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A motivação de adultos para a prática da natação

La motivación de los adultos para la práctica de la natación

 

*Professora Mestre do Curso de Graduação

em Educação Física Bacharelado da UFTM

**Graduandas em Educação Física Bacharelado pela UFTM

***Mestranda em Educação Física na USP

UFTM – Universidade Federal do Triângulo Mineiro

USP – Universidade de São Paulo

Aline Dessupoio Chaves*

Natália Papacidero Magrin**

Priscila Lucas Barbosa**

Maressa D’Paula Gonçalves Rosa Nogueira***

alinedessupoio@ig.com.br

(Brasil)

 

 

 

 

Resumo

          A prática esportiva na atualidade tem se apresentado como um dos maiores fenômenos sociais, com um elevado número de praticantes em diferentes faixas etárias, inclusive entre os adultos. Partindo do principio que esta prática esportiva apresenta influências no desenvolvimento social, de capacidades físicas, na manutenção da saúde e no fortalecimento do caráter deste praticante o trabalho busca investigar quais as razões que motivam adultos a praticarem à natação. Para isto foi aplicado o “Questionário de Motivação para as Atividades Desportivas” (QMAD), a uma amostra de 65 praticantes de natação vinculados a algumas instituições de Uberaba-MG. Analisados a partir do software SPSS 17.0, por análise descritiva, e os resultados apresentados por porcentagem de freqüência de respostas. Os resultados demonstraram uma grande prevalência em respostas comuns para homens e mulher, quanto ao nível de importância para aquela variável sendo que a motivação para a prática da natação em ambos os sexos esta relacionada ao aspecto social, a saúde, ao lazer e a questão de superação.

          Unitermos: Natação. Motivação. Prática esportiva.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 16, Nº 160, Septiembre de 2011. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    A prática esportiva pode ser considerada um dos maiores fenômenos sociais do mundo contemporâneo. Em geral, o esporte, impõe formas de extrema complexidade, tanto no que determina a estrutura da realização esportiva, como no que diz respeito à estrutura da preparação esportiva. Por esta razão, é de suma importância que o professor/treinador saiba os motivos pelos quais o aluno se dedica a esta prática (ANDRADE et al, 2006).

    Existe um elevado número de pessoas que se envolvem na prática de modalidades esportivas, por razões essencialmente sociais: para promoverem as suas relações interpessoais e para melhorarem a sua aparência física, e assim sua auto-estima.

    Portanto podemos dizer que a prática de atividades esportivas tem o potencial de contribuir para a formação e o desenvolvimento da personalidade, para o desenvolvimento global da condição física, conservação da saúde e o fortalecimento do caráter do praticante. Visa também desenvolver capacidades físicas específicas de cada modalidade, a aprendizagem da técnica, da táctica e dos métodos de treino. Assim como, a educação no plano moral, de modo à regular os seus hábitos, sentimentos e convicções de acordo com os valores morais institucionalizados.

    A atividade esportiva oferece assim, excelentes oportunidades para enfrentar desafios, para por à prova competências, desenvolver novas habilidades, planificar metas a atingir que foram auto-determinadas e participar em atividades variadas e complexas.

    A prática desportiva, de início, é normalmente entendida como um prazer, que à medida que evolui acarreta várias emoções, tanto positivas como negativas, uma vez que o esporte permite que os jovens praticantes usufruam de oportunidades de auto-expressão, de esforços em busca de objetivos, de auto-realização e prazer.

    Contudo, se prestarmos um olhar mais atento, poderemos indagar acerca dos fatores que levam os jovens a participar sistematicamente durante várias horas, vários dias, com gosto e na maior parte das vezes com grande entusiasmo em treinos, estágios e competições inerentes a modalidade de Natação.

    Concordando com Alves, Brito & Serpa (1996), consideramos que o trabalho do treinador, para que seja adequado e revele competência, deve ter em consideração o conjunto de características que os seus atletas apresentam no que diz respeito às motivações por eles apresentadas na prática da modalidade, neste caso a Natação.

    O tema da motivação é um dos temas mais abordados na Psicologia, também na Psicologia do Esporte tem-se investigado de modo pertinente os aspectos motivacionais da prática esportiva, tanto em relação ao esporte de competição como do esporte de recreação e lazer, em jovens e adultos.

    Banyard & Hayes (1994), defendem que o termo motivação refere-se a fatores que conduzem ou estimulam os seres humanos em particular, e todos os seres vivos em geral, a uma ação ou à inércia.

    Para Lazaro & Santos (2002), a compreensão da motivação no esporte torna-se importante no momento em que entendemos a motivação como um processo para despertar a ação ou sustentar o exercício. Segundo estes autores, a motivação é um conceito que se invoca com bastante frequência procurando justificar as variações de determinados comportamentos, sendo assim importante para a compreensão do comportamento humano, com o objetivo de suprir essa necessidade.

    Como referem Weinberg & Gould (1995), a motivação é um conceito geral utilizado para compreender o complexo processo que coordena e dirige a direção e intensidade do esforço dos indivíduos.

    Já Brito (1994), referia que a importância do estudo da motivação adivinha da necessidade em explicar e analisar os motivos que geram determinadas ações, perceber porque é que variam e se prolongam, ou não, no tempo.

    Motivação refere-se a fatores e a todo o processo que pode levar um indivíduo a realização de uma ação ou ficar inerte nas diferentes situações. Isto é, pode referir-se a motivos pelos quais o indivíduo opta por fazer algo, executando uma tarefa com maior empenho que outra (CRATTY, 1984).

    A motivação aparece assim ligada ao comportamento dos indivíduos, sendo considerada como uma causa determinante e condicionante do seu grau de eficácia e execução da tarefa. Torna-se, portanto pertinente diferenciar motivação intrínseca, motivação extrínseca e a motivação.

    Mota (1997) refere-se à motivação intrínseca como sendo experiências de competência e interesse/prazer. Esta fonte de motivação deve sobrepor-se a necessidades satisfeitas por reforços externos, visando à obtenção de recompensas ou tirar dividendos que estão separados do comportamento em si – motivações extrínsecas.

    Na opinião de Cruz (1996), na motivação extrínseca dá-se mais importância a recompensas extrínsecas, a motivação vem de outras pessoas ou fatores externos, sob a forma de reforços positivos e negativos, enquanto que os indivíduos que participam por razões intrínsecas, são intrinsecamente motivados para serem competentes e para aprenderem novas competências, gostam de competição, ação ou excitação e que também querem divertir-se e aprender o máximo possível.

    Por último, a amotinação corresponde a uma falta de intencionalidade e uma relativa ausência de motivação, pelo qual seria diferente das motivações intrínsecas e extrínsecas. Lazaro e Santos (2002), citando Deci & Ryan (1985), utilizam o termo amotinação, termo muito similar ao de learned helplessness, para indivíduos que não percebem as contingências entre as suas ações e o resultado das suas prestações, revelando sentimentos de incompetência e falta de controle.

    Existem duas dimensões envolvidas no processo de motivação, segundo Weinberg & Gould (1995); Cratty (1984); Alves et al. (1996); Rodrigues (1985) e Martens (1987) apud Costa (1998): a direção – relaciona-se com a escolha da atividade através da qual o indivíduo pretende atingir determinados objetivos; a intensidade – diz respeito ao maior ou menor esforço empregue nessa atividade por parte do indivíduo, visando à realização dos objetivos estipulados.

    Halliwell (1981); Singer, (1984) citados por Cruz, (1996) apoiados por Brito (1994) relatam ainda outra dimensão neste processo: a persistência, que se relaciona com a permanência ou não na atividade escolhida.

    As teorias de motivação são vistas, como um alinhamento contínuo do mecânico para o cognitivo de acordo com Roberts (1993), ou seja, segundo as teorias mecanicistas, o ser humano é um ser passivo em que a sua motivação é conduzida por correntes da psicologia. À luz das teorias cognitivas o ser humano é um ser ativo, o qual inicia a sua ação através de interpretações subjetivas dos contextos específicos de comportamentos que permitam a obtenção do sucesso. Portanto, o indivíduo observa e analisa, tendo como referência os seus conhecimentos e experiência adquirida e, a partir deste ponto, inicia a sua atividade.

Objetivo

  • Investigar o que motiva os adultos a praticarem a natação.

Materiais e métodos

Amostra

    O presente estudo foi realizado com uma amostra de 65 praticantes de natação, com idade acima de 25 anos, de ambos os sexos, vinculados a algumas instituições de Uberaba - MG.

Instrumento

    O instrumento de pesquisa utilizado foi o “Questionário de Motivação para as Atividades Desportivas” (QMAD) com o objetivo de avaliar a motivação para a prática da natação.

    O QMAD foi traduzido e adaptado do Participation Motivation Questioner – PMQ (Gill et al., 1983) traduzido e adaptado por Serpa e Frias (1991). Este instrumento é formado por 30 itens, agrupados em 6 fatores, sendo o fator 1 – Realização/Estatuto; fator 2 – Objetivos Esportivos; fator 3 – Orientação para o Grupo; fator 4 – excitação; fator 5 – Divertimento; e fator 6 – Influência Social.

    As respostas são dadas em escala tipo Likert, representando o 1 – nada importante, 2 - pouco importante, 3 – importante, 4- muito importante e 5 – totalmente importante.

Coleta de dados

    A coleta foi realizada nas instituições que oferecem natação para adultos em Uberaba - MG.

Tratamento estatístico

    Os dados coletados foram analisados por meio do pacote estatístico SPSS 17.0 (Statistical Package of Social Sciences for Windows), utilizando análise descritiva, e os resultados apresentados por porcentagem de freqüência de respostas.

Resultados

    Os resultados demonstraram que em alguns itens, homens e mulheres, apresentaram a mesma opinião, como nada importante os motivos em comum foram: 5 - ‘viajar’ (35,38%); 14 - ‘receber prêmios’ (33,84%); 19 - ‘pretexto para sair de casa’ (55,38%); 20 - ‘entrar em competição’ (41,53%); 28 - ‘ser reconhecido e ter prestígio’ (35,38%), como está demonstrada na Figura 1.

Figura 1. Motivos nada importantes para a prática da natação

    Em relação ao que foi considerado pouco importante foi apenas o 20 - ‘ganhar’ (30,76%); enquanto os motivos importantes: 1 - ‘melhorar as capacidades técnicas’ (40%); 2 – ‘estar com os amigos’ (30,76%); 7 - ‘ter emoções fortes’ (29,23%); 10 - ‘aprender novas técnicas’ (36,92%); 11 - ‘fazer novas amizades’ (41,53%); 17 - ‘ter atitude’ (35,38%); 18 - ‘espírito de equipe’ (32,30%); 21 - ‘ter a sensação de ser importante’ (29,23%); 22 - ‘pertencer a um grupo’ (41,53%); 23 - ‘atingir um nível esportivo mais elevado’ (33,84%); e 26 - ‘ultrapassar desafios’ (43,07%), demonstrado na Figura 2.

Figura 2. Motivos importantes para a prática da natação

    Como motivo muito importante, encontramos: 4 - ‘descarregar energias’ (40%); 6 – ‘manter a forma’ (40%); 8 - ‘trabalhar em equipe’ (30,76%); e 12 - ‘fazer alguma coisa em que se é bom’ (33,84%). O único motivo considerado totalmente importante foi 24 - ‘estar em boa condição física’ (40%).

    Os motivos que tiveram divergências entre homens e mulheres foram: 9 -‘influência da família ou amigos’; 13 - ‘liberar a tensão’; 15 - ‘fazer exercício’; 16 - ‘ter alguma coisa pra fazer’; 25 - ‘ser conhecido’; 27 - ‘influência dos treinadores’; 29 - ‘divertimento’; 30 - ‘prazer na utilização das instalações e material esportivo’.

Conclusão

    Através dos resultados podemos perceber que a motivação de nadadores adultos parece estar relacionada ao aspecto social, a saúde, ao lazer e a questão de superação. Podemos perceber que este tipo de atividade física pode trazer inúmeros benefícios aos praticantes incrementando também aspectos na qualidade de vida. Diante destes resultados acreditamos contribuir para uma eficaz organização e intervenção dos profissionais da área, pois conhecendo as necessidades dos praticantes podemos tentar reduzir o nível de abandono, aumentando qualitativa e quantitativamente o nível de envolvimento destes.

Referências bibliográficas

  • ALVES, J., BRITO, A. e SERPA, S. A Psicologia do Desporto. In: Manual do Treinador (volume I). Lisboa: Psicosport, 1996.

  • ANDRADE, A.; SALGUERO, A.; MÁRQUES, S. Motivos para a participação esportiva em nadadores brasileiros. Fitness & Performance Journal, v. 5, nº6, p. 363-369, 2006.

  • BANYARD, P., e HAYES, N. Psychology: Theory and Application. London: Chapman & Hall, 1994.

  • BRITO, A. Psicologia do Desporto. Lisboa: Omniserviços, 1994.

  • COSTA, C.; DINIZ, J.; PEREIRA, P. A motivação dos alunos para a Educação Física: A sua influência no comportamento nas aulas. Revista Horizonte, 86, p. 7-15, 1998.

  • CRUZ, J. Motivação para a prática e competição desportiva. Manual de psicologia do desporto, 1996.

  • CRATTY, B. Psicologia no Esporte. Rio de Janeiro: Prentice Hall, 1984.

  • GILL, D.; GROS, J.; HUDDLESTON, S. Participation Motivation in Youth Sports. International Journal Sport Psychology, 14, p. 1-14, 1983.

  • LAZARO, P.; SANTOS, P. Simpósio A Actividade Física: do lazer ao rendimento. A Estética, a Saúde e o Espectáculo. Lamego: ISPV, 2002.

  • MOTA, J. Actividade Física no Lazer: Reflexões sobre a sua prática. Livros Horizonte, 1997.

  • ROBERTS, G. (1993). Motivation in sport: Understanding and Enhancing the Motivation and Achievement of children. In R. Singer, M. Murphy, L. K. Tennant. Handbook of Research on Sport Psychology. (pp. 405-420), 1993.

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