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Análise das principais alterações posturais em pacientes
que sofreram mastectomia radical unilateral, através
de uma revisão de literatura integrativa

Análisis de las principales alteraciones posturales en pacientes que padecieron

mastectomía radical unilateral, a través de una revisión integradora de la literatura

 

*Acadêmico do curso de fisioterapia das faculdades INTA. Sobral, CE

**Fisioterapeuta e mestre em meio ambiente e Sustentabilidade. Coordenador

e Pesquisador do curso de fisioterapia das faculdades INTA

(Brasil)

Germanias da Costa da Silva*

Leandro Gomes Barbieri**

lgbarbieri@hotmail.com

 

 

 

 

Resumo

          Introdução: O câncer de mama é considerado um problema de saúde pública, logo é o segundo tipo de câncer que mais acomete as mulheres. Mesmo com as diversas campanhas de conscientização, ainda é grande o número de intervenções cirúrgicas, acarretando na paciente uma série de alterações físicas, funcionais e psicológicas, sendo necessária assim a intervenção de uma equipe multiprofissional objetivando a melhoria da qualidade de vida dessas pacientes. Logo, a presente pesquisa teve como objetivo analisar as principais alterações posturais em pacientes que sofreram mastectomia radical unilateral. Metodologia: Trata-se de uma revisão de literatura integrativa nas publicações das bases de dados SCIELO Brasil (Scientific Electronic Library Online), BIREME, INCA e LILACS (literatura latino-americana e do Caribe em ciências da saúde). Resultados: A pesquisa resultou em trinta e quatro artigos, e, conforme os critérios de inclusão, apenas três artigos foram selecionados. Porém dentre os três artigos selecionados apenas um abordava uma temática específica sobre o objetivo do presente estudo. Considerações finais: Concluiu-se que as alterações posturais mais frequentes nas pacientes mastectomizadas estão relacionadas diretamente com a coluna cervical e a biomecânica do ombro homolateral a cirurgia, porém a fisioterapia precoce é de fundamental importância na reabilitação dessas pacientes, a fim de minimizar as possíveis complicações decorrentes da cirurgia.

          Unitermos: Câncer de mama. Fisioterapia. Mastectomia radical. Alterações posturais.

 

Abstract

          Introduction: Breast cancer is considered a public health problem, so it is the second type of cancer that affects more women. Even with the various awareness campaigns, there are a huge number of surgical interventions, resulting in the patient with a series of physical, functional and psychological, thus necessitating the intervention of a multidisciplinary team aiming to improve the quality of life of these patients. Ready, the present study aimed to analyze the major postural changes in patients who have undergone unilateral radical mastectomy. Methodology: This is a literature review of publications in integrative databases SciELO Brazil (Scientific Electronic Library Online), BIREME, INCA and LILACS (Latin American literature and Caribbean Health Sciences). Results: The search resulted in thirty-four articles, and, as the inclusion criteria, only three articles were selected. But among the three articles selected just address a specific topic on the objective of the present study. Final Thoughts: It was concluded that the most frequent postural changes in mastectomy patients are directly related to the cervical spine and biomechanics of ipsilateral shoulder surgery, but early physiotherapy is essential in the rehabilitation of these patients in order to minimize possible complications from surgery.

          Keywords: Breast cancer. Physiotherapy. Radical mastectomy. Postural changes.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 18, Nº 189, Febrero de 2014. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    No Brasil o câncer de mama é o segundo tipo de câncer que mais acomete o sexo feminino, segundo o INCA (2011), anualmente atinge cerca de 33.000 mulheres constituindo assim, a principal neoplasia responsável pelo maior número de óbitos. Certamente porque a doença ainda é diagnosticada na maioria das vezes em estágios mais avançados, sendo necessário tratamentos mais radicais.

    Ainda, de acordo com Faria (2010), hoje o câncer de mama é considerado um dos problemas mais frequentes na saúde pública brasileira, sabe-se que é constante o numero de campanhas de prevenção ao câncer entre os diversos profissionais de saúde tanto no Brasil como nos demais países.

    O câncer de mama se apresenta de diversas formas e sintomas, porém é necessário que a mulher realize periodicamente o autoexame para que a mesma esteja familiarizada com a forma e textura de sua mama, buscando detectar alguma alteração. O INCA recomenda que as mulheres após os 40 anos realizem anualmente a mamografia para avaliar o interior do tecido mamário buscando a presença ou a ausência do câncer ou alguma outra alteração que possa desencadear a doença.

    O câncer de mama é responsável pelo maior número de intervenções cirúrgicas realizadas no Brasil anualmente. A cirurgia gera uma série de alterações tanto a nível físico quanto psicológico na mulher, alterações essas que afetam a percepção da sexualidade, imagem corporal, além dos desconfortos e comprometimento da amplitude de movimento. A indicação e o tipo de cirurgia variam de acordo com o estadiamento da doença e do nível de desenvolvimento do tumor, que podem ser conservadora, onde é retirado apenas um segmento da mama juntamente com os gânglios axilares e o linfonodo sentinela, ou a mastectomia radical, onde é retirada toda a mama.

    A reabilitação da paciente mastectomizada deve ser acompanhada por uma equipe multiprofissional, onde cada profissional com seus conhecimentos e técnicas irá contribuir para a melhoria de uma sobrevida mais saudável para a paciente. A fisioterapia é de fundamental importância nesse momento da vida da paciente, pois a sua atuação deverá partir desde o pré-operatório com o objetivo de avaliar as alterações pré-existentes e os possíveis fatores que poderão oferecer riscos para complicações pós-operatórias, interferindo quando necessário para minimizar e prevenir possíveis sequelas. No pós-operatório o fisioterapeuta irá implantar uma proposta de reabilitação a fim de minimizar as complicações pós-operatórias, como a dor, o linfedema, o comprometimento da funcionalidade, as alterações posturais e consequentemente proporcionar uma melhor qualidade de vida para essas pacientes.

Metodologia

    Para realização desta pesquisa foi feito um levantamento bibliográfico nas publicações das bases de dados SCIELO Brasil (Scientific Electronic Library Online), BIREME, INCA e LILACS (literatura latino-americana e do Caribe em ciências da saúde).

    A revisão integrativa é um método de revisão mais abrangente, tendo como foco principal juntar e sintetizar os estudos feitos a respeito de um determinado assunto, concluindo a partir dos resultados obtidos em cada estudo, objetivando identificar problemáticas iguais ou similares. Os estudos incluídos permitem ao leitor uma análise através de seu próprio conhecimento, pois são explorados sistematicamente através de seus objetivos, materiais e métodos. (URSI & GAVÃO, 2006).

    Para busca foram utilizados os seguintes descritores: fisioterapia e câncer de mama, fisioterapia e alterações posturais, mastectomia radical. Estas palavras-chave poderiam estar no título ou no resumo. Como estratégia complementar utilizou-se a busca manual em listas de referências dos artigos selecionados.

    Os artigos foram analisados e selecionados no período de abril a setembro de 2013 de acordo com os seguintes critérios de inclusão: artigo disponível na integra; artigos publicados na língua portuguesa e inglesa; publicações no período de 2000 a 2013; mastectomia radical por câncer de mama unilateral com até seis meses pós-cirúrgico; artigos científicos que descrevem os protocolos de atendimento do profissional de fisioterapia e critérios de exclusão: pesquisa que não identifica o tipo de mastectomia realizada; pesquisas de relato de caso; pesquisas de revisão de literatura; artigos que expressam opinião dos autores ou editoriais. Quando o título e o resumo não eram esclarecedores, o artigo era lido na íntegra para que estudos relevantes não fossem excluídos da revisão.

    Realizou-se uma análise descritiva de dados extraídos dos estudos selecionados que foram: Autor (ano); Título do Artigo Quantidade de Pacientes; Técnicas utilizadas; Tempo de atendimentos; Resultados obtidos.

Resultados e discussões

    De acordo com a estratégia definida, a pesquisa resultou em trinta e quatro artigos, e, conforme os objetivos do estudo e os critérios de inclusão, apenas três artigos foram selecionados. Os trinta e um artigos descartados abordavam tratamentos fisioterápicos no câncer de mama, porém não apresentavam o perfil necessário para o presente estudo. Vale ressaltar que dentre os 3 artigos selecionados apenas 1 abordava uma temática específica sobre o objetivo do presente estudo. A quantidade de participantes variou de 22 a 44 pacientes. Quanto à duração dos programas, estes variaram entre três a cinco semanas, atendimentos com frequências semanais de duas a três vezes e com duração de até 45 minutos. Em todos os estudos, apenas um possuía um único grupo de comparação, sendo que todos os estudos foram realizados no Brasil. A tabela abaixo mostra as principais variáveis observadas.

 

Autor (ano)

Título do Artigo

Quantidade de Pacientes

Técnicas utilizadas

Tempo de atendimentos

Resultados obtidos

Melo, M.S.I. et al. 2011

Avaliação postural em Pacientes Submetidas à Mastectomia Radical Modificada por Meio da Fotogrametria Computadorizada

22

Análise Postural por Fotogrametria Computadorizada

Artigo não relata

Anteriorização da cabeça e Protrusão de ombro homolateral a intervenção cirúrgica.

Gonçalves A.V. et al. 2009

Randomized Clinical trial on the preservation of the medial pectoral nerve following mastectomy due to breast cancer: impact on upper limb rehabilitation

30

Cinesioterapia, testes, Goniometria e Palpação.

03 vezes por semana durante 06 semanas

Não houve diferenças significativas com relação à perda de amplitude de flexão e abdução do ombro entre os dias 15 e 43 após a cirurgia, entre os grupos de mulheres nas quais o nervo peitoral medial foi preservado ou seccionado.

Pereira C.M.A. et al. 2004

Avaliação de protocolo de fisioterapia aplicado a pacientes mastectomizadas a Madden

44

Cinesioterapia, Goniometria, Perimetria.

02 vezes por semana, com 45 minutos de duração, durante 05 semanas.

O protocolo apresentado neste estudo mostrou-se eficaz

para as pacientes pós- mastectomizadas, uma vez que:

As pacientes retornaram a realizar atividades da vida diária com uma média de 10 sessões.

    A reabilitação das pacientes submetidas às cirurgias mamarias é de fundamental importância tanto no aspecto funcional quanto psicológico que é comprometido no pós-operatório. As sequelas mais incidentes são os comprometimentos na amplitude da articulação e força da musculatura do ombro homolateral a cirurgia, a presença de dor, linfedema e aderências cicatriciais na parede torácica, interferindo de forma negativa na vida da paciente mastectomizada. A Fisioterapia é primordial na vida da paciente, além de oferecer a recuperação funcional tanto da cintura escapular quanto do membro superior, evitará complicações como linfedema, fibrose, aderência cicatricial que são fatores que comprometem a realização das atividades de vida diária. (GOUVEIA, 2008)

    Melo et al. (2011), afirma que essas pacientes podem apresentar uma postura assimétrica, como anteriorização, rotação, elevação, protusão e limitação da flexão dos ombros, hipercifose, na maioria das vezes devido ao medo e a presença de dor, contratura da musculatura cervical, anteriorização da cabeça, escápulas aladas e mal alinhadas devido à mudança brusca de peso pela ausência da mama, aumento da sensibilidade nas regiões posterossuperiores do membro superior e axila, homolateral a cirurgia. Como forma de adaptação funcional o músculo estriado esquelético sofrerá uma mudança estrutural gerada por uma alteração no equilíbrio. Consequentemente essas adaptações acarretaram em redução na amplitude de movimento, gerando dor, diminuição da força de contração máxima, levando então a uma maior probabilidade de lesão. Sendo assim, é de suma importância um sistema muscular simétrico e preparado na manutenção de uma postura equilibrada e funcional.

    De acordo com Borges (2010), através da avaliação pré-operatória o fisioterapeuta ira conhecer as limitações e alterações funcionais da paciente, onde poderá corrigi-las a fim elaborar um prognóstico de recuperação e conscientiza-la sobre a necessidade da intervenção da fisioterapia no pós-operatório. Nesse momento o fisioterapeuta faz uma avaliação geral da paciente aferindo sua pressão arterial, checando os sinais vitais, realiza uma ausculta pulmonar, avalia as amplitudes de movimento, a força muscular, amplitude articular, sensibilidade, marcha, observa também o estado emocional da paciente, que poderá interferir no tratamento pós-cirúrgico e na realização das condutas fisioterapêuticas.

    Sendo assim, Melo et al. (2011), enfatiza que na rotina do fisioterapeuta a avaliação funcional é um instrumento indispensável, pois através dela será possível analisar e conhecer os desvios e a partir dessa informação, o fisioterapeuta poderá escolher o melhor protocolo de tratamento a ser executado. Essa avaliação se constitui de uma anamnese, avaliação postural, física e funcional, avaliação do equilíbrio tanto estático quanto dinâmico. Pode – se também optar pelos recursos informatizados, como a fotogrametria computadorizada, método esse que assegura uma eficácia tanto na avaliação quanto na análise e quantificações das alterações posturais, por meio de gravação, medição e interpretação de imagens fotográficas.

    Bulgarelli et al. (2004) em um de seus estudos enfatiza a necessidade de uma avaliação detalhada por parte do fisioterapeuta, onde afirma que a presença de uma escoliose poderá comprometer os achados no pós-operatório, pois a escoliose normalmente envolve as regiões tanto da coluna torácica quanto lombar, acarretando assim em uma assimetria dos quadris, pelve e membros inferiores, isso ocorre devido ao desequilíbrio compensatório da fisiologia estática.

Considerações finais

    O câncer de mamas é uma das patogenias mais frequentes na saúde pública brasileira, além de ser considerado o responsável pelo maior número de óbitos no Brasil. Sabe-se que é constante o numero de campanhas de prevenção ao câncer entre os diversos profissionais de saúde tanto no Brasil como nos demais países, mesmo assim no Brasil grande parte dos casos de câncer mamário é identificado no estágio mais avançado, o que leva a necessidade de um tratamento mais radical, gerando assim diversas alterações tanto a nível psicológico quanto fisiológico na mulher.

    Com o presente estudo foi possível concluir que as alterações posturais mais frequentes nessas pacientes estão relacionadas diretamente com a coluna cervical e a biomecânica do ombro homolateral a cirurgia, consequentemente a assimetria postural em um determinado segmento do corpo, desencadeia alterações posturais em segmentos adjacentes.

    É de extrema importância uma avaliação postural no pré-operatório, com o objetivo de conhecer as causas de possíveis alterações posturais observadas no pós-operatório. Uma vez que em todos os estudos pesquisados nenhum relata esse tipo de procedimento, o que gera uma dúvida para os autores em relação às alterações posturais observadas no pós-operatório, considerando que essas pacientes só procuram o Serviço de Fisioterapia após o encaminhamento médico, que só ocorre após a cirurgia.

    Na literatura é encontrado bastante estudo a respeito do câncer de mama, porém os mesmo na maioria das vezes enfatizam protocolos de tratamento para o linfedema, porém ainda é escasso o acervo sobre qualquer alteração postural após a realização da cirurgia de mastectomia. Desse modo vale ressaltar a importância da intervenção precoce da fisioterapia buscando prevenir complicações futuras que possam comprometer a qualidade de vida das mulheres submetidas às cirurgias para a remoção do câncer de mama.

Referências bibliográficas

  • BORGES, F.S. Dermato Funcional: Modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. 2ª Ed. São Paulo: Phorte, 2010.

  • BULGARELLI, Fernanda. BRONGHOLI, Karina. BRAZ, Melissa, Medeiros. Avaliação das alterações posturais em pacientes submetidas à mastectomia radical modificada. [S.I]. acesso em agosto de 2013, disponível em: http://www.fisio-tb.unisul.br/Tccs/03b/fernanda/artigofernandabulgarelli.pdf

  • FARIA, Lina. As práticas do cuidar na oncologia: a experiência da fisioterapia em pacientes com câncer de mama. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.17, supl.1, jul. 2010, p.69-87.

  • GOUVEIA, Priscila Fernandes et al. Avaliação da amplitude de movimento e força da cintura escapular em pacientes de pós-operatório tardio de mastectomia radical modificada. Fisioter Pesq., São Paulo, v. 15, n. 2, 2008.

  • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Incidência de Câncer do Brasil. Estimativa 2011.

  • MELO, Marcela Silvino, MAIA, Juliana Netto, SILVA, Dayse de Amiron, Lins, CARVALHO, Celina, Cordeiro. Avaliação Postural em Pacientes Submetidas à Mastectomia Radical Modificada por meio da Fotogrametria Computadorizada. Revista Brasileira de Cancerologia., Rio de Janeiro, v. 57, n. 1, p. 39-48, 2011.

  • URSI, Elizabeth Silva; GAVAO, Cristina Maria. Prevenção de lesões de pele no perioperatório: revisão integrativa da literatura. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 14, n. 1, Feb. 2006.

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