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ISSN 1514-3465

 

Autonomia funcional e qualidade de vida de idosas

praticantes de diferentes programas de atividade física

Functional Autonomy and Quality of Life in Older Women Participating in Different Physical Activity Programs

Autonomía funcional y calidad de vida de mujeres mayores participantes en diferentes programas de actividad física

 

Rosimare Oliveira Silva Rocha*

rosimareoliveira15@gmail.com

Larissa Nayara de Souza**

larissaprofessoraedfisica@gmail.com

Roque Ribeiro da Silva Júnior***

roquejunior@alu.uern.br

Edson Fonseca Pinto+

edsonpinto@uern.br

Luís Marcos de Medeiros Guerra++

luisguerra@uern.br

Maria Irany Knackfuss+++

mariaknackfuss@uern.br

 

*Graduada em Educação Física

pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

**Programa de Pós-Graduação Saúde e Sociedade (UERN)

Mestranda em Saúde e Sociedade (UERN)

***Programa Multicêntrico em Ciências Fisiológicas (UERN)

Doutorando em Ciências Fisiológicas

pelo Programa Multicêntrico de Pós-Graduação (UERN)

+Doutor em Saúde Coletiva (UERN)

++Doutor em Ciências Fisiológicas

Programa de Pós-Graduação Saúde e Sociedade (UERN)

+++Doutora em Ciências da Saúde (UERN)

(Brasil)

 

Recepción: 14/08/2025 - Aceptación: 12/02/2026

1ª Revisión: 16/12/2025 - 2ª Revisión: 08/02/2026

 

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Cita sugerida: Rocha, R.O.S., Souza, L.N. de, Silva Júnior, R.R. da, Pinto, E.F., Guerra, L.M. de M., e Knackfuss, M.I. (2026). Autonomia funcional e qualidade de vida de idosas praticantes de diferentes programas de atividade física. Lecturas: Educación Física y Deportes, 30(334), 204-216. https://doi.org/10.46642/efd.v30i334.8521

 

Resumo

    O envelhecimento em mulheres idosas acarreta alterações fisiológicas que podem reduzir a autonomia funcional e a qualidade de vida. A prática regular de treinamento resistido (TR) e exercício aeróbico (EA) é eficaz para atenuar esses efeitos. Este estudo objetivou analisar evidências científicas sobre a autonomia funcional e a qualidade de vida de idosas praticantes de TR e EA. Realizou-se uma revisão narrativa estruturada com critérios de busca delimitados, adotando como critérios de inclusão de ensaios clínicos com mulheres de 60 a 75 anos, publicados entre 2020 e 2025, em português e/ou inglês, nas bases PubMed, Scopus e Cochrane Library. Foram identificados 93 artigos, dos quais 89 foram excluídos por serem duplicados, fugir do tema, população diferente ao estudo e outros métodos de pesquisa. Assim, os estudos incluídos para análise qualitativa resultaram em 4 artigos. Os resultados indicaram que o treinamento resistido favorece a força muscular, densidade óssea, equilíbrio e composição corporal, enquanto o exercício aeróbico melhora a capacidade cardiorrespiratória, o perfil lipídico, o controle glicêmico e redução da gordura corporal. Com isso, concluísse que a prática regular de exercícios físicos, com ênfase no TR e EA, desempenham papeis fundamentais na promoção de um envelhecimento saudável para mulheres idosas, e a combinação desses programas também evidenciaram benefícios, possibilitando maiores ganhos sobre a autonomia funcional e qualidade de vida, tornando assim, o processo do envelhecimento para essa população mais ativo.

    Unitermos: Exercício aeróbico. Idosas. Mulheres. Qualidade de vida. Treinamento resistido.

 

Abstract

    Aging in older women leads to physiological changes that may reduce functional autonomy and quality of life. Regular participation in resistance training (RT) and aerobic exercise (AE) is effective in attenuating these effects. This study aimed to analyze scientific evidence regarding functional autonomy and quality of life in older women who practice RT and AE. A structured narrative review was conducted with predefined search criteria, including clinical trials involving women aged 60 to 75 years, published between 2020 and 2025, in Portuguese and/or English, in the PubMed, Scopus, and Cochrane Library databases. Ninety-three articles were identified, of which 89 were excluded for being duplicates, being off-topic, involving a different population, or using other research methods. Thus, four articles were included in the qualitative analysis. The results indicated that resistance training improves muscle strength, bone density, balance, and body composition, whereas aerobic exercise enhances cardiorespiratory capacity, lipid profile, glycemic control, and reduces body fat. Therefore, it is concluded that regular physical exercise—particularly RT and AE—plays a fundamental role in promoting healthy aging in older women, and that combining these programs also provides benefits, enabling greater gains in functional autonomy and quality of life, thereby making the aging process for this population more active.

    Keywords: Aerobic exercise. Older women. Women. Quality of life. Resistance training.

 

Resumen

    El envejecimiento en mujeres mayores conlleva cambios fisiológicos que pueden reducir la autonomía funcional y la calidad de vida. El entrenamiento de resistencia (ER) y el ejercicio aeróbico (EA) regulares son eficaces para mitigar estos efectos. El objetivo fue analizar la evidencia científica sobre la autonomía funcional y la calidad de vida de mujeres mayores que practican ER y EA. Se realizó una revisión narrativa estructurada con criterios de búsqueda delimitados, adoptando como criterios de inclusión ensayos clínicos con mujeres de 60 a 75 años, publicados entre 2020 y 2025, en portugués y/o inglés, en las bases de datos PubMed, Scopus y Cochrane Library. Se identificaron 93 artículos, de los cuales 89 fueron excluidos por duplicación, desviación del tema, población diferente a la del estudio y otros métodos de investigación. Por lo tanto, los estudios incluidos para el análisis cualitativo resultaron en 4 artículos. Los resultados indicaron que el entrenamiento de resistencia favorece la fuerza muscular, la densidad ósea, el equilibrio y la composición corporal, mientras que el ejercicio aeróbico mejora la capacidad cardiorrespiratoria, el perfil lipídico, el control glucémico y reduce la grasa corporal. Por lo tanto, se concluye que el ejercicio físico regular, con énfasis en el entrenamiento de resistencia y el ejercicio aeróbico, desempeña un papel fundamental en la promoción del envejecimiento saludable en mujeres mayores. La combinación de estos programas también mostró beneficios, permitiendo mayores ganancias en autonomía funcional y calidad de vida, haciendo así que el proceso de envejecimiento sea más activo en esta población.

    Palabras clave: Ejercicio aeróbico. Mujeres mayores. Mujeres. Calidad de vida. Entrenamiento de resistencia.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 30, Núm. 334, Mar. (2026)


 

Introdução 

 

    Segundo o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022), o Brasil possui mais de 32,1 milhões de idosos com idade igual ou acima de 60 anos, o que corresponde a uma média de 15,8 % da população do país. De acordo com os dados levantados, a população idosa é composta na sua maioria pelo sexo feminino, compondo 55,7 %, enquanto os homens correspondem a 44,3 %.

 

    Embora as mulheres sejam maioria entre a população idosa, o envelhecimento feminino no Brasil resulta da interação entre fatores biológicos e sociais. As alterações hormonais da menopausa contribuem para mudanças fisiológicas, como a redução da força muscular e a redistribuição da gordura corporal, as quais se somam a desigualdades históricas de gênero, como a sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidado. Essas condições, especialmente entre mulheres em vulnerabilidade social, impactam negativamente a autonomia funcional, a qualidade de vida e o acesso ao autocuidado. (Santos et al., 2022)

 

    O processo do envelhecimento nas mulheres idosas é marcado por aumento da gordura corporal, afetando negativamente a composição corporal, diminuição gradual da força muscular, debilitando a função dos músculos, o que acaba contribuindo para o aumento do risco de quedas, fraturas e declínio da autonomia funcional. E é por isso, que é fundamental detectar essas questões vulneráveis nessa população e orientá-las com estratégias de prevenção adequada. (Alajlouni et al., 2020)

 

    A autonomia funcional para a pessoa idosa, relaciona-se com a capacidade funcional de conseguir realizar suas atividades da vida diária, de forma independente e segura, como caminhar, levantar-se, vestir-se, alimentar-se e cuidar da sua higiene pessoal. Enquanto que a qualidade de vida engloba o bem-estar físico, mental e social. Ambas as perspectivas são interdependentes, pois a conservação da autonomia funcional impacta para uma melhor qualidade de vida. (Araújo-Gomes et al., 2023)

 

    A prática regular de exercícios físicos para a saúde das mulheres idosas é de suma importância, pois age na prevenção ou minimização dos efeitos deletérios do envelhecimento. Uma das estratégias eficazes, é o Treinamento Resistido (TR), que contribui para o aumento da força e massa muscular, enquanto que o Exercício Aeróbico (EA), pode ser usado para melhorar a capacidade cardiovascular e respiratória. Destacando que ambos os tipos de treinamento, juntos ou individualizados, proporcionam melhorias na autonomia funcional e qualidade de vida dessa população. (Zhang, e Zhang, 2023)

 

    Para atenuar os efeitos deletérios do envelhecimento, é importante que a pessoa idosa mantenha níveis adequados de atividade física, contribuindo para a preservação das capacidades físicas e funcionais, com repercussões positivas na autonomia e na qualidade de vida para a realização das atividades da vida diária (Livramento et al., 2012).

 

    Entretanto, na população idosa é frequente a ocorrência do destreinamento, caracterizado pela interrupção parcial ou total da prática de exercícios físicos, o que pode levar à reversão dos ganhos obtidos, afetando diferentes componentes da aptidão física. A magnitude dessas perdas varia conforme a condição inicial e o tempo sem treino, evidenciando a importância da continuidade das atividades físicas para a manutenção da funcionalidade (Mazini Filho et al., 2022).

 

    Contudo, a abordagem para escolha do tema, ocorreu pelo fato de conhecer os efeitos de diferentes tipos de programas de atividade física, sobre a autonomia e qualidade de vida de mulheres idosas. Considerando o contexto apresentado, surgiu a seguinte indagação: a participação em programas de atividade física melhora a autonomia funcional e qualidade de vida de mulheres idosas? Com isso, a presente pesquisa objetivou analisar os benefícios da autonomia funcional e qualidade de vida de mulheres idosas praticantes de programas de TR e EA.

 

Metodologia 

 

    Este estudo trata-se de uma pesquisa de revisão narrativa estruturada com critérios de busca delimitados, adotando como critérios de inclusão de ensaios clínicos, estudos que abordassem especificamente o treinamento resistido e o exercício aeróbico, com uma população composta de mulheres idosas, na faixa etária entre 60 e 75 anos e estudos disponíveis na língua portuguesa ou inglesa entre os anos de 2020 à 2025. Foram criteriosamente excluídos da análise, estudos privados e com amostra diferente.

 

    A pesquisa foi realizada no período entre abril e junho de 2025, utilizando as publicações indexadas nas bases de dados: Pubmed, Scopus e Cochrane Librany. Para a estratégia de busca sistemática, foram usados os seguintes descritores oficiais: “idoso” AND “mulher” AND “treinamento resistido” AND “treino aeróbico” AND “qualidade de vida”. A combinação desses termos foi realizada utilizando o operador booleano "AND". Todas as palavras chaves foram obtidas utilizando os descritores oficiais na base Descritores em Ciências da Saúde DeCs/MeSH.

 

    Os procedimentos foram realizados seguindo os seguintes processos: identificação do tema e formulação da hipótese/questão de pesquisa; estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão de estudos; coleta dos dados e categorização dos estudos; avaliação da qualidade dos estudos incluídos para a revisão integrativa; interpretação dos resultados, e por último apresentação da revisão/síntese do conhecimento (Souza et al., 2010).

 

    A seleção e triagem dos artigos foram realizadas utilizando a plataforma online Rayyan QCRI (Ouzzani et al., 2016). Os autores realizaram em conjunto a busca, seleção, triagem, exclusão e inclusão dos estudos apresentados a seguir.

 

Resultados 

 

    No levantamento nas bases de dados, foram identificados 93 artigos, dos quais 5 foram detectados como duplicados. Após a exclusão dos estudos por duplicatas, 88 estudos foram submetidos à triagem para realização da leitura de títulos e resumos, resultando em um total de 81 excluídos. Restaram um total de 7 artigos para elegibilidade em texto completo, na qual após a leitura, foram excluídos um total de 3 estudos, pelas seguintes razões: fuga do tema; população diferente ao estudo e outros métodos de pesquisa. Assim, os estudos incluídos para análise qualitativa resultaram em 4 artigos (Figura 1).

 

Figura 1. Representa o Fluxograma adaptado de PRISMA 2020

Figura 1: Representa o Fluxograma adaptado de PRISMA 2020

Fonte: Autores (2025)

 

    Nesse contexto, são apresentadas as perspectivas dos estudos incluídos na pesquisa, focando nos efeitos do TR e EA, sobre a autonomia funcional e a qualidade de vida, de mulheres idosas, exibindo os respectivos autores dos artigos selecionados, os tipos de estudos, a amostra e suas características, além dos resultados e conclusões.

 

Discussão 

 

    A partir da síntese dos estudos analisados, verificou-se que o exercício físico impacta positivamente a vida de mulheres idosas, por meio do TR e EA, que desempenham papeis importantes no cotidiano dessa população, e foi o cerne das discussões dessa pesquisa. Os artigos incluídos para análise final, apresentam temas que abordam diversos efeitos do TR e EA para mulheres idosas, sob parâmetros de maneira isolada ou sob a combinação de diferentes tipos de treinamentos, na melhoria da autonomia funcional e qualidade de vida.

 

    De forma geral, a tabela 1 representa os estudos que compartilham uma visão similar quanto ao objetivo de melhorar a autonomia funcional e qualidade de vida de idosas, através do TR e EA, destacando os inúmeros benefícios que estas práticas proporcionam.

 

Tabela 1. Síntese dos estudos primários incluídos na revisão integrativa (n=4), 2025.

Autores/ano

Tipo de estudo

N° da amostra e característica

Resultados/Conclusão

Leitão et al., 2021.

Ensaio Clínico

Controlado Não

Randomizado

32 idosas, foram divididas em grupo experimental (GE), n = 17, em um programa de treinamento físico multicomponente (EM) de 9 meses, seguido de um período de destreinamento de três meses e o grupo controle (GC), n= 15, que não realizou nenhum programa de treinamento.

O perfil lipídico e a capacidade funcional podem ser melhorados com nove meses de treinamento físico multicomponente (treinamento aeróbico e treinamento resistido). Além dos efeitos negativos do destreinamento, três meses não foram suficientes para reverter os benefícios do exercício em mulheres idosas com altos valores de triglicerídeos e colesterol total.

Leitão et al., 2022.

Ensaio Clínico Randomizado

94 idosas foram divididas em quatro grupos de treinamento resistido (TR): treinamento de resistência de força relativa, SET; treinamento de força tradicional, TRT; treinamento de força absoluta, AST; treinamento de potência, PWT) e um grupo controle (GC).

Todos os protocolos de TR melhoraram os níveis de atividade física (AT) e qualidade de vida (QoL), após 16 semanas de treinamento. Para a melhoria do equilíbrio, QoL e AT, mulheres mais velhas podem ser submetidas a PWT, AST e SET, e não ficar restritas ao TRT.

Ramos et al., 2022.

Ensaio Clínico Randomizado

67 idosas foram divididas aleatoriamente em três grupos: treinamento de resistência (GTR), caminhada (GTP) e controle (GC), durante 16 semanas.

O GTR obteve melhores resultados quando comparado ao GT e GC. Os resultados permitem inferir que programas de exercícios resistidos são mais eficazes no aumento da força e da autonomia funcional, fato que pode atenuar os efeitos deletérios do envelhecimento à saúde.

Zhang; Zhang, 2023.

 

 

Ensaio Clínico Não

Randomizado

 

20 mulheres de meia-idade e idosas foram divididas em grupo experimental (exercícios aeróbicos combinados com treinamento de força), e em grupo controle (caminhada aeróbica), durante 2 meses.

Os resultados experimentais mostram que, em comparação com a caminhada aeróbica, o exercício aeróbico combinado com o método de treinamento de resistência neste artigo pode melhorar ainda mais a função física de mulheres de meia-idade e idosas, melhorar a densidade óssea, otimizar a alfabetização esportiva e ter um certo efeito de promoção na melhoria da saúde física das mulheres.

Fonte: Autores (2025)

 

    O processo do envelhecimento causa diversos declínios na saúde, afetando a autonomia e qualidade de vida do idoso, no entanto, a prática regular de exercícios físicos para esta população promove um envelhecimento saudável, desempenhando um papel importante na promoção da saúde e na prevenção de doenças. Para manter um estilo de vida ativo na velhice, é crucial que o exercício seja mantido de forma regular, com duração entre 20 a 60 minutos, com intensidade moderada a vigorosa, respeitando a individualidade de cada indivíduo (Izquierdo et al., 2021).

 

    A prática de exercícios físicos nas mulheres idosas, assume particular importância por ser eficaz na manutenção da densidade mineral óssea, melhora da força muscular, equilíbrio e funcionalidade. Na qual, devido ao processo do envelhecimento, com a menopausa e a perda de massa óssea acelerada, as alterações fisiológicas nesse grupo, são mais presentes do que nos homens (Izquierdo et al., 2021).

 

    Diante desse contexto da prática regular de exercício físico, o TR proporciona diversos benefícios para a saúde de mulheres idosas, como melhora no controle da massa gorda, evitando possíveis causas de colesterol alto, além de auxiliar na manutenção e aumento da massa muscular, preservando a força, promovendo capacidade funcional e melhorando assim, a qualidade de vida dessa população (Kim et al., 2022).

 

    Além disto, existem diferentes tipos de TR com características e benefícios particulares, na qual, a combinação e escolha de métodos devem respeitar os objetivos, o estado físico e os interesses das idosas. Por exemplo, o estudo de Mazini Filho et al. (2022), que avaliou os efeitos de diferentes tipos de TR: treinamento de força (TRT), potência (PWT), força absoluta (AST) e força relativa (SET), sobre a força muscular, potência e capacidade funcional em mulheres idosas, durante 20 semanas de intervenção, seguido de um período de destreinamento. Concluíram que todos os tipos de TR foram eficazes sobre os parâmetros levantados, e que é importante a continuidade da prática de exercícios para a autonomia e qualidade de vida.

 

    Nessa perspectiva, em nosso estudo, Leitão et al. (2022), avaliou os efeitos de diferentes protocolos de TR: treinamento de resistência de força relativa (SET), treinamento de força tradicional (TRT), treinamento de força absoluta (AST) e treinamento de potência (PWT), sobre o equilíbrio, qualidade de vida e nível de atividade física de mulheres idosas, durante 16 semanas. Os resultados apontaram que todos os protocolos promoveram melhorias sobre os parâmetros levantados, reforçando a eficácia para promover a autonomia e qualidade de vida.

 

    Perante esta análise, ambos os estudos demostraram que diferentes tipos de TR, quando desenvolvidos de maneira estruturada em mulheres idosas, apresentam resultados benéficos significativos independente das diferenças na intensidade e volume do treino, além, de reforçarem a relevância da continuidade do treinamento para manter e promover melhores ganhos.

 

    Outro estudo avaliado sobre TR, foi o de Ramos et al. (2022), que comparou os efeitos de dois programas: treinamento em circuito de resistência e caminhada, na força muscular e na autonomia funcional de mulheres idosas, durante 16 semanas. Os resultados apontaram que o grupo de TR apresentou melhores ganhos no aumento da força muscular dos membros superiores e inferiores, como melhoria da autonomia funcional, reforçando a importância do TR como um dos métodos fundamentais para promover o envelhecimento ativo.

 

    Dentre as recomendações, a prática regular de Exercício Aeróbico (EA) também é uma estratégia bastante eficaz para melhoria da qualidade de vida e autonomia funcional de mulheres idosas, por atuar na saúde cardiovascular, reduzindo a gordura corporal, melhorando a composição corporal e o perfil lipídico, além de agir na manutenção da massa magra. (Ahn, e Kim, 2020)

 

    Corroborando ainda, o estudo de Zhang, e Zhang (2023), estudaram os efeitos do EA combinado ao TR, e de um grupo controle que praticou caminhada aeróbica, na composição corporal de mulheres idosas, durante dois meses de intervenção. No entanto, observaram redução na percentagem de gordura corporal de 35 % para 30 %, diminuição do IMC de 24,98 kg/m² para 24,25 kg/m² e aumento da densidade mineral óssea de 1,20 g/cm³ para 1,21 g/cm³. Concluindo que a combinação de EA e TR, são eficazes não só na redução de gordura corporal, mas também na manutenção da massa magra e na melhoria da saúde óssea.

 

    Complementando, o estudo Leitão et al. (2021), verificou os efeitos de um programa de Exercício Multicomponente (EMC), formado por EA e TR, na capacidade funcional e no perfil lipídico de mulheres idosas, durante nove meses, seguido de um período de destreinamento. Foi conclusivo que o EMC apresentou melhorias no perfil lipídico, com reduções de 15 % no colesterol total, 19 % nos triglicerídeos e 15 % na glicemia, além do aumento na capacidade funcional.

 

    Caldas et al. (2022), confirmam e complementam que o EMC tem se mostrado eficaz para a promoção da saúde de mulheres idosas, evidenciando melhorias significativas na força muscular, capacidade cardiorrespiratória e no perfil lipídico, reduzindo os níveis de glicemia e agindo na manutenção da composição corporal, pontos importantes para a prevenção de doenças crónicas e envelhecimento saudável. O estudo ainda pontua que o EMC contribui para a redução do comportamento sedentário e para o aumento dos níveis de atividade física.

 

    Diante da discussão, a prática regular de exercícios físicos com destaque para o TR e EA, são estratégias importantes e eficazes para a autonomia funcional e qualidade de vida em mulheres idosas. Onde o TR, em seus diferentes tipos de métodos demostrou ganhos quantitativos na força muscular, o EA mesmo que isolado ou integrado em programas de multicomponentes, contribui para a melhoria da capacidade cardiorrespiratória, do perfil lipídico e glicémico.

 

Conclusão 

 

    Com isso, concluísse com base nos estudos incluídos na presente revisão, que a prática regular de exercícios físicos, com ênfase no TR e EA, desempenham papeis fundamentais na promoção de um envelhecimento saudável para mulheres idosas. Enquanto o TR, em seus diferentes tipos de métodos, mostrou-se eficaz no aumento da força muscular, manutenção da densidade óssea e melhoria no equilíbrio e na composição corporal, o EA apresentou resultados significativos sobre a capacidade cardiorrespiratória, redução da gordura corporal, perfil lipídico e controle glicémico. Além disso, a combinação desses programas de EMC também evidenciaram benefícios, possibilitando maiores ganhos sobre a autonomia funcional e qualidade de vida, tornando assim, o processo do envelhecimento para essa população mais ativo.

 

    Neste viés, o presente estudo torna-se relevante para o auxílio ao profissional de Educação Física no que se refere à qualificação e preparação ao atendimento a mulheres idosas, contribuindo para a melhoria da autonomia funcional e qualidade de vida. Dentre as limitações do estudo, têm-se a escassez de estudos especificamente voltados à prática isolada de EA para esta população, além de limitação de intervenções com EA e TR em mulheres idosas. Por essa razão, o N dos estudos incluídos na revisão é limitado.

 

Referências 

 

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