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O lúdico no processo de ensino e aprendizagem
de crianças da 1ª a 4ª série

Lo lúdico en el proceso de enseñanza y aprendizaje de niños de 1º a 4º grado

 

Estudante do Curso de Psicologia, Universidade Federal de Rondônia

Centro de Estudos de Esporte e Lazer (CEELA-UNIR)

(Brasil)

Yesica Núñez Cárdenas

rnunezcardenas@yahoo.com.br

 

 

 

 

Resumo

          O presente artigo é a apresentação de um estudo bibliográfico sobre a importância do lúdico no processo de ensino e aprendizagem de crianças da 1ª a 4ª série e sua contribuição para a aprendizagem das mesmas no ensino fundamental. Este trabalho tem como objetivo mostrar conceitos e análises realizados por alguns estudiosos e pesquisadores sobre o referente assunto (Valdinéa Rodrigues de Souza, Periódico Capes, 2010, livros: João Serapião de Aguiar, 1998, Carlos Antonio dos Santos), de estrema importância para a vida de uma criança e para o desenvolvimento psicomotor e cognitivo da mesma, foram abordados temas como: O Lúdico, Ensino e Aprendizagem, A utilização do lúdico no processo de ensino e aprendizagem.

          Unitermos: Lúdico. Ensino e aprendizagem. Crianças.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 16, Nº 165, Febrero de 2012. http://www.efdeportes.com/

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1.     Introdução

    A definição de lúdico, jogo foi definido de várias formas durante muitos anos por pesquisadores e estudiosos, tais como Piaget, Vygotsky, Friedmann (1996) e Dohme (2002), Valle (2005), Levisky (2006), cada um denominando e conceituando sua prática e sua importância de acordo com as suas linhas de estudos e de pensamentos.

    Com base em suas idéias podemos dizer em geral que o Lúdico não é apenas uma brincadeira, mas sim a liberdade de expressão física e emocional, é a abertura para novos conhecimentos. Viver ludicamente significa uma forma de descoberta do mundo, indica que não apenas estamos inseridos nele, mas, sobretudo, que somos parte de todo seu conhecimento prático e que essas reflexões são as nossas ferramentas para compreendê-lo e interagir com ele.

    À medida que a criança cresce é por meio da brincadeira que ela se comunica com o outro e aprende a se relacionar, é através das brincadeiras e da relação com o brinquedo que ela expressa seus sentimentos, por isto podemos dizer que eles são o elemento transmissor e dinamizador de costumes e condutas destas.

    Para a elaboração de um conhecimento, precisa-se de uma relação entre o sujeito com o objeto estudado além de certa formação de conceitos cognitivos e ligações adquiridas com o mundo físico, isto é a elaboração de relações cada vez mais totalizantes. Para o ensino e a aprendizagem Vygotsky traça um paralelo entre o brinquedo e a instrução escolar, onde de esta forma a criança elabora habilidades e conhecimentos socialmente disponíveis que passará a internalizar. Para que ocorra o processo de ensino e aprendizagem de conhecimento que lhe será passado a uma criança é preciso que haja uma elaboração explícita e sintética do conhecimento para que ocorra a aprendizagem, portanto o educando terá que fazer uma síntese, ou seja, uma análise do seu conhecimento adquirido em sala de aula para a construção do conhecimento que será transmitido. Portanto a atuação do professor deve estar voltada para a utilização de metodologias que facilitem aos seus aprendizes a aquisição de uma estrutura cognitiva adequada, onde os conceitos mais amplos das diversas áreas do conhecimento sejam claramente estabelecidos.

    Especificamente as crianças de 1ª a 4ª série passam por um período algo conturbado, já que é uma face de transição da pré-escola para o ensino fundamental, aonde estes irão novos aprendizados e objetivos diferentes. O ensino de 1ª a 4ª série, ensino fundamental ou series iniciais do ensino fundamental é um ensino obrigatório no Brasil, que compreende crianças de 6 e 14 anos.Essa etapa chamada de educação básica deve desenvolver a capacidade do aluno a aprender a ler, escrever e fazer cálculos, por isto é obrigatória no Brasil, pois é onde se inicia a alfabetização da criança.

    Ao modo em que esse processo professor-aluno deve ser trabalhado em conjunto, já que se nessa face de transição da criança de um espaço educativo a outro (ensino infantil á ensino fundamental) não for tratada de forma correta podem provocar perturbações emocionais e dificuldades cognitivas e de relacionamento com os sujeitos ao seu redor.

Metodologia

    O referente artigo bibliográfico, que consiste na busca de uma problematizacão de pesquisas a partir de referencias publicadas, analisando e discutindo as contribuições culturais e cientificas. Esta fornece ao pesquisador uma bagagem teórica, de conhecimento, e o treinamento cientifico que habilitam a produção de trabalhos originais, pertinentes e de uma boa base argumentativa. A partir disso foram utilizados na produção deste artigo, revistas e artigos científicos (revista, períodicos Capes e Scielo e livros), foram utilizadas algumas referencias de autores como Juan Antonio Moreno Murcia, Carlos Antonio dos Santos, João Serapião de Aguiar, Celso dos S. Vasconcellos.

1.     Lúdico

    O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. (ALMEIDA).

    [...] Como a realidade do jogo ultrapassa a esfera da vida humana, é impossível que tenha seu fundamento em qualquer elemento racional, pois nesse caso, limitar-se-ia à humanidade. A existência do jogo não está ligada a qualquer grau determinado de civilização, ou a qualquer concepção do universo. Todo ser pensante é capaz de entender à primeira vista que o jogo possui uma realidade autônoma, mesmo que sua língua não possua um termo geral capaz de defini-lo. A existência do jogo é inegável.(Johan Huizinga, 2000, pág. 6 a 7)

    O Lúdico mais que jogo é uma prática e reprodução do saber humano. Este contribui para um melhor desenvolvimento social e individual, essenciais para a aquisição da formação de conceitos. Na criança ajuda no desenvolvimento psíquico, psicomotor e cognitivo, já que ela pode através deste, conhecer melhor o mundo e interagir com ele, noção de espaço, distância, aprender a se relacionar, entre tantos outros são resultados desse conhecimento.

    [...] O jogo simbólico é a representação corporal do imaginário, e apesar de nele predominar a fantasia, a atividade psicomotora exercida acaba por prender a criança à realidade. Na sua imaginação ela pode modificar sua vontade, usando o "faz de conta", mas quando expressa corporalmente as atividades, ela precisa respeitar a realidade concreta e as relações do mundo real. (Piaget, 1962 e 1976, pág. 37)

    A arte de brincar é uma forma de prazer e descoberta da criança, é uma forma que ela tem de expressar seus sentimentos e de novas descobertas, é a abertura da idéia de um princípio de que o mundo lhe pertence somente aos adultos. No entanto para Piaget, o jogo não era apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar as energias das crianças, mas sim meios que enriquecem e desenvolvem o intelecto delas.

    De acordo com Piaget (1975), o jogo passa a adquirir regras mais elaboradas através da socialização da criança; influenciando no desenvolvimento de suas atividades mentais de simbolização e, conseqüentemente, no processo de aprendizagem.

    Para Vygotsky (1991), o jogo é um fator fundamental para o desenvolvimento infantil, pois pela ludicidade a criança opera, trabalha as Zonas de Desenvolvimento Proximal, e aprende a agir.

2.     Ensino e aprendizagem

    Desde o ponto de vista em que processo de ensino – aprendizagem tem sido caracterizada de formas diferentes que vão desde a ênfase no papel do professor como transmissor de conhecimento, até as concepções que concebem o processo de ensino-aprendizagem com um todo integrado que destaca o papel do educando e como autor deste papel cabe a ele contribuir no processo de desenvolvimento cognitivo das diferentes áreas do conhecimento humano, trabalhando conteúdos pedagogicamente bem adaptados e elaborados para que os alunos consigam com mais facilidade adquirir os conhecimentos. Para isto Ausubel (1976, pág. 18) diz:

    No ensino formal, a atuação do professor deverá estar primordialmente voltada para a utilização de metodologias que facilitem, nos seus aprendizes, a aquisição de uma estrutura cognitiva adequada, na qual os conceitos mais amplos das diversas áreas do conhecimento estejam claramente estabelecidos.

    Um das formas de facilitar esse conhecimento nas crianças é colocando-se no lugar delas e entender seu mundo para assim conseguir da maneira adequada passar o conhecimento que lhe é correspondido. È importante ressaltar que depende muito da criatividade do instrutor criar alternativas de ensino para que as aulas sejam desejadas e não obrigadas, se tornando mais atraente, divertida, interessante e significativa tanto para eles como para os alunos.

    Para Vygotsky a formação de conceitos não se inicia na escola, mas, muito antes, nas experiências da criança no mundo físico e social, cabendo ao ensino formal a importante missão de proporcionar condições para desenvolver na criança o processo de percepção generalizante.

    Entretanto para que ocorra aprendizagem significativa é necessário que haja um relacionamento entre o conhecimento a ser aprendido e aquilo que o aprendiz já sabe, juntamente com uma coerência e seqüência, para melhor abstração do conhecimento.

3.     A utilização do lúdico no processo de ensino e aprendizagem

    Considerando que as atividades lúdicas podem contribuir para o desenvolvimento intelectual e psicomotor das crianças, Cratty (1975) sugere a utilização de atividades motoras sub à forma de jogos para o domínio de conceitos e para o desenvolvimento de algumas capacidades psicológicas, tais como: memória, avaliação e resolução de problemas.

    [...] A atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável á prática educativa. O jogo é, portanto, sob suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação do real á atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. (Piaget, 1962 e 1976, pág. 37)

    O jogo educativo é proposto pelo adulto como uma intenção dirigida, seletivamente, para um ou vários fatores citados no terreno afetivo, cognitivo, social ou motor; preparação para a vida pessoal e social (Bandet e Abbadie, 1983; Decroly e Monchamp, 1986). Podemos dizer então que o jogo como meio educativo funciona porque, além de provocar prazer e satisfação aos jogadores, deixam uma marca que se acumula em forma de sentimentos, que os participantes vão assimilando e que um dia serão úteis.

    O jogo pode servir como estratégia metodológica já que si usado habitualmente ajuda a desenvolver atitudes e hábitos baseados na solidariedade, na tolerância, no respeito e da aceitação das normas de convivência social.

    Uma pesquisa realizada em outubro do ano passado por pesquisadores sobre a ludicidade no âmbito biopsicossocial constatou que 56,25% dos pais preferem que seus filhos brinquem de jogos, brinquedos industrializados5 e educativos, 24% não têm nenhuma preferência e o restante (19,75%) deixa livre a escolha dos filhos. Os jogos educativos aparecem na opção de 18% das crianças investigadas. Por sua vez, a maioria das crianças (37,5%) citou como seu brinquedo favorito a bicicleta, enquanto que 19,5% das crianças preferem brinquedos e brincadeiras que elas mesmas criam.

    Com relação às brincadeiras livres, 37,5% dos pais relataram que elas aparecem ao brincarem com os filhos em momentos de descontração. Porém, 81,25% das crianças citaram as brincadeiras livres como as que eles mais gostam de brincar no dia-a-dia, com os amigos, irmãos e primos. Já na escola, 87,5% das crianças disseram que gostam de brincar de brincadeiras livres com os amigos e de participar de atividades lúdicas como jogos, teatro, cantinho da leitura, natureza em ação dentre outros. Esses dados foram confirmados através de observação direta das crianças, tanto em sala de aula, quanto em recreios livres e dirigidos.

    Os dados socioeconômicos da pesquisa também revelaram que 41,25% das mães possuem o Ensino Fundamental incompleto, 15% Ensino Fundamental completo, 25% Ensino Médio completo e 18,75%, Ensino Superior completo. A maioria das mães são donas-de-casa ou domésticas. Do mesmo modo, os dados obtidos dos pais mostraram que 43,5% possuem Ensino Fundamental incompleto, 25% Ensino Fundamental completo, 18,75% Ensino Médio, e 12,75% Ensino Superior. Todos os pais trabalham fora em empregos fixos com uma renda de 2 a 3 salários mínimos.

    Apesar de a maioria das famílias apresentarem grau de instrução baixo, 81,25% dos pais disseram que ajudam seus filhos nas atividades escolares, demonstrando interesse em participar ativamente da vida escolar do educando.Constataram também que 68,75% dos entrevistados na pesquisa têm casa própria e a maioria das famílias tem apenas dois filhos.

    Nesta pesquisa os pais informam que, além de aproveitarem a oportunidade de estarem junto aos filhos, estes momentos são significativos para estreitar laços, saber sobre o filho e para conversar com eles. No entanto, 75% dos educandos revelam que preferem brincar com os amigos, primos e irmãos ao invés de brincar com os adultos. De acordo com Alves (2001), a participação do adulto nos momentos lúdicos de uma criança pode propiciar as trocas entre gerações e a aprendizagem da construção de jogos e brinquedos populares; possibilitando a formação dos valores culturais do educando.

Considerações finais

    Através da teoria fundamentada nos livros, periódico científico, juntamente com a análise dos mesmos, foi possível estabelecer algumas considerações.

    Brincando, a criança se prepara para o futuro, aprendem espontaneamente, sem estresse ou medo de errar, mas com prazer pela aquisição do conhecimento e pelo prazer do próprio ato de brincar.

    O ato de brincar também é importante já que estimula a auto-estima do educando, que como papel de mediador precisa ter um olhar mais aguçado e interessado, fundamental para garantir o enriquecimento das brincadeiras, bem como a utilização das mesmas como ferramenta principal para o desenvolvimento biológico, psicológico, social, da linguagem, das relações sociais, dos fatores cognitivos, afetivos, intelectuais e emocionais, legitimando o ato de brincar, como fator essencial nesta fase da vida e principalmente para o desenvolvimento humano.

    Além disso, as situações lúdicas possibilitam o desenvolvimento da curiosidade, criatividade e autonomia, fundamentais para a maturidade emocional e o equilíbrio entre o psíquico e o mental.

    Outro fator importante para o desenvolvimento psicossocial da mesma e que merece ser destacado é a participação da família no cotidiano escolar e nos momentos de brincar da criança, permitindo a adaptação desta ao ambiente no qual está inserida, abrindo de certa forma um “leque” para que seus filhos aprendam a se relacionar com o mundo em que vivem.

    O lúdico é sua função terapêutica, pois através do brincar a criança libera suas angústias, medos, stress, possibilitando maior contato social entre o grupo, e experiências significativas entre os sujeitos, visto que estas se sentem mais seguras e estimuladas para explorar e construir uma aprendizagem mais significativa no ambiente escolar, pois sentem prazer em “descobrir o conhecimento” brincando.

Referencias bibliográfica

  • ANTONIO DOS SANTOS, Carlos. Jogos e Atividades Lúdicas na Alfabetização. 1ª. ed. Rio de Janeiro: SPRINT, 1998.

  • HUIZINGA, JOHAN. Homo Ludens. 4ª ed, São Paulo: Perspectiva, 2000.

  • MORENO MURCIA, Juan Antonio. Aprendizagem Através do Jogo. 1ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.

  • RODRIGUES DE SOUZA, VALDINÉIA; SOARES, LIDEANE. O Lúdico como Possibilidade de Intervenção no Desenvolvimento Biopsicossocial da Criança no paço Escolar. Periódico Capes. São Paulo, v.7, n.2, p. 1-8, out 2010.

  • SANTOS VASCONCELLOS, Celso. Construção do Conhecimento em Sala de Aula. 13ª. ed. São Paulo: Liberdade, 2002.

  • SERAPIÃO DE AGUIAR, João. Jogos para o ensino e conceitos, Leitura e escrita na pré-escola. 1ª ed. Campinas, SP: Papirus, 1998.

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