominal (d=2,08; IC95 %: 1,28 a 2,83), hack machine (d=1,62; IC95 %: 0,96 a 2,23), supino reto (d=1,18; IC95 %: 0,57 a 1,75), puxada aberta (d=1,25; IC95 %: 0,63 a 1,82), ocorrência de dor (d= -1,18; IC95 %: -1,75 a -0,57) e intensidade de dor (d= -0,97; IC95 %: -1,52 a -0,42). Ressalta-se que todos os tamanhos de efeito foram superiores a 0,80 (em valor absoluto), sendo classificados como grandes segundo os critérios de Cohen (1988).

 

Discussão 

 

    O presente estudo teve como objetivo analisar o efeito de um programa de TR na composição corporal, nas capacidades físicas, na ocorrência e intensidade da dor de PM atuantes no setor administrativo do município de Santarém-Pará. Os principais achados indicaram melhorias nas capacidades físicas, redução da adiposidade corporal e diminuição da ocorrência e intensidade da dor.

 

    Destaca-se, entre os achados, a maior relevância clínica para redução da dor, seguida pelos ganhos de flexibilidade e resistência abdominal, todos com magnitude de efeito grande. As variáveis da composição corporal que apresentaram melhora significativa tiveram magnitudes de efeito moderadas a grandes.

 

    No que se refere às variáveis da adiposidade corporal, observou-se redução significativa da circunferência abdominal (magnitude de efeito moderado) e da soma das dobras cutâneas (magnitude de efeito grande), mesmo na ausência de acompanhamento nutricional. Esses achados são particularmente relevantes considerando que PM frequentemente apresentam perfil antropométrico fora da normalidade, com elevada prevalência de sobrepeso e obesidade associados a fatores de risco cardiometabólico. (Damasceno et al., 2016; Esteves et al., 2014)

 

    A obesidade abdominal associa-se a maior risco cardiovascular, inflamatório (Shangguan et al., 2025), absenteísmo, afastamentos laborais (Sato et al., 2025; Van Duijvenbode et al., 2009) e comprometimento da aptidão física necessária ao desempenho das funções policiais (Barbosa et al., 2022). Dessa forma, a melhora observada supera benefícios estéticos, configurando um importante ganho clínico e ocupacional (Lima-Dos-Santos et al., 2020), uma vez que o aumento do nível habitual de atividade física leva a redução do excesso de peso, em especial na região abdominal. (Ross et al., 2000)

 

    Esses resultados corroboram as evidências anteriores, que apontam o TR como intervenção associada à diminuição da gordura corporal (Cabral et al., 2013; Dias et al., 2015; Rocha et al., 2015). Essas reduções podem estar associadas ao aumento do gasto energético e à melhora da sensibilidade à insulina induzidos pelo TR (Małkowska, 2024). Ressalta-se, no entanto, que o percentual de gordura e a massa gorda não demonstraram significância após a correção de Bonferroni para múltiplas comparações, indicando que esses achados devem ser interpretados com cautela.

 

    Embora não tenha sido observado aumento da massa magra, sua manutenção paralela à redução da gordura corporal representa uma adaptação favorável. Em contrapartida, os ganhos de força muscular foram expressivos, especialmente nos exercícios hack machine e puxada aberta, ambos com magnitude de efeito grande. Esses resultados são consistentes com a literatura (Cassemiro et al., 2017; Fleck; Simão, 2008;) e sugerem adaptações neurais, como maior recrutamento de unidades motoras (Häkkinen; Hakkinen, 1995) e redução da coativação antagonista. (Häkkinen et al., 1998)

 

    No presente estudo, o programa de TR chegou a atingir cargas de até 90% de 1RM nos últimos meses, o que pode ter contribuído para os ganhos de força observados, uma vez que treinos com cargas mais próximas de 1RM tendem a gerar maior força muscular. (Callou Filho et al., 2024)

 

    Observou-se também melhora significativa no teste de abdominal, com magnitude de efeito grande, indicando aumento da resistência muscular localizada. Essa adaptação sugere desenvolvimento da estabilidade do tronco e da capacidade de sustentar esforços submáximos por maior período (Alecu, Onea, e Badau, 2025), o que do ponto de vista ocupacional, pode contribuir para maior tolerância a demandas físicas da profissão, como transporte de cargas e levantamento repetido de materiais. (Vaara et al., 2022)

 

    Quanto à flexibilidade, com magnitude de efeito grande, embora o programa não tenha sido especificamente direcionado a essa capacidade, os exercícios resistidos realizados podem promover adaptações na extensibilidade musculotendínea (D'Onofrio et al., 2023). Considerando que policiais rodoviários federais apresentam níveis insatisfatórios de flexibilidade (Marins; Del Vecchio, 2017), o TR pode favorecer melhorias simultâneas na flexibilidade e na força muscular, especialmente nos músculos extensores do quadril e na região lombar, contribuindo para melhor funcionalidade musculoesquelética. (D'Onofrio et al., 2023; Rosenfeldt et al., 2024)

 

    A redução da dor constitui o achado de maior relevância clínica deste estudo. A elevada prevalência inicial corrobora a estudos que apontam alta frequência de queixas musculoesqueléticas em policiais, especialmente na coluna vertebral (Anderson, Zutz, e Plecas, 2011; Azeredo et al., 2021; Tavares Neto et al., 2013) e joelhos (Azeredo et al., 2021), áreas particularmente vulneráveis devido às demandas ocupacionais. (Nygaard et al., 2022)

 

    Lopes et al. (2023) observaram a presença de queixas dolorosas em pelo menos um local do corpo, com predomínio na região da coluna vertebral em estudantes universitários. Esses achados reforçam que a dor musculoesquelética não está restrita às demandas ocupacionais específicas da atividade policial, mas também se relaciona a rotinas hipocinéticas, evidenciando o impacto da inatividade física e do elevado tempo de comportamento sedentário na saúde musculoesquelética.

 

    A redução observada na ocorrência (magnitude de efeito grande) e na intensidade (magnitude de efeito grande) da dor pode estar associada a mecanismos neurofisiológicos (liberação de opioides endógenos) (Wang et al., 2022), vasculares (aumento da capilarização e remoção de resíduos algogênicos) (Walling et al., 2000) e biomecânicos (maior estabilidade articular e redução da sobrecarga passiva) (Szewczyk, Świta, e Szuciak, 2024). Além disso, fatores psicológicos podem ter influenciado os resultados, uma vez que a experiência dolorosa é multidimensional. (Silva, e Ribeiro-Filho, 2011)

 

    Nesse sentido, os resultados positivos obtidos na diminuição da percepção de dor são decorrentes de várias adaptações morfofisiológicas provocadas pelo TR proposto no presente estudo. A literatura aponta que o excesso de tecido adiposo (Davydov et al., 2025), a inatividade física (De la Corte-Rodriguez et al., 2024) e a baixa força muscular estão relacionados à hiperalgesia e a uma maior sensibilidade à dor (D'Onofrio et al., 2023). Em particular, a elevada adiposidade abdominal, muitas vezes associada a um estado de hidratação insuficiente, favorece a disfunção dos mecanismos endógenos de controle da dor, intensificando a percepção dolorosa. (Davydov et al., 2025)

 

    Além disso, no presente estudo se observou que o programa de TR atuou de forma sinérgica sobre esses determinantes, reduzindo a gordura corporal (circunferência abdominal), melhorando a flexibilidade, força e resistência muscular, os quais foram capazes de promover maior estabilidade biomecânica, diminuição de sobrecarga às articulações e aprimoramento dos sistemas moduladores da dor, culminando na redução da frequência e da intensidade dos sintomas dolorosos. (D'Onofrio et al., 2023)

 

    Embora os resultados sejam promissores, algumas limitações devem ser consideradas. O delineamento quase-experimental, sem grupo controle, não permite inferências causais mais robustas. O tamanho amostral reduzido, a heterogeneidade da amostra quanto ao sexo e à idade, bem como a ausência de controle de variáveis externas (alimentação, consumo de álcool, tabagismo, sono) podem ter influenciado a magnitude das respostas adaptativas.

 

    A análise de sensibilidade indicou que o estudo teve poder adequado apenas para detectar efeitos grandes (d≥0,68), sendo insuficiente para efeitos pequenos ou médios. Ressalta-se que homens e mulheres foram analisados em conjunto devido à natureza corporativa da amostra e ao número reduzido de participantes, o que impossibilitou análises separadas. Assim, estudos futuros devem considerar a análise por sexo para melhor compreensão das respostas adaptativas. Apesar dessas limitações, o estudo demonstra associações benéficas do TR para a saúde e o bem-estar de PM do estado do Pará, fornecendo subsídios para futuras investigações com delineamentos mais robustos e amostras representativas.

 

Conclusão 

 

    Conclui-se que o programa de treinamento resistido esteve associado à redução de indicadores de adiposidade corporal, à melhora das capacidades físicas e à diminuição da ocorrência e intensidade da dor em PM atuantes no setor administrativo. Esses resultados sugerem que essa abordagem pode contribuir para a promoção da saúde, da funcionalidade e da qualidade de vida dessa população.

 

    Os achados reforçam a relevância da adoção de um estilo de vida fisicamente ativo, especialmente no contexto ocupacional, no qual a manutenção da aptidão física é determinante para o desempenho profissional. Nesse sentido, a implementação de programas estruturados de exercício físico pode representar uma abordagem relevante para a prevenção de dores musculoesqueléticas, alterações indesejáveis na composição corporal e declínios nas capacidades físicas, contribuindo para a manutenção da funcionalidade em PM.

 

Referências 

 

Alecu, S., Onea, G.A., e Badau, D. (2025). Impact of a 12-Week Core Stability Training on Upper Trunk Stability, Trunk Mobility, and Postural Asymmetries in University Students. Life (Basel), 15(12), e1801. https://doi.org/10.3390/life15121801

 

Alonzo, R., Lalva, T., Couper, R.G., e Wilk, P. (2022). Association between physical activity and life satisfaction among adults with multimorbidity in Canada. Canadian Journal of Public Health, 113(4), 598-606. https://doi.org/10.17269/s41997-022-00635-7

 

Anderson, G.S., Zutz, A., e Plecas, D.B. (2011). Police officer back health. The Journal of Criminal Justice Research, 2(1), 1–17. https://www.researchgate.net/publication/281378222

 

Azeredo, P.O., Ribas, R.C.C., Sena, W.S., Oliveira, D.M., Fernandes, E.V., e Gouvêa-e-Silva, L.F. (2021). Atuação do policial militar: reflexo na qualidade de vida e dor. Saúde (Santa Maria), 47(1), e66213. https://doi.org/10.5902/2236583466213

 

Ballin, M., Nordström, P., Niklasson, J., e Nordström, A. (2021). Associations of objectively measured physical activity and sedentary time with the risk of stroke, myocardial infarction or all-cause mortality in 70-year-old men and women: A prospective cohort study. Sports Medicine, 51(2), 339–349. https://doi.org/10.1007/s40279-020-01356-y

 

Barbosa, WG, Saint Martin, DR, Soares, EMKVKS, Fontana, KE, Lan, FY, Kales, SN, Molina, GE, e Porto, LGG (2022). The effects of a 6-month mandatory military police academy training on recruits' physical fitness. Work, 73(4), 1297–1306. https://doi.org/10.3233/WOR-210031

 

Bernardo, V.M., Silva, F.C., Ferreira, E.G., Bento, G.G., Zilch, M.C., e Silva, R. (2016). Physical activity of police officers: A systematic review. Revista Cubana de Medicina Militar, 45(2), 206–214.

 

Booth, F.W., Roberts, C.K., e Laye, M.J. (2012). Lack of exercise is a major cause of chronic diseases. Compr Physiol. 2(2), 1143-211. https://doi.org/10.1002/cphy.c110025

 

Brzycki, M. (1993). Strength testing: Predicting a one-rep max from repetitions to fatigue. Journal of Physical Education, Recreation & Dance, 64(1), 88–90. https://doi.org/10.1080/07303084.1993.10606684

 

Cabral, CEAT, Guerra, FEF, Zugno, LM, Cabral, SAT, Leite, LD, Fernandes Filho, J., e Lima, KC (2013). Muscular strength training does not increase human adults arterial stiffness or improve body toning. Revista de Salud Pública, 15(4), 601–613. https://www.researchgate.net/publication/264829713

 

Callou Filho, CR, Fontenele, LL, Felipe, PHJ, Lima, VLS, Pereira, GS, Thomaz, AM, Campos, CGS, e Oliveira, TQ (2024). High load vs. low load in resistance training practitioners: Which is more beneficial for hypertrophy and strength gains? A systematic review. Lecturas: Educación Física y Deportes, 29(315), 194–210. https://doi.org/10.46642/efd.v29i315.7234

 

Cassemiro, B.M., Lemes, I.R., Figueiredo, M.P.F., Vanderlei, F.M., Pastre, C.M., e Netto, J.E. (2017). Effects of functional resistance training on muscle strength and musculoskeletal discomfort. Fisioterapia em Movimento, 30(2), 347–356. https://doi.org/10.1590/1980-5918.030.002.AO15

 

Cohen, J. (1988). Análise de poder estatístico para as ciências comportamentais. Routledge Academic.

 

Corlett, E.N., e Bishop, R.P. (1976). A technique for assessing postural discomfort. Ergonomics, 19(2), 175–182. https://doi.org/10.1080/00140137608931530

 

Damasceno, R.K.V., Benevides, A.C.S., Cunha, D.O., Lima, D.L.F., Gonzalez, R.H., e Mendonça, F.C.F. (2016). Body Composition and Anthropometric Data of Military Policies of the Shell Battalion of the State of Ceará. Saúde e Desenvolvimento Humano, 4(2), 109–119. https://doi.org/10.18316/2317-8582.16.35

 

Davydov, D.M., Garcia-Hernandez, A., Galvez-Sánchez, C.M., Andrade-Ortega, J.A., Reyes Del Paso, G.A. (2025). Opposing roles of body fat and hydration in pain: Insights from chronic pain, healthy, and general populations. Clin Nutr ESPEN. 70, 701-718. https://doi.org/10.1016/j.clnesp.2025.11.019

 

De la Corte-Rodriguez, H., Roman-Belmonte, J.M., Resino-Luis, C., Madrid-Gonzalez, J., e Rodriguez-Merchan, E.C. (2024). The Role of Physical Exercise in Chronic Musculoskeletal Pain: Best Medicine-A Narrative Review. Healthcare (Basel). 12(2). https://doi.org/10.3390/healthcare12020242

 

De Oliveira, RR, Aquino, JBDC, Reis, CHO, Oliveira, GS, Vieira, LA, Machado, AF, Rica, RL, Bullo, V., Bergamin, M., Gobbo, S., e Bocalini, DS (2023). Skeletal Muscle Discomfort and Lifestyle of Brazilian Military Police Officers of Administrative and Tactical Force. J Funct Morphol Kinesiol, 8(4). https://doi.org/10.3390/jfmk8040148

 

Dias, I., Farinatti, P., Souza, MGC, Manhanini, DP, Balthazar, E., Dantas, DLS, Pinto, EHA, Bouskela, E., e Kraemer-Aguiar, ALG (2015). Effects of resistance training on obese adolescents. Medicine & Science in Sports & Exercise, 47(12), 2636–2644. https://doi.org/10.1249/mss.0000000000000705

 

D'Onofrio, G., Kirschner, J., Prather, H., Goldman, D., e Rozanski, A. (2023) Musculoskeletal exercise: Its role in promoting health and longevity. Prog Cardiovasc Dis. 77, 25-36. https://doi.org/10.1016/j.pcad.2023.02.006

 

Esteves, J.V.D.C., Andrade, M.L., Gealh, L., Andreato, L.V., e Frazói de Moraes, S.M. (2014). Characterization of the physical condition and cardiovascular risk of highway police officers. Revista Andaluza de Medicina del Deporte, 7(2), 66–71. https://scielo.isciii.es/scielo.php?pid=S1888-75462014000200005&script=sci_abstract&tlng=en

 

Fernandes Filho, J. (2003). A prática da avaliação física (2nd ed.). Shape Editora.

 

Fleck, S., e Simão, R. (2008). Força: Princípios metodológicos para o treinamento. Phorte Editora.

 

Grgic, J., Lazinica, B., Schoenfeld, B.J., e Pedisic, Z. (2020). Test-Retest Reliability of the One-Repetition Maximum (1RM) Strength Assessment: a Systematic Review. Sports Med Open. 6(1). https://doi.org/10.1186/s40798-020-00260-z

 

Häkkinen, K., e Häkkinen, A. (1995). Neuromuscular adaptations during intensive strength training in middle-aged and elderly males and females. Electromyography and Clinical Neurophysiology, 35(3), 137–147. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7649060/

 

Häkkinen, K., Newton, RU, Gordon, SE, McCormick, M., Volek, JS, Nindl, BC, Gotshalk, LA, Campbell, WW, Evans, WJ, Häkkinen, A., Humphries, BJ, e Kraemer, WJ (1998). Changes in muscle morphology, electromyographic activity and force production characteristics during progressive strength training in young and older men. Journals of Gerontology - Series A Biological Sciences and Medical Sciences, 53(6), B415–B423. https://doi.org/10.1093/gerona/53a.6.b415

 

Hoflinger, F., Rodacki, ALF, Tavares, JM, Fadel Neto, MI, Paulo, AC, Fowler, NE, e Rodacki, CLN (2021). A cross-sectional analysis of the muscle strength, spinal shrinkage, and recovery during a working day of military police officers. J Occup Health. 63(1). https://doi.org/10.1002/1348-9585

 

Kyle, UG, Bosaeus, I., De Lorenzo, AD, Deurenberg, P., Elia, M., Gómez, JM, Heitmann, BL, Kent-Smith, L., Melchior, JC, Pirlich, M., Scharfetter, H., Schols, AM, e Pichard, C. (2004). Bioelectrical impedance analysis--part I: review of principles and methods. O Clin Nutr. 23(5), 1226-43. https://doi.org/10.1016/j.clnu.2004.06.004

 

Lima-Dos-Santos, AL, Domingos-Gomes, JR, Andrade, OSD, Cirilo-Sousa, MDS, Freitas, EDS, Silva, JCG, Izidorio, PJG, e Aniceto, RR (2020). Health-related physical fitness of military police officers in Paraiba, Brazil. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 16(4), 429–435. https://doi.org/10.5327/Z1679443520180304

 

Lopes, S.L., Silva, M.L., Fernandes, E.V., Cunha, K.C., e Gouvea-e-Silva, L.F. (2023). Dor, nível de atividade física e comportamento sedentário em estudantes de fisioterapia. Lecturas: Educación Física y Deportes, 27(298), 102–124. https://doi.org/10.46642/efd.v27i298.3866

 

Małkowska, P. (2024). Positive effects of physical activity on insulin signaling. Current Issues in Molecular Biology, 46(6), 5467–5487. https://doi.org/10.3390/cimb46060327

 

Marins, E.F., e Del Vecchio, F.B. (2017). Programa Patrulha da Saúde: indicadores de saúde em policiais rodoviários federais. Scientia Medica, 27(2), e25855. https://doi.org/10.15448/1980-6108.2017.2.25855

 

Moreira, E.P.F., e Frómeta, E.R. (2021). Insuficiente ejercicio, su incidencia en el rendimiento en las pruebas físicas de la policía nacional. Lecturas: Educación Física y Deportes, 25(274), 134–144. https://doi.org/10.46642/efd.v25i274.2817

 

Nygaard, N.B., Thomsen, G.F., Rasmussen, J., Skadhauge, L.R., e Gram, B. (2022). Ergonomic and individual risk factors for musculoskeletal pain in the ageing workforce. BMC Public Health, 22(1), 1975. https://doi.org/10.1186/s12889-022-14386-0

 

Oliveira, L.C.N., Trindade, A.P.N.T., Bezerra, M.I.S., Garcia Júnior, J.R., e Quemelo, P.R.V. (2015). Obesidade e volume de atividade física em policiais militares. Revista Científica da Federação Internacional de Educação Física, 85(1).

 

Pollock, M.L., e Wilmore, J.H. (1993). Exercícios na saúde e na doença (2nd ed.). Editorial Medsi.

 

Rocha, P.E.C.P., Silva, V.S.D., Camacho, L.A.B., e Vasconcelos, A.G.G. (2015). Effects of long-term resistance training on obesity indicators: A systematic review. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, 17(5), 621–634. https://doi.org/10.5007/1980-0037.2015v17n5p621

 

Rosenfeldt, M., Stien, N., Behm, D.G., Saeterbakken, A.H., e Andersen, V. (2024). Comparison of resistance training vs static stretching on flexibility and maximal strength in healthy physically active adults: A randomized controlled trial. BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation, 16(1), 142. https://doi.org/10.1186/s13102-024-00934-1

 

Ross, R., Dagnone, D., Jones, PJ, Smith, H., Paddags, A., Hudson, R., e Janssen, I. (2000). Reduction in obesity and related comorbid conditions after diet-induced weight loss or exercise-induced weight loss in men. A randomized, controlled trial. Ann Intern Med. 133(2), 92-103. https://doi.org/10.7326/0003-4819-133-2-200007180-00008

 

Sato, K., Arasaki, N., Agena, S., Shimabukuro, S., Sueyoshi, Y., Nakayama, Y., Tanaka, S., Koike, M., e Ogawa, T. (2025). Body composition and absenteeism risk among employees. Clinical Nutrition ESPEN, 69, 545–550. https://doi.org/10.1016/j.clnesp.2025.07.1119

 

Shangguan, Y., Yu, S., Sim, Y.J., Huang, K., Yuan, H., Wang, Y., Chen, C., Lin, Z., e Zhu, Z. (2025). Association between cardiometabolic index with muscle mass and strength in US adults: A cross-sectional study. Medicine, 104(47), e46128. https://doi.org/10.1097/MD.00000000046128

 

Sharma, N., Chahal, A., Balasubramanian, K., Sanjeevi, RR, Rai, RH, Bansal, N., Muthukrishnan, R., e Sharma, A. (2023). Effects of resistance training on muscular strength, endurance, body composition and functional performance among sarcopenic patients: a systematic review. J Diabetes Metab Disord. 22(2), 1053-1071. https://doi.org/10.1007/s40200-023-01283-5

 

Sheng, M., Yang, J., Bao, M., Chen, T., Cai, R., Zhang, N., Chen, H., Liu, M., Wu, X., Zhang, B., Liu, Y., e Chao, J. (2021). The relationships between step count and all-cause mortality and cardiovascular events: A dose-response meta-analysis. Journal of Sport and Health Science, 10(6), 620–628. https://doi.org/10.1016/j.jshs.2021.09.004

 

Silva, J.A., e Ribeiro-Filho, N.P. (2011). A dor como um problema psicofísico. Revista Dor, 12(2), 138–151. https://doi.org/10.1590/S1806-00132011000200011

 

Stens, NA, Bakker, EA, Mañas, A., Buffart, LM, Ortega, FB, Lee, DC, Thompson, PD, Thijssen, DHJ, e Eijsvogels, TMH (2023). Relationship of daily step counts to all-cause mortality and cardiovascular events. Journal of the American College of Cardiology, 82(15), 1483–1494. https://doi.org/10.1016/j.jacc.2023.07.029

 

Szewczyk, J., Świta, M., e Szuciak, A. (2024). The impact of strength training on the prevention of orthopedic injuries in sports: A literature review. Quality in Sport, 31, 55268. https://doi.org/10.12775/QS.2024.31.55268

 

Tavares Neto, A., Faleiro, T.B., Moreira, F.D., Jambeiro, J.S., e Schulz, R.S. (2013). Lombalgia na atividade policial militar: análise da prevalência, repercussões laborativas e custo indireto. Revista Baiana de Saúde Pública, 37(2), 365–374. https://doi.org/10.22278/2318-2660.2013.v37.n2.a336

 

Vaara, JP, Groeller, H., Drain, J., Kyröläinen, H., Pihlainen, K., Ojanen, T., Connaboy, C., Santtila, M., Agostinelli, P., e Nindl, BC (2022). Physical training considerations to optimize performance in essential military tasks. European Journal of Sport Science, 22(1), 43–57. https://doi.org/10.1080/17461391.2012.1.19303

 

Van Duijvenbode, D.C., Hoozemans, M.J., e Van Poppel, M.N. (2009). The relationship between overweight and obesity, and sick leave: A systematic review. International Journal of Obesity, 33(8), 807–816. https://doi.org/10.1038/ijo.2009.121

 

Walling, K., Sundelin, G., Ahlgren, C., e Järvholm, B. (2000). Perceived pain before and after three exercise programs: A controlled clinical trial of women with work-related trapezius myalgia. Pain, 85(1–2), 201–207. https://doi.org/10.1016/s0304-3959(99)00265-1

 

Wang, Y., Wu, Z., Wang, D., Huang, C., Xu, J., Liu, C., e Yang, C. (2022). Muscle-brain communication in pain: The key role of myokines. Brain Research Bulletin, 179, 25–35. https://doi.org/10.1016/j.brainresbull.2021.11.017

 

World Health Organization (2000). Obesity: preventing and managing the global epidemic: Report of a WHO consultation on obesity. WHO. https://apps.who.int/iris/handle/10665/42330


Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 339, Ago. (2026)