efdeportes.com

Influência da altura e envergadura no 

teste de Sentar e Alcançar em adolescentes

Influencia de la altura y la envergadura en el test de Sit and Reach en adolescentes

 

*Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO

Departamento de Educação Física. Irati. Paraná. Brasil.

**Universidade Estadual do Centro-Oeste

Laboratório de Fisiologia do Exercício. Irati, Paraná

(Brasil)

Walace Luis Ignachewski*

Michel Milistetd* **

Alexandre Vinícius Bobato Tozetto*

Jucilaine Karina Hoffmann*

luighiv8@hotmail.com

 

 

 

 

Resumo

          O objetivo do presente estudo foi verificar se os resultados do teste de Sentar e Alcançar recebem influência da estatura e envergadura em adolescentes. A amostra desta pesquisa foi composta por 20 adolescentes, com idade entre 14 e 15 anos, que participavam de treinamento sistematizado de futsal na cidade de Irati – PR. Foi aplicado o teste de sentar e alcançar proposto por Wells e Dillon em 1952, presente em diversas baterias de testes de aptidão física. Recorreu-se à análise de correlação adotando nível de significância de Pearson ≤0,05 entre as variáveis, estatura e desempenho no TSA e envergadura e desempenho no TSA. Os resultados apresentaram uma correlação significativa média (0,51 e 0,48) entre as variáveis estatura e envergadura no teste de TSA. A partir disso conclui-se que a estatura e a envergadura influenciam o desempenho de adolescentes no teste de sentar e alcançar.

          Unitermos: Flexibilidade. Adolescentes. Teste de sentar e alcançar.

 

Abstract

          The aim of this study was to verify if the results of Sit and Reach Test receive influences of stature and wingspam in adolescents. The sample consisted of 20 teenagers, aged between 14 and 15 years, who participated in systematic training of futsal in Irati - PR. Was applied to the sit and reach test proposed by Wells and Dillon in 1952, present in several batteries of tests of physical fitness. We used the correlation analysis by adopting a significance level of Pearson ≤ 0.05 between the variables, stature and TSA performance and wingspam and TSA performance. The results showed a significant correlation average (0.51 and 0.48) between variables in the TSA test. From this it follows that the stature and wingspam influencing the performance of adolescents in the sit and reach test.

          Keywords: Flexibility. Teens. Sit and reach test.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 148, Septiembre de 2010. http://www.efdeportes.com/

1 / 1

Introdução

    De um modo geral, pode-se definir flexibilidade como sendo a capacidade de uma articulação se mover por uma grande amplitude de movimento 1, ela é considerada relevante para a execução de movimentos simples ou complexos, para o desempenho desportivo, para a manutenção da saúde e para a preservação da qualidade de vida 2.

    No período da infância e adolescência a flexibilidade tem um comportamento único, ela se desenvolve precocemente e vai reduzindo paralelamente com o avançar do da idade da criança, isso ocorre devido à diminuição da resistência mecânica do aparelho motor passivo devido a alterações hormonais e ao desenvolvimento muscular e conseqüente aumento de força3. Outros estudos 4,5,6 reforçam essa idéia quando indicam a diminuição dos níveis de flexibilidade de acordo com o aumento da idade em indivíduos nas fases púbere e pré-púbere.

    Além da idade os níveis de flexibilidade podem variar em função de gênero, raça e padrão de atividade física regular, e embora algumas vezes possa estar associado a anormalidades e/ou enfermidades, parece ser consenso de que certo grau de flexibilidade parece ser fundamental para uma melhor qualidade de vida 7,8. Isso se confirma em um estudo recente de Coelho et. al9 que avaliou se havia relação entre o aumento da flexibilidade e a melhoria de qualidade de vida, sendo identificada uma associação positiva entre esses dois fatores, ou seja, ganhos de flexibilidade estão diretamente associados a melhoria de qualidade de vida.


    Todavia, ainda que considerada como relevante, a prescrição de exercícios de flexibilidade demanda uma mensuração prévia dos níveis de flexibilidade que o aluno se encontra 2. Porém, os principais métodos de testagem da flexibilidade datam de pelo menos algumas décadas e apesar de inúmeras limitações já identificadas, continuam a ser utilizados ao longo dos anos 4.

    O teste de sentar e alcançar (TSA), por exemplo, proposto por Wells e Dillon 11 é um dos mais conhecidos e aplicados e data de 1952 12. Esse teste tem o objetivo de avaliar a flexibilidade, envolvendo a musculatura ísquio-tibial e a região lombar. Para a sua realização, o executante encontra-se sentado com os joelhos estendidos, membros inferiores levemente separados, pés apoiados firmemente na parede da caixa de madeira (aparato), cotovelos estendidos e membros superiores fletidos anteriormente. A partir dessa posição, o executante realiza um movimento à frente com o tronco, tentando alcançar com as mãos o maior deslocamento possível sobre uma escala graduada em centímetros na parte superior da caixa11.

    Os resultados obtidos no TSA têm sido constantemente questionados, pois há evidências que o comprimento de membros superiores e inferiores poderiam influenciar no seu resultado13. Outra crítica ao TSA é que um alto grau de flexibilidade no ombro e coluna torácica conduziria para maiores escores, mascarando o real desempenho de flexibilidade 11.

    Em conformidade com estas citações, o presente estudo visou verificar se há influência da estatura e da envergadura nos resultados obtidos no TSA em adolescentes.

Métodos

Amostra

    A amostra desta pesquisa foi composta por 20 adolescentes, com idade entre 14 e 15 anos, que participavam de treinamento sistematizado de futsal três vezes por semana, sendo todos os avaliados alunos de uma escola de futsal de Irati-PR.

    Todos os indivíduos e seus respectivos responsáveis preencheram um termo de consentimento, onde constava que não haveria identificação dos mesmos e que eles poderiam abandonar os testes a qualquer momento se desejassem, autorizando o uso de seus dados nesta pesquisa.

    A presente pesquisa foi realizada mediante aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Centro-Oeste, protocolo n° 6919/2009.

Instrumentos e procedimentos de coleta de dados

Medidas antropométricas

    Para determinar a estatura total dos indivíduos foi utilizado um estadiômetro de parede da marca Sanny, escalonado em 0,1 cm. O avaliado estava descalço ficando postado em posição anatômica sobre a base do estadiômetro, com a cabeça posicionada no plano de Frankfurt, estando em apnéia no momento da medida.

    Para medir a envergadura (cm), utilizou-se de fita métrica flexível não elástica, afixada em parede lisa e sem ondulações, onde foi medido o comprimento do membro superior a partir do dedo médio esquerdo ao dedo médio direito, com os braços abertos.

Flexibilidade

    O método utilizado foi o teste de sentar e alcançar, proposto originalmente por Wells e Dillon em 1952 11. Nesse método, o indivíduo é sentado com as pernas completamente estendidas e os pés ligeiramente afastados e completamente apoiados contra um anteparo de madeira de, aproximadamente, 25 cm de altura. Sobre o anteparo, em ângulo reto, coloca-se uma régua graduada de 0 a 50 cm, onde o ponto de contato dos pés acontece no centímetro 23, embora não conste na descrição original do método, optamos por manter os pés descalços, para melhor padronização. Pede-se, então, ao indivíduo para realizar três tentativas de flexão do tronco, mantendo os joelhos, cotovelos e punhos em extensão, sendo considerada a melhor das três tentativas.

Análise estatística

    Para a análise estatística utilizamos análise de correlação adotando nível de significância de Pearson ≤0,05 entre as variáveis, estatura e desempenho no TSA e envergadura e desempenho no TSA.

Resultados e discussão

    Em média, os sujeitos apresentaram estatura de 168 ± 8 cm e envergadura de 170 ± 9 cm, e desempenho no TSA com média de 26 ± 8 cm.

    A relação entre a estatura e o resultado no TSA está expressa no Gráfico 1, onde podemos visualizar a melhora gradual no desempenho de acordo com o aumento da estatura.

Gráfico 1. Correlação entre Estatura e desempenho no TSA

    Já o Gráfico 2 demonstra a relação entre a envergadura e o resultado no TSA, e da mesma maneira é possível acompanhar a influência da variável sob a performance no teste.

Gráfico 2. Correlação entre envergadura e desempenho no TSA

    Em uma análise de correlação, considerando o p ≤0,05, as variáveis estatura e envergadura apresentaram uma correlação significativa média de 0,51 e 0,48, respectivamente, em relação ao desempenho no TSA. Essa correlação sugere que há influência positiva entre estatura e/ou envergadura no desempenho no teste, ou seja, os mais altos e com maior envergadura tendem a ter melhor escore.

    Esses resultados corroboram com os achados por Hoefer e Hopkins 13 que realizaram dois testes, sendo o primeiro o TSA como proposto por Wells e Dillon (1952)11, e o segundo o TSA modificado, onde o ponto zero da escala é adequado de acordo com o comprimento dos membros superiores dos avaliados, com isso foi possível avaliar que no TSA tradicional os membros podem influenciar em até 12% o resultado, sendo que na novo método isso não ocorreu.

    Porém, outros estudos 14, 15 relatam que além dos membros superiores, o tamanho do tronco e o nível de protusão do ombro também influenciam o resultado do TSA, pois como o objetivo do teste é alcançar, com as mãos, o maior deslocamento possível, tanto um quanto outro contribuiriam para um melhor resultado.

    Dessa maneira, para evitar a influencia desses fatores no resultado do TSA, Chagas e Bhering 12, propuseram uma adaptação no aparato, ajustando a escala de medida horizontal e verticalmente de acordo com o tamanho dos membros superiores e tronco, respectivamente, dos avaliados, eliminando assim a influencia destes no resultado.

    Outra questão que é determinante no desempenho no TSA é o aparato, pois, segundo Cardoso et al16, quando executamos o teste, deixamos os tornozelos dorsifletido a 90°, assim ao flexionarmos o tronco à frente tencionamos a região posterior da perna, o que pode levar a um falso positivo de ísquio-tibiais encurtados. Para isso, ele propôs uma abertura no aparato, de maneira que apenas os calcanhares ficam apoiados, isolando assim os gastrocnêmicos, não interferindo assim no resultado do teste.

Conclusão

    Com base nos resultados obtidos com a análise de correlação entre as variáveis estatura e envergadura em relação ao desempenho no TSA, verificou-se que, tanto a primeira quanto a segunda influenciam no resultado, sendo que os avaliados com maior estatura obtiveram melhor desempenho no teste, assim como os com maior envergadura.

    Por tanto pode-se dizer que o TSA apresenta algumas limitações para avaliar a flexibilidade envolvendo a musculatura ísquio-tibial e a região lombar de adolescentes.

Referências bibliográficas

  1. NIEMAN, D. C. Exercício e saúde: como se prevenir de doenças usando o exercício como seu medicamento. São Paulo: Manole, 1999.

  2. ARAÚJO, C.G.S. Avaliação e treinamento da flexibilidade. In: Ghorayeb N, Barros Neto TL (eds). O Exercício. São Paulo: Atheneu, 1999, pg. 25-34.

  3. WEINECK, J. Biologia do Esporte. São Paulo: Manole, 1991.

  4. ROMAN, E.R. Crescimento, composição corporal e desempenho motor de escolares de 7 a 10 anos de idade do município de Cascavel – PR. 2004. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004.

  5. SERASSUELO JÚNIOR, H.; RODRIGUES, A.R.; CYRINO, E.S.; RONQUE, E.R.V.; OLIVEIRA, S.R.S.; SIMÕES, A.C. Aptidão física relacionada à saúde em escolares de baixo nível socioeconômico do município de Cambé/PR. Rev. Educ. Fís., v.16, p. 713, 2005.

  6. MACHADO, D. R. L. Maturação esquelética e desempenho motor em crianças e adolescentes. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

  7. ACSM. Manual do ACSM para teste de esforço e prescrição de exercício. 5.ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.

  8. ARAUJO, C.G.S. Correlação entre diferentes métodos lineares e adimensionais de avaliação da mobilidade articular. Rev. Bras. Ciên. e Mov. 8 (2): 27-34, 2000.

  9. REILLY, T. Sports Fitness and Sports Injuries. London: Faber & Faber, 1981, p. 61-69.

  10. COELHO C.W., TEIXEIRA M.S., PEREIRA M.I.R., ARAÚJO C.G.S. Há relação entre aumento da flexibilidade com programa de exercício físico supervisionado e melhoria de qualidade de vida. In: Anais do XXI Simpósio Internacional de Ciências do Esporte, São Paulo, 1998.

  11. WELLS K.F., DILLON E.K. The sit and reach - a test of back and leg flexibility. Res Quart; 23:115-8,1952.

  12. CHAGAS, M.H. & BHERING, E.L. Nova proposta para avaliação da flexibilidade. Rev. bras. Educ. Fís. Esp, São Paulo, v.18, n.3, p.239-48, jul./set. 2004.

  13. HOEGER, W.W.K.; HOPKINS, D.R. A comparison of the sit and reach and the modified sit and reach in measurement of flexibility in women. Research Quarterly for Exercise and Sport, Washington, v.63, n.2, p.191-5, 1992.

  14. IOUSHIN, A. Sit and reach test: how to increase the quality of flexibility diagnostics? In: Annual Congress of the European College of Sport Science, 6, 2001, Cologne. Proceedings Cologne: Sport und Buch Strauss Gmbh, p.474. 2001.

  15. HUI, S.S-C.; YUEN, P.Y., MORROW, J.R.; JACKSON, A.W. Comparison of the criterion-related validity of sit-andreach tests with and without limb length adjustement. Research Quarterly for Exercise and Sport, Washington, v.70, p.401-6, 1999.

  16. Cardoso J.R.; Azevedo N.C.T.; Cassano C.S.; Kawano M.M.; Âmbar G. Confiabilidade intra e interobservador da análise cinemática angular do quadril durante o teste sentar e alcançar para mensurar o comprimento dos isquiotibiais em estudantes universitários. Rev. bras. fisioter. vol.11 no.2 São Carlos Mar./Apr. 2007.

Outros artigos em Portugués

  www.efdeportes.com/
Búsqueda personalizada

EFDeportes.com, Revista Digital · Año 15 · N° 148 | Buenos Aires, Septiembre de 2010
© 1997-2010 Derechos reservados