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ISSN 1514-3465

 

A atuação da fisioterapia no pós-parto em mulheres

com diástase abdominal. Revisão de literatura

The Role of Physiotherapy in the Postpartum Period in

Women with Abdominal Diastasis. Literature Review

El papel de la fisioterapia en la atención posparto de mujeres

con diástasis abdominal: una revisión de la literatura

 

Andressa Capoani*

andressacapoani1205@gmail.com

Maria Caroline da Silva Brandão*

mariacarolinesilva27@gmail.com

Fernanda da Silva Pumi de Aliana**

fernandapumi@gmail.com

 

*Acadêmica do último período de Fisioterapia

Centro Universitário Dinâmica das Cataratas (UDC)

***Docente do curso de Fisioterapia da UDC Anglo e fisioterapeuta intensivista

com ampla experiência em COVID-19 e reabilitação respiratória e motora

Criadora do curso Rotinas Fisioterapêuticas na UTI

Mestre em Saúde Pública em Região de Fronteira pela UNIOESTE

Especialista em Fisioterapia Neurofuncional

Terapia Intensiva pela Assobrafir e Acupuntura

Graduada em Fisioterapia pela Faculdade União das Américas

Membro do Grupo de Pesquisa em Saúde Pública Baseada em Evidências

atuando em terapia intensiva, COVID-19 e saúde pública

(Brasil)

 

Recepción: 03/09/2025 - Aceptación: 11/11/2025

1ª Revisión: 24/10/2025 - 2ª Revisión: 06/11/2025

 

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Cita sugerida: Capoani, A., Brandão, M.C. da S., e Aliana, F. da S.P. de (2026). A atuação da fisioterapia no pós-parto em mulheres com diástase abdominal. Revisão de literatura. Lecturas: Educación Física y Deportes, 30(332), 208-221. https://doi.org/10.46642/efd.v30i332.8545

 

Resumo

    Revisão de literatura descritiva e analítica, que incluiu 31 estudos sobre intervenções fisioterapêuticas voltadas à diástase dos músculos retos do abdome (DRA) em mulheres no período pós-parto. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, BVS, LILACS, sciELO, PEDro e Google acadêmico. O objetivo deste estudo foi sintetizar e avaliar as evidências científicas sobre diferentes abordagens terapêuticas utilizadas para o manejo da DRA. Os resultados evidenciam que os programas de exercícios específicos para a musculatura abdominal profunda constitui o eixo central do tratamento, favorecendo a aproximação dos retos abdominais e a restauração da função do core. A associação com recursos complementares, como eletroterapia e bandagem terapêutica (Kinesio Taping), potencializa os ganhos funcionais e a qualidade de vida. Apesar dos resultados promissores, as evidências disponíveis ainda apresentam limitações metodológicas, como tamanhos amostrais reduzidos, heterogeneidade dos protocolos e escassez de estudos com acompanhamento prolongado. Conclui-se que a fisioterapia representa uma estratégia eficaz, segura e acessível no tratamento da diástase abdominal puerperal.

    Unitermos: Diástase dos músculos retos do abdome. Fisioterapia. Período pós-parto. Exercício terapêutico.

 

Abstract

    This descriptive and analytical literature review included 31 studies on physiotherapy interventions aimed at diastasis recti abdominis (DRA) in postpartum women. Searches were conducted in the PubMed, BVS, LILACS, SciELO, PEDro, and Google Scholar databases. The objective of this study was to synthesize and evaluate the scientific evidence on different therapeutic approaches used to manage DRA. The results show that specific exercise programs for the deep abdominal muscles, focused on the central axis of treatment, promote the approximation of the rectus abdominis muscles and the restoration of core function. The association with complementary resources, such as electrotherapy and therapeutic taping (Kinesio Taping), enhances functional gains and quality of life. Despite the promising results, the available evidence still presents methodological limitations, such as restricted sample sizes, heterogeneity of protocols, and deficiencies in studies with long-term follow-up. It is concluded that physiotherapy represents an effective, safe, and accessible strategy in the treatment of postpartum abdominal diastasis.

    Keywords: Diastasis of the rectus abdominis muscles. Physiotherapy. Postpartum period. Therapeutic exercise.

 

Resumen

    Esta revisión bibliográfica descriptiva y analítica incluyó 31 estudios sobre intervenciones de fisioterapia dirigidas a la diástasis de los rectos abdominales (DRA) en mujeres en el posparto. Se realizaron búsquedas en las bases de datos PubMed, BVS, LILACS, SciELO, PEDro y Google Scholar. El objetivo de este estudio fue sintetizar y evaluar la evidencia científica sobre diferentes enfoques terapéuticos utilizados para el manejo de la DRA. Los resultados muestran que los programas de ejercicios específicos para los músculos abdominales profundos constituyen el eje central del tratamiento, favoreciendo la aproximación de los músculos rectos abdominales y la recuperación de la función del core. La asociación con recursos complementarios, como la electroterapia y el vendaje neuromuscular (Kinesio Taping), mejora las ganancias funcionales y la calidad de vida. A pesar de los resultados prometedores, la evidencia disponible aún presenta limitaciones metodológicas, como tamaños de muestra pequeños, heterogeneidad de protocolos y escasez de estudios con seguimiento a largo plazo. Se concluye que la fisioterapia representa una estrategia eficaz, segura y accesible en el tratamiento de la diástasis abdominal posparto.

    Palabras clave: Diástasis de los músculos rectos abdominales. Fisioterapia. Período posparto. Ejercicio terapéutico.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 30, Núm. 332, Ene. (2026)


 

Introdução 

 

    A gestação e o puerpério acarretam intensas transformações fisiológicas e emocionais, entre as quais se destaca a diástase dos músculos retos do abdome (DRA), caracterizada pelo afastamento da linha alba superior a 2 cm, frequentemente associada a fatores como múltiplas gestações, intervalos curtos entre partos e predisposição genética (Costa, Costa, e Albuquerque, 2021; Taketomi, Santos, e Aguiar, 2021). Essa alteração pode ocasionar abaulamento abdominal, dor lombar, incontinência urinária e hérnia umbilical (Costa, Junior, e Alves, 2021). Embora em alguns casos ocorra regressão espontânea, a fisioterapia tem se mostrado um recurso seguro e eficaz na recuperação da estabilidade do tronco e na redução da distância intermuscular (Michalska et al., 2018; Müller, e Silva, 2018), contribuindo também para o bem-estar físico e psicológico no pós-parto (Andrade, e Barreto, 2022). Diante da relevância clínica e social dessa condição, este estudo teve como objetivo reunir e analisar as evidências científicas disponíveis sobre as intervenções fisioterapêuticas aplicadas à DRA em mulheres no período pós-parto, destacando as abordagens mais efetivas e as lacunas ainda existentes na literatura.

 

Metodologia 

 

    Trata-se de uma revisão de literatura com caráter descritivo e analítico. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, BVS, LILACS, SciELO, PEDro e Google Acadêmico, abrangendo publicações entre 2012 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Utilizaram-se os descritores “diástase dos músculos retos do abdome”, “diastasis recti abdominis”, “fisioterapia”, “physical therapy” e “pós-parto”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR.

 

    Inicialmente foram identificados 904 artigos. Após a remoção das duplicidades e dos estudos fora do período de publicação, permaneceram 577 registros únicos. Desses, 378 foram excluídos por não apresentarem relação direta com o tema e 31 por indisponibilidade de acesso ao texto completo. Na etapa de elegibilidade, 160 artigos foram analisados integralmente, sendo 129 excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão e exclusão previamente definidos.

Foram incluídos ensaios clínicos e revisões sistemáticas que abordassem intervenções fisioterapêuticas voltadas à diástase dos músculos retos do abdome (DRA) no período pós-parto, e que utilizaram ultrassonografia para mensuração da distância inter-retos. Foram excluídas revisões narrativas, relatos de experiência, estudos com comorbidades interferissem nos resultados. Após a aplicação dos critérios, 31 artigos compuseram a amostra final da revisão.

 

    A extração dos dados foi realizada por meio de formulário padronizado, que contemplou informações sobre autoria, ano de publicação, tipo de intervenção fisioterapêutica, e principais resultados. A análise dos dados foi conduzida de forma descritiva e comparativa, levando em consideração a consistência metodológica e os principais achados relatados pelos autores.

 

Resultados 

 

    Foram incluídos 31 artigos, sendo 13 ensaios clínicos e 18 revisões estruturadas, que investigaram diferentes intervenções fisioterapêuticas para a diástase dos músculos retos do abdome (DRA) em mulheres no período pós-parto. Os principais achados são representados nas Tabelas 1 e 2 e descritos a seguir de forma narrativa.

 

Tabela 1. Ensaios clínicos incluídos na revisão

Autor/Ano

Intervenções

Principais Resultados

Khademi et al., 2024

Prancha estática vs dinâmica

Redução da DRA: dinâmica ≈ 10%; estática ≈ 5%

Aita, 2013

Exercícios no pós-parto imediato

Grupo intervenção: 49% vs 20% no controle

Cordova-Alegre et al., 2025

Exercícios + radiofrequência

Reduziu ≈ 60% na distância inter-retos; melhora funcional.

Soto-González et al., 2024

Hipopressivos vs convencionais

Ambos eficazes; efeitos distintos sobre regiões supra e infra-umbilicais.

Arranz-Martín et al., 2022

AHE, ADIM, SCU

SCU reduziu região supra; ADIM aumentou; AHE manteve distância

Shohaimi et al., 2023

STEP

Redução média de 6,2 mm vs 1,7 mm no controle

Liu et al., 2022

Exercícios ± eletroacupuntura

Ambos reduziram DRA; eletroacupuntura mais eficaz

Sancho, 2012

Crunch e drawing-in

Ambos reduziram DRA; crunch gerou maior efeito

Kim et al., 2022

Treino de core presencial vs online

Resultados semelhantes; tele-reabilitação viável

Gluppe et al., 2020

Curl-ups, head lift, PFM

Curl-ups reduziram DRA; PFM e in-drawing aumentaram infra-umbilical

Gluppe, Engh, e Bø, 2023

Curl-ups domiciliares

Sem redução significativa; melhora de força muscular

Pagotto et al., 2022

Hipopressivos

Redução de 3,9 cm para 2,2 cm; melhora funcional

Dudič, e Vaská, 2023

Exercícios, respiração e postura

DRA moderada → leve; melhora funcional

Nota. Resultados apresentados de acordo com a descrição dos autores. As reduções da DRA referem-se à distância inter-retos (DIR) mensurada por ultrassonografia

 

    Os exercícios terapêuticos foram a modalidade mais frequentemente empregadas, com protocolos baseados em ativação do core, cinesioterapia, Pilates e exercícios hipopressivos. De modo geral, os estudos relataram reduções médias de 3 a 8 mm na distância inter-retos, associadas a ganhos na força abdominal, estabilidade lombo-pélvica e função do assoalho pélvico. Ensaios que combinaram exercícios com recursos complementares, como eletroestimulação ou bandagem terapêutica (Kinesio Taping), apresentaram reduções mais expressivas da diástase e melhora adicional em parâmetros funcionais e de qualidade de vida. Apesar dos resultados positivos, as pesquisas apresentaram limitações recorrentes, incluindo amostras reduzidas, tempo curto de intervenção e falta de padronização nos protocolos, o que dificulta a comparação direta e generalização dos achados.

 

Tabela 2. Revisões de literatura incluídas

Autor/Ano

Intervenções principais

Resultados principais

Oliveira et al. (2025)

Exercícios isotônicos + eletroestimulação

Redução significativa da DIR; melhores efeitos com associação

Moreira, e Belo (2022)

Estabilidade central, respiração, órteses

Diminuição da DRA e melhora funcional geral

Campos, e Cassaroto (2022)

Cinesioterapia, core profundo, enfaixamento

Redução da DRA, e melhora da imagem corporal

Almeida (2024)

Exercícios, Kinesio Taping, eletroterapia

Exercícios eficazes; associações potencializaram resultados

Silva (2023)

Estabilização, eletroacupuntura, biofeedback

Reduções mantidas até 24 meses; associações mais eficazes

Barbosa et al. (2020)

Pilates

Melhora da força abdominal e estabilidade do core

Oliveira (2023)

Cinesioterapia, core, taping, eletroterapia

Ganhos maiores com recursos combinados

Moreira de Jesus et al. (2024)

Estabilidade, respiração, órtese

Redução da DRA; melhora da resistência muscular

Coelho et al. (2021)

Exercícios, Pilates, hipopressivos, eletroterapia

Fisioterapia eficaz; Pilates com melhores resultados

Santos (2024)

Transverso, estabilização, cinesioterapia

Redução da DRA e melhora do controle motor

Correia et al. (2023)

Exercícios, Pilates, hipopressivos, eletroterapia

Resultados positivos; efeitos ampliados com associação

Pereira (2021)

Exercícios + eletroestimulação ou taping

Redução da DRA e melhora da autoestima

Camilo et al. (2020)

Estimulação elétrica neuromuscular

Redução da DRA; melhores resultados com exercícios

Rockenbach et al. (2012)

Corrente Russa (EENM)

Redução da DRA; evidência limitada

Müller, e Silva (2018)

Crunch, drawing-in, EENM + exercícios

Crunch eficaz; drawing-in com efeito variável

Cruz et al. (2024)

Cinesioterapia, core, eletroterapia, taping

Programas eficazes; EENM e taping potencializaram ganhos

Silva Bráz et al. (2018)

Cinesioterapia, hipopressivos, Pilates

Redução da DRA e melhora estética e funcional

Souza et al. (2023)

Cinesioterapia, Pilates, taping, eletroterapia

Melhora da força e da estabilidade do core

Nota. As revisões apresentaram grande heterogeneidade metodológica; os resultados foram relatados conforme os autores

 

    A maioria dos estudos apontou os exercícios terapêuticos como a principal estratégia para o manejo da DRA, com eficácia comprovada na redução da distância inter-retos e na melhora da função abdominal. Abordagens como Pilates, exercícios hipopressivos e cinesioterapia foram as mais recorrentes, embora ainda não haja consenso sobre frequência, duração ou intensidade ideais. A combinação de exercícios com recursos complementares — como eletroestimulação, Kinesio Taping e técnicas respiratórias — mostrou-se mais eficaz em comparação a protocolos isolados, refletindo benefícios adicionais sobre postura, função respiratória e qualidade de vida.

 

    Apesar dos resultados promissores, as revisões enfatizam limitações metodológicas relevantes nos estudos primários, incluindo amostras pequenas, heterogeneidade das intervenções, curtos períodos de acompanhamento e ausência de protocolos padronizados. Tais limitações restringem a comparação entre estudos e indicam a necessidade de ensaios clínicos mais robustos. De modo geral, os achados convergem para a eficácia das intervenções fisioterapêuticas na redução da DRA e na melhora funcional, fundamentos que sustentam as reflexões apresentadas na próxima seção de discussão.

 

Discussão 

 

    As Tabelas 1 e 2 apresentam os resultados dos estudos incluídos, evidenciando coerência entre as abordagens fisioterapêuticas e os desfechos observados na redução da diástase dos retos abdominais (DRA). Esses achados fundamentam a discussão a seguir, que busca interpretar as evidências e suas implicações clínicas no contexto da reabilitação pós-parto.

 

    A análise dos estudos evidencia que a eficácia das intervenções fisioterapêuticas na diástase dos músculos retos do abdome (DRA) varia conforme o momento de início, o tipo e a duração do protocolo, bem como o estágio puerperal das participantes. Intervenções precoces, iniciadas nas primeiras semanas pós-parto, mostraram reduções mais expressivas da separação muscular (Aita, 2013; Shohaimi et al., 2023), enquanto nas fases intermediárias os resultados dependem do tipo de exercício empregado (Sancho, 2012; Arranz-Martín, 2022; Soto-González, 2024). Protocolos mais tardios, entre seis meses e dois anos após o parto, apresentaram menor impacto sobre o fechamento da linha alba, porém proporcionaram ganhos relevantes na função e na estabilidade do core. (Khademi, Ghaffari, e Rostami, 2024; Kim et al., 2022; Gluppe, Ellström Engh, e Bø, 2023)

 

    Quanto ao tipo de intervenção, exercícios convencionais como crunch e curl-up demonstraram efeito significativo na aproximação dos retos abdominais (Sancho, 2012; Gluppe et al., 2020), resultado corroborado por revisões sistemáticas que indicam superioridade dos isotônicos em relação aos isométricos (Oliveira et al., 2025; Almeida, 2024; Cruz et al., 2024). O Pilates destacou-se pela segurança e efetividade na melhora da força abdominal e estabilidade lombo-pélvica (Barbosa et al., 2020; Coelho et al., 2021), enquanto os exercícios hipopressivos apresentaram achados divergentes entre os estudos (Arranz-Martín et al., 2022; Soto-González et al., 2024). Recursos complementares, como eletroestimulação (Camilo et al., 2020; Liu et al., 2022) e bandagem terapêutica (Correia et al., 2023), potencializaram os efeitos dos exercícios. Além disso, a tele-reabilitação mostrou-se uma alternativa viável e comparável ao atendimento presencial. (Kim et al., 2022)

 

    Os estudos também destacaram benefícios além da redução da separação muscular, como melhora da ativação do core, preservação da linha alba, otimização da função pélvica e tecidual, prevenção de sintomas uroginecológicos e incremento de qualidade de vida (Cordova-Alegre et al., 2025; Pagotto et al., 2022; Dudič, e Vaská, 2023). Esses achados reforçam que o êxito terapêutico deve ser mensurado não apenas pela redução estrutural da diástase, mas principalmente por parâmetros funcionais e de qualidade de vida.

 

    Apesar dos avanços, persistem limitações metodológicas relevantes, como amostras pequenas, curta duração do acompanhamento e escassez de ensaios multicêntricos, fatores que dificultam a padronização de protocolos clínicos (Oliveira et al., 2025; Cruz et al., 2024). Dessa forma, há necessidade de estudos randomizados e metodologicamente rigorosos que consolidem a prática baseada em evidências.

 

    De modo geral, esta revisão indica que exercícios de fortalecimento abdominal — como abdominais convencionais, hipopressivos e pranchas — devem ser priorizados na reabilitação da DRA, com o uso de recursos complementares, como eletroestimulação, reservado para casos persistentes. A segurança dos curl-ups amplia as possibilidades terapêuticas sem risco de agravamento da condição. Assim, recomenda-se que os protocolos clínicos mantenham o exercício como eixo central do tratamento, ajustando técnicas e recursos adicionais conforme o tempo de pós-parto, o grau de separação muscular e as necessidades funcionais de cada mulher.

 

    Futuras pesquisas devem priorizar ensaios clínicos multicêntricos com amostras mais amplas, protocolos padronizados e acompanhamento superior a seis meses. É essencial investigar comparativamente diferentes estratégias de ativação do core, analisar o impacto das intervenções sobre parâmetros funcionais e de qualidade de vida, e explorar populações específicas, como mulheres submetidas à cesariana, gestação múltipla ou com disfunções pélvicas associadas.

 

    Os achados desta revisão reforçam a importância da fisioterapia como componente essencial da assistência pós-parto, contribuindo não apenas para a recuperação estética, mas também funcional e psicossocial da puérpera.

 

Conclusão 

 

    Conclui-se que a fisioterapia constitui uma intervenção eficaz, segura e acessível no manejo da diástase dos músculos retos do abdome no período pós-parto. O exercício terapêutico representa o eixo central do tratamento, com evidências consistentes para o treinamento do core por meio de exercícios como curl-ups, pranchas e técnicas hipopressivas, que favorecem a aproximação dos retos abdominais e promovem ganhos funcionais e estéticos. A associação com recursos complementares, como eletroterapia e bandagem terapêutica, potencializa os resultados, especialmente em casos de maior persistência da separação muscular.

 

    Mais do que o simples fechamento da fenda abdominal, o sucesso da reabilitação deve ser avaliado com base na melhora funcional, estabilidade lombo-pélvica e qualidade de vida da puérpera. Essa abordagem centrada na funcionalidade reflete a evolução do conceito de reabilitação da DRA, priorizando o desempenho e o bem-estar global da mulher.

 

    Apesar dos resultados promissores, a heterogeneidade metodológica dos estudos e o número reduzido de ensaios de longo prazo ainda limitam a generalização das evidências. Portanto, recomenda-se que futuras pesquisas adotem desenhos experimentais robustos e padronizados, ampliando a consistência dos resultados e contribuindo para o desenvolvimento de protocolos clínicos sólidos e baseados em evidências. Dessa forma, a consolidação de protocolos clínicos baseados em evidências poderá fortalecer a atuação fisioterapêutica no puerpério e otimizar os resultados funcionais e de qualidade de vida das mulheres.

 

Referências 

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 30, Núm. 332, Ene. (2026)