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Composição corporal dos fisiculturistas 

amadores do Brasil: estudo de caso

Contextura corporal de fisicoculturistas aficionados de Brasil: un estudio de caso

 

Centro de Pesquisa em Exercício e Esporte, CEPEE

Departamento de Educação Física

Universidade Federal Paraná

(Brasil)

Ragami Chaves Alves

Hassan Mohamed Elsangedy

Kleverton Krinski

Sergio Gregorio da Silva

ragami1@hotmail.com

 

 

 

 

Resumo

          Para os Fisiculturistas a composição corporal entre outros fatores dentro de sua performance física como treinamento de força e nutrição, torna-se um quesito determinante para que o sucesso seja obtido na modalidade. Assim quem apresentar uma maior quantidade de massa muscular aliada à definição e harmonia corporal será o vencedor na competição. Em alguns casos os atletas desta modalidade apresentam o tecido gordo acima do estimado acreditando ser mais vantajoso, entretanto outros estudos discordam, evidenciando um padrão de tecido adiposo baixo e constante nestes atletas. Portanto o presente estudo teve como objetivo verificar o índice de massa muscular, tecido adiposo e circunferências corporais em dois períodos distintos, por meio de uma avaliação da composição corporal, em dois atletas de Fisiculturismo Classe II NABBA – PR. Os atletas, ambos apresentaram decréscimo em relação às dobras cutâneas e massa corporal entre os dois períodos. A experiência pratica, constate-se que mesmo o percentual que foi considerado elevado para os atletas para obterem sucesso na competição se encontraria em níveis ideais para atletas referenciado na literatura cientifica. Sendo assim provocam um decréscimo ainda maior chegando a níveis de gordura quase limítrofes para existência da vida.

          Unitermos: Fisiculturismo. Composição corporal. Treinamento.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 150, Noviembre de 2010. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    O principal objetivo da avaliação da composição corporal é determinar as quantidades de massa isenta de gordura (músculos, ossos, órgãos vitais) e massa gorda (gordura) (MONTEIRO; FILHO 2002).

    Para os Fisiculturistas a composição corporal entre outros fatores dentro de sua performance física como treinamento de força e nutrição, torna-se um quesito determinante para que o sucesso seja obtido na modalidade. Assim quem apresentar uma maior quantidade de massa muscular aliada à definição e harmonia corporal será o vencedor na competição.

    Estudos no âmbito do fisiculturismo apontam que no período competitivo, considerada a fase anabólica, muitos atletas apresentam tecido gordo acima do estimado, deixando claro que estes parâmetros não poderão ser comparados com padrões populacionais (MOURA, 2005 e VERKHOSHANSKI, 2001). Assim buscam esta composição corporal por acreditarem ser vantajoso trazendo-lhes uma eficiência mecânica maior dos movimentos, proporcionando aumento de força e promover uma situação anabólica maior (VERKHOSHANSKI, 2001).

    Entretanto outros estudos discordam deste processo, demonstram que um catabolismo excessivo ocorrera para chegar ao padrão almejado, devido a uma restrição calórica severa, associada ao exercício de alta intensidade (KLEINER, 2000). Desta maneira não atingirão com êxito o seu objetivo de preservar a maior quantidade de massa muscular. Portanto o presente estudo teve como objetivo verificar o índice de massa muscular, tecido adiposo e circunferências corporais em dois períodos distintos, por meio de uma avaliação da composição corporal, dos atletas de Fisiculturismo Classe II NABBA – PR.

Materiais e métodos

Amostra

    Os protocolos da pesquisa foram realizados com atletas de Fisiculturismo (n=2), amadores, do sexo masculino com a faixa etária entre 20 a 30 anos, e que participaram do Campeonato Paranaense de 2007. Foi respeitada a Resolução 196/96 do CONEP e aprovada sob o parecer do CEP da Faculdade Dom Bosco nº. 0006.0.301.000-07. A participação destes atletas foi realizada mediante a autorização por consentimento informado.

    O critério de inclusão foi: estar fora do período competitivo, ou seja, estar iniciando sua preparação para o campeonato. E os de exclusão: nunca ter competido e ter menos de quatro anos de treinamento específico para o esporte.

Antropometria

    Os atletas foram submetidos a dois períodos de avaliações: um pré-teste, dois meses e meio antes do campeonato Paranaense, e um pós-teste, três dias antes do mesmo.

    Os instrumentos usados nesta pesquisa foram; um aplicômetro científico da marca, CESCORF para mensuração de dobras cutâneas e uma balança com estadiômetro da marca Welmy, Brasil para aferição da massa corporal e estatura, uma fita métrica da marca CESCORF para medição dos perímetros.

    Os perímetros mensurados foram: tórax (relaxado, inspirado e expirado), abdômen, cintura, quadril, bíceps (relaxado e contraído), antebraço, coxa (proximal, medial e distal) e panturrilha. Os procedimentos antropométricos adotados foram: utilização do lado direito dos atletas e o protocolo de sete dobras de Jackson e Pollock. As medidas foram realizadas três vezes e utilizada à média entre elas como o valor final. As medidas foram efetuadas pelo mesmo avaliador.

    Para o cálculo do percentual de gordura, foram utilizadas as variáveis: idade e soma das sete dobras cutâneas. O valor obtido foi utilizado na fórmula de Siri, para determinar o percentual de gordura. Todo o procedimento foi realizado pelo mesmo avaliador.

Resultados

    Na tabela 1 apresenta as diferenças em duas fases distintas do treinamento, caracterizadas pelo percentual de gordura, massa gorda, isenta de gordura, as circunferências corporais, IMC, densidade, freqüência cardíaca, pressão arterial e dobras cutâneas.

    Os gráficos 1 e 2 abaixo apresentam as diferenças nas dobras cutâneas relacionadas ao mesmo período, constatando-se um decréscimo em todos os dados apresentados, ressaltando que as maiores diferenças foram nas dobras abdominais. As tabelas 2 e 3 apresentam as circunferências corporais.

Gráfico 1

 

Gráfico 2

Tabela 1

Direito                                               Esquerdo

Tabela 2

Discussão

    Na tabela 1, como pode ser observado os sujeitos 1 e 2 tiveram decréscimos em quase todos os aspectos, exceto o fator densidade onde ocorreu um acréscimo para ambos. Em relação às outras tabelas 2 e 3 e ambos os gráficos, pode-se perceber um decréscimo em todos os dados apresentados, ressaltando que as maiores diferenças foram nas dobras abdominais.

    Os atletas apesar de terem a massa corporal diferente, o decréscimo apresentado entre eles foi o mesmo, em torno de 5 kg e suas circunferências corporais não apresentaram diferença maior que dois centímetros, nos dois períodos mensurados. Contudo vale ressaltar que durante o período de treinamento e coleta de dados não controlou-se nenhum tipo de substancia ergogênica e esteróides anabólicos.

    A literatura traz como referencial de percentual de gordura para fisiculturistas, levantadores olímpicos e basistas de 4,1% a 15,6%, os quais encaixam-se dentro dos achados do estudo (GUEDES, 2006). O valor norteador para Guedes, (2006) e Sandoval, (1989) para o percentual de gordura para qualquer atleta sendo de 5 a 13 % (homens) e pessoas ativas fisicamente 12 a 18 % (homens) (MOURA 2005).

    Entretanto, poucos estudos demonstram percentuais de gordura nos níveis essenciais para a sobrevivência ou próximos a eles. Bamman et al. (1993) evidenciou em seu estudo , com fisiculturistas, monitorando 12 semanas antecedentes ao campeonato um decréscimo massa corporal (-7,3 Kg) e massa gorda (-5,0%). Este contexto é devido ao fato de acreditarem que ocorra uma eficiência mecânica melhor e um aumento de força no treinamento com um percentual mais elevado (VERKHOSHANSKI, 2000). Porem achados no estudo de Silva, Trindade, Rose (2003) classificam os fisiculturistas como mesomorfo balanceado com um percentual médio de 9,65% de gordura (FLECK, KRAEMER 2006 e KLEINER 2002). Entretanto no Bamman et al. (1993) constatou, devido a grande diminuição das massa corporal e massa gorda, uma diminuição significativa na força e em todas as circunferências corporais. Desse modo, um catabolismo excessivo ocorreria para chegar ao padrão almejado, devido a uma restrição calórica severa, associada ao exercício de alta intensidade, não atingindo o objetivo de baixo percentual de gordura com um maior volume muscular. (KLEINER, 2000 Bazzarre, Kleiner, Litchford, 1990).

    Sendo assim, as tabelas e os gráficos apresentados, obtidos após um período de três meses de treinamento intenso, conclui-se que esses atletas possuem um percentual de gordura abaixo da média, circunferências corporais e massa isenta de gordura acima, mesmo na fase em que estão fora da competição. Provocando um decréscimo ainda maior chegando a níveis de gordura quase limítrofes para existência da vida.

    Apesar de encaixarem-se perfeitamente nos parâmetros do fisiculturismo cabe ainda um questionamento para estudos futuros. Todo este processo extenuante para a redução do percentual de gordura em níveis extremamente inferiores aos referencias salutares não provocaria distúrbios bioquímicos e fisiológicos maléficos aos atletas.

Referencias bibliográficas

  • MONTERIO A. B., FILHO J. F. Análise da composição corporal: uma revisão de métodos. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 4, nº 1, 2002.

  • MOURA J. A. R. et al. Características morfológicas dos levantadores de potência participantes do XXIII campeonato Brasileiro de powerlifting. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 7 nº 2, 2005.

  • VERKHOSHANSKI Y. V. Hipertrofia Muscular: Body-Building. 1º ed Rio de Janeiro: NP, 2000.

  • KLEINER S. M. Nutrição para o Treinamento de Força. 1º ed São Paulo: Manoele, 2002.

  • FLECK J. M., KRAEMER J. W. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular. 3º ed. Porto Alegre: Artemed, 2006.

  • SILVA P. R. P., TRIDADE R. S., ROSE E. H. Composição corporal, somatotipo e proporcionalidade de Fisiculturistas de elite do Brasil. Revista Brasileira de Medicina e Esporte, v. 9, nº 6, 2003.

  • GUEDES, P. D. Recursos antropométricos para análise da composição corporal. Revista Brasileira Educação Física Esporte. São Paulo, (20), p.115-119. Set, 2006. Suplemento (5).

  • IFBB, Confederação Brasileira de Fisiculturismo e Musculação 2009. Disponível em: http: www.ifbb.com. Acesso em 14 de abril de 2009.

  • Bazzarre T. L., Kleiner S. M., Litchford MD. Nutrient intake, body fat, and lipid profiles of competitive male and female bodybuilders. Journal AM Coll. Nutr. 1990 Apr; 9 (2): 136-42.

  • SANDOVAL W. H., HEYWARD W. M., LYONS T. M. Comparison of body composition, exercise and nutritional profiles of female and male body builders at competition. J Sports Med Phys Fitness. 1989 Mar;29(1):63-70.

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