ISSN 1514-3465
Treinamento unipodal na dor lombar e na reabilitação
do ligamento cruzado anterior: mecanismos e aplicação
Unipodal Training for Low Back Pain and Anterior
Cruciate Ligament Rehabilitation: Mechanisms and Application
Entrenamiento unipodal para el dolor lumbar y la rehabilitación
del ligamento cruzado anterior: mecanismos y aplicación
Douglas Tajes Junior
tajessports@gmail.com
Graduado em Educação Física
Mestre em Desenvolvimento Regional
CEO da TS LAB Smart Training
(Brasil)
Recepción: 11/02/2026 - Aceptación: 08/08/2026
1ª Revisión: 01/06/2026 - 2ª Revisión: 05/08/2026
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0
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Este trabalho está sob uma licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt |
Cita sugerida
: Tajes Junior, D. (2026). Treinamento unipodal na dor lombar e na reabilitação do ligamento cruzado anterior: mecanismos e aplicação. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(342), 230-249. https://doi.org/10.46642/efd.v31i342.8768
Resumo
Esta revisão narrativa com busca estruturada teve como objetivo analisar criticamente os mecanismos neuromusculares associados ao treinamento unilateral/unipodal e discutir a aplicabilidade potencial desses exercícios na dor lombar crônica inespecífica e na reabilitação do ligamento cruzado anterior (LCA). A literatura consultada aborda desfechos distintos, incluindo atividade eletromiográfica, assimetrias interlimbais, controle motor, força e função. Entretanto, parte das evidências é indireta: estudos sobre estabilização do tronco, exercícios gerais para dor lombar ou reabilitação do LCA não demonstram, por si só, eficácia específica do treinamento unipodal. Da mesma forma, alterações eletromiográficas ou de simetria não comprovam redução da dor, prevenção de lesões ou retorno seguro ao esporte. A aplicação clínica deve considerar a população, a fase de reabilitação, os desfechos avaliados e as limitações metodológicas dos estudos. Conclui-se que o treinamento unipodal é uma opção potencial dentro de programas individualizados, mas a evidência específica para seus efeitos clínicos na dor lombar e após lesão do LCA permanece insuficiente para sustentar recomendações de superioridade.
Unitermos:
Treinamento unipodal. Dor lombar. LCA. Estabilidade lombo-pélvica. Reabilitação esportiva.
Abstract
This narrative review with a structured search aimed to critically examine neuromuscular mechanisms associated with unilateral/single-leg training and discuss the potential applicability of these exercises to chronic nonspecific low back pain and anterior cruciate ligament (ACL) rehabilitation. The literature addresses different outcomes, including electromyographic activity, interlimb asymmetries, motor control, strength, and function. However, some evidence is indirect: studies of trunk stabilization, general exercise for low back pain, or ACL rehabilitation do not, by themselves, establish the specific efficacy of single-leg training. Likewise, changes in electromyographic activity or symmetry do not prove pain reduction, injury prevention, or safe return to sport. Clinical application should account for the population, rehabilitation stage, outcomes assessed, and methodological limitations of the studies. Single-leg training may be considered as one option within individualized programs, but specific evidence for its clinical effects on low back pain and after ACL injury remains insufficient to support claims of superiority.
Keywords
: Single-leg training. Low back pain. ACL. Lumbopelvic stability. Sports rehabilitation.
Resumen
Esta revisión narrativa con búsqueda estructurada tuvo como objetivo analizar críticamente los mecanismos neuromusculares asociados al entrenamiento unilateral/unipodal y discutir la posible aplicación de estos ejercicios en el dolor lumbar crónico inespecífico y en la rehabilitación del ligamento cruzado anterior (LCA). La literatura consultada aborda resultados diferentes, como actividad electromiográfica, asimetrías intermiembro, control motor, fuerza y función. Sin embargo, parte de la evidencia es indirecta: los estudios sobre estabilización del tronco, ejercicio general para el dolor lumbar o rehabilitación del LCA no demuestran por sí solos la eficacia específica del entrenamiento unipodal. Del mismo modo, los cambios electromiográficos o de simetría no prueban reducción del dolor, prevención de lesiones ni retorno seguro al deporte. La aplicación clínica debe considerar la población, la fase de rehabilitación, los resultados evaluados y las limitaciones metodológicas de los estudios. Se concluye que el entrenamiento unipodal puede ser una opción dentro de programas individualizados, pero la evidencia específica sobre sus efectos clínicos en el dolor lumbar y después de una lesión del LCA sigue siendo insuficiente para recomendar su superioridad.
Palabras clave
: Entrenamiento unipodal. Dolor lumbar. LCA. Estabilidad lumbopélvica. Rehabilitación deportiva.
Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 342, Nov. (2026)
Introdução
O treinamento unilateral envolve exercícios nos quais a produção de força ou a execução da tarefa é predominantemente realizada por um membro; o termo unipodal refere-se, mais especificamente, a tarefas executadas com apoio predominante em um único membro inferior. Embora os conceitos se sobreponham em alguns exercícios, não são sinônimos perfeitos. Marcha, corrida, mudanças de direção, desacelerações, saltos e aterrissagens incluem fases de apoio unilateral, mas a presença dessas demandas funcionais não demonstra, por si só, que o treinamento unipodal seja superior a outras formas de treinamento.
Exercícios realizados com apoio unilateral podem aumentar as exigências de equilíbrio e controle motor, mas a resposta depende da tarefa, da carga, da velocidade, da experiência do praticante e das condições de apoio. Estudos de eletromiografia ajudam a caracterizar a demanda muscular de exercícios específicos, porém a maior ativação aguda não deve ser interpretada automaticamente como maior ganho crônico de força, melhor função clínica ou menor risco de lesão. A estabilidade do tronco também deve ser compreendida em relação às exigências da tarefa e à transferência funcional, e não como uma capacidade isolada. (McGill, 2010; Behm et al., 2002)
Embora a dor lombar crônica inespecífica e a lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) sejam condições clínicas distintas, ambas compartilham mecanismos neuromusculares relevantes. Em indivíduos com dor lombar crônica, déficits de controle motor, alterações na coordenação muscular do tronco e redução da estabilidade lombo-pélvica estão frequentemente associados à persistência dos sintomas e à limitação funcional. Da mesma forma, após lesão ou reconstrução do LCA, déficits de controle neuromuscular, alterações proprioceptivas e assimetrias de força entre membros inferiores podem comprometer a função do joelho e aumentar o risco de relesão. A avaliação dos fatores biomecânicos e neuromusculares após a reconstrução do LCA é relevante para orientar estratégias de reabilitação e redução do risco de novas lesões, embora nenhum indicador isolado permita determinar com segurança o risco individual. (Hewett et al., 2013)
O treinamento unilateral pode ser considerado em ambos os contextos, mas a justificativa e os desfechos relevantes diferem. Na dor lombar crônica inespecífica, é necessário distinguir evidências sobre exercício e controle motor em geral de evidências que investiguem especificamente exercícios unipodais. Na reabilitação do LCA, força, simetria entre membros, desempenho funcional, critérios de retorno ao esporte e ocorrência de novas lesões são desfechos distintos e não devem ser tratados como equivalentes.
A análise conjunta dessas condições é exploratória: o compartilhamento de alguns mecanismos neuromusculares não significa que os resultados de uma população possam ser transferidos diretamente para a outra. Por isso, as evidências são discutidas separadamente para dor lombar e reabilitação do LCA, distinguindo achados diretos, evidências indiretas e hipóteses mecanicistas.
O objetivo desta revisão foi analisar criticamente a literatura sobre mecanismos neuromusculares associados ao treinamento unilateral/unipodal e discutir, com atenção à especificidade das evidências, suas possíveis implicações para a dor lombar crônica inespecífica e para a reabilitação do ligamento cruzado anterior.
Metodologia
Delineamento do estudo
O estudo foi apresentado como revisão narrativa com busca estruturada e síntese qualitativa. Embora o fluxograma tenha sido inspirado no PRISMA 2020, esse recurso de relato não transforma, por si só, uma revisão narrativa em revisão sistemática. A versão do manuscrito fornecida não documenta um protocolo registrado nem uma avaliação formal do risco de viés; portanto, os resultados devem ser interpretados como síntese narrativa, com limitações de reprodutibilidade.
Estratégia de busca
A busca foi descrita como realizada em PubMed, Scopus, Web of Science e Google Scholar, contemplando publicações entre janeiro de 2020 e março de 2025. O manuscrito informa o uso de termos relacionados a treinamento unilateral, controle neuromuscular, dor lombar crônica inespecífica e reabilitação do LCA, combinados com AND e OR. Para que a busca seja reproduzível, o autor deve completar antes da submissão: (a) a data exata da última busca; (b) a estratégia integral de cada base, com campos e filtros; e (c) a quantidade de resultados recuperados em cada base. Esses dados não podem ser reconstruídos com segurança apenas a partir da versão disponibilizada.
Critérios de inclusão
Foram descritos como elegíveis estudos originais, revisões sistemáticas e meta-análises publicados em inglês ou português que abordassem treinamento unilateral, adaptações neuromusculares, estabilidade dinâmica, assimetrias interlimbais, dor lombar crônica inespecífica ou reabilitação do LCA. Como esses delineamentos diferem quanto à pergunta e à força inferencial, a síntese deve identificar o tipo de estudo e evitar atribuir resultados de revisões ou comentários clínicos a ensaios de intervenção.
O manuscrito informa a exclusão de duplicatas, estudos fora do período, resumos de congressos, cartas ao editor, dissertações, teses e trabalhos sem acesso ao texto completo. A ausência de acesso ao texto completo pode introduzir viés de disponibilidade e deve ser relatada como limitação, com o número de registros afetados, caso essa informação esteja documentada.
As referências anteriores a 2020 foram utilizadas para contextualização teórica, conforme descrito no manuscrito. Na versão final, é necessário distinguir claramente essas referências contextuais dos estudos considerados elegíveis para a síntese principal.
Critérios de exclusão
Foram excluídos:
Estudos de caso isolados;
Relatos de experiência;
Artigos sem descrição metodológica adequada;
Estudos observacionais sem avaliação funcional;
Publicações duplicadas entre as bases consultadas;
Trabalhos que não abordavam diretamente treinamento unilateral ou adaptações neuromusculares.
Síntese qualitativa comparativa
A síntese qualitativa foi descrita como baseada no delineamento, nas características da amostra, no protocolo ou exposição, nas variáveis analisadas e nos principais achados. Os resultados foram organizados em quatro eixos: (1) adaptações neuromusculares; (2) assimetrias interlimbais; (3) dor lombar crônica inespecífica; e (4) reabilitação do LCA. Como não foi documentada avaliação formal de risco de viés, a síntese não deve classificar a evidência como de alta qualidade sem fundamento explícito.
Adaptações neuromusculares promovidas pelo treinamento unipodal;
Redução das assimetrias interlímbicas;
Aplicações na dor lombar crônica inespecífica;
Aplicações na reabilitação do ligamento cruzado anterior.
Essa estratégia permitiu identificar convergências, divergências, limitações metodológicas e implicações práticas encontradas na literatura recente.
Resultados
Processo de seleção dos estudos
O manuscrito relata 168 registros identificados e 152 após remoção de duplicatas. Na triagem de títulos e resumos, 109 registros foram excluídos; assim, 43 textos completos foram avaliados. Para tornar esse processo auditável, a versão final deve apresentar a distribuição dos registros por base e explicar como as duplicatas foram identificadas.
Segundo o relato original, 20 textos completos foram excluídos por não abordarem diretamente os mecanismos neuromusculares do treinamento unilateral, apresentarem população incompatível ou não disponibilizarem dados suficientes. Recomenda-se informar a quantidade de exclusões em cada categoria e assegurar que os motivos correspondam aos critérios de elegibilidade definidos previamente.
O manuscrito informa que 23 estudos compuseram a síntese qualitativa final. A lista definitiva deve ser conferida individualmente para garantir correspondência entre critérios de elegibilidade, fluxograma, Tabela 1, citações no texto e referências.
A versão original distribui os estudos em 9 sobre reabilitação do LCA, 8 sobre dor lombar crônica inespecífica e 6 sobre adaptações neuromusculares e assimetrias interlimbais. Como os temas podem se sobrepor, deve-se esclarecer se essas categorias são mutuamente exclusivas ou se um mesmo estudo foi contabilizado em mais de uma categoria.
A Figura 1 apresenta o fluxo de seleção relatado no manuscrito. Sua apresentação deve ser acompanhada das contagens por base e dos motivos de exclusão em texto completo, conforme os registros efetivamente mantidos pelo autor.
Figura 1. Fluxograma
Fonte: Dados de pesquisa
O fluxograma foi elaborado com referência às recomendações PRISMA 2020 (Page et al., 2021). Como o estudo é descrito como revisão narrativa, o fluxograma deve ser apresentado como instrumento de transparência da busca e seleção, sem sugerir que todos os requisitos de uma revisão sistemática tenham sido cumpridos.
Tabela 1. Caracterização dos estudos incluídos na revisão
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Autor |
Ano |
Delineamento |
Tema Principal |
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Muyor et al. |
2020 |
Experimental |
Ativação muscular em exercícios unilaterais |
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Buckthorpe |
2020 |
Revisão narrativa |
Reabilitação avançada do LCA |
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Fox et al. |
2023 |
Revisão Sistemática com Meta-análise |
O efeito das assimetrias interlimbais inferiores no desempenho atlético, avaliando como os resultados variam conforme a tarefa e o protocolo de teste |
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Nagelli et al. |
2020 |
Intervenção |
Treinamento neuromuscular pós-LCA |
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Harput et al. |
2021 |
Estudo longitudinal |
Simetria funcional após reconstrução do LCA |
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Manca et al. |
2021 |
Consenso Delphi |
Cross-education e treinamento unilateral |
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McBurnie et al. |
2022 |
Revisão sistemática |
Desaceleração e prevenção de lesões |
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Afonso et al. |
2022 |
Revisão narrativa |
Treinamento unilateral e assimetrias |
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Smrcina et al. |
2022 |
Revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados |
Exercícios de estabilização do core, controle neuromuscular, redução da dor lombar inespecífica e melhora da funcionalidade. |
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Niederer et al. |
2020 |
Revisão sistemática |
Exercício para dor lombar |
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Fox et al. |
2023 |
Revisão sistemática com meta-análise |
Assimetrias e desempenho esportivo |
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Thornton et al. |
2021 |
Meta-análise |
Core stability e dor lombar |
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Jiang et al. |
2024 |
Revisão sistemática |
Intervenções para dor lombar inespecífica |
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Wang et al. |
2024 |
Revisão sistemática |
Controle neuromuscular e estabilidade |
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Rizzato et al. |
2024 |
Experimental |
Treinamento multimodal, equilíbrio dinâmico e força de membros inferiores |
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Wiriawan et al. |
2024 |
Experimental |
Assimetrias de força dos isquiotibiais em atletas |
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Guerrero-Tapia et al. |
2021 |
Ensaio controlado randomizado |
Estabilidade lombo-pélvica e força dos adutores em jogadoras de futebol |
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Trybulski et al. |
2025 |
Meta-análise |
Fortalecimento lombar e dor lombar |
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Verhagen et al. |
2025 |
Revisão sistemática |
Reabilitação baseada em exercício para LCA |
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Zhong et al. |
2025 |
Meta-análise em rede |
Exercício e recuperação pós-LCA |
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Li et al. |
2025 |
Experimental |
Treinamento pliométrico unilateral e desempenho neuromuscular |
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Wang et al. |
2025 |
Revisão Sistemática com Meta-análise em Rede Bayesiana |
Efeitos de intervenções de exercício voltadas à prevenção de lesões do LCA sobre a cinemática do joelho (controle de movimento, valgo dinâmico e padrões de aterrissagem) em atletas |
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Zhang, Z. et al. |
2025 |
Experimental |
Exercícios unilaterais e desempenho funcional |
Fonte: Dados de pesquisa
Adaptações neuromusculares promovidas pelo treinamento unipodal
O manuscrito relata que 14 dos 23 estudos abordaram adaptações neuromusculares associadas ao treinamento unilateral. Esse número deve ser conferido com a matriz final de estudos, sobretudo porque os temas de adaptação, assimetria e reabilitação podem se sobrepor. Não é possível afirmar consenso geral de superioridade dos exercícios unipodais com base apenas na maior demanda estabilizadora durante tarefas específicas.
Muyor et al. (2020) compararam a atividade eletromiográfica de músculos dos membros inferiores durante o agachamento monopodal, o avanço frontal e o step-up lateral em participantes fisicamente ativos. O agachamento monopodal apresentou maior atividade em vários músculos avaliados, mas o estudo examinou respostas agudas de EMG, não ganhos longitudinais de força, dor lombar, reabilitação do LCA ou prevenção de lesões.
Esses resultados caracterizam demandas musculares específicas dos exercícios avaliados. Não permitem concluir, isoladamente, que o treinamento unipodal produza maior eficiência global do controle motor, reduza lesões ou melhore desfechos clínicos a longo prazo.
Redução das assimetrias interlímbicas
A redução das assimetrias de força entre membros inferiores foi um dos resultados mais consistentes observados na literatura.
Afonso et al. (2022) publicaram uma revisão narrativa sobre assimetria bilateral no esporte, destacando que sua interpretação depende da tarefa, da métrica, do indivíduo e da modalidade. Bettariga et al. (2022), em revisão sistemática com meta-análise, examinaram intervenções de treinamento e assimetrias interlimbais. Esses trabalhos não autorizam concluir que o treinamento unilateral seja universalmente superior nem que a redução da assimetria, por si só, melhore o desempenho ou reduza o risco de lesão.
A relevância das assimetrias deve ser interpretada em função da tarefa, da métrica, da direção da diferença e do desfecho considerado. A associação entre assimetria, desempenho e lesão não é uniforme, e uma diferença entre membros não deve ser tratada automaticamente como déficit clínico.
Entretanto, alguns autores ressaltam que a eliminação completa das assimetrias pode não ser necessária, uma vez que determinadas diferenças podem representar adaptações específicas da modalidade esportiva praticada. Dessa forma, a interpretação clínica deve considerar tanto a magnitude da assimetria quanto suas repercussões funcionais.
Implicações para a dor lombar crônica inespecífica
O manuscrito agrupa oito estudos relacionados à dor lombar crônica inespecífica ou à estabilidade lombo-pélvica. É essencial distinguir estudos que incluíram participantes com dor lombar daqueles que avaliaram controle motor ou estabilidade em outras populações; apenas os primeiros podem fornecer evidência clínica direta para essa condição.
Smrcina et al. (2022) revisaram exercícios de estabilidade do core em pessoas com dor lombar inespecífica. Esse tipo de evidência pode contextualizar o uso do exercício no manejo da dor, mas não demonstra especificamente a eficácia de exercícios unipodais nem sua superioridade em relação a outras modalidades.
A revisão de revisões de Grooten et al. (2022) sintetiza resultados de diferentes modalidades de exercício para dor lombar crônica. A variedade de intervenções e desfechos exige cautela: benefícios gerais do exercício não devem ser atribuídos especificamente ao apoio unipodal sem estudos que testem essa intervenção.
Mecanismos como coativação muscular, controle rotacional e coordenação entre quadril, pelve e coluna podem constituir hipóteses explicativas, mas não devem ser apresentados como mecanismos comprovados dos efeitos clínicos do treinamento unipodal quando não foram medidos diretamente nos estudos incluídos.
Reyes-Ferrada et al. (2023) investigaram treinamento isocinético do tronco em pessoas com dor lombar inespecífica. Esse estudo contribui para a discussão sobre fortalecimento, mas não constitui evidência direta sobre treinamento unipodal.
Implicações para a reabilitação do ligamento cruzado anterior
O manuscrito relata nove estudos relacionados à reabilitação do LCA. A síntese deve distinguir estudos específicos de exercícios unilaterais de revisões mais amplas sobre reabilitação por exercício, bem como separar resultados de força, função, simetria, retorno ao esporte e ocorrência de novas lesões.
Buckthorpe (2020) discute a otimização da reabilitação em fase avançada e do treinamento de retorno ao esporte após reconstrução do LCA; Buckthorpe, e Della Villa (2020) abordam a fase intermediária, e Buckthorpe, Tamisari, e Della Villa (2020) descrevem uma progressão baseada em tarefas. Trata-se de uma revisão de orientação clínica, não de um ensaio que demonstre isoladamente a eficácia de exercícios unipodais. A progressão deve considerar a fase de recuperação, a resposta individual e critérios clínicos e funcionais. Pamboris et al. (2024) compararam exercícios de cadeia cinética aberta e fechada na reabilitação do LCA.
Exercícios como agachamento unipodal, split squat e testes de salto podem ser usados para treinar ou avaliar componentes funcionais relevantes. Contudo, a semelhança de uma tarefa com demandas esportivas não comprova, por si só, transferência positiva para o desempenho competitivo ou redução do risco de nova lesão.
Com base na heterogeneidade dos estudos descritos, é mais prudente considerar o treinamento unipodal uma opção potencial dentro de programas individualizados de reabilitação do LCA, e não uma ferramenta cuja eficácia específica esteja estabelecida para todos os desfechos.
Discussão
Esta revisão reuniu estudos sobre atividade muscular, assimetrias interlimbais, dor lombar crônica inespecífica e reabilitação do LCA. A interpretação deve considerar que os trabalhos diferem quanto ao delineamento, população, intervenção e desfechos. Além disso, parte da literatura fornece evidência contextual ou indireta, e não testa diretamente o treinamento unipodal nas duas condições clínicas.
Os estudos consultados sugerem que exercícios unilaterais podem impor demandas específicas de equilíbrio, controle e produção de força. Entretanto, a magnitude e a relevância dessas demandas dependem do exercício e da população. A evidência disponível não sustenta uma afirmação geral de superioridade do treinamento unipodal para desempenho esportivo ou reabilitação.
Muyor et al. (2020) identificaram diferenças na atividade eletromiográfica dos músculos dos membros inferiores durante o agachamento monopodal, o avanço frontal e o step-up lateral. Como o estudo mediu atividade muscular aguda em participantes fisicamente ativos, os resultados não devem ser extrapolados diretamente para adaptações crônicas, ativação global do tronco, redução da dor ou prevenção de lesões.
Apesar dessa convergência, ainda permanece incerto se a maior ativação muscular observada durante exercícios unilaterais necessariamente se traduz em superioridade funcional a longo prazo. Diversos estudos utilizam variáveis eletromiográficas como desfecho principal, mas poucos investigam a transferência dessas adaptações para tarefas esportivas complexas ou para a redução efetiva da incidência de lesões. Dessa forma, embora o aumento da ativação muscular seja frequentemente interpretado como indicador positivo, sua relevância clínica ainda necessita de investigação longitudinal.
A interpretação das assimetrias requer especial cuidado. Afonso et al. (2022) publicaram uma revisão narrativa sobre assimetria bilateral, enquanto Bettariga et al. (2022) avaliaram intervenções de treinamento em uma revisão sistemática com meta-análise; Bishop, Turner, e Read (2018) também revisaram os efeitos das assimetrias interlimbais sobre o desempenho físico e esportivo. Os desenhos e as perguntas são diferentes; nenhum deles permite concluir que a simetria absoluta seja necessária ou que a redução da assimetria, isoladamente, cause melhor desempenho.
Nem toda diferença entre membros representa um déficit clinicamente relevante. A avaliação deve considerar a modalidade esportiva, a tarefa, a métrica utilizada, a variabilidade da medida e a relação com a função do indivíduo. A recuperação dos isquiotibiais é relevante após reconstrução do LCA, mas recomendações de recuperação muscular não equivalem a evidência de que um protocolo unipodal específico previna relesões. (Buckthorpe et al., 2021)
Fox et al. (2023) examinaram os efeitos das assimetrias interlimbais sobre o desempenho atlético em uma revisão sistemática com meta-análise, reforçando que os resultados e a magnitude das assimetrias variam consideravelmente conforme a tarefa, a métrica e o protocolo adotado. Niederer, e Mueller (2020) examinaram exercícios de estabilização do controle motor para dor lombar crônica inespecífica, e Trybulski et al. (2025) analisaram treinamento isolado de extensão lombar. Esses estudos são relevantes para contextualizar fadiga e exercício terapêutico, mas não constituem evidência direta de eficácia do treinamento unipodal para dor lombar.
Manca et al. (2021) publicaram um consenso Delphi sobre aspectos do fenômeno de cross-education, isto é, a transferência de adaptações associadas ao treinamento de um membro para o contralateral não treinado. Trata-se de um consenso sobre conceitos e métodos, não de um ensaio clínico de reabilitação. Nagelli et al. (2020), por sua vez, avaliaram treinamento neuromuscular após reconstrução do LCA e relataram resultados de função autorreferida e biomecânica de aterrissagem; os resultados devem ser descritos conforme a intervenção e os desfechos realmente avaliados. Embora não investigue diretamente a reabilitação do LCA, Guerrero-Tapia et al. (2021) avaliaram os efeitos de protocolos de treinamento abdominal, isolados ou combinados com exercícios específicos para o glúteo médio, sobre a estabilidade lombo-pélvica e a força dos adutores em jogadoras de futebol. Os resultados indicaram melhorias nessas variáveis ao longo da intervenção, sem demonstrar superioridade do treinamento combinado. Esses achados oferecem contexto sobre o treinamento neuromuscular em atletas, mas não permitem inferir efeitos específicos sobre a recuperação pós-reconstrução do LCA, a simetria entre membros ou o retorno ao esporte.
A transferência contralateral de força, denominada cross-education, é explicada principalmente por adaptações neurais; Lecce et al. (2025) investigaram determinantes neurais das mudanças de força no membro não treinado, embora os mecanismos e sua contribuição relativa continuem sendo investigados (Lee, e Carroll, 2007; Manca et al., 2021). Esse fenômeno é relacionado ao treinamento unilateral, mas não deve ser confundido com a eficácia clínica específica de exercícios unipodais.
McBurnie et al. (2022) discutiram o treinamento de desaceleração em esportes coletivos. Essa literatura pode fundamentar a importância de desenvolver a capacidade de desacelerar, mas não demonstra que exercícios unipodais, isoladamente, reduzam a incidência de lesões.
Thornton et al. (2021) revisaram intervenções para dor lombar em atletas. A diversidade de intervenções não permite atribuir os resultados especificamente ao treinamento unipodal. A inclusão de exercícios de força, controle motor ou estabilidade pode ser considerada conforme a avaliação individual, mas a superioridade de uma combinação específica requer comparação direta.
A literatura sobre dor lombar apresenta heterogeneidade de populações, duração e intensidade das intervenções, critérios diagnósticos e instrumentos de avaliação. Quando os protocolos combinam várias modalidades, torna-se difícil isolar o efeito do apoio unilateral. Assim, resultados favoráveis ao exercício em geral não devem ser atribuídos exclusivamente ao treinamento unipodal.
Rizzato et al. (2024) estudaram protocolos multimodais em superfícies estáveis e instáveis em adultos mais velhos, com foco no equilíbrio dinâmico; ressalta-se que esse estudo não investigou especificamente dor lombar ou reabilitação do LCA. De forma distinta, Wiriawan et al. (2024) examinaram o fortalecimento unilateral dos isquiotibiais em atletas de badminton, enquanto Li et al. (2025) investigaram os efeitos do treinamento pliométrico unilateral e bilateral sobre a potência de membros inferiores e a capacidade de mudança de direção em atletas. Achados complementares foram demonstrados por Zhang, Z. et al. (2025), ao avaliarem os efeitos do treinamento pliométrico, e por Zhang, Y. et al. (2025), em sua revisão sobre o treinamento do lado não dominante. Tais investigações devem ser analisadas de forma independente, evitando a atribuição de desfechos homogêneos a intervenções com desenhos e populações heterogêneas.
Nesse contexto, Wang et al. (2024) demonstraram, por meio de uma revisão sistemática e meta-análise, que o treinamento neuromuscular promove ganhos expressivos na estabilidade postural dinâmica e no controle neuromuscular em atletas, mensurados por testes padronizados como o Y-Balance Test e o Star Excursion Balance Test. Em alinhamento com essa perspectiva de controle motor, Wang et al. (2025) evidenciaram, através de uma meta-análise em rede Bayesiana, que programas preventivos baseados em exercício alteram de forma significativa a cinemática do joelho em atletas, destacando o papel fundamental da estabilização central (core) e do foco atencional na mitigação do valgo dinâmico e na otimização dos padrões de aterrissagem. Contudo, a transposição desses achados mecânicos para o contexto clínico de reabilitação exige discernimento.
Na reabilitação do LCA, a progressão baseada em tarefas e o desenvolvimento gradual de força, capacidade de absorção de impacto na aterrissagem e tolerância à carga constituem pilares fundamentais. Buckthorpe, e Della Villa (2021) discutem a progressão do treinamento pliométrico, ao passo que Grindem et al. (2016) sustentam a relevância de critérios objetivos de decisão para mitigar o risco de nova lesão após a reconstrução do LCA. No entanto, é imperativo ponderar que comentários clínicos, estudos observacionais e ensaios de intervenção oferecem níveis de evidência distintos. Adicionalmente, embora a seleção de exercícios unilaterais encontre justificativa em objetivos funcionais específicos — como a correção de assimetrias —, ela não deve ser interpretada como uma garantia isolada de retorno seguro ao esporte.
Verhagen et al. (2025) revisaram a reabilitação baseada em exercício para lesões do LCA, enquanto Zhong et al. (2025) mapearam as diferentes modalidades de exercício pós-reconstrução em uma meta-análise em rede, demonstrando que o foco primário reside na recuperação da força de quadríceps e isquiotibiais e na função global do joelho, sem evidenciar a superioridade inequívoca do treinamento estritamente unipodal. Por fim, a decisão de retorno ao esporte deve ser balizada por múltiplos critérios clínicos, biomecânicos e funcionais, englobando também fatores comportamentais como a adesão e a participação ativa no processo reabilitativo (Walker et al., 2020), e jamais restrita a um único índice de simetria límbica.
A interpretação das evidências também depende da qualidade metodológica dos estudos primários e das revisões. Como o manuscrito não apresenta uma avaliação formal do risco de viés, não é possível classificar globalmente a certeza da evidência. Essa ausência deve ser reconhecida como limitação e corrigida em trabalhos futuros ou mediante avaliação metodológica adicional, se realizada.
Na prática, exercícios como agachamento unipodal, split squat, step-up e levantamento terra unilateral podem ser selecionados de acordo com os objetivos e a tolerância individual. Sua inclusão não deve ser apresentada como medida comprovada de prevenção de lesões. A escolha e a progressão precisam considerar a condição clínica, a fase de reabilitação, a capacidade funcional e os critérios específicos do profissional responsável.
Pesquisas futuras devem testar protocolos unipodais definidos, com comparadores adequados, amostras justificadas, desfechos clínicos e funcionais relevantes e acompanhamento suficiente. Na dor lombar, são necessários estudos que avaliem diretamente dor e incapacidade; na reabilitação do LCA, devem ser diferenciados força, função, retorno ao esporte e ocorrência de novas lesões.
Conclusão
Esta revisão discutiu mecanismos neuromusculares relacionados ao treinamento unilateral/unipodal e sua possível aplicação na dor lombar crônica inespecífica e na reabilitação do LCA. A literatura aborda atividade muscular, controle motor, força, equilíbrio e assimetrias, mas os estudos diferem em população, intervenção e desfecho, e parte das evidências é indireta.
Para a dor lombar crônica inespecífica, estudos sobre exercícios de estabilização, controle motor e fortalecimento sustentam a utilização do exercício como parte do manejo, mas não comprovam a eficácia específica ou a superioridade do treinamento unipodal. Para a reabilitação do LCA, exercícios unilaterais podem integrar programas individualizados de força e função; contudo, não se deve inferir, apenas a partir de mudanças de força ou simetria, redução do risco de relesão ou retorno seguro ao esporte.
Exercícios como agachamento unipodal, split squat, step-up e levantamento terra unilateral podem ser considerados conforme os objetivos, a condição clínica e a fase de treinamento ou reabilitação. A especificidade funcional desses exercícios constitui uma justificativa para sua seleção, mas não substitui evidência direta de eficácia para cada desfecho clínico.
As principais limitações desta revisão são a heterogeneidade dos estudos e dos desfechos, a presença de evidências indiretas, a ausência de avaliação formal do risco de viés e a descrição incompleta das estratégias de busca e do processo de seleção. Por isso, os resultados devem ser interpretados como síntese narrativa e não como demonstração definitiva de eficácia.
São necessários estudos que comparem protocolos unipodais claramente definidos com intervenções apropriadas, utilizem desfechos clínicos e funcionais relevantes e acompanhem os participantes por períodos suficientes. A descrição completa das buscas, a avaliação crítica da qualidade dos estudos e a separação entre resultados diretos e indiretos são essenciais para fortalecer futuras revisões.
Em síntese, o treinamento unipodal pode constituir uma ferramenta dentro de programas individualizados de treinamento e reabilitação, mas a evidência específica para sua eficácia na dor lombar crônica inespecífica e para resultados clínicos após lesão do LCA ainda é limitada. Recomendações mais firmes dependerão de estudos diretos, metodologicamente robustos e com desfechos bem definidos.
Declaração de apoio tecnológico
Este manuscrito contou com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, incluindo o ChatGPT Open AI®, utilizado como ferramenta auxiliar na elaboração e organização de estratégias de busca bibliográfica, identificação e localização de referências científicas pertinentes, além de apoio à revisão linguística e organização editorial do texto. Também foi utilizado o tradutor DeepL como ferramenta auxiliar para tradução e revisão de trechos do manuscrito. As ferramentas mencionadas não participaram da análise dos dados, da interpretação dos resultados ou da elaboração das conclusões. O conteúdo científico, a análise dos dados, a interpretação dos resultados e as conclusões são de inteira responsabilidade do autor.
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