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Efeitos da recuperação ativa e da crioterapia 

sobre o lactato sanguíneo e a creatina quinase (CK)

Los efectos de la recuperación activa y de la crioterapia sobre el lactato sanguíneo y la creatina quinasa (CK)

 

*Professora do Curso de Educação Física da Unoesc

Campus de São Miguel do Oeste. Mestre em Educação Física pela UFSC

Laboratório de Fisiologia do Exercício, LAFE

**Acadêmica do Curso de Biomedicina da Unoesc

Campus de São Miguel do Oeste

***Acadêmica do Curso de Educação Física

Campus de São Miguel do Oeste

Sandra Fachineto*

Débora Cristina Brandão**

Tcherlyn Luana Erlo***

sandra.fachineto@unoesc.edu.br

(Brasil)

 

 

 

 

Resumo

          Objetivou-se analisar os efeitos da recuperação ativa e da crioterapia sobre o lactato sanguíneo e a creatina quinase (CK) em atletas da categoria sub-20 da Escola de Futsal Joni Gool de São Miguel do Oeste, SC. A amostra foi composta por 13 atletas da categoria sub-20, selecionados de forma intencional e com participação voluntária. Os atletas foram divididos em dois grupos experimentais (crioterapia; n=6 atletas) e (recuperação ativa; n= 7 atletas). Para avaliação do lactato e da CK foram usadas coletas sanguíneas. Foi escolhido juntamente com o técnico cinco momentos de coleta das variáveis antes a após a sessão de treino, de acordo com a periodização organizada pela Escola de Futsal. Para a análise dos dados utilizou-se o programa estatístico computacional SPSS versão 13.0. Os procedimentos estatísticos utilizados foram: estatística descritiva (média e desvio padrão) e o teste t de Student independente para analisar os efeitos entre os dois grupos de tratamento (crioterapia e recuperação ativa). Os resultados mostraram que não houve diferenças estatisticamente significativas para os grupos. Portanto, pelo fato de a recuperação ativa ser mais barata e de fácil aplicação, na ausência e impossibilidade de se utilizar a crioterapia, a recomenda-se.

          Unitermos: Futsal. Lactato. Creatina quinase. Crioterapia. Recuperação ativa.

 

Abstract

          This study aimed to analyze the effects of cryotherapy and active recovery on blood lactate and creatine kinase (CK) of training athletes in the under-20 category of the School of futsal Joni Gool Sao Miguel do Oeste, SC. The sample was composed of 13 athletes from the under-20 category, selected intentionally and with voluntary participation. The subjects were divided into two experimental groups (cryotherapy, n = 6 athletes) and (active recovery; athletes n = 7). To assess lactate and CK were used blood collections. Was chosen along with coach five moments of the variables before and after the training session, according to the periodization organized by the School. For data analysis we used the statistical program SPSS version 13.0 computer. The statistical procedures used were descriptive statistics (mean and standard deviation) and the Student t test for independent analysis of the effects between the two treatment groups (cryotherapy and active recovery). The results showed no statistically significant differences for the groups. Therefore, because of active recovery is cheaper and easy to apply in the absence and impossibility of using cryotherapy, the recommended.

          Keywords: Futsal. Lactate. Creatine kinase. Cryotherapy. Active recovery.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 18 - Nº 182 - Julio de 2013. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    O esporte profissional vem ganhando destaque tanto na mídia televisionada e escrita como em escolas e na sociedade de um modo geral, evidenciando atletas de diversas modalidades e que possuem títulos e renome mundiais cada vez mais novos, o que instrui crianças e adolescentes a iniciarem uma carreira esportiva, contando com o apoio de pais e professores. Porém, até que ponto o corpo de uma criança ou adolescente em desenvolvimento suporta várias horas de treinamentos diários, academia, dietas e as cobranças de resultados? Tal fato questiona o impacto dessas atividades sobre as crianças e adolescentes, já que os mesmos possuem uma maturação biológica incompleta. (SILVA et al., 2007)

    Diante das limitações supostamente impostas causadas pela idade dos atletas que tendem a buscar um nível competitivo, faz-se necessário um programa de treinamento e recuperação adequado para não interferir no desenvolvimento natural dos mesmos e mantê-los no mesmo nível. Porém devido a poucos estudos realizados sobre o caso, jovens atletas estão apresentando fadiga e lesões musculares cada vez mais cedo, o que comprova que esses jovens atletas, qual como os adultos, necessitam de um programa de recuperação muscular adequado (CANEPPELE; PEDROZO, 2011).

    Além da fadiga muito estudada e observada em jovens atletas, outro fator preocupante é a lesão muscular, que segundo Powers e Howley (2009) possui entre os principais marcadores de lesão a creatina quinase (CK) e o lactato. No caso da CK, a quantia total de ATP no organismo a ser armazenada é limitada, mesmo com o ATP sendo ressintetizado constantemente no ritmo do que é utilizado. Além do ATP que é gerado pelas fontes de gordura e carboidratos, parte da energia para a ressíntese de ATP é gerada rapidamente e sem oxigênio a partir de fosfato de creatina, um composto rico em energia e que possui “reservas” de quatro a seis vezes maiores do que de ATP, essa energia provém da hidrólise de fosfato de creatina pela enzima creatina quinase (CK) e, sendo assim, o aparecimento da CK no sangue, serve como indicador de lesão tecidual e possível fadiga durante a prática de atividades intensas (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011).

    O processo de recuperação de atletas consiste em restaurar a homeostase do atleta para prepará-los para os próximos treinamentos além de impedir futuras lesões e fadiga muscular. Diante do grande número de métodos para recuperação, o grande problema é saber quais serão efetivos, o tempo necessário para cada procedimento na remoção de catabolitos produzidos durante um esforço de alta intensidade, e se algum deles pode potencializar a recuperação (FOSS; KETEYIAN, 2000).

    Dentre os métodos, observa-se a recuperação ativa, uma das técnicas mais antigas citadas por diversos autores como Prestes et al. (2009) sendo um procedimento onde se realiza um exercício aeróbico submáximo pós-exercício intenso, geralmente um trote ou corrida moderada dentro de uma determinada intensidade de frequência cardíaca. Já na crioterapia, outro método muito utilizado, a técnica consiste em o atleta submergir os membros inferiores em piscinas ou tonéis de água a temperatura geralmente abaixo de 10 º C.

    Diante do exposto, este estudo teve por objetivo analisar os efeitos da recuperação ativa e da crioterapia sobre o lactato sanguíneo e a creatina quinase (CK), observados durante cinco sessões de treino em atletas da categoria sub-20 da Escola de futsal Joni Gol de São Miguel do Oeste, SC.

Metodologia

Caracterização da pesquisa e amostra

    Este estudo caracterizou-se como uma pesquisa quantitativa do tipo experimental. A amostra foi composta por 13 atletas da categoria sub-20 da Escola de Futsal Joni Gool, no município de São Miguel do Oeste – SC, selecionados de forma intencional e com participação voluntária. Como critério de inclusão foi adotado a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos pais ou responsáveis.

Protocolos experimentais

    Os atletas foram divididos em dois grupos experimentais (recuperação ativa; n= 7 atletas) e (crioterapia; n=6 atletas).

    O treinamento diário (segunda-feira à sexta-feira) seguiu o que já é proposto pelo técnico da escola de futsal, sem qualquer interferência dos pesquisadores somente sendo incluídos os protocolos de recuperação ativa e crioterapia após cinco sessões de treinos escolhidas.

    Recuperação ativa (grupo experimental 1) – os atletas deste grupo realizaram 12 minutos de trote com intensidade de freqüência cardíaca se mantendo dentro da zona alvo de FC de recuperação - 60 a 65% da FC máxima. Casa atleta usou um frequêncímetro para o controle da intensidade de recuperação (VOLKOV, 2002).

    Crioterapia (grupo experimental 2) – os atletas realizaram 12 minutos de imersão dos membros inferiores em uma banheira contendo água a temperatura aproximada de 7º a 10º C.

Coletas sanguíneas

    Para as coletas sanguíneas foram respeitados todos os padrões de Bioesegurança.

    Em ambos os grupos experimentais (1 e 2), as coletas de lactato foram realizadas nas condições de repouso (antes das sessões de treino) e aos 3, 6, 9, 12 minutos de recuperação.

    As coletas de CK foram feitas somente em condições de repouso e 30 minutos após o término das sessões de treinamento.

a.     Lactato sanguíneo

    As coletas foram realizadas no próprio espaço de treino da Escola de Futsal pelos pesquisadores. Para a dosagem de lactato foi utilizado um Lactímetro e/ou monitor da marca ACCUTREND. Foi feita punção no lóbulo de uma das orelhas do atleta com uma lanceta e recolhidos aproximadamente 25 microlitros de sangue em um capilar heparinizado.

b.     Creatina quinase (CK)

    As coletas foram realizadas no laboratório de hematologia da UNOESC campus de São Miguel do Oeste, as mesmas foram processadas no laboratório de bioquímica da UNOESC campus de São Miguel do Oeste e foram analisadas no laboratório da CDI Vision. Foi solicitado ao atleta que sentasse na cadeira não sendo necessário estar em jejum. O sangue foi coletado por punção venosa na veia mediana cubital em seringas de 10 ml e a agulha utilizada será de 25X7 e distribuído em um tubo contendo EDTA (anticoagulante).

    Durante os seis meses de treinos foram realizadas cinco coletas, observando o momento de maior intensidade de treinamento no microciclo (treinamento semanal), respeitando o planejamento (periodização) do técnico da escola (ver quadro 1).

Quadro 1. Número de coletas de acordo com a periodização do treinamento

Período Preparatório

Período Competitivo

Mesociclo Específico

Mesociclos Pré-Competitivo e Competitivo

1

4

Fonte: os autores

Tratamento dos dados

    Para a análise dos dados utilizou-se o programa estatístico computacional SPSS versão 13.0. Os procedimentos estatísticos utilizados foram: estatística descritiva (média e desvio padrão) e o teste t de Student independente para analisar os efeitos entre os dois grupos de tratamento (crioterapia e recuperação ativa).

Apresentação e discussão dos resultados

    Nas tabelas 1 e 2 são mostradas as respostas fisiológicas do lactato e da creatina quinase (CK) para os dois grupos experimentais. Como se pode observar, não houve diferenças estatisticamente significativas para nenhuma das variáveis em ambos os grupos.

    Os níveis de lactato sofreram alterações tanto na recuperação ativa quanto na crioterapia, em uma comparação fisiológica entre as duas. Durante o processo de crioterapia pode se observar uma vasoconstrição que é quando as terminações nervosas detectam uma queda brusca na temperatura, a diminuição da temperatura ocorre principalmente nos vasos mais próximos a pele. (HOLLMANN; HETTINGER, 2005). Isso diminui a saída de lactato das células para a corrente circulatória, aumentando bruscamente sua concentração. Já no caso da recuperação ativa a vasodilatação provocada pela mesma, reduz a resistência vascular, e consequentemente aumenta o fluxo sanguíneo. Como resultado dessas alterações, a liberação de sangue para os músculos esqueléticos que estiverem se contraindo durante a recuperação pode aumentar. Coletivamente, a recuperação ativa acarreta um aumento da vasodilatação promovendo o aumento do fluxo sanguíneo para os músculos que estiverem se contraindo a fim de suprir a demanda metabólica (SILVA et al., 2007).

    Ainda sobre a crioterapia, Selwood et al. (2007 apud BARONI et al., 2010) não encontraram diferença entre a crioterapia e o repouso sobre os níveis de creatina quinase. A creatina quinase está presente em concentrações extremamente altas nos tecidos muscular e nervoso para lidar com fluxos metabólicos elevados durante períodos de grande utilização e geração de energia (WILLIAMS, 2000).

    Para Silva, Oliveira e Gevaerd (2006) os níveis de CK séricos tendem a diminuir em atletas treinados, como conseqüência de mecanismos adaptativos, por isso as variações entre as taxas de creatina quinase, porque cada organismo reage de maneira diferente aos treinamentos, além de a intensidade e condicionamento físico influenciarem significativamente.

    Baroni et al. (2010), também afirmam que os benefícios da crioterapia estão mais relacionados com o bem estar, pois a mesma acaba aumentando a liberação de endorfina, além da sensa­ção de relaxamento muscular, as reduções do espasmo muscular e do edema.

    Outro fator muito observado quando se trata da crioterapia é o que afirma Freitas et al. (2006) observando que após alguns minutos de imersão, os sujeitos realizaram contrações involuntárias. Conforme descrito anteriormente o frio induz a uma resposta contrátil involuntária para aumentar o metabolismo local e aumentar a temperatura. Neste caso, as contrações induzidas pela imersão aumentaram o estresse muscular local causando microrrupturas e aumentando a concentração sérica de CK nos sujeitos submetidos à crioterapia.

    Em estudo apresentado por Pastre et al. (2009) quando feito a comparação entre recuperação ativa e crioterapia, os autores observaram que o primeiro parece ser mais eficiente para remoção de lactato, todavia, a combinação destes métodos mostra-se adequada para manter o desempenho máximo em exercício. Este fato vai ao encontro deste estudo.

    Assim que uma atividade física é encerrada, o consumo de oxigênio continua muito elevado, fenômeno este chamado de consumo excessivo de oxigênio pós-exercício (EPOC) e durante os primeiros dois ou três minutos declina muito rapidamente. Esta fase inicial de recuperação é denominada componente rápido da recuperação. Vários são os objetivos desta fase, tais como: restauração da mioglobina com o oxigênio, restauração dos níveis sanguíneos de oxigênio, o custo energético da ventilação elevada e da atividade cardíaca elevada e também uma função deste componente rápido de recuperação é a restauração das reservas dos fosfagênios (ATP e PC). Após os primeiros dois ou três minutos de recuperação, o consumo de oxigênio declina mais lentamente até vir a alcançar um ritmo constante de repouso. Esta fase é denominada de componente lento da recuperação e também tem várias finalidades sendo que a importância desta fase reside no fato dela estar associada à restauração das reservas de glicogênio assim como também à oxidação do lactato (FOSS, KETEYIAN, 2000).

    Para Powers e Howley (2009) que a remoção do lactato é mais rápida quando se realiza um exercício leve contínuo (recuperação ativa) em comparação a recuperação passiva. Isso se dá devido ao fato de o exercício leve aumentar a oxidação do lactato pelo músculo em atividade.

Conclusões

    Pode-se concluir que embora não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, pelo fato de a recuperação ativa ser mais barata e de fácil aplicação, na ausência e impossibilidade de se utilizar a crioterapia, a recomenda-se. Além de para o atleta ser um processo mais confortável e menos doloroso, em especial em dias frios.

Agradecimentos

    À Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc, campus de São Miguel do Oeste por meio do Programa de Iniciação Científica, pelo apoio financeiro.

    Aos atletas e treinador da Escola de Futsal Joni Gool pela participação e comprometimento com este estudo.

Referências

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