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ISSN 1514-3465

 

Influência do método Pilates sobre a dor, força 

muscular e capacidade funcional em pessoas idosas

Influence of the Pilates Method on Pain, Muscle Strength and Functional Capacity in the Elderly

Influencia del método Pilates en el dolor, la fuerza muscular y la capacidad funcional en personas mayores

 

Arthur Luiz Faresin Bentlin*

184228@upf.br

Arthur Burgel Ehrhardt*

188532@upf.br

Guilherme Moreira de Matos*

184257@upf.br

Lia Mara Wibelinger**

liafisio@upf.br

Matheus Santos Gomes Jorge***

matheusjorge@upf.br

 

*Fisioterapeuta formado pela Universidade de Passo Fundo (UFP)

**Fisioterapeuta, especialista em saúde pública

Mestre e Doutora em Gerontologia Biomédica

formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Docente do Curso de Fisioterapia e do Programa de Pós-graduação

em Envelhecimento Humano da UFP

***Fisioterapeuta, especialista em traumato-ortopedia

Mestre e Doutor em Envelhecimento Humano pela UFP

Docente do Curso de Fisioterapia e do Programa de Pós-graduação

em Envelhecimento Humano da UFP

(Brasil)

 

Recepción: 06/10/2024 - Aceptación: 31/01/2026

1ª Revisión: 31/12/2024 - 2ª Revisión: 27/01/2026

 

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https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt

Cita sugerida: Bentlin, A.L.F., Ehrhardt, A.B., Matos, G.M. de, Wibelinger, L.M., e Jorge, M.S.G. (2026). Influência do método Pilates sobre a dor, força muscular e capacidade funcional em pessoas idosas. Lecturas: Educación Física y Deportes, 31(336), 183-196. https://doi.org/10.46642/efd.v31i336.7926

 

Resumo

    A dor crônica e a fraqueza muscular são complicações prevalentes no envelhecimento, podendo resultar em incapacidade funcional. Estudos anteriores sugerem benefícios do método Pilates para esses problemas. O estudo deste estudo foi avaliar os efeitos da intervenção fisioterapêutica por meio do método Pilates na dor, força muscular e capacidade funcional em pessoas idosas. Foi conduzido um ensaio clínico não randomizado (ou quase-experimental) com nove pessoas idosas (cinco homens e quatro mulheres, com média de idade de 66,56 ± 5,87). Os indivíduos foram avaliados quanto as características sociodemográficas e clínicas por meio da anamnese fisioterapêutica, além de medições da intensidade da dor através da Escala Visual Analógica (EVA), da força de preensão palmar (FPM) por meio da dinamometria manual e da capacidade funcional por meio do teste “timed up and go” (TUG). As sessões de fisioterapia ocorreram duas vezes por semana, durante cinco semanas, com duração de aproximadamente 50 minutos cada, totalizando 10 sessões. Foram realizados 16 exercícios de Pilates nas modalidades mat Pilates (Pilates solo) e com equipamentos (Reformer, Ladder Barrel, Chair e Cadillac). Após a intervenção, houve redução significativa da intensidade da dor (EVA) e do tempo para realizar o TUG, além de um aumento significativo na FPM da mão direita (p<0,05). No entanto, não houve diferença significativa na FPM da mão esquerda (p>0,05). Em suma, o protocolo de intervenção fisioterapêutica por meio do Método Pilates foi eficaz para reduzir a dor, aumentar a força muscular e melhorar a capacidade funcional em pessoas idosas.

    Unitermos: Técnicas de exercício e de movimento. Dor crônica. Desempenho físico funcional. Força da mão. Idoso.

 

Abstract

    Chronic pain and muscle weakness are prevalent complications in aging and can result in functional disability. Previous studies suggest benefits of the Pilates Method for these problems. The aim of this study was to evaluate the effects of physiotherapeutic intervention using the Pilates Method on pain, muscle strength and functional capacity in the elderly. A non-randomized clinical trial (or quasi-experimental) was conducted with nine elderly people (five men and four women, with a mean age of 66.56 ± 5.87). The individuals were evaluated for sociodemographic and clinical characteristics through physiotherapeutic anamnesis, in addition to measurements of pain intensity using the Visual Analogue Scale (VAS), handgrip strength (HGS) using manual dynamometry and functional capacity using through the "timed up and go" (TUG) test. Physiotherapy sessions took place twice a week, for five weeks, lasting approximately 50 minutes each, totaling 10 sessions. Were performed 16 Pilates exercises in mat Pilates (solo Pilates) and with equipment (Reformer, Ladder Barrel, Chair and Cadillac). After the intervention, there was a significant reduction in pain intensity (VAS) and time to perform the TUG, in addition to a significant increase in HGS on the right hand (p<0.05). However, there was no significant difference in HGS on the left hand (p>0.05). In short, the physiotherapeutic intervention protocol using the Pilates Method was effective in reducing pain, increasing muscle strength and improving functional capacity in the elderly.

    Keywords: Exercise movement techniques. Chronic pain. Physical functional performance. Hand strength. Aged.

 

Resumen

    El dolor crónico y la debilidad muscular son complicaciones prevalentes en el envejecimiento, y pueden resultar en incapacidad funcional. Estudios previos sugieren beneficios del método Pilates para abordar estos problemas. El objetivo de este estudio fue evaluar los efectos de la intervención fisioterapéutica mediante el método Pilates sobre el dolor, la fuerza muscular y la capacidad funcional en personas mayores. Se realizó un ensayo clínico no randomizado (o cuasiexperimental) con nueve personas mayores (edad promedio 66,56 ± 5,87 años) para evaluar los efectos del Método Pilates. La intervención consistió en 10 sesiones de 50 minutos, distribuidas dos veces por semana durante un mes y medio. El protocolo incluyó 16 ejercicios realizados tanto en colchoneta (mat Pilates) como en equipos especializados (Reformer, Cadillac, Chair y Ladder Barrel). Se midieron variables sociodemográficas y clínicas mediante: intensidad del dolor: Escala Visual Analógica (EVA), fuerza de prensión palmar (FPP): Dinamometría manual, capacidad funcional: Prueba Timed Up and Go (TUG). Resultados y conclusión: Tras la intervención, se observó una reducción significativa del dolor y del tiempo de ejecución en la prueba TUG. Asimismo, se registró un aumento significativo en la FPP de la mano derecha (p< 0,05), aunque no hubo cambios relevantes en la mano izquierda (p>0,05). En conclusión, el protocolo de Pilates resultó eficaz para disminuir el dolor, incrementar la fuerza muscular y optimizar la capacidad funcional en la población estudiada.

    Palabras clave: Técnicas de ejercicio y de movimientos. Dolor crónico. Rendimiento físico funcional. Fuerza de la mano. Persona mayor.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 336, May. (2026)


 

Introdução 

 

    Segundo a World Health Organization, o número de pessoas idosas aumentará significativamente até 2050, chegando a um sexto da população mundial, o que se deve à melhora da tecnologia médica e às mudanças sociais. Esse processo fez com que diminuíssem as taxas natalidade e aumentasse o número de pessoas idosas. Da mesma forma, ocorre um exponencial aumento da prevalência de doenças crônico-degenerativas, como por exemplo doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e câncer (Kennedy et al., 2014). Neste sentido, o envelhecimento populacional pode ser visto como um grande desafio global, sobretudo do ponto de vista da saúde (Scott et al., 2021). Com isso é importante a implementação de ações que promovam um “envelhecimento saudável”, retardando as condições patológicas relacionadas à pessoa idosa. (López-Otín, e Kroemer, 2021)

 

    O envelhecimento humano acomete inúmeras camadas, desde o nível celular até o organismo em sua complexidade (Cai et al., 2022). As alterações mais observadas com o processo de envelhecimento são as musculoesqueléticas e de estruturas, refletido pela diminuição da força muscular, da condição óssea, da flexibilidade, da amplitude de movimento e do desempenho motor, resultando na perda da capacidade muscular e funcional, com o passar do tempo. (Dziechciaż, e Filip, 2014)

 

    Os estudos na literatura apontam diversos benefícios do Método Pilates nas pessoas idosas, como exemplo, melhora da força muscular, da flexibilidade (Bullo et al., 2015), do desempenho da caminhada e da marcha, do equilíbrio (Bullo et al., 2015; Metz et al., 2021), além de melhorias na qualidade de vida, atividade de vida diária e estado de humor (Bullo et al., 2015). Sendo assim, o objetivo deste estudo foi verificar os efeitos do Método Pilates na dor, força muscular e capacidade funcional em pessoas idosas.

 

Métodos 

 

    Trata-se de um estudo do tipo ensaio clínico não randomizado (ou quase-experimental) que envolveu nove pessoas com 60 anos ou mais de idade. Este estudo faz parte de um projeto denominado “Reabilitação em indivíduos em processo de envelhecimento”, cujo mesmo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade de Passo Fundo sobre o protocolo nº 3.426.345 e está de acordo com o Conselho Nacional de Saúde pela regulamentação nº 453/2012. Todos os participantes do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) previamente à explicação e esclarecimento de dúvidas.

 

    Os critérios de inclusão deste estudo foram para indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos, de ambos os sexos e que não estivessem em acompanhamento fisioterapêutico com outro profissional. Os critérios de exclusão foram indivíduos cadeirantes ou que utilizam dispositivos auxiliares para locomoção, indivíduos com sequelas de lesões neurológicas e com deficiência audiovisual grave. Ao todo, contatou-se via telefonema nove pessoas idosas que estavam na lista de espera para atendimento fisioterapêutico na Clínica Escola de Fisioterapia da Universidade de Passo Fundo, selecionando-os por meio de uma amostragem por conveniência.

 

    A coleta de dados sociodemográficos e clínicos foi realizada por meio da anamnese fisioterapêutica. Estruturou-se um questionário que abrangia informações referentes às variáveis sociodemográficas (idade, sexo, cor, escolaridade e estado civil), antropométricas (peso, altura, índice de massa corporal e circunferência das panturrilhas), sinais vitais (pressão arterial sistêmica, frequência cardíaca e saturação) e comorbidades (doenças crônicas e número de medicamentos).

 

    A intensidade da dor foi verificada pela escala visual analógica da dor (EVA), uma escala no formato de linha reta horizontal enumera de zero (sem dor) a 10 (pior dor imaginável), na qual o avaliado quantifica a intensidade da dor no momento. (Martinez et al., 2011)

 

    O equipamento utilizado para avaliar a força muscular geral foi um dinamômetro manual da marca Kratos®, com registro em quilogramas-força (Jorge et al., 2019). Os participantes foram posicionados de acordo com as indicações da American Society of Hand Therapists (MacDermid et al., 2015). Utilizou-se como referência os valores propostos pelo European Working Group on Sarcopenia in Older People, que são de 27 quilogramas-força para os homens e 16 quilogramas-força para as mulheres. (Cruz-Jentoft et al., 2018)

 

    A capacidade funcional das pessoas idosas foi avaliada por meio do teste “timed up and go” (TUG). Na aplicação do teste, o avaliado posicionou-se sentado em uma cadeira e, ao receber o comando, levantou-se, percorreu uma distância reta de três metros, contornou um cone, voltou e sentou-se novamente na cadeira. O tempo para realizar a ação foi cronometrado e registrado em segundos. (Bretan et al., 2013; Podsiadlo, e Richardson, 1991)

 

    As sessões de fisioterapia foram realizadas de forma individual, duas vezes por semana, com duração aproximada de 50 minutos cada, durante cinco semanas, totalizando 10 sessões. As intervenções foram realizadas no laboratório de Pilates da Clínica Escola no Curso de Fisioterapia da Universidade de Passo Fundo. Inicialmente, foram coletados os sinais vitais e, posteriormente, aplicados os exercícios do Método Pilates que foram ordenados na sequência:

  • Pré-Pilates: Breathing, Power House Activation e Pelvic Floor Activation;

  • MatPilates: Hundred, Cat e Arms Work with Magic Circle;

  • Exercícios no Reformer: Chest Expansion, Arms Work e Shoulder Bridge;

  • Exercícios no Cadillac: Mermaid, Pushing Sitting, Roll Back and Down e Teaser Preparation;

  • Exercícios no Chair: Footwork e Single Work Leg (de frente e de lado);

  • Exercícios no Ladder Barrel: Ballet Stretches (posteriores e adutores da coxa, quadríceps femoral e piriforme).

    A progressão do protocolo de intervenção foi realizada por meio do aumento do número de séries e repetições nos exercícios (3 séries de 5 repetições da 1ª à 4ª sessão; 2 séries de 10 repetições da 5ª à 8ª sessão; e 3 séries de 8 repetições da 9ª e 10ª sessão), com intervalo de um minuto entre as séries.

 

    A análise estatística foi realizada por meio do software estatístico IBM SPSS Statistics 20.0. As características dos participantes foram analisadas por meio de estatística descritiva e apresentadas como média e desvio-padrão (variáveis contínuas), e contagens e porcentagens (variáveis categóricas). As variáveis dependentes e numéricas foram analisadas por meio do teste não paramétrico de Wilcoxon, para comparar os efeitos do Método Pilates entre as fases pré e pós-intervenção fisioterapêutica. O nível de significância adotado foi de 5 %.

 

Resultados 

 

    A maioria da amostra foi composta por homens, sem ensino superior completo e com companheiro (a). As comorbidades mais prevalentes foram de doenças musculoesqueléticas e hipertensão arterial sistêmica (Tabela 1).

 

Tabela 1. Perfil sociodemográfico e clínico dos indivíduos. Passo Fundo/RS (2024)

Representação

Idade (anos) (m ± DP)

66,56 ± 5,87

Sexo (n; %)

Masculino

05 (55,6)

Feminino

04 (44,4)

Cor (n; %)

Branca

07 (77,8)

Não branca

02 (22,2)

Escolaridade (n; %)

Com ensino superior

02 (22,2)

Sem ensino superior

07 (77,8)

Estado civil (n; %)

Com companheiro (a)

07 (77,8)

Sem companheiro (a)

02 (22,2)

Antropometria (m ± DP)

Peso (kg)

86,88 ± 12,71

Altura (cm)

168,78 ± 13,01

Índice de massa corporal (kg/m²)

31,38 ± 6,53

Circunferência da panturrilha direita (cm)

40,11 ± 5,39

Circunferência da panturrilha esquerda (cm)

38,77 ± 5,60

Sinais vitais (m ± DP)

Pressão arterial sistólica (mmHg)

127,77 ± 16,41

Pressão arterial diastólica (mmHg)

81,11 ± 12,69

Frequência cardíaca (bpm)

76,88 ± 12,01

Saturação de oxigênio (%)

96,22 ± 1,71

Comorbidades (n; %)

Hipertensão arterial sistêmica

06 (66,7)

Doença cardiovascular

01 (11,1)

Doenças psicossomáticas

02 (22,2)

Diabetes mellitus e outras metabólicas

02 (22,2)

Doenças musculoesqueléticas

07 (77,8)

Número de medicamentos (m ± DP)

3,22 ± 1,98

Legenda: média ± desvio padrão; valor absoluto (valor relativo). Fonte: Elaboração própria

 

    Após a intervenção fisioterapêutica, os indivíduos apresentaram alívio da dor e redução do tempo para realizar o TUG, bem como aumento da força de preensão da mão direita (p<0,05). Entretanto, a força de preensão da mão esquerda não apresentou diferença (p>0,05) (Tabela 2).

 

Tabela 2. Variáveis de desfecho pré e pós-intervenção fisioterapêutica. Passo Fundo/RS (2024)

Variáveis*

Pré-intervenção

Pós-intervenção

p-valor

Escala Visual Analógica da dor (m ± DP)

3,11 ± 3,29

1,66 ± 2,29

0,027

Força de preensão manual (m ± DP)

Direita

26,07 ± 7,55

29,58 ± 9,46

0,007

Esquerda

25,51 ± 7,38

27,41 ± 8,74

0,314

TUG (m ± DP)

9,78 ± 5,13

7,29 ± 2,09

0,008

Legenda: negrito (p<0,05); m ± DP (média ± desvio padrão); *teste não paramétrico de Wilcoxon. Fonte: Elaboração própria

 

Discussão 

 

    Este estudo demonstrou que o Método Pilates foi eficaz para reduzir a dor, aumentar a força muscular e melhorar a capacidade funcional das pessoas idosas. Esta intervenção foi criada por Joseph H. Pilates e, inicialmente, foi chamada de Contrologia. Seus princípios envolviam o equilíbrio completo entre o corpo, a mente e o espírito e seus objetivos pautavam-se no desenvolvimento do corpo uniformemente, na correção postural, e na melhora da vitalidade física e mental (Pilates, 1945). Corroborando aos achados desta pesquisa, a literatura demonstra que esta técnica é útil na reabilitação (Jorge et al., 2024), sendo capaz de promover benefícios sobre a saúde geral, aliviar a dor (Mendo, e Jorge, 2021), promover resistência física a fadiga (Appelt, e Jorge, 2022), melhorar a circulação linfática, além de promover benefícios sobre os sintomas de ansiedade (Borges, e Jorge, 2022) e a qualidade de vida. (Cemin, Saraiva, e Jorge, 2024)

 

    A dor crônica abrange os aspectos psicológicos, fisiológicos e sociais do sujeito. Um estudo que teve por objetivo identificar a prevalência de dor crônica em pessoas idosas acima de 70 anos de idade e as relações diretas e indiretas entre dor crônica e variáveis sociodemográficas e de condições de saúde, demonstrou uma prevalência de dor crônica de 57 % na amostra estudada, sendo que o sexo feminino, o índice de massa corporal elevado, a multimorbidade e os sintomas de insônia e de depressão apresentaram associação direta com dor crônica (Ciola et al., 2020). O que demonstra a necessidade de estratégias fisioterapêuticas para o combate da dor crônica em pessoas idosas.

 

    Um dos benefícios do Método Pilates é o alívio da dor. Assim como neste estudo, um ensaio clínico randomizou 68 pessoas idosas em dois grupos: o G1 que realizou apenas exercícios por meio do Método Pilates (n = 30) e o G2 que realizou os exercícios do Método Pilates associados a técnica de educação em neurociência da dor (n = 38). As intervenções ocorrem ao longo de oito semanas, com duas sessões semanais com um período de 50 minutos cada. As sessões de educação em neurociência da dor foram em um total de três, com duração de 30 minutos cada. Ao final, os autores concluíram que o Método Pilates é seguro e eficaz na diminuição da dor crônica sem a necessidade do tratamento adicional (Rossetti et al., 2023). Isto reforça os presentes achados, pois apenas com a intervenção por meio do Método Pilates observou-se o alívio do quadro doloroso das pessoas idosas desta pesquisa.

 

    A força muscular adequada é fundamental para preservar a mobilidade funcional em pessoas idosas. Um dos principais fatores associados ao declínio da força em pessoas idosas é a redução da massa muscular relacionada à idade, conhecida patologicamente como sarcopenia (Cruz-Jentoft et al., 2018). Isto demonstra a necessidade da intervenção física para a reabilitação das pessoas idosas que sofrem com a fraqueza e atrofia muscular, o que corrobora a estudos anteriormente publicados. (Bueno et al., 2018; Oliveira et al., 2019; Pucci et al., 2019; 2021)

 

    Um estudo de revisão analisou os efeitos do Método Pilates sobre a aptidão física em pessoas idosas. Ao todo, 41 referenciais foram incluídos, e os resultados apontaram que um protocolo de Método Pilates, realizado de duas a três vezes por semana, em um período de quatro a 24 semanas, mostrou-se efetivo para melhorar a força e resistência muscular, a flexibilidade, a composição corporal, o condicionamento físico, o equilíbrio e a independência nas atividades de vida diária das pessoas idosas (Pucci et al., 2019). Isso vem ao encontro deste estudo, pois, embora o tempo de intervenção tenha sido menor, as pessoas idosas submetidos ao Método Pilates apresentaram aumento da força muscular.

 

    Os resultados obtidos nesta pesquisa relacionados ao aumento da força muscular (refletidos por meio do aumento da força de preensão manual) após a aplicação do protocolo do Método Pilates são reforçados por uma pesquisa que comparou a força muscular de 62 idosas, 20 praticantes de Pilates e 42 praticantes de outras atividades físicas de multimodalidade, tais como hidroginástica, dança, musculação e natação. As intervenções foram realizadas ao longo de 16 semanas e, ao final, constatou-se que o Método Pilates produziu aumento da força de preensão manual e melhora do equilíbrio. (Bueno et al., 2018)

 

    Os efeitos do Método Pilates sobre a condição muscular são evidenciados em outro estudo que teve por objetivo analisar o risco de sarcopenia em 50 mulheres idosas praticantes do Método Pilates no solo. Os autores concluíram que a sarcopenia está diretamente relacionada com o envelhecimento humano, porém a boa capacidade funcional das idosas praticantes parece estar relacionada à redução do risco de sarcopenia (Oliveira et al., 2019). Isto reforça a escolha deste protocolo e os desfechos encontrados sobre a força muscular.

 

    A incapacidade funcional representa uma condição que demanda assistência, caracterizada pela dificuldade em realizar atividades cotidianas devido a problemas de saúde associados a fatores multidimensionais. Essa condição aumenta a vulnerabilidade e a dependência, gerando insegurança e elevando o risco de quedas em pessoas idosas. Além disso, o déficit funcional pode levar à hospitalização, impactando negativamente a mobilidade e aumentando a prevalência de estresse na terceira idade, em função das limitações impostas. Esses fatores contribuem para a redução do bem-estar e da qualidade de vida (Lopes et al., 2021). Isto demonstra a necessidade de protocolos fisioterapêuticos voltadas à melhoria da capacidade funcional das pessoas idosas.

 

    Neste sentido, o Método Pilates pode ser uma estratégia para a reabilitação funcional das pessoas idosas, como observado em uma revisão que incluiu 11 estudos que analisaram os efeitos da técnica sobre o risco de queda em pessoas idosas. Os resultados apresentados pelos autores demonstraram que o Método Pilates pode ser eficaz para diminuir o risco de quedas e o medo de cair nesta população, promovendo um melhor equilíbrio (Souza, 2022). O que vem ao encontro deste estudo, pois o protocolo fisioterapêutico baseado no Método Pilates, com duração de 10 sessões, foi eficaz para melhorar a força e a capacidade funcional das pessoas idosas.

 

    Um estudo que avaliou o risco de quedas em pessoas idosas praticantes do Método Pilates reforça os presentes achados. Na pesquisa foram avaliadas 39 pessoas idosas praticantes de Pilates por meio do teste TUG e evidenciou-se que o Método Pilates apresentou um impacto positivo na redução a propensão de quedas dos voluntários avaliados, uma vez que eles apresentaram uma boa performance na realização do TUG. (Boaventura et al., 2022)

 

    Um estudo revisou sistematicamente na literatura os efeitos do Método Pilates em idosas da comunidade e constatou que a técnicas promove melhorias sobre o quadro doloroso e a força muscular de membros inferiores dos indivíduos, consequentemente, melhorando a autopercepção de saúde dos mesmos (Rahhal et al., 2021). Tais achados corroboram a este estudo, pois o Método Pilates promoveu alívio da dor, melhora da força muscular e, consequentemente, melhora do desempenho dos indivíduos no desempenho do TUG.

 

    Este estudo apresentou algumas limitações. Dentre elas, o fato do avaliador ser o mesmo que aplicou as intervenções, o que poderia ser tendencioso para os desfechos. Além disso, a maioria dos indivíduos tinha alguma doença musculoesquelética, o que poderia influenciar nos níveis da intensidade da dor no momento da avaliação. Embora essas limitações existam, elas não inviabilizam a geração dos resultados e difusão do conhecimento.

 

Conclusão 

 

    O protocolo de fisioterapia baseado no Método Pilates demonstrou ser eficaz na redução da dor, no aumento da força muscular e na melhora da capacidade funcional em pessoas idosas, evidenciando seu potencial como estratégia terapêutica segura e aplicável na prática clínica. Esses achados reforçam a importância da inclusão de abordagens baseadas no Pilates em programas de reabilitação geriátrica, contribuindo para a promoção da autonomia e qualidade de vida dessa população. Recomenda-se que futuros estudos investiguem os efeitos a longo prazo dessa intervenção, bem como comparem sua eficácia com outras modalidades terapêuticas, além de explorar diferentes parâmetros de aplicação do método.

 

Referências 

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 31, Núm. 336, May. (2026)