ISSN 1514-3465
Formação esportiva no futebol brasileiro e australiano:
diferenças culturais no desenvolvimento em longo prazo
Sports Training in Brazilian and Australian Soccer:
Cultural Differences in Long-Term Development
Entrenamiento deportivo en el fútbol brasileño y australiano:
diferencias culturales en el desarrollo a largo plazo
Valdomiro de Oliveira
*oliveirav457@gmail.com
Marcos da Silva Bezerra
**marcos.preparadorfisico@hotmail.com
Caio Vagetti de Oliveira
+caiovagetti05@gmail.com
Giovana Vagetti de Oliveira
++vagettigiovana@gmail.com
Gislaine Cristina Vagetti
+++gislainevagetti@hotmail.com
*Doutor e Mestre em Educação Física pela Unicamp/SP
Líder do centro de pesquisa em Educação
e Pedagogia do esporte (UFPR/Cnpq)
Professor Titular do Departamento de Educação Física da UFPR
Facilitador do Comitê Brasileiro de Clubes CBC, da CBF Academy
Ex atleta de alto nível no País
**Treinador brasileiro de futsal e futebol - categorias de base
até o nível profissional e seleções nacionais no Brasil
Técnico da Seleção Australiana Sub-13
para a Copa do Mundo de Futsal da AMF
Licenças futebol treinador Brasil (Football Australia) (ATFA - Argentina).
+Graduação em Educação Física
na Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Facilitador em Preparação Física nos esportes coletivos
no Clube Curitibano - Curitiba. Atleta de esportes coletivos
++Graduanda em Educação Física (Bacharelado)
na Universidade Federal do Paraná (UFPR)
+++Doutora em Educação Física
pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Mestrado com pesquisa em processo
ensino-aprendizagem na Educação Física
Ex-atleta de esportes coletivos
(Brasil)
Recepción: 02/03/2026 - Aceptación: 10/08/2026
1ª Revisión: 14/07/2026 - 2ª Revisión: 07/08/2026
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0
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Este trabalho está sob uma licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt |
Cita sugerida
: Oliveira, V. de, Bezerra, M. da S., Oliveira, C.V. de, Oliveira, G.V. de, e Vagetti, G.C. (2026). Formação esportiva no futebol brasileiro e australiano: diferenças culturais no desenvolvimento em longo prazo. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(340), 194-212. https://doi.org/10.46642/efd.v31i340.8803
Resumo
O objetivo desse artigo é discutir as diferenças culturais no desenvolvimento do futebol no Brasil e na Austrália sobre os modelos de formação esportiva. Métodos: Foram utilizadas buscas nas literaturas nacionais e internacionais pelos autores. Trata-se de uma revisão narrativa com apresentação dos modelos Brasileiro e Australiano. Os resultados mostraram que as diferenças principais entre os modelos são: O modelo brasileiro se destaca pela tradição, criatividade e formação de talentos através de uma cultura popular intensa e uma abordagem holística - embora desafiado por desigualdades regionais e falta de formalismo, o que nos últimos anos a CBF Academy tem fortalecido o pensar acadêmico científico nos seus diversos cursos de capacitação de treinadores. O contexto do modelo australiano, em crescimento, vem construindo uma estrutura mais organizada e institucionalizada, com foco em desenvolvimento juvenil sustentável, mas ainda enfrenta desafios em transferências e engajamento cultural mais amplo. O país, em parceria com a CBF Academy, também tem buscado aperfeiçoamento acadêmico científico com cursos de capacitação de treinadores. Conclui-se que ambos o modelo tem fortes influências de suas culturas e estão em busca da aproximação das ciências do esporte aplicadas a formação esportiva no futebol.
Unitermos:
Futebol. Formação esportiva. Jovens.
Abstract
The aim of this article is to discuss the cultural differences in the development of soccer in Brazil and Australia regarding models of sports training. Methods: Searches were conducted in national and international literature by the authors. This is a narrative review presenting the Brazilian and Australian models. The results showed that the main differences between the models are: The Brazilian model stands out for its tradition, creativity, and talent development through a strong popular culture and a holistic approach - although challenged by regional inequalities and lack of formalism, which in recent years the CBF Academy has been strengthening with an academic-scientific perspective through its various coach training courses. The Australian model, in a growth process, has been building a more organized and institutionalized structure, focusing on sustainable youth development, but still faces challenges related to transfers and broader cultural engagement. The country, in partnership with the CBF Academy, has also been seeking academic and scientific improvement with coach training courses. It is concluded that both models are strongly influenced by their cultures and are seeking to bring sports sciences applied to sports training in soccer.
Keywords:
Soccer. Sports training. Young people.
Resumen
El objetivo de este artículo es analizar las diferencias culturales en el desarrollo del fútbol en Brasil y Australia en lo que respecta a los modelos de entrenamiento deportivo. Métodos: Se realizaron búsquedas en la literatura nacional e internacional por parte de los autores. Se trata de una revisión narrativa con la presentación de los modelos brasileño y australiano. Los resultados mostraron las principales diferencias entre los modelos son: el modelo brasileño se destaca por la tradición, la creatividad y la formación de talentos a través de una cultura popular intensa y un enfoque holístico - aunque desafiado por las desigualdades regionales y la falta de formalismo, lo que, en los últimos años, la CBF Academy ha venido fortaleciendo con una perspectiva académico-científica en sus diversos cursos de capacitación de entrenadores. El modelo australiano, en proceso de crecimiento, viene construyendo una estructura más organizada e institucionalizada, con enfoque en el desarrollo juvenil sostenible, pero aún enfrenta desafíos en las transferencias y en el compromiso cultural más amplio. El país, en asociación con la CBF Academy, también ha buscado el perfeccionamiento académico y científico mediante cursos de capacitación de entrenadores. Se concluye que ambos modelos tienen fuertes influencias de sus culturas y buscan una mayor aproximación de las ciencias del deporte aplicadas a la formación deportiva en el fútbol.
Palabras clave:
Fútbol. Entrenamiento deportivo. Jóvenes.
Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 340, Sep. (2026)
Introdução
O processo de formação de atletas no Brasil tem, nos clubes sociais e esportivos, um dos pilares mais importantes para o desenvolvimento do esporte. Nesse contexto, as discussões sobre os modelos de formação esportiva no Brasil, especialmente no que se refere às metodologias de ensino-aprendizagem no futebol, têm recebido destaque na literatura especializada, tais como, Borges et al. (2021), onde analisaram o panorama do sistema de formação de atletas dos clubes brasileiros de futebol.
Também Reis et al. (2024) que destacaram os aspectos que influenciam a transição de atletas em formação para o nível profissional no futebol em uma revisão sistemática sobre fatores individuais, sociais e ambientais que afetam a passagem da base para o profissional. Santos et al. (2023) também corroboram com um artigo sobre a formação inicial de treinadores(as) esportivos no Brasil: interlocuções entre o bacharelado em educação física e em ciências do esporte e discutem a preparação de treinadores, elemento central nos modelos de formação esportiva dos atletas.
Bispo e colaboradores (2024), apresentaram um estudo dos anos de experimentação esportiva de jovens futebolistas brasileiras, onde investigaram as experiências esportivas iniciais e contextos de prática relacionados ao desenvolvimento de atletas.
Na Austrália, por sua vez, o futebol de base tem apresentado crescimento significativo nas últimas décadas, acompanhando a crescente popularidade da modalidade no país, que atualmente se aproxima do rugby em número de praticantes, esporte tradicionalmente mais popular na nação. Naquele País, esse fenômeno tem impulsionado investimentos e a implementação de metodologias estruturadas para o desenvolvimento de jovens atletas, considerando as fases de iniciação e especialização esportiva. Estudos como os de Jean Côté (2010), Bailey et al. (2010) e Côté, e Fraser-Thomas (2007) reforçam a importância de um ambiente de prática cuidadosamente planejado em longo prazo, no qual a progressão pedagógica respeite as necessidades físicas e psicológicas de cada fase do desenvolvimento juvenil.
Segundo Gomes, e Souza (2008), Balbino, e Paes (2005), e Santiago, Vagetti, e Oliveira (2023), a formação esportiva em longo prazo constitui um processo de ensino-aprendizagem fundamentado na cultura, na filosofia e na capacitação dos treinadores de cada país. Esse processo inicia-se com o ingresso da criança na prática esportiva e pode culminar na dedicação exclusiva a uma modalidade, como o futebol, durante muitos anos.
A iniciação esportiva de crianças e pré-adolescentes tem sido amplamente discutida por pesquisadores da Pedagogia do Esporte. Balbino, e Paes (2005) destacam a relevância dessa ferramenta educacional para a formação integral dos indivíduos nos diferentes contextos sociais, sejam eles formais, não formais ou informais. A prática esportiva pode favorecer a cooperação, a convivência, a participação e a inclusão, além de estimular metodologias mais atrativas para o ensino dos esportes coletivos, como o futebol. (Balbino, e Paes, 2005; Santiago, Vagetti, e Oliveira, 2023)
A Pedagogia do Esporte busca compreender esse processo, enquanto as Ciências do Esporte têm identificado diversos desafios, entre eles a busca por resultados em curto prazo, a especialização precoce, a ausência de planejamento adequado, a fragmentação dos conteúdos de ensino e a necessidade de compreender o esporte em sua função social (Santiago, Vagetti, e Oliveira, 2023). De acordo com esses autores, as práticas esportivas destinadas a crianças e jovens devem ser concebidas como processos voltados à aprendizagem e ao desenvolvimento integral do indivíduo.
Dessa forma, o objetivo desse artigo é discutir as diferenças culturais no desenvolvimento do futebol no Brasil e na Austrália sobre os modelos de formação esportiva.
Etapas de iniciação e especialização no esporte - futebol no Brasil
Uehara et al. (2021). Sugerem que a aprendizagem esportiva ocorra em diferentes processos ao longo do tempo, acompanhando do plano de desenvolvimento humano de cada pessoa e devendo, em cada fase da vida, considerar diferentes aspectos para o atingimento dos melhores resultados esportivos. Gomes, e Souza (2008), portanto, destacam que deve-se pensar a prática esportiva à longo prazo, para que os benefícios esportivos ocorram com sucesso acompanhados por Santiago, Vagetti, e Oliveira (2023) nesse raciocínio.
Para o desenvolvimento deste texto, buscou-se, em Balbino, e Paes (2005) e Gomes, e Souza, referências para essa organização do ensino do Futebol. Os autores apresentam um modelo de organização educacional para o esporte - futebol, o qual já fora adaptado para outras modalidades coletivas. (Biscaia, 2020)
Gomes, e Souza em 2008, publicaram o livro “Futebol: Treinamento Desportivo de Alto Rendimento” onde organizaram o processo apresentando uma sistematização da organização da formação de atletas de futebol no Brasil e apresentaram um modelo de desenvolvimento em longo prazo para o futebol e Santiago, Vagetti, e Oliveira (2023) adptaram em um novo modelo para a Iniciação e Especialização, onde os aspectos do desenvolvimento, são mais aproriados a realidade brasileira e podem ser visualizados no Quadro 1. O modelo proposto por Santiago, Vagetti, e Oliveira (2023), apresenta, com maior aprofundamento, os aspectos educativos em torno das fases do desenvolvimento e aperfeiçoamento esportivo.
Quadro 1. Desenvolvimento e aperfeiçoamento esportivo no futebol
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Idade biológica |
Idade escolar |
Idade cronológica |
Etapas do desenvolvimento e aperfeiçoamento esportivo |
Fases do desenvolvimento e aperfeiçoamento esportivo |
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Infância |
Educação Infantil e 1º Ano do Ensino Fundamental |
Até 6 anos |
Iniciação |
Conhecer o futebol brincando |
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Ensino Fundamental (2º ao 4º ano) |
7 - 9 anos |
Aprendizagem Inicial no futebol |
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Adolescência Inicial |
Ensino Fundamental (5º ao 8º ano) |
10 - 12 anos |
Automatização e Refinamento da aprendizagem |
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Adolescência Mediana |
Anos Finais do Ensino Fundamental e Anos iniciais do Ensino Médio (9º Ano EF ao 1º Ano EM) |
13 - 15 anos |
Especialização |
Aperfeiçoamento Inicial no futebol |
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Adolescência Final |
Ensino Médio (2º ao 3º ano) |
16 - 18 anos |
Aperfeiçoamento Profundo no futebol |
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Adulta |
Ensino Superior |
> 18 anos |
Manutenção da Performance no futebol |
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Fonte: Santiago, Vagetti, e Oliveira (2023), adaptado de Oliveira (2007) e Gomes, e Souza (2008)
Para os autores, as duas abordagens apresentavam similaridades, bem como diferenças, ainda que conceituais. Ambas apontavam para a divisão do desenvolvimento e aperfeiçoamento esportivo em duas etapas. Os dois modelos na literatura, evidenciam a dimensão temporal e processual da aprendizagem esportiva no futebol.
O processo Santiago, Vagetti, e Oliveira (2023), é marcado por um início precoce, de forma que, ainda nas etapas de iniciação, encontram-se aspectos profissionalizantes da aprendizagem esportiva, até uma possível profissionalização, onde as crianças e os pré-adolescentes, por volta de 10 a 12 anos de sua vida inseridos no contexto de aprendizagem e aperfeiçoamento esportivo (Santiago, Vagetti, e Oliveira, 2023)
A construção do processo de treino e competições demandam que o conteúdo esteja presente na intencionalidade pedagógica do percurso formativo (Oliveira et al., 2021) e consiste, essencialmente, na ideia de que a operacionalização do treinamento é um processo que deve ter em consideração o contexto (família, ambiente de treino...), o tempo (idade cronológica, tempo de prática, continuidade) e os atributos pessoais (recursos, demandas, motivação para a prática e desenvolvimento), para promover uma prática que permita efeitos positivos perduráveis. Tal premissa sinaliza para uma natureza ecológica que compreenda o caráter relacional que institui a aprendizagem.
Novas correntes de pensamento estão presentes no futebol contemporâneo, como “as Teorias Sistêmica, da Complexidade e da Pedagogia Não-Linear”. É nesses termos que Balbino, e Paes defendem a construção de um modelo ecológico, o qual, “ao promover transformações, também se transforme e se molde aos contextos e pessoas em desenvolvimento”. (Santiago, Vagetti, e Oliveira, 2023)
No modelo proposto por Santiago, Vagetti, e Oliveira (2023), os saberes tratados em qualquer uma das etapas de formação de futebolistas, devem ter por intenção potencializar o processo de desenvolvimento positivo dos adolescentes-atletas (competências psicossociais, valores pessoais perduráveis. O autor reforça ainda a importância de conteúdos esportivos que sejam apropriados às pessoas (maturação, idade cronológica) e suas experiências com esporte (tempo de experiência com a modalidade e nível de jogo), também apropriados ao contexto e realidade social (cultura vigente), permitindo reflexão, consciência e consolidação de saberes.
Atuar na formação esportiva, especificamente no futebol parece fácil, mas a demanda de conhecimento teórico e prático, é multifatorial em relação a formação profissional, o qual é de suma importância na formação inicial do atleta que os professores técnicos com comprometimento esportivo e humano, levando-os do aspecto biológico e motor até o ambiental, social e psicológico. Tarossi et al. (2021), apresenta um relato de experiência na iniciação esportiva no futebol a partir do currículo didático-metodológico de um clube brasileiro e apresenta uma proposta curricular aplicada à iniciação esportiva no futebol.
Observa-se a necessidade dos conhecimentos acima para a formação de treinadores da iniciação e especialização esportiva no futebol aos aspectos relacionados: conhecer as diferenças da iniciação e especialização motora; conhecer as teorias pedagógicas aplicadas ao futebol; e conhecer aos aspectos fundamentais do treinamento. Preparação física, técnica, tática e psicológica, bem como o modelo de desenvolvimento humano com suas diferentes inteligências, os quais podem contribuir para o bom desenvolvimento da profissão e seu reconhecimento profissional. (Araújo et al., 2021)
Um dos aspectos que é auxiliar nesta transcendência é a organização e o planejamento dos conteúdos, dos métodos e das escolhas dos ambientes, os quais precisam ser frequentemente refletidos sobre as metodologias já existentes, a fim de inserir, no processo de iniciação esportiva com meios e métodos científicos pouco experimentados sejam revalidados com os avanços científicos. (Gomes, e Souza, 2008)
Além desses aspectos, identificamos a importância do estímulo das inteligências múltiplas Gardner (1985) e dos aspectos bioecológicos de Bronfrenbrenner (1996), para auxiliar o processo de desenvolvimento do esporte, nesse caso, o futebol de jovens atletas nas faixas do início da prática até por volta dos 12 anos. Outro fator são o desenvolvimento das habilidades apresentadas por Fals Martínez et al. (2022), onde os autores destacam a importância de focar o processo nas habilidades principalmente até por volta dos 15 anos de idade. Mendonça (2022) ainda corrobora afirmando a importância de respeitar as idades biológicas e não somente as cronológicas no processo de treinos e competições.
Dessa forma, é de fundamental importância que o ensino-aprendizagem do futebol em seus aspectos pedagógicos e metodológicos na etapa de Iniciação e especialização Esportiva seja discutido com treinadores de todo o país e, com o respaldo de teóricos e estudiosos dos esportes coletivos, ampliando suas didáticas na aplicação do treinamento, sistematizando, planejando, aplicando e avaliando o que se aplica. (Gomes, e Souza, 2008; Balbino, e Paes, 2005; Santiago, Vagetti, e Oliveira, 2023)
Oliveira et al. (2021) enfatiza a importância de entender a base do futebol tão importante como a etapa da vida adulta, elas são de efeitos iguais na vida de quem inicia no esporte e continua até a profissionalização, ou daqueles que param precocemente para atuar com mais veemência em outras atividades humanas. E assim, objetivamos identificar tais convergencias e divergencias culturais entre Brasil e Austrália na construção dos processos de treinamentos para o Futebol.
Etapas de iniciação e especialização no esporte - futebol na Austrália
O desenvolvimento do futebol na Austrália de acordo com suas publicações ciêntífcias é guiado pelo "National Football Curriculum" (NFC), elaborado pela Football Federation Australia, que visa padronizar o ensino e a prática do futebol no país (FFA, 2020, 2021). O NFC representa uma iniciativa estratégica que objetiva estabelecer uma identidade nacional de jogo, promover o crescimento do futebol, e oferecer um percurso claro para a formação de jogadores e treinadores. A filosofia central do NFC é a promoção de um estilo de jogo reconhecido e valorizado nacionalmente, o engajamento da comunidade e a estruturação das competições de forma que favoreçam o desenvolvimento dos atletas em todas as etapas. (FFA, 2020)
No que tange aos objetivos do currículo, destaca-se a identificação e o desenvolvimento de talentos em todas as faixas etárias, assim como a formação continuada dos treinadores, que recebem recursos e diretrizes para atualização constante. O desenvolvimento dos jogadores contempla quatro dimensões principais: técnica, tática, física e mental. O aspecto técnico envolve habilidades fundamentais como controle de bola, passe, drible e finalização, enquanto o desenvolvimento tático foca na compreensão do jogo e estratégias para diferentes situações de partida. O condicionamento físico é ajustado para cada faixa etária, abrangendo resistência, força e prevenção de lesões, enquanto o componente mental enfatiza resiliência, concentração e cooperação em equipe. (FFA, 2020)
A formação de treinadores é um pilar essencial para garantir a qualidade do processo de ensino no futebol australiano. A FFA oferece manuais detalhados, workshops, seminários e programas de certificação que garantem que os técnicos estejam atualizados com as melhores práticas e metodologias de treinamento (Gordon, e Bloom, 2019). Dessa forma, o sistema australiano busca assegurar que os treinadores sejam agentes ativos no desenvolvimento integral dos jovens atletas.
O desenvolvimento técnico dos jogadores é contínuo e progressivo. As habilidades básicas são constantemente aprimoradas, e técnicas mais avançadas são introduzidas gradualmente para preparar os atletas para situações de alta pressão durante as competições (Williams, e Reilly, 2000). Paralelamente, o desenvolvimento tático evolui de conceitos básicos de posicionamento para estratégias complexas, incluindo a leitura de jogo e a tomada de decisão rápida, alinhadas com o estilo de jogo australiano baseado na posse de bola e pressão alta. (O’Connor et al., 2017)
O aspecto físico é considerado fundamental, e o currículo contempla um programa estruturado de condicionamento físico que respeita o estágio de desenvolvimento de cada jogador. Além disso, a preparação mental, incluindo aspectos como resiliência, concentração e trabalho em equipe, é integrada às sessões de treinamento, reconhecendo a importância do equilíbrio emocional para o sucesso esportivo. (Holt, e Neely, 2011)
Os treinamentos práticos são a base do processo de ensino, estruturados para que os jogadores possam aplicar as habilidades em contextos que simulam situações reais de jogo. Sessões específicas, jogos reduzidos e exercícios táticos são utilizados para proporcionar um ambiente de aprendizagem eficaz e dinâmico (Ford et al., 2010). Complementarmente, workshops e seminários para treinadores e jogadores são promovidos regularmente para atualização e troca de experiências, fortalecendo a rede de conhecimento e prática no futebol de base australiano. (Côté, e Fraser-Thomas, 2007)
A metodologia que fundamenta o ensino do futebol na Austrália é a dos Blocos de Construção, que oferece uma abordagem progressiva adaptada ao desenvolvimento físico e mental dos jovens jogadores. Essa metodologia está dividida em quatro fases principais: Fundação (6 a 9 anos), Formação (9 a 12 anos), Consolidação (12 a 15 anos) e Performance (15 a 18 anos) (FFA, 2020). Cada bloco possui objetivos específicos que contemplam o desenvolvimento de habilidades técnicas, táticas, físicas e mentais, respeitando as características e necessidades de cada faixa etária. O Quadro 2 a seguir sintetiza as fases e os respectivos formatos de jogo recomendados no modelo australiano.
Quadro 2. Síntese das fases e formatos de jogo no modelo australiano
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Fase de descoberta |
Fase de aquisição de habilidades |
Fase do jogo |
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Idade 6 - 9 anos |
Idade 9 a 11 anos |
Idade 12 a 14 anos |
Idade a partir de 16 anos |
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Pequenos jogos lúdicos |
Pequenos jogos 7 x 7 |
Pequenos jogos 9 x 9 |
11 x 11 |
Fonte: Football Federation Australia (FFA, 2020)
O modelo dos Blocos de Construção enfatiza que a fase de descoberta deve ser caracterizada por jogos divertidos e sem treinamento formal, permitindo que as crianças aprendam o futebol de forma natural e lúdica (Ford et al., 2011). Nesta etapa, as crianças apresentam limitações motoras e cognitivas que tornam inviável o treinamento estruturado, sendo essencial o estímulo ao prazer pelo jogo. Este princípio está alinhado às práticas tradicionais do futebol de rua, reconhecidas mundialmente por seu papel na formação de jogadores criativos e tecnicamente competentes. (Ford et al., 2011; Côté, e Hay, 2002)
Na fase de aquisição de habilidades, que compreende a faixa etária dos 9 aos 12 anos, o treinador deve focar na consolidação das habilidades técnicas funcionais, que são aquelas essenciais para o desempenho efetivo durante as partidas (Abbott, e Collins, 2004). As quatro habilidades centrais dessa fase são: golpear a bola (passes e finalizações), primeiro toque (controle da bola), 1 contra 1 (fintas e dribles para superar o adversário) e correr com a bola (drible em espaços abertos ou reduzidos) (FFA, 2020). A aquisição dessas habilidades é fundamental, pois deficiências nessa fase podem comprometer o desenvolvimento futuro do jogador, já que o preparo físico ou a competitividade não substituem a técnica inadequada. (Williams, e Hodges, 2005)
Além disso, a metodologia orienta que o treinador promova um ambiente de aprendizado que respeite as características psicológicas dessa faixa etária, como a alta motivação, competitividade, necessidade de desafios, além da sensibilidade a elogios e críticas (Côté, e Fraser-Thomas, 2007). A estruturação do treinamento deve considerar a adaptação das crianças a um ambiente mais organizado e focado, respeitando o momento de desenvolvimento social e emocional dos jogadores. (Bailey et al., 2010)
No que diz respeito à relação entre o ensino do futebol e a educação formal, o NFC está incorporado ao currículo anual das escolas australianas, particularmente nas aulas de educação física (Martindale et al., 2005). Os professores de educação física utilizam os recursos do NFC, incluindo vídeos e guias, para complementar as aulas práticas, além de contar com o suporte de tecnologias que permitem a avaliação e o feedback imediato aos alunos (Gordon, e Bloom, 2019). Esse processo integra o desenvolvimento esportivo ao sistema educacional, promovendo um ambiente favorável para o aprendizado do futebol desde a infância.
As academias de futebol desempenham papel crucial no sistema australiano, oferecendo treinamentos intensivos e estruturados para jovens talentos, funcionando como um elo entre a iniciação esportiva e a formação profissional (Larsen et al., 2013). Estas academias estão associadas ao Independent Football Australia (IFA), que organiza campeonatos divididos em categorias etárias e níveis técnicos, seguindo o calendário escolar e promovendo competições regulares que estimulam o desenvolvimento e a especialização dos atletas. (IFA, 2022)
Além disso, os clubes locais, que compõem a base do futebol amador e semi-profissional na Austrália, são organizados em ligas estaduais sob o guarda- chuva da National Premier Leagues (NPL). Os clubes filiados à NPL devem seguir os parâmetros do NFC, garantindo que o desenvolvimento dos jogadores seja coerente com a metodologia nacional (NPL, 2021). O sistema de divisões estaduais (NPL 1, NPL 2, NPL 3) proporciona uma estrutura competitiva que permite o crescimento gradual e a transição dos jovens jogadores para o futebol profissional, disputado na A-League, a principal competição do país (FFA, 2020). Em síntese, o modelo de desenvolvimento do futebol na Austrália baseia-se numa abordagem progressiva e integrada, que valoriza o desenvolvimento técnico, tático, físico e mental em cada etapa, desde a iniciação até a especialização (Côté et al., 2014). Essa estrutura é suportada por recursos educacionais para treinadores e professores, e pelo alinhamento dos clubes e academias com os objetivos do NFC.
Estudos como os de Jean Côté e Richard Bailey reforçam a importância de um ambiente de prática cuidadosamente planejado, no qual a progressão pedagógica respeite as necessidades físicas e psicológicas de cada fase do desenvolvimento juvenil (Côté, e Fraser‑Thomas, 2007; Bailey et al., 2010). No contexto australiano, essa premissa é concretizada pela articulação entre escolas, clubes comunitários, academias privadas e programas estaduais da NPL, todos obrigados a adotar parâmetros metodológicos uniformes definidos pela FFA (FFA, 2020).
Esse alinhamento reduz disparidades regionais, assegura qualidade mínima de ensino‑treino e facilita a transição do praticante desde os pequenos jogos lúdicos até o cenário de alto rendimento observado na A‑League. (NPL, 2021; Gordon, e Bloom, 2019)
A ênfase na avaliação constante constitui outro pilar do modelo australiano. Ferramentas de análise de desempenho, relatórios de carga física e métricas psicossociais são aplicadas periodicamente, permitindo ajustes individualizados nos programas de treino (O’Connor et al., 2017). Essa prática ecoa recomendações internacionais de monitoramento holístico do atleta juvenil, segundo as quais o feedback formativo sustenta a motivação, previne lesões por sobrecarga e potencializa a aquisição de habilidades específicas. (Williams, e Hodges, 2005; Holt, e Neely, 2011)
No contexto competitivo, a pirâmide australiana sub‑18 articula um número restrito de clubes profissionais no topo - onze na A‑League mais um neozelandês convidado - a uma base larga de equipes semiprofissionais e amadoras distribuídas nas três divisões estaduais da NPL (FFA, 2020). O Quadro 3 abaixo ilustra a estrutura competitiva para categorias sub‑18, evidenciando como cada estrato se relaciona com a fase formativa correspondente no NFC.
Quadro 3. Organização competitiva do futebol sub-18 segundo as fases de formação do NFC
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Nível competitivo |
Categoria |
Idade ‑ alvo |
Relação com o NFC |
Periodicidade de jogos |
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A‑League Youth |
Sub‑18 Pro |
17‑18 anos |
Fase de Desempenho (11 x 11) |
Calendário nacional (26 jogos) |
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NPL 1 |
Elite Estadual |
16‑18 anos |
Fase de Jogo/Desempenho |
Ligas estaduais 1ª div. |
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NPL 2 |
Intermediário |
15‑17 anos |
Fase de Consolidação |
Ligas estaduais 2ª div. |
|
NPL 3 |
Desenvolvimento |
13‑16 anos |
Fase de Consolidação |
Ligas estaduais 3ª div. |
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Academias IFA |
Formação |
8‑15 anos |
Fases de Aquisição & Jogo |
Torneios trimestrais |
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Clubes Escolares |
Iniciação |
6‑12 anos |
Fase de Descoberta |
Festivais escolares |
Fonte: Elaborado a partir de FFA (2020) e NPL (2021)
A sinergia entre curriculo, avaliação e a piramide competitiva demonstra que o futebol australiano aposta numa trajetória de longo prazo, em que a especialização só se intensifica após sólida base técnica e cognitiva (Ford et al., 2011). Tal perspectiva converge com evidências sobre janelas ótimas para a aprendizagem motora e a necessidade de evitar a hiper‑especialização precoce, frequentemente associada ao burnout e abandono esportivo. (Abbott, e Collins, 2004; Côté, e Hay, 2002)
Por fim, as diretrizes do NFC contemplam igualmente políticas de inclusão social e diversidade, procurando garantir que meninas, minorias étnicas e populações rurais tenham acesso às mesmas oportunidades de prática e desenvolvimento (FFA, 2020). Programas subsidiados, bolsas de estudo e parcerias escolares reforçam o compromisso da FFA com um futebol representativo da sociedade australiana contemporânea.
Pesquisas de autores como Jean Côté, conhecido por seus estudos sobre desenvolvimento de talentos esportivos e prática deliberada, apoiam a estrutura e metodologia do NFC. Côté enfatiza a importância do ambiente de desenvolvimento e da prática estruturada para maximizar o potencial dos jovens atletas (Côté, e Fraser-Thomas, 2007). Além disso, Richard Bailey, cujas pesquisas se concentram na pedagogia do esporte, destaca a necessidade de um desenvolvimento holístico que inclui aspectos técnicos, táticos, físicos e mentais do treinamento. (Bailey et al., 2010)
A abordagem de Frans Bosch, autor de "Strength Training and Coordination: An Integrative Approach", sobre a integração de habilidades técnicas e físicas no treinamento de futebol, também é refletida na metodologia dos blocos de construção. Bosch enfatiza a necessidade de treinar movimentos específicos do esporte em contextos variados para desenvolver coordenação e eficiência técnica. (Bosch, 2015)
Relação com o ensino de futebol nas escolas
Métodos e abordagens para o ensino do futebol nas escolas australianas
Nas escolas australianas, os métodos do NFC são parte do programa anual de educação física. Durante as aulas práticas, os alunos aprendem habilidades técnicas e táticas básicas do futebol. Para ajudar no aprendizado, são usados materiais didáticos como vídeos explicativos e manuais. Além disso, a tecnologia é usada para acompanhar o desempenho dos estudantes e fornecer feedback imediato. (FFA, 2020)
Para garantir que os professores de educação física apliquem as melhores técnicas e metodologias mais recentes, são oferecidos workshops e seminários. A metodologia dos blocos de construção é ajustada para as diferentes idades escolares, permitindo um desenvolvimento gradual e adequado para cada faixa etária. (Australian Sports Commission, 2019)
Inclusão do futebol no currículo escolar australiano
O futebol está integrado no currículo escolar anual de forma organizada e planejada. Nas fases iniciais, como no Bloco de Fundação, as atividades são voltadas para o desenvolvimento das habilidades básicas e para garantir que as crianças aproveitem o jogo. À medida que os alunos progridem, as tarefas vão ficando mais complexas, seguindo os Blocos de Formação e Consolidação, até chegarem ao Bloco de Performance no ensino médio.
Esse crescimento gradual ajuda os estudantes a formarem uma base sólida e a aprimorarem suas habilidades ao longo do tempo na escola (FFA, 2021). Nos Programas Escolares e Comunitários nas escolas australianas, o futebol faz parte dos programas esportivos que visam promover a prática do esporte entre alunos de diferentes idades e origens sociais. Além disso, existem iniciativas comunitárias que incentivam a participação de jovens em ambientes variados, reforçando a inclusão social e o acesso ao futebol para todos. (Australian Sports Commission, 2019)
Estrutura do ensino de futebol nas escolas
O ensino do futebol nas escolas da Austrália segue as orientações do National Football Curriculum (NFC), criado pela Football Federation Australia (FFA). Esse currículo promove o desenvolvimento gradual das habilidades técnicas, táticas e físicas desde a infância até o ensino médio, respeitando as características e necessidades de cada faixa etária.
No ensino fundamental inicial (6-9 anos), as atividades são lúdicas, focando no controle de bola, passes e movimentação, sempre buscando que as crianças tenham uma experiência divertida com o futebol. Já no ensino fundamental intermediário (9-12 anos), os alunos começam a aprender conceitos táticos básicos e a tomar decisões rápidas durante pequenos jogos. No ensino médio (12-15 anos), o treino torna-se mais sofisticado, com foco em estratégias táticas avançadas, preparação física e competição (FFA, 2020).
A abordagem utilizada valoriza a sequência percepção-decisão-execução, que é considerada a mais eficiente para o aprendizado do futebol. Como na Austrália o futebol é praticado cerca de seis meses por ano, o tempo de treino precisa ser bem aproveitado, evitando exercícios que não estejam diretamente ligados ao jogo. Os métodos incluem treino baseado em jogos reais, sessões personalizadas para melhorar pontos fracos, treinos em grupo para incentivar o trabalho em equipe, análise de vídeos para correção técnica, e feedback constante dos treinadores. (FFA, 2020)
Além de ensinar técnicas e táticas, o futebol escolar valoriza aspectos como o trabalho em equipe, a liderança e o respeito às regras. Isso contribui para o crescimento pessoal dos estudantes, promovendo um ambiente positivo e educativo. (Australian Sports Commission, 2019)
A National Football Curriculum oferece uma estrutura clara e progressiva para o ensino do futebol nas escolas australianas. Com foco no desenvolvimento técnico, tático, físico e mental, além do apoio contínuo aos treinadores e envolvimento da comunidade, o futebol é usado como uma ferramenta para formar jovens atletas completos e cidadãos conscientes, elevando o nível do esporte no país. Com o crescimento do número de praticantes, a expectativa do crescimento do esporte no pais é otimista.
Conclusão
O Modelo Brasileiro de desenvolvimento do futebol foi referência mundial em termos de Cultura de Base, na Perspectiva “Popular”. O Talento se desenvolvia nas, praças, na varzea, nas escolinhas de futebol, futsal e futebol de rua, com forte influência da cultura lúdica brasileira e improvisação, onde os aspétos motores eram aprimorados sem treinos sistemátizados e robotizados. Muitos talentos emergiram, entre eles Pelé, Garrincha, Zico, os Ronaldos e Neymar, em ambientes informais, com improviso e múltiplas atividades físicas, o chamado multiinteractive constraints, especialmente em contextos desprivilegiados de confortos materias.
Depois muitas redes de scoutings com análise de dados, incluindo aplicativos com IA como Footbao e Cuju começaram emergir no País. Grandes clubes iniciam observação de crianças já aos 5 ou 6 anos e já oferecem moradia, suporte médico entre outros fatores complementares. Academia de futebol surgiram com Estrutura de Treinamentos sistemátizados para desenvolver os talentos. Há exemplo de Centros de formação (p. ex. Santos, Fluminense, Corinthians entre outros) com cursos técnicos, nutricionais, psicológicos e educacionais integrados. Abordagem holística com desenvolvimento da aptidão mental, social e física, onde ao contrário da realidade antiga que era uma formação mais acidental. O que fez com que os profissionais tiveram que se preparar melhor ciêntíficamente para entrar nesses grandes centros de formação.
No entanto a Formação de treinadores menos formal permitem a preservação da criatividade do jogador e improvisação, valorizando a identidade do “jogo bonito”. Utilização de VAR, GPS, wearables e análise de desempenho em clubes. Entendendo os desafios, desigualdades regionais e limitações orçamentárias que dificultam acesso a uniforme e outros recursos. Esa resistência cultural aos novos modelos mais estruturados cada vez mais perde espaço para estruturas formais.
Já no modelo Australiano, a literatura daquele País mostra a formação e participação comunitária numa ótica educacional no ensino formal (escolas). Projetos como Auskick introduzem crianças ao futebol australiano desde a infância escolar, com enfoque em diversão e desenvolvimento de habilidades em ambiente lúdico. Há, ainda, uma estrutura de formação e progressão: Liga A-League Youth (U16-U21) conecta clubes ALeague a jovens jogadores; sistema institucionalizado desde 2008.
Clubes como Adelaide United e Central Coast Mariners investem fortemente em talento jovem, dando minutos consistentes aos adolescentes em equipe principal. Conquistaram recentemente o título do U20 Asian Cup com os Young Socceroos, mostrando frutos desse modelo. Incentivos e Contratos Olé. Há um esforço para estabelecer contratos mais longos e incluir cláusulas que recompensem clubes formadores em transferências internacionais.
Importante transição cultural na FFA: fusiona boas práticas externas (Espanha, Alemanha, Brasil) com o contexto local para criar o “modo australiano” sem copiar diretamente. Em relação aos seus princiais desafios, vê-se que o sistema de transferências ainda é incipiente e pouco funcional financeiramente, prejudicando clubes formadores. A presença cultural do futebol ainda compete com esportes como AFL e NRL.
Finalizando afirmamos que os profissionais do futebol em ambos os Países, a partir desses e outros estudos, podem conhecer as abordagens pedagógicas e metodológicas bem como o processo de desenvolvimento de suas modalidades em longo prazo, nesse caso o futebol na iniciação e especialização esportiva demonstradas nesse paper. É importante ressaltar ainda o fato de conceber a teoria ( ciência) e a prática num mesmo patamar, no qual o profissional deve sempre estar se atualizando com base nas evidências científicas.
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