Perspectiva teórica sobre a temática inclusão nas aulas de Educação Física

Theoretical perspective regarding the thematic inclusion at the class of Physical Education

Perspectiva teórica sobre la temática inclusión en las clases de Educación Física

 

Bruna Gisele Barbosa*

brunagisele20@yahoo.com

Khaled Omar Mohamad El Tassa**

khaledunicentro@hotmail.com

Gilmar de Carvalho Cruz***

gilmailcruz@gmail.com

 

*Mestranda no Programa Regular de Graduação Stricto Sensu em Educação

Nível de Mestrado da Universidade Estadual do Centro-Oeste

Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual

do Centro-Oeste, campus de Irati-PR

**Possui Doutorado Física pela Educação em Universidade Federal do Paraná

Mestrado em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná

Graduação em Educação pela Universidade Estadual Física de Ponta Grossa / PR

***Possui Graduação em Educação Física Pela Universidade Gama Filho

Mestrado em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutorado em Educação Física Pela Universidade Estadual de Campinas

e pós Doutorado em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro

(Brasil)

 

Recepção: 02/03/2018 - Aceitação: 30/04/2019

1ª Revisão: 27/03//2019 - 2ª Revisão: 13/04/2019

 

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

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Resumo

    A presente pesquisa teve como objetivo levantar e analisar a produção científica sobre a inclusão dos alunos nas aulas de Educação Física (EF). Utilizou-se como metodologia de estudo a pesquisa bibliográfica, permeada por reflexões sobre a inclusão. As fontes de informações foram os periódicos nacionais, nos últimos oitos anos de 2010 a 2017. Os resultados referem-se a 13 artigos, descritos em 03 categorias: Avaliação e Ensino/Aprendizagem, Formação Docente e Educação Física Inclusiva. Os artigos analisados e discutidos apontaram que a ferramenta da avaliação, se torna um apoio para acompanhar a aprendizagem dos alunos, sendo possível estender as possibilidades de promover mudanças no ensino, cabe ao professor de EF, analisar e propor continuamente adaptar os procedimentos de suas práxis pedagógicas para efetivar uma classe verdadeiramente inclusiva, a EF é uma disciplina que permite experiências positivas para estudantes e professores que interagem em um ambiente melhor. Por fim, a pesquisa considerou que a discussão sobre a prática de uma educação inclusiva, ainda é muito discutido nas perspectivas teóricas e assegurado pelas leis regentes, mas é um processo que é necessário estar em constante processo de reformulação.

    Unitermos: Inclusão. Educação Física. Ensino aprendizagem. Formação docente.

 

Abstract

    This study aimed to raise and analyze the scientific production on the inclusion of students in Physical Education classes (PE). It was used as a methodology to study the literature research, permeated by thoughts on inclusion. The sources of information were the national periodicals, in the last eight years from 2010 to 2017. The results refer to 13 articles, described in 03 categories: Evaluation and Teaching/Learning, Teacher Training and Inclusive Physical Education. The articles analyzed and discussed pointed out that the evaluation tool becomes a support to accompany learning, Being possible to extend the possibilities of promoting changes in teaching, it is up to the professor of PE, analyze and propose continuously to adapt the procedures of their pedagogical praxis to effect a truly inclusive class, inclusion in the PE, is a discipline that enables positive experiences for students and teachers who interact in a better environment. Finally, the research considered that the discussion about the practice of an inclusive education, but still much discussed in the theoretical perspectives and assured by regent laws, but it is a process that is and is necessary to be in constant process of reformulation.

    Keywords: Inclusion. Physical Education. Teaching learning. Teacher formation.

 

Resumen

    La presente investigación tuvo como objetivo levantar y analizar la producción científica sobre la inclusión de los alumnos en las clases de Educación Física (EF). Se utilizó como metodología de estudio la investigación bibliográfica, permeada por reflexiones sobre la inclusión. Las fuentes de información fueron las revistas nacionales, en los últimos ocho años de 2010 a 2017. Los resultados se refieren a 13 artículos, descritos en 03 categorías: Evaluación y Enseñanza/Aprendizaje, Formación Docente y Educación Física Inclusiva. Los artículos analizados y discutidos apuntaron que la herramienta de la evaluación, se convierte en un apoyo para acompañar el aprendizaje de los alumnos, siendo posible extender las posibilidades de promover cambios en la enseñanza, corresponde al profesor de EF, analizar y proponer continuamente adaptar los procedimientos de sus praxis pedagógicas para lograr una clase verdaderamente inclusiva, la EF es una disciplina que permite experiencias positivas para estudiantes y profesores que interactúan en un ambiente mejor. Por último, la investigación consideró que la discusión sobre la práctica de una educación inclusiva, aún es muy discutida en las perspectivas teóricas y asegurada por las leyes vigentes, pero es un proceso que hace necesario estar en constante proceso de reformulación.

    Palabras clave: Inclusión. Educación Física. Enseñanza aprendizaje. Formación docente.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 252, May. (2019)


 

Introdução

 

    Para abordar a temática inclusão, deve se levar em consideração que a educação inclusiva, segundo Sassaki (1997), é um conjunto de possibilidades e formas de procedimentos metodológicos, o qual ocorreria a adequação no sistema educacional geral, para estar incluindo as habilidades e anseios dos alunos com ou sem algum tipo de deficiência ou peculiaridades individuais (religião, social, gênero, características físicas) pois cada aluno/pessoa possui suas determinadas características individuais, neste sentido podemos e devemos compreender que a educação inclusiva é aquela acessível para todos os alunos.

 

    Nessa perspectiva da proposta de inclusão, sugere que o professor leve em consideração as habilidades individuais dos alunos, respeitando o ritmo da aprendizagem, e considerando os limites físicos ou intelectuais. Nesse sentido ressalta Figueiredo (2002, p. 68):

    [...] efetivar a inclusão é preciso [...] transformar a escola, começando por desconstruir práticas segregacionistas. [...] a inclusão significa um avanço educacional com importantes repercussões políticas e sociais visto que não se trata de adequar, mas de transformar a realidade das práticas educacionais.

    Nesta formação os sujeitos envolvidos no processo ensino e aprendizagem, desenvolvem a capacidade de respeitar os limites, mas também de transpô-los, permitindo-se discutir, investigar e participar da construção do próprio conhecimento.

 

    A Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva (2008) propõe novas práticas de ensino, com vistas a atender as especificidades dos estudantes que constituem seu público alvo e garantir o direito à educação a todos. Adentrando especificamente no campo da EF escolar, a certo tempo atrás e ainda presentes em alguns casos de ensino tradicionalista, o que se considerava-se importante são a aptidão física e o desempenho dentre as modalidades esportivas e atividades propostas no decorrer das aulas de Educação Física, o que por meio desses pontos destacados de uma Educação Física tradicionalista, ocorre “naturalmente” uma exclusão dos alunos que não se encaixariam nesses padrões impostos.

 

    Considerando o aspecto relevante ao tema inclusão na Educação Física escolar, bem como a sua importância no contexto educacional, o objetivo deste trabalho foi de levantar e analisar a produção científica sobre a inclusão dos alunos nas aulas de Educação Física.

 

Metodologia

 

    Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, permeada por reflexões sobre a Inclusão nas aulas de Educação Física. Visando alcançar esses propósitos, tomamos a pesquisa bibliográfica como procedimento metodológico deste trabalho por tratar-se da pesquisa "(...) dedicada a reconstruir teoria, conceitos, ideias, ideologias, tendo em vista, em termos imediatos, aprimorar fundamentos teóricos" (Demo, 2000, p. 20). Foram utilizados como fontes de informações para a coleta de dados, os periódicos nacionais da área da Educação Física e da Educação, por meio do estudo de periódicos acadêmicos científicos nos últimos 08 anos.

 

    Com relação às bases de dados pesquisadas, foram encontrados 13 artigos, selecionados a partir dos seguintes critérios: 1) Publicações compreendidas no período de janeiro de 2010 a meados de 2017; 2) A presença das palavras-chave: “Inclusão/Exclusão, “Educação Física” “Avaliação/Aprendizagem” “Formação docente”, sendo que as palavras-chave deveriam estar associadas com uma ou mais das outras, não as considerando isoladamente. Para realizar a análise da literatura, foram feitas anotações no sentido de aproximar os textos que mantinham semelhanças e diferenças.

 

Resultados

 

Avaliação e ensino/aprendizagem

 

    É importante frisar que o entendimento acerca da temática da avaliação escolar, não se deve ser realizada de forma aleatória, e sim com uma organização, orientação e compreensão da reflexão coletiva (professores, alunos, escola e comunidade em geral). Nas palavras de Luckesi (2011, p.21):

    A avaliação de acompanhamento exige um projeto que tenha como meta subsidiar de forma construtiva e eficiente o educando no seu autodesenvolvimento, o que se diferencia de “esperar” resultados bem-sucedidos, como usualmente ocorre nas práticas pedagógicas cotidianas em nossas escolas.

 

    A avaliação da aprendizagem escolar, tem sentido somente quando está envolvida em um projeto pedagógico e com seu projeto de ensino, assim a avaliação requer decisões sobre a aprendizagem e o desenvolvimento dos educandos.

    Nos anos de 2010 e 2012, a discussão em torno da avaliação e o desenvolvimento de ensino e aprendizagem, a autora Naujorks (2010) considerou a temática da avaliação escolar como uma forma de autoconhecimento, tanto para professores, como para alunos, onde se ponderou a avaliação como uma forma de aperfeiçoamento da prática pedagógica, para que seja um processo que contribua para a compreensão de conquistas e dificuldades no ensino e no processo da aprendizagem.

 

    Nessa perspectiva o artigo da Naujorks (2010), traz aspectos que durante o processo avaliativo, há visões onde é colocado o aluno em um lugar de “não saber”, que em contrapartida se tornam contraditórias essas visões, pois não se alinhariam com as ideias de uma educação inclusiva, onde todos os alunos teriam uma real educação para todos e trocas de informações relevantes no processo de ensino aprendizagem entre aluno e professor.

 

    Nesse mesmo ano os autores Cruz e Lemischka (2010), desenvolveram em sua pesquisa sobre os ambientes inclusivo e exclusivo no processo ensino-aprendizagem de pessoas com deficiência mental em aulas de Educação Física, o trabalho em questão objetivou em analisar o processo ensino-aprendizagem, em aulas de Educação Física, de movimentos básicos do Taekwondo em ambientes exclusivo e inclusivo de atendimento a alunos que apresentam deficiência mental.

 

    Alguns pontos a se destacar dos resultados obtidos nessa pesquisa de Cruz e Lemischka (2010) os autores apontaram a necessidade de se refletir sobre os meios que vêm sendo desenvolvidos os processos de ensino quando o professor se propõe a exigir o rigor técnico na execução dos movimentos, nesse estudo especificamente os alunos com deficiência mental. Em uma visão geral, foi discutida essa proposta de se considerar a execução dos gestos motor mais importante que o desenvolvimento pleno do aluno. Nessa ideia segundo o estudo de (Cruz; Lemischka, 2010, p. 321) destaca que:

    [...]. Uma preocupação que deve acompanhar o professor, qualquer que seja o ambiente de ensino e a característica da turma sob sua responsabilidade. Essa é uma consideração importante, à medida que não raro presenciamos alunos que optam por se retirarem de determinadas atividades propostas nas aulas de Educação Física.

    Nesse sentido é importante considerar que as propostas das aulas de Educação Física se proponham a ter objetivos que alcancem a participação efetiva dos alunos, e salientam que o processo de ensino e aprendizagem deveria promover as práxis pedagógicas em torno de uma busca plena do desenvolvimento motor e cognitivo dos alunos, respeitando as especificidades individuais de cada.

 

    Na continuidade da análise literária, apresenta-se o artigo da Christofari e do Baptista (2012) que se referiu a Avaliação da aprendizagem: práticas e alternativas para a inclusão escolar, onde seu objetivo foi a analisar a avaliação da aprendizagem, considerando esta avaliação como um processo com foco na relação pedagógica.

 

    Os autores trouxeram alguns apontamentos que se assemelham a mesma preocupação das pesquisas da autora Naujorks (2010) e Cruz e Lemischka (2010) os quais apresentaram reflexões que hoje em dia, a prática da avaliação da aprendizagem acaba se tornando apenas uma idealização de mensuração, de aferição de resultados, por apenas o seu desempenho final do aluno, torna se as aulas de Educação Física ou qual seja a disciplina em questão, se torna um erro, quando se temos na atualidade a grande preocupação de uma escola/ ensino mais inclusivo nesse contexto pedagógico.

 

    A avaliação se torna fundamental para desenvolver um trabalho pedagógico coerente com a perspectiva de avaliação inovadora, que se torna uma ferramenta de apoio para acompanhar a aprendizagem, direcionando os envolvidos no processo de ensino.

 

Formação docente

 

    Uma das funções a qual o professor exerce, seria o papel do mediador entre o aluno e o conhecimento, essa definição é relembrada por Piccolo (1993) para o qual o principal papel do professor, por meio de suas propostas, é criar condições aos alunos para tornarem-se independentes, participativos e com autonomia de pensamento e ação.

 

    Os autores Cruz e Soriano (2010) sobre a temática, perspectiva docente sobre a formação profissional em Educação Física para atuação em contextos inclusivos. Ao analisar a reflexão em torno desse trabalho, é destacável que há uma preocupação quando se diz respeito a formação, sobre a qualidade do processo de escolarização oferecido aos alunos inseridos em contextos educacionais inclusivos. Nessa perspectiva Cruz e Soriano (2010, p. 11) ressaltam que: “Essa situação pode estar relacionada ao fato de que as questões levantadas transitaram mais pelas peculiaridades apresentadas pela pessoa que apresenta algum tipo de deficiência do que pela especificidade da área de atuação profissional.”. Define Betti em 1991, que a origem militarista de propostas e culturas vindas do exterior relacionadas a Educação Física marcou os primeiros currículos dos cursos, nesses ambos pontos de vistas, consideraria que as práxis da Educação Física, não envolveria outros pontos além dos movimentos técnicos, não enfatizando a preocupação de ir em busca de entender o papel do professor, para um melhor desenvolvimento de ambos os interesses dos alunos e professores.

 

    Nas edições de 2013, 2014 e 2016, alguns dos artigos analisados pertinentes a temática, relacionaram a prática profissional no que se diz respeito ao professor de Educação Física. No estudo de Souza e Pich (2013) que objetivou em orientar o processo de reconstrução das práticas pedagógicas do professor na implantação da EF inclusiva. Neste presente estudo os autores compreendem que a escola que oferece o ensino básico comum, que o espaço que se enfatiza a necessidade de haver a inclusão dos alunos em plenitude seja com e sem deficiência, almeja-se primeiramente o desenvolvimento integral de cada sujeito (Souza; Pich, 2013, p. 152-153) específica sobre a EF, onde destacam que:

    A inclusão se refere a uma Educação Física com o significado de educar para a diferença, para a convivência e a aceitação das diferentes configurações possíveis da corporeidade humana. Assim, a prática pedagógica dos professores de Educação Física está substantivada pelos fundamentos da pedagogia de rendimento, por um lado, e tensionada pelo contexto da inclusão.

    Sendo assim, cabe ao professor de Educação Física, analisar e propor continuamente em adequar os procedimentos das suas práxis pedagógica para efetivar uma aula realmente inclusiva.

 

    Nessa mesma perspectiva a autora Martins (2014) descreveu as atitudes da comunidade Educativa sobre Educação Física Inclusiva. Destaca-se nessa pesquisa que a atuação do docente, é o responsável exclusivamente com uma das suas funções únicas e mais importantes dentro da escola, ser o elemento de ligação entre a escola, a sociedade, o conhecimento e o aluno.

 

    Ao se tratar sobre a formação docente e o papel que o professor tem ao que se diz respeito ao ser responsável pela prática da inclusão dos alunos, Andrade e Freitas (2016) em sua pesquisa buscou analisar os modos de agir do professor de Educação Física na inclusão de alunos com deficiência na escola regular. A inclusão de alunos com deficiência no ensino regular é um acesso que está garantido por lei, porém o acesso ao conhecimento escolar ainda é um desafio tanto para a escola, quanto professor e o próprio aluno com os demais colegas da sala de aula.

 

    Quando as práxis do professor na sala de aula, a organização da escola como um todo, deixa de estar cada vez mais uniformizada em função das políticas educacionais vigentes de um estado, secretarias da educação e afins, ela passa a ter uma oportunidade real de acontecer a inclusão.

 

Educação Física inclusiva

 

    Os estudos de Falkenbach e Lopes (2010) e Silva e Souto (2015), abordaram o tema da inclusão na escola comum, mais especificamente a área da Educação Física e a inclusão de alunos com deficiência visual. Ao pensar mediante ao histórico de dificuldades em relação à inclusão não está apenas relacionado à Educação Física, pois a própria escola apresenta dificuldades nas formas das práticas educativas de inclusão.

 

    A existência de perspectivas que discutem algumas características a favor da Educação Física inclusiva, o autor (Rodrigues, 2000, p. 5-6), ressalta que, “Os conteúdos ministrados nessa disciplina são flexíveis e seus professores geralmente desenvolvem atitudes positivas e dinâmicas ao permitirem participações de alunos que evidenciam dificuldades [...]”. É eminente destacar que fica claro que é preciso reformular o modo que é ofertado a integração dos alunos com deficiência com os demais colegas na sala de aula, em conclusão da pesquisa dos autores Silva e Souto (2015) destacam que para que ocorra as aulas de Educação Física inclusiva, é importante que se reconheça e respeite algumas de suas características físicas e de desempenho motor desses alunos com deficiências, nesses estudos, mais especificamente os deficientes visuais, bem como as de seus colegas, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais ou sociais.

 

    Para Falkenbach e Lopes (2010) concluem que as realidades de uma prática de inclusão são diversas e nunca podem ser comparadas umas às outras, já que para isso ocorrer, deve-se haver uma ferramenta metodológica que se varia e estão presas ao seu ambiente e em diferentes tempos para que de fato ocorra aulas mais inclusivas no campo da Educação Física.

 

    A discussão acerca de uma Educação Física inclusiva remetesse a necessidade de entender brevemente como seria oferecido na escola, nesse sentido, a pesquisa das autoras Ferreira e Cataldi (2010) embasaram-se na implantação e implementação da Educação Física inclusiva. Nesse aspecto a Educação Física faz parte dos componentes curriculares da educação básica, e como obrigatória no currículo oferecido pelas escolas, então se torna fundamental a integração da disciplina para o processo da inclusão escolar.

 

    Percebeu-se que a Educação Física surgiu em muitos estudos e legislações que a assegure como uma potencialidade de inclusão, mas ainda, pouco implementada, para que de fato ocorra uma da Educação Física inclusiva. Porém ainda percebesse que a existência de respostas claras e objetivas acerca do processo de inclusão escolar brasileiro, pode gerar práticas educacionais equivocadas e que não atendem aos princípios da inclusão. Nesse sentido as autoras Ferreira e Cataldi (2010, p. 88) especificam para Educação Física:

    A mesma maneira, esses equívocos também podem ser atribuídos às dificuldades epistemológicas e conceituais que acompanham a Educação Física somada às diversas formas de se compreender e praticar a inclusão, além de serem influenciadas pela obrigatoriedade em se cumprir programas impostos pelas Secretarias de Educação, que em sua maioria são compostos por avaliações, comparações e conteúdos obrigatórios.

    Sendo assim a Educação Física inclusiva é importante e desafiadora no que se diz respeito de que maneira pode e deve ser implementada, já que a disciplina oferece inúmeras possibilidades de práticas inclusivas, mas sempre enfatizando que esse processo deve ser refletido e analisado continuamente.

 

    Dando segmento, nos próximos estudos analisados, Palma e Lehnhard (2012), Chicon, Mendes e Sá (2011) e Alves e Duarte (2013) aproximaram-se as pesquisas direcionadas ao que se diz respeitos aos pontos de exclusão/inclusão dos alunos com deficiência nas aulas de Educação Física.

 

    As aulas de Educação Física têm como uma das suas atribuições, fazer com que o aluno descubra, desenvolva e redefina suas capacidades, para que venham o auxiliá-lo no processo inclusivo, na pesquisa de Palma e Lehnhard (2012) os autores entendem que as aulas de Educação Física proporcionam uma maior proximidade física dos alunos “O que gera aprendizado em função das trocas que ocorrem entre os mesmos, surge a preocupação de que a disciplina adquira maior importância no ambiente escolar.” (p, 124)

 

    Nesse sentido, se as aulas de Educação Física sejam de fato sistematizada, em torno de objetivos que agreguem no desenvolvimento no ensino aprendizagem, na inclusão dos alunos, os autores Chicon, Mendes e Sá (2011, p. 199) destacam que:

    À disciplina curricular Educação Física, apesar do que os dados revelaram, acreditamos que ela pode, com rigor e com investimento, ser efetivamente uma área-chave para tornar a educação mais inclusiva e pode mesmo ser um campo privilegiado de experimentação, de inovação e de melhoria da qualidade pedagógica na escola.

    Por fim, para que os alunos possam se sentir incluído, é fundamental a construção de relações sociais positivas, com características de suporte às necessidades deste aluno (Alves, 2013), já que na maioria das vezes as relações sociais, são responsáveis pela exclusão dos alunos com alguma deficiência, são marcadas principalmente por comportamentos de rejeição ou negligência, tanto pelo professor, escola e colegas da sala de aula.

 

    Na pesquisa apresentada no ano de 2012 pela autora Salerno et al., compreendeu as percepções dos alunos de graduação em Educação Física sobre a inclusão educacional, o artigo de Vasconcellos et al. (2016) identificou e refletiu sobre as percepções dos educandos com deficiência a respeito do seu processo de inclusão nas aulas de Educação Física.

 

    Importante é salientar que mais que realizar a participação dos alunos com alguma deficiência no ensino regular, é ampliar o ensino para oportunizar uma formação para esses educandos, as quais compreendam que de alguma forma possuem como tarefa desenvolve-lo ativamente na sociedade, não apenas no ambiente escolar. Para Vasconcellos et al. (2016, p, 842) “As relações de in/exclusão não são fixas, pois em um momento estamos incluídos e em outro podemos estar excluídos. Isso não significa que essa divisão ocorra em parcelas iguais, pelo contrário, há pessoas que são muito mais excluídas do que outras”.

 

    Por fim Salerno et al. (2012) constatou que os alunos de graduação em Educação Física específicos da sua pesquisa, estão cientes dos acontecimentos recentes relacionados a inclusão social e escolar, porém o conhecimento sobre a temática da inclusão, assim como no estudo de Vasconcellos (2016) que consideraram o processo de inclusão escolar e nesse trabalho especificamente a inclusão na Educação Física, apontaram resultados que se trata de uma disciplina que possibilita experiências positivas aos alunos e professores que interagem em um melhor ambiente, porém a inclusão ainda se está associando aos alunos em condição de deficiência.

 

    Diante disso, apontasse claramente que o processo da graduação ainda é frágil, e que os cursos de licenciaturas, os estudantes da graduação devem se comprometer em ir atrás de melhorias, para que os graduandos como futuros professores que atuarão no sistema educacional possam vir a contribuir com alterações necessárias no ensino para uma educação inclusiva.

 

Conclusões

 

    Ao concluir a revisão e análise dos estudos pertinentes a temática da inclusão nas aulas de Educação Física, a maioria das pesquisas encontradas se tornaram fundamental para um conhecimento mais amplo sobre o que está sendo discutida pela área.

 

    Primeiramente o tópico a ser discutido nesse trabalho, apontou que a ferramenta de uma avaliação sistematizada se torna um viés fundamental para se desenvolver um trabalho pedagógico coerente, pois serve-se como um apoio para acompanhar o ensino e aprendizagem dos alunos, oportunizando-se assim uma possível possibilidade de promover mudanças que levem a prática iminente de uma educação inclusiva.

 

    Nesse trabalho de pesquisa, também conclui se baseado se nos artigos analisados, sobre a formação docente, onde que as práxis do professor na sala de aula, a organização da escola como um todo, estão alinhando as suas funções para um melhor ensino. Por fim um dos principais pontos analisados nessa revisão, é que a inclusão na Educação Física, é uma disciplina que possibilita experiências positivas aos alunos e professores, considerando-se que é ampla a discussão em torno da prática de uma educação inclusiva, porém a sua prática é um processo que está e se faz necessário estar em constante processo de reformulação.

 

Referências

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 252, May. (2019)