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Farmácia clínica: uma perspectiva de maior eficácia 

e segurança no tratamento do paciente hospitalizado

Farmacia clínica: una perspectiva de mayor eficacia y seguridad en la atención del paciente hospitalizado

 

Farmacêutica Graduada

pelas Faculdades de Saúde Ibituruna – FASI

(Brasil)

Taciane Barreto Ferreira

tacianebarretof@yahoo.com.br

 

 

 

 

Resumo

          O hospital tem a peculiaridade de lidar com indivíduos potencialmente frágeis e passíveis de princípios controlados, o que permite acompanhar e avaliar se as condutas terapêuticas estão adequadas. Assim, cresce o interesse e o entendimento de gestores sobre a importância dos serviços farmacêuticos no hospital para a melhoria da qualidade da assistência à saúde. O farmacêutico clínico hospitalar é capaz de implantar estratégias no sistema farmacoterapêutico que aborde possíveis problemas cotidianos, podendo fazer intervenções benéficas quando forem pertinentes, garantindo a qualidade e segurança do paciente. O objetivo deste trabalho é identificar os benefícios que a farmácia clínica implantada no hospital contribui para a eficácia e segurança no tratamento do paciente. Tratou- se de um estudo de revisão de bibliografia, descritivo e exploratório que teve a finalidade de responder a uma pergunta específica. A amostra constou de publicações bibliográfica e de artigos de periódicos feitos através de buscas em banco de dados como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), que fizeram referência a interação medicamentosa e farmácia clínica. Concluiu- se que o farmacêutico em consonância com a equipe multiprofissional contribui para melhorar a adesão ao tratamento terapêutico, adotando novas medidas que previnam o agravo do quadro clínico do paciente, quando encontrado problemas farmacoterapêuticos como: interações medicamentosas, problemas relacionados a medicamentos, reações adversas a medicamentos, dentre outros. Assim, reduz os reflexos sobre os custos inerentes as ações desenvolvidas com as intervenções efetuadas.

          Unitermos: interação medicamentosa, farmácia clínica, farmácia hospitalar.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 178, Marzo de 2013. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Na definição de farmácia clínica e atenção farmacêutica, os farmacêuticos devem reconhecer a necessidade de melhorar a segurança e a efetividade da farmacoterapia. Estes profissionais podem melhorar a qualidade da terapia medicamentosa através de estruturas organizadas que garantam o acompanhamento do uso do medicamento e avaliando regularmente sua performance. Estas estruturas devem ser centradas no paciente, cooperativas e multiprofissionais (BISSON, 2007).

    As interações medicamentosas na atualidade é um dos temas mais importantes da farmacologia para a prática clínica dos profissionais da saúde, a freqüência das interações clinicamente importantes é pouco descrita na literatura (PIVATTO JÚNIOR et al., 2009).

    Fica evidente que nesse componente, finalístico por natureza, que serão identificados diversos problemas relacionados a medicamentos, sejam eles determinados por questões administrativas ou ligadas à farmacoterapia ou à clínica (TORRES et al., 2007).

    O objetivo deste trabalho é identificar os benefícios que a farmácia clínica implantada no hospital contribui para a eficácia e segurança no tratamento do paciente.

Métodos

    Tratou-se de um estudo de revisão de bibliografia, descritivo e exploratório que teve a finalidade de responder a uma pergunta específica. A amostra constou de publicações bibliográficas e artigos de periódicos feitos através de buscas em banco de dados como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), que fizeram referência a interação medicamentosa e farmácia clínica.

    Os descritores utilizados foram: interação medicamentosa, farmácia clínica, farmácia hospitalar.

    Utilizaram-se métodos explícitos para identificar, selecionar e avaliar criticamente os estudos e coletar os dados deste estudo, o qual analisou- se criteriosamente as informações obtidas.

Resultados

    Conforme a OMS as mudanças demográficas, epidemiológicas e a evolução dos medicamentos têm gerado novas demandas que requerem adequação do sistema de saúde e a transformação do modelo de atenção prestada, de modo a conferir prioridade ao caráter preventivo das ações de promoção, proteção e recuperação da saúde (LYRA JUNIOR et al., 2006). Para isso, o sistema deve contar com ações colaborativas de profissionais da saúde, em sintonia com essas mudanças.

    O uso de medicamentos tem sido abordado em vários estudos como um dos fatores de risco para acidentes (COUTINHO; SILVA, 2002).

    Em pacientes hospitalizados, o risco de interações potenciais pode ser maior devido ao uso de medicamentos novos adicionados a uma terapia medicamentosa já existente (CARVALHO; MAGARINOS; OSÓRIO, 2007).

    Segundo Sebastião (2002), acentuou o papel do farmacêutico na detecção e discussão de problemas relacionados à qualidade da prescrição de medicamentos.

    O farmacêutico pode com o direcionamento clínico, melhora os resultados farmacoterapêuticos, seja através de aconselhamentos, de programas educativos e motivacionais, ou até da elaboração de protocolos clínicos, baseados em evidências comprovadas, com estabelecimento dos melhores regimes terapêuticos e monitoração destes procedimentos (BISSON, 2007). Assim, é capaz de identificar diversos problemas existes nas prescrições antes mesmo de serem dispensados para o leito do paciente.

    É sabido que o número de medicamentos tomados por um paciente é fator de risco para o desenvolvimento de Reações Adversas a Medicamentos (RAM), em particular daqueles produzidas por Interações Medicamentosas (IM). As avaliações clínicas das IM não devem ser dissociadas das avaliações das RAM, e sua monitoração e programas de notificação devem incluir múltiplos sistemas para identificá-los (STORPIRTIS et al., 2008). Portanto, fica evidente que com a implementação da farmácia clínica é possível evitar diversos futuros problemas que o paciente venha ter com a terapêutica introduzida de forma inadequada.

    A interação medicamentosa, sendo um PRM, conforme Cipolle; Strand; Morley (1998), ou causa de um PRM (UNIVERSIDADE DE GRANADA, 2002), é um aspecto da farmacoterapia importante na Atenção Farmacêutica.

    O consumo de fármacos aumenta a incidência dos problemas relacionados aos medicamentos (PRM), deixando a população vulnerável aos vários problemas de saúde e aumentando os custos dos sistemas de atenção sanitária (LYRA JUNIOR et al., 2006 apud OMS, 1999).

    De acordo com a OMS, as reações adversas a medicamentos são definidas como sendo qualquer evento nocivo e não intencional que tenha ocorrido na vigência do uso de medicamento, em doses normalmente usadas em humanos, com finalidades terapêutica, profilática ou diagnóstica. Portanto, não se incluem entre as RAM as superdosagens (acidentais ou intencionais) e a ineficácia do medicamento para o tratamento proposto (MASTROIANNI et al., 2009).

    Segundo Tatro (1998), interações medicamentosas pode ser definida como uma resposta farmacológica ou clínica à administração de dois ou mais fármacos que seja diferente da resposta desencadeada por esses fármacos, quando tomados individualmente.

    As interações são classificadas, didaticamente, segundo três critérios: da intensidade dos efeitos, do tempo de latência e dos mecanismos de ação (OGA, 2003).

    A prescrição de dois ou mais medicamentos é prática extremamente comum, sejam esses simultânea ou seqüencialmente administrados. A partir disso, duas conseqüências podem acontecer: indiferentismo farmacológico, quando cada uma das substâncias associadas age independentemente das demais, e interação farmacológica, quando um fármaco interfere com os outros, alterando o efeito esperado. Se a alteração apresentada for qualitativa, a resposta farmacológica é completamente diversa dos efeitos habituais do medicamento; se quantitativa, o efeito próprio do fármaco pode aumentar (sinergia), diminuir ou cessar (PIVATTO JÚNIOR et al., 2009 apud CASTRO 2004).

    A polifarmácia está relacionada ao uso de pelo menos um fármaco desnecessário, num rol de prescrições supostamente necessárias e pode ocasionar: não adesão, reações adversas, erros de medicação, aumento do risco de hospitalização e dos custos com a saúde. A iatrogenia configura o efeito patogênico de um fármaco ou da interação de vários fármacos (LYRA JUNIOR et al., 2006). A presença do registro incompleto do horário de administração também pode favorecer a ocorrência de iatrogênias nos pacientes, uma vez que sobredoses podem ser administradas ou, ao contrário, doses omitidas resultando em ineficiência do tratamento (GIMENES et al., 2009).

    As estimativas de prevalência de interações medicamentosas vão de 3 a 5% entre os pacientes que recebem poucos fármacos, até 20% entre os que recebem de 10 a 20 fármacos. Como a maioria dos pacientes hospitalizados recebe pelo menos 6 fármacos, a dimensão do problema é claramente importante (PIVATTO JÚNIOR et al., 2009). Assim, é de fundamental importâncias que todos os profissionais envolvidos no tratamento do paciente hospitalizado efetue todos os registros pertinentes a farmacoterapia para que seja possível obter maior rastreabilidade nos eventuais problemas que possam vir a decorrer com o paciente.

    Nos Estados Unidos, o custo das doenças relacionadas aos medicamentos triplicou nos últimos anos e ultrapassou os US$ 100 bilhões. (LYRA JUNIOR et al., 2006 apud STRAND, 2004).

    Entretanto, há carência quase absoluta de estudos independentes na área de utilização de medicamentos no país, além da omissão do poder público no tratamento da questão. Ainda segundo Lyra Júnior et al.(2006) esse dado, além de preocupante no que se refere à necessidade de adoção de novas medidas que previnam os agravos à saúde da população, gera reflexos sobre os custos inerentes às ações desenvolvidas no Sistema Único de Saúde (SUS).

    Os profissionais de saúde em cada uma de suas especialidades devem cooperar para o pronto restabelecimento da saúde dos seus pacientes, bem como melhorar seu cuidado global. No caso específico do farmacêutico, este deve utilizar seus conhecimentos e habilidades para propiciar ao paciente um resultado otimizado na utilização de medicamentos (BISSON, 2007).

    O acompanhamento automático das prescrições no hospital reduz a necessidade de o médico memorizar as potenciais interações (NIES; SPIELBERG, 1997). Tal recurso informatizado contribui para a otimização de todo o serviço de assistência no hospital. Assim que o médico prescreve a receita com todos os medicamentos que serão efetuados no tratamento do paciente o farmacêutico ao ter acesso a prescrição na farmácia (via acesso informatizado) é capaz de identificar algum tipo de problema que a prescrição apresentar antes mesmo que ele seja dispensado pela equipe da farmácia.

    Entretanto, considerando a impossibilidade de avaliação de todos os pacientes internados ou atendidos em uma farmácia, sem um sistema informatizado e automático de identificação de Interações Medicamentosas Potenciais, uma estratégia seria o rastreamento por pacientes que apresentam algumas características de risco. Um exemplo dessa abordagem pode ser pacientes com cinco ou mais medicamentos prescritos; pacientes com 60 anos ou mais; medicamentos prescritos com reduzido índice terapêutico, principalmente quando for introduzida, retirada ou alterada dose ou posologia (STORPIRTIS et al., 2008).

    Articulação de meios que proporcionem maior integração entre os profissionais prescritores e dispensadores, tendo como meta o alcance de resultados efetivos e seguros para o paciente (LYRA JUNIOR et al., 2006) devem ser implantados a fim de otimizar o tratamento dos pacientes.

    Está comprovado que o trabalho do farmacêutico aumenta a adesão do paciente aos regimes farmacoterapêuticos, diminui custos nos sistemas de saúde ao monitorar reações adversas e interações medicamentosas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes (BISSON, 2007).

Conclusão

    A farmácia clínica implementada no hospital é essencial para que os pacientes obtenham maior assistência farmacêutica nos cuidados farmacoterapêuticos. Assim, é possível prevenir a ocorrência de problemas como PRM, IM e eventuais RAM de forma sistemática, contínua e documentada que além de otimizar o tratamento do paciente é possível colabora com a farmacoeconomia hospitalar.

    São sugeridos como mecanismos para enfrentamento desses problemas: campanhas internas sobre uso racional de medicamentos, ações de orientação dirigidas a prescritores e restrição do uso por meio de existência de regulamentação específica para solicitação de medicamentos, mediante autorização de comissões intra-hospitalares (CASTRO et al., 2002).

    Contudo, para que esta atividade adquira completamente o resultado proposto de melhorar a qualidade, garantir a eficácia e a segurança do tratamento no paciente hospitalizado é necessário uma interação de forma ampla de toda a equipe multiprofissional.

Referências

  • BISSON, M. P. Farmácia clínica e atenção farmacêutica. 2. ed. Baruerí: Manole, 2007. 371p.

  • CASTRO, M.S; PILGER D.; FERREIRA, M.B.C; KOPITTKE, L. Tendências na utilização de antimicrobianos em um hospital universitário, 1990-1996. Rev. Saúde Pública 2002; 36(5):553-558.

  • CARVALHO J.M.; MAGARINOS, R. T.; OSÓRIO, C.G.S.C. Estudos de utilização de medicamentos em hospitais brasileiros: uma revisão bibliográfica. Rev Bras Farm. 2007; 88(2):77-82.

  • CIPOLLE, R.J.; STRAND, L.M.; MORLEY, P.C. El ejercicio de la atención farmacêutica. Madrid: McGrow-Hill, 1998.

  • COUTINHO, E. S. F.; SILVA, S. D. Uso de medicamentos como fator de risco para fratura grave decorrente de queda em idosos. Cad. Saúde Pública [online]. 2002, vol.18, n.5, pp. 1359-1366.

  • GIMENES, F. R. E. et al. Influência da redação da prescrição médica na administração de medicamentos em horários diferentes do prescrito. Acta paul. enferm. [online]. São Paulo - SP, v. 22, n.4, 2009.

  • LYRA JUNIOR, D.P. de, et al. A farmacoterapia no idoso: revisão sobre a abordagem multiprofissional no controle da hipertensão arterial sistêmica. Rev. Latino-Am. Enfermagem (online), Ribeirão Preto-SP, v.14, n.3, maio - jun 2006.

  • MASTROIANNI, P. de C. et al. Contribuição do uso de medicamentos para a admissão hospitalar. Braz. J. Pharm. Sci. [online]. São Paulo - SP, v.45, n.1, jan.- mar. 2009.

  • NIES, A.S; SPIELBERG, S.P. Princípios da terapêutica. In: HARDMAN, J.G.; LIMBIRD, L.E. (Ed).Goodman & Gilman- as bases farmacológicas da terapêutica. 9 th ed. Rio de Janeiro: McGraw- Hill, 1997. P. 36- 38.

  • OGA, S.Tipos de interações. In: OGA, S.; BASILE, A.C; CARVALHO (ed.) Guia Zanini-Oga de interações medicamentosas. São Paulo: Atheneu Editora São Paulo, 2003.pp9-22.

  • PIVATTO JÚNIOR, F et al. Potenciais interações medicamentosas em prescrições de um hospital - escola de Porto Alegre. Rev. AMRIGS, Porto Alegre, julho - setembro 2009; v.53 n° 3.

  • SEBASTIÃO E.C. Avaliação do cumprimento das exigências legais em ordens médicas em serviço de farmácia hospitalar de Ouro Preto e implicações na qualidade assistencial ao paciente. Rev. Ciênc. Farm 2002, 23(1):71-85.

  • STORPIRTIS, S. et. al.; Farmácia Clínica e Atenção farmacêutica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, v.1, p.202- 222, 2008.

  • TATRO, D.S. Drug interaction facts. St Louis: Facts and Comparisons, 1998. p. XIII- XXVII.

  • TORRES, M.; CASTRO, R.O.; PEPE, C.G.S.; EDAIS, V.L. Atividades da farmácia hospitalar brasileira para com pacientes hospitalizados: uma revisão da literatura. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2007, vol.12, n.4, pp. 973-984. ISSN 1413-8123.

  • UNIVERSIDADE DE GRANADA. Grupo de Investigación en Farmacología Aplicada y farmacoterapia (CTS-259), Grupo de Investigación em Atención Farmacéutica (CTS- 131). Universidad de Sevilla. Grupo de Investigación em farmacología de Productos Naturales (CTS- 164). Segundo Consenso de Granada sobre problemas relacionados com medicamentos. Ars Pharm., Granada, 43, n3/4, p. 175- 184, 2002.

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