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ISSN 1514-3465

 

Força de preensão manual e funcionalidade entre 

idosas fisicamente ativas e insuficientemente ativas

Gripping Strength and Functionality Between Physically Active and Insufficiently Active Elderly Women

Fuerza de agarre y funcionalidad en mujeres mayores físicamente activas e insuficientemente activas

 

Luany Silva Pontes*

luanysilvasp@gmail.com

Rodrigo Ghedini Gheller**

rodrigo.gheller@gmail.com

Jansen Atier Estrázulas***

jansenef@hotmail.com

 

*Fisioterapeuta, Pós-graduada em Biomecânica

pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

Pós-graduada em Didática do Ensino Superior pela Universidade Nilton Lins

**Profissional de Educação Física

Doutorando em Biodinâmica do Desempenho Humano (UFSC)

Mestre em Biodinâmica do Desempenho Humano (UFSC)

Especialista em Atividade Física Desempenho Motor e Saúde (UFSM)

Graduação em Educação Física (UFSM)

***Profissional de Educação Física

Pós Doutor em Physical Therapy pela Florida International University

Doutor em Ergonomia (UFSC). Mestre em Biomecânica (UDESC)

Especialista em Ciências do Movimento Humano (UFSM)

Licenciatura Plena em Educação Física (UFSM)

Professor e Coordenador da Pós-Graduação em Biomecânica (UEA)

(Brasil)

 

Recepção: 31/03/2020 - Aceitação: 03/11/2020

1ª Revisão: 06/07/2020 - 2ª Revisão: 21/09/2020

 

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Citação sugerida: Pontes, L.S., Gheller, R.G., & Estrázulas, J.A. (2020). Força de preensão manual e funcionalidade entre idosas fisicamente ativas e insuficientemente ativas. Lecturas: Educación Física y Deportes, 25(271), 87-98. Recuperado de: https://doi.org/10.46642/efd.v25i271.2100

 

Resumo

    A força muscular é importante indicativo de saúde global e a funcionalidade é vista como eixo principal na atenção à saúde dos idosos, e para a manutenção da capacidade funcional de pessoas idosas a prática de atividade física regular vem ganhando destaque. O objetivo do estudo foi comparar a força de preensão manual e a funcionalidade entre idosas fisicamente ativas e insuficientemente ativas. O estudo é do tipo transversal descritivo sem intervenção terapêutica, a amostra foi constituída de 30 idosas, com idade ≥ 60 anos. Foram mensuradas a estatura e massa corporal para o calculado o índice de massa corporal (IMC), além da aplicação do questionário IPAQ, Escala de Lawton e Katz e avaliação de Força de Preensão Manual. O teste de Shapiro-Wilk foi utilizado para analisar a normalidade dos dados e o teste t de Student para amostras independentes foi usado para comparar o desempenho entre os sujeitos. Os resultados demonstram que não há diferença significativa entre a Força de Preensão Manual entre idosos ativos e insuficientemente ativos, o mesmo pode ser observado para Escala de Lawton e para os dados antropométricos, apenas o Índice de Katz apresentou diferença significativa entre os grupos. Conclui-se que a força de preensão manual, assim como indicativos antropométricos não são influenciados pelo estilo de vida das idosas deste estudo.

    Unitermos: Força muscular. Atividade motora. Exercício físico. Idoso.

 

Abstract

    Muscular strength is an important indicator of global health and functionality in health care for the elderly. To maintenance of the functional capacity of elderly, the practice of regular physical activity is gaining prominence. The purpose of the study was to investigate handgrip strength in the elderly, analyze functionality and compare the performance of physical activity between physically active and non-active elderly. The aim of the study was to compare hand grip strength and functionality between physically active and insufficiently active older women. The study is a cross-sectional descriptive study with no therapeutic intervention. The sample consisted in 30 elderly women, age ≥ 60 years. Height, weight and body mass index (BMI) were measured; in addition, we used the IPAQ questionnaire, Lawton and Katz scale and Hand Grip strength. The Shapiro-Wilk test was used to analyze the normality of the data and the Student t test for independent samples was used to compare the performance between the subjects. The results demonstrate that there is no significant difference between the Handgrip Strength between active and insufficiently active elderly people, the same could be observed for Lawton's Scale and for anthropometric data, only the Katz Index showed a significant difference between groups. We concluded that the handgrip strength, as well as anthropometrics parameters aren’t influenced by the lifestyle in the elderly.

    Keywords: Muscle strength. Motor activity. Exercise. Elderly.

 

Resumen

    La fuerza muscular es un indicador importante de la salud general y la funcionalidad se considera como el eje principal en la atención de la salud de las personas mayores; y para el mantenimiento de la capacidad funcional, la práctica de actividad física regular ha adquirido importancia. El objetivo del estudio fue comparar la fuerza del agarre manual y ​​la funcionalidad entre mujeres mayores físicamente activas e insuficientemente activas. Este es un estudio descriptivo de corte transversal sin intervención terapéutica. La muestra consistió en 30 mujeres de edad avanzada, ≥ 60 años. Se calcularon altura, masa corporal e índice de masa corporal (IMC), así como la aplicación del cuestionario IPAQ, la evaluación de la escala de Lawton y Katz y la fuerza de agarre. La prueba de Shapiro-Wilk se usó para analizar la normalidad de los datos y la prueba t de Student se empleó para muestras independientes para comparar el rendimiento entre los sujetos. Los resultados muestran que no hay una diferencia significativa entre la fuerza de agarre en mujeres mayores activas e insuficientemente activas; lo mismo se puede observar para la escala de Lawton y para los datos antropométricos; solo el índice de Katz mostró una diferencia significativa entre los grupos. Se concluye que la fuerza de agarre y las indicaciones antropométricas no están influenciadas por el estilo de vida en las personas mayores.

    Palabras clave: Fuerza muscular. Actividad motora. Ejercicio físico. Persona mayor.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 25, Núm. 271, Dic. (2020)


 

Introdução 

 

    Devido a melhorias na saúde pública a expectativa de vida aumentou acentuadamente em todo o mundo, estima-se que entre 2000 e 2050, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais dobrará de 11% para 22%, um aumento de 605 milhões a 2 bilhões de adultos com idade ≥ 60 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OPAS, 2018). A qualidade de vida é um fator determinante para esses indicativos e está relacionada diretamente a saúde,juntamente com os fatores sócios demográficos. (Camelo et al., 2016; Henchoz et al., 2017)

 

    O avançar da idade, por si só, não é capaz de determinar as condições de saúde de uma pessoa idosa (Moffitt et al., 2017), o envelhecimento não é sinônimo de doenças (Schramme, & Edwards, 2017) e a funcionalidade é vista como eixo principal na atenção à saúde (Bravell et al., 2008; Peixoto Veras et al., 2013). Além disso, a funcionalidade está relacionada à capacidade de executar tarefas que implicam em grau de complexidade. Portanto, a avaliação clínica é relevante (Nogueira et al., 2010) e geralmente esse conceito é medido pela capacidade de realizar atividades básicas (ABVD) e instrumentais (AIVD) de vida diária. (Paredes Arturo et al., 2018)

 

    Um dos importantes indicativos de saúde global é a força muscular e a diminuição de força de preensão manual, por exemplo, é um poderoso indicador de resultados ruins, como aumento das limitações funcionais e má qualidade de vida relacionada à saúde. A força de preensão manual de forma moderada correlaciona-se com a força em outros seguimentos do corpo humano, servindo como substituto confiável para medidas mais complicadas de força muscular. (Ibrahim et al., 2016; Leong et al., 2015)

 

    E uma estratégia que tem ganhado destaque para a manutenção da capacidade funcional e força de pessoas idosas é a prática de atividade física (Bauman et al., 2016). A participação em um programa de atividade física regular, por exemplo, e a adoção de estilo de vida ativa é capaz de retardar o declínio da capacidade funcional (Amaral et al., 2020; Nguyen et al., 2019; Silva et al., 2014). Portanto diante das considerações apresentadas, o presente estudo buscou comparar a força de preensão manual e a funcionalidade entre idosas fisicamente ativas e insuficientemente ativas.

 

Método 

 

    Trata-se de estudo transversal descritivo sem intervenção terapêutica de idosas do centro de convivência de Manaus, Amazonas. Em observação aos aspectos da ética na pesquisa envolvendo seres humanos (Resolução CNS 196/96) o projeto foi feito o uso Termo Consentimento Livre e Esclarecido TCLE, além da submissão da pesquisa ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual do Amazonas.

 

Sujeitos 

 

    A amostra foi constituída de 30 idosas, sendo 20 fisicamente ativas e 10 insuficientemente ativas, o critério de inclusão foi possuir idade ≥ 60 anos, estar matriculados no Centro de Convivência de Manaus, praticantes de exercícios físicos há no mínimo seis meses. Critérios de exclusão foram: pos­suir doenças, problemas e sintomas físicos e mentais que, por qualquer motivo, impedissem a aplicação dos questio­nários e a realização dos testes aqueles que não compareceram no período determinado para avaliação. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética com seres humanos sob o número do CAEE: 15628319.2.0000.0010.

 

Procedimentos de coletas 

 

    Para obtenção dos dados pessoais e antropométricos foi aplicada uma ficha de avaliação individual elaborada e preenchida pelo pesquisador contendo informações das idosas como idade, sexo,estatura e massa corporal. Além disso, foi calculado o índice de massa corporal – IMC e para análise da estatura foi utilizada uma fita métrica comum e uma balança digital da marca Gama Italy, modelo HCG-2110M.

 

    Em relação ao teste de preensão manual a dominância da mão foi obtida através de interrogação das idosas, pela relação da mão predominantemente mais utilizada nas suas atividades da vida diária AVD, onde sua resposta foi devidamente preenchida na ficha de avaliação.A interrogação foi realizada previamente a realização dos testes de força de preensão manual.

 

    Antes da realização dos registros de preensão manual as idosas receberam informações sobre a pesquisa e foram submetidas a testes de familiarização com o teste de preensão manual. Para obtenção do nível de força de preensão manual foi utilizado um dinamômetro manual digital marca Takei Physical Fitness Test Grip.

 

    Os testes de preensão manual com as idosas foram realizados conforme proposto pela American Society of Hand Therapists – ASHT (Dias, et al., 2010) na posição sentada com o ombro em adução e rotação neutra, cotovelo flexionado a 90°, antebraço em posição neutra, punho entre 0° e 30° de extensão e 0° a 15° de desvio ulnar. Foram realizadas três medidas de força de preensão manual com o dinamômetro com a mão dominante, com incentivo verbal e descanso de 15 segundos de intervalo entre elas, sendo obtida como medida final a média destas três em quilograma força (kgf).

 

    O desempenho nas atividades instrumentais de vida diária (AIVD), como o uso de medicação, preparo de refeições, manejo do dinheiro, foi avaliado pela escala de Lawton (Lawton, & Brody, 1969) onde os escores variam de 9 a 27 e, quanto maior o escore, melhor o desempenho; e as atividades básicas de vida diária (ABVD), ligadas ao autocuidado, higiene, alimentação, foi avaliado pelo índice de Katz (Lino et al., 2008) nesta o escore vão de 0 a 6 e, quanto mais alto o escore, pior o desempenho.

 

    O nível de atividade física foi avaliado pela escala Internacional de Atividade Física IPAQ (Craig et al., 2003) versão curta. As perguntas incluem as atividades que você faz no trabalho, ir de um lugar a outro, lazer, esporte, exercício ou como parte das suas atividades em casa ou no jardim, correr, fazer ginástica aeróbica, jogar futebol, pedalar rápido na bicicleta, jogar basquete, e fazer serviços domésticos pesados em casa. O nível de tarefas vai desde realizar uma caminhada a atividades físicas moderadas e vigorosas que necessitam de um grande esforço físico para sua realização.

 

Análise estatística 

 

    Para caracterização dos dados antropométricos da amostra foi utilizada a estatística descritiva (média e desvio-padrão) utilizando o software Excel 2010, apresentados em forma de tabelas. O Teste de Shapiro-Wilk foi aplicado para verificar a normalidade dos dados. Após isso foi aplicado o teste t de Student para amostras independentes comparando as variáveis analisadas entre os dois grupos (ativas x insuficientemente ativas). O nível de significância adotado foi p<0,05.

 

Resultado 

 

    A amostra foi constituída de 30 idosas, divididas em dois grupos, logo após serem avaliadas através da escala Internacional de Atividade Física-IPAQ, o primeiro é o grupo considerado ativo com 20 idosas, com média de idade de 66,3 anos. O segundo grupo são de idosas insuficientemente ativas com média de idade de 66,8 anos.

 

    A Tabela 1 apresenta os valores referentes à idade, estatura, massa corporal e Índice de Massa Corporal - IMC dos dois grupos, no qual se pôde observar que não há diferença significativa entre nenhuma das variáveis analisadas.

 

Tabela 1. Apresentação dos resultados (média e desvio padrão) de 

número de indivíduos, idade, massa corporal, estatura e IMC

Grupo

Idade (anos)

Massa Corporal (kg)

Estatura (m)

IMC (kg/m²)

Fisicamente Ativas

66,3 ± 3,40

70,2 ± 10,68

1,54 ± 0,05

29,8 ± 4,71

Insuficientemente Ativas

66,8 ± 6,11

73,7 ± 14,42

1,51 ± 0,03

32,2 ± 6,00

Valor p

0,455

0,227

0,250

0,250

 

    Pode-se observar abaixo na Tabela 2 que há diferença apenas para a Escala de Katz (p = 0,003*) que avalia as atividades básicas de vida diária (ABVD), ligadas ao autocuidado, higiene, alimentação.

 

Tabela 2. Apresentação dos resultados (média e desvio padrão) do 

somatório dos pontos dos questionários e a força de preensão manual

Grupo

Katz

Lawton

Preensão Manual (kg)

Fisicamente Ativas

5,95 ± 0,22

26,65 ± 0,67

22,78 ± 4,29

Insuficientemente Ativas

5,90 ± 0,32

24,90 ± 2,33

21,18 ± 5,13

Valor p

0,003*

0,549

0,373

*Indica diferença significativa entre os grupos.

 

Discussão 

 

    O presente estudo demonstrou que em relação aos dados antropométricos não há diferença entre os grupos para nenhuma das variáveis analisadas, massa corporal, estatura e IMC. Porém, cabe salientar que o IMC não avalia a gordura corporal e nem reflete adequadamente a proporção entre músculo e gordura, o que pode levar a classificações errôneas (Ahima, & Lazar, 2013), a respeito de idosas ativas e insuficientemente ativas.

 

    Além disso, na análise da força de preensão manual do presente estudo não foi encontrada diferença entre os dois grupos de idosas, corroborando com os achados de Mattioli, & Cavalli et al. (2015) que compararam força de preensão manual de idosos em diferentes níveis e tipos de atividades, através do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), onde não foi encontrado diferenças significativas entre as médias de força de preensão manual dos grupos ativo e inativo e os níveis de atividade física, sendo importante salientar que em ambos estudos, o nível de atividade física foi através do autorrelato, o que pode ter influenciado esses achados.

 

    E considerando que a força de preensão manual tem sido mencionada como um bom indicador para predizer a força muscular total do indivíduo, sendo imprescindível para a manutenção da independência funcional e autonomia dos idosos (Hicks et al., 2012; Lopes et al., 2015; Taekema et al., 2012). Acredita-se que o fato de não ter sido encontrado diferençada força de preensão manual entre idosas ativas e insuficientemente ativas em nossos resultados, possa ter sido influenciado também pela insuficiência de informações precisas sobre a intensidade das atividades físicas praticadas pelas idosas e pelo tamanho da amostra de ambos os grupos.

 

    Entretanto Porto et al. (2019) demonstraram que existe uma correlação positiva entre força de preensão manual e força muscular global em idosos mesmo quando são levadas em consideração variáveis ​​que podem interferir na relação entre as medidas de sexo, idade, IMC, e nível de atividade física. E um programa de atividade regular e de longa duração, mesmo não tendo sido idealizado para o desenvolvimento de força muscular, contribuiu para manutenção da força de preensão manual de mulheres idosas cujas médias da força de preensão apresentaram alterações, porém sem significância estatística. (Rebelatto et al., 2006)

 

    Além de que o ganho de força muscular relacionado à atividade física em idosos permite melhoria da capacidade funcional, promove menor risco de limitações de mobilidade, hospitalizações e mortalidade segundo (Cawthon et al., 2009), e ser ativo no domínio lazer (n=217, 67,8 kg/f) (p=0,002) segundo de Lima et al. (2018) foi associado a maiores escores de força de preensão manual.

 

    Costa, & Neri (2019) em seu estudo investigaram associações entre os níveis de atividade física em idosos de ambos os sexo, sendo 65,6% composta por mulheres, em diferentes domínios: exercícios físicos e esportes ativos; atividades domésticas; atividades no trabalho, além de atividades sociais como atividades de laser, participação de grupo de convivência de idosos. E observaram que as atividades de lazer se destacaram como o domínio com mais elevado percentual de ativos (44,4%), e as tarefas domésticas com o mais elevado percentual de insuficientemente ativos (51,7%), reforçando a importância de atividades física e recreativas, para proporcionar melhor desempenho e funcionalidade à pessoa idosa.

 

    O resultado divergente entre os dados desta pesquisa em não haver diferença entre a preensão manual de idosas ativas e insuficientemente ativas encontrados na literatura, também podem ser explicado em função de que para Chodzko-Zajko et al. (2009), e Strath et al. (2013), atividade física, é entendida como toda a atividade voluntária, produzida pela musculatura esquelética que resulte em gasto calórico acima do nível de repouso, podendo ser desempenhada em diferentes domínios, como nas atividades do trabalho, das tarefas domésticas, de deslocamento e de lazer podendo não ser exercida em sua totalidade entre as idosas insuficientemente ativas.

 

    Segundo a análise da amostra apenas a classificação de Katz teve diferença significativa entre os grupos. O déficit no autocuidado como vestir, comer, higiene íntima se sobressaiu no grupo de idosas fisicamente ativas, isso pode ter explicação pelo fato da escala de Katz questionar também sobre a incontinência em um de seus domínios. (Lino et al., 2008)

 

    No estudo de Alves et al. (2017) quase um quarto das mulheres incluídas relataram sintomas de incontinência urinária e independentemente do esporte, o volume de exercício mostrou associação positiva com a frequência de perda de urina. E a alta escalabilidade das atividades de vida diária em idades mais avançadas apoia o modelo de incapacidade e envelhecimento de Katz. (LaPlante, 2010)

 

    É importante salientar que o acesso à prática de atividade supervisionada como dança, Pilates Solo, entre outros, destinada às idosas do Centro de Convivência, realizadas com a frequência de duas vezes na semana as estimulam a manterem-se funcionais, mesmo que esse grupo não seja considerado ativo fisicamente, podendo ser um bom indicador do estado de saúde dessas idosas. (Ferretti et al., 2019)

 

    Pois a atividade física tem muitos benefícios favoráveis ​​para idosos, melhorando a função física e qualidade de vida em geral. E o programa ideal deve incluir exercícios aeróbicos, de resistência e flexibilidade, adaptados individualmente com intensidade, volume e duração de acordo com os objetivos de cada pessoa como forma de prevenção, alcançando o máximo de benefícios e reduzindo os riscos decorrentes do processo de envelhecimento da população idosa. (Galloza et al., 2017)

 

    Rego et al. (2016) em sua revisão aponta que a atividade física através do exercício resistido seria benéfica para indivíduos idosos que sofrem com as alterações patológicas associadas ao envelhecimento do sistema musculoesquelético como sarcopenia, osteoporose e artrose. Afirmando a importância da atividade física e a participação social do idoso em esportes e lazer ajudando na criação de vínculos, e o apoio familiar sem superproteção e menosprezo também é importante, por estimular o idoso a realizar atividades dentro das suas limitações. (Ribeiro et al., 2019)

 

    Por fim a realização desta pesquisa aponta como limitação a avaliação da atividade física por meio de autorrelato, que pode ter causado viés de resposta nas questões, além do estudo ser do tipo transversal. Porém ainda que tal fato possa significar um ponto fraco no trabalho, vale destacar que não há um instrumento que seja amplamente aceito para a investigação de atividade física, seja investigada em conjunto ou separada. Outras pesquisas já utilizaram tal investigação quanto ao nível de atividade física. (Costa et al., 2015; Costa, & Neri, 2011)

 

Conclusão 

 

    Conclui-se que a força de preensão manual, assim como indicadores antropométricos não são influenciados pelo estilo de vida das idosas deste estudo. Entendendo-se que o estudo traz assuntos relevantes para manter e melhorar os níveis de força muscular, atividades básicas da vida diária e atividades físicas com a finalidade de proporcionar efeitos benéficos na prevenção dos agravos decorrentes do envelhecimento. Recomenda-se que em estudos futuros sejam adotados instrumentos de mensuração do grau de atividade física de idosos.

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 25, Núm. 271, Dic. (2020)