ISSN 1514-3465
Exercício físico na saúde mental de escolares durante e
após a pandemia do COVID-19. Uma revisão integrativa
Physical Exercise in the Mental Health of Schoolchildren during
and after the COVID-19 Pandemic. An Integrative Review
Ejercicio físico y salud mental de los escolares durante y después
de la pandemia de COVID-19. Una revisión integradora
Carlos José Nogueira
*carlosjn29@yahoo.com.br
Patrícia Rossi dos Reis
**patriciarossisd@yahoo.com.br
Sidnei Jorge Fonseca Junior
+sjfjunior@gmail.com
Jair Rocha de Oliveira
++jairroliveirahand@gmail.com
*Doutor em Ciências pela Universidade Federal
do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Mestre em Motricidade Humana (UCB/RJ)
Professor de Educação Física do Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ)
Pesquisador do Laboratório de Biociências da Motricidade Humana da UNIRIO
**Mestre em Ensino da Ciências Ambientais
Especialização em Educação Física Especial e Inclusiva
pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Professora de Educação Física
do Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ)
+Doutor em Ciências Nutricionais (UFRJ)
Mestre em Motricidade Humana (UCB/RJ)
Professor do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Figueira
da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Professor da Secretária Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro
Coordenador do GEPCEFE (Grupo de Extensão e Pesquisas Científicas
em Educação Física e Esporte do CAp-UERJ)
++Doutor em Educação pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Mestre em Motricidade Humana (UCB/RJ)
Professor de Educação Física do CMRJ
(Brasil)
Recepción: 08/10/2025 - Aceptación: 05/01/2026
1ª Revisión: 08/12/2025 - 2ª Revisión: 02/01/2026
Documento acessível. Lei N° 26.653. WCAG 2.0
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Este trabalho está sob uma licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0) https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt |
Cita sugerida
: Nogueira, C.J., Reis, P.R. dos, Fonseca Junior, S.J., e Oliveira, J.R. de (2026). Exercício físico na saúde mental de escolares durante e após a pandemia do COVID-19. Uma revisão integrativa. Lecturas: Educación Física y Deportes, 30(333), 203-219. https://doi.org/10.46642/efd.v30i333.8585
Resumo
A pandemia do COVID-19 ocasionou um impacto negativo e significativo na saúde mental, qualidade de vida e atividade física de crianças e adolescentes. O objetivo deste estudo é avaliar as principais evidências científicas sobre os efeitos do exercício físico na saúde mental de escolares durante e após a pandemia. Trata-se de uma revisão integrativa realizada por meio de uma busca nas bases de dados PubMed, Cochrane e Portal Virtual Health Library nos últimos cinco anos, nos idiomas inglês, espanhol e português, com os descritores: “atividade física”, “exercício físico”, “saúde mental” e “covid-19”. Foram recuperados inicialmente 288 artigos; 15 artigos foram pré-selecionados e 6 elegíveis quanto a pergunta norteadora. As evidências apresentadas sugerem que a realização de exercícios físicos constitui uma estratégia de intervenção eficiente que impactou positivamente na saúde mental de crianças e adolescentes em idade escolar durante e após a pandemia do COVID-19.
Unitermos:
COVID-19. Exercício físico. Saúde mental. Escolares.
Abstract
The COVID-19 pandemic has had a significant negative impact on the mental health, quality of life, and levels of physical activity of children and adolescents. This study aimed to evaluate the main scientific evidence regarding the effects of physical exercise on the mental health of schoolchildren during and after the pandemic. This integrative review was conducted through searches in the PubMed, Cochrane, and Virtual Health Library databases, covering studies published over the last five years in English, Spanish, and Portuguese, using the descriptors “physical activity,” “exercise,” “mental health,” and “Covid-19.” Initially, 288 articles were identified; 15 were preselected, and 6 met the eligibility criteria according to the guiding research question. The available evidence suggests that physical exercise represents an effective intervention strategy, positively impacting the mental health of school-aged children and adolescents during and after the COVID-19 pandemic.
Keywords:
COVID-19. Physical exercise. Mental health. Schools.
Resumen
La pandemia de COVID-19 ha tenido un impacto negativo significativo en la salud mental, la calidad de vida y la actividad física de niños y adolescentes. El objetivo de este estudio es evaluar la principal evidencia científica sobre los efectos del ejercicio físico en la salud mental de los escolares durante y después de la pandemia. Se trata de una revisión integradora realizada mediante una búsqueda en las bases de datos PubMed, Cochrane y Virtual Health Library durante los últimos cinco años, en inglés, español y portugués, utilizando los descriptores: "actividad física", "ejercicio", "salud mental" y "COVID-19". Inicialmente, se recuperaron 288 artículos; 15 fueron preseleccionados y 6 fueron elegibles según la pregunta guía. La evidencia presentada sugiere que el ejercicio físico constituye una estrategia de intervención eficaz que impactó positivamente en la salud mental de niños y adolescentes en edad escolar durante y después de la pandemia de COVID-19.
Palabras clave
: COVID-19. Ejercicio físico. Salud mental. Escolares.
Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 30, Núm. 333, Feb. (2026)
Introdução
O surto global do Coronavírus (COVID-19) se tornou um dos grandes acontecimentos do século XXI. O isolamento social foi adotado como medida para evitar o avanço da pandemia. No entanto, apesar de necessário, o distanciamento e confinamento desencadearam transtornos emocionais nas pessoas, repercutindo negativamente na saúde mental, qualidade de vida e atividade física, principalmente de crianças e adolescentes. (Della Corte et al., 2022; Oliveira et al., 2022)
Neste contexto, houve um aumento na prevalência das doenças psiquiátricas nas crianças e adolescentes como a depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e exaustão emocional (Bianchini et al., 2023). Dessa forma, durante a pandemia de COVID-19, surgiram preocupações quanto à viabilidade da realização de exercícios físicos, sendo essa situação considerada um desafio para a saúde pública. (Nogueira et al., 2021a)
Como resultado da pandemia do COVID-19, as oportunidades para as crianças cumprirem as diretrizes de comportamento de movimento foram afetadas pelo fechamento de escolas e pelas medidas de distanciamento físico implementadas por muitos governos. (Guan et al., 2020)
As evidências afirmam que a realização de exercícios físicos por crianças e adolescentes está associada a resultados significativos na saúde física, mental e cognitiva desta população. A maioria dos benefícios da prática de exercícios físicos para a melhoria da saúde é observada com uma média de 60 minutos diários de exercícios físicos de intensidade moderada a vigorosa. (Bull et al., 2020)
Uma revisão sistemática de estudos observacionais (transversais e de coorte) investigou o efeito da prática de diferentes exercícios físicos na manifestação da ansiedade durante a pandemia do coronavírus e, após a análise das evidências, concluiu que quanto maior a intensidade e frequência destes exercícios, menor o risco de desenvolver sintomas de ansiedade. (David et al., 2023)
Noutra revisão que avaliou 116 artigos, apresentando dados de um total de 127.923 crianças e adolescentes, as evidências relataram a deterioração da saúde mental entre crianças e adolescentes devido ao confinamento social, e associaram à realização de exercícios físicos, o acesso ao entretenimento, as relações familiares positivas e o apoio social a melhores resultados de saúde mental (Samji et al., 2023). Esta revisão ainda destaca a necessidade urgente de profissionais e decisores políticos atenderem e colaborarem com crianças e adolescentes, especialmente aqueles em subgrupos de maior risco, para mitigar os efeitos na saúde mental associados à pandemia a curto e longo prazo. (Samji et al., 2023)
Até o momento, não há uma compilação sistematizada de estudos específicos que investiguem os efeitos do exercício físico sobre a saúde emocional de crianças e adolescentes em idade escolar durante e após a pandemia de COVID-19. Ademais, a maioria das evidências disponíveis na literatura científica tem se concentrado na avaliação do impacto da prática de exercícios físicos sobre os níveis de ansiedade, estresse e depressão em universitários (Deblauw et al, 2023; Torres et al., 2023; Zhang et al., 2023). Portanto, o objetivo deste estudo é avaliar e sintetizar as evidências sobre os efeitos do exercício físico na saúde mental de crianças e adolescentes durante e após a pandemia do COVID-19.
Métodos
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura composta pelas seguintes etapas: escolha do tema da pesquisa, elaboração da questão norteadora utilizando a estratégia PICO, seleção dos descritores, busca dos estudos nas bases de dados da literatura científica, identificação dos estudos elegíveis, extração de dados e síntese dos resultados (Bianchini et al., 2023; Nogueira et al., 2021b). A questão norteadora e as equações de busca foram baseadas no acrônimo PICO: População, Intervenção, Comparação, Resultado (Nogueira et al., 2021b). Diante do exposto, escolares (crianças e adolescentes até 18 anos) de ambos os sexos, foram utilizados como “População”; para “Intervenção”, foi considerado o exercício físico; para “Controle”, foi considerado o critério “não aplicável”; e como “Resultado”, foi adotado o desfecho relacionado a melhoria da saúde mental durante e após o COVID-19. Desta forma, foi utilizada a seguinte questão de pesquisa: Qual o efeito do exercício físico na saúde mental de escolares durante e após a pandemia do COVID-19?
Realizou-se uma busca na literatura em agosto de 2024 através das bases de dados Pubmed via Medline), Cochrane e no Portal Regional da BVS. Também foi realizada uma busca manual nas referências dos estudos elegíveis. Na elaboração da equação de busca foram utilizados descritores: “atividade física”, “exercício físico”, “saúde mental” e “covid-19”. Após a combinação dos descritores e seus sinônimos com os operadores booleanos “OR” e “AND”, respectivamente, obteve-se a seguinte estratégia de busca: ((("Exercise"[Mesh]) OR (Physical Activity[Title/Abstract])) AND ("Mental Health"[Mesh])) AND ("COVID-19"[Mesh]). Essa equação foi utilizada na PubMed e adaptada para as demais bases de dados.
Foram adotados os seguintes critérios de inclusão: artigos em inglês, espanhol e português, do ano de 2020 a 2024, que utilizaram como população crianças e adolescentes de ambos os sexos com idade até 18 anos e como assunto principal a prática de exercícios físicos e seus efeitos na saúde mental durante e após o COVID-19. Os critérios de exclusão foram: estudos não alinhados à pergunta norteadora; estudos com populações adultas e idosas; e estudos com modelos animais.
Na primeira fase de seleção dos estudos, realizada por dois revisores independentes, foram avaliados os títulos e resumos dos estudos recuperados nas bases eletrônicas por meio da plataforma Rayyan (https://rayyan.qcri.org) (Ouzzani, 2016). Os conflitos foram resolvidos por consenso entre os avaliadores. As evidências elegíveis compreenderam estudos originais observacionais transversais.
Na segunda etapa, foi realizada a avaliação do texto completo dos estudos pré-selecionados adequados quanto aos critérios de elegibilidade. A extração dos dados foi realizada através de um formulário padronizado na qual os revisores, de forma independente, extraíram as principais características dos estudos (autores e ano de publicação, amostra, tipo de estudo, objetivo e principais evidências) sendo os conflitos resolvidos por consenso. O processo de seleção dos estudos é apresentado na Figura 1.
Figura 1. Fluxograma PRISMA
Fonte: Elaboração própria (adaptação de Page et al., 2020)
A qualidade metodológica e o risco de viés dos estudos observacionais transversais incluídos foram avaliados por meio da ferramenta AXIS (Appraisal Tool for Cross-Sectional Studies) (Downes et al., 2016) composta por 20 itens que analisam aspectos relacionados à qualidade do relato, ao desenho do estudo e ao risco de viés. Embora a ferramenta AXIS não proponha uma pontuação global padronizada, adotou-se uma abordagem quantitativa adaptada, amplamente utilizada na literatura, na qual foi atribuído 1 ponto para cada item respondido como “sim” e 0 ponto para respostas “não” ou “não aplicável”. Os itens classificados como “não aplicável” foram excluídos do cálculo final. A pontuação total foi convertida em percentual, permitindo a classificação dos estudos em alta qualidade metodológica (≥ 75%), qualidade moderada (50–74%) e baixa qualidade (< 50%). A avaliação foi realizada de forma independente por dois revisores, e eventuais discordâncias foram resolvidas por consenso.
Resultados
Inicialmente foram encontrados 288 artigos. Após a eliminação de 82 artigos duplicados, 191 artigos foram excluídos pela avaliação do título e resumo, restando 15 artigos pré-elegíveis para a leitura do texto completo. Na sequência foram eliminados 9 artigos por apresentarem populações, intervenções e desfechos incoerentes com a pergunta de pesquisa. Finalmente foram selecionados 6 artigos elegíveis para a Revisão Integrativa. A Tabela 1 apresenta as principais características dos estudos selecionados.
Tabela 1. Síntese dos estudos incluidos
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Autores |
Desenho do estudo |
“n” amostral |
Objetivo |
Evidência |
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Chi et al. (2021) |
Estudo observacional transversal |
1.794 escolares adolescentes, do sexo masculino e feminino. |
Investigar associações entre nutrição e atividade física com insônia, depressão e ansiedade após ajuste de fatores sociodemográficos e medo de COVID-19. |
Tanto o estado nutricional quanto os níveis moderados e altamente ativo de atividade física foram fatores de proteção para depressão e ansiedade, sendo que o nível altamente ativo foi significativamente associado com menor nível de sintomas de insônia |
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Cunalata, e Flores (2022)
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Estudo observacional transversal |
224 estudantes secundários, do sexo masculino e feminino |
Identificar se a pandemia de COVID-19 afetou ou não o estado físico-mental dos alunos do ensino secundário da Unidade Educacional Pelileo |
A condição física no período do isolamento social manteve-se dentro da normalidade segundo o IMC. Conforme a Escala DASS-21 (Escala tipo Likert que avalia depressão, ansiedade e estresse), os estudantes demonstraram alterações de humor, apresentando depressão, ansiedade e/ou estresse. |
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Feng et al. (2024) |
Estudo observacional transversal |
359 escolares entre 12 e 16 anos do sexo masculino e feminino |
Verificar e analisar a influência da atividade física na saúde mental dos adolescentes através da autoestima e da ansiedade social após a epidemia de COVID-19. |
Os resultados mostraram um efeito preditivo positivo da atividade física na saúde mental da população adolescente, ou seja, a participação ativa na atividade física é favorável para o desenvolvimento da saúde emocional do adolescente. |
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Nascimento et al. (2024) |
Estudo observacional transversal |
50 alunos do Ensino Médio e 44 alunos do Curso de Educação Física (ambos os sexos). |
Comparar os impactos pós pandemia da COVID-19 nos níveis de atividade física, ansiedade, estresse e depressão entre alunos do ensino médio que frequentam as aulas de Educação Física Escolar e alunos de graduação em Educação Física de instituições públicas no município de Tucuruí/Pará. |
O grupo de Educação Física do ensino superior apresentou maior impacto na saúde mental mostrando os piores escores com diferenças estatísticas para o estado estresse e depressão comparado aos do Ensino Médio. Os estudantes do Ensino Médio praticantes de educação física possuem melhor saúde mental do que os estudantes universitários nos aspectos relacionados ao estado de estresse e depressão, mas não para ansiedade que se manteve semelhante entre os grupos avaliados. |
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Ren et al. (2021) |
Estudo observacional transversal |
1487 escolares adolescente, do sexo masculino e feminino. |
Investigar potenciais fatores de risco e proteção que podem moderar a relação entre estressores relacionados à COVID-19 e saúde mental de adolescentes.
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A presença de COVID-19 nas comunidades contribuiu para uma pior saúde mental dos adolescentes, e a associação foi mais forte para os adolescentes mais velhos. Dedicar tempo a atividades físicas e manter rotinas de vida diária durante a quarentena parecem ser medidas práticas que podem ser utilizadas pelos adolescentes para atenuar a associação entre os fatores de stress da pandemia e a diminuição da sua saúde mental |
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Tandon et al. (2021) |
Estudo observacional transversal |
1000 crianças em idade escolar, do sexo masculino e feminino. |
Verificar a associação da prática de exercícios físicos e do tempo de tela com a saúde mental entre crianças norte-americanas durante o isolamento social. |
As crianças que realizaram mais exercícios físicos e tiveram menos tempo de tela apresentaram melhores resultados de saúde mental, conforme medido pelo Questionário de Pontos Fortes e Dificuldades. |
Fonte: Elaboração própria
Em geral, considerando a ferramenta AXIS (Downes et al., 2016) para avaliação da qualidade metodológica, apenas um estudo (Cunalata, e Flores, 2022) foi avaliado como de moderada qualidade metodológica, sendo que os demais apresentaram alta qualidade metodológica, conforme pode ser observado no Quadro 1.
Quadro 1. Avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos
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Itens AXIS |
Chi et al. (2021) |
Cunalata e Flores (2022) |
Feng et al. (2024) |
Nascimento et al. (2024) |
Ren et al. (2021) |
Tandon et al. (2021) |
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Introdução |
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1 |
Os objetivos/metas do estudo estavam claros? |
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Métodos |
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O desenho do estudo foi apropriado para o(s) objetivo(s) declarado(s)? |
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3 |
O tamanho da amostra foi justificado? |
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A população-alvo/referência estava claramente definida? |
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O quadro amostral foi retirado de uma base populacional apropriada para representar de perto a população-alvo/referência em investigação? |
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O processo de seleção provavelmente selecionava sujeitos/participantes que fossem representativos da população-alvo/referência em investigação? |
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Foram tomadas medidas para abordar e categorizar os não respondedores? |
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8 |
Os fatores de risco e as variáveis de desfecho foram medidas apropriadas para os objetivos do estudo? |
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As variáveis de fatores de risco e de desfecho foram medidas corretamente usando instrumentos/medições que já haviam sido testados, testados ou publicados anteriormente? |
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Está claro o que foi usado para determinar estimativas de significância estatística e/ou precisão? (ex: valores p, CIs) |
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Os métodos (incluindo métodos estatísticos) foram suficientemente descritos para permitir que fossem repetidos? |
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Resultados |
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Os dados básicos foram devidamente descritos? |
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A taxa de resposta levanta preocupações sobre o viés de não resposta? |
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Se apropriado, as informações sobre os não respondentes foram descritas? |
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Os resultados foram internamente consistentes? |
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Os resultados das análises descritas nos métodos apresentados foram apresentados? |
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Discussão |
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As discussões e conclusões dos autores foram justificadas pelos resultados? |
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As limitações do estudo foram discutidas? |
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Outros |
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Houve fontes de financiamento ou conflitos de interesse que possam afetar a interpretação dos resultados pelos autores? |
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Foi alcançada aprovação ética ou consentimento dos participantes? |
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S: Sim; N: Não; N/A: Não se aplica. Fonte: Elaboração própria
Discussão
A presente revisão sistemática investigou os efeitos do exercício físico na saúde mental de escolares durante e após a pandemia do COVID-19. Os principais achados revelaram que os exercícios físicos diversos são condicionantes para a melhoria da saúde mental dos escolares e que maior intensidade, duração e frequência foram associados a maiores efeitos.
Crianças e adolescentes escolares até 18 anos foram elegíveis como a população deste estudo com o propósito de entender os principais fatores associados a saúde mental sofridos por essa faixa etária durante o COVID-19 (Bianchini et al., 2023). Com a pandemia causada pelo coronavírus, as aulas presenciais aconteceram de forma remota. Dessa forma, o professor de Educação Física precisou adequar suas aulas à nova realidade, o que pode ter provocado um estranhamento por parte dos alunos, até então acostumados atividades fora da sala de aula. (Gois et al., 2021)
A Educação Física é o componente curricular que necessita um uso maior das práticas corporais. Na prática das unidades temáticas propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é comum uma relação fisicamente mais próxima entre o professor e os estudantes e entre os grupos de estudantes. Neste contexto, o confinamento causado pelo COVID-19 ocasionou algumas modificações para a nova realidade. Desse modo, a Educação Física encontrou muitas dificuldades persistindo inclusive no retorno às aulas presenciais. (Gois et al., 2021)
Evidências apresentaram os principais efeitos na saúde mental de crianças e adolescentes durante o confinamento: ansiedade, estresse, sintomas depressivos, hiperatividade, irritabilidade, alterações no padrão do sono, estados de humor, distanciamento social, alterações de comportamento, diminuição ou ausência de interação com os pares e aumento do tempo em tela (Chi et al., 2021; Cunalata, e Flores, 2022; Feng et al., 2024; Nascimento et al., 2024; Ren et al., 2021; Tandon et al., 2021). Por meio da análise destas evidências científicas, considera-se que o exercício físico contribui para a diminuição da ansiedade e depressão, bem como os transtornos mentais causados pelo distanciamento social, devido ao aumento de endorfina e serotonina que contribui na melhora da autoimagem diminuindo o surgimento de outros transtornos desenvolvidos na pandemia e pós pandemia. (Baroni Araújo et al., 2022)
Com relação ao impacto da COVID-19 na saúde mental, as evidências apresentam efeito negativo da inatividade física e sedentarismo durante e após a pandemia, com maiores consequências nos adolescentes mais velhos (Ren et al., 2021). Outro fator a considerar foi que as crianças e adolescentes que se mantiveram mais ativas através da realização de atividade física e tiveram menos tempo de tela apresentaram melhores resultados na saúde mental. (Tandon et al., 2021)
Quanto às recomendações sobre a prática regular de exercícios físicos durante a pandemia, estudos indicam que movimentar-se diariamente de forma estruturada pode fortalecer o sistema imunológico e prevenir ou atenuar infecções. Recomenda-se, portanto, a realização de exercícios diversificados, de intensidade moderada, durante e após o período pandêmico. (Nogueira et al., 2021b)
As diretrizes globais recomendam que crianças em idade pré-escolar (3 a 4 anos) realizem ao menos 180 minutos de atividade física diária, limitem o tempo sedentário diante de telas a 1 hora e durmam de 10 a 13 horas de qualidade. Para crianças e adolescentes em idade escolar (5 a 17 anos), recomenda-se pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa, máximo de 2 horas de tempo sedentário diante de telas e 11 horas de sono de qualidade. (Guan et al., 2020)
Com base na literatura, a prática de exercícios físicos durante e após a pandemia demonstrou reduzir ansiedade, sintomas depressivos e outros transtornos mentais associados ao isolamento social (Baroni Araújo et al., 2022). Como estratégias para minimizar os efeitos do estresse pandêmico sobre a saúde mental de crianças e adolescentes, destacam-se: incentivo à prática regular de exercícios físicos, manutenção de rotinas diárias, regulação do sono e do tempo de tela, orientação para hábitos de vida saudáveis, incluindo dieta equilibrada e exercício estruturado, além da implementação de políticas públicas voltadas à saúde psicológica escolar. (Bianchini et al., 2023; Bilar et al., 2022; Chi et al., 2021; Ren et al., 2021; Tandon et al., 2021)
A revisão apresenta limitações a serem consideradas referentes ao caráter observacional dos estudos analisados que impossibilita o estabelecimento de relação de causa e efeito. Apesar das limitações, entende-se que as evidências encontradas podem contribuir de forma significativa para reflexões e discussões a respeito deste tema tão importante para saúde física e mental de escolares.
Conclusão
A realização de exercícios físicos durante e após a pandemia de COVID-19 mostrou efeitos positivos na saúde mental de crianças e adolescentes em idade escolar, especialmente na redução de sintomas de ansiedade, depressão e estresse. Recomenda-se a prática regular de atividade física de intensidade moderada, associada a hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, para a promoção do bem-estar psicológico nesta população.
É importante que educadores, pais e instituições incentivem a manutenção da atividade física e de rotinas estruturadas, a fim de reduzir o impacto de fatores de estresse ambiental. Futuras pesquisas devem priorizar estudos longitudinais e ensaios clínicos, possibilitando uma compreensão mais robusta dos efeitos da atividade física sobre a saúde mental, a qualidade de vida e o desenvolvimento de crianças e adolescentes no contexto pandêmico e pós-pandêmico.
Referências
Baroni Araujo, G., Barros, SP, Santos, JG, Ferreira, BR, Lima, MWH, Lopes, LG, Carvalho, KKS, Farias, AFC, e Alves, WC (2022). Atividade física e exercício físico pós COVID-19: o que diz a literatura? Concilium, 22(6), 401–410. https://www.researchgate.net/publication/365089133
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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 30, Núm. 333, Feb. (2026)