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A importância do mapeamento dos equipamentos de lazer, educação,

esporte e cultura para pesquisas na Universidade Federal do 

Recôncavo da Bahia: o caso da cidade de Amargosa, BA

La importancia del mapeo de los equipamientos de ocio, educación, deportes y cultura para la 

investigación en la Universidad Federal de Bahía Reconcavo: el caso de la ciudad de Amargosa, BA

 

Graduada em Licenciatura Plena em Educação Física

Mestre em Educação (UFBA)

Professora assistente do Centro de Formação de Professores

da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Anália de Jesus Moreira

nanamoreira@bol.com.br

(Brasil)

 

 

 

 

Resumo

          Este artigo tem por objetivo discutir a importância do mapeamento dos espaços de cultura, esporte e lazer da cidade de Amargosa, Ba, levando em consideração a implantação do Curso de Licenciatura em Educação Física no Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia na referida cidade. Justificamos esta proposta na necessidade de levantamento das potencialidades dos espaços de lazer, esportes e cultura, considerando tratar-se de um grande passo para o fomento de políticas públicas para estes três setores. A decisão de mapear os espaços incide em considerar as cidades como abrigo da cultura, do esporte e do lazer socialmente e historicamente construídos, favorecendo estudos e possibilitando a transformação das cidades em espaços dinâmicos de convivência (praças, escolas, ginásios, clubes e várzeas, bibliotecas, prédios históricos). Um estudo deste porte na cidade de Amargosa, BA poderá contribuir não somente para o aporte acadêmico - pesquisa, ensino e extensão - da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB, como fortalecer a responsabilidade social desta universidade junto à comunidade local e circunvizinha. Este projeto propõe, concomitantemente, a construção de materialidade de pesquisa para que estas contemplem futuros projetos integrados de esporte, lazer e cultura na cidade de Amargosa.

          Unitermos: Lazer. Esportes. Educação. Cultura.

 

Abstract

          This article aims to discuss the importance of mapping the areas of culture, sport and leisure in the town of Amargosa-Ba, taking into account the implementation of the Bachelor of Physical Education at the Center for Teacher Education, Federal University of Bahia Recôncavo in that city. We justify this proposal on the need to survey the potential of leisure facilities, sports and culture, considering that this is a big step for the promotion of public policies for these three sectors. The decision to map the space concerns to consider cities as shelter culture, sport and leisure socially and historically constructed, favoring studies and enabling the transformation of cities into dynamic spaces of coexistence (squares, schools, gyms, clubs and wetlands, libraries, historic buildings). A study of this size in the town of Amargosa / BA can contribute not only to the scholarly contribution - research, teaching and extension - Federal University of Bahia Reconcavo, UFRB, how to strengthen the social responsibility of the university with the local community and surrounding. This project proposes the same time the construction of research material for future projects they envisage integrated sport, leisure and culture in the town of Amargosa.

          Keywords: Leisure. Sports. Education. Culture.

 

          Este projeto encontra-se em andamento dada a complexidade geo-política da cidade de Amargosa e a necessidade de novos aportes para a realização do mapeamento. Atualmente, encontra-se na fase de catalogação dos espaços considerados institucionais.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 152, Enero de 2011. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Compreender o Lazer, a Cultura e o Esporte como fenômenos sociais requer a busca por conceitos que possibilitem a ligação concreta entre estes aportes. É preciso, amiúde, explicitar o papel destes fenômenos na construção do sujeito histórico e criador cultural, admitindo situar este sujeito em uma sociedade com características emancipatórias.

    Atualmente os estudos sobre espaços de lazer, cultura e esporte nas cidades vêm dominando debates acadêmicos e enxertando interesses na formulação de políticas públicas especiais para estes setores. O fenômeno se justifica na realidade dos espaços, principalmente os públicos, tomados pela desordem comercial e imobiliária, ocasionando limitações para visualizar estes espaços como potenciais lugares de cultura, esporte e lazer, produzidos e experimentados pelo cidadão local.

    Nas cidades onde os espaços são estáticos, a exemplo das praças e ginásios de esportes, notamos uma baixa freqüência dos cidadãos para desfrutar prazerosamente das potencialidades culturais comunitárias. Desta forma e na maioria das vezes o aproveitamento destes espaços passa a ser tácito, o que retira do cidadão o direito de gerenciar seu próprio lazer. Este diagnóstico contrasta com a visão de Dumazedier (2008, p.26). Defende este autor a autonomia do tempo do indivíduo para o lazer como sendo um elemento fundante para a participação dele na sociedade. Para o autor reside nesta observação o sentido do lazer:

    Lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, pra desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais familiares ou sociais (DUMAZEDIER, 2008).

    A partir desta visão, podemos considerar que a palavra lazer carrega em seu sentido etimológico uma gama de significados que podem defini-lo de acordo com suas funcionalidades. Assim, toma-se como sinônimo de lazer um estilo de comportamento, a oposição ao trabalho ou um não-trabalho ou uma simples redução do trabalho profissional e do trabalho familiar. Aqui, consideramos estes significados comuns e práticos, mas focamos a necessidade de se fazer uma leitura de lazer relacionada ao conceito em Dumazedier, (2008, p. 37), para quem lazer é: “tempo livre outorgado ao indivíduo pela sociedade, evolução da economia e da sociedade”. Aprofundando este conceito para ligá-lo ao significado de tempo livre e suas concepções, concordamos com Waichman (2008, p. 37) em sua definição mais ampliada de tempo livre e lazer. Para este autor, “O tempo livre não é um bem dado. É uma construção tanto individual quanto social”.

    Partimos da premissa de que, embora o lazer seja legalmente reconhecido como direito cidadão, (Constituição Federal de 1998) o crescimento arquitetônico das cidades, a especulação imobiliária, as limitações dos espaços por práticas comerciais desorganizadas, do trânsito de pedestres e automotores contribuem para a perda de vocação dos espaços de lazer, cultura e esportes. Destarte, é preciso compreender o Lazer, a Cultura e o Esporte como fenômenos sociais de organização e de produção de significados comunitários. Amiúde, precisamos explicitar o papel destes fenômenos na construção do sujeito histórico e criador cultural, admitindo situar este sujeito em uma sociedade com características emancipatórias.

    Interessa-nos também compreender, no contexto de educação e sociedade, a importância do lazer, da cultura e do esporte como campos de estudos da Educação Física e outras áreas de conhecimento. Autores que dialogam com esta temática, (Marcellino, 1998, 2003; Waichman, 2007; Dumazedier, 2008), entendem que tratar de lazer, cultura e esporte e relacioná-los à pesquisa, ensino e extensão, significa valorizar a construção social do sujeito a partir dele e para ele enquanto ser individual e coletivo. Por este caminho, justificamos este projeto na necessidade de produção de dados e materialidade teórica sobre lazer, esporte e cultura na cidade de Amargosa, BA.

    A partir destes pressupostos explicitamos os objetivos para este projeto:

  1. Realizar o mapeamento dos espaços de Cultura, Esporte e Lazer da cidade de Amargosa, levantando suas potencialidades e deficiências para indicar estratégias que viabilizem o acesso da população a estes espaços de forma organizada e auto-gestada.

  2. Mobilizar estudantes e professores de Educação Física e outros cursos da UFRB para o mapeamento dos espaços de Esporte, Cultura a Lazer da cidade de Amargosa.

  3. Envolver o poder público municipal, gestor da cidade, no estudo sobre as potencialidades de cada espaço para fomento futuro de um programa integrado de esporte, lazer e cultura para Amargosa, em parceria com a UFRB.

  4. Contribuir para a democratização, organização e gestão dos espaços de Cultura, Esporte e Lazer nas comunidades.

Contextos e justificativas

Lazer, Cultura e Educação Física: pontes para construção social e comunitária

    O caráter de construção histórica do lazer está ligado à cultura como bem simbólico e produto das ações sociais do sujeito. É preciso, portanto, que abordemos brevemente algumas concepções de cultura para compreendermos esta palavra em seus vários sentidos. Para Coelho Teixeira (2008, p.23) o termo cultura comporta na contemporaneidade três grandes definições ou dimensões: 1) a cultura como idéia nacional homogênea que atua para produzir e reproduzir o elo entre ela e o sujeito; 2) cultura como ‘Estado’ onde as normatizações definem sua permanência; 3) cultura-ação a cultura por meio da qual se pode experimentar ser uma coisa ou ser outra, liberando o sujeito de restrições ou imposições. A partir desta compreensão podemos pensar o lazer na perspectiva sócio-cultural, conforme descreve Marcellino (1988, p. 26).

    Lazer também deve ser estudado sob a perspectiva social, e ainda considerando a cultura: “cultura – compreendida no seu sentido mais amplo – vivenciada (praticada ou fruida) no tempo disponível. Importante como traço definidor é o caráter desinteressado dessa vivência. Não se busca, pelo menos fundamentalmente, outra recompensa além da satisfação provocada pela situação. A disponibilidade de tempo significa possibilidade de opção pela atividade contemplativa”. (MARCELINO, 2008).

    O lazer é reconhecido como dever do Estado, garantido na Constituição de 1988 como um dos mais importantes direitos sociais. De forma clara o lazer é mencionado no art. 6º, e de forma mais específica seu art. 227: [...na seção III do Cap. III, do Título VIII da Constituição Federal, quando explicita o desporto, que pode ser relacionado ao direito à educação, cultura e lazer; por fim, no art. 217, § 3º, ao explicitar o dever do Poder Público em incentivar o lazer como forma de promoção social...]. (MOREIRA, A. J.; SILVA, M. C. p. 2008. p.143). Esta relevância encontra-se explicitada também nos Parâmetros Curriculares Nacionais, PCN, dedicado à Educação Física, não deixando margem de dúvidas quanto a ligação do lazer com a cultura e a Educação. Diz o PCN que:

    O lazer e a disponibilidade de espaços para atividades lúdicas e esportivas são necessidades básicas e, por isso, direitos do cidadão. Os alunos podem compreender que os esportes e as demais atividades corporais não devem ser privilégios apenas dos esportistas ou das pessoas em condições de pagar por academias e clubes. Dar valor a essas atividades e reivindicar o acesso a elas para todos é um posicionamento que pode ser adotado a partir dos conhecimentos adquiridos nas aulas de Educação Física.” (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, VOL. 03 EDUCAÇÃO FÍSICA.2003.p.37).

    Sobre os esportes, é preciso defini-lo como fenômeno cultural, cujo sentido de profissionalização ou de rendimento está associado às práticas corporais mediadas por conjuntos de regras oficializadas por entidades constituídas para este fim, a exemplo das federações, associações e confederações desportivas. Mas é preciso compreendê-lo também como prática social comunitária que comporta efeitos politizadores e de organização espontânea. Esta compressão torna os esportes mais abrangentes do ponto de vista social e cultural, conforme Coletivo de Autores, (1998, p. 70): ”O esporte como prática social que institucionaliza temas lúdicos da cultura corporal, se projeta numa dimensão complexa de fenômeno que envolve códigos, sentidos e significados da sociedade que o cria e o pratica”. Por este caminho, defendemos a idéia de que o esporte, lazer e a cultura são campos de atuação da Educação Física cujo objeto reconhecido é a cultura corporal ou cultura do movimento, definida em termos acadêmicos e epistemológicos, conforme Castellani Filho:

    Trocando em miúdos, o que queremos dizer é o seguinte: integrante da cultura do homem e da mulher brasileiros, a cultura corporal constitui-se como uma totalidade formada pela interação de distintas práticas sociais, tais como a dança, o jogo, a ginástica, o esporte que, por sua vez, materializam-se, ganham forma, através das práticas corporais. Enquanto práticas sociais refletem a atividade produtiva humana de buscar respostas às suas necessidades. Compete, assim, à Educação Física, dar tratamento pedagógico aos temas da cultura corporal, reconhecendo-os como dotados de significado e sentido porquanto construídos historicamente. (CASTELLANI FILHO, 1998, p. 56).

    Ao considerar a cultura corporal do movimento como base conceitual do lazer, do esporte e da cultural, propomos, concomitantemente, que este estudo de mapeamento esteja atado às demais esferas estruturais da UFRB: pesquisa e ensino. A partir desta compreensão, necessário se faz refletir sobre a dimensão de educação e relacioná-lo, conforme Frigotto (2008, p. 25) com o seu caráter emancipatório. Diz Frigotto que: “A Educação, quando apreendida no plano das determinações e relações sociais e, portanto, ela mesma constituída e constituinte destas relações, apresenta-se historicamente como um campo de disputa hegemônica”. A visão deste autor é importante para reforçar o papel de uma universidade implantada na Região do Recôncavo da Bahia, centrada em sua função social, cultural e histórica. Santos (2005, p. 91) defende que esta responsabilidade atenda ao apelo de grupos sociais e culturais em suas buscas identitárias. Diz este autor que:

    A responsabilidade social da universidade tem de ser assumida pela universidade, sendo permeável às demandas sociais, sobretudo aquelas oriundas de grupos sociais que não têm poder para se impor. Porque a sociedade não é uma abstração, esses desafios são contextuaIs em função da região, ou do local e,portanto, não podem ser enfrentados com medidas gerais e rígidas. (SANTOS, 2005 p. 91).

    A relevância deste projeto enquanto estudo e ação na UFRB está na contribuição que pode ser ofertada à gestão municipal com a possibilidade de formulação de políticas públicas na área de lazer, cultura e esportes. Na área de ensino e pesquisa, poderá o mapeamento contribuir para ampliação da materialidade documental a ser desfrutada pela comunidade universitária da UFRB e outras instituições educacionais. Reconhecemos, assim, que levantar potencialidades dos espaços da cidade de Amargosa é propiciar a comunidade ações gerenciais de suas próprias criações e história.

A cidade de Amargosa: um breve compêndio histórico

    Com uma história marcada pela colonização européia, principalmente espanhola, portuguesa e italiana, Amargosa é hoje um dos pólos mais promissores culturalmente e economicamente da região do Recôncavo da Bahia. Com uma economia ainda apoiada na agricultura, no comércio calçadista e no turismo de eventos, esta cidade registra um dos quatro melhores índices de saúde dentre todos os municípios baianos. Situada no Vale do Jiquiriçá, com uma população de cerca de 30 mil habitantes, Amargosa está listada como cidade sazonal turisticamente devido ao incremento da Festa de São João.

    Recortando episódios históricos de sua construção social a partir de 1820 quando a região era habitada por índios Kariris e Sapuyás e Caramurus, dizimados por força da colonização portuguesa, espanhola e italiana, afirmamos que as marcas “culturais” da cidade ainda estão expostas em seus patrimônios materiais, especialmente na arquitetura de seus prédios antigos.

    Além da cultura indígena invisibilizada pela cultura européia, nota-se na constituição dos espaços de cultura e lazer, marcas simbólicas afrodescendentes presentes no modo de ser do povo, no folclore, conforme explicita Neto (2007, p.155). “Merece ressaltar a importância dos afrodescendentes, pois suas marcas estão em toda parte, seja na religiosidade, ritmos musicais, folclore, na forma de produção das culturas de subsistência, principalmente, na cultura da mandioca”.

    Entre 1877 e 1940, Amargosa registrou seu período de maior expansão econômica com a valorização das culturas de café e fumo que fomentaram centros comerciais como feiras livres e armazéns. O advento da estrada de ferro ligando Amargosa ao porto de Nazaré das Farinhas deu a cidade o status de grande motor econômico da região. Junto com a expansão comercial surgiram as modificações urbanas, transformando Amargosa numa cidade de grandes atrativos turísticos e de lazer, segundo Neto (2007):

    No início do século XX, o município remodelou seu quadro urbano, foram instaladas diversas indústrias, hotéis, teatros, passando a ser considerada durante vários anos como a “pequena São Paulo”. A cidade mantinha diversas instituições sobressaindo a Santa Casa de Misericórdia, Hospital filantrópico mantido pela irmandade. As marcas desse apogeu estão presentes ainda hoje, na arquitetura de Amargosa, apesar de bastante modificada. (NETO, 2007, p. 155).

    A decadência econômica de Amargosa registrou-se entre os anos 1940 e 1960 quando foram instaladas no Brasil as primeiras indústrias de qualificação do café despolpado. Como a cidade não possuía a tecnologia exigida para exportação do produto, sofreu perdas econômicas consideráveis, obrigando as oligarquias locais a buscarem novas formas de incremento comercial. A crise do fechamento dos armazéns provocou êxodo rural e a cidade viveu um período de inércia econômica. Esta inércia teve grandes reflexos na qualidade de vida dos moradores de Amargosa com respingos muito sérios no setor educacional, dominado pela Igreja Católica. Os colégios católicos como Sacramentinas e o Ginásio Santa Bernadete foram repassados à Secretaria Estadual da Educação e a cidade perdeu a referência em educação escolar.

    A partir de 1988, a cidade mostrou sinais de remodelamento econômico, passando a assumir a pecuária leiteira e a produção de bens e serviços como seus incrementos mais valiosos. A visibilidade política com a eleição de Waldir Pires - nascido na cidade de Amargosa - para o governo do Estado da Bahia foi fator importante para o rompimento político oligárquico. Um novo modelo econômico surgiu a partir desta visibilidade, o que transformou a cidade em um pólo de turismo de eventos, segundo descreveu Neto (2007, p.159): ”Ampliaram-se a oferta de leitos com a construção de pousadas e hotel fazenda, para atender à demanda de exposições e do São João, festa que colocou a cidade em posição de destaque no cenário regional e até mesmo nacional”.

O Plano Diretor da cidade de Amargosa, BA: traçado urbano

    O Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal de Amargosa-Ba, PDDM, foi instituído por meio da lei complementar nº 012 de 14 de dezembro de 2006 para estabelecer o modelo territorial e, em decorrência dele, as políticas públicas de desenvolvimento da cidade. O documento com mais de cem páginas estabelece princípios norteadores da função social da cidade. Dentre os atributos do PDDM verificamos nas disposições preliminares da Lei alguns pontos que convergem para a necessidade de utilização democrática de espaços urbanos de Amargosa. Destacamos, por exemplo, a intenção do PDDM em garantir o direito à cidade sustentável, observando a garantia da mobilidade, a infra-estrutura, equipamentos e serviços públicos e a conservação do meio ambiente e do patrimônio ambiental.

    No que se refere à preocupação com a função social da cidade, consideramos o PDDM avançado por englobar um conjunto de intenções que buscam consolidação de uma matriz de desenvolvimento pautada na humanização da relação da comunidade com os espaços e equipamentos urbanos. Um panorama fotográfico do PDDM mostra a complexidade urbana de Amargosa. A justiça social, a sustentabilidade produtiva, a qualidade de vida e a cidadania plena são expostas no PDDM como alavancas para a promoção do “equilíbrio ambiental”, no sentido de garantir uma reciprocidade entre cultura e natureza

    Esta realidade atual de Amargosa justifica nosso interesse em mapear os espaços de lazer, cultura e esportes desta cidade, contribuindo para a formulação de políticas públicas que possam ampliar as possibilidades de gestão tanto do poder público constituído quanto da atuação comunitária local.

Metodologia

    A base estrutural de um projeto de mapeamento de equipamentos de Esporte, Lazer e Cultura deve assumir caráter multidisciplinar e envolver inicialmente, o Poder Público Municipal e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Da concretude desta parceria vai depender a execução das ações, especialmente o levantamento de dados e as informações mais elementares sobre a história dos espaços. A metodologia exige basicamente um casamento entre os objetivos deste projeto e a concretude de suas ações, quais sejam elas:

  • Constituir comissão (multidisciplinar) para discussão do projeto

  • Construir equipes multidisciplinares de mapeadores.

  • Mobilizar e sensibilizar as comunidades para a ação dos mapeadores.

  • Construir discussões temáticas (acadêmicas e comunitárias) nos níveis de Pesquisa, Ensino e Extensão sobre a importância da democratização do Lazer, do Esporte e da Cultura em Amargosa

  • Discutir a responsabilidade das políticas públicas em esporte, lazer e cultura em Amargosa e a dimensão destas na criação do Curso de Educação Física no CFP.

  • Mapear os espaços de Lazer, Cultura e Esportes por regiões da cidade, ouvindo as comunidades sobre as realidades (histórica e atual) de cada espaço.

Resultados esperados

  • Constituir comissão (multidisciplinar) para discussão do projeto.

  • Mobilizar e sensibilizar as comunidades para a ação dos mapeadores.

  • Construir equipes multidisciplinares de mapeadores.

  • Construir discussões temáticas (acadêmicas e comunitárias) nos níveis de Pesquisa, Ensino e Extensão sobre a importância da democratização do Lazer, do Esporte e da Cultura em Amargosa.

  • Discutir a responsabilidade das políticas públicas em esporte, lazer e cultura em Amargosa e a dimensão destas na criação do Curso de Educação Física no CFP.

    Realizar o mapeamento dos espaços de Cultura, Esporte e Lazer da cidade de Amargosa, levantando suas potencialidades e deficiências para construir estratégias que viabilizem o acesso da população a estes espaços de forma organizada e autônoma.

Referências

  • AMARGOSA, Lei complementar nº 012 de 14 de dezembro de 2006, Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal, PDDM.

  • COELHO, Teixeira, a cultura e seu contrário: cultura, arte e política pós-2001, Ed. Iluminuras: Itaú cultural, São Paulo, 2008.

  • COLETIVO DE AUTORES, metodologia, do ensino de educação física,coleção magistério 2º grau, série formação do professor, Ed. Cortez, São Paulo, SP 1992.

  • DUMAZEDIER, Jofre, Sociologia Empírica do lazer, Tradução Silvia Mazza e J. Guinsburg, 3 ed. Perspectiva Sesc. São Paulo 2008. 

  • FRIGOTTO, Gaudêncio, A Educação e a crise do capitalismo real, 5 ed. Cortez, São Paulo-SP, 2003.

  • MARCELINO, N. C. Lazer e Educação, Papirus – (Coleção Fazer-Lazer), 4ª edição, Campinas SP, 1998.

  • _______________,(org) Lúdico, educação e Educação Física, 2. Ed. Unijuí, , Ijuí – RS, 2003. 

  • MOREIRA, A. J.; SILVA, M. C. P. Lazer, cultura e educação no contexto de pesquisa: possibilidades dialógicas no espaço escola-comunidade. In: Formação pela pesquisa: desafios pedagógicos, epistemológicos e políticos, TENÓRIO, R. M; LORDELO, J.A (orgs), Edufba, Salvador-Ba, 2008.

  • NETO, Raul Lomanto, A “REGIÃO DE AMARGOSA”: OLHARES CONTEMPORÂNEOS. In RECÔNCAVO DA BAHIA - Educação, Cultura e Sociedade. GODINHO, Luiz Flávio; SANTOS, Fábio Josué (orgs). Ed. CIAN, 2007, Amargosa, Bahia.

  • SANTOS, B. S. A Universidade no século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da Universidade. 2ª ed. Cortez (Coleção questões da nossa época) São Paulo – SP, 2005.

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