Lecturas: Educación Física y Deportes | http://www.efdeportes.com

ISSN 1514-3465

 

Educação Física e o desenvolvimento do

conhecimento sobre sono e exercício físico no Brasil

Physical Education and the Development of Knowledge Regarding Sleep and Physical Exercise in Brazil

Educación Física y desarrollo del conocimiento sobre el sueño y el ejercicio físico en Brasil

 

Marco Aurélio Oliveira*

marco.oliveira@ifto.edu.br

John Fontenele Araújo**

john.araujo@ufrn.br

 

*Licenciado pleno em Educação Física (UEPA)

Especialista em Sono (UFRN)

Mestre em Neurociências e Comportamento (USP)

Doutorando em Psicobiologia (UFRN)

Atualmente professor do Instituto Federal do Tocantins

Laboratório de Psicobiologia e Exercício Físico

Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Araguatins

Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia

Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal

** Professor Titular aposentado do Departamento de Fisiologia e Comportamento

da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Atualmente professor colaborador voluntário

no programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da UFRN

e de Psicologia da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)

Ciclista ativo e defensor da ciclomobilidade

(Brasil)

 

Recepción: 04/12/2025 - Aceptación: 21/05/2026

1ª Revisión: 14/02/2026 - 2ª Revisión: 18/05/2026

 

Level A conformance,
            W3C WAI Web Content Accessibility Guidelines 2.0
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0

 

Creative Commons

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt

Cita sugerida: Oliveira, M.A., y Araújo, J.F. (2026). Educação Física e o desenvolvimento do conhecimento sobre sono e exercício físico no Brasil. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(338), 149-165. https://doi.org/10.46642/efd.v31i338.8683

 

Resumo

    Introdução: A relação entre sono e exercício físico tem recebido crescente atenção na literatura científica, especialmente diante do aumento dos distúrbios do sono e da elevada prevalência de inatividade física na população brasileira. A consolidação dessa interface demanda articulação entre cronobiologia, saúde pública e formação profissional. Objetivo: Analisar criticamente o papel do profissional de Educação Física na construção e aplicação do conhecimento sobre sono e exercício físico no contexto brasileiro. Métodos: Este é um ensaio teórico-analítico de natureza crítica, fundamentado na literatura científica contemporânea, em dados epidemiológicos nacionais e em referenciais da cronobiologia e da sociologia da ciência, com ênfase na interface entre formação profissional, prática clínica e políticas públicas. Conclusões: A análise evidencia que o profissional de Educação Física ocupa posição estratégica na prescrição de intervenções não farmacológicas relacionadas ao sono e no enfrentamento do sedentarismo e das doenças crônicas não transmissíveis. Consequentemente, há necessidade de maior integração curricular, fortalecimento da atuação multiprofissional no Sistema Único de Saúde e ampliação da produção científica na área, visando consolidar essa interface como campo emergente no Brasil.

    Unitermos: Educação Física. Ritmo circadiano. Saúde pública. Formação profissional.

 

Abstract

    Background: The relationship between sleep and physical exercise has gained increasing attention in scientific literature, particularly in light of the growing prevalence of sleep disorders and physical inactivity in the Brazilian population. Consolidating this interface requires articulation between chronobiology, public health, and professional training. Objective: To critically analyze the role of the Physical Education professional in the development and application of knowledge regarding sleep and physical exercise in Brazil. Methods: This study consists of a critical theoretical-analytical essay grounded in contemporary scientific literature, national epidemiological data, and theoretical frameworks from chronobiology and sociology of science, emphasizing the interface between professional training, clinical practice, and public health policies. Conclusions: The analysis suggests that Physical Education professionals occupy a strategic position in the prescription of non-pharmacological sleep-related interventions and in combating physical inactivity and chronic non-communicable diseases. Greater curricular integration, strengthened multiprofessional practice within the Unified Health System (SUS), and expanded scientific production are indicated to consolidate this emerging field in Brazil.

    Keywords: Physical Education and training. Circadian rhythm. Public health. Professional training.

 

Resumen

    Introducción: La relación entre el sueño y el ejercicio físico ha recibido creciente atención en la literatura científica, especialmente debido al aumento de los trastornos del sueño y la alta prevalencia de inactividad física en la población brasileña. Consolidar esta interrelación requiere la articulación entre la cronobiología, la salud pública y la formación profesional. Objetivo: Analizar críticamente el rol del profesional de la Educación Física en la construcción y aplicación del conocimiento sobre el sueño y el ejercicio físico en el contexto brasileño. Métodos: Este es un ensayo teórico-analítico de carácter crítico, basado en literatura científica contemporánea, datos epidemiológicos nacionales y referencias de la cronobiología y la sociología de la ciencia, con énfasis en la interrelación entre la formación profesional, la práctica clínica y las políticas públicas. Conclusiones: El análisis muestra que el profesional de la Educación Física ocupa una posición estratégica en la prescripción de intervenciones no farmacológicas relacionadas con el sueño y en el abordaje de los estilos de vida sedentarios y las enfermedades crónicas no transmisibles. En consecuencia, se requiere una mayor integración curricular, fortaleciendo la acción multidisciplinaria en el Sistema Único de Salud y ampliando la producción científica en el área, con el objetivo de consolidar esta interfaz como un campo emergente en Brasil.

    Palabras clave: Educación Física. Ritmo circadiano. Salud pública. Formación profesional.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 338, Jul. (2026)


 

Introdução 

 

    O estudo das interações entre sono e exercício físico tem ganhado crescente relevância no campo da saúde pública, destacando-se por sua complexidade e pelo potencial impacto positivo nas intervenções clínicas e desportivas. A qualidade do sono afeta processos fisiológicos essenciais, influenciando o desempenho físico e a recuperação muscular, podendo ser associada à redução do risco de lesões musculoesqueléticas em determinados contextos esportivos (Charest, e Grandner, 2020; Silva et al., 2020; Viegas et al., 2022). Por outro lado, a prática regular de exercícios pode atuar como uma ferramenta terapêutica eficaz no manejo de distúrbios do sono, como insônia e apneia obstrutiva (Amiri et al., 2021). No entanto, a compreensão plena dessa relação multifacetada requer uma abordagem multidisciplinar.

 

    No Brasil, dados epidemiológicos recentes evidenciam elevada prevalência tanto de inatividade física quanto de queixas relacionadas ao sono, configurando um cenário de preocupação para a saúde pública. Estimativas nacionais indicam que 37 %, parcela significativa da população adulta, não atinge os níveis recomendados de atividade física (Brasil., 2023), ao mesmo tempo em que distúrbios como insônia e apneia obstrutiva do sono apresentam alta frequência e subdiagnóstico (Canever et al., 2023). A coexistência desses fatores associa-se ao aumento do risco de doenças crônicas não transmissíveis, incluindo condições cardiovasculares, metabólicas e transtornos mentais, ampliando custos sociais e impactos sobre a qualidade de vida (Pereira, Sampaio, e Pessoa., 2025). Nesse contexto, torna-se relevante analisar estratégias integradas e baseadas em evidências que articulem exercício físico e regulação dos ritmos biológicos, especialmente no âmbito da atenção primária e da promoção da saúde.

 

    Apesar do avanço da literatura internacional sobre sono e exercício físico, é observado no contexto brasileiro uma lacuna na sistematização do papel do profissional de Educação Física nessa interface, especialmente no que se refere à formação acadêmica, à inserção em equipes multiprofissionais e à consolidação de práticas baseadas em evidências no âmbito da saúde pública. A compreensão dessa interface demanda abordagem multidisciplinar, articulando conhecimentos da cronobiologia, da saúde pública e da Educação Física. Nesse contexto, a produção científica pode ser compreendida como resultado da interação entre diferentes atores, incluindo profissionais, teorias e instrumentos de investigação.

 

    Diante desse panorama, o presente manuscrito é configurado como um ensaio teórico-analítico de natureza crítica, fundamentado na literatura científica contemporânea, em dados epidemiológicos nacionais e em referenciais da cronobiologia e da sociologia da ciência aplicados ao campo da saúde. A análise é desenvolvida a partir da articulação entre evidências sobre sono, exercício físico e ritmicidade biológica, bem como de sua interface com a formação profissional e a organização dos serviços de saúde no contexto brasileiro. Dessa forma, o objetivo é analisar o papel do profissional de Educação Física na construção e aplicação do conhecimento sobre sono e exercício físico no Brasil. São também discutidas implicações para a formação acadêmica, para a atuação multiprofissional no âmbito da saúde pública e para a consolidação dessa interface como campo emergente no Brasil.

 

Interação entre atores humanos e não humanos na construção do conhecimento sobre sono e exercício físico 

 

    A produção do conhecimento científico contemporâneo é caracterizada pela articulação entre diferentes atores, compreendidos como elementos humanos, como pesquisadores, profissionais de saúde e educadores, e não humanos, como instrumentos de mensuração, protocolos, teorias e tecnologias. No campo da relação entre sono e exercício físico, essa interação se torna particularmente relevante, pois envolve desde a investigação dos mecanismos fisiológicos da regulação circadiana até a aplicação prática de intervenções baseadas em exercício físico. A compreensão dessa dinâmica permite reconhecer que avanços científicos não decorrem apenas da atuação individual de pesquisadores, mas da integração entre métodos, evidências e práticas profissionais.

 

    No âmbito da cronobiologia e da fisiologia do exercício, instrumentos como actígrafos, protocolos de dosagem de melatonina (DLMO), polissonografia e testes de capacidade aeróbia (como o VO₂ máx) exemplificam o papel dos atores não humanos na consolidação de evidências sobre ritmicidade biológica e desempenho físico. Esses recursos possibilitam avaliar padrões de sono, sincronização circadiana e respostas adaptativas ao treinamento, contribuindo para intervenções mais precisas e individualizadas. Dessa forma, a produção científica nessa interface é fundamentada na convergência entre mensuração objetiva, análise estatística e interpretação clínica.

 

    Entre os atores humanos, se destaca o profissional de Educação Física, cuja atuação envolve a prescrição, monitoramento e ajuste de programas de exercício físico com base em parâmetros fisiológicos e evidências científicas. Sua inserção em grupos de pesquisa e em equipes multiprofissionais amplia a capacidade de tradução do conhecimento produzido na academia para contextos clínicos, esportivos e da atenção básica. No campo dos distúrbios do sono, essa participação é particularmente relevante no desenvolvimento de estratégias não farmacológicas para condições como insônia e desalinhamento circadiano, contribuindo para abordagens integradas de promoção da saúde.

 

    A interação entre esses diferentes atores favorece não apenas a geração de novos conhecimentos, mas também sua aplicação prática no planejamento de intervenções ajustadas às necessidades individuais, como a definição de horários mais adequados para o treinamento ou estratégias de sincronização dos ritmos biológicos. Nesse sentido, a consolidação da interface entre sono e exercício físico depende da integração entre produção científica, formação profissional qualificada e incorporação de tecnologias de avaliação, fortalecendo a base empírica e a aplicabilidade clínica desse campo emergente.

 

Multidisciplinaridade 

 

    A cronobiologia, como ciência, emergiu no início da década de 60 do século passado como um campo científico que investiga a organização temporal dos seres vivos. Suas bases foram estabelecidas por pesquisadores como Jürgen Aschoff, Colin Pittendrigh e Franz Halberg, considerados pais fundadores dessa ciência. Pittendrigh enfatizou os mecanismos subjacentes aos osciladores circadianos e sua importância no sistema de temporização biológica, enquanto Halberg expandiu a cronobiologia para incluir ritmos biológicos de múltiplas frequências, propondo conceitos como os ritmos infradianos e ultradianos. Para Halberg, a cronobiologia era mais abrangente do que o foco exclusivo em osciladores circadianos, uma visão que frequentemente o colocou em debate com Pittendrigh, que preferia modelos mais simplificados e específicos para ritmos circadianos. Essa dualidade de abordagens refletiu-se em dois campos científicos que Araújo, e Marques chamaram de “campo científico ritmos biológicos” creditado à Pittendrigh e, “campo científico cronobiológico” creditado à Halberg. Enquanto o “campo científico ritmos biológicos” era um modelo reducionista de ciência tendo como alicerce a descoberta dos núcleos-supraquiasmáticos (NSQs) e dos chamados “genes relógios”, o “campo científico cronobiológico” construía sua credibilidade na interação multidisciplinar dos pesquisadores que objetivavam investigar as implicações e aplicações do paradigma cronobiológico – a ideia de que há uma organização temporal da matéria viva. (Araújo, e Marques, 2002)

 

    Após mais de vinte anos desde a publicação do artigo de John Fontenele Araújo e Nelson Marques, ainda não se observa um consenso claro entre os campos científicos da cronobiologia e dos ritmos biológicos. A dinâmica científica descrita pelos autores continua a ser representada por um modelo aberto e flexível, descrito como arena transepistêmica cronobiológica, conceito oriundo da socióloga de Knorr-Cetina. Esse termo refere-se a um espaço onde múltiplos agentes, científicos e institucionais, interagem para moldar o progresso da cronobiologia. A integração contínua de diferentes disciplinas e a colaboração com novos especialistas refletem o potencial da cronobiologia para permanecer relevante e adaptável, ao mesmo tempo em que oferece soluções práticas para desafios contemporâneos na área da saúde e do comportamento humano.

Knorr-Cetina também introduz o conceito de "objetos epistemológicos" para descrever elementos que motivam e guiam as práticas científicas, conectando diferentes disciplinas (Knorr-Cetina, 1999). No estudo do sono e do exercício físico, as diferentes práticas corporais, os ritmos circadianos e os marcadores de saúde metabólica configuram-se como exemplos claros de objetos epistemológicos que articulam diferentes áreas do conhecimento. Por exemplo, ao investigar como o horário do exercício físico afeta a produção de melatonina, a mudança de fase e a qualidade do sono é estabelecida conexão entre teorias circadianas e práticas de prescrição de exercícios. Essa integração permite não apenas a geração de novos conhecimentos, mas também a tradução desses achados em intervenções práticas, como indicação individual do horário mais apropriado para determinada resposta.

 

    Nesse contexto, o profissional de Educação Física desempenha papel fundamental em dois grandes combates: a) sedentarismo e; b) distúrbios do sono. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora a porcentagem da população brasileira com 18 anos ou mais que praticava pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa por semana tenha aumentado de 22,7 % em 2013, para 30,1 % em 2019, apenas um terço da população atinge as recomendações dessa intensidade de atividade física (Mielke et al., 2021). Dados de 2023 do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, do Ministério da Saúde apontaram o agravamento desse cenário, com 60,4 % da população não atingindo os níveis de atividade física mínimos estipulados. (Brasil, 2023)

 

    Na outra frente de atuação, observam-se os distúrbios do sono, no qual o profissional de educação física pode atuar diretamente na prescrição de tratamento não-farmacológico por meio de um tipo de atividade física ou exercício físico. A epidemiologia dos distúrbios do sono no Brasil revela uma preocupação crescente com a saúde pública. É o que aponta o estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) que avaliou mais de 9.849 brasileiros com 50 anos ou mais e encontrou uma prevalência de 15,6 % de má qualidade do sono autorreferida, sendo que mulheres reportam maior má qualidade de sono (18,6 %) em relação a homens (11,4 %) e com menor prevalência de queixas em moradores da região Sul em comparação com a região Norte (Pereira, Sampaio, e Pessoa, 2025). Essas condições não apenas comprometem a qualidade de vida, como também aumentam os riscos de doenças cardiovasculares, depressão e obesidade. (Dong et al., 2022; Korostovtseva et al., 2021; Lee, e Cho, 2022)

 

    O papel do profissional de Educação Física na relação entre sono e exercício físico insere-se na arena transepistêmica cronobiológica, e se aproxima do “campo científico cronobiológico” defendido por Halberg, por meio de uma interação multidisciplinar com outras áreas do conhecimento. Dentro dessa perspectiva, um profissional com conhecimentos consolidados sobre o tema pode prescrever um programa de exercício que seja planejado e estruturado, permitindo intervenções direcionadas que visam auxiliar alunos, pacientes ou atletas a alcançar o seu objetivo, como melhora da qualidade do sono, sincronização dos ritmos biológicos após jet lag etc. Ao adaptar a prescrição de exercícios às necessidades individuais através de conhecimentos teóricos e práticos sobre a relação do sono e exercícios físicos, os profissionais de Educação Física se tornam agentes-chave na integração de práticas baseadas em evidências. No entanto, embora os profissionais de Educação Física possuam formação que permita sua atuação no combate ao sedentarismo, este profissional tem defasagem em sua formação sobre temas relacionados ao exercício físico como tratamento não-farmacológico de distúrbios do sono. Consequentemente, se faz necessário refletir sobre dois eixos centrais para a melhor integração desses profissionais em equipes multiprofissionais do sono: (a) formação e (b) atuação profissional.

 

    No que diz respeito à formação, embora existam profissionais de Educação Física com conhecimentos sobre o sono, é observado que a maior parte dessa qualificação foi adquirida em programas stricto sensu. Esses programas, geralmente vinculados às áreas de Neurociências, Fisiologia e Psicobiologia, possibilitam o acesso à literatura científica especializada, bem como à experiência prática por meio da participação em coletas de dados e projetos de pesquisa. No âmbito da formação lato sensu, algumas instituições, como o Hospital Albert Einstein e a São Leopoldo Mandic, oferecem cursos de especialização em Sono voltados a profissionais da saúde, admitindo a participação de profissionais de Educação Física. Outras instituições, como Ensino Incor, Sanar e a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, direcionam seus cursos exclusivamente a médicos. Por sua vez, a Faculdade Inspirar e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) destacam explicitamente o profissional de Educação Física como público-alvo em seus cursos de especialização em Sono.

 

    A UFRN ofertou sua primeira turma de especialização lato sensu em Sono em 2021, em formato multiprofissional, contemplando a participação de profissionais de Educação Física. O curso, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia, apresentou carga horária de 420 horas e incluiu atividades presenciais em clínicas, hospitais e laboratórios da instituição, proporcionando formação teórico-prática em métodos diagnósticos e abordagens terapêuticas dos distúrbios do sono. (UFRN, 2021)

 

    O conhecimento sobre cronobiologia e neurobiologia do sono mostra-se essencial para os profissionais de Educação Física, uma vez que essas áreas fornecem a base científica para compreender a relação do sono com o desempenho físico e a saúde geral. No entanto, limitar esse aprendizado apenas a programas de pós-graduação restringe o acesso e dificulta a formação de um maior número de profissionais capacitados. Por conseguinte, é necessário fomentar o ensino sobre Cronobiologia já na educação básica em disciplinas como Ciências, Geografia e Educação Física. Documentos como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já citam conteúdos relacionados à Cronobiologia e sono como uma opção de temas diretos ou transversais a serem lecionados (Brasil, 1998a, 2018). Ao incluir conteúdos sobre a importância do sono desde a infância, promove-se não apenas a educação da população em geral, mas também se incentiva o desenvolvimento de um entendimento sólido sobre o tema por futuros profissionais de Educação Física. Essa abordagem contribui para consolidar a formação de profissionais mais preparados para integrar equipes multiprofissionais e implementar intervenções baseadas em evidências ao longo de suas trajetórias profissionais.

 

    Apesar de sua relevância, no nível de graduação, seja em cursos de bacharelado ou licenciatura em Educação Física, ainda não existem documentos regulatórios que explicitem a importância de conteúdos relacionados à cronobiologia e ao sono nas grades curriculares. Esses temas, que poderiam ser incluídos no eixo articulador saúde das Diretrizes Curriculares dos Cursos elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior (CNE/CES), acabam por ficar a cargo do Projeto Pedagógico de Curso (PPC) de cada instituição de ensino superior. Entretanto, como são poucos os docentes de Educação Física com formação ou conhecimento aprofundado sobre o tema, esses conteúdos não são abordados de forma sistemática. Consequentemente, os graduandos ingressam no mercado de trabalho, seja em escolas, academias, Unidades Básicas de Saúde ou hospitais, com uma lacuna de conhecimento que se perpetua, limitando o potencial de atuação desses profissionais em um contexto multidisciplinar e de promoção da saúde integral; e, no caso dos licenciados, perpetuando-se essa lacuna junto aos seus alunos.

 

    Uma das iniciativas para divulgação da Cronobiologia no Brasil foi realizada pelo Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos, da EACH/USP. O Grupo realizou ao longo dos anos de 2016 e 2021 curso de extensão com aproximadamente 20h para estudantes, professores e profissionais da área da saúde. No final das 8 edições, 73 pessoas participaram do curso, com média de 9,1 ± 4,9 participantes por edição que ocorria geralmente nas férias escolares. Destacam-se relatos críticos de participantes que evidenciam a compreensão limitada sobre o sono, como: “acreditava que o sono fosse uma necessidade fisiológica irrelevante e ainda pouco relacionada com o desenvolvimento pedagógico. Pensava ser apenas um moderador das funções orgânicas desassociado do cognitivo”; e a percepção de que é uma área multidisciplinar com “A contribuição do curso foi efetiva, pois aprendi conceitos diferenciados e com aplicação multidisciplinar”. (Carvalho-Mendes, e Menna-Barreto, 2022)

 

    No Brasil, observam-se os conhecimentos sobre cronobiologia e Educação Física em discussões acadêmicas que analisam como se expressam temporalmente as preferências para a realização de diferentes tipos de atividades, tanto cognitivas quanto físicas. Essas preferências são conhecidas como cronotipos e classificam-se em matutino, vespertino, intermediário e bimodal, conforme a preferência por horários para a realização de atividades físicas e de lazer (Pizzolito et al., 2012). O cronotipo auxilia na compreensão das diferenças individuais e contribui para a superação do mito de que a prática do exercício físico deva ocorrer exclusivamente no período da manhã. O respeito às diferenças individuais baseadas no cronotipo favorece maior adesão aos exercícios prescritos e reduz o abandono (Back et al., 2023). Adicionalmente, o cronotipo tem sido um instrumento importante nas orientações sobre a alocação temporal do sono de atletas olímpicos e paraolímpicos durante a fase de preparação e competição (Mello et al., 2024; Narciso et al., 2020). Embora essa aplicação já seja consolidada no campo da pesquisa, o uso dessas estratégias por profissionais em atendimentos clínicos, seja de forma particular ou no sistema público, ainda é incipiente.

 

    Um marco histórico na integração do profissional de Educação Física ao Sistema Único de Saúde (SUS) foi a regulamentação da profissão pela Lei nº 9.696/1998. Posteriormente, a criação da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde pela Lei nº 11.129/2005 (Brasil, 2005) complementou a Resolução CNS nº 287/1998 (Brasil, 1998b), que já reconhecia a importância das ações realizadas por profissionais de Educação Física, em conjunto com fisioterapeutas, enfermeiros, fonoaudiólogos, médicos, odontólogos e psicólogos. Essas iniciativas reforçaram a relevância desses profissionais no avanço da concepção de saúde e na integralidade da atenção. Em 2008, a Portaria nº 154 estabeleceu os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), com características multidisciplinares e o objetivo de ampliar, apoiar e aperfeiçoar a atenção e a gestão da saúde na Atenção Básica. Antes da criação dos NASF, a atuação dos profissionais de Educação Física no SUS frequentemente ocorria de forma desarticulada e pouco integrada às equipes de saúde. Com a formalização deste serviço, tornou-se possível uma aproximação mais efetiva desses profissionais com as equipes de referência, proporcionando intervenções mais completas, articuladas e assertivas na promoção da saúde da população (CREF3/SC, 2017) que dispõe sobre a profissão, e pela Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), que reconhece a atividade física como uma estratégia essencial para a saúde pública. No âmbito do SUS, esses profissionais atuaram principalmente nos Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB), oferecendo suporte técnico às equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF). Suas atribuições incluem a promoção da saúde por meio de práticas corporais, educação em saúde e o incentivo à prática de atividades físicas para o combate ao sedentarismo e à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Em 2023 o NASF foi oficialmente renomeado e reformulado para eMulti pela Portaria GM/MS nº 635/2023. Nesse contexto, a eventual inclusão de indicadores relacionados ao sono nos sistemas de prontuário eletrônico do SUS poderia favorecer a identificação de padrões de sono na população atendida, ampliando as possibilidades de atuação do profissional de Educação Física no planejamento de intervenções baseadas em evidências e na integração com equipes multiprofissionais.

 

    Apesar de sua atuação na Atenção Básica estar amplamente regulamentada, a presença de profissionais de Educação Física em clínicas e hospitais permanece incipiente e restringe-se a iniciativas pontuais. Programas voltados para o atendimento de distúrbios do sono com a participação desses profissionais são raros, uma vez que o tema não está sistematicamente inserido nas suas atribuições no SUS. Mesmo com a literatura apontando os benefícios do exercício físico na regulação dos ritmos circadianos e no tratamento de distúrbios do sono, a aplicação desse conhecimento ainda não é amplamente explorada. Esse cenário reflete uma lacuna tanto na formação quanto no reconhecimento institucional do papel do profissional de Educação Física em contextos multiprofissionais voltados à saúde do sono.

 

Perspectivas futuras 

 

    A arena transepistêmica cronobiológica, conforme descrita no contexto da multidisciplinaridade, oferece um cenário promissor para a integração do conhecimento sobre sono e exercício físico. Nesse espaço, a Educação Física desempenha um papel estratégico, aproximando-se do campo científico cronobiológico defendido por Halberg (Araújo, e Marques, 2002). No entanto, para consolidar essa atuação, é necessário avançar em dois eixos fundamentais já citados: formação e atuação. No que se refere à formação, a lacuna educacional sobre a relação entre sono e exercício físico no ensino superior precisa ser superada por meio de reformas curriculares e da ampliação da oferta de especializações na área do sono. Em médio prazo, no eixo da atuação, a inserção ampliada de profissionais de Educação Física com conhecimentos sobre sono nos serviços públicos de saúde, como nas Academias da Saúde, Equipes Multiprofissionais (eMulti), e os hospitais universitários, mostra-se essencial para promover intervenções baseadas em evidências e fortalecer o papel da multidisciplinaridade tanto na construção do conhecimento quanto no cuidado em saúde. Em longo prazo, com o avanço das pesquisas sobre sono e exercício físico e com o aumento da disponibilidade de profissionais capacitados, poderá ocorrer maior demanda por esse tipo de profissional e, consequentemente, ampliação dos atendimentos no setor privado.

 

    Para que a Educação Física consolide seu papel na arena transepistêmica cronobiológica, é fundamental avançar na formação profissional, tanto em nível de graduação quanto de pós-graduação. Em primeiro lugar, a implementação de conteúdos sobre sono e cronobiologia nas grades curriculares dos cursos de licenciatura e bacharelado em Educação Física configura-se como um passo essencial. Atualmente, a maioria dos currículos não aborda de forma aprofundada a relação entre exercício físico e sono, o que limita a capacidade dos futuros profissionais de atuarem nesse campo. A inclusão de disciplinas específicas ou de módulos interdisciplinares permitiria que os estudantes compreendessem a importância do sono para a recuperação física, o desempenho esportivo e a saúde geral, além de capacitá-los para a prescrição de exercícios voltados à melhoria da qualidade do sono.

 

    Além disso, a nível de Ministério da Educação, a inserção da Cronobiologia e do sono nas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Educação Física, por meio de Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE/CES), constitui uma medida estratégica para garantir que todas as instituições de ensino superior incorporem esses temas em seus programas. Essa mudança nas diretrizes curriculares não apenas qualificaria a formação dos educadores físicos, mas também alinharia o ensino às demandas contemporâneas da saúde pública, onde os distúrbios do sono são cada vez mais prevalentes. Outro ponto categórico refere-se ao aumento da oferta de cursos de especialização em sono. Sendo estes cursos multiprofissionais e com vagas para Profissionais de Educação Física. Nesses cursos as instituições de ensino superior devem fomentar unidades que abordem a relação entre sono, cronobiologia e exercício físico, em parceria com áreas como medicina, psicologia e odontologia. Esses cursos possibilitariam o aprofundamento dos conhecimentos sobre distúrbios do sono, métodos diagnósticos e estratégias terapêuticas, tanto farmacológicas quanto não farmacológicas.

 

    No que diz respeito à atuação profissional, faz-se necessário criar mecanismos que valorizem e reconheçam o papel do profissional de Educação Física no manejo dos distúrbios do sono. Um primeiro avanço consistiria na criação de um processo de certificação específico pela Academia Brasileira do Sono (ABS) voltado a esses profissionais. Atualmente, a ABS oferece certificações para outras áreas da saúde, como psicologia e fonoaudiologia. A inclusão dos profissionais de Educação Física nesse processo validaria sua expertise e incentivaria a busca por formação continuada na área. Ademais, a inserção de discussões sobre exercício físico e sono em Grupos de Trabalho (GTs) da Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS) configura-se como uma estratégia relevante para fomentar a produção científica e o debate acadêmico. A criação de um GT específico ou a ampliação dos temas contemplados nos GTs existentes permitiria o compartilhamento de experiências e evidências entre pesquisadores e profissionais, fortalecendo a base teórica e aplicada do campo.

 

    Outro avanço necessário refere-se à definição, pelo Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), da área "Educação Física na Área do Sono" como uma especialidade profissional, por meio de resolução. Atualmente, o CONFEF reconhece diversas especialidades, como Treinamento Esportivo, Exercício Físico para Grupos Especiais, Educação Física na área Cardiovascular. A criação de uma especialidade voltada para o sono legitimaria a atuação dos profissionais de Educação Física nesse campo e abriria caminho para a regulamentação de práticas e procedimentos específicos. Por fim, a inclusão de atribuições relacionadas ao sono para Profissionais de Educação Física na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses e Próteses e Materiais Especiais do Sistema Único de Saúde (SUS) configura-se como medida essencial para ampliar o acesso da população a intervenções baseadas em exercício físico. O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, deve reconhecer o papel do Profissional de Educação Física no manejo dos distúrbios do sono e garantir que suas práticas sejam reconhecidas, remuneradas e integradas às equipes multiprofissionais. Essa mudança não apenas valorizaria a profissão, mas também contribuiria para a melhoria da saúde pública, oferecendo uma alternativa não farmacológica para o tratamento de problemas relacionados ao sono.

 

Quadro 1. Com base nas problematizações apresentadas, propõe-se a recomendações de metas em diferentes horizontes

temporais, com o objetivo de orientar o desenvolvimento progressivo da interface entre sono e exercício físico no contexto brasileiro

Horizonte temporal

Metas e recomendações (ações concretas)

Responsáveis

Curto Prazo (1–3 anos)

1. Inclusão em Grupos de Trabalho (GTs): Fomentar a criação de GTs específicos sobre "Sono e Exercício" em sociedades científicas para consolidar a produção acadêmica na área.

SBAFS (Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde)

2. Processo de Certificação Profissional: Criação de um selo ou certificação de proficiência em sono voltado especificamente para Profissionais de Educação Física.

ABS (Academia Brasileira do Sono)

3. Atualização de Projetos Pedagógicos (PPC): Incentivar que instituições de ensino superior incluam módulos de cronobiologia e sono em disciplinas de fisiologia ou saúde já existentes.

IES (Instituições de Ensino Superior) e Docentes de Educação Física

Médio Prazo (5 anos)

 

1. Reforma Curricular Nacional: Inserção obrigatória de conteúdos sobre sono e cronobiologia nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Graduação em Educação Física.

CNE (Conselho Nacional de Educação) e MEC

2. Reconhecimento de Especialidade: Publicação de resolução que reconheça oficialmente a "Educação Física na Área do Sono" como uma especialidade profissional.

CONFEF (Conselho Federal de Educação Física)

3. Capacitação em Tecnologias de Monitoramento: Workshops sobre o uso de actigrafia para triagem de distúrbios de ritmo e mensuração de níveis de atividade física. Além de interpretação de EEG.

Empresas de Cursos e IES

4. Expansão da Pós-Graduação: Ampliação da oferta de cursos de especialização (lato sensu) multiprofissionais com vagas garantidas para educadores físicos.

IES e Programas de Pós-Graduação (ex: Psicobiologia/Fisiologia)

5. Competência em Diagnóstico Auxiliar: Inclusão de disciplinas de "Polissonografia e Métodos de Avaliação do Sono" na formação, focando na interpretação de laudos para prescrição de exercícios.

IES e Programas de Pós-Graduação

Longo Prazo (>10 anos)

1. Integração Plena no SUS: Inclusão de procedimentos específicos de manejo de distúrbios do sono realizados por educadores físicos na Tabela de Procedimentos do SUS.

Ministério da Saúde (Secretaria de Atenção Especializada à Saúde)

2. Consolidação Escolar: Implementação efetiva de temas transversais sobre higiene do sono e ritmos biológicos na educação básica, conforme previsto na BNCC.

Redes de Ensino e Profissionais de Educação Física Escolares

3. Atuação em Ambulatórios: Presença sistemática e regulamentada do profissional em clínicas de sono e hospitais universitários em todo o território nacional.

Ministério da Saúde e Gestores Hospitalares

Fonte: Autores

 

Conclusões 

 

    A relação entre sono e exercício físico representa um campo de investigação cada vez mais relevante para a promoção da saúde, demandando uma abordagem multidisciplinar e uma atuação mais integrada dos Profissionais de Educação Física. No entanto, conforme discutido ao longo deste ensaio, persistem lacunas significativas na formação acadêmica desses profissionais, que dificultam sua participação ativa em equipes multiprofissionais voltadas para o manejo dos distúrbios do sono. A ausência de diretrizes curriculares específicas sobre cronobiologia e sono nos cursos de graduação limita a construção de um conhecimento sólido sobre o tema, restringindo a aplicabilidade das evidências científicas na prática profissional. Nesse sentido, reformas na estrutura curricular e maior incentivo à oferta de especializações mostram-se fundamentais para fortalecer a presença da Educação Física na interface entre sono e exercício físico.

 

    A partir da perspectiva da sociologia da ciência, Latour e Knorr-Cetina destacam que a construção do conhecimento se dá em redes dinâmicas, compostas por atores humanos e não humanos que interagem para produzir e consolidar saberes. Nesse contexto, o profissional de Educação Física ocupa um espaço estratégico dentro da arena transepistêmica cronobiológica, contribuindo para a formulação de intervenções baseadas em evidências que integrem exercício físico como estratégia não farmacológica para distúrbios do sono. Sua participação em grupos de pesquisa e sua atuação no Sistema Único de Saúde (SUS) são essenciais para consolidar essa abordagem multidisciplinar e expandir as possibilidades de tratamento e prevenção.

 

    Apesar dos avanços, permanecem desafios a serem superados para que o profissional de Educação Física seja plenamente reconhecido como um agente essencial no cuidado com o sono, além da inatividade física. A criação de certificações específicas, o incentivo à pesquisa aplicada e a ampliação de editais que contemplem sua atuação em serviços públicos de saúde configuram-se como passos fundamentais para fortalecer sua participação em equipes multiprofissionais. Dessa forma, ao consolidar sua presença nesse campo de estudo, a Educação Física passa a contribuir ativamente para a evolução do conhecimento sobre sono e exercício físico, promovendo impactos positivos na saúde pública e na qualidade de vida da população.

 

Referências 

 

Amiri, S., Hasani, J., e Satkin, M. (2021). Effect of exercise training on improving sleep disturbances: a systematic review and meta-analysis of randomized control trials. Sleep Medicine, 84, 205–218. https://doi.org/10.1016/j.sleep.2021.05.013

 

Araújo, J., e Marques, N. (2002). Cronobiologia: uma multidisciplinaridade necessária. Margem, 15, 95–112. https://www.pucsp.br/margem/pdf/m15jn.pdf

 

Back, F.A., Hino, A.A.F., Bojarski, W.G., Aurélio, J.M.G., de Castro Moreno, C.R., e Louzada, F.M. (2023). Evening chronotype predicts dropout of physical exercise: a prospective analysis. Sport Sciences for Health, 19(1), 309–319. https://doi.org/10.1007/s11332-022-00963-8

 

Brasil (1998a). Parâmetros curriculares nacionais: Educação Física. https://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro07.pdf

 

Brasil (1998b, Outubro 8). Resolução no 287 de 08 de Outubro de 1998. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/1998/res0287_08_10_1998.html

 

Brasil (2005, Julho 30). Lei no 11.129, de 30 de Junho de 2005. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11129.htm

 

Brasil (2018). Base Nacional Comum Curricular. https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-em-tempo-integral/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf

 

Brasil (2023). Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2023. https://www.saude.gov.br/svs

 

Brasil (2023). Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2023. Ministério da Saúde. https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2023-vigilancia-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico/view

 

Canever, JB, Cândido, LM, Moreira, BS, Danielewicz, AL, Cimarosti, HI, Lima-Costa, MF, e Avelar, NCP (2023). A nationwide study on sleep complaints and associated factors in older adults: ELSI-Brazil. Cadernos de Saúde Pública, 39(10). https://doi.org/10.1590/0102-311xen061923

 

Carvalho-Mendes, R.P., e Menna-Barreto, L. (2022). Por que a Cronobiologia deve fazer parte da formação de educadores? Pro-Posições, 33. https://doi.org/10.1590/1980-6248-2021-0030

 

Charest, J., e Grandner, M.A. (2020). Sleep and Athletic Performance. Sleep Medicine Clinics, 15(1), 41–57. https://doi.org/10.1016/j.jsmc.2019.11.005

 

CREF3/SC (2017). Profissionais de Educação Física e o SUS: desafio nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família. https://www.crefsc.org.br/wp-content/uploads/2017/02/Artigo-Profissionais-de-Educação-Física-e-o-SUS.pdf

 

Dong, L., Xie, Y., e Zou, X. (2022). Association between sleep duration and depression in US adults: A cross-sectional study. Journal of Affective Disorders, 296, 183–188. https://doi.org/10.1016/j.jad.2021.09.075

 

Knorr-Cetina, K. (1999). Epistemic Cultures: How the Sciences Make Knowledge. Harvard University Press. https://doi.org/10.4159/9780674039681

 

Korostovtseva, L., Bochkarev, M., e Sviryaev, Y. (2021). Sleep and Cardiovascular Risk. Sleep Medicine Clinics, 16(3), 485–497. https://doi.org/10.1016/j.jsmc.2021.05.001

 

Lee, J.H., e Cho, J. (2022). Sleep and Obesity. Sleep Medicine Clinics, 17(1), 111–116. https://doi.org/10.1016/j.jsmc.2021.10.009

 

Mello, MT, Stieler, E., Grade, I., Filho, AFC, Mendes, G., Ituassu, N., e Silva, A. (2024). The Sleep Parameters of Olympic Athletes: Characteristics and Assessment Instruments. International Journal of Sports Medicine, 45(10), 715–723. https://doi.org/10.1055/a-2233-0323

 

Mielke, GI, Stopa, SR, Gomes, CS, Silva, AG, Alves, FTA, Vieira, MLFP, e Malta, DC (2021). Leisure time physical activity among Brazilian adults: National Health Survey 2013 and 2019. Revista Brasileira de Epidemiologia, 24(suppl 2). https://doi.org/10.1590/1980-549720210008.supl.2

 

Narciso, FV, Silva, A., Rodrigues, D., Rosa, J., Viegas, F., Silva, S., Bichara, J., Pereira, S., Tufik, S., e Mello, MT (2020). Sleep-Wake Cycle of Elite Athletes Prior to the Rio 2016 Olympic Games. Revista Andaluza de Medicina del Deporte, 13(2), 76–80. https://doi.org/10.33155/j.ramd.2020.04.004

 

Pereira, R.R., Sampaio, M.R., e Pessoa, B.P. (2025). Fatores associados à má qualidade do sono em brasileiros mais velhos: uma análise transversal do ELSI-Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 30(8). https://doi.org/10.1590/1413-81232025308.19642023

 

Pizzolito, B.A, e Stoppa, E.A. (2012). Cronobiologia e suas Influências nas Vivências de Lazer. Revista Turismo em Análise, 23(1), 2012. https://doi.org/10.11606/issn.1984-4867.v23i1p78-103

 

Silva, A., Narciso, FV, Soalheiro, I., Viegas, F., Freitas, LSN, Lima, A., Leite, BA, Aleixo, HC, Duffield, R., e Mello, MT (2020). Poor Sleep Quality’s Association with Soccer Injuries: Preliminary Data. International Journal of Sports Physiology and Performance, 15(5), 671–676. https://doi.org/10.1123/ijspp.2019-0185

 

UFRN (2021). Curso de Especialização em Sono. https://sigaa.ufrn.br/sigaa/public/curso/portal.jsf?lc=pt_BR&id=137506645

 

Viegas, F., Ocarino, JM, Freitas, LS, Pinto, MC, Facundo, LA, Amaral, AS, Silva, S., Mello, MT, e Silva, A. (2022). The sleep as a predictor of musculoskeletal injuries in adolescent athletes. Sleep Science, 15(03), 305–311. https://doi.org/10.5935/1984-0063.20220055


Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 338, Jul. (2026)