ISSN 1514-3465
O atletismo no contexto do desenvolvimento motor: possibilidades
na aquisição e aperfeiçoamento das habilidades motoras
Athletics in the Context of Motor Development: Possibilities for the Acquisition and Refinement of Motor Skills
El atletismo en el contexto del desarrollo motor: posibilidades de adquisición y mejora de las habilidades motoras
Giovanni Dalcastagné
*gdalcastagne@furb.br
Haiko Bruno Zimmermann
**hbzim@hotmail.com
*
Doutorado em Educação (Unicamp)Licenciatura Plena em Educação Física (FURB)
Professor do Departamento de Educação Física
da Universidade Regional de Blumenau (FURB)
**Bacharelado e Licenciatura em Educação Física (FURB)
Mestrado e Doutorado em Biomecânica (UFSC)
Professor do Departamento de Educação Física
da Universidade Regional de Blumenau (FURB)
(Brasil)
Recepción: 01/12/2025 - Aceptación: 21/02/2026
1ª Revisión: 17/01/2026 - 2ª Revisión: 18/02/2026
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0
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Este trabalho está sob uma licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt |
Cita sugerida:
Dalcastagné, G., e Zimmermann, H.B. (2026). O atletismo no contexto do desenvolvimento motor: possibilidades na aquisição e aperfeiçoamento das habilidades motoras. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(335), 231-250. https://doi.org/10.46642/efd.v31i335.8676
Resumo
O desenvolvimento motor é um processo contínuo e determinante para a formação integral do ser humano. Esta revisão narrativa teve como objetivo analisar o papel do atletismo como possibilidade pedagógica no processo do desenvolvimento motor. A literatura demonstra que os gestos do atletismo correspondem diretamente às principais categorias do movimento humano, constituindo, desse modo, uma importante estratégia para a ampliação do repertório motor e do aprendizado esportivo. Evidências apontam que programas pedagógicos baseados em metodologias lúdicas, variabilidade de tarefas e progressões adequadas às fases do desenvolvimento favorecem não apenas a competência motora, mas também aspectos cognitivos, sociais e afetivos. Além disso, práticas inclusivas e adaptações metodológicas ampliam o acesso e a participação de diferentes públicos. O estudo reforça a necessidade de formação docente e de políticas educacionais que incorporem o atletismo de forma contextualizada, garantindo experiências motoras diversificadas e significativas. Conclui-se que o atletismo, quando conduzido pedagogicamente, constitui um ambiente privilegiado para o processo do desenvolvimento motor, a promoção de estilo de vida fisicamente ativo e a construção de competências essenciais para a prática esportiva, recreativa e da vida cotidiana.
Unitermos: Desenvolvimento motor. Habilidades motoras fundamentais. Atletismo. Educação Física. Aprendizagem motora.
Abstract
Motor development is a continuous and essential process for human growth, particularly during childhood and adolescence. This narrative review aimed to analyze the role of athletics as a pedagogical and scientific tool in promoting motor development and the acquisition of fundamental motor skills. The literature indicates that athletics movements correspond directly to core human motor categories, forming an effective foundation for motor literacy and sports learning. Evidence shows that pedagogical programs based on playfulness, task variability, and progressions appropriate to developmental stages enhance not only motor competence but also cognitive, social, and affective dimensions. Furthermore, inclusive practices and methodological adaptations expand access and participation among diverse populations, including children with disabilities. The study highlights the importance of teacher training and educational policies that integrate athletics in a contextualized way, ensuring diverse and meaningful motor experiences. It is concluded that athletics, when pedagogically structured, represents a privileged environment for global motor development, the promotion of active lifestyles, and the construction of essential competencies for sports and daily life.
Keywords: Motor development. Fundamental motor skills. Athletics. Physical Education. Motor learning.
Resumen
El desarrollo motor es un proceso continuo y crucial para la formación integral del ser humano. Esta revisión narrativa tuvo como objetivo analizar el papel del atletismo como una posibilidad pedagógica en dicho proceso. La literatura demuestra que los gestos del atletismo se corresponden directamente con las principales categorías del movimiento humano, constituyendo así una estrategia importante para ampliar el repertorio motor y el aprendizaje deportivo. La evidencia sugiere que los programas pedagógicos basados en metodologías lúdicas, variabilidad de tareas y progresiones adecuadas a las etapas de desarrollo favorecen no solo la competencia motora, sino también los aspectos cognitivos, sociales y afectivos. Además, las prácticas inclusivas y las adaptaciones metodológicas amplían el acceso y la participación de diversos públicos. El estudio refuerza la necesidad de formación docente y políticas educativas que incorporen el atletismo de forma contextualizada, garantizando experiencias motoras diversas y significativas. Se concluye que el atletismo, cuando se practica pedagógicamente, constituye un entorno privilegiado para el proceso de desarrollo motor, la promoción de un estilo de vida físicamente activo y el desarrollo de habilidades esenciales para el deporte, la recreación y la vida cotidiana.
Palabras clave
: Desarrollo motor. Habilidades motoras fundamentales. Atletismo. Educación Física. Aprendizaje motor.
Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 335, Abr. (2026)
Introdução
O desenvolvimento humano é um processo contínuo que começa na concepção e cessa somente com a morte, abrangendo todas as dimensões de nossa existência (Gallahue, Ozmun, e Goodway, 2013). No que se aplica aos seres humanos, o desenvolvimento, no geral, é considerado como referindo-se às mudanças que se experimenta ao longo da vida (Payne, e Isaacs, 2007) e, diante disso, o desenvolvimento motor se manifesta como um domínio essencial quando se contempla o desenvolvimento integral do ser humano.
Nesse contexto, o atletismo, reconhecido como o “esporte base” por englobar movimentos fundamentais como correr, saltar e arremessar, configura-se como um recurso privilegiado para a promoção de competências motoras que sustentam a participação em diversas modalidades esportivas (Díaz, Ferreira, e Silva, 2022; Nascimento, e Nunes, 2021) bem como em tarefas do cotidiano.
Diversos estudos têm demonstrado que a prática sistemática de atividades atléticas em idade escolar contribui de forma significativa para o aprimoramento das habilidades motoras fundamentais, favorecendo não apenas o desempenho físico, mas também dimensões cognitivas e sociais do desenvolvimento humano. (Forster, 2020; Moura et al., 2006)
Intervenções bem estruturadas nessa área revelam impacto positivo na aquisição de habilidades locomotoras e manipulativas, estimulando a aprendizagem motora e promovendo maior adesão a estilos de vida fisicamente ativos ao longo do tempo. (Sun, e Chen, 2024)
Resultados longitudinais também evidenciam a relação entre participação esportiva organizada e desenvolvimento motor. Vandorpe et al. (2012), ao acompanharem crianças de seis a nove anos durante um período de três anos, observaram que aquelas que mantiveram envolvimento contínuo em atividades esportivas apresentaram níveis significativamente superior de coordenação motora quando comparadas às com participação parcial ou inexistente. Além disso, verificou-se que a coordenação motora é relativamente estável ao longo do tempo, sendo tanto o nível inicial quanto a regularidade da prática esportiva preditores de envolvimento futuro no esporte.
Complementarmente, pesquisas recentes reforçam que programas de ensino de atletismo, quando aplicados de forma lúdica e adaptada, despertam maior interesse e engajamento dos alunos, favorecendo a construção de um repertório motor diversificado e ampliando as possibilidades de prática esportiva ao longo da vida (Başkaya et al., 2023; Herrmann et al., 2023). Nessa perspectiva, a variação funcional dos movimentos é apontada como elemento importante para ampliar a capacidade adaptativa dos praticantes e estabelecer a base para a expertise esportiva (Savelsbergh, e Wormhoudt, 2019). Assim, o atletismo se destaca não apenas por potencializar a aquisição de habilidades motoras fundamentais, mas também por desempenhar papel estratégico na formação esportiva de longo prazo, atuando como via de acesso tanto para a iniciação quanto para o alto rendimento em diferentes modalidades.
Outro aspecto relevante refere-se à diversidade de públicos beneficiados pela prática do atletismo. Além de crianças em idade escolar, evidências apontam benefícios para diferentes populações, como pessoas com deficiência, incluindo avanços no desenvolvimento motor, na autoestima e na inclusão social (Moura et al., 2006). Da mesma forma, a adaptação de estratégias pedagógicas que considerem distintos modos de aprendizagem pode potencializar o processo de ensino e aprendizagem das habilidades motoras, tornando as práticas mais eficazes e acessíveis. (Fuelscher, Ball, e Macmahon, 2012)
Portanto, o objetivo dessa revisão narrativa é analisar o papel do atletismo como possibilidade pedagógica no processo do desenvolvimento motor. Isso revela-se fundamental, dado que esse esporte atua como mediador privilegiado da aprendizagem motora, da socialização e da promoção de estilos de vida fisicamente ativos e saudáveis. Contudo, embora a literatura já aponte benefícios consistentes, ainda persistem lacunas relacionadas às estratégias pedagógicas e metodológicas mais adequadas para promover tais avanços em diferentes contextos (escolar, recreativo e competitivo). Nesse cenário, a realização de uma revisão justifica-se pela possibilidade de integrar e sistematizar as evidências disponíveis, oferecendo uma visão abrangente sobre o estado atual do conhecimento, identificando limitações e orientando direções para futuras investigações. (Díaz, Ferreira, e Silva, 2022; Nascimento, e Nunes, 2021; Forster, 2020)
Métodos
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, conduzida com o objetivo de analisar o papel do atletismo como possibilidade pedagógica no processo do desenvolvimento motor, com ênfase na aquisição e no aperfeiçoamento das habilidades motoras fundamentais ao longo da infância e adolescência. Especificamente, buscou-se: (1) compreender como o atletismo tem sido abordado na literatura científica como contexto para o desenvolvimento motor; (2) identificar evidências relacionadas à aquisição, refinamento e transferência de habilidades motoras fundamentais associadas à prática do atletismo; (3) analisar estratégias pedagógicas e metodológicas utilizadas no ensino do atletismo em contextos escolares, recreativos e esportivos; e (4) discutir implicações pedagógicas e lacunas existentes para futuras investigações.
Para inclusão nesta revisão, foram considerados estudos que abordassem crianças, adolescentes ou jovens, atletas ou não atletas, bem como estudos que analisassem o ensino, a prática ou intervenções baseadas no atletismo relacionadas ao desenvolvimento motor, à aprendizagem motora ou às habilidades motoras fundamentais. Também foram incluídos estudos que discutissem o atletismo como recurso pedagógico na educação física escolar ou em programas de iniciação esportiva. Foram excluídos estudos publicados em idiomas diferentes do português e do inglês, revisões sistemáticas ou narrativas e estudos que não apresentassem relação direta com o desenvolvimento motor ou com o atletismo.
O processo de levantamento bibliográfico foi realizado de forma não sistemática, característica de revisões narrativas, porém seguindo critérios de organização e rastreabilidade conforme Figura 1. As buscas foram conduzidas pelos autores de maneira independente nas bases de dados PubMed, Scopus e SciELO, consideradas relevantes para as áreas de educação física, ciências do esporte e desenvolvimento humano. Quando necessário, manuscritos não disponíveis integralmente nas bases ou nos sites das revistas foram acessados por meio de plataformas acadêmicas ou contato direto com os autores.
A definição dos descritores foi baseada em literatura clássica e contemporânea sobre desenvolvimento motor, aprendizagem motora e formação esportiva. Os principais descritores utilizados incluíram: “motor development”, “motor learning”, “fundamental motor skills”, “athletics”, “track and field”, “running”, “jumping”, “throwing”, “physical education”, “sports training” e “youth”, bem como suas variações em português.
Após a identificação dos estudos, procedeu-se à leitura exploratória dos títulos e resumos, com posterior leitura integral dos trabalhos considerados relevantes. A seleção final dos estudos foi realizada com base na aderência ao objetivo da revisão e na contribuição teórica ou empírica para a compreensão do atletismo como contexto para o desenvolvimento motor. Divergências quanto à elegibilidade dos estudos foram resolvidas por consenso entre os autores.
Os estudos incluídos foram analisados de forma qualitativa e interpretativa, permitindo a integração de evidências empíricas, modelos teóricos e proposições pedagógicas. Os achados foram organizados de maneira temática, dando origem aos eixos de discussão apresentados ao longo do manuscrito, especialmente aqueles relacionados ao desenvolvimento motor, à aquisição e ao aperfeiçoamento das habilidades motoras fundamentais, e ao papel pedagógico do atletismo em diferentes contextos. Por se tratar de uma revisão narrativa, não foi realizada avaliação formal do risco de viés ou síntese quantitativa dos dados. A figura 1 abaixo fornece o processo de identificação e triagem.
Figura 1. Diagrama de fluxo do processo de mapeamento, baseado nas recomendações do PRISMA-ScR
Fonte: Dados de pesquisa
Resultados
A tabela abaixo fornece o panorama geral dos estudos após identificação e triagem.
Tabela 1. Síntese dos principais achados dos estudos incluídos na revisão sobre atletismo e desenvolvimento motor
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Autor (ano) |
Amostra / Contexto |
Modalidade / Intervenção |
Principais variáveis analisadas |
Principais resultados |
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Gallahue, Ozmun, e Goodway (2013) |
Modelo teórico |
Desenvolvimento motor |
Fases e estágios do desenvolvimento motor |
O desenvolvimento motor ocorre de forma contínua, sendo a vivência diversificada de movimentos determinante para a aquisição e o refinamento das habilidades motoras fundamentais. |
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Vandorpe et al. (2012) |
Crianças (6-9 anos) |
Participação esportiva organizada |
Coordenação motora |
Crianças com participação esportiva contínua apresentaram níveis superiores e mais estáveis de coordenação motora ao longo do tempo. |
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Stodden et al. (2008) |
Modelo conceitual |
Atividade física e competência motora |
Competência motora, níveis de atividade física |
Relação bidirecional entre competência motora e atividade física, formando um ciclo positivo de engajamento e proficiência. |
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Barnett et al. (2016) |
Crianças e adolescentes |
Habilidades motoras fundamentais |
Proficiência motora, atividade física futura |
Níveis mais elevados de habilidades motoras fundamentais na infância predizem maior participação em atividade física na adolescência. |
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Cattuzzo et al. (2016) |
Jovens |
Atividades esportivas |
Competência motora, aptidão física |
Evidência consistente de associação positiva entre competência motora e indicadores de saúde física. |
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Sun, e Chen (2024) |
Crianças em idade escolar |
Intervenções baseadas em jogos e esportes |
Habilidades motoras fundamentais |
Intervenções lúdicas e variadas produzem melhorias significativas nas habilidades motoras fundamentais. |
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Moon et al. (2024) |
Crianças |
Programas escolares de atividade física |
Competência motora |
Programas estruturados com variabilidade de tarefas apresentam efeitos moderados a altos na proficiência motora. |
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Bolger et al. (2021) |
Crianças |
Avaliação TGMD-2 |
Habilidades motoras fundamentais |
Evidência de baixos níveis globais de proficiência motora, reforçando a necessidade de intervenções estruturadas. |
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Savelsbergh, e Wormhoudt (2019) |
Modelo teórico |
Athletic Skills Model |
Alfabetização física, adaptabilidade motora |
A diversidade de experiências motoras favorece adaptabilidade, transferência de habilidades e evita especialização precoce. |
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Rudd et al. (2020) |
Abordagem conceitual |
Alfabetização física |
Variabilidade, engajamento |
O desenvolvimento motor deve ser entendido como processo integrado, influenciado por contexto, motivação e variabilidade de movimento. |
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Lloyd, e Oliver (2012) |
Modelo de desenvolvimento |
Long-term athletic development |
Progressão motora, aptidão física |
Programas progressivos e adequados à maturação potencializam o desenvolvimento motor e reduzem riscos associados à especialização precoce. |
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Moura et al. (2006) |
Crianças com deficiência |
Atletismo adaptado |
Desenvolvimento motor, inclusão |
Programas de atletismo adaptado promovem ganhos motores, autoestima e inclusão social. |
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(Gemente, e Matthiesen, (2017) |
Contexto escolar |
Atletismo inclusivo |
Participação, desenvolvimento motor |
Adaptações metodológicas simples ampliam a participação e favorecem o desenvolvimento motor em contextos inclusivos. |
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(Lima et al., 2019) |
Crianças |
Programas esportivos |
Competência motora, atividade física |
Ganhos estáveis em competência motora associam-se a maior envolvimento em atividade física ao longo do tempo. |
Fonte: Dados de pesquisa
Discussão
O desenvolvimento motor pode ser caracterizado como um processo contínuo de mudanças no comportamento motor ao longo da vida (Gallahue, Ozmun, e Goodway, 2013), não se limitando apenas a determinada faixa etária ou fase da vida, mas ampliando sua compreensão aos diversos aspectos que envolvem o ciclo vital. Além disso, é importante o entendimento de que o processo do desenvolvimento motor é influenciado por fatores do indivíduo, do ambiente e das demandas específicas de cada tarefa.
Para fundamentar o estudo do desenvolvimento motor, optou-se pelo modelo proposto por Gallahue, Ozmun, e Goodway (2013). Nesse modelo teórico, o processo do desenvolvimento motor é contemplado por meio de fases e estágios, sendo as fases apresentadas da seguinte maneira: fase do movimento reflexo; fase do movimento rudimentar; fase do movimento fundamental; e fase do movimento especializado. No contexto deste trabalho, especial atenção será dada as fases do movimento fundamental e especializado.
A primeira fase abordada é a fase do movimento reflexo. Os movimentos reflexos são reações involuntárias do corpo a diferentes formas de estimulação externa e formam a base das fases do desenvolvimento motor (Gallahue, Ozmun, e Goodway, 2013). A fase do movimento rudimentar se caracteriza pelos primeiros movimentos voluntários e compreende o desenvolvimento motor do indivíduo até cerca de dois anos de idade. (Gallahue, Ozmun, e Goodway, 2013)
Na fase do movimento fundamental, a ênfase se direciona à aquisição de habilidades motoras fundamentais. É uma fase em que as crianças, no geral, estão bastante envolvidas em conhecer e explorar as diversas possibilidades de movimentos corporais; se manifesta o processo de desenvolvimento dos padrões do movimento fundamental. Segundo Gallahue, Ozmun, e Goodway (2013), os padrões do movimento fundamental são padrões de comportamento básicos. As atividades de locomoção, como correr e pular, as manipulativas, como arremessar e pegar, e as estabilizadoras, como manter o equilíbrio e caminhar sobre uma barra, são alguns exemplos de movimentos fundamentais.
Em relação à fase do movimento fundamental, cabe destacar que a vivência de uma ampla variedade de movimentos de estabilidade, locomoção e manipulação, tende a possibilitar o aumento do repertório motor e, com efeito, a competência de movimento em diferentes situações. O desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais pode, inclusive, estar associado ao envolvimento em atividades físicas (Garbeloto et al., 2024). Para Gallahue, Ozmun, e Goodway (2013), níveis mais elevados de competência motora propiciam maior repertório de movimentos e mais possibilidades de participação em atividades físicas, jogos e esportes.
Com isso, é possível sinalizar que a aquisição de habilidades motoras fundamentais pode exercer influências ao longo da vida do indivíduo, não se restringindo as atividades realizadas na infância e adolescência. Ou seja, se o desenvolvimento motor é um processo contínuo de mudanças ao longo da vida, as habilidades motoras básicas desenvolvidas na infância podem contribuir na realização das diversas atividades e tarefas, das mais simples as mais complexas, presentes nas diferentes fases da vida do ser humano.
A fase do movimento especializado “é o período em que as habilidades de estabilidade, locomoção e manipulação são progressivamente refinadas, combinadas e reelaboras para uso em situações de crescente demanda” (Gallahue, Ozmun, e Goodway, 2013, p. 73). No estágio de transição, da fase do movimento especializado, que inicia no geral entre sete e oito anos de idade, a criança passa a combinar e a aplicar habilidades de movimento fundamental para desempenhar habilidades especiais no âmbito recreativo e esportivo. (Gallahue, Ozmun, e Goodway, 2013)
Importante lembrar que, embora a fase seja do movimento especializado, isto não significa que a criança, no estágio de transição, tenha que se especializar precocemente em determinada tarefa ou modalidade específica. Pelo contrário, é oportuno que a criança possa vivenciar uma série de atividades no sentido de ampliar seu controle motor e competência de movimento, favorecendo um percurso apropriado nos diferentes domínios que compreendem o desenvolvimento humano. A fase do movimento especializado, no modelo proposto por Gallahue, Ozmun, e Goodway (2013), ainda é composta pelo estágio de aplicação e o estágio de utilização ao longo da vida, sendo que este último inicia por volta dos 14 anos e segue por toda a vida adulta, representando, desse modo, o ápice do processo do desenvolvimento motor. Ainda que o estágio ao longo da vida venha a representar a culminação das fases e estágios precedentes, ele deve ser entendido como a continuação de um processo que permanece durante toda a vida.
No que se refere ao desenvolvimento motor, as oportunidades para vivenciar uma ampla diversidade de práticas corporais na infância parece contribuir para a aquisição de habilidades motoras fundamentais. Desse modo, o atletismo, enquanto modalidade composta por diferentes movimentos de estabilidade, locomoção e manipulação, pode possibilitar um contexto ambiental favorável para o aumento do repertório motor do indivíduo, como será discutido no tópico a seguir.
O atletismo compreende um amplo conjunto de movimentos corporais que envolvem padrões motores básicos, como correr, saltar, lançar e realizar diferentes tipos de deslocamentos. Considerando essas características, essa modalidade se configura como um recurso privilegiado para a aquisição e aperfeiçoamento das habilidades motoras fundamentais, além de favorecer trajetórias positivas no processo do desenvolvimento motor durante a infância e a adolescência. Essa relevância pode ser explicada por três aspectos principais: (a) a correspondência direta entre os movimentos do atletismo e as habilidades motoras essenciais ao ser humano; (b) o potencial do atletismo, quando conduzido de forma pedagógica, para promover experiências de aprendizagem variadas e transferíveis para outras práticas corporais (Savelsbergh, e Wormhoudt, 2019; Rudd et al., 2020); e (c) as evidências científicas que demonstram que a participação regular e estruturada em atividades esportivas contribui significativamente para o aprimoramento da competência motora e para o aumento dos níveis de atividade física ao longo do tempo. (Sun, e Chen, 2024; Moon et al., 2024; Bolger et al., 2021)
Em primeiro lugar, os gestos centrais do atletismo correspondem diretamente às principais categorias das habilidades motoras fundamentais, que incluem movimentos de locomoção, manipulação e de estabilidade corporal. A literatura sobre desenvolvimento motor demonstra que a exposição repetida e diversificada a esses padrões de movimento é essencial para a construção de repertórios motores mais refinados, coordenados e adaptáveis. Dessa forma, a prática de atividades e jogos que envolvem variações de corrida, saltos e arremessos contribui de maneira significativa para a consolidação e o aprimoramento dessas habilidades básicas (Gallahue, Ozmun, e Goodway, 2013). Evidências recentes reforçam essa perspectiva ao indicar que programas pedagógicos e intervenções aplicadas em ambientes escolares produzem avanços consistentes nas habilidades motoras fundamentais quando são estruturados a partir de jogos e tarefas funcionais que se assemelham às exigências corporais do atletismo. (Sun, e Chen, 2024; Bolger et al., 2021; Moon et al., 2024)
Em segundo lugar, modelos contemporâneos de desenvolvimento de habilidades esportivas, oferecem um sólido arcabouço teórico que justifica o uso do atletismo e de suas variações como meio eficaz para promover a alfabetização física e a adaptabilidade motora (Savelsbergh, e Wormhoudt, 2019). Esses modelos propõem que crianças e adolescentes sejam expostos a uma ampla diversidade de experiências motoras, em ambientes estimulantes e desafiadores, favorecendo a transferência de habilidades entre diferentes modalidades e prevenindo a especialização precoce. Essa perspectiva converge com outras abordagens recentes sobre o desenvolvimento motor, que defendem a importância da variabilidade de movimento e do jogo como elementos centrais para a aquisição e refinamento das habilidades motoras fundamentais. (Rudd et al., 2020; Buszard et al., 2020; Wormhoudt et al., 2017)
Sob essa perspectiva, o atletismo, quando trabalhado de forma pedagógica e criativa, possibilita o desenvolvimento de competências motoras amplas e adaptáveis, uma vez que seus gestos essenciais, como correr, saltar e lançar, podem ser explorados em inúmeras variações e contextos. Atividades derivadas do atletismo, como circuitos com corridas e mudanças de direção, saltos com aterrissagens em diferentes superfícies e lançamentos com objetos de variados tamanhos e pesos, constituem estímulos enriquecedores para o desenvolvimento da coordenação, da agilidade e do controle corporal (Lloyd, e Oliver, 2012; Myer et al., 2015). Esses princípios sustentam propostas pedagógicas centradas na variabilidade e no jogo, em oposição a métodos tradicionais baseados em repetições técnicas isoladas, que tendem a limitar o repertório motor e reduzir o engajamento das crianças nas práticas corporais. (Graham et al., 2020; Rudd et al., 2020; Savelsbergh, e Wormhoudt, 2019)
Em terceiro lugar, a literatura científica demonstra de forma consistente que a participação contínua em atividades motoras organizadas está diretamente associada a níveis mais elevados de coordenação, controle postural e competência motora geral, fatores que favorecem a aprendizagem de habilidades esportivas específicas e a adoção de um estilo de vida fisicamente ativo ao longo da vida (Vandorpe et al., 2012; Stodden et al., 2008). De acordo com o modelo proposto por Stodden et al. (2008), o desenvolvimento da competência motora e os níveis de atividade física mantêm uma relação dinâmica e bidirecional, na qual crianças mais competentes tendem a ser mais ativas, criando um ciclo positivo de proficiência motora e engajamento.
Crianças que participam regularmente de programas esportivos apresentam ganhos estáveis em coordenação motora, equilíbrio e controle cinemático, demonstrando progressões significativas em relação àquelas menos expostas a ambientes de prática (Cattuzzo et al., 2016; Vandorpe et al., 2012; Li et al., 2022). Revisões sistemáticas e metanálises também evidenciam que intervenções realizadas em ambientes escolares e extraescolares, especialmente aquelas que utilizam metodologias lúdicas, circuitos e tarefas motoras diversificadas, produzem melhorias substanciais na proficiência motora, nas funções executivas e no envolvimento afetivo com o movimento. (Moon et al., 2024; Sun, e Chen, 2024; Barnett et al., 2016; Jones et al., 2020)
No contexto prático, o atletismo adaptado às faixas etárias escolares mostra-se particularmente eficaz para promover o desenvolvimento motor global. Quando estruturado com ênfase em jogos, variação de tarefas, desafios progressivos e feedbacks positivos, o atletismo amplia a motivação, o prazer e a autopercepção de competência motora, elementos reconhecidamente associados à adesão à atividade física e à melhoria da performance em longo prazo (Garbeloto et al., 2024; Lima et al., 2019; Barnett et al., 2022). Dessa forma, programas pedagógicos baseados no atletismo não apenas fortalecem a aquisição e o aperfeiçoamento de habilidades motoras como correr, saltar e lançar, mas também contribuem para o desenvolvimento psicossocial e para a formação de hábitos saudáveis de movimento que tendem a se manter na vida adulta.
Na prática pedagógica, as evidências científicas sobre o desenvolvimento motor infantil apontam implicações diretas para o ensino do atletismo e sua integração aos currículos escolares. Primeiramente, recomenda-se a priorização de atividades que estimulem a variabilidade motora e o enfrentamento de desafios progressivos, como circuitos, jogos de revezamento com obstáculos, provas adaptadas e tarefas de lançamento com diferentes pesos e tamanhos de objetos. Essas estratégias favorecem a aprendizagem por meio da exploração motora, em detrimento de abordagens centradas exclusivamente na repetição técnica (Rudd et al., 2020; Buszard et al., 2020; Wormhoudt et al., 2017). A diversidade de experiências de movimento estimula a adaptabilidade e amplia o repertório motor, fundamentos essenciais para a consolidação das habilidades locomotoras, manipulativas e de equilíbrio. (Gallahue, Ozmun, e Goodway, 2013; Graham et al., 2020)
Outro aspecto fundamental diz respeito à utilização de progressões pedagógicas que respeitem as características de cada indivíduo e proporcionem oportunidades referentes ao desenvolvimento motor, garantindo que as propostas estejam adequadas às fases descritas por Gallahue, Ozmun, e Goodway (2013). Essa perspectiva evita a especialização precoce e favorece o desenvolvimento global da criança, em consonância com recomendações de modelos contemporâneos (Savelsbergh, e Wormhoudt, 2019; Lloyd, e Oliver, 2012). Além disso, destaca-se a importância da avaliação formativa e contínua das habilidades motoras, que permite ajustar o processo de ensino e aprendizagem de forma individualizada. (Ulrich, 2019; Wang et al., 2024; Zhang et al., 2024; Lima et al., 2019)
De forma complementar, há evidências consistentes de que práticas pedagógicas baseadas no atletismo podem ser adaptadas para incluir crianças com deficiência ou dificuldades motoras, promovendo ganhos de autonomia, autoeficácia e socialização. A literatura demonstra que pequenas modificações em regras, materiais e estruturas de atividades são suficientes para garantir participação ativa e progresso motor de todos os indivíduos. (Goodwin, e Watkinson, 2000; Yu et al., 2022; Gemente, e Matthiesen, 2017)
Por fim, é importante destacar que o atletismo enquanto possibilidade de estímulo do desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais está intimamente relacionada a um conjunto de variáveis contextuais que influenciam o processo de ensino e aprendizagem. Entre elas, destacam-se a duração e a frequência das práticas, a formação e atuação pedagógica dos professores e treinadores, os recursos físicos e culturais disponíveis no ambiente escolar e comunitário, bem como a estrutura didática empregada, incluindo o tipo de feedback oferecido, o grau de variabilidade das tarefas e o incentivo à autonomia dos alunos. (Jiang et al., 2025; Koolwijk et al., 2024; Lopes et al., 2019)
Revisões sistemáticas e metanálises recentes têm mostrado que programas com maior duração e frequência, que utilizam metodologias ativas baseadas em jogos, desafios motores e atividades diversificadas, produzem efeitos mais expressivos sobre a proficiência motora e a alfabetização física das crianças (Lima et al., 2019; Barnett et al., 2022; Jones et al., 2020). A formação docente também exerce papel determinante: professores capacitados em pedagogia do movimento e em abordagens baseadas no desenvolvimento motor tendem a criar ambientes mais estimulantes, nos quais o atletismo é explorado como ferramenta educativa, e não apenas como prática competitiva. (Sampaio et al., 2014; Graham et al., 2020)
Além disso, a adaptação curricular do atletismo ao contexto sociocultural das escolas e comunidades é fundamental para garantir acessibilidade, engajamento e continuidade das práticas. Projetos que integram o atletismo a conteúdos interdisciplinares, como jogos cooperativos, cultura corporal e promoção da saúde, demonstram impacto positivo tanto no desempenho motor quanto na motivação intrínseca e no senso de competência percebida (Cattuzzo et al., 2016; Li et al., 2022). Assim, o desenho de programas pedagógicos baseados no atletismo deve considerar princípios de progressão, avaliação contínua e flexibilidade didática, permitindo ajustar as experiências motoras às características, idades e necessidades dos participantes.
Em síntese, o atletismo, quando compreendido e aplicado como um conjunto de experiências motoras amplas, variadas e contextualizadas, constitui um ambiente científico-pedagógico altamente eficaz para a aquisição e o aprimoramento das habilidades motoras fundamentais, favorecendo trajetórias positivas de desenvolvimento motor. A integração entre a teoria do desenvolvimento motor (Gallahue, Ozmun, e Goodway, 2013), os modelos contemporâneos de aprendizagem esportiva (Savelsbergh, e Wormhoudt, 2019; Lloyd, e Oliver, 2012) e as evidências empíricas provenientes de intervenções recentes consolida o atletismo como uma estratégia educacional potente para formar indivíduos fisicamente competentes, ativos e capazes de transferir suas habilidades para diferentes contextos esportivos, recreativos e da vida cotidiana.
Conclusão
Com base na revisão apresentada, conclui-se que o atletismo se configura como um contexto privilegiado para o desenvolvimento motor e a aquisição de habilidades motoras fundamentais, atuando de forma estratégica na formação integral do indivíduo desde a infância. A natureza multifacetada do atletismo, que envolve gestos locomotores, manipulativos e de estabilidade, proporciona oportunidades amplas de exploração e variabilidade motora, elementos reconhecidamente essenciais para a consolidação da competência motora e para a alfabetização física.
Os resultados de diferentes estudos indicam que programas pedagógicos baseados em princípios de diversidade de movimento, progressão de tarefas e feedback positivo favorecem não apenas o desempenho motor, mas também dimensões cognitivas, afetivas e sociais do desenvolvimento humano. Além disso, a prática regular e estruturada de atividades atléticas contribui para o aumento dos níveis de atividade física, fortalecendo o engajamento esportivo e a adoção de estilo de vida fisicamente ativo ao longo da vida.
Do ponto de vista pedagógico, destaca-se a importância do ensino do atletismo ser conduzido sob uma perspectiva inclusiva, lúdica e adaptada às diferentes fases do desenvolvimento motor, conforme o modelo de Gallahue, Ozmun, e Goodway (2013). A aplicação de estratégias metodológicas centradas na variabilidade, na exploração e na resolução de problemas motores mostra-se mais eficaz do que abordagens tradicionais de repetição técnica, promovendo aprendizagens significativas e sustentáveis.
Adicionalmente, a formação docente e a adequação curricular emergem como fatores importantes para o sucesso das intervenções, uma vez que professores capacitados e ambientes pedagógicos bem estruturados potencializam os efeitos do atletismo sobre a coordenação, o controle postural e a autonomia motora. O atletismo deve ser compreendido não apenas como uma modalidade esportiva, mas como uma possibilidade pedagógica e científica capaz de impulsionar o desenvolvimento motor, cognitivo e social das crianças e adolescentes. Sua integração qualificada no contexto escolar e comunitário contribui para a formação de indivíduos fisicamente competentes, autoconfiantes e preparados para a prática de diferentes modalidades esportivas e para a adoção de hábitos considerados saudáveis ao longo da vida.
Por fim, recomenda-se que futuras pesquisas aprofundem a análise sobre as estratégias pedagógicas mais eficazes para diferentes faixas etárias e contextos socioculturais, ampliando o corpo de evidências que fundamenta o uso do atletismo como meio de promoção do desenvolvimento motor e da formação integral do ser humano.
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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 335, Abr. (2026)