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Estágio em Educação Física: importância da postura no exercício

Internship in Physical Education: importance of posture in the exercise

Pasantía en Educación Física: la importancia de la postura en el ejercicio

 

Tarley Neves Silva*

nevestarley@hotmail.com

Jean Silva Bomfim**

jeanbomfim.lr@gmail.com

Fábio Fernandes Flores***

fabioedfgbi@gmail.com

 

*Licenciado em Educação Física pela Universidade

do Estado da Bahia (UNEB) – Campus XII

Professor de Educação Física da rede municipal de Botuporã (Bahia)

Árbitro de Futebol de Campo

**Discente do curso de Educação Física

da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus XII

***Licenciado em Educação Física pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), 

especialista em Educação Física Escolar pelo CEPPEX - FUNORTE

e em Atividade Física, Saúde e Sociedade (UNEB)

(Brasil)

 

Recepção: 22/10/2018 - Aceitação: 29/03/2019

1ª Revisão: 06/03/2019 - 2ª Revisão: 23/03/2019

 

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt

 

Resumo

    O estágio representa o momento do uso do conhecimento advindo, sobretudo, da formação acadêmica, sendo uma oportunidade para conhecer mais acerca da intervenção do seu respectivo curso. O objetivo deste trabalho é descrever a experiência de Estágio VIII, tendo como objeto a postura corporal. É um estudo qualitativo e descritivo, originado através de um relato de experiência vivenciado pelos autores durante o componente Desenvolvimento de Ações Pedagógicas na Educação Física Não Formal II (Estágio VIII). O estágio aconteceu numa academia privada do município de Guanambi (BA), sendo dividido em duas etapas: observação (1 semana) e intervenção (8 semanas). A intervenção teve como finalidade realizar ajustes durante o treino referente ao posicionamento corporal, ocorrendo com 5 participantes. O cronograma da intervenção foi dividido em 4 quinzenas, em cada 1 houve ênfase em determinada articulação: coluna, cintura escapular, quadril e joelho. As informações da vivência foram registradas no diário de bordo. Na coluna vertebral foi verbalizado desconfortos e foi enfatizado o fortalecimento do abdômen; na cintura escapular notamos que apresentavam dificuldades em realizar exercícios e trabalhamos no alinhamento corporal; no quadril observamos a ocorrência da inclinação pélvica e trabalhamos também no alinhamento corporal e; no joelho houve relato de dores durante o exercício e ao caminhar por muito tempo, por isso foram realizados ajustes distintos; diante das ações, ouvimos e visualizamos melhoras na postura durante a execução dos exercícios. Portanto, o componente possibilitou uma aprendizagem ampliada e fez com que tivéssemos uma experiência no sentido da preparação profissional.

    Unitermos: Estágio. Educação física. Postura. Exercício.

 

Abstract

    The internship represents the moment of use of knowledge coming mainly from the academic formation, being an opportunity to know more about the intervention of its respective course. The objective of this work is to describe the experience of Stage VIII, having as object body posture. The same is qualitative and descriptive, originated through a report of experience experienced by the authors during the component of Development of Pedagogical Actions in Non-Formal Physical Education II (Stage VIII). The internship took place in a private academy in the municipality of Guanambi (BA), divided into two stages: observation (1 week) and intervention (8 weeks). The purpose of the intervention was to adjust during the training regarding body positioning, occurring with 5 participants. The timing of the intervention was divided in 4fortnights, in each 1 emphasis was given to a specific joint: spine, shoulder girdle, hip and knee. The living information was recorded in the logbook. In the spine was verbalized discomforts and was emphasized the strengthening of the abdomen; in the shoulder girdle we noticed that they presented difficulties in performing exercises and we worked in the corporal alignment; in the hip we observe the occurrence of the pelvic tilt and also work in the corporal alignment; and in the knee there were reports of pain during exercise and walking for a long time, and therefore different adjustments were made; in front of the actions, we hear and visualize improvements in the posture during the execution of the exercises. Therefore, the component made possible an extended learning and made us have an experience in the sense of professional preparation.

    Keywords: Internship. Physical education. Posture. Exercise.

 

Resumen

    La pasantía representa el momento de la aplicación del conocimiento adquirido, sobre todo, en la formación académica, siendo una oportunidad de conocer más acerca de la intervención de su respectivo curso. El objetivo de este trabajo es describir la experiencia de Pasantía VIII, teniendo como objeto la postura corporal. El mismo es cualitativo y descriptivo, originado a través de un relato de experiencias vivido por los autores durante el componente Desarrollo de Acciones Pedagógicas en la Educación Física No Formal II (Pasantía VIII). La pasantía se realizó en una gimnasio privado del municipio de Guanambi (BA), dividiéndose en 2 etapas: observación (1 semana) e intervención (8 semanas). La intervención tuvo como finalidad realizar ajustes durante el entrenamiento referentes al posicionamiento corporal, y se llevó a cabo con 5 participantes. El cronograma de la intervención fue dividido en 4 quincenas, en cada una se puso énfasis en determinada articulación: columna, cintura escapular, cadera y rodilla. La información de la vivencia se registró en el cuaderno diario. En la columna vertebral se verbalizaron molestias y se enfatizó el fortalecimiento del abdomen; en la cintura escapular notamos que presentaban dificultades en realizar ejercicios y trabajamos en la alineación corporal; en la cadera observamos la ocurrencia de la inclinación pélvica y trabajamos también en la alineación corporal; y en la rodilla hubo relato de dolores durante el ejercicio y al caminar por mucho tiempo, y por eso se realizaron diversos ajustes; ante estas intervenciones, escuchamos y visualizamos mejoras en la postura durante la ejecución de los ejercicios. Por lo tanto, el componente posibilitó un mayor aprendizaje e hizo que tuviéramos una experiencia orientada a la preparación profesional.

    Palabras clave: Pasantía. Educación física. Postura. Ejercicio.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 251, Abr. (2019)


 

Introdução

 

    O estágio representa o momento do uso do conhecimento advindo, sobretudo da formação acadêmica, sendo uma oportunidade de conhecer mais acerca da intervenção do seu respectivo curso, pois estará diante do cotidiano laboral, o que implica em presenciar e tentar resolver situações-problemas. Sobre o assunto, Vieira et al. (2013) apontam que exercitar o conteúdo da sala de aula é imprescindível para o amadurecimento do futuro profissional, tendo o estágio como a capacitação para ingressar no mercado de trabalho.

 

    Esta inserção tem sido um desafio, visto que a exigência por experiência é um requisito básico na maioria das instituições (públicas e privadas), além dela, os aspectos sociais e comportamentais relacionados ao trabalho, tais como a interação entre equipes e o contexto organizacional interno e externo, também têm sido valorados (Mesquita; França, 2011). Desta maneira, o corpo discente deve aproveitar o componente curricular, Estágio, para compreender a dinâmica do ser profissional.

 

    Com isso, percebe-se que estagiar é muito mais que o saber, é preciso intervir com base no conteúdo, bem como compreender as peculiaridades do local. Deste modo, Pimenta e Lima (2012, p. 45) afirmam que “o estágio curricular é atividade teórica de conhecimento, fundamentação, diálogo e intervenção na realidade”.

 

    O estágio é também um momento para a construção da identidade profissional, para o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento saudáveis frente aos estressores típicos das profissões e,para o desenvolvimento de competências interpessoais importantes para a vida pessoal e profissional (Rudnicki; Carlotto, 2007). Desta forma, podendo auxiliar o estagiário a compreender e enfrentar o mundo do trabalho, bem como contribuir para a formação de sua consciência política e social (Mesquita; França, 2011).

 

    Neste processo é preponderante a aliança entre professor-supervisor e estagiário, pois sua concretude possibilita a superação das eventualidades do período pelo qual o discente está passando, visto que o docente deverá cooperar com sua tarefa, tendo como pressupostos a motivação e a disposição racional (Rudnicki; Carlotto, 2007).

 

    Além disso, é importante uma autoavaliação constante do estagiário para ajudá-lo a entender quais são os seus aspectos potenciais e frágeis. De modo ampliado e explicativo, Soares (2013) indica que isto permite ao aluno controlar as ações na realização da tarefa, em função dos critérios estabelecidos, ação indispensável para que este possa verificar no fim da atividades e o resultado foi alcançado com êxito.Assim, tal processo reunirá condições para reformular o percurso estabelecido, criando alternativas quando não obtiver êxito.

 

    O Regimento Geral da Universidade do Estado da Bahia prevê o encaminhamento do corpo discente aos campos de atuação, sendo acompanhado de perto pelos profissionais responsáveis, através dos instrumentos institucionalizados e avaliação. E,“[...] será exercida na forma de coparticipação e regência de classe, em situações contextualizadas com a sua futura atividade profissional, avaliada conjuntamente pela Universidade e a escola campo de estágio, na forma do Regulamento de Estágio” (UNEB, 2012, p.76). Deste modo, quem está estagiando deve aprender sobre as incumbências do exercício da profissão, dentre as características necessárias estão à pontualidade, responsabilidade, noções organizacionais e proatividade.

 

    A proposta de intervenção do estágio foi decidida após o período de observação. Na ocasião foram observados erros posturais durante a execução dos exercícios no treinamento de força, os quais podem prejudicar tanto nos resultados como implicar na incidência de lesões. Sendo assim, decidimos intervir com o objetivo de orientara postura ideal durante os exercícios, porque entendemos que isso poderá ser benéfico não somente dentro da academia, pois uma boa postura é de fundamental importância ao executar cada exercício, tanto para benefícios gerais quanto na prevenção de algumas doenças (Baroni et al., 2010).

 

    A postura pode ser conceituada por meio da consciência e percepção do alinhamento do corpo. O alinhamento postural é um estado de homeostasia e equilíbrio do nosso corpo que gera um menor gasto energético dos músculos, visando resguardar o organismo de traumas. Esta estabilização acontece quando a base de sustentação dos membros inferiores e o centro de gravidade estão em uma vertical homogênea (Neto Junior; Pastre; Monteiro, 2004).

 

    Na postura ideal, as estruturas articulares e musculares esqueléticas devem manter-se estabilizadas, protegendo o corpo de lesões e deformidades, visto que os segmentos corporais são vulneráveis a ação da força da gravidade e, com os desalinhamentos posturais acontece um maior gasto energético devido a maior atividade muscular exigida, desproporcionando as cadeias musculares (Gonçalves et al., 2012).

 

    Revelando uma preocupação com este cuidado, pesquisas mostram dados importantes, como é apontado por Baroni et al. (2010), ao destacarem que praticantes de treinamento resistido (musculação) apresentaram consideráveis índices de desvios posturais, destacando as alterações na coluna vertebral (aumento da curvatura ou retificação): 43, 4% na região cervical, 55, 2% na torácica e 73, 8% na lombar. Já Rolla et al. (2004) evidenciaram que mais de 50 % dos alunos que frequentam academias de Belo Horizonte constataram a percepção de algum tipo de lesão; destes, 48% confiavam que estavam relacionadas às atividades realizadas na academia; em relação à localização, o joelho foi o segmento corporal mais citado, seguido por ombro e coluna.

 

    De forma ampliada, Moreira. Boery e Boery (2010) apontam sobre lesões corporais nos alunos da academia de musculação e ginástica do município de Ituaçu – Bahia, destacando que uma parcela significante dos alunos participantes do estudo (43%) afirmou ter tido ou estar com uma lesão corporal. Sendo que 84% destes acreditavam que a lesão estava intimamente relacionada aos exercícios realizados na academia. Referente aos segmentos lesionados, a coluna (58%) foi o mais citado, seguido do ombro (18%), joelho (12%), cotovelo (6%), quadril (2%), tórax (2%) e pôr fim, a panturrilha (2%).

 

    Ainda relacionado à localização das lesões, dados similares foram encontrados em dois estudos. No de Silva (2010), feito numa academia em Campina Grande (PB), o ombro e a coluna (lombar) foram as principais articulações citadas, seguidas de joelho e músculo da panturrilha. Já no de Soares e Silva (2018), feito em academias do município de Morada Nova (CE), os resultados obtidos mostram que os segmentos corporais mais mencionados foram: joelho (45%), ombro (25%), tornozelo (10%), coluna (10%) e coxa, sendo este último (5%) na porção anterior e (5%) na porção posterior.

 

    No trabalho de revisão de Santos, Santos e Ribeiro (2018) foi encontrada uma taxa de incidência de lesões que variou de 40 a 60%, as regiões anatômicas mais acometidas foram o joelho e ombro. Os achados deste estudo sugerem que o tipo de treino, o aumento no volume de treinamento, o uso exacerbado de cargas e as técnicas errôneas de treinamento contribuem diretamente para o aumento do risco de lesões na musculação.

 

    A realização de exercícios físicos, em geral, é uma forma de melhorar a saúde e qualidade de vida, seja em academias, studios, programas públicos entre outros. Apesar do grande número de benefícios proporcionados,existem alguns riscos relacionados,dessa forma, medidas deverão ser tomadas para preveni-los, como supervisão e orientação de profissional qualificado, além da conscientização da população praticante e não praticante dos riscos de uma postura inadequada para sua realização (Silva et al., 2016).

 

    Diante da importância do estágio, do aprofundamento de estudos relacionados com a intervenção profissional e do tema, devido ao fato de pessoas estarem realizando exercícios do treinamento de força nas academias com posturas não recomendadas, a intencionalidade deste trabalho é descrever a experiência do componente curricular, Estágio VIII, realizada numa academia privada, tendo como objeto a postura corporal.

 

Métodos

 

    Este trabalho é um relato de experiência com caráter descritivo e viés qualitativo. O estudo é advindo das vivências dos autores durante o componente curricular “Desenvolvimento de Ações Pedagógicas na Educação Física Não Formal II (Estágio VIII)”. “O relato de experiência é uma ferramenta de pesquisa descritiva que apresenta uma reflexão sobre uma ação ou um conjunto de ações que abordam uma situação vivenciada no âmbito profissional de interesse da comunidade científica” (Cavalcante; Lima, 2012, p. 96). De acordo com Lakatos e Marconi (2011), na pesquisa descritiva, trata-se de um olhar qualitativo que aborda a problemática delineada a partir de métodos descritivos e observacionais, descrevendo aspectos mais profundos.

 

    O referido estágio aconteceu no primeiro semestre de 2018 numa academia privada do município de Guanambi (BA), sendo dividido em duas etapas: observação (1 semana) e intervenção (8 semanas). A primeira teve como propósito averiguar o contexto da instituição e definir o objeto do estágio, para isso foram usadas as informações de Silva (2003) e, em seguida, edificar um projeto de intervenção. Quanto à segunda, refere-se à ação de cumprir o que fora estabelecido neste projeto: orientação quanto à postura corporal durante os exercícios do treinamento de força na academia de musculação. As principais referências adotadas nas ações do estágio foram: Souza, Moreira e Campos (2015), Rumaquela (2009), Lira, Silva e Lima (2017), Baroni et al. (2010) e Grala (2016).

 

    A intervenção teve como finalidade realizar ajustes durante o treino referente ao posicionamento corporal, intensidade e volume (cumprimento das séries e repetições), por entender que tais fatores implicam numa susceptibilidade que pode provocar danos ao organismo. Sendo assim, primou-se pela realização do exercício com a postura alinhada seguindo as orientações de Delavier (2000).

 

    Em relação ao número de pessoas participantes do estágio, houve o convite para seis praticantes de treinamento de força, no entanto, somente cinco responderam de forma positiva. No sentido de facilitar a aprendizagem, durante a nossa ação, foram utilizados recursos virtuais (imagens e vídeos demonstrativos dos movimentos) e objetos da academia (como o bastão).

 

    O cronograma da intervenção foi dividido em quatro quinzenas, nas quais, em cada lacuna temporal houve ênfase em determinada articulação, na primeira foi a coluna, na segunda a cintura escapular, na terceira o quadril e na última o joelho.

 

    As informações da vivência foram registradas por meio do diário de bordo. Acerca do mesmo, Cañete (2010) o considera uma escrita muito reflexiva que ultrapassa a escrita burocrática; aponta ainda que este instrumento tem a intenção de registrar a prática pedagógica do professor e possibilita (re)pensá-la, deste modo essa escrita pode permitir que o professor configure-se como produtor de conhecimentos sobre a prática. De forma complementar, Alves (2004, p. 224) aponta que “O diário pode ser considerado como um registro de experiências pessoais e observações passadas, em que o sujeito que escreve inclui interpretações, opiniões, sentimentos e pensamentos, sob uma forma espontânea de escrita, com a intenção usual de falar de si mesmo”.

 

Resultados e discussão

 

    O cronograma do estágio foi configurado na orientação postural, em que, a cada quinzena o foco era diferente (articulação distinta), não desconsiderando as demais estruturas. Tal divisão possibilitou uma organização dos estudos e compreensão maior das regiões anteriormente citadas.

 

    Em relação à coluna vertebral, o participante 4 ao ser convidado no início da intervenção falou: “eu sinto dor nas costas, principalmente na região lombar, durante e após os treinos” e, o participante 5 disse: “eu sinto um incomodo nas costas, principalmente nos agachamentos”. Pelas nossas observações, percebemos uma fragilidade da região abdominal, o que fazia com que não mantivessem uma postura adequada. Diante do exposto, explicamos que eles deveriam realizar exercícios que tivessem um maior recrutamento da musculatura desta região, por esta razão trocamos alguns exercícios, como por exemplo, a remada sentada para a remada em pé com as pernas sem flexionar, fazendo com que tivessem uma maior ativação da região abdominal e lombar.

 

    Medeiros et al. (2012) afirmam que o fortalecimento dos oblíquo interno e transverso do abdômen promove a proteção e suporte da coluna, além de reabilitar as desordens já existentes, para isso é necessário utilizar exercícios que recrutem essas musculaturas sem que cause uma tensão maior da região lombar, podendo assim evitar dores nesta região. A maioria dos casos de dores nas costas em praticantes de musculação está relacionada à postura inadequada, muitas vezes por causada fraqueza nos músculos abdominais. Após as substituições de exercícios, o participante 4 relatou que “sentiu um alívio nas dores e facilidade de realizar outros exercícios”; já o participante 5 disse que “não sente mais o incomodo igual antes”.

 

    No que se refere à cintura escapular não ouvimos nenhum comentário, mas notamos que apresentavam dificuldades em realizar exercícios, cuja articulação estava envolvida. A ação era sempre orientar os participantes que mantivessem a postura ideal, todavia, caso isso não tivesse êxito, seria necessária alguma medida, no caso, houve a redução da carga do treino de dois participantes.

 

    Acerca desta importância, Soares e Siqueira (2017) destacam que uma boa estabilização da cintura escapular é de fundamental importância para a prevenção de lesões, sendo possível inclusão de exercícios que fortaleçam essa região, além da boa postura na execução dos movimentos, principalmente remadas e puxadas, em que os erros são mais frequentes. Em consequência das orientações e ações visualizamos uma melhora na execução dos exercícios em que a articulação era mais utilizada, principalmente nos participantes 4 e 5, que foram os que demonstraram mais dificuldades.

 

    No que concerne ao quadril, também não tivemos nenhum relato dos alunos no início ou durante o estágio. Todavia, por meio da observação notamos que existiam participantes com uma dificuldade em comum: inclinação pélvica. Cabe apontar que se trata de uma articulação móvel e caso não tenha uma boa postura na execução dos movimentos pode ocasionar lesões, principalmente nos agachamentos.

Quanto à dificuldade percebida, Pagnussat e Paganotto (2008) afirmam que a posição inclinada da pelve, além de prejudicar na própria articulação, afeta também a região lombar. Vale ressaltar que no decorrer da nossa intervenção visualizamos uma melhora significativa nesse aspecto.

 

    No que diz respeito ao joelho, o participante 1 relatou no início da intervenção: “eu sinto dores nos joelhos em alguns exercícios e também quando caminho por muito tempo”, sabendo destas informações seguimos algumas estratégias durante a execução dos exercícios que pudessem melhorar ou não forçar tanto esta articulação, tais como: evitar exercícios que tivessem um grande impacto no joelho;não estender todo o joelho em exercícios em pé e também no leg press; além de ter cuidado com o volume e a intensidade do treino (Lira; Silva; Lima, 2017).

 

    Em decorrência da aplicação destas recomendações, o participante 1 relatou: “diminuiu as dores durante o exercício e após, não senti tanta dificuldade em fazer os exercícios depois das alterações”. Lira, Silva e Lima (2017) ainda complementam que é de fundamental importância que qualquer pessoa tenha cuidado no momento do treino com o volume, a intensidade e o tempo de recuperação, sobretudo para quem já apresenta dores no joelho, pois pode agravar o problema, além de ter o cuidado adequado com o posicionamento do joelho em alguns exercícios que exerçam uma carga exagerada nesta articulação, dessa forma prevenindo o surgimento de lesões.

 

    De modo não específico por segmento, os participantes 2 e 3 não relataram nenhuma dor ou dificuldade, mas percebemos que cometiam alguns equívocos posturais durante a execução do agachamento, remada e leg press. Após a visualização e análise dos movimentos realizados, entendemos que os erros aconteciam devido ao peso excessivo, sendo assim, nossa intervenção se baseou na diminuição da carga e logo aconteceu uma melhora no padrão do movimento. As falas reforçam o que fora apontado, o participante 2 disse: “senti muita dificuldade para realizar o exercício com o peso, não conseguia manter o equilíbrio”, bem como o participante 3 ao falar: “só consegui realizar o exercício de forma ideal a partir do momento que reduziu a carga, tornou-se até mais fácil e menos doloroso”.

 

    Embora não tenha sido o foco do trabalho, houve relatos de aumento do esforço após a orientação, neste sentido os participantes (1, 2 e 3) relataram que apesar da carga menor no movimento proposto (agachamento, leg, remada, puxada posterior aberta) eles sentiam que o músculo trabalhava mais, chegando à fadiga e exaustão sem a “roubada”.

 

    Segundo Murer (2007) as lesões no treinamento resistido acontecem, em sua maioria, por causa do uso da carga excessiva, equipamento mal projetado e treinamento mal orientado, ocasionando uma postura inadequada. Enfatizando o primeiro aspecto, Grala (2016) afirma que nas academias de musculação são frequentes os erros devido ao excesso de peso utilizado nos exercícios e que isso pode prejudicar a coluna, joelho, ombros, tornozelos entre outras articulações, devido ao padrão inadequado do movimento que acaba sobrecarregando estas articulações. Portanto, faz-se imprescindível a atuação proximal do profissional na sala da academia de musculação, haja vista os aspectos mencionados.

 

    Observamos também que os participantes 3 e 4 não executavam os exercícios rosca direta e rosca alternada com os joelhos posicionados corretamente, diante disso, utilizamos a recomendação baseada em Ushida et al. (2005, p.144), “Posicionar-se em pé, com afastamento lateral dos membros inferiores, joelhos levemente flexionados, afastamento entre as mãos (aproximadamente na largura dos ombros) e pegada em supinação”. Após a orientação de deixarem os joelhos levemente flexionados, relataram que conseguiram executar melhor os movimentos.

 

    Percebemos ainda que os participantes 2 e 4 sempre executavam a rosca direta, rosca alternada, remada em pé, elevação frontal com o movimento de vai e vem (para frente e para trás) com a coluna. Sobre este movimento repetitivo inadequado, Teixeira e Guedes Junior (2016, p.84) afirmam que:

    Durante a execução dos exercícios, deve-se estar atento à manutenção das curvaturas anatômicas da coluna, para que não haja emprego de forças desnecessárias, aumentando o risco potencial de lesões. Devem ser evitados movimentos que proporcionem hiperlordoses, hipercifoses e retificações, com sobrecarga excessiva.

    Deste modo, orientamos que usassem a parede como apoio dorsal e assim deixariam a postura alinhada, tal estratégia foi para que entendessem a importância da estabilização dos segmentos corporais. Ao final do estágio visualizamos que já conseguiam manter a coluna estabilizada (sem encostarem-se à parede), o que foi ratificado pelas falas, pois estes relataram que ao final da intervenção conseguiram realizar rosca direta, rosca alternada, remada em pé e elevação frontal afastados da parede de forma automática, até mesmo com maior carga sem realizar movimentos inadequados.

 

Conclusões

 

    O componente Estágio VIII possibilitou uma aprendizagem ampliada, pois estar no local de trabalho fez com que entendêssemos a dinâmica e as especificidades da academia, que perpassa da orientação postural, atenção às explicações (de modo que sejam compreendidas pelos praticantes), organização pessoal para atender as pessoas e postura ética no ambiente; ou seja, fizemos do mesmo uma espécie de laboratório para obter uma experiência no sentido de preparação profissional. Além disso, cabe destacar que reflexões sobre vivências acadêmica/profissionais são ricas oportunidades para produção de conhecimento de natureza concreta.

 

    O objeto da intervenção é muito relevante, haja vista a quantidade de pessoas que se lesionam devido à postura inadequada, sendo assim, faz-se necessária mais atenção neste quesito durante a execução do treinamento de força, bem como na própria avaliação física diagnóstica.

 

    No período, enquanto estagiários, tivemos a oportunidade de auxiliar as pessoas nos treinos, seja nas alterações dos exercícios ou em suas realizações. Tais ajustes fizeram com que internalizassem a compreensão da temática, pois relataram as melhorias alcançadas. Pelo fato de os participantes entenderem a importância da postura, é provável que não façam parte da parcela de pessoas com incidência de lesões devido ao mau alinhamento; além disso, poderão ser multiplicadores da ideia de cuidado com o alinhamento corporal durante o treinamento de força.

 

    Os recursos virtuais e objetos da academia foram estratégias que auxiliaram a alcançar o objetivo proposto. As nossas falas aliadas com demonstrações (via celular e/ou execução pessoal) fizeram com que entendessem melhor a maneira da execução dos exercícios, sendo explicado o porquê daquele movimento e suas consequências.

 

    Apesar do resultado positivo, compreensão da postura correta e execução do exercício com segurança, notamos olhares desconfiados de alguns praticantes sobre a nossa intervenção, devido ao nosso foco, atenção com os participantes do estágio, não foi possível verificar a razão disso, bem como auxiliar se fosse necessário. Todavia, a pesquisa obteve resultados satisfatórios, principalmente para os seus participantes.

 

Referências

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 251, Abr. (2019)

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