ISSN 1514-3465
Substituições táticas no futebol de elite. Análise
das seleções finalistas da Copa do Mundo FIFA 2018
Tactical Substitutions in Elite Soccer. Analysis of the Finalist Teams of the 2018 FIFA World Cup
Sustituciones tácticas en el fútbol de élite. Un análisis de los equipos finalistas de la Copa Mundial de la FIFA 2018
Matheus Felipe Tristão Silva
*matheusfts26@gmail.com
William Martins Januário
**william.januario@ufv.br
Luciano Bernardes Leite
+luciano.leite@ufv.br
Bruno de Cassio Coelho
++bruno.cassio@ufv.br
José Geraldo do Carmo Salles
+++jgsalles@ufv.br
*Bacharel em Educação Física pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)
**Estudante de Doutorado em Educação Física pela UFV
Mestre em Educação Física pela UFV
Bacharel em Educação Física pela Faculdade de Viçosa (FDV)
Pesquisador e membro do Grupo de Estudos
em Termorregulação e Exercício Físico (GETEF) da UFV
+Mestre e Doutor em Educação Física pela UFV
++Doutorando em Educação Física pela UFV
+++Professor titular da UFV
Pós-Doutorado em Educação Física - Universidade da Galícia (Espanha)
Doutorado em Educação Física pela Universidade Gama Filho
Mestre em Educação Física pela Universidade Gama Filho
Graduação (Bacharelado e Licenciatura) em Educação Física pela UFV
(Brasil)
Recepción: 08/01/2026 - Aceptación: 15/04/2026
1ª Revisión: 24/03/2026 - 2ª Revisión: 12/04/2026
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0
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Este trabalho está sob uma licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt |
Cita sugerida
: Silva, M.F.T., Januário, W.M., Leite, L.B., Coelho, B. de C., e Salles, J.G. do S. (2026). Substituições táticas no futebol de elite: análise das seleções finalistas da Copa do Mundo FIFA 2018. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(338), 83-99. https://doi.org/10.46642/efd.v31i338.8716
Resumo
Introdução: O futebol contemporâneo caracteriza-se por elevada complexidade tática e demandas físicas intensas, nas quais pequenas decisões estratégicas podem impactar significativamente o desempenho coletivo. Nesse contexto, a Copa do Mundo da FIFA configura-se como principal ambiente de observação das tendências do jogo, especialmente após a introdução da quarta substituição em prorrogações na edição de 2018. Objetivo: Analisar a efetividade das substituições táticas realizadas pelas quatro seleções finalistas da Copa do Mundo FIFA 2018 (França, Croácia, Bélgica e Inglaterra), considerando a participação direta dos atletas suplentes em gols e assistências, bem como classificar as motivações associadas a cada substituição. Metodologia: Estudo de abordagem quanti-qualitativa, com análise de 24 partidas a partir de dados oficiais dos scouts da FIFA e observação sistemática em vídeo. As substituições foram classificadas por meio de análise de conteúdo temática em seis categorias: necessidade momentânea do placar, necessidade técnica, necessidade física, controle do tempo de jogo, lançamento de novos jogadores e mudança tática defensiva com placar consolidado. Resultados: Observou-se predominância de substituições por necessidade física, especialmente em fases eliminatórias. A Bélgica apresentou maior efetividade ofensiva dos suplentes, com três gols e uma assistência, enquanto França e Inglaterra não registraram participações diretas. Conclusão: A efetividade das substituições no futebol de elite depende do contexto competitivo e da intenção estratégica do treinador, envolvendo não apenas indicadores ofensivos, mas também a manutenção da estabilidade tática e física da equipe.
Unitermos:
Futebol. Substituições. Análise tática. Copa do Mundo. Desempenho esportivo.
Abstract
Introduction: Contemporary soccer is characterized by high tactical complexity and intense physical demands, in which strategic decisions can significantly influence team performance. In this context, the FIFA World Cup represents the foremost setting for observing trends in elite soccer, particularly following the introduction of the fourth substitution during extra time in the 2018 edition. Objective: To analyze the effectiveness of tactical substitutions performed by the four finalist teams of the 2018 FIFA World Cup (France, Croatia, Belgium, and England), considering the direct contribution of substitute players through goals and assists, as well as to classify the motivations associated with each substitution. Methods: A mixed-methods study was conducted through the analysis of 24 matches using official FIFA scouting data and systematic video observation. Substitutions were classified through thematic content analysis into six categories: score-related necessity, technical necessity, physical necessity, game management, introduction of new players, and defensive tactical adjustment with an established lead. Results: A predominance of substitutions motivated by physical necessity was observed, particularly during the knockout stages. Belgium demonstrated the highest offensive effectiveness among substitute players, recording three goals and one assist, whereas France and England showed no direct goal involvement from substitutes. Conclusion: The effectiveness of substitutions in elite soccer depends on the competitive context and the coach’s strategic intent, involving not only direct offensive contributions but also the maintenance of the team’s tactical and physical stability.
Keywords:
Soccer. Substitutions. Tactical analysis. World Cup. Sports performance.
Resumen
Introducción: El fútbol contemporáneo se caracteriza por una alta complejidad táctica y una intensa exigencia física, donde pequeñas decisiones estratégicas pueden impactar significativamente el rendimiento colectivo. En este contexto, la Copa Mundial de la FIFA es el principal entorno para observar las tendencias del juego, especialmente tras la introducción del cuarto cambio en la prórroga en la edición de 2018. Objetivo: Analizar la efectividad de los cambios tácticos realizados por las cuatro selecciones finalistas de la Copa Mundial de la FIFA 2018 (Francia, Croacia, Bélgica e Inglaterra), considerando la participación directa de los jugadores suplentes en goles y asistencias, así como clasificar las motivaciones asociadas a cada cambio. Metodología: Estudio cuantitativo-cualitativo, que analiza 24 partidos con base en datos oficiales de los ojeadores de la FIFA y observación sistemática de vídeo. Los cambios se clasificaron mediante análisis temático de contenido en seis categorías: necesidad momentánea de gol, necesidad técnica, necesidad física, control del tiempo de juego, entrada de nuevos jugadores y cambio táctico defensivo con marcador consolidado. Resultados: Los cambios se realizaron predominantemente por necesidad física, especialmente en las fases eliminatorias. Bélgica demostró mayor efectividad ofensiva con sus suplentes, anotando tres goles y dando una asistencia, mientras que Francia e Inglaterra no registraron contribuciones directas. Conclusión: La efectividad de las sustituciones en el fútbol de élite depende del contexto competitivo y de la estrategia del entrenador, considerando no solo los indicadores ofensivos, sino también el mantenimiento de la estabilidad táctica y física del equipo.
Palabras clave
: Fútbol. Sustituciones. Análisis táctico. Copa del Mundo. Rendimiento deportivo.
Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 338, Jul. (2026)
Introdução
O futebol moderno caracteriza-se por elevada complexidade tática e demandas físicas intensas, nas quais pequenas decisões estratégicas podem exercer impacto significativo sobre o desempenho coletivo (Teixeira et al., 2025). Nesse contexto, a Copa do Mundo da FIFA representa o ambiente máximo de observação das tendências do jogo, funcionando como um laboratório de práticas que influenciam treinadores e comissões técnicas em escala global. (Low et al., 2019; Afonso et al., 2025)
A edição de 2018, realizada na Rússia, apresentou particular relevância ao incorporar alterações regulamentares importantes, como a possibilidade da quarta substituição em partidas com prorrogação (FIFA, 2018). Essa modificação ampliou o leque de decisões estratégicas disponíveis aos treinadores, sobretudo em jogos eliminatórios, nos quais o controle da fadiga, do tempo de jogo e do equilíbrio tático assume papel central. (Meyer, e Klatt, 2021; Wei et al., 2024).
A literatura especializada aponta que as substituições constituem intervenções decisivas dentro da dinâmica do jogo (Gómez et al., 2016; Amez et al., 2021; Iglesias et al., 2022). Garganta (1997) destaca que, em um contexto permanentemente variável, as estratégias táticas tornam-se fundamentais para a adaptação das equipes às exigências impostas pelo adversário e pelo próprio ambiente competitivo. Paralelamente, a análise objetiva do jogo passou a ocupar papel central no futebol moderno, substituindo abordagens puramente subjetivas por interpretações baseadas em dados (Goes et al., 2020; Forcher et al., 2022). Anderson e Sally (2013) ressaltam que os números permitem compreender o jogo sob perspectivas antes inacessíveis, desafiando concepções tradicionais sobre desempenho.
Corral et al. (2007) evidenciam que o placar momentâneo, a importância da competição e o contexto do jogo influenciam diretamente o momento e a natureza das substituições. Em torneios de curta duração e elevada intensidade, como a Copa do Mundo, a gestão eficiente do banco de reservas pode representar um diferencial competitivo relevante. (Wang, e Zhai, 2025)
Apesar da importância atribuída às substituições, ainda são limitadas as evidências que quantificam a efetividade direta dos atletas suplentes em ações decisivas, como gols e assistências, especialmente no contexto do futebol de seleções de elite (Bradley et al., 2014; Hills et al., 2018; Wu et al., 2024). Diante dessa lacuna, o presente estudo tem como objetivo analisar a participação dos atletas reservas das quatro melhores seleções da Copa do Mundo FIFA 2018 na efetivação do placar, bem como classificar as motivações associadas a cada substituição realizada ao longo da competição.
Metodologia
Trata-se de um estudo de abordagem quanti-qualitativa, cujo delineamento possibilita integrar a análise objetiva de indicadores de desempenho, oriundos de dados oficiais, com a interpretação contextual das ações táticas associadas às substituições realizadas durante as partidas. Essa perspectiva metodológica fundamenta-se na proposta de Gomes, e Araújo (2005), que defendem uma compreensão holística do fenômeno esportivo, permitindo a análise do jogo em sua natureza dinâmica, complexa e contextualizada.
A amostra foi composta por 24 partidas disputadas pelas seleções da França, Croácia, Bélgica e Inglaterra, correspondentes às quatro melhores campanhas da Copa do Mundo FIFA 2018. Cada equipe analisada disputou sete partidas, considerando fases de grupos, eliminatórias e finais.
A coleta de dados ocorreu em duas etapas complementares. Na análise quantitativa, foram extraídos dados oficiais dos scouts disponibilizados pela FIFA, considerados fonte primária e padronizada para a análise de eventos técnicos e estatísticos em competições internacionais de elite. A utilização desses dados justifica-se pela elevada confiabilidade dos registros e pelo amplo emprego de informações oficiais em estudos de análise de desempenho no futebol, permitindo a obtenção de indicadores consistentes sobre ações decisivas dos atletas durante as partidas (Gómez, Lago-Peñas, e Owen, 2016; Wei et al., 2024). Foram coletadas informações referentes ao número de gols e assistências realizados por atletas oriundos do banco de reservas ao longo da competição.
A análise qualitativa foi realizada independentemente por dois avaliadores com experiência em análise tática do futebol. Inicialmente, cada avaliador classificou as substituições de forma independente. Nos casos de divergência, realizou-se uma nova análise conjunta até o estabelecimento de consenso. Esse procedimento foi adotado com o objetivo de aumentar a confiabilidade da classificação das substituições e reduzir possíveis vieses interpretativos.
Para garantir maior rigor metodológico, adotou-se um critério de análise baseado na interpretação contextual do momento da substituição, considerando variáveis como o placar no instante da troca, o minuto de jogo, o comportamento tático da equipe antes e após a substituição, bem como a função desempenhada pelo atleta substituído e pelo substituto. A classificação das substituições foi realizada a partir da identificação do motivo predominante, seguindo uma lógica decisória: (a) substituições associadas à necessidade de alterar o resultado foram classificadas como necessidade momentânea do placar; (b) substituições decorrentes de baixo rendimento técnico-tático do atleta foram classificadas como necessidade técnica; (c) substituições relacionadas a sinais de fadiga, queda de intensidade ou lesão foram classificadas como necessidade física; (d) substituições realizadas com o objetivo de interromper o ritmo de jogo ou administrar o tempo foram classificadas como controle do tempo de jogo; (e) substituições com finalidade de inserção de atletas sem impacto imediato no contexto competitivo foram classificadas como lançamento de novos jogadores; e (f) substituições voltadas à reorganização estrutural da equipe, especialmente em contextos de vantagem no placar, foram classificadas como mudança tática defensiva com placar consolidado. Em casos de sobreposição de fatores, considerou-se o motivo predominante a partir da análise integrada do contexto situacional da partida.
A classificação das substituições foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo temática, fundamentada nos pressupostos metodológicos propostos por Bardin (2016). Inicialmente, procedeu-se à leitura exaustiva dos registros das partidas e à observação sistemática dos contextos que envolveram cada substituição. Posteriormente, as informações foram organizadas e agrupadas por similaridade de significado, permitindo a identificação de padrões recorrentes relacionados às intenções estratégicas dos treinadores, inferidas a partir do contexto tático da partida. A partir desse processo analítico, emergiram categorias temáticas representativas dos diferentes motivos associados às substituições, as quais foram posteriormente refinadas e consolidadas com base no contexto situacional observado em cada partida.
As substituições foram categorizadas em seis classes, conforme o motivo predominante identificado no momento da alteração: (1) necessidade momentânea do placar; (2) necessidade técnica; (3) necessidade física; (4) controle do tempo de jogo; (5) lançamento de novos jogadores; e (6) mudança tática defensiva com placar consolidado.
O presente estudo é derivado de Trabalho de Conclusão de Curso desenvolvido no âmbito da graduação em Educação Física, tendo seus dados reorganizados, ampliados e discutidos à luz da literatura científica atual para fins de publicação em periódico científico.
Resultados
Os dados apresentados na Tabela 1 indicam que a seleção inglesa realizou um total de 22 substituições ao longo da Copa do Mundo FIFA Rússia 2018, distribuídas em sete partidas. Em duas ocasiões, a equipe utilizou a quarta substituição, permitida apenas em partidas com prorrogação.
Tabela 1. Efetividade das substituições processadas pela equipe Inglesa na Copa do Mundo de Futebol FIFA 2018 - Rússia
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Jogo 1 |
Jogo 2 |
Jogo 3 |
Oitavas |
Quartas |
Semi |
3º L. |
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Mot. 1 |
1-14’47” |
- |
1-14’56” |
1-40’41” 2-08’32” |
- |
1-13’13” |
1-48’09”
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|
Mot. 2 |
1-26’18” |
- |
1-48’09” |
1-48’19” |
- |
1-31’22” 2-58’00” |
- |
|
Mot. 3 |
- |
1-25’02” 2-31’29” 3-31’55” |
- |
1-20’47” |
1-10’56” 2-19’01” |
1-38’04” |
1-09’35” |
|
Mot. 4 |
1-01’49” |
- |
- |
- |
1-04’24” |
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- |
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Mot. 5 |
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- |
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Mot. 6 |
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T. DE S. |
3 |
3 |
2 |
4 |
3 |
4 |
3 |
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NGRS |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
|
NARS |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
Nota: Mot. - Motivo, T. DE S. - Total de substituições, NGRS - Número de gols realizados pelos suplentes,
NARS - Número de assistências realizadas pelos suplentes, 3ºL. Disputa de 3º lugar. Fonte: Dados de pesquisa
Observa-se predominância das substituições classificadas como necessidade física (Motivo 3), seguidas pelas substituições relacionadas à necessidade momentânea do placar (Motivo 1) e à necessidade técnica (Motivo 2). Não foram registradas substituições motivadas pela possibilidade de lançar novos jogadores (Motivo 5) ou por mudanças táticas com o placar consolidado (Motivo 6).
Em nenhuma das partidas analisadas foram registrados gols ou assistências realizadas por atletas suplentes da seleção inglesa, independentemente do motivo ou do momento da substituição.
Tabela 2. Efetividade das substituições processadas pela equipe Belga na Copa do Mundo de Futebol FIFA 2018 - Rússia
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Jogo 1 |
Jogo 2 |
Jogo 3 |
Oitavas |
Quartas |
Semi |
3º L. |
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Mot. 1 |
- |
- |
- |
1-30’43’ 2-30’54” |
- |
1-16’34” 2-05’31” |
- |
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Mot. 2 |
- |
1-25’56” |
- |
- |
- |
1-36’39” |
1-56’30” |
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Mot. 3 |
- |
2-34’36” - |
- |
- |
1-12’58” |
- |
1-33’12” |
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Mot. 4 |
1-04’23” |
- |
1-07’55” |
- |
1-08’35” |
- |
- |
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Mot. 5 |
1-11’13” |
1-07’42” |
1-19’10” |
- |
- |
- |
- |
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Mot. 6 |
1-20’31” |
- |
- |
- |
- |
- |
1-15’23” |
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T. DE S. |
3 |
3 |
2 |
2 |
2 |
3 |
3 |
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NGRS |
0 |
1 |
0 |
2 |
0 |
0 |
0 |
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NARS |
0 |
1 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
Nota: Mot. - Motivo, T. DE S. - Total de substituições, NGRS - Número de gols realizados pelos suplentes,
NARS - Número de assistências realizadas pelos suplentes, 3ºL. Disputa de 3º lugar. Fonte: Dados de pesquisa
Conforme apresentado na Tabela 2, a seleção belga realizou 18 substituições durante sua campanha na Copa do Mundo FIFA Rússia 2018, sendo a equipe com o menor número de alterações entre as quatro seleções analisadas. A Bélgica não disputou nenhuma partida com prorrogação, não utilizando, portanto, a quarta substituição.
As substituições distribuíram-se de forma equilibrada entre os diferentes motivos classificados, com destaque para a necessidade momentânea do placar (Motivo 1) e a necessidade técnica (Motivo 2). Também foram observadas substituições motivadas por controle do tempo de jogo (Motivo 4), lançamento de novos jogadores (Motivo 5) e mudanças táticas com placar consolidado (Motivo 6).
A seleção belga foi a única entre as finalistas a apresentar efetividade ofensiva relevante dos atletas suplentes, totalizando três gols e uma assistência realizados por jogadores oriundos do banco de reservas ao longo da competição.
Tabela 3. Efetividade das substituições processadas pela equipe Croata na Copa do Mundo de Futebol FIFA 2018 - Rússia
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Jogo 1 |
Jogo 2 |
Jogo 3 |
Oitavas |
Quartas |
Semi |
Final |
|
|
Mot. 1 |
- |
- |
1-24’57” 2-29’54” |
1-25’58’ 2-13’18” |
1-41’11” 2-55’22” |
1-27’08” |
1-24’25” 2-14’04” |
|
Mot. 2 |
1-34’12” |
1- 37’44” |
- |
1-54’42” 2-45’16” |
1-66’31” |
- |
- |
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Mot. 3 |
1-16’12” |
1-12’25” |
1-13’07” |
- |
1-27’29” |
1-33’46” |
- |
|
Mot. 4 |
- |
1-01’48” |
- |
- |
- |
1-9’32” 2-6’19” |
- |
|
Mot. 5 |
1-09’05” |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
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Mot. 6 |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
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T. DE S. |
3 |
3 |
3 |
4 |
4 |
4 |
2 |
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NGRS |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
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NARS |
0 |
1 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
Nota: Mot. - Motivo, T. DE S. - Total de substituições, NGRS - Número de gols realizados pelos suplentes,
NARS - Número de assistências realizadas pelos suplentes. Fonte: Dados de pesquisa
A Tabela 3 demonstra que a seleção croata realizou 23 substituições ao longo da competição, sendo a equipe com o maior número de alterações entre as seleções analisadas. Em três partidas, a Croácia utilizou a quarta substituição, em função da realização de prorrogações.
Verifica-se a predominância das substituições classificadas como necessidade momentânea do placar (Motivo 1), seguidas pelas substituições motivadas por necessidade técnica (Motivo 2) e necessidade física (Motivo 3). As substituições relacionadas ao lançamento de novos jogadores (Motivo 5) ocorreram de forma pontual, não sendo registradas alterações por mudança tática com placar consolidado (Motivo 6).
Apesar do elevado número de substituições realizadas, a efetividade ofensiva dos atletas suplentes foi reduzida, sendo registrada apenas uma assistência e nenhum gol marcado por jogadores substitutos durante toda a competição.
Tabela 4. Efetividade das substituições processadas pela equipe Francesa na Copa do Mundo de Futebol FIFA 2018 - Rússia.
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Jogo 1 |
Jogo 2 |
Jogo 3 |
Oitavas |
Quartas |
Semi |
Final |
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Mot. 1 |
1-26’02” 2-25’59” |
- |
1-15’21” |
- |
- |
- |
- |
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Mot. 2 |
1-18’00” |
- |
1-43’18” |
1-12’03” |
- |
- |
1-22’13” |
|
Mot. 3 |
- |
1-19’57” |
1-25’05” |
1-20’12” |
1-15’39” |
1-12’03” |
1-40’57” |
|
Mot. 4 |
- |
1-05’46” |
- |
1-06’43” |
1-07’45" 2-02’39” |
- |
- |
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Mot. 5 |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
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Mot. 6 |
- |
1-15’03” |
- |
- |
- |
1-10’28” |
1-14’07” |
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T. DE S. |
3 |
3 |
3 |
3 |
3 |
2 |
3 |
|
NGRS |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
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NARS |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
Nota: MOT - Motivo, T. DE S. - Total de substituições, NGRS - Número de gols realizados pelos suplentes,
NARS - Número de assistências realizadas pelos suplentes. Fonte: Dados de pesquisa
De acordo com os dados apresentados na Tabela 4, a seleção francesa realizou 20 substituições ao longo da Copa do Mundo FIFA Rússia 2018. A equipe não disputou partidas com prorrogação, não utilizando a possibilidade da quarta substituição em nenhuma ocasião.
Observa-se que a maioria das substituições foi motivada por necessidade física (Motivo 3), seguida por substituições de caráter técnico (Motivo 2) e por controle do tempo de jogo (Motivo 4). Não foram observadas substituições classificadas como possibilidade de lançar novos jogadores (Motivo 5).
Não foram registrados gols ou assistências provenientes de atletas suplentes da seleção francesa em nenhuma das partidas analisadas, independentemente do motivo ou do momento da substituição.
Discussão
A análise da efetividade das substituições nas seleções finalistas da Copa do Mundo 2018 revela que o impacto de um suplente transcende a métrica simplista de gols marcados (Amez et al., 2021; Hills et al., 2018; Meyer, e Klatt, 2021; Wei et al., 2024). De acordo com Casal et al. (2019), as substituições no futebol moderno configuram-se como instrumentos de “gestão da incerteza”, por meio dos quais o treinador busca restaurar o equilíbrio funcional da equipe ou explorar vulnerabilidades momentâneas do adversário. Evidências adicionais indicam que, embora os suplentes participem de uma proporção relevante dos gols em competições de elite, sua contribuição também se manifesta por meio de ajustes táticos, redistribuição de cargas físicas e manutenção da intensidade coletiva ao longo da partida. (Amez et al., 2021; Hills et al., 2018; Meyer, e Klatt, 2021)
Os resultados da Bélgica (22,2 % de participação direta) corroboram as descobertas de Lago-Peñas (2012), que indicam que equipes que perdem ou empatam tendem a realizar substituições mais precoces e ofensivas. A eficiência belga demonstra que o perfil técnico do suplente, quando alinhado a uma necessidade estratégica clara (Motivos 1 e 2), pode desequilibrar blocos defensivos compactos (Chen et al., 2025; Pan et al., 2023). Esse achado sugere que a Bélgica dispunha de um “banco qualitativo” capaz de modificar a estrutura do jogo em momentos críticos, característica considerada determinante em competições de eliminação direta. Evidências recentes indicam que decisões de substituição orientadas por demandas táticas específicas e favorecidas pelas novas regras ampliam o impacto funcional dos suplentes sobre o desempenho coletivo e das partidas. (Wei et al., 2024; Gabryś et al., 2025; Zhao et al., 2025)
Por outro lado, a França, embora campeã, não obteve participações diretas de seus reservas. Este fenômeno é explicado por Carling et al. (2011), que argumentam que equipes em vantagem no placar utilizam substituições primordialmente para "preservação defensiva" e "gestão de fadiga". As trocas de Didier Deschamps (predominância de M3 e M6) visavam manter a alta intensidade da pressão média-baixa, impedindo a progressão do adversário. Assim, a eficácia do suplente francês não foi medida por gols, mas pela manutenção da estabilidade que garantiu a vitória. (Chen et al., 2025; Gabryś et al., 2025)
A Croácia e a Inglaterra apresentaram um alto volume de trocas motivadas pelo desgaste físico (M3). Segundo Bradley et al. (2014), a queda no desempenho de sprint e na distância percorrida em alta intensidade no segundo tempo justifica a entrada de novos atletas para manter o vigor competitivo. No caso croata, as sucessivas prorrogações impuseram elevada demanda fisiológica e acúmulo de fadiga, favorecendo substituições voltadas à manutenção da intensidade de jogo e do desempenho físico, fenômeno amplamente descrito na literatura como estratégia para mitigar o declínio de performance em contextos de esforço prolongado. (Bradley, e Noakes, 2013; Modrić et al., 2022; Padrón-Cabo et al., 2018)
A baixa efetividade ofensiva desses suplentes (apenas uma assistência em 23 trocas) reforça a tese de Hirotsu, e Wright (2002), segundo a qual, sob condições de fadiga extrema, a capacidade de decisão técnica dos jogadores é afetada pelo contexto de alta pressão e desorganização coletiva, achado que também é corroborado por evidências mais recentes. (Dambroz et al., 2021; Chen et al., 2025)
Finalmente, a classificação das motivações proposta neste estudo revela que o "Controle do Tempo" (M4) e a "Mudança Tática com Placar Consolidado" (M6) são subutilizados na literatura, mas cruciais na prática de elite (Tassi et al., 2024). Como aponta Garganta (2009), o futebol de alto rendimento é jogado com "ideias e tempo"; as substituições de final de jogo são, portanto, manobras psicológicas e temporais que visam consolidar a vantagem, retirando o ritmo do adversário e assegurando a progressão na competição.
Conclusão
O estudo conclui que a efetividade das substituições no futebol de seleções de elite é fortemente dependente do contexto competitivo e da intenção estratégica do treinador. Embora a participação direta em gols e assistências represente um indicador relevante em situações de desvantagem no placar, a manutenção da estabilidade tática e física da equipe mostrou-se determinante para o sucesso competitivo das seleções finalistas.
A análise demonstrou que a predominância das substituições motivadas por fadiga física, especialmente em partidas eliminatórias, evidenciando a importância do gerenciamento do esforço ao longo do torneio. Recomenda-se que estudos futuros incorporem variáveis adicionais, como posicionamento, ações defensivas e métricas de desempenho físico, a fim de ampliar a compreensão sobre o real impacto dos atletas suplentes no jogo.
Limitações do estudo
Algumas limitações devem ser consideradas na interpretação dos resultados deste estudo. Primeiramente, a análise foi restrita às quatro seleções finalistas da Copa do Mundo FIFA 2018, o que limita a extrapolação dos achados para outras seleções, competições e contextos competitivos distintos. Embora as equipes analisadas representem o mais alto nível do futebol internacional, seus padrões de utilização de substituições podem não refletir a realidade de outras categorias ou níveis de desempenho.
Além disso, a efetividade das substituições foi avaliada exclusivamente por meio de indicadores ofensivos diretos, como gols e assistências realizados por atletas oriundos do banco de reservas. Dessa forma, não foram consideradas contribuições indiretas potencialmente relevantes para o desempenho coletivo, tais como ações defensivas, manutenção da organização tática, métricas físicas, comportamentos posicionais e indicadores de controle do jogo.
Outra limitação refere-se ao processo de classificação das motivações das substituições, que foi fundamentado na observação sistemática dos vídeos das partidas e na interpretação do contexto situacional do jogo. Embora tenham sido adotados critérios previamente definidos e fundamentados na análise de conteúdo temática, a identificação das intenções estratégicas dos treinadores foi realizada de forma indireta, a partir de inferências baseadas nos comportamentos observados, não sendo possível acessar diretamente os motivos declarados pelos treinadores no momento da decisão.
Por fim, a natureza observacional do estudo não permite estabelecer relações de causa e efeito entre as substituições realizadas e os resultados obtidos pelas equipes, devendo os achados ser interpretados como evidências descritivas do comportamento estratégico das seleções analisadas.
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