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O projeto político-pedagógico da
escola e a abordagem cognitivista do estágio
curricular supervisionado em Educação Física

   
*Licenciado em EF pelo CEFD da UFSM. Especialista em EF
Escolar CEFD/UFSM. Mestre em Educação pelo Programa de
Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da UFSM.
**Doutor em Educação e em Ciência do Movimento Humano PPGE/CE/UFSM.
Professor Adjunto do Departamento de Metodologia do Ensino CE/UFSM.
(Brasil)
 
 
Marcio Salles da Silva*
marciosalless@yahoo.com.br  
Hugo Norberto Krug**
hnkrug@bol.com.br
 

 

 

 

 
Resumo
     Objetivamos analisar a adequação da Abordagem Cognitivista utilizada pela disciplina de Estágio Curricular Supervisionado (ECS) do Curso de licenciatura em Educação Física da UFSM com o Projeto Político Pedagógico (PPP) da Escola Verde, assim como os apontamentos na formação inicial dos acadêmicos. A metodologia fundamentou-se na fenomenologia, caracterizou-se por ser um estudo de caso com abordagem qualitativa. Os instrumentos utilizados para a coleta de informações foram o PPP da Escola Verde, a Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986) e a bibliografia existente. Para as interpretações das informações seguiu a metodologia de análise de conteúdo. Através dos achados da investigação, podemos notar que, o PPP da Escola Verde trata o educando a partir de uma abordagem dialética levando em consideração a sua historicidade enquanto agente no mundo, para que ocorra a transformação social, enquanto a Abordagem Cognitivista leva em consideração a ação do indivíduo, como o centro do processo e o fator social do educando, e a partir da análise, ocorrerá uma perspectiva de construcionismo interacionista. Os demais apontamentos teóricos demonstram compatibilidades nas estruturações com complementações. Ao final notamos que os alunos do ECS além de iniciar a instrumentação teórica na Abordagem Cognitivista, devem deter-se também nos apontamentos que o PPP evidencia.
    Unitermos: Formação de professores. Estágio curricular supervisionado. Projeto político pedagógico. Abordagem cognitivista. Educação Física escolar.

Este artigo representa algumas idéias desenvolvidas pelo autor no VI Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul.
Santa Maria (Brasil) no ano de 2006, pelo PPGE/CE/UFSM - Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria.

 

 
http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - N° 122 - Julio de 2008

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Introdução

O ponto de partida da investigação

    O Projeto Político Pedagógico (PPP), é o documento que depois de formulado deve nortear todas as ações da escola e sua construção dá-se na coletividade.

    O instrumento imprescindível para esse acontecimento é o planejamento participativo, que colabora no sentido da efetiva participação de todos nas decisões. Vasconcellos (2000, p. 169) revela que o PPP "pode ser entendido como a sistematização, nunca definitiva, de um processo de Planejamento Participativo, que se aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, que fefine claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar". Assim, o planejamento participativo é a base para o Projeto Político Pedagógico poder construir a identidade da escola e dos sujeitos que a congregam. Desta forma, educando e educador, bem como a comunidade em geral podem exercer sua cidadania, percebendo-se como sujeitos socio-históricos na construção de uma nova sociedade.

    A escola também é palco para que acadêmicos estagiários possam ter os primeiros contatos com a docência. Para Machado (1994) o Estágio é um momento rico para o estagiário, pois é uma oportunidade de ser mais estudioso, rever as suas teorias e ser pesquisador.

    Dentre as disciplinas que constam no currículo de Licenciatura em Educação Física, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), destaca-se, pela sua relevância, o Estágio Curricular Supervisionado (ECS), que tem por atribuições precípuas colocar o futuro profissional com contato com a realidade educacional, desenvolvendo-se estilos de ensino, possibilitando adequadas seleções de objetivos, conteúdos, estratégias e avaliações, entre outras finalidades. Para tanto, o Estágio Curricular Supervisionado deve fornecer subsídios para a formação do futuro professor, tanto no aspecto teórico quanto prático, a fim de que possa desenvolver um trabalho docente competente (FERREIRA; KRUG, 2001).

    A Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986) surge como aporte teórico-metodológico que implica em um direcionamento estruturado com orientações para que ocorra a prática pedagógica na disciplina ECS do curso de Educação Física da UFSM.

    Segundo Siedentop (1983) a competência pedagógica é desenvolvida à medida que o professor vai exercendo a sua profissão, pois ela é o domínio da atividade do professor no processo pedagógico.

    Lembramos que o acadêmico estagiário estando no ambiente escolar, este deverá procurar informações sobre a realidade da escola, e, isto ocorrerá à partir do momento da consulta do PPP.

    Baseando-se nessas premissas surgiu o problema que originou esta pesquisa: Quais são os pontos em comum da Abordagem Cognitivista utilizada pela disciplina ECS do curso de Educação Física da UFSM e do PPP da Escola Verde e seus apontamentos na formação inicial dos acadêmicos?

    Assim, esta investigação teve como objetivo analisar a adequação da Abordagem Cognitivista utilizada pela disciplina de ECS do Curso de Educação Física da UFSM com o PPP da Escola Verde, assim como os apontamentos na formação inicial dos acadêmicos.

    Justificou-se esta investigação considerando-se que somente leis não asseguram autonomia e gestão democrática, peças-chave para construção participativa do PPP, mas sim, concretiza-se através do real comprometimento da comunidade escolar, na elaboração, aplicação e avaliação, sendo um processo contínuo, onde cada indivíduo trabalha em prol do coletivo. Também se justificou pela existência de integração entre a Universidade e Escolas (de ensino infantil, fundamental e médio), onde ECS inserido no contexto educacional, acontece contribuindo para a formação dos acadêmicos do curso de Educação Física, bem como para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. Assim, nesta relação acreditamos que será possível um verdadeiro movimento voltado à transformação e qualificação da Educação, vindo a ser o educando prioridade em todo este processo de democratização da escola.


A metodologia da investigação

    A investigação caracterizou-se pelo enfoque fenomenológico sob a forma de um estudo de caso com abordagem qualitativa. Os instrumentos utilizados para a coleta de informações foram o PPP da Escola Verde, a Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p. 59-84) e a bibliografia existente. Para as interpretações das informações seguiu a metodologia de análise de conteúdo (BARDIN, 1977).


Os achados da investigação

Homem e Mundo

    Para o PPP da Escola Verde a concepção de Homem vem a ser como "sujeito histórico, produto e produtor das relações econômicas, sociais, culturais e políticas que o transformam e são transformados pelos conflitos estabelecidos entre as diferentes classes sociais" e a participação "como processo educativo, conscientizador, transformador e de luta, pela construção de uma sociedade justa e igualitária".

    Já na Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p. 60) "homem e mundo são analisados conjuntamente, já que o conhecimento é o produto da integração entre eles, entre sujeito e objeto".

No seu desenvolvimento, a criança irá reinventar todo o processo racional da humanidade e, na medida em que ela reinventa o mundo, desenvolve-se a sua inteligência. Um fenômeno básico no desenvolvimento da criança é caracterizado pela acoplagem do sistema simbólico à atividade real, o que lhe possibilita por o pensamento a serviço da ação (Ibid, p. 61).

    Assim, o PPP da Escola Verde leva em consideração a historicidade dos sujeitos, o que não é encontrado na Abordagem Cognitivista, porém ambos os documentos contemplam um processo de educação que irá transformar e/ou reinventar um mundo melhor.


Sociedade e Cultura

    A Escola Verde, no PPP, trata como sua função social "produzir conhecimentos e criar relações positivas e democráticas entre os sujeitos envolvidos no processo educativo, para que a Escola seja efetivamente uma Escola Cidadã, que priorize o acesso, permanência e sucesso dos alunos".

    Para a Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p. 63) "a deliberação coletiva, a deliberação grupal, evita que interesses egocêntricos predominem na decisão. O egocentrismo é caracterizado por imaturidade intelectual e afetiva".

A democracia , pois, é uma conquista gradual e deve ser praticada desde a infância, até a superação do egocentrismo básico do homem. (...) A democracia não seria um produto final, mas uma tentativa constante de conciliação, estando em constante reequilibração. Seus mecanismos básicos imprescindíveis são a deliberação coletiva, discussão e, através destes, a contínua revisão dos compromissos tomados anteriormente (Ibid, 63).

    Desta forma, consideramos que as relações democráticas são palco de explanação tanto no PPP da Escola Verde como na Abordagem Cognitivista, entretanto, notamos que ambos complementam-se, pois a produção de conhecimentos na coletividade é o que deve nortear a educação, já que tanto a individualidade como na fragmentação dos objetos de estudo ocorrerá um determinado direcionamento na formação dos sujeitos no ambiente escolar, sendo que o PPP deve nortear as ações ocorridas na escola.


Conhecimento

    Em relação ao conhecimento, o PPP da Escola Verde trata,

como processo de construção e reconstrução e, enquanto processo não está pronto, sendo revestido de significado a partir das experiências dos sujeitos-educandos, uma vez que toda criança, jovem ou adulto quando chega à escola traz consigo vivências pessoais, familiares e práticas culturais comunitárias e sociais, as quais deverão ser articuladas com novos conhecimentos, transformando o saber popular em saber elaborado através da ação-reflexão-ação.

    Para a Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p. 63-64) "o conhecimento é considerado como uma construção contínua. A passagem de um estado de desenvolvimento para o seguinte é sempre caracterizada por formação de novas estruturas que não existiam anteriormente no indivíduo".

O verdadeiro conhecimento, no entanto, implica no aspecto endógeno (fase da compreensão das relações, das combinações), pois pressupõe uma abstração. Essa abstração (...) pode ser reflexiva ou empírica. A abstração empírica retira as informações do próprio objeto e a reflexiva só é possível graças as operações (coordenações das ações), a partir das próprias atividades do sujeito (Ibid, p. 65). No processo de conhecimento e aquisição de conhecimento, o mundo deve ser reinventado pela criança (Ibid, p. 67).

    O PPP da Escola Verde leva em consideração as "experiências dos educandos", o que não é encontrado na Abordagem Cognitivista. Mas o "conhecimento" é considerado através de uma "construção contínua", para ambos os documentos, como as demais referências encontradas estão coerentes em seus tratamentos.


Educação

    No PPP da Escola Verde, a educação vem a ser "como agente de democratização do acesso e permanência com sucesso sintonizada com o projeto de emancipação das classes populares, pautada nos princípios de inclusão social e da construção da cidadania".

    Na Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p. 71) a educação deve permear "a autonomia intelectual que será assegurada pelo desenvolvimento da personalidade e pela aquisição de instrumental lógico-racional. A educação deverá visar que cada aluno chegue a essa autonomia".

A educação pode ser considerada igualmente como um processo de socialização (que implica equilíbrio nas relações interindividuais e ausência de regulados externo/ordens externas), ou seja, um processo de 'democratização das relações'. Socializar, nesse sentido, implica criar-se condições de cooperação. A socialização implica na criação de condições que possibilitem a superação da coação dos adultos sobre o comportamento das crianças. O sistema escolar, por sua vez, deveria possibilitar a autonomia, circunstância necessária para que os alunos pratiquem e vivam a democracia (Ibid, p. 71).

    Os documentos, PPP da Escola Verde e a Abordagem Cognitivista, demonstram uma total sintonia ao tratarem do tema "educação". Não havendo contrapontos pertinentes, ocorrendo complementação teórica entre ambos.


Escola

    A Escola Verde relata, no PPP, que o

desenvolvimento será ligado diretamente à cultura, ou seja, às características individuais de uma criança dependem, na realidade, da interação que esta estabelece com o seu meio físico e social, a partir de sua realidade concreta. As conquistas individuais são sempre resultado de um processo coletivo vivenciado no grupo (familiar, escolar, vizinhança...). O desenvolvimento humano depende fundamentalmente da existência de situações propícias ao aprendizado, portanto a escola assume um papel fundamental na formação desses sujeitos.

    A finalidade e os objetivos da escola (que oferece a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos) são:

Atribuir competências e habilidades a todos os sujeitos envolvidos no processo educativo, respeitando-se os limites de seus processos de desenvolvimento, a diversidade e a singularidade de suas possibilidades; Construir autonomia, espírito de cooperação, reciprocidade; Produzir conhecimentos e criar relações positivas e democráticas entre todos os segmentos envolvidos; Favorecer a transformação grupal através do respeito mútuo, do diálogo, da participação e engajamento; Garantir o acesso e permanência com sucesso a todos.

    A Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p. 72-73) revela que

a escola deveria começar ensinando a criança a observar. A escola, deveria dar a qualquer aluno a possibilidade de aprender por si próprio, oportunidades de investigação individual, possibilitando-lhe todas as tentativas, todos os tateios, ensaios que uma atividade real pressupõe...

    Ainda encontramos em Mizukami (1986, p.73-74) que

um tipo de escola coerente com essa abordagem (cognitivista) deverá oferecer às crianças liberdade de ação, e ao mesmo tempo, impor trabalho com conceitos, em níveis operatórios consoante o estágio de desenvolvimento do aluno, num processo de equilíbrio-desequilíbrio. Não se concebe, no entanto, que a atividade do aluno e o 'como' trabalho os conceitos sejam dirigidos. A forma de solução deverá ser peculiar a cada aluno.

    Em ambos os documentos, encontramos uma grande consistência e significações, onde há complementação de termos (palavras e estruturação de frases), evidenciando coerências bibliográficas.


Ensino-aprendizagem

    No PPP da Escola Verde a metodologia de ensino-aprendizagem destaca que "é preciso que os educadores se percebam como organizadores de situações didáticas e de atividades que tenham sentido para os alunos, envolvendo-os e, ao mesmo tempo, gerando aprendizagens fundamentais". Com uma metodologia participativa e reflexiva que:

Valoriza o educando em sua experiência social como indivíduo; Busca a globalização dos saberes propostos no currículo, pela abordagem multidimensional do conhecimento; Prioriza a pesquisa como o eixo desencadeador do processo de construção/criação/re-elaboração; Considera a individualidade e o ritmo de crescimento de cada um, priorizando a construção coletiva do conhecimento; Oportuniza situações concretas para o crescimento integral da pessoa humana, desenvolvendo sua capacidade de pensar, criar, produzir, criticar, ser agente de transformação social.

    A Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p. 75) revela que na relação ensino-aprendizagem ocorrerá

um ensino que procura desenvolver a inteligência deverá priorizar as atividades do sujeito, considerando-o inserido numa situação social. (...) O ensino que seja compatível com a teoria piagetiana tem de ser baseado no ensaio e no erro, na pesquisa, na investigação, na solução de problemas por parte do aluno, e não em aprendizagem de fórmulas, nomenclaturas, definições etc. A descoberta irá garantir ao sujeito uma compreensão da estrutura fundamental do conhecimento. (...) O ponto fundamental do ensino, portanto, consiste em processos e não em produtos de aprendizagem. (...) A inteligência é o instrumento de aprendizagem mais necessário. Sob tal perspectiva, o ensino consistiria em organização dos dados da experiência, de forma a promover um nível desejado de aprendizagem.

    Notamos que há divergência teórica, pois, para o PPP da Escola Verde há uma valorização do educando em sua "experiência social", dando a entender que o histórico do aluno é evidenciado além da sua posição social, enquanto que, a Abordagem Cognitivista considera o educando numa "situação social", portanto apenas o posicionamento do educando em relação a sociedade é levado em consideração. Nos demais tratamentos relacionados ao tema "ensino-aprendizagem" há uma complementação entre os documentos.


Professor-aluno

    Para o PPP da Escola Verde a relação professor-aluno "deverá ser democrática, solidária, horizontal, em constante interação, possibilitando a humanização e conscientização, ajudando-o a se comprometer no processo de transformação social".

    Para a Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p. 77-78) a relação professor-aluno deve permear os seguintes itens:

Caberá ao professor criar situações, propiciando condições onde possam se estabelecer reciprocidade intelectual e cooperação ao mesmo tempo moral e racional; Cabe ao professor evitar rotina, fixação de respostas, hábitos. Deve simplesmente propor problemas aos alunos, sem ensinar-Ihes as soluções; Sua função consiste em provocar desequilíbrios, fazer desafios; Deve orientar o aluno e conceder-lhe ampla margem de autocontrole e autonomia; Deve assumir o papel de investigador, pesquisador, orientador, coordenador, levando o aluno a trabalho o mais independentemente possível; O professor deve conviver com os alunos, observando seus comportamentos, conversando com eles, perguntando, sendo interrogado por eles, e realizar, também com eles, suas experiências, para que possa auxiliar sua aprendizagem e desenvolvimento; O aluno deve ser tratado de acordo com as características estruturais próprias de sua fase evolutiva e o ensino precisa, conseqüentemente, ser adaptado ao desenvolvimento mental e social; Cabe ao aluno um papel essencialmente ativo e suas atividades básicas, entre outras, deverão consistir em: observar, experimentar, comparar, relacionar, analisar, justapor, compor, encaixar, levantar hipóteses, argumentar, etc.

    Os documentos, PPP da Escola Verde e a Abordagem Cognitivista, demonstram uma grande interação teórica ao tratarem do tema "professor-aluno", pois não há discordâncias.


Metodologia

    A Escola Verde, no seu PPP, relata que a metodologia

terá uma abordagem dialética e deverá criar no ambiente de sala de aula situações problematizadoras e desafiadoras em função do nível de competência dos alunos. Os conteúdos serão trabalhados de forma contextualizada, partindo sempre do contexto histórico-social no qual se encontram os alunos. Para tanto, o professor deve lançar mão dos recursos que a Escola oferece, tais como: trabalho com vídeos, computadores, jornais e revistas; com o objetivo de criar ambientes de ensino e aprendizagem que favoreçam a postura crítica, a curiosidade, a observação e análise, a troca de idéias de forma que o aluno possa ter autonomia no seu processo de aprendizagem, buscando e ampliando conhecimentos.

    Se tratando da metodologia, a Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p. 78-82) evidencia os seguintes tópicos:

A ação do indivíduo, pois, é o centro do processo e o fator social ou educativo constitui uma condição de desenvolvimento; O trabalho em grupo, a discussão deliberada em comum, não só é condição para o desenvolvimento mental individual, para a autonomia dos indivíduos; Caberá ao pedagogo, ao educador, planejar situações de ensino onde os conteúdos e os métodos pedagógicos sejam coerentes com o desenvolvimento da inteligência e não com a idade cronológica dos indivíduos; A utilização de recursos audiovisuais e instrumentos icônicos não é suficiente para desenvolver atividade operatória, pois estes concretizam as matérias de ensino de modo figurativo, sendo uma das características do denominado ensino intuitivo (ensino tradicional); Deve procurar estabelecer relações entre os diferentes ramos do saber e não reduzir formalmente o conhecimento a matérias de ensino; Será um método adequado à forma de aquisição e desenvolvimento dos conhecimentos, a partir de uma perspectiva de construcionismo interacionista.

    Na metodologia da Escola Verde é evidenciado o "contexto histórico-social" dos alunos, enquanto na Abordagem Cognitiva foi encontrado o "fator social" como palco de análise do aluno. Concordamos com Mizukami quando relata que os "recursos audiovisuais e icônicos" não são suficientes para que ocorra a educação, pois sempre é necessário a superação do método de trabalho. Nos demais apontamentos dos documentos há coerência teórica.


Avaliação

    Para a Escola Verde, em seu PPP, a avaliação

será emancipatória e diagnóstica e servirá de momento de reflexão para determinar caminhos. Segundo Vasco Pedro Moreto, a avaliação é 'um momento privilegiado de estudo. Nele o aluno deve sentir-se livre para produzir, para demonstrar o resultado de um processo de construção de conhecimento e não apenas a acumulação de dados'.

    Já para a Abordagem Cognitivista (MIZUKAMI, 1986, p.82), a avaliação:

Terá de ser realizada a partir de parâmetros extraídos da própria teoria e implicará verificar se o aluno adquiriu noções, conservações, realizou operações, relações, etc. O rendimento poderá ser avaliado de acordo com a sua aproximação a uma norma qualitativa pretendida; O controle do aproveitamento deve ser apoiado em múltiplos critérios, considerando-se principalmente a assimilação e a aplicação em situações variadas; Não há, pois, pressão no sentido de desempenho acadêmico e desempenhos padronizados, durante o desenvolvimento cognitivo do ser humano.

    Os documentos, PPP da Escola Verde e a Abordagem Cognitivista, demonstram sintonia ao tratarem do tema "avaliação". Não havendo contrapontos pertinentes, ocorrendo complementação teórica entre ambas.


O ponto de chegada da investigação

    A partir dos achados da investigação, podemos notar que, em relação ao "Homem e Mundo", ao "Conhecimento", ao "Ensino-aprendizagem" e a "Metodologia" o PPP da Escola Verde trata o educando a partir uma abordagem dialética levando em consideração a sua historicidade enquanto agente no mundo, para que ocorra a transformação social, enquanto a Abordagem Cognitivista leva em consideração a ação do indivíduo, como o centro do processo e o fator social do educando, e à partir da análise, ocorrerá uma perspectiva de construcionismo interacionista, ou seja, ambas procuram a socialização do indivíduo, mas o início do caminho para que ocorra esta socialização, é diferente. Logo, em relação a "Sociedade e Cultura", a "Educação", ao "Professor-Aluno" e a "Avaliação" demonstram compatibilidades nas estruturações e complementações teóricas acerca do que é proposto tanto pelo PPP da escola como pela Abordagem Cognitivista.

    Entendemos que, os acadêmicos do curso de licenciatura em Educação Física, da UFSM, ao cursarem a disciplina de ECS, realizado em escolas, devem, além de iniciar a instrumentação teórica na Abordagem Cognitivista, utilizada pelo professor da disciplina, também devem deter-se, nos apontamentos que o PPP da Escola Verde evidencia, pois através deste documento os acadêmicos estagiários encontrarão informações sobre os objetivos da escola e as necessidades que a comunidade escolar evidencia.

Sobre as etapas de desenvolvimento cognitivo dos professores, na primeira etapa, como aquela que muitos professores principiantes atravessam, assim como, certamente, alunos em práticas, quando se iniciam na profissão de docência, (...) demonstram necessidade de controle de situações, insegurança e submissão à opinião dos que são considerados superiores. Na dimensão do desenvolvimento do Eu, esta etapa caracteriza-se por um elevado conformismo às normas e regras sociais reinantes, assim como pelo desejo de agradar aos seus pares (GARCÍA, 1999).

    Sobretudo destacamos que é necessária a participação dos acadêmicos estagiários nas reuniões pedagógicas realizadas na escola, pois os temas do PPP também são palco de discussões e o envolvimento da educação dá-se enquanto processo de formação continuada.


Referências bibliográficas

  • BARDIN, L. tradução de Luis Antero Neto e Augusto Pinheiro. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

  • FERREIRA, F. F.; KRUG, H. N. A reflexão na Prática de ensino em Educação Física. In: KRUG, H. N. Formação de professores reflexivos: ensaios e experiências. Santa Maria: O Autor, p. 83-114, 2001.

  • GARCÍA, C. M. Formação de professores: para uma mudança educativa. Porto: Porto, 1999.

  • MACHADO, N. P. O estágio curricular na Faculdade de Educação na UFCE. In: VII ENDIPE. Anais..., Goiânia, 1994. p. 131.

  • MIZUKAMI, M. da G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.

  • SIEDENTOP, D. Developing teaching skills in Physical Education. 2 e., Ohio: Mayfield Publish Company, 1983.

  • VASCONCELLOS, C. dos S. Planejamento: projeto de ensino aprendizagem e projeto político-pedagógico. 9 ed. São Paulo: Libertad, 2000.

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