ISSN 1514-3465
A gestão de novos esportes brasileiros: obstáculos, facilitadores e possibilidades
The Management of New Brazilian Sports: Obstacles, Facilitators, and Possibilities
La gestión de los nuevos deportes brasileños: obstáculos, facilitadores y posibilidades
Narayana Astra van Amstel
*Rodrigo Tramutolo Navarro
***
*Licenciatura Plena em Educação Física (UFPR)
Sociólogo (UNICV)
Especialista em Gestão Pública (IFPR)
Mestre em Educação Física (UFPR - Linha Esporte, Lazer e Sociedade)
Doutor em Sociologia (UFPR - Linha Cultura e Sociabilidades)
Membro do CEPELS - Centro de Pesquisa em Esporte, Lazer e Sociedade.
Atualmente é professor da Secretaria de Educação do Estado do Paraná
**Licenciado em Educação Física (UNIUNICA)
Licenciando em Filosofia (UNICV)
Engenheiro Elétrico (UFPR)
Especialista em Acupuntura (ABA)
Mestrando em Saúde Coletiva (UFPR)
Atualmente é professor do IFPR - campus Curitiba
***Licenciatura Plena em Educação Física (UFPR)
Especialista em Educação Física (UFPR)
Especialista em Gestão Educacional (UEPG)
Mestrado em Educação (UFPR)
Doutor em Educação Física (UFPR - Linha Esporte, Lazer e Sociedade)
Atualmente é professor do IFPR - campus Curitiba
(Brasil)
Recepción: 20/10/2025 - Aceptación: 12/02/2026
1ª Revisión: 20/01/2026 - 2ª Revisión: 09/02/2026
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0
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Este trabalho está sob uma licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt |
Cita sugerida
: Amstel, N.A. van, Cooper, E., e Navarro, R.T. (2026). A gestão de novos esportes brasileiros: obstáculos, facilitadores e possibilidades. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(336), 92-109. https://doi.org/10.46642/efd.v31i336.8612
Resumo
Esta pesquisa teve por objetivo central analisar os elementos recorrentes na criação de novos esportes brasileiros, a partir das falas dos gestores e representantes dessas modalidades, no que se refere às estratégias adotadas, obstáculos citados e objetivos traçados, registrados no documento da Audiência Pública 0124/18 do Congresso Nacional, com a intenção de se apontar possíveis caminhos para a divulgação e popularização dessas práticas no Brasil. A investigação qualitativa, de caráter descritivo-exploratório, utilizou revisão de literatura e análise de conteúdo da ata da audiência em questão. A análise revelou obstáculos como burocracia, falta de apoio estatal e dependência do trabalho voluntário dos criadores das modalidades. Como facilitadores, destacam-se a inserção em currículos escolares, a divulgação digital, o apoio da mídia, o associativismo entre os gestores e a oferta de cursos formativos. O estudo propõe caminhos para a popularização das modalidades de criação nacional, traçando estratégias e dificuldades que podem surgir no trabalho dos gestores.
Unitermos:
Esporte. Políticas Públicas. Gestão esportiva. Direito esportivo.
Abstract
This research analyzes the recurring elements in the creation of new Brazilian sports, based on the statements of managers and representatives of these modalities, regarding the strategies adopted, the obstacles mentioned, and the goals established, as recorded in the Public Hearing Document 0124/18 of the National Congress. The aim is to identify possible paths for the dissemination and popularization of these practices in Brazil. This qualitative, descriptive-exploratory investigation employed a literature review and content analysis of the hearing minutes. The analysis revealed obstacles such as bureaucracy, lack of governmental support, and dependence on the voluntary work of the sport creators. As facilitating factors, the study highlights the inclusion of these sports in school curricula, digital dissemination, media support, cooperation among managers, and the offering of training courses. The study proposes pathways for the popularization of nationally created sports, outlining strategies and potential challenges that may, arise in the work of managers.
Keywords
: Sport. Public Policy. Sport management. Sport law.
Resumen
Esta investigación tuvo como objetivo analizar los elementos recurrentes en la creación de nuevos deportes brasileños, a partir de las declaraciones de gestores y representantes de estas modalidades, respecto a las estrategias adoptadas, los obstáculos mencionados y los objetivos establecidos, según consta en el acta de la Audiencia Pública 0124/18 del Congreso Nacional, con la intención de señalar posibles vías para la difusión y popularización de estas prácticas en Brasil. La investigación cualitativa, de carácter descriptivo-exploratorio, empleó la revisión bibliográfica y el análisis de contenido de las actas de la audiencia en cuestión. El análisis reveló obstáculos como la burocracia, la falta de apoyo estatal y la dependencia del trabajo voluntario de los creadores de las modalidades. Como facilitadores, destacan la inclusión en los currículos escolares, la difusión digital, el apoyo mediático, la asociación entre gestores y la oferta de cursos de formación. El estudio propone vías para la popularización de las modalidades creadas a nivel nacional, delineando estrategias y dificultades que pueden surgir en el trabajo de los gestores.
Palabras clave
: Deporte. Políticas Públicas. Administración deportiva. Derecho deportivo.
Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 336, May. (2026)
Introdução
A Constituição Federal de 1988, ao versar sobre a organização do esporte no Brasil, deixou assentado, no artigo 217, a obrigação do Estado de sair em defesa dos esportes criados em nosso país:
Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados: [...] IV - a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional (Brasil, 1988, s.p.).
Para além da Carta Magna, a publicação da Lei Nº 9.615, de 1998, sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, instituiu, em seu artigo n° 7, as diversas destinações de recursos advindos da pasta ministerial responsável pelo esporte, estabelecendo que “Os recursos do Ministério do Esporte terão a seguinte destinação: [...] III - desporto de criação nacional” (Brasil, 1998). Nota-se, portanto, que o Estado brasileiro lançou um olhar em suas ações legislativas à necessidade de apoiar práticas esportivas de origem nacional, dentre as quais Ofenbock (2016) destaca: Capoeira, Jiu-jitsu, Futevôlei, Futebol de Areia, Peteca, entre outras.
Entretanto, nem todas as modalidades obtiveram projeção nacional tão consolidada, caracterizando um esforço contínuo de criadores e praticantes para popularizar essas novas práticas esportivas que ainda são menos notórias, como parece ser o caso de esportes de criação recente, como por exemplo, o Surfe na Pororoca, Sorvebol e Tapembol, práticas essas que ainda permanecem um tanto circunscritas ao estado/região de origem. (Costa, Farias, Dias, e Bosque, 2023)
O esporte contemporâneo configura-se como um fenômeno de massa imerso nas dinâmicas da sociedade midiatizada e de consumo (Souza, e Marchi Júnior, 2017), o que tem contribuído para a homogeneização de suas formas de produção, oferta e fruição, assimilando características de espetacularização e mercantilização (Marchi Júnior, 2016). Tal processo transforma as práticas esportivas em produtos midiáticos, regidos por critérios de visibilidade, audiência e rentabilidade. Pierre Bourdieu (1983), por sua vez, argumenta que a lógica do campo esportivo tende a reproduzir a dominação simbólica das formas consagradas de esporte, especialmente aquelas centradas na alta performance e no rendimento. Assim, até mesmo novas modalidades esportivas, ao buscar inserção e reconhecimento, muitas vezes incorporam elementos dessa lógica dominante, em um processo de assimilação que limita as possibilidades de inovação e diversidade. Dessa forma, o modelo hegemônico de esporte impõe-se não apenas pela força das instituições, mas também pela forma como estrutura o imaginário social sobre o que é — ou deve ser — o esporte. (Bourdieu, 1983)
Figura 1. O frescobol é um desporto cooperativo que é geralmente praticado na praia
Fonte: Gemini 3
Levando em consideração que há modalidades que adquirem maior popularidade em nível nacional e internacional, e outras tantas práticas que lutam para conquistar o gosto do público, bem como obter reconhecimento oficial por parte do governo, cabe alguns questionamentos hipotéticos direcionados a entender quais processos podem estar por detrás dessa variação de popularidade. Haveria, por exemplo, um apoio do Estado a determinadas modalidades de criação nacional em detrimento de outras? Haveria esportes que são mais simpáticos ao gosto do público brasileiro? Para além disso, seria possível considerar algumas estratégias como mais eficientes para popularização de novas modalidades criadas no Brasil?
Na busca por respostas, em pesquisas recentes sobre os aspectos envolvidos na criação do Futsac (Amstel, Cunha Neto, e Marchi Júnior, 2021; Amstel, Bueno, e Marchi Júnior, 2021; Amstel, e Marchi Júnior, 2022), pode-se encontrar destaques aos elementos da gestão público-privada, da interlocução com setores diversos da política, dos processos de mercantilização e espetacularização dessa modalidade, criada em Curitiba, no Paraná. Esses estudos ajudam a entender as muitas etapas envolvidas na criação, regulamentação e disseminação de uma nova modalidade esportiva no Brasil, entre as quais destacam-se as demandas burocráticas, divulgação midiática, inserção em escolas, entre tantas outras discussões relevantes.
Nota-se que estudos sobre criação de novos esportes no cenário brasileiro foram capilarizando-se gradualmente em período recente, a partir dos esforços do professor Dr. Alisson Vieira da Costa, da Universidade Federal do Amapá - UNIFAP, dos quais destacam-se suas pesquisas sobre o Zbol e Sorvebol (Costa, Dias, Farias, e Bosque, 2023), os “esportes do norte” Mirimbol e Contrataque (Costa, e Dias, 2024), Manbol (Costa, Montenegro, Silva, e Bosque, 2023; Costa, e Dias, 2022), Tapembol (Costa, Dias, e Barbosa, 2023) e Oliverbol (Costa, e Silva, 2024), bem como a aplicação de diversas modalidades de criação nacional e não-convencionais aplicadas em escolas públicas e/ou com populações especiais (Costa, Dias, Montenegro, e Oliveira, 2024; Costa, e Dias, 2023a; Costa, e Dias, 2023b; Costa, Dias, e Nascimento, 2024; Vieira, Costa, e Dias, 2023). Esse quantitativo de pesquisas publicadas denotam um prolífico campo de estudos na gestão do esporte brasileiro que vem se desenvolvendo na última década, indicando as potencialidades de se trabalhar com tais modalidades e pesquisá-las de maneira sistemática.
Em consonância com tais anseios, foi elaborado o seguinte problema de pesquisa: quais elementos, relativos à criação de novos esportes brasileiros, são recorrentes nas falas dos gestores e representantes das modalidades ditas brasileiras, no que se refere às estratégias adotadas, obstáculos citados e objetivos traçados?
Para responder a tais questionamentos, o presente estudo propõe uma análise mais abrangente de características em comum a essas modalidades que, com seus gestores e representantes, reunidos pela associação sem fins econômicos União dos Esportes Brasileiros, levaram ao Congresso Nacional uma série de demandas políticas visando a implementação do artigo 217 da Constituição Federal, o que resultou na realização da Audiência Pública 0124/18. Dessa forma, buscou-se sintetizar o teor do debate, as principais sugestões, as dificuldades relatadas, as estratégias conduzidas, entre outros aspectos, tentando estabelecer um quadro abrangente de compreensão da situação que envolve os chamados novos esportes brasileiros.
Sendo assim, o objetivo central deste estudo foi o de analisar os elementos recorrentes na criação de novos esportes brasileiros, com base nas falas dos gestores e representantes dessas modalidades, identificando estratégias, obstáculos e possibilidades.
Métodos
Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, norteada por um desenho de estudo descritivo-exploratório e de caráter bibliográfico-documental. Foi elencado, como corpus de análise, o documento da Audiência Pública nº. 0124/18, realizada no dia 11 de abril de 2018, em Brasília, e organizada pela Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, sob o título ‘Debate sobre os esportes de criação nacional’. O evento foi proposto na época pelos deputados João Derly (REDE - RS) e Roberto Góes (PDT - AP), que convidaram 13 representantes de modalidades inventadas no Brasil, para discutir o histórico de vários desses esportes e as estratégias de gestão adotadas como marketing, parcerias público-privadas, captação de recursos de diversas fontes, inserção em diferentes espaços, etc.
Os convidados e as modalidades que representaram foram os seguintes: Rui Hildebrando, criador do Manbol; Noélio Sobrinho, presidente da Associação Brasileira de Surfe na Pororoca; Weber Magalhães, vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Salão; Rafael Favetti, presidente da Comissão Atlética Brasileira de Artes Marciais Mistas; Lana Miranda, representante da Confederação Brasileira de Futevôlei; Sergio Zaccaro, criador do Zaccaro Ball; Marcos Juliano Ofenbock, presidente da Confederação Brasileira de Futsac; Lázaro Zeferino, diretor da Confederação Brasileira de Frescobol; Miguel Frausino, presidente da Federação Goiana de Biribol; Cláudio Mendes, criador do Sorvebol; Wesley Pereira, representante do Tapembol pelo Distrito Federal; André Galvão, representante da Capoeira; e Alcir Horácio da Silva, representante do Frescobol.
Nesse evento foram elaboradas algumas estratégias visando a disseminação de tais modalidades esportivas no âmbito das políticas públicas. Os gestores convidados também destacaram as dificuldades encontradas na implementação dos novos esportes, bem como os mecanismos que facilitaram sua divulgação inicial.
Para analisar as falas dos gestores registradas nos documentos, a presente pesquisa tomou por estratégia metodológica a análise de conteúdo de Laurence Bardin (2011), por intermédio da análise categorial, obedecendo as fases de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, o que será explicitado a seguir.
Por meio da análise de conteúdo na fala dos gestores destacados no documento foram criados três códigos: Obstáculos, Facilitadores e Possibilidades. Para o código Obstáculos, foram observadas a ocorrência das categorias ‘barreiras, impeditivos, dificuldades, problema, empecilho’ e similares. Já para o código Facilitadores foram identificadas as categorias ‘favorável, incentivo, apoio, colaboração, promoção, propiciar, auxílio, benefício’, entre outras. Por fim, para o código Possibilidades, verificou-se nas falas dos gestores as categorias ‘oportunidade, perspectiva, esperança, promessa, alternativa, cenário’ e demais palavras com sentido próximo.
Diante disso, a análise de discussão dos dados foi organizada em três seções. Na primeira seção, destacam-se as características que foram ressaltadas como mecanismos eficientes de divulgação e popularização das modalidades. Na segunda seção, enfatizam-se os principais obstáculos relatados pelos criadores e gestores das modalidades. Na terceira seção, foram detalhadas as principais sugestões levantadas para fomentar os novos esportes, dentre as quais aparece com maior ênfase a configuração associativista adotada após o encontro, com a formalização da UEB - União dos Esportes Brasileiros, entidade que hoje representa politicamente os gestores das modalidades inventadas no Brasil.
Resultado e discussão
União dos Esportes Brasileiros - Elementos facilitadores da propagação de novos esportes de criação nacional
Durante a Audiência 0124/18, a maioria dos gestores e representantes convidados apontaram a importância do sistema educacional brasileiro no fomento dos novos esportes. Como a maior parcela dos criadores das modalidades inventadas no Brasil são professores de educação física que trabalham (ou atuam profissionalmente) em instituições escolares, como é o caso dos criadores do Sorvebol, Tapembol, Zaccaro Ball e Manbol, tais esportes acabavam inserindo-se nas disciplinas escolares, atividades de contraturno, treinamentos de equipes etc. Nesse sentido, destaca-se como elemento facilitador, na fala de alguns gestores, o bom relacionamento com o espaço escolar para divulgar a modalidade entre um público jovem que poderá praticá-la regularmente, recriá-la com amigos em outros locais, mostrar para a família e comunidade etc. A importância das escolas é reforçada na fala do criador do Sorvebol:
Claudio Mendes: [...] lá em Belo Horizonte, as escolas municipais abraçaram o esporte como uma mãe abraça um filho [...] A Federação Mineira de Sorvebol estima em mais de 20 mil o número de praticantes. As escolas têm etapas eliminatórias. Cada escola tem a média de 300 alunos que faz a eliminatória. Desses 300, sobram 20 praticantes, nos jogos de escola contra escola. Como há 9 regionais e mais de 250 escolas, acabamos chegando a esse número (Brasil, 2018, p. 42-45).
O criador do Zaccaro Ball também relata o sucesso de implementar sua modalidade em escolas:
Sergio Zaccaro: [...] de 6 meses para cá eu tenho recebido contatos de todos os professores da rede estadual e municipal, e de escolas particulares também, pedindo-me para fornecer as raquetes para os alunos, porque é um esporte que você pode jogar de diversas maneiras, e é com isso que os professores estão encantados. Você pode jogar como vôlei, como basquete, como gol a gol, como pingue-pongue. Então, é uma coisa muito vasta. Não é um esporte para se jogar de uma única maneira (ibid., p. 61).
Outra característica marcante é a utilização das praias como elemento em comum para estabelecer os novos esportes ou implementar versões variantes. A representante do Futevôlei, afirmou:
Lana Miranda: [...] como vocês conhecem, é uma arena praticamente igual à do vôlei de praia. Hoje em dia nós nos associamos muito aos esportes de praia, como o frescobol, o beach tennis, que também vem crescendo bastante, e a vários outros esportes realizados na praia. Nós tentamos reunir e associar isso para podermos crescer juntos, e acredito que isso vai ficar como um legado para todos vocês. Podemos sim crescer, e crescer juntos, não tem essa individualidade do esporte. Isso é bem bacana, bem legal (ibid., p. 19-20).
Fala similar repercute no discurso do representante do Frescobol, confirmando o papel do litoral na divulgação de novos esportes:
Alcir Horácio da Silva: [...] o frescobol é um esporte tipicamente praiano. Embora ele seja tipicamente praiano, ele pode ser jogado em vários outros lugares. Inclusive, como vocês sabem, o Centro-Oeste não tem praia, e nós jogamos na grama, jogamos nos parques. E agora, até nós estamos fazendo exatamente aquilo que a Lana Miranda, do futevôlei, falou: estamos procurando lugares que têm areia e os implementos básicos para praticar o frescobol, e para fazer com que haja um crescimento não só do frescobol, mas também do futevôlei e de outros esportes que são tipicamente nacionais (ibid., p.35).
É necessário, entretanto, fazer um contraponto à percepção de tais gestores acerca da relevância do litoral brasileiro para popularização desses esportes. Os dados de diversas pesquisas conduzidas nos últimos cinco anos tem demonstrado que o norte do país tem sido um rico cenário de divulgação dos esportes não-convencionais criados no Brasil, estando presentes em escolas públicas, centros de convívio social e lazer, pessoas idosas, entre outros locais (Brito, Costa, Montenegro, e Bosque, 2024; Costa, e Dias, 2024; Costa, Dias, Montenegro, e Oliveira, 2024; Costa, e Dias, 2023a; Costa, e Dias, 2023b; Costa, Dias, e Nascimento, 2024; Vieira, Costa, e Dias, 2023; Costa, Dias, Farias, e Bosque, 2023; Costa, Dias, e Barbosa, 2023).
Para além das escolas e praias, dois gestores em específico, o de Futsac, Marcos Juliano Ofenbock, e do Manbol, Rui Hildebrando, demonstraram ter atuação frequente na internet, divulgando a modalidade com vídeos2 de melhores jogadas, venda de material, cursos com certificação1de arbitragem e aqueles voltados à formação de professores. Nota-se que a atuação dos gestores no ambiente digital, associada à venda de materiais esportivos e à oferta de cursos de arbitragem e formação de professores, evidencia um processo de organização das modalidades segundo uma lógica de mercado neoliberal. Para Dardot, e Laval (2017), o neoliberalismo atualmente ultrapassa a esfera estritamente econômica e se afirma como uma racionalidade normativa capaz de reorganizar práticas sociais segundo a lógica da concorrência, desempenho e empresarialização das diferentes esferas da vida. Sob esse prisma, os novos esportes nacionais precisam se apresentar como produtos viáveis, consumíveis e expansíveis em mercado, o que revela a penetração da racionalidade neoliberal no próprio processo de legitimação esportiva.
Isso exposto, reforçamos as três características mais citadas pelos gestores, a saber, o aproveitamento das escolas e das disciplinas de educação física para efeitos de divulgação, o uso do espaço litorâneo e de areia, bem como a veiculação pela internet, são os elementos facilitadores mais destacados para os esportes de criação nacional.
Entre burocracia e disputa por recursos - Os obstáculos dos novos esportes
Apesar de existirem casos de relativo sucesso, com apontamento de boas práticas de divulgação, foi notório que vários dos gestores e representantes dos esportes em questão afirmaram ter dificuldades para fazer suas modalidades crescerem. Esses obstáculos transitam em ordem de limitações políticas, geográficas, financeiras, culturais, atitudinais, visibilidade midiática, burocráticas e até mesmo a própria dificuldade relacionada ao nível de complexidade técnica presente em determinadas modalidades, que podem exigir um repertório motor mais avançado - cita-se o caso do Futsac, que, tal como relatado por Ofenbock (2016), precisou adaptar as regras da modalidade para os iniciantes, tamanha era a dificuldade de execução dos movimentos nos primeiros contatos com esse esporte.
Destaca-se ainda a fala do criador do Manbol, que afirmou ter o povo brasileiro a tendência de valorizar mais o que “vem de fora”2, o que chega ao Brasil como “inovação estrangeira”:
Rui Hildebrando: [...] uma parte do Brasil ainda carrega a síndrome do vira-lata. Só queremos enxergar o esporte que vem de fora, que vem da Europa, da França, dos Estados Unidos. Até o Parkour, recentemente, que alguém começa a correr pulando muro, pulando cerca, já é transmitido ao vivo por grandes emissoras de televisão e recebe recursos. Esportes com atividades no gelo ou na neve recebem no Brasil mais de 7 milhões de reais! Eu nunca vi nem gelo nem neve no Brasil. (Brasil, 2018, p. 3)
Outra dificuldade levantada é a de que os recursos destinados ao esporte sempre são muito limitados e, em situações de dificuldade econômica para a nação como um todo, os esportes são os primeiros a sofrer cortes, como transparece na fala do Presidente da Confederação Brasileira de Futsac, Marcos Ofenbock: “Apesar de no Brasil vários governantes olharem com carinho o esporte, muitos não olham, e, quando acabam os recursos, essa área é a primeira a sofrer cortes” (ibid., p. 25).
Situa-se ainda, na fala do criador do Manbol, modalidade reconhecida oficialmente pela prefeitura de Belém e pelo estado do Pará como uma criação local (Belém, 2016; Pará, 2018), a dificuldade de fazer uso da Lei de Incentivo ao Esporte:
Rui Hildebrando: [...] é preciso tirar algumas máscaras. A Lei de Incentivo, hoje, no Brasil é uma lei que não tem funcionalidade na prática. Ela é do tipo: conforme-se, caminhe por aí e tente fazer alguma coisa... É um faz de conta! A Lei de Incentivo ao Esporte não atende ao esporte brasileiro, atende aos que já estão num grau de elite, que são reconhecidos, que têm a grande indústria a lhes favorecer (ibid., p. 66).
Várias falas enfatizaram o empreendimento pessoal dos criadores das modalidades em tentar alocar recursos próprios para investir na divulgação desses esportes, mostrando que o preceito constitucional do poder público de proteger os jogos de criação nacional não é cumprido, delegando tal dever à iniciativa privada. A lógica de mercantilização, em que o empreendedorismo individual é competência imprescindível para promoção de um novo esporte, parece pressionar gestores a criar um mercado para sua modalidade. Observa-se o exemplo de Ofenbock:
Marcos Ofenbock: [...] eu e meu irmão herdamos um restaurante do meu pai e investimos nesse esporte. Muita gente poderia me achar maluco ficar 15 anos batalhando por uma modalidade. Só agora estamos tendo vislumbre financeiro, quando começamos a vender essa modalidade para os Estados, a fim de implantá-la e de capacitarem professores. Geralmente, são pessoas que dedicam a vida a difundirem uma modalidade, um ativo cultural (ibid., p. 26).
Dessa forma, nota-se que os obstáculos mais citados pelos gestores residem na ausência de suporte público, excesso de dependência do criador da modalidade para levar o projeto de divulgação adiante e entraves burocráticos do modelo de federações.
Um jogo que é coletivo - ideias para popularizar as novas modalidades brasileiras
Mesmo com dificuldades, a audiência deu espaço para se pensar novas estratégias para a disseminação e o desenvolvimento dos esportes brasileiros, possibilitando a troca de informações, sugestões, sanar dúvidas etc. A título de exemplo, percebe-se a possibilidade de fomentar os novos esportes em municípios menores, que tenham menos recursos disponíveis e que buscariam alternativas menos dispendiosas de ofertar esporte. Alega-se que vários dos novos esportes teriam baixo custo de implementação, tal como afirma o Presidente da Confederação Brasileira de Futsac:
Marcos Ofenbock: [...] é muito interessante, porque agora estamos implantando o futsac em muitas cidades do interior que não têm recursos. O problema hoje é recurso. Desenvolver um esporte caro, que precisa de muitos recursos para ser implantado, é uma barreira (ibid., p. 25).
Outra sugestão envolveu a formação de uma espécie de competição paralela, introduzindo apenas os jogos de criação nacional, tal como pensado pelo criador do Sorvebol, Claudio Mendes: “que fizéssemos em anos ímpares uma olimpíada paralela só com os nossos esportes, porque assim chamaríamos a atenção da imprensa e dos próprios políticos” (ibid., p. 69).
Por sua vez, o professor da Universidade Federal de Goiás e ligado ao Frescobol, sugere que pesquisas científicas sobre os novos esportes adentrem o espaço das universidades e congressos:
Alcir Horácio da Silva: [...] queria chamar a atenção: como área de conhecimento da educação física, é preciso que o frescobol seja contemplado em eventos e que nós produzamos artigos científicos, periódicos, dissertações e teses, para dar maior fomento e também credibilidade cientifica ao nosso esporte (ibid., p. 35).
Para além disso, outro representante, também ligado ao Frescobol, recomendou que não se perca de vista a captação de recursos por projetos de isenção tributária:
Lázaro Zeferino: [...] eu tenho certo conhecimento de projetos incentivados por meio de isenções em ICMS e IPTU [...] essa é a melhor forma de o Governo e as entidades encurtarem o caminho e nós conseguirmos trazer verbas para incentivo a projetos relacionados aos esportes, com a participação de empresas e entidades (ibid., p. 39).
Já o Presidente da Comissão Atlética Brasileira de Artes Marciais Mistas, ao enfatizar que o modelo associativista poderia ser mais fácil de ser criado e melhor representar a forma como os novos esportes são criados e organizados, fugindo do modelo federativo oriundo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), destacou que
Rafael Favetti: [...] uma das maneiras de promover o capital social, a ascensão e a emancipação da sociedade são através das associações. O antigo Código Civil era amarrado, difícil, e não permitia a criação de associações. Ele era extremamente complicado, cartorial e burocrático. O que fez o novo Código Civil? Ele flexibilizou a criação das associações. Não temos isso no movimento desportivo. Todo mundo aqui tenta fazer uma federação, mas normalmente elas são de papel, inexistentes, que não têm vida por dentro. Elas são só de papel, são burocráticas etc. Por quê? Porque tentam se amoldar à legislação inexistente, tentam se amoldar à Lei Pelé, que foi feita pensando no futebol (ibid., p.13).
Munidos de tais dados, apresenta-se uma sistematização dos elementos facilitadores, obstáculos e de possibilidades de crescimento dos esportes de criação nacional, respaldado nas falas dos participantes da audiência analisada por meio da figura 1:
Figura 1. Facilitadores, obstáculos e possibilidades dos esportes de criação nacional
Fonte: Elaboração própria
No cenário apresentado até então, parece existir uma estratégia de sobrevivência das modalidades ainda embrionárias, baseada na mercantilização, com vista a sua popularização. Essas marcas do processo de mercantilização de novos esportes estão em consonância com as reflexões de Coakley (2021, p. 390, tradução livre):
A comercialização influencia a estrutura interna e os objetivos dos esportes recém-desenvolvidos, mas tem menos influência sobre os esportes já estabelecidos há muito tempo. Os novos esportes desenvolvidos explicitamente para fins comerciais são organizados de forma a maximizar o que o público-alvo considera divertido. Esse não é o único fator que influencia a estrutura interna e os objetivos dos novos esportes, mas é o principal3.
Nota-se, pela análise do documento da audiência, que muitos gestores reclamaram de ter que competir por recursos com modalidades esportivas vindas de fora do Brasil e que já estão consagradas. Essa disputa de recursos com modalidades mais populares é um fenômeno que parece constante também fora do cenário brasileiro. Coakley (2021, p. 605, tradução livre) pontua esse problema da seguinte forma:
Alterar o futuro dos esportes também ocorre quando as pessoas rejeitam os esportes dominantes baseados no poder e no desempenho, e desenvolvem novos esportes fundamentados em ideias alternativas sobre o que os esportes deveriam ser. Isso não é fácil de fazer, pois raramente há recursos disponíveis para aqueles que buscam transformar programas e organizações esportivas. No entanto, atuar a partir de uma posição externa pode ser eficaz quando influencia outras pessoas a considerar e participar de novas formas de esporte […] a maioria dos novos esportes permanece de pequena escala, com participantes locais que se organizam conforme o tempo e os recursos permitem4.
Percebe-se, portanto, que essa dificuldade não é exclusiva do cenário brasileiro, mostrando-se como um entrave recorrente para novos esportes em outros países. A mercantilização não constitui apenas um efeito secundário da popularização das novas modalidades, mas um mecanismo central de sua difusão. Como já demonstrado ao longo da discussão, a venda de materiais esportivos, a oferta de cursos e certificações, a produção de conteúdos digitais e a busca por inserção midiática configuram estratégias recorrentes entre os gestores analisados, dentro de uma lógica específica que atende ao modelo neoliberal em voga. (Dardot, e Laval, 2017)
Pelo conteúdo das falas dos gestores de novos esportes, seccionadas em facilitadores, obstáculos e possibilidades, ficou evidenciado que os novos esportes brasileiros carregam muitas trajetórias em comum, as quais convergem para uma demanda política pela garantia do direito constitucional de apoio do poder público para com o fomento dessas práticas esportivas.
Após a realização da audiência pública, os gestores e representantes das modalidades de criação nacional decidiram formar uma associação, a União dos Esportes Brasileiros (UEB). No site institucional, encontra-se a seguinte missão:
Representar as modalidades criadas no Brasil e buscar do Poder Público a proteção e incentivo constitucionalmente garantidos por meio do inciso IV do art. 217 da CF, garantir a representação deste seguimento esportivo no Conselho Nacional do Esporte - CNE, além de ajudar as modalidades criadas no Brasil se tornarem olímpicas. (UEB, 2025)
A busca pelo associativismo entre os gestores, decorrente da oportunidade de se encontrarem no parlamento para discutir as estratégias, possibilitou que se unissem institucionalmente, facilitando seu diálogo com o poder público. De forma concreta, a UEB passou a realizar diversas iniciativas políticas para tentar obter resultados concretos, as quais se destacaram: 1) Reunião, em maio de 2018, com o então Ministro do Esporte, na época Leandro Cruz, e com os diretores de todas as secretarias do Ministério do Esporte, para debater a inclusão da UEB no Sistema Nacional do Esporte e Sistema Brasileiro do Esporte; 2) Audiência Pública, na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, para debater o Plano Nacional do Esporte, visando aumentar o arcabouço legal sobre os esportes de criação nacional no PL 409/2022 (Brasil, 2022) em 31/05/2022; 3) Audiência Pública organizada pelo Deputado Federal Felipe Carreras (PSB/PE), relator do PL 1.153/2019 para debater a Nova Lei Geral, e oferecer sugestões de alteração do PL, de forma a incluir o segmento dos esportes criados no Brasil no texto da Lei, que não trazia nenhuma previsão para o seguimento, em junho de 2022 (UEB, 2025).
No que tange o Plano Nacional do Esporte, tema do PL 409/2022, o qual já foi aprovado na Câmara dos Deputados e atualmente encontra-se em tramitação no Senado, a UEB obteve incisos específicos que atendem a demanda favorável aos esportes de criação nacional, tais como, por exemplo, o inciso XI: “reconhecer e apoiar o desenvolvimento e a difusão dos jogos e dos esportes de criação nacional de forma a protegê-los, a fomentá-los e a incentivá-los”.
Tais iniciativas, se aprovadas, demonstram que o maior elemento facilitador para propagação de modalidades de criação nacional, no cenário brasileiro, teve como alicerce sua mobilização associativista, demandando o cumprimento constitucional do apoio público ao reconhecimento e fomento dos esportes brasileiros.
Conclusão
Ficou evidente, pelas falas destacadas na audiência, que os novos esportes são marcados por uma lógica de mercantilização e, ao mesmo tempo, de uma dependência do Estado para fomento. Para o bem ou para o mal, a comercialização parece ser uma característica necessária para sustentação dessas modalidades brasileiras, tendo em vista que, antecedendo o apoio público, é necessário já terem atingido um público considerável e um certo nível de divulgação. Para chegar a diferentes cidades, escolas e mídias, muitos gestores acabam precisando adotar um formato empresarial nas federações e associações, promovendo a venda de materiais (geralmente de fabricação própria, por serem modalidades não-convencionais), oferta de cursos (tendo em vista que muitos professores ainda não possuem o conhecimento de regras e técnicas desses novos esportes) e até produtos alternativos, como documentários, revistas em quadrinhos e manuais, com o intuito de popularização.
Em relação aos dados encontrados, em síntese, os principais resultados mostraram que as novas modalidades brasileiras: a) tem forte dependência central nos criadores; b) estão centradas em estados e regiões específicas; c) são oferecidas de forma comercial, frequentemente com venda de materiais esportivos e cursos de arbitragem e ensino da prática; d) miram diferentes públicos-alvo: crianças, jovens, adultos, idosos, homens e mulheres.; e) tendem a ressaltar o baixo-custo da implementação; f) sugerem algum nível de patriotismo ao se escolher praticar uma modalidade nacional; g) ainda não possuem variantes paradesportivas para pessoas com deficiência; h) demandam suporte do estado - repasse de verbas, oferta em escolas públicas, incorporação nos currículos educacionais; i) tentam captar apoio privado de clubes esportivos, principalmente do futebol; j) são apresentadas de forma “espetacularizada”, por exemplo com vídeos de melhores jogadas; k) buscam oferta internacional, ainda que no território brasileiro não consigam alcançar diversos estados e municípios.
Evidencia-se, portanto, como medida necessária para a criação de novos esportes no Brasil, um suporte do poder público que vise garantir o preceito constitucional de proteger e incentivar os esportes de criação nacional. Medidas simples para regulamentar isso poderiam envolver a garantia de inserção nos currículos escolares de educação física, em nível regional (quando a modalidade ainda não se popularizou para outros municípios e estados) ou nacional (quando está em processo de expansão evidente). Insta notar, entretanto, que esse apoio do Estado parece chegar apenas às modalidades que já tiveram um investimento financeiro privado por parte dos criadores para tentar popularizá-las e assim atrair a atenção dos agentes políticos5.
Notas
Ler mais em: https://www.conexaon.com.br/noticia/1423/uniao-dos-esportes-brasileiros-luta-para-fazer-valer-o-artigo-217-da-constituicao-federal
Ver, por exemplo, o canal do Futsac no Youtube: https://www.youtube.com/@ComunicaFootsack
Corroborando tal preocupação, pode-se considerar o fenômeno recente do Pickleball, modalidade estrangeira a qual várias quadras vêm sendo construídas no país. Para saber mais a respeito, ver: https://www.estadao.com.br/esportes/como-pickleball-fenomeno-nos-eua-ganha-terreno-no-brasil-com-celebridades-e-elite-paulistana/
Commercialization influences the internal structure and goals of newly developed sports, but it has less influence on long-established sports. New sports developed explicitly for commercial purposes are organized to maximize what a target audience will find entertaining. This is not the only factor that influences the internal structure and goals of new sports, but it is the primary one.
Também é preciso pontuar que, desde a realização da audiência em questão até o presente momento, muitas coisas mudaram rapidamente no cenário esportivo brasileiro. A Lei Nº 14.597, de 14 de junho de 2023, mais conhecida por Lei Geral do Esporte, optou por omitir qualquer apoio específico aos jogos de criação nacional, o que os sujeita a ter que disputar por recursos com esportes já consolidados no apelo popular, eliminando qualquer prioridade às modalidades brasileiras. Ignorando o preceito constitucional do artigo 217, inciso IV, os esportes de criação nacional continuarão tendo que disputar recursos de forma desigual.
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