ISSN 1514-3465
Avaliação da agilidade de jogadoras amadoras do futsal do Brasil
Assessment of the Agility of Amateur Female Futsal Players in Brazil
Evaluación de la agilidad de jugadoras aficionadas de futsal en Brasil
Anderson Rosa Andrade
*professordesson@gmail.com
Silvio César Da Silva Júnior
**silvio.junior13@yahoo.com.br
Rodolfo Henrique Bernardes Gomes
**rodolfogomes09@outlook.com
Juarez Luiz Abrão
+juarez.abrao@gmail.com
Samara Caroline Ferreira Melo
++samaraferreirameloo@gmail.com
*Mestrado em Educação
pela Universidade do Vale do Sapucaí (UNIVÁS)
especialização em Fisiologia do exercício
e treinamento de força (UNIFOA)
Bacharel e Licenciatura em Educação Física (UNIVÁS)
Professor da UNIVÁS - Pouso Alegre/MG
Professor efetivo na Prefeitura Municipal de Pouso Alegre
**Graduado em Educação Física pela UNIVÁS
+Professor da UNIVÁS
Doutorando no Programa de Pós-Graduação
em Educação, Conhecimento e Sociedade na (UNIVAS)
Mestrado em Educação (UFLA)
Especializações: Esporte e Atividades Físicas Inclusivas
para Pessoas com Deficiência (UFJF)
Docência com ênfase Educação Inclusiva (IFMG)
Treinamento Desportivo e Fisiologia (ESEFIC)
Graduação em Educação Física (UNINCOR)
Técnico em Atletismo Paralímpico Nível III (CBP)
Professor da UNIVÁS
++Graduanda em Educação Física pela UNIVÁS
(Brasil)
Recepción: 13/12/2025 - Aceptación: 02/04/2026
1ª Revisión: 11/02/2026 - 2ª Revisión: 28/03/2026
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0
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Este trabalho está sob uma licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt |
Cita sugerida
: Andrade, A.R., Da Silva Júnior, S.C., Gomes, R.H.B., Abrão, J.L., e Melo, S.C.F. (2026). Avaliação da agilidade de jogadoras amadoras do futsal do Brasil. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(336), 124-137. https://doi.org/10.46642/efd.v31i336.8694
Resumo
O futsal é uma modalidade em que atletas se deslocam em curtos espaços, necessitando de tomada de decisão rápida e precisa, mudando de direção constantemente e buscando a melhor maneira de alcançar o campo adversário. A agilidade é vista como uma das principais necessidades da atleta de futsal. Este estudo teve como objetivo avaliar os níveis de agilidade de praticantes de futsal feminino de uma equipe amadora o Brasil. Participaram da pesquisa, 23 atletas do gênero feminino com idades entre 15 a 21 anos da equipe de futsal da Superintendência de esportes da prefeitura de Pouso Alegre - MG. Para a coleta de dados foi utilizado o teste Shuttle Run. A análise estatística realizada foi descritiva. Nos resultados, encontrou-se para a média de idade dos participantes de 17,27 e desvio-padrão 2,38 anos, a média do tempo no teste de agilidade de 11,13 e desvio-padrão de 1,34 segundos. O resultado está classificado com o percentil de 45. Pode-se concluir que as participantes desta pesquisa da modalidade de futsal feminino apresentaram a média do tempo no teste de agilidade abaixo dos valores ideais.
Unitermos:
Esportes em equipe. Futsal. Agilidade.
Abstract
Futsal is a sport in which athletes move within short spaces, requiring quick and accurate decision-making, constant changes of direction, and the ability to find the most effective way to reach the opponent’s goal. Agility is regarded as one of the main performance requirements for futsal players. This study aimed to evaluate the agility levels of female futsal players from an amateur team in Brazil. Participated in this research, 23 female athletes aged 15 to 21 years from the futsal team of the sports superintendency of the municipality of Pouso Alegre - MG. For data collection, the test was used Shuttle Run. The statistical analysis was descriptive. The results showed a mean age of 17.27 years with a standard deviation of 2.38 years, and a mean time on the agility test of 11.13 seconds with a standard deviation of 1.34 seconds. The result is classified within the 45th percentile. It can be concluded that the participants in this women's futsal study presented average agility test times below the ideal values.
Keywords:
Team sports. Futsal. Agility.
Resumen
El futsal es un deporte en el que las jugadoras se mueven en espacios reducidos, lo que requiere una toma de decisiones rápida y precisa, cambios constantes de dirección y la búsqueda de la mejor manera de llegar al campo contrario. La agilidad se considera una de las principales necesidades de una jugadora de futsal. Este estudio tuvo como objetivo evaluar los niveles de agilidad de jugadoras de futsal de un equipo amateur en Brasil. Veintitrés jugadoras de entre 15 y 21 años del equipo de futsal de la Superintendencia de Deportes del municipio de Pouso Alegre, MG participaron en la investigación. Se utilizó la prueba de carrera de ida y vuelta (Shuttle Run) para la recolección de datos. El análisis estadístico realizado fue descriptivo. Los resultados mostraron una edad media de 17,27 años con una desviación estándar de 2,38 años, y un tiempo medio en la prueba de agilidad de 11,13 segundos con una desviación estándar de 1,34 segundos. El resultado se clasifica en el percentil 45. Se puede concluir que las participantes en esta investigación en la modalidad de futsal femenino presentaron un tiempo promedio en la prueba de agilidad por debajo de los valores ideales.
Palabras clave:
Deportes de equipo. Futsal. Agilidad.
Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 336, May. (2026)
Introdução
Ser mulher e jogar futebol significa praticar um esporte concebido como fenômeno social e estar à margem daquilo considerado para o sexo feminino (Louro, 2014). As mulheres buscam a prática de Futsal por sua paixão pelo esporte e, apesar de enfrentar o preconceito e desigualdades que a sociedade procura cultivar, pois, como ocorre com qualquer ser humano, encontram no esporte uma importante fonte de motivação e realização pessoal. Além disso, o esporte desempenha um papel muito significativo na formação do indivíduo e traz inúmeros benefícios. (Grando, e Bueno, 2019)
O preconceito e a diferença física fizeram parte desta jornada feminina (Bastos, e Navarro, 2009). A mulher sempre foi considerada a imagem de fragilidade, dependência e sensibilidade, enquanto os homens sempre Associados à força, virilidade e garra. Mesmo assim, as mulheres brasileiras foram aos poucos conquistando seu espaço, como trabalhadoras, participantes de movimentos sociais e da vida fora de casa em geral.
O futsal é reconhecido como esporte coletivo de oposição e tem como características, a movimentação de alta velocidade em espaços reduzidos (Silva et al., 2022). O futsal foi criado em Montevidéu (Uruguai) no ano de 1934, pelo professor de Educação Física da Associação Cristã de Moços de Montevidéu, Juan Carlos Ceriani Gravier, que inicialmente conceituou como o esporte Indoor-Foot-Ball. (Voser, 2011)
Todavia, Santana, e Freitas (2015) citam que a inserção das mulheres no futsal que começou na década de 1940 e ocorreu de maneira lenta e gradual, cerca de 40 anos após os homens terem iniciado a prática. Os autores ainda apresentam vários fatores que contribuíram para a participação tardia das mulheres nesse esporte: a sociedade marginalizava a figura feminina, associando-a ao papel de mãe e aos cuidados do lar; o contexto socioeconômico limitava a prática das mulheres de classe alta; o futsal era visto como um esporte que comprometia a feminilidade, além da escassez de competições e da dificuldade de acesso a essa modalidade, que não era reconhecida como olímpica e foi até mesmo proibida na década de 1940.
No contexto brasileiro, a participação feminina em diferentes modalidades esportivas intensificou-se apenas a partir do século XIX, época que as mulheres tinham o papel de mãe e esposa, sendo a mulher considerada propriedade do homem. Com isso, as mulheres percorreram um caminho muito longo para a prática esportiva, enfrentando diversas barreiras até o reconhecimento (Pierro, 2007). Não obstante, historicamente, às mulheres foi vedada a oportunidade de participação na maioria dos esportes. A situação mudou drasticamente nas últimas décadas. (Goellner, 2006; Costa, 2004)
A prática do futebol de salão feminino somente foi autorizada pela Federação Internacional de Futebol de Salão - FIFUSA em 23 de abril de 1983 (Castellani Filho, 2010). Consequentemente, a partir dessa autorização e incentivo, iniciou-se um período de organização de campeonatos em vários estados. É importante destacar que, anteriormente a essa data, as competições eram organizadas sem o caráter oficial. (Sanches, e Borim, 2010)
A necessidade em expandir o futsal feminino ocorreu, também, pelo fato de que a admissão do futsal nos Jogos Olímpicos exige que a modalidade seja praticada pelos gêneros masculino e feminino. Assim sendo, a Confederação Brasileira de Futebol de Salão - CBFS realizou o primeiro campeonato oficializado de futsal, a I Taça Brasil de Clubes, realizada em Mairinque - SP em janeiro de 1992. (Sanches, e Borim, 2010)
Nos últimos 15 anos, o futsal tem apresentado um crescimento de popularidade expressivo, evidenciado pelo aumento da participação de atletas de ambos os sexos, bem como pelo maior reconhecimento e incentivo por parte da FIFA e da UEFA, que passaram a promover e organizar novas competições europeias femininas destinadas a categorias juvenis e adultas (Lago-Fuentes et al., 2020). Hoje em dia, o futsal feminino está ganhando cada vez mais reconhecimento tanto no mundo esportivo quanto na pesquisa acadêmica, impulsionado por eventos como a primeira Copa do Mundo de Futsal Feminino da FIFA. (Barreira et al., 2025)
Em razão do aumento da organização de competições e da prática de futsal, o esporte evolui e, consequentemente, aprimora-se a dinâmica de jogo. Com isso, igualmente as demandas físicas e táticas, exigindo que as capacidades sejam aperfeiçoadas (Alvares, e Cabido, 2022). Assim, para um bom desempenho no futsal, são necessários diferentes variáveis, como por exemplo, técnica das habilidades específicas ou fundamentos, tática de jogo, fatores psicológicos e capacidades físicas, dentre outros fatores. Da mesma forma, a análise das capacidades físicas possibilita identificar quais parâmetros necessitam ser melhorados com o treinamento físico para um melhor desempenho e condicionamento físico. (Reis et al., 2022)
Considerando as características dinâmicas do futsal, marcadas por deslocamentos curtos, mudanças constantes de direção e elevada exigência perceptivo-motora, a agilidade configura-se como uma das capacidades físicas mais determinantes para o desempenho na modalidade. A agilidade é uma valência física que permite mudar a posição do corpo ou a direção do movimento no mínimo tempo possível (Dantas, e Araújo, 2022). Dessa forma, sua avaliação sistemática torna-se um instrumento estratégico tanto para o controle do treinamento quanto para a melhoria do rendimento esportivo.
O Futsal é uma modalidade em que atletas se deslocam em curtos espaços, necessitando de tomadas de decisão rápida e precisa, mudando de direção constantemente e buscando a melhor maneira de chegar ao campo adversário, para alcance da meta: o gol. Assim, a agilidade é vista como uma das principais necessidades da atleta de futsal. Investigações recentes reforçam que o futsal feminino apresenta elevada exigência neuromuscular, envolvendo ações rápidas de deslocamento, drible e mudanças constantes de direção, o que torna a agilidade uma capacidade física central tanto para o desempenho quanto para a prevenção de lesões. (Araújo et al., 2025)
Diversos estudos investigaram a capacidade física agilidade em atletas de futsal feminino, evidenciando sua relevância para o desempenho esportivo na modalidade (Alvares, e Cabido, 2022; Başkaya et al., 2018; Ramos-Campo et al., 2016; Menezes, 2014). Evidências sobre características neuromusculares sugerem que agilidade e capacidade de sprint são particularmente relevantes para o desempenho e respondem bem ao treinamento (Barreira et al., 2025). Nesse contexto, a agilidade pode ser avaliada por meio de diferentes protocolos padronizados, destacando-se o teste Shuttle Run, amplamente utilizado na literatura por sua validade e aplicabilidade. (American Alliance for Health, Physical Education, and Recreation, 1976)
Apesar do crescimento do futsal feminino nos últimos anos, ainda se observa escassez de estudos específicos voltados à avaliação das capacidades físicas em atletas dessa modalidade, especialmente em contextos regionais e categorias específicas. Assim, torna-se necessária a ampliação de investigações científicas que contribuam para o desenvolvimento de protocolos de avaliação mais adequados às características do futsal feminino (Alvares, e Cabido, 2022), a fim de proporcionar treinamentos que respeitem suas individualidades e também, a escolha adequada dos protocolos para mensurar as capacidades físicas desta modalidade. (Silva et al., 2022)
Diante desse cenário, o presente estudo justifica-se pela necessidade de produção de conhecimento aplicado ao desempenho físico no futsal feminino, contribuindo para o aprimoramento dos processos de avaliação, planejamento e prescrição do treinamento esportivo, além de fortalecer a literatura científica em uma área ainda em expansão no contexto nacional. Tal contribuição mostra-se especialmente relevante na atualidade, considerando o crescimento da modalidade, o aumento da participação feminina no esporte competitivo e a demanda por intervenções baseadas em evidências científicas no treinamento esportivo contemporâneo.
Sendo assim, esse trabalho foi elaborado a fim de responder a seguinte questão norteadora: Quais os níveis de agilidade de praticantes de futsal do sexo feminino? Estabelecendo-se, portanto, o objetivo de avaliar os níveis de agilidade de jogadoras de uma equipe amadora do Brasil.
Métodos
O presente estudo caracteriza-se como quantitativo, de delineamento transversal, descritivo e comparativo. Este estudo observou todos os dispositivos do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UNIVÁS, conforme Resolução 466/2012 e foi aprovado sob o número CAAE: 78586424.7.0000.5102.
Participaram desta pesquisa, 23 participantes do sexo feminino com idades entre 15 e 21 anos da equipe de futsal da Superintendência de esportes da prefeitura de Pouso Alegre - MG. As atletas fazem parte da equipe que disputa os campeonatos amadores municipais e regionais. A seleção da amostra foi por conveniência e realizada na quadra da Superintendência de esportes da prefeitura de Pouso Alegre - MG, em dia e hora marcados de acordo com a disponibilidade das participantes.
Como critérios de inclusão, estabeleceu-se que, as jogadoras já treinassem há pelo menos seis meses com uma frequência de três treinos por semana com duração de 60 minutos, que as jogadoras não apresentassem lesões musculares e ósseas nos momentos das avaliações; estivessem dentro da faixa etária descrita mencionada; tivessem disponibilidade de horário, bem como aceitassem a coleta através da assinatura do termo de consentimento livre esclarecido. Nos critérios de exclusão consta que não concordassem em participar da avaliação na coleta de dados.
Para a coleta de dados, foi utilizado o teste Shuttle Run (Hunsicker, e Reiff, 1976). O teste Shuttle Run tem como objetivo avaliar a agilidade neuromotora e velocidade.
Uma semana antes das avaliações, as participantes foram familiarizadas com o teste. Antes dos testes, as jogadoras fizeram o aquecimento composto por alongamentos estáticos e dinâmicos durante 10 minutos, seguido de corrida leve (5 minutos) e três exercícios de corrida progressiva (aproximadamente 30 metros). Após o aquecimento, as jogadoras realizaram o teste em uma única tentativa.
Os testes foram realizados na quadra na quadra da Superintendência de esportes da prefeitura de Pouso Alegre - MG no dia de treinamento da equipe, antes do início do treinamento. As voluntárias foram orientadas a não ingerir bebida alcoólica, café, medicação e tampouco realizar exercício físico durante 24 horas antecedentes aos procedimentos experimentais.
Segundo o Caderno de Referência de Esportes da Fundação Vale (2013), no Shuttle Run o aluno/atleta coloca-se o mais próximo possível da linha de partida. Após o sinal de saída, inicia-se o teste; com o acionamento simultâneo do cronômetro ou da célula fotoelétrica o aluno/atleta se desloca correndo à máxima velocidade até dois blocos dispostos equidistantes a 9,14 metros da linha de saída. Ao chegar, o avaliado deve pegar um dos blocos e retornar ao ponto de partida, depositando esse bloco atrás da linha demarcatória; o bloco não deve ser jogado, mas sim colocado no solo. Em seguida, sem interromper a corrida, ele parte novamente, em busca do segundo bloco, procedendo da mesma forma. Ao pegar ou deixar o bloco, o avaliado terá de transpor pelo menos com um dos pés as linhas que limitam o espaço de teste (Figura 1). O cronômetro é parado quando o avaliado coloca o último bloco no solo e transpõe com pelo menos um dos pés a linha final.
Figura 1. Teste de Shuttle Run
Fonte: Augusto, Pinheiro, e Moreira (2022)
Para análises estatísticas dos dados quantitativos, foi utilizado o programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences- SPSS 18. A análise estatística foi descritiva. O tratamento descritivo dos dados apontou as médias e o desvio padrão das variáveis.
Resultados
Os resultados são apresentados na Tabela 1.
Tabela 1. Média do tempo da agilidade no Shuttle Run das participantes do futsal feminino
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Participantes n=23 |
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Idade (anos) |
Agilidade (segundos) |
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Média |
17,27 ± 2,38 |
11,13 ± 1,34 |
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Mínimo |
15 |
10,22 |
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Máximo |
21 |
13,93 |
Fonte: Elaboração própria
Observa-se na Tabela 1, que de acordo com os valores normativos do teste de Shuttle Run (American Alliance for Health, Physical Education, and Recreation, 1976), a média do tempo no teste de agilidade (11,13 ± 1,34), com a média de idade de 17,27 ± 2,58 anos, está classificado o percentil de 45, ou seja, a média das participantes está com os valores abaixo do ideal. Assim, pode-se dizer que os resultados sugerem que o treinamento realizado pelas participantes pode não estar contemplando estímulos específicos suficientes para o desenvolvimento da agilidade.
Discussão
Apesar de os valores da presente pesquisa estarem abaixo do ideal, Silva et al. (2022), destaca que o futsal é capaz de influenciar no desempenho da agilidade, de maneira positiva, quando os programas são planejados e desenvolvidos corretamente, dentro da sua especificidade e utilizando treinamentos combinados. No mesmo sentido, Marques (2025), cita que a prática do futsal é de extrema importância para seus praticantes, pois, é uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento das habilidades motoras, como: coordenação, equilíbrio, noção espacial, agilidade, valências que contribuem de forma positiva para melhorar a aptidão física das pessoas.
Na pesquisa da literatura existente sobre estudos relacionados à agilidade e futsal feminino para a comparação dos resultados encontraram-se apenas dois estudos que verificaram a agilidade com o teste Shuttle Run (Alvares, e Cabido, 2022; Menezes, 2014). Os achados de Alvares, e Cabido (2022) apresentam concordância com os resultados observados na presente investigação. Os autores reportaram média de 10,6 ± 0,16 segundos, valor inferior ao encontrado neste estudo e classificado como desempenho bom, correspondente ao percentil 65, conforme a classificação proposta por Johnson e Nelson (1986, apud Alvares, e Cabido, 2022). A amostra do referido estudo foi composta por 17 atletas pertencentes a uma equipe profissional de futsal vinculada à Federação Maranhense de Futsal, com média de idade de 21,82 ± 4,10 anos, massa corporal de 56,20 ± 8,20 kg e estatura média de 1,59 ± 0,07 metros.
Ao comparar os resultados do presente estudo com os achados de Menezes (2014) no pós-teste após uma intervenção de treinamento pliométrico de quatro semanas, observa-se uma divergência quanto ao desempenho de agilidade das participantes. Enquanto o grupo controle apresentou a média de 12,64 ± 0,86 que está acima dos valores da presente pesquisa, o grupo experimental apresentou a média de 10,67 ± 0,42 que está abaixo da média do presente estudo. A amostra foi composta por 20 atletas de futsal universitário de Brasília, do sexo feminino participantes de jogos regionais, com idade entre 18 e 21 anos do Centro Universitário de Brasília - UniCEUB, sendo 10 do grupo controle e 10 do grupo intervenção. Os autores concluíram que a aplicação de um programa de treinamento pliométrico ao longo de quatro semanas foi eficaz para a melhora da agilidade em atletas universitárias de futsal feminino, pois se observou que o grupo intervenção apresentou redução significativa no tempo do teste de shuttle run.
Outros estudos pesquisaram a agilidade com outros protocolos: Başkaya et al. (2018) compararam algumas características fisiológicas e motoras de jogadoras de futebol e futsal de 60 atletas 20,6 ± 1,6 anos, sendo 30 atletas do futebol e 30 do futsal com idade média de 20,33 ± 1,92 anos, tempo médio de treinamento de 8,37 ± 1,75 anos. A agilidade foi avaliada pelo IAT (Illinois Agility Test). Os resultados demonstraram que as atletas de futsal alcançaram o tempo de 17,23 ± 0,82 segundos e jogadoras de futebol alcançaram 17,65 + 0,52 segundos. Jogadoras de futsal apresentam estatisticamente melhores desempenhos na agilidade, quando comparadas a jogadoras de futebol.
Ramos-Campo et al. (2016) determinaram os parâmetros que distinguem as jogadoras de futsal de elite das jogadoras de níveis inferiores. As jogadoras de elite são mais ágeis e velozes que jogadoras de subelite. O estudo contou com a participação de 27 jogadoras de futsal, sendo 15 atletas profissionais da primeira divisão (elite) e 14 semiprofissionais da segunda divisão (subelite). Para a avaliação da agilidade, foi utilizado um teste de sprint de 30 metros, no qual dez cones foram dispostos em linha reta, com distância de três metros entre cada cone consecutivo. As participantes realizaram o percurso desviando alternadamente dos cones à direita e à esquerda, completando três tentativas, com intervalo de recuperação de cinco minutos entre os sprints.
A agilidade é essencial e muito importante para o desempenho individual e consequentemente, para o desempenho da equipe. A agilidade durante as ações de uma partida de futsal permite que o atleta esteja preparado para reagir aos mais diferentes estímulos de maneira rápida e eficiente (Souza, e Euzébio, 2015). A velocidade, agilidade e potência muscular são profundamente citadas na literatura como componentes importantes da performance de um futebolista. Para Rebelo e Oliveira (2006), estes três fatores são importantes porque, em um determinado momento do jogo, ser mais rápido permitirá chegar primeiro, ser mais ágil evitará um eminente impacto com o adversário e ser mais potente o fará sucesso em ambas as ações. Dessa forma, segundo autores já citados, treinamentos bem aplicados, e princípios adequados melhoram consideravelmente o desempenho dos atletas. O bom desempenho na agilidade também pode ajudar na realização dos fundamentos do futsal, como o drible, a finta, a condução, o passe, o chute, o domínio da bola, a marcação e o cabeceio. (Voser, 2011)
A modalidade esportiva do futsal possui a característica de ter períodos de alta intensidade e curta duração, alternando com períodos de intensidade baixa e longa duração. Esses ciclos são imprevisíveis e incertos, resultando da espontaneidade do jogador provocada pelas circunstâncias do jogo (Barbanti, 2001). A rapidez dos eventos e ações durante um jogo requer que o jogador esteja apto a responder aos mais variados estímulos, da forma mais ágil e eficaz possível. No Futsal, ocorrem mudanças rápidas de direção e acelerações que favorecem os indivíduos mais ágeis. Assim, Bompa (2002) afirma que a agilidade se refere à habilidade do atleta de alterar sua direção de maneira eficiente e rápida, deslocando-se facilmente dentro do campo de jogo.
Do ponto de vista prático, treinadores e cientistas do esporte devem priorizar o treinamento de velocidade e agilidade, pois responde bem à intervenção e se correlaciona com o nível competitivo. (Barreira et al., 2025)
Diante dos resultados encontrados, observa-se que as participantes apresentaram desempenho em agilidade abaixo dos valores considerados ideais para a população em geral, conforme a classificação normativa do teste de Shuttle Run. Esses achados, quando comparados aos resultados encontrados por Alvares, e Cabido (2022), indicam diferenças relevantes no desempenho, que podem estar associadas ao nível competitivo, ao volume e à especificidade do treinamento adotado. Embora o futsal seja amplamente reconhecido como uma modalidade capaz de desenvolver a agilidade, conforme apontam Silva et al. (2022), Marques (2025) e Bompa (2002), os dados do presente estudo sugerem que o treinamento realizado pelas participantes pode não estar contemplando, de forma adequada, estímulos específicos para o desenvolvimento dessa valência física. Considerando a importância da agilidade para o desempenho técnico-tático no futsal, bem como sua influência direta na execução dos fundamentos e nas ações de jogo, reforça-se a necessidade de programas de treinamento direcionados a capacidade da agilidade da modalidade do futsal feminino.
Como limitações do presente estudo, destaca-se inicialmente a escassez de pesquisas voltadas especificamente para a agilidade no futsal feminino, o que restringe comparações mais amplas e aprofundadas com a literatura existente. Silva et al. (2022) evidenciam que há uma maior predominância de estudos produzidos com atletas do sexo masculino, e, consequentemente, a falta de estudos realizados com atletas femininas, onde é evidente que a participação feminina em esportes aumentou consideravelmente. Assim, este estudo pode contribuir com a literatura e futuras pesquisas. Além disso, outra limitação refere-se ao tamanho e às característica da amostra, composta por atletas jovens e não pertencentes ao alto rendimento, bem como a ausência de controle sobre variáveis como volume, intensidade e metodologia do treinamento realizado, podem ter influenciado os resultados obtidos. Dessa forma, sugere-se que estudos futuros utilizem amostras maiores, diferentes níveis competitivos e intervenções controladas, a fim de aprofundar o entendimento sobre o desenvolvimento da agilidade no futsal feminino.
No Brasil, o futsal é amplamente utilizado como uma das principais atividades esportivas nas aulas de Educação Física nas escolas de todas as regiões. Por isso, representa um vasto campo de estudo acadêmico. Mas, no futsal feminino, ainda existem algumas barreiras sociais, culturais, políticas e econômicas que as mulheres precisam superar. Contudo, cabe ressaltar que apesar de historicamente as mulheres terem sido impedidas de participar da maioria dos esportes, essa realidade sofreu alterações significativas nas últimas décadas. Portanto, é importante expandir as pesquisas sobre atletas femininas de futsal, para oferecer treinamentos que respeitem suas singularidades, além de selecionar protocolos apropriados para avaliar as habilidades físicas.
Conclusões
O objetivo foi avaliar os níveis de agilidade de jogadoras do sexo feminino de uma equipe amadora do Brasil. Com isso, pode-se concluir que as participantes desta pesquisa da modalidade de futsal feminino apresentaram a média do tempo no teste de agilidade abaixo dos valores ideais. Assim, pode-se dizer que o treinamento de futsal com as participantes desta pesquisa, não está colaborando em um desempenho ideal na agilidade dos praticantes de futsal em relação à população em geral.
Porém, apesar dos valores da presente pesquisa estar abaixo do ideal, estudos destacam que o futsal é capaz de influenciar no desempenho da agilidade, de maneira positiva, quando os programas são planejados e que a prática do futsal é de extrema importância para seus praticantes, pois trabalha as capacidades físicas, como a agilidade, por exemplo.
Por último, considera-se que com tão poucos estudos disponíveis sobre o futsal feminino e suas avaliações, dificulta estabelecer assim um padrão como referência para se ter um parâmetro a ser discutido. Contudo, é preciso mais estudos para contribuir com a literatura sobre avalições e treinamento de equipes femininas do futsal.
Referências
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Dantas, H.M., e Araújo, C.A.S. (2022). A prática da preparação física (7ª ed.). Editora Manole.
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