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Avaliação da coordenação motora de crianças e 

adolescentes que treinam e que não treinam badminton

Evaluación de la coordinación motora de niños y adolescentes que entrenan o no entrena bádminton

 

*Docente do curso de Educação Física

da Universidade Paranaense - UNIPAR, Toledo, PR

**Doutorando em Educação Física

da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP

***Professora de Educação Física do Serviço Social da Indústria, SESI

****Coordenador Técnico da Associação Toledense

de Atletas em Cadeira de Rodas, ATACAR

Aline Miranda Strapasson*

Dcheimy Janayna Baessa*

Anselmo Athayde Costa e Silva**

Tatiane Pereira***

Fernando Rosch de Faria****

alinemiranda@unipar.br

(Brasil)

 

 

 

 

Resumo

          O presente estudo, caracterizado como descritivo com delineamento transversal, teve como objetivo avaliar a coordenação motora de 47 crianças e adolescentes que treinam (22 alunos) e que não treinam (25 alunos) Badminton na cidade de Toledo – PR. O teste selecionado para a avaliação foi o Teste de Coordenação Motora KTK (GORLA, ARAÚJO; RODRIGUES, 2009). Os resultados obtidos mostraram “Boa Coordenação” (QM entre 116 – 130) dos alunos que participam dos treinos e “Coordenação Normal” (QM entre 86 – 115) dos que não participam dos treinos de Badminton. As crianças e adolescentes avaliadas nesse estudo indicaram que, as que treinam Badminton apresentam maior coordenação do que as que não treinam.

          Unitermos: Badminton. Teste de Coordenação Motora KTK.

 

Abstract

          The current study characterized as a descriptive cross-sectional, had as a goal to evaluate the motor coordination of 47 children and teenagers that train (22 students) and that don’t train (25 students) Badminton in the city of Toledo – PR. The test selected for the evaluation was the motor coordination KTK (GORLA, ARAUJO; RODRIGUES, 2009). The results obtained showed “good coordination” (QM between 116 - 130) from the students that participated in the trainings and “normal coordination” (QM between 86 – 115) from the ones that did not participate in the Badminton trainings. The children and adolescents evaluated in this study indicated that, the ones that trained Badminton show better coordination compared to the ones that did not.

          Keywords: Badminton. Motor coordination KTK test.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 171, Agosto de 2012. http://www.efdeportes.com

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Introdução

    O conceito de coordenação motora, segundo Martinek, Zaichkowsky e Cheffers (1977) é abordado em diferentes âmbitos, contextos e áreas científicas, como: controle motor, aprendizagem motora, desenvolvimento motor, biomecânica, fisiologia, entre outros. De fato, a coordenação motora pode ser analisada segundo três pontos de vista: (1º) biomecânico, dizendo respeito à ordenação dos impulsos de força numa ação motora e a ordenação de acontecimentos em relação a dois ou mais eixos perpendiculares; (2º) fisiológico, relacionando as leis que regulam os processos de contração muscular; (3º) pedagógico, relativo à ligação ordenada das fases de um movimento ou ações parciais e a aprendizagem de novas habilidades. (MARTINEK; ZAICHKOWSKY; CHEFFERS, 1977).

    Para mensurar a coordenação motora, Gorla et al. (2003) evidenciam que o Teste de Coordenação Motora KTK é eficiente dentro dos objetivos a que se propõem. Para os autores, é um instrumento que pode ser utilizado tanto na educação física regular como na adaptada; assim como para delinear programas de educação física, diagnosticar crianças e adolescentes com problemas, verificar o desenvolvimento e a aquisição de habilidades motoras globais.

    O objetivo desse trabalho foi avaliar a coordenação motora de crianças e adolescentes que treinam e que não treinam Badminton na Ação São Vicente de Paulo, em Toledo – PR, através da bateria de Teste de Coordenação Motora KTK. (GORLA; ARAÚJO; RODRIGUES, 2009).

    A referida Instituição atende até 300 crianças e adolescentes, do gênero masculino, na faixa etária de 07 a 17 anos, oriundos da cidade de Toledo, compreendendo seus bairros e distritos. Oferece, através das atividades, proteção, garantia e defesa dos direitos fundamentais à vida, saúde, liberdade, respeito, dignidade, convivência familiar e comunitária, educação, cultura, esporte, lazer e profissionalização. Essa rede de atendimento tem por princípio cumprir e atender às demandas de proteção e promoção vindas e/ou sentidas das crianças e adolescentes do município. (AÇÃO SOCIAL SÃO VICENTE DE PAULO, 2011).

    Espera-se, com esse estudo, que o teste motor escolhido revele que as crianças e adolescentes que praticam Badminton apresentem boa coordenação motora, incentivando professores de Educação Física a trabalhar com este esporte em suas aulas, bem como divulgar a modalidade.

O jogo de badminton e suas regras

    O Badminton é disputado em uma quadra retangular, com 13,40 metros de comprimento por 6,10 metros de largura, dividido por uma rede de 1,55 metros de altura (Ver Figura 1). Cada jogador tem posse de uma raquete e o objetivo do jogo é rebater, por cima da rede, uma pequena peteca. Aquele que deixar a peteca cair dentro do seu lado da quadra ou rebater a peteca para fora da quadra, perde a jogada. (DUARTE, 2000; DUARTE, 2003; ALMANAQUE ABRIL, 2005).

Figura 1. Quadra de Badminton (CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BADMINTON, 2011b).

    Cada partida é disputada em até três games de 21 pontos. Em caso de empate em 20 a 20, o jogo é prolongado para 22 pontos. Caso empate em 21 a 21 o jogo é prolongado para 23 pontos e assim até os 30 pontos máximos. Quem vencer primeiro dois games ganha a partida. (DUARTE, 2000; DUARTE, 2003; ALMANAQUE ABRIL, 2005).

    Os principais golpes e fundamentos utilizados no esporte, de acordo com a Confederação Brasileira de Badminton - CBB (2011a) são: saque, clear, smash, lob, largada, drop e drive.

    O Badminton é jogado nas modalidades: simples masculina, simples feminina, dupla masculina, dupla feminina e dupla mista. (COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO, 2011).

    Entre os esportes praticados com raquete, o Badminton é o mais rápido, com registros de petecas atingindo 300 quilômetros por hora. (DUARTE, 2003; ALMANAQUE ABRIL, 2005).

Metodologia

    Este estudo foi caracterizado como descritivo com delineamento transversal e envolve variáveis que definem a coordenação motora das crianças e adolescentes que treinam e que não treinam Badminton na Ação Social São Vicente de Paulo (Toledo – PR), na faixa etária de 7 a 14 anos.

    Foram avaliados 47 alunos da Ação Social São Vicente de Paulo, todos do gênero masculino, com idade entre 7 a 14 anos.

    Dos 47 alunos avaliados, 22 participam dos treinos de Badminton e 25 não participam, apenas das atividades esportivas oferecidas pela Instituição nas aulas de Educação Física. Essas atividades são divididas em:

    Cada aula tem duração de 1 hora e 10 minutos. Todos os alunos avaliados participam das aulas e os participantes da equipe de Badminton, freqüentam os treinos nas segundas e quartas-feiras (sendo 2 horas de treino por dia).

    Para concretizar os objetivos propostos neste trabalho, utilizamos como instrumento de coleta de dados, o Teste de Coordenação Motora KTK (GORLA; ARAÚJO; RODRIGUES, 2009), que é composto por 4 provas distintas: Trave de Equilíbrio (EQ), Saltos Monopedais (SM), Saltos Laterais (SL) e Transferências sobre Plataformas (TP).

    Os objetivos das provas são: 1. Trave de Equilíbrio: estabilidade do equilíbrio em marcha para trás sobre a trave. 2. Saltos Monopedais: coordenação dos membros inferiores; energia dinâmica/força. 3. Saltos Laterais: velocidade em saltos alternados. 4. Transferências sobre Plataformas: lateralidade e estruturação espaço-temporal (GORLA; ARAÚJO; RODRIGUES, 2009).

    Kiphard e Schiling (1974, in GORLA; ARAÚJO; RODRIGUES, 2009) citam que as quatro provas do KTK visam a caracterização da coordenação motora total e o domínio corporal.

Descrição dos procedimentos (coleta de dados e planejamento)

    O Teste KTK foi realizado no ginásio de esportes da Ação São Vicente de Paulo, no dia 25 de fevereiro de 2010, por 6 avaliadores, sendo 3 professores de Educação Física e 3 acadêmicos, todos da Universidade Paranaense – UNIPAR Toledo-PR, após o contato com a direção da Escola e autorização dos pais.

    Os equipamentos necessários para a execução do teste foram (Ver Figura 2).

Figura 2. Kit KTK. (http://www.efadaptada.com.br/ktk.html)

Tratamento estatístico

    Para apresentação dos resultados utilizar-se-á da estatística descritiva: média, desvio padrão, mediana, amplitude interquartil, mínimo e máximo. A normalidade dos dados será analisada por meio de gráficos e dos coeficientes de assimetria e curtose. A comparação entre o grupo de praticantes da modalidade e o grupo controle foi feita através do teste t para amostras independentes. O nível de significância adotado será de p ≤ 0,05. Os dados serão tratados através do pacote estatístico SPSS 10.0 para Windows.

Resultados e discussão

    O Teste de coordenação motora KTK possibilita três tipos de análise, entre elas: o quoeficiente motor (QM) de cada tarefa, o somatório dos quoeficientes motores das quatro tarefas (QM4), ou ainda o quoeficiente motor total, onde são classificados os níveis de coordenação motora, divididos em: Insuficiência na coordenação, Perturbação na coordenação; Coordenação normal, Boa coordenação e Muito boa coordenação (GORLA; ARAÚJO; RODRIGUES, 2009).

    Os resultados obtidos através do Teste KTK realizado em nossa pesquisa serão apresentados abaixo.

    A primeira tarefa do Teste (Trave de equilíbrio) executada demonstra que houve diferença entre os resultados dos alunos avaliados dos grupos 1 e 2 (grupo 1: os que treinam Badminton e grupo 2: os que não treinam) embora a diferença não tenha sido significativa (ver quadro 1).

Quadro 1. Tarefa 1 – Trave de equilíbrio

    A segunda tarefa do Teste KTK (Saltos monopedais) mostra que houve diferença entre os resultados dos avaliados, embora a diferença também não tenha sido significativa (ver quadro 2).

Quadro 2. Tarefa 2 – Saltos monopedais

    A terceira tarefa do teste (Saltos laterais) evidencia uma diferença significativa entre os resultados dos avaliados (ver quadro 3 e gráfico 1).

Quadro 3. Tarefa 3 – Saltos laterais

    Lopes (1997), também apresentaram, no estudo intitulado “Efeitos do ensino no desenvolvimento da capacidade de coordenação corporal em crianças de oito anos de idade” um maior efeito sobre a melhoria do item saltos laterais.

    Em nosso estudo, essa diferença pode estar associada aos constantes deslocamentos laterais que o Badminton proporciona durante os treinos e os jogos. Em relação ao estudo de Lopes (1997) que optaram pelo basquetebol, o esporte também necessita de deslocamentos laterais constantes.

    A quarta tarefa do teste (Transferência de plataforma) demonstra que houve diferença entre os resultados dos alunos avaliados, mas a diferença não foi significativa (ver quadro 4).

Quadro 4. Tarefa 4 – Transferência de plataforma:

    Após somar os 4 QMs (quocientes motores) e comparar os dados com a tabela de classificação do Teste de Coordenação Corporal KTK (GORLA; ARAÚJO; RODRIGUES, 2009), constatamos, apesar de não ter ocorrido diferenças significativas entre as Tarefas 1, 2 e 4, apenas na 3, que os alunos que treinam Badminton apresentaram “Boa Coordenação” (QM entre 116 – 130) e os que não treinam apresentaram “Coordenação Normal” (QM entre 86 – 115) (ver quadros 5 e 6), demonstrando que os que participam do treinos são mais coordenados que os que não participam.

Quadro 5. Somatória dos QMs

 

Quadro 6. Tabela de Classificação do Teste de Coordenação Motora KTK

    Um estudo realizado por Borella, Schneider e Storch (2010) avaliou e comparou a coordenação motora de crianças do meio rural (15 meninos) e do meio urbano (15 meninos), cita que os meninos do meio rural tiveram níveis superiores de coordenação motora em todas as tarefas em relação aos meninos do meio urbano, beneficiando o meio rural.

    Tal motivo deve-se ao fato dos alunos do meio rural possuírem uma vivência diferenciada das crianças do meio urbano, e, por conseguinte, refletindo em diferenças nos níveis de coordenação motora (BORELLA; SCHNEIDER; STORCH, 2010).

    Ramos e Menon (2011) realizaram um estudo que buscou analisar o índice de coordenação motora de 30 adolescentes do sexo masculino com 12 a 14 anos de idade, praticantes de futsal. A bateria de testes utilizada foi o KTK, na qual se constatou que 50% das crianças possuíam quociente motor (QM) de Coordenação Normal, 33,33% Boa Coordenação 5% Alta Coordenação e 0% Perturbações e Insuficiência da coordenação.

    Outro estudo realizado por Santos et al (2011), testou o KTK para verificar a coordenação motora de crianças que praticam (G1) e que não praticam (G2) natação. Alguns dos resultados encontrados em relação à amostra avaliada foram: a) a maior parte da amostra (75%) encontra-se com Coordenação Normal; b) ao comparar os dois grupos, não foi encontrada diferença estatisticamente significativa (p<0.05), ainda que o G1 tenha obtido um valor médio de Quociente Motor (QM) superior ao G2; c) não foi encontrada diferença estatisticamente significativa (p<0.05) entre o grupo G1 e G2, apesar das crianças do G1 com idades de 6, 9 e 10 anos terem obtido médias maiores que o G2; d) os resultados obtidos pelos dois grupos, nas quatro provas do KTK, demonstram, mesmo não sendo estatisticamente significativos (p<0.05), que as crianças do G1 encontram-se com as capacidades coordenativas - velocidade (Saltos Laterais), coordenação dos membros inferiores, energia dinâmica e força (Saltos Monopedais), lateralidade e estruturação espaço temporal (Transferência de Plataforma) - melhor desenvolvidas do que o G2, o qual encontra-se apenas com a capacidade coordenativa - equilíbrio (Trave de Equilíbrio) - melhor desenvolvida. (SANTOS; et al, 2011).

    Como limitação do estudo não encontramos pesquisas que relacionassem a prática desse esporte com o desenvolvimento da coordenação motora em crianças e adolescentes. Nesse sentido, não nos foi possível realizar uma discussão a respeito dos resultados estatísticos encontrados entre os grupos 1 e 2.

Conclusão

    Concluímos que as crianças e adolescentes avaliadas nesse estudo mostraram que, as que treinam Badminton são mais coordenadas do que as que não treinam.

    Os resultados apresentados mostram “Boa Coordenação” (QM entre 116 – 130) para os que participam dos treinos e “Coordenação Normal” (QM entre 86 – 115) para os que não participam dos treinos. Cabe lembrar que os dois grupos participam das atividades de Educação Física propostas pelos professores da Ação Social São Vicente de Paulo (descrita no item 3.2).

    A “Coordenação Normal” e a “Boa Coordenação” dos alunos avaliados podem estar associadas ao fato das aulas de Educação Física serem constituídas por uma maior variedade de atividades, o que segundo Hirtz e Holtz (1987) e Hirtz e Schielke (1986) é um pressuposto essencial para o treino das capacidades coordenativas.

    Segundo Gorla e Araújo (2007) o bom desempenho motor trás melhora nos resultados escolares das crianças e adolescentes e proporcionam melhoria na aceitação social das mesmas. Com boa coordenação motora a criança e o adolescente têm um melhor desempenho das suas atividades diárias, tornando-a mais confiante e com a auto-estima mais elevada.

    Para Gallahue e Ozmun (2005), é na escola que as crianças podem viver experiências que darão base para um desenvolvimento saudável durante o resto de sua vida.

    Portanto, cabe à Educação Física Escolar fomentar hábitos e motivar à prática de atividade física para que a coordenação motora das crianças evolua significativamente.

    Por fim, verifica-se que a bateria de Testes KTK mostrou-se de grande utilidade como instrumento de avaliação da coordenação motora para a Educação Física Escolar e para o Desporto.

Referências bibliográficas

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