ISSN 1514-3465
Associação entre o desempenho no salto vertical e
resistência intermitente em atletas universitários de futebol
Association between Vertical Jump Performance and Intermittent Endurance in University Soccer Players
Relación entre el rendimiento en el salto vertical y la resistencia intermitente en jugadores de fútbol universitario
Bruno de Cassio Coelho
*bruno.cassio@ufv.br
Gabriel Henrique Silva Pereira
**gabriel.h.pereira@ufv.br
William Martins Januário
+william.januario@ufv.br
Luciano Bernardes Leite
++luciano.leite@ufv.br
*Doutorando em Educação Física
pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)
**Estudante de Bacharelado em Educação Física na UFV
+Estudante de doutorado em Educação Física pela UFV
Mestre em Educação Física pela UFV
Bacharel em Educação Física pela Faculdade de Viçosa (FDV)
Pesquisador e membro do Grupo de Estudos
em Termorregulação e Exercício Físico (GETEF) da UFV
++Mestre e Doutor em Educação Física pela UFV
(Brasil)
Recepción: 28/12/2025 - Aceptación: 09/03/2026
1ª Revisión: 13/02/2026 - 2ª Revisión: 06/03/2026
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0
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Cita sugerida
: Coelho, B. de C., Pereira, G.H.S., Januário, W.M., e Leite, L.B. (2026). Associação entre o desempenho no salto vertical e resistência intermitente em atletas universitários de futebol. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(337), 140-153. https://doi.org/10.46642/efd.v31i337.8711
Resumo
Objetivo: Investigar a associação entre a potência de membros inferiores e a capacidade aeróbia em futebolistas universitários, além de verificar possíveis diferenças entre posições em campo. Métodos: Participaram 19 atletas universitários. A capacidade aeróbia foi avaliada pelo Yo-Yo Endurance Test Nível I e a potência muscular pelo salto com contramovimento (SCM). Os dados apresentaram distribuição normal e a correlação entre as variáveis foi analisada pelo coeficiente de Pearson. Resultados: Não foi observada correlação significativa entre distância percorrida no Yo-Yo Test e desempenho no SCM, sugerindo relativa independência entre capacidade aeróbia e potência explosiva. Além disso, não foram encontradas diferenças significativas entre posições em campo para nenhuma das variáveis analisadas. Conclusão: No contexto universitário, potência de membros inferiores e capacidade aeróbia apresentam distribuição relativamente homogênea entre os jogadores, possivelmente em função de modelos de treinamento generalistas e nível competitivo semelhante. Recomenda-se a adoção de estratégias de treinamento mais individualizadas, além de estudos com amostras maiores e controle do período de treinamento.
Unitermos:
Condicionamento aeróbio. Desempenho esportivo. Desempenho físico no futebol. Potência explosiva.
Abstract
Objective: To investigate the association between lower-limb power and aerobic capacity in university soccer players, and to verify potential differences according to playing positions. Methods: Nineteen university athletes participated in the study. Aerobic capacity was assessed using the Yo-Yo Endurance Test Level I, and muscle power was evaluated through the countermovement jump (CMJ). Data followed a normal distribution, and the correlation between variables was analyzed using Pearson’s coefficient. Results: No significant correlation was observed between the distance covered in the Yo-Yo Test and CMJ performance, suggesting relative independence between aerobic capacity and explosive power. Furthermore, no significant differences were found between playing positions for any of the analyzed variables. Conclusion: In the university context, lower-limb power and aerobic capacity show a relatively homogeneous distribution among players, likely due to generalist training models and similar competitive levels. The adoption of more individualized training strategies is recommended, along with future studies involving larger samples and control over the training period.
Keywords:
Aerobic conditioning. Sports performance. Soccer physical performance. Explosive power.
Resumen
Objetivo: Investigar la asociación entre la potencia de las extremidades inferiores y la capacidad aeróbica en futbolistas universitarios, así como verificar posibles diferencias entre las posiciones en el campo. Métodos: Participaron diecinueve atletas universitarios. La capacidad aeróbica se evaluó mediante la Prueba de Resistencia Yo-Yo Nivel I, y la potencia muscular mediante el salto con contramovimiento (SCM). Los datos mostraron una distribución normal, y la correlación entre las variables se analizó mediante el coeficiente de Pearson. Resultados: No se observó una correlación significativa entre la distancia recorrida en la Prueba Yo-Yo y el rendimiento en el SCM, lo que sugiere una relativa independencia entre la capacidad aeróbica y la potencia explosiva. Además, no se encontraron diferencias significativas entre las posiciones en el campo para ninguna de las variables analizadas. Conclusión: En el contexto universitario, la potencia de las extremidades inferiores y la capacidad aeróbica muestran una distribución relativamente homogénea entre los jugadores, posiblemente debido a modelos de entrenamiento generalistas y niveles competitivos similares. Se recomienda adoptar estrategias de entrenamiento más individualizadas, así como realizar estudios con muestras más grandes y control del periodo de entrenamiento.
Palabras clave
: Acondicionamiento aeróbico. Rendimiento deportivo. Rendimiento físico en fútbol. Potencia explosiva.
Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 337, Jun. (2026)
Introdução
O futebol é uma modalidade intermitente caracterizada por ações de alta intensidade, como sprints, saltos, mudanças de direção e desacelerações, intercaladas com períodos de menor intensidade. O desempenho depende de um conjunto de valências físicas, que exigem tanto capacidades neuromusculares quanto cardiorrespiratórias ao longo da partida. (Firmansyah et al., 2024; Hammami et al., 2018; Vasileiou et al., 2024)
As capacidades neuromusculares especialmente força explosiva e potência, são fundamentais para ações como saltos, arranques e disputas físicas. Já a aptidão cardiorrespiratória sustenta a manutenção do rendimento e a recuperação entre esforços repetidos (Claudino et al., 2017; Hasegawa et al., 2025; Castagna, Krustrup, e Póvoas, 2020; Kusuma et al., 2025; Wong et al., 2011). A interação entre esses componentes confere vantagens competitivas em contextos de alta demanda física e tática.
Considerando que maiores níveis de potência contribuem para ações decisivas, como arranques rápidos, disputas físicas e saltos, enquanto uma elevada aptidão aeróbia favorece a recuperação entre esforços intermitentes ao longo da partida, investigar a possível associação entre esses componentes pode fornecer informações relevantes sobre o perfil físico necessário para otimizar o desempenho no futebol (Villaseca-Vicuña et al., 2021; Gupta et al., 2025). Tal compreensão pode auxiliar treinadores e preparadores físicos na elaboração de programas de treinamento mais integrados, alinhando estímulos neuromusculares e cardiorrespiratórios para potencializar a performance competitiva. (Kaewkamda et al., 2025; Ma et al., 2023)
Dessa forma, compreender se existe correlação entre essas capacidades físicas surge como um recurso estratégico para orientar a prescrição de treinamento, possibilitando maior eficiência na integração entre estímulos aeróbios e neuromusculares. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo investigar a associação entre a potência de membros inferiores e a capacidade aeróbia em futebolistas universitários, além de verificar possíveis diferenças entre as posições ocupadas em campo. Tais achados podem auxiliar treinadores e preparadores físicos na elaboração de intervenções mais individualizadas, bem como contribuir para o avanço do conhecimento sobre o desenvolvimento físico de atletas jovens em formação
Metodologia
Amostra
Participaram 19 atletas universitários de futebol vinculados a uma Universidade Federal da Zona da Mata (MG), todos federados à Federação Universitária Mineira de Esportes (FUME). A amostra apresentou idade média de 23,94 ± 1,76 anos, massa corporal de 69,31 ± 8,51 kg, estatura de 1,78 ± 0,05 m e IMC médio de 21,82 ± 2,59 kg/m².
Os dados utilizados neste estudo foram obtidos a partir das avaliações físicas de rotina realizadas pela comissão técnica para o monitoramento e prescrição do treinamento dos atletas. Por se tratar de uma análise retrospectiva de dados administrativos e de desempenho coletados previamente no contexto esportivo, não houve intervenção experimental direta para fins de pesquisa. Todos os procedimentos seguiram os preceitos éticos da Declaração de Helsinki para pesquisas com seres humanos e os atletas assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), autorizando o uso anônimo de seus resultados para fins acadêmicos e científicos.
Protocolos de teste
Yo-Yo Endurance Test
A potência aeróbica dos atletas foi avaliada por meio do Yo-Yo Endurance Test - Nível I, conforme o protocolo proposto por Bangsbo (2008). O teste consiste em corridas intermitentes de 20 metros, realizadas em ritmo progressivamente acelerado, controladas por sinais sonoros pré-gravados.
Para sua execução, foram demarcadas duas linhas paralelas distantes 20 metros entre si e uma área de recuperação de 5 metros, utilizada durante os períodos de retorno e breve descanso entre os esforços. Quando múltiplos atletas foram avaliados simultaneamente, percursos paralelos foram dispostos a 2 metros de distância lateral entre si, assegurando condições padronizadas de execução.
Os participantes iniciaram o teste ao primeiro sinal sonoro, deslocando-se até a marca de 20 metros e retornando no tempo exato do sinal seguinte. A velocidade aumenta progressivamente conforme a sequência de bipes. O teste é interrompido quando o atleta não consegue completar o percurso no tempo indicado em duas tentativas consecutivas. O número total de percursos completados e a velocidade final atingida são registrados para estimar o VO₂ máx, de acordo com a tabela de referência do protocolo original. (Bangsbo, 2008)
A distância percorrida no teste Yo-Yo foi utilizada como variável principal de desempenho aeróbio, uma vez que representa a medida direta obtida no protocolo. Embora o VO₂ máx possa ser estimado a partir da distância, essa transformação constitui apenas um valor indireto derivado da mesma medida primária, tornando sua utilização redundante nas análises comparativas e de correlação. Assim, optou-se por utilizar somente a distância percorrida, evitando desdobramentos estatísticos baseados em uma estimativa, mantendo a análise mais objetiva e alinhada à literatura sobre testes intermitentes de campo.
Salto com Contramovimento (SCM)
O salto com contramovimento (SCM) foi utilizado para avaliar a potência muscular dos membros inferiores, conforme o protocolo descrito por Bosco e Komi (1979). O teste foi realizado em uma plataforma de contato piezoelétrica (Multi-Sprint, Hidrofit, Belo Horizonte-MG, Brasil), conectada a um software específico (Multisprint Full 3.5.7) para o registro da altura do salto (cm).
Os atletas iniciaram em posição ereta, com os pés afastados na largura dos ombros e as mãos fixas sobre a região do quadril, realizando um movimento rápido de flexão dos joelhos até aproximadamente 90°, seguido de salto vertical máximo. Cada participante executou três tentativas, com intervalos de 15 segundos entre elas, sendo considerado para análise o melhor desempenho obtido.
Análise estatística
Os dados foram analisados no software GraphPad Prism (versão 8.4.3, GraphPad Software, San Diego, CA, EUA). Inicialmente, foi verificada a distribuição dos dados por meio do teste de normalidade de D’Agostino, e Pearson, sendo todos os conjuntos de dados considerados normais (p > 0,05). Dessa forma, os resultados foram expressos em média ± desvio-padrão (DP).
Para verificar a relação entre o consumo máximo de oxigênio (VO₂ máx) ou a distância percorrida no teste Yo-Yo Endurance e a potência de membros inferiores, estimada pela altura do salto contramovimento (SCM), foi aplicado o teste de correlação de Pearson.
Resultados
Os resultados da correlação entre o desempenho aeróbio e a potência de membros inferiores estão apresentados na Figura 1. Embora tenha sido observada uma tendência positiva, não houve associação estatisticamente significativa entre a distância percorrida no Yo-Yo Test e a altura do salto com contramovimento (SCM) na amostra analisada (p > 0,05). Esses achados indicam que, dentro do grupo de atletas universitários avaliado, maiores níveis de capacidade aeróbia não se associaram de forma consistente a um melhor desempenho explosivo.
Figura 1. Correlação entre distância percorrida no teste Yo-Yo (m) e
altura obtida no salto vertical (cm) em atletas universitários (n = 19)
Fonte: Dados de pesquisa
No que se refere à comparação por posição tática, a Figura 2 apresenta os valores médios da altura do salto vertical (SCM). Não foram observadas diferenças significativas entre as posições (zagueiros, laterais, meias defensivos, meias ofensivos e atacantes), com um valor de p > 0,05. Este resultado sugere que a potência de membros inferiores está distribuída de forma homogênea entre os jogadores, independentemente da função ocupada em campo.
Figura 2. Altura do salto vertical (SCM) de jogadores
universitários de futebol segundo a posição em campo
Fonte: Dados de pesquisa
De maneira semelhante, o desempenho aeróbio mensurado pelo Yo-Yo Test Nível 1 não apresentou variações estatisticamente relevantes entre as diferentes funções táticas (p > 0,05), conforme ilustrado na figura 3. Os dados indicam que os atletas apresentam níveis semelhantes de condicionamento cardiorrespiratório, independentemente da demanda específica de suas posições.
Figura 3. Desempenho aeróbio de jogadores universitários de
futebol no Yo-Yo Test nível 1 segundo a posição em campo
Fonte: Dados de pesquisa
Discussão
A ausência de correlação estatisticamente significativa entre a potência de membros inferiores e a capacidade aeróbia observada neste estudo (p > 0,05) corrobora a teoria da especificidade metabólica no futebol. Embora ambas as valências sejam fundamentais para o desempenho, os mecanismos fisiológicos subjacentes são distintos: enquanto o salto vertical (SCM) depende do recrutamento de unidades motoras de contração rápida e da via anaeróbia alática, o desempenho no Yo-Yo Endurance Test é limitado pela eficiência cardiorrespiratória e pela taxa de ressíntese de fosfocreatina. (Tan et al., 2025)
Esse comportamento é coerente com a fisiologia do desempenho no futebol, uma vez que a potência de membros inferiores depende predominantemente de mecanismos neuromusculares, como a taxa de desenvolvimento de força, a eficiência do ciclo alongamento e encurtamento e o recrutamento de unidades motoras de alta frequência (Claudino et al., 2017; Petridis et al., 2019; Firmansyah et al., 2024). Em contraste, a capacidade aeróbia está associada principalmente a processos cardiorrespiratórios, incluindo ventilação pulmonar, transporte e utilização de oxigênio e cinética do lactato. (Castagna, Krustrup, e Póvoas, 2020; Vasileiou et al., 2024)
Assim, é esperado que essas capacidades apresentem comportamentos relativamente independentes, conforme já observado em populações jovens e adultas de futebolistas, nas quais o desempenho explosivo não depende diretamente das métricas de resistência aeróbia (Firmansyah et al., 2024; Gupta et al., 2025). Esses achados reforçam que melhorias em uma valência não necessariamente implicam adaptações automáticas na outra.
Além disso, fatores amostrais podem ter influenciado a ausência de correlação significativa. O tamanho reduzido da amostra (n = 19), o nível competitivo semelhante entre os atletas e a possível homogeneidade do treinamento universitário tendem a reduzir a variabilidade interindividual, limitando a detecção de associações mais robustas. (Śliwowski et al., 2017; Slimani, e Nikolaidis, 2018)
No que se refere às análises por posição, os resultados demonstraram ausência de diferenças significativas tanto para a potência de membros inferiores quanto para o desempenho aeróbio. Embora a literatura clássica sugira que determinadas posições, como atacantes e laterais, apresentem maior explosão muscular devido à maior frequência de sprints, acelerações e saltos (Tumilty, 1993; Reilly, 1997; Di Salvo et al., 2010), estudos com populações jovens e universitárias indicam que essas diferenças tendem a ser atenuadas quando o treinamento não é altamente individualizado por posição. (Silva et al., 2015; Pinto et al., 2019)
Esse cenário parece refletir o contexto do futebol universitário, no qual os programas de treinamento físico costumam adotar uma abordagem generalista, oferecendo estímulos semelhantes para todos os atletas, independentemente da função tática (Śliwowski et al., 2017; Sučka et al., 2025). Dessa forma, mesmo que as demandas competitivas sejam distintas, o modelo de preparação pode resultar em perfis físicos homogêneos.
Resultados semelhantes foram observados para o desempenho aeróbio. Embora em contextos profissionais diferenças aeróbias entre posições sejam frequentemente reportadas especialmente com maiores demandas para meias (Di Salvo et al., 2010; Silva et al., 2015), em populações universitárias essas distinções tendem a não se manifestar estatisticamente. A literatura reforça que a homogeneidade do treinamento, aliada ao nível competitivo semelhante, contribui para padrões aeróbios próximos entre posições. (Castagna, Krustrup, e Póvoas, 2020; Braz et al., 2007; Silva et al., 2015)
Adicionalmente, fatores como experiência de treino, características maturacionais, composição corporal e histórico esportivo podem influenciar tanto o desempenho aeróbio quanto neuromuscular, reduzindo diferenças posicionais esperadas, especialmente em atletas não profissionais. (Weineck, 2000; Silva et al., 2015)
Conclusão
O presente estudo analisou a relação entre potência de membros inferiores e capacidade aeróbia em futebolistas universitários, bem como possíveis diferenças entre posições. Os resultados demonstraram que não houve correlação significativa entre a distância percorrida no Yo-Yo Test e o desempenho no salto vertical (SCM), indicando relativa independência entre capacidades aeróbias e explosivas; não foram observadas diferenças significativas entre posições no desempenho de salto; igualmente, não houve diferenças no desempenho aeróbio entre funções táticas.
De modo geral, os achados sugerem que, no contexto universitário, tanto a potência de membros inferiores quanto o condicionamento aeróbio apresentam distribuição relativamente homogênea entre jogadores, possivelmente devido ao padrão de treinamento generalista e ao nível competitivo semelhante entre os atletas.
Esses resultados reforçam a importância de estratégias de treinamento mais individualizadas e alinhadas às demandas específicas de cada posição, além de destacarem a relevância de estudos com amostras maiores, controle do período de treinamento e avaliação longitudinal para ampliar a compreensão dessas relações.
Limitações
Este estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas. O tamanho amostral reduzido (n = 19) e a seleção por conveniência restringem o poder estatístico das análises e a generalização dos achados para outras populações. Além disso, o VO₂ máx foi estimado indiretamente a partir do teste Yo-Yo, o que pode introduzir imprecisões quando comparado à mensuração direta. As coletas ocorreram em um único momento, sem controle do ciclo de treinamento, o que pode ter influenciado o desempenho em função da fadiga, estado de prontidão ou momento da temporada. A possível falta de familiarização com o teste de salto também pode ter afetado a eficiência do ciclo alongamento-encurtamento, interferindo na medida de potência muscular. Por fim, não houve estratificação da amostra quanto ao nível competitivo, maturação biológica ou histórico esportivo, fatores que podem impactar as variáveis analisadas e contribuir para a variabilidade dos resultados.
Referências
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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 337, Jun. (2026)