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Atividade física, saúde e envelhecimento

Actividad física, salud y envejecimiento

 

*Pós-Graduação Strictu Sensu.

Universidade Católica de Brasília, UCB

**Faculdade Nobre de Feira de Santana, FAN

***Pós-graduação em Fisiologia do exercício

Universidade Gama Filho, RJ

****Grupo de Estudo Fisiologia do Esforço Físico

*****Escola Baiana de Medicina e Saúde Publica

*****Universidade Estadual de Feira de Santana, UEFS

(Brasil)

Eduardo Silva dos Santos* ****

Maysa Andréa Morais Lima**

Gilvânia Carvalho de Lima*** ****

Carla Oliveira Dourado***** ****

Marcel Carneiro****** ****

André Bacelar Valverde** ****

esilvaucb@gmail.com

 

 

 

 

Resumo

          Com base no aumento na expectativa de vida, no crescente quantitativo de idosos no Brasil e no mundo, surge o interesse por medidas interventivas que possam promover um envelhecimento saudável. Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de enfatizar a relevância na pratica de exercício físico na promoção de saúde e qualidade de vida aos senescentes. Trata-se de um estudo de revisão de literaturas com abordagem descritiva, onde faz-se o levantamento da bibliografia utilizada no âmbito do envelhecer e do exercício físico, definindo conceitos, características e conexão entre ambos. Verificou-se que a prática de exercícios de força pode prevenir e reabilitar os processos degenerativos decorrentes da sarcopenia com o avançar da idade, no entanto, a aderência a programas de exercícios físicos deve ser encarado como um modelo educativo, com a finalidade de minimizar as alterações fisiológicas e funcionais comuns do processo de envelhecimento.

          Unitermos: Envelhecimento. Exercício físico. Saúde. Sarcopenia.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 16 - Nº 157 - Junio de 2011. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Após a Revolução Industrial, houve um crescente aumento no quantitativo de doenças crônico-degenerativas, devido, sobretudo, a elevação na taxa de indivíduos inativos, atingindo cerca de 50 a 60% da população brasileira, sendo considerada uma das principais causas de morte por infarto agudo do miocárdio (PITANGA, 2004).

    Uma das justificativas para o aumento na expectativa de vida foi a evolução nos tratamentos farmacológicos, aumento no número de empregos e melhoras nas condições sócio-econômicas. O aumento na perspectiva de vida tem influenciado o crescente índice de estudos sobre o crescimento da população idosa, a fim de se buscar alternativas que minimizem o grande impacto do envelhecimento, encontrando no exercício físico um grande aliado.

    Um dos fatores mais associados ao envelhecimento é a inatividade física ou mesmo o sedentarismo, o qual provoca alterações funcionais e fisiológicas acarretando em aumentos nos custos assistenciais com a saúde e de idosos acomodados em leitos hospitalares. O decréscimo na mineralização óssea, motricidade, massa muscular, hormonal e neural, são as principais características do estilo de vida inativo agravados durante o avançar da idade. A aderência a programas de exercícios físicos pode retardar a instalação precoce e ponderante da sarcopenia, perda de força e massa muscular, reduzir as probabilidades de uso de medicamentos para o tratamento de tal acometimento natural do envelhecimento.

    O presente estudo busca analisar a importância de atividades físicas na minimização dos processos do envelhecimento, determinando os tipos de exercícios físicos, verificando as alterações fisiológicas, esqueléticas e motoras comuns, visando identificar através de uma revisão de literatura se o exercício físico tem um papel importante no tratamento da sarcopenia e qual o tipo de atividade física é mais indicada para este grupo.

Epidemiologia e envelhecimento

    O envelhecimento é caracterizado por aumento na idade e declínio das funções orgânicas e funcionais em função do tempo. A ciência que estuda o processo de envelhecimento é a Gerontologia, ciência esta que tem suporte na Biologia, Fisiologia, Bioquímica, entre outras disciplinas. Segundo Papaléo Netto (2002) envelhecer é um processo e idosos são os protagonistas deste processo, demarcado por alterações biofisiológicas, psicológicas e sociais que apresenta maior vulnerabilidade de incidência de patologias que podem acarretar em morte. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, é considerado idoso em países em desenvolvimento a pessoa com 60 anos ou mais, já em países desenvolvidos a população idosa é assim designada a partir de 65 anos de idade.

    Baseado em dados e publicações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2002) sobre a população idosa pode-se constatar que atualmente este público atinge um contingente de 15 milhões de pessoas no mundo, sendo que em 2020 estima-se que haja um agravo ainda maior neste quantitativo passando para 30 milhões de pessoas enquadradas no processo de envelhecimento, representando aproximadamente 13% da população, com maior prevalência do sexo feminino. Conforme observado em dados publicado pelo IBGE (2002) estima-se que a população brasileira segundo o sexo continue envelhecendo, com maior presença de mulheres, aumentando o topo da pirâmide populacional e tendo decréscimo em sua base.

    Com base nestas informações pode-se fazer uma análise de décadas anteriores até o presente século XXI, deste modo, observa-se que em 1980, existiam 15,9% de idosos na população total, o que caracterizava cerca de 16 idosos para cada 100 crianças. Em 1991, o percentual de idosos aumentou para 21,0%. Em 2000, existiam cerca de 30 idosos para cada 100 crianças, representando uma percentagem de 28,9% na população total, refletindo de que para cada 10 pessoas exista 1 idoso. Estimando-se que em 2050 essa diferença reduza ainda mais, ou seja, para cada 5 pessoas 1 será idoso. No Brasil, os idosos representam 8,6% do total da população, com maior incidência de mulheres, que no geral vivem cerca de 8 anos a mais que os homens, (IBGE, 2002).

    O aumento na expectativa de vida está associado à baixa taxa de mortalidade devido ao avanço tecnológico, causado pelo aumento no número de vacinas, antibióticos, remédios, entre outros. A evolução nos equipamentos médicos, a industrialização e o desenvolvimento urbano, promoveu facilidades na aderência a programas educativos, acesso à saúde e associado também a migração, na busca por empregos.

    A característica principal do processo de envelhecimento é a perda de força e massa muscular, conceituado como Sarcopenia. Em estudos realizados por Baumgartner et al (1998) no Novo México, este definiu a Sarcopenia como a perda da qualidade e quantidade muscular com o avançar da idade associado a fatores metabólicos, fisiológicos, deterioração funcional e inaptidão física, tendo prevalência de 13-24% em pessoas abaixo de 70 anos e maior que 50% em pessoas acima dos 80 anos de idade.

    Vários fatores estão relacionados ao processo de envelhecimento cronológico atenuante, como por exemplo, o sedentarismo gerando atrofias musculares, uso de fumos, álcool, drogas em geral, entre outros, afetando as funções fisiológicas e a capacidade funcional dos idosos.

Aptidão física relacionada à saúde

    Inicialmente os conceitos referentes à aptidão física estavam relacionados à força muscular, contudo, após o período da Primeira Grande Guerra Mundial, estudos sobre a aptidão cardiovascular foram realizados momento em que este passou a estar associado à aptidão física (PITANGA, 2004).

    Por volta da década de 60, maiores pesquisas no âmbito da aptidão física foram realizadas, favorecendo a aliança desta a outros componentes que possam auxiliar a convivência e integração do indivíduo na comunidade a partir de seus papéis sociais, através da ação de suas variáveis físicas e fisiológicas que culminarão em menor dispêndio energético na execução de tarefas simples diárias. Assim, o desenvolvimento físico passou a ser foco das especulações associadas à aptidão física, a qual passou a ser entendida em duas subdivisões: relacionada à saúde e aptidão fisiológica (PITANGA, 2004).

    A aptidão física engloba vários fatores de ordem morfológicos e funcionais, tanto relacionados à saúde e aspectos fisiológicos, pois estão diretamente associados à promoção da saúde e a prevenção de doenças e estão relacionados diretamente aos níveis de atividade física de cada individuo. O conceito de aptidão física relacionada à saúde, segundo (MC ARDLE. 2008) associa-se a fatores como:Aptidão Cardiovascular, Flexibilidade, Força e Composição Corporal.

    Os componentes da aptidão física relacionada às habilidades incluem agilidade, equilíbrio, coordenação, velocidade, potencia e tempo de reação aspectos esses voltados às atividades esportivas e motoras. A aptidão física relacionado à saúde está associada às capacidades funcionais e o baixo risco de desenvolvimento de doenças crônicas degenerativas.

    A aptidão fisiológica tem características diferentes se comparada com outras aptidões físicas, pois está diretamente relacionada aos sistemas biológicos como aptidão metabólica: estado dos sistemas metabólico e das variáveis preditas do risco para diabete e doença cardiovascular, aptidão morfológica fatores relacionado à composição corporal como circunferência corporal, conteúdo de gordura corporal e distribuição da gordura corporal além dos aspectos da integridade óssea relacionada à densidade mineral óssea (ACSM 2007). O aprimoramento da capacidade física voltada à aptidão física se deve ao efeito combinado de treinamento aeróbico, de resistência com peso e de exercício de flexibilidade, pois produzindo efeitos individuais maiores atingindo todos os aspectos da aptidão física.

Exercício físico x envelhecimento

    A atividade física pode proporcionar energia de formas variadas; que requer por processos tanto aeróbico como anaeróbicos, induzindo adaptações tanto funcionais, morfológicas e metabólicas. A maioria destas respostas independe de sexo e idade, as modificações relacionadas ao tipo de exercício desenvolvido têm como uma das principais atuações e características as respostas neuromotoras.

    O exercício físico tem sido atribuído como um meio benéfico no decorrer da idade, contribuindo para minimizar o envelhecimento bio-cronológico, e os fatores fisiológicos e funcionais que reduzem ao longo do tempo, podendo reduzir os riscos de fraturas e desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas.Tanto o exercício físico, aeróbico como de força (resistido), têm recebido grandes especulações sobre sua relevância durante o processo de envelhecimento.

Exercício aeróbico

    O exercício aeróbico induz respostas significativas proporcionando adaptações musculoesquelética, cardiorrespiratória e modificações na composição corporal. As adaptações ocorridas com treinamento aeróbico em relação ao sistema músculo esquelético estão relacionadas ao conteúdo mitocondrial, alterações enzimáticas, tamanho das fibras musculares e níveis de mioglobina no músculo.

    McArdle (2008) aborda uma das diferenças principais sobre o exercício aeróbico e de força, afirmando que o primeiro precisa bombear um grande volume de sangue sob pressão sanguínea relativamente baixa, já o segundo possui um volume relativamente baixo de sangue necessitando ser bombeado sob elevada pressão relativa.

    Há um aumento no tamanho e no número das mitocôndrias e conseqüentemente o aprimoramento respiratório das mitocôndrias musculares, ampliação secundária com o treinamento nas estruturas das mitocôndrias faz aprimorar a capacidade das mesmas gerarem ATP aerobicamente principalmente das mitocôndrias subsarcolemais e intermiofibrilares (BUZEAU ME 2000). As adaptações relacionadas ao processo enzimático ocorrem no maior número de enzimas envolvidas no processo de metabolismo das gorduras e no transporte dos ácidos graxos para dentro das células musculares com geração de energia para o exercício físico.

    Há aumentos impressionantes na capacidade do músculo treinado de mobilizar os triglicérides como substrato primário dos ácidos graxos, pelo transporte acelerado mediado por carnitina e carnitina alciltransferase (MC ARDLE, 2008) otimizando o processo de B-oxidação dos ácidos graxos, uma lipólise aprimorada ocorre com adaptações relacionadas ao treinamento aeróbico. Com essas adaptações relacionadas ao processo de metabolismo das gorduras, há uma otimização na preservação das reservas de glicogênio muscular fazendo com que aprimore a capacidade aeróbica de indivíduos treinados, essa redução na utilização de carboidratos no exercício se dá ao efeito de menor utilização do glicogênio muscular e menor descarga simpática durante o exercício (menor produção de glicose) e utilização reduzida da glicose sangüínea (MADSEN K 2001), contribuindo desta forma para maior equilíbrio da glicose e evitando uma hiperglicemia precoce.

    As adaptações induzidas pelo treinamento aeróbico nas fibras musculares estão relacionadas à hipertrofia das fibras de contração lenta, aumento da quantidade de mioglobina e a melhora do fluxo sangüíneo músculo esquelético, isso ocorre por causa do aumento da capilarização, segundo (PLUMM BM 2002) há um aumento em corte transversal em torno de 10% na capilarização por grama de músculo.As respostas cardiovasculares associadas ao exercício aeróbico são de fundamental importância para o controle das capacidades relacionadas às respostas em consumo de oxigênio, hipertrofia ventricular, volume plasmático, debito cardíaco, freqüência cardíaca e pressão arterial.

    O treinamento aeróbico induz um aumento na retirada de O2 do sangue circulante otimizando as respostas de capitação, utilização e transporte de oxigênio durante o exercício favorecendo uma distribuição eficaz do debito cardíaco.Os aumentos nas câmeras cardíacas em resposta aos treinamentos são totalmente diferentes relacionados às atividades aeróbica e anaeróbica. As adaptações estruturais do treinamento aeróbico ocorrem em torno do aumento da cavidade cardíaca (hipertrofia excêntrica) relacionado diretamente pelo aumento do volume plasmático em torno 12 a 20% causado pela síntese de proteína e um aumento no conteúdo de RNA, aumento do tempo de diástole, pela bradicardia induzida pela diminuição da atividade simpática, aumento da complacência arterial e resposta intrínseca aprimorada (McARDLE, 2008).

    O debito cardíaco é uma das principais adaptações relacionadas ao treinamento aeróbio (SADY MA 1998), pois com uma freqüência cardíaca reduzida as respostas para a manutenção e aumento do debito cardíaco estão diretamente relacionadas ao aumento do volume sistólico e com isso para uma mesma intensidade de exercício um individuo treinado se comparado a um individuo destreinado mostra um mesmo debito cardíaco máximo maior pela resposta otimizada ventricular esquerda com maior volume sistólico para uma mesma intensidade relativa de exercício.

Exercício resistido

    O treinamento de força passou a ter maiores repercussões e estudos na década de 90 por ser considerada como um exercício seguro e confiável. O exercício de força depende do tipo de programa utilizado, intensidade, duração e freqüência de treino em função do objetivo do participante, podendo promover modificações nas destrezas físicas e conseqüentemente atuando nas variáveis morfofuncionais com o avançar da idade (DANTAS,2006).

    O treinamento de força atuar nas partes fisiológicas do sistema neural é parte integrante do sistema endócrino e músculo-esquelético. Assim, Rogatto (2004) afirmou que os exercícios que exercem alguma ação em oposição a uma resistência promovem acréscimos na força muscular em decorrência da tensão nos ligamentos, tendões e ossos, fatores que podem manter ou elevar as respostas funcionais dos indivíduos.

    Estudos comprovam a relevância deste tipo de atividade no perfil endócrino do sistema humano, podendo aumentar a produção e liberação de hormônios anabólicos que favorecerão ao desenvolvimento muscular. Fleck e Kraemer (2006) relatam que diferentes tipos de programas podem promover modificações nas respostas hormonais, afirmando que as concentrações de GH sofreram acréscimos durante exercícios de força com 10 Rm e intervalo de repouso de 1 minuto, já as respostas da testosterona foram observadas com treinos de intensidades relativamente altas e diferentes tipos de intervalo de acordo com o número de repetições do exercício, além da massa muscular envolvida e da experiência com o treino.

    O sistema neural também sofre interferências do exercício de força. Este sistema é constituído por células nervosas denominadas neurônios, contendo núcleo, dendritos, axônio, alguns com Bainha de Mielina e nódulo de Ranvier e terminações nervosas. Nas adaptações do sistema nervoso ao exercício de força, Carrol et al. (2001) ressalta-se bastante a capacidade de ativar o máximo de unidades motoras, recrutando, conseqüentemente, o maior número de fibras musculares para gerar força máxima. Assim, ocorre uma menor atuação dos músculos antagonistas provocando maior força dos agonistas.

    Carrol et al. (2001) afirma que as adaptações neurais e musculares eram geradas para que existisse um maior controle dos músculos quanto à coordenação do movimento exigido, relatando que os mecanismos responsáveis pelas adaptações neuromotoras estão relacionadas à taxa e freqüência de disparo do impulso no tecido muscular, acréscimo na sincronização das unidades motoras, aumento na ativação dos músculos agonistas e redução dos antagonistas, coordenação dos músculos envolvidos no movimento e inibição dos órgãos tendinosos de Golgi, responsáveis pela proteção dos tendões e da musculatura. Conseqüentemente, o exercício de força pode prevenir que ocorra a perda no número de neurônios e axônios o que eleva a velocidade de condução dos impulsos.

    Durante o processo de envelhecimento, ocorre uma perda na força e massa muscular, denominado de Sarcopenia, um decréscimo no tamanho e quantidade de fibras musculares, as quais possuem células multinucleadas, tendo o controle de diferentes núcleos. Segundo McArdle (2003) a perda da área de secção transversa com a idade ocorre a partir dos 30 anos, podendo ser uma situação mais agravante se o indivíduo não estiver apto fisicamente.

Relação do exercício físico x alterações fisiológicas

    A interação entre os sistemas fisiológicos durante a execução de exercícios físicos, pode significar a melhora nos hábitos de vida, minimizando as degenerações dos sistemas orgânicos, reduzindo os declínios funcionais do envelhecimento e contribuindo para melhor vigor social, aprimoramento psicológico e motor.

    A relação do exercício físico e suas ações nos sistemas fisiológicos têm gerado divergências e “igualdade” de opiniões sobre as mesmas, assim McArdle et al. (2008) e Fleck e Kraemer (2006) reportam sobre as respostas cardiovasculares induzidas pelo exercício resistido, e enfatiza que estes provocam uma sobrecarga cardíaca maior no coração do que o exercício de endurance, o qual provoca melhores respostas em nível de produção, captação, transporte e utilização de oxigênio (VO2 máx), melhora do volume de ejeção de sangue, aumento do débito cardíaco, redução da freqüência cardíaca e maior influência parassimpática.

    Segundo Benedetti (2001) durante o envelhecimento ocorre o decréscimo no tamanho da caixa torácica, redução da ventilação pulmonar e menor ação dos músculos necessários para a respiração, que poderão ser melhorados em decorrência da realização de exercícios aeróbicos que facilitarão a permuta gasosa e melhora o fluxo sanguíneo na região pulmonar. De acordo com McArdle (2008), a execução de exercícios predominantemente anaeróbios aliado a exercícios de endurance pode contribuir para a melhor resposta fisiológica, visto que poderá retardar o acúmulo de ácido lático intramuscular, o que conseqüentemente poderá reduzir a inspiração forçada, utilização de ambas fontes energéticas, além de aprimorar a capacidade oxidativa, ação de enzimas e síntese protéica, entre outros.

    A conversão de fibras musculares tipo IIb em IIa, também tem sido relacionada a melhoras nos substratos energéticos utilizados; uma vez que as fibras tipo IIa, possuem características tanto aeróbicas quanto anaeróbicas, relacionando que o exercício resistido associado ao envelhecimento, pode provocar aumentos na força muscular, no número de fibras musculares e diâmetro destas (FLECK E KRAEMER, 2006). Com o decorrer da idade, os gerontes ainda sob faixas etárias correspondentes a 60 até 75 anos apresentam decréscimos na força muscular em torno de 15%, sendo mais acentuada aos 80 anos de idade (MURRAY et al., 1985), relacionando estes fatores ao sexo, Hughes et al. (2001) afirma que o decréscimo na execução de tensão nos membros inferiores é maior em homens do que em mulheres.

    McArdle et al. (2008) descrevem a relação do exercício físico durante a senescência, onde observa que mesmo em idade avançada o músculo esquelético após o estímulo consegue minimizar as degenerações deste tecido, durante um período de treinamento de força de 12 semanas em homens idosos, demonstrando que ocorreu um aumento no volume muscular, área de secção transversa das fibras musculares, com maior influência nas fibras tipo II, e elevações na capacidade de gerar altas tensões musculares em curto período de tempo.

    Hakkinen et al. (2000), realizou estudos comprovando as alterações visualizadas por McArdle (2003; 2008), indicando que tanto indivíduos adultos, com 40 anos de idade, e idosos, aproximadamente 70 anos, ao dar início a um programa de exercícios de força acréscimos nas estruturas de alavanca do organismo humano podem ocorrer, ao modificar as perdas decorrentes do envelhecimento, produzir maior autonomia destes grupos e contribuir para uma melhor longevidade.

Discussão

    Estudos recentes descrevem a relação do exercício físico de força nos sistemas esquelético, muscular e na aptidão física com o avançar da idade, através da descrição e comparação de pesquisas.

    Fleck e Kraemer (2006), afirmaram que os membros inferiores e a região pélvica são os locais que possuem maiores degenerações teciduais ósseas. Concomitante a isso, Kerr e colaboradores (2001), realizaram uma pesquisa com mulheres idosas, sobre os efeitos dos exercícios de múltiplas séries, realizados três vezes por semana, na qual observou que os exercícios de força gradativos promoviam aprimoramento na densidade mineral óssea na região pélvica, inter-trocântera do quadril, provocando incrementos na espessura e força dos ligamentos.

    Testes avaliando alterações nas medidas antropométricas, áreas circunferências de segmentos corporais, foram realizados como, por exemplo, o teste feito por Rogatto (2004), que utilizou 13 idosos de idade entre 61,3 a 66 anos, foi realizado o treinamento de força, a fim de verificar se este proporcionaria mudanças antropométricas sobre a função muscular destes indivíduos, durante um período de treinamento específico de 12 semanas. Pode constatar que durante a 1ª e 2ª semanas de treino, não houveram mudanças significativas na composição corporal averiguada. Porém, durante a 3ª avaliação já puderam ser observadas as alterações nos níveis de força em 57% e 38% do membro treinado e o não-treinado, respectivamente, observando aumento também na área muscular dos braços.

    Em 1990, Fiatarone e colaboradores realizaram estudos com idosos de faixa etária de 90 anos, conseguindo observar modificações circunferências e na área de secção transversa da coxa em 9%, quando realizado um treino de força com período de 8 semanas. Moritani e De Vries (1980 apud Rogatto, 2004), realizaram uma pesquisa comparativa sobre a força de homens jovens e idosos utilizando, também, 8 semanas de treinamento resistido de intensidade moderada, no qual adquiriu resultados similares em ambos de aproximadamente 30 e 22%, respectivamente, ressalta-se apenas, que os indivíduos idosos necessitaram de mais tempo de adaptação e familiarização à atividade proposta que os mais jovens.

    Fiatarone et al., (1990), afirma que mesmo em um período de 8 semanas de treino de força em idosos, de faixa etária de 86 a 96 anos pode-se observar incrementos na força muscular, porém a desistência em programas de exercícios físicos por mais de 4 semanas geram declínio em torno de 32% na força muscular.

    A metánalise feita por Maior (2004), aborda estudos como de Iannuzzi-Sucich e outros autores (2002), utilizando 195 indivíduos do sexo feminino e 142 do masculino, com faixa etária de 64 a 93 anos, para verificar a redução na massa isenta de gordura, obteve resultados inferiores aos encontrados por Baumgartner em 1998, onde a prevalência de Sarcopenia até os 65 anos de idade foi maior em homens com cerca de aproximadamente 26,8% e em mulheres de 22,6%, porém não houve o fornecimento de informações sobre o local de aplicação da pesquisa e estilo de vida dos “pesquisados” podendo comprometer o resultado do estudo.

    Dados referentes aos benefícios do treino com pesos, de endurance em idosas foram obtidos através de pesquisas realizadas por Sipila e Suomien (1995), cujas afirmações foram feitas sobre o benefício do treino com pesos no aumento da massa livre de gordura em idosas, com idades de 76 a 78 anos, em que parte de idosas realizariam treino de endurance e outra parte exercício de força durante 18 semanas. Ao concluir o estudo, observaram através de tomografia computadorizada incrementos de 5,8% na massa magra com o treino de força e nenhuma alteração significativa nos indivíduos submetidos ao exercício aeróbico.

    Estudos recentes realizados por Dantas et al., (2005), buscou averiguar comparativamente os efeitos do treinamento de força e de flexibilidade sobre a autonomia de mulheres senescentes, contendo 36 idosas, sedentárias, porém independentes para a realização das atividades diárias, divididas em dois grupos, nos quais um realizaria o exercício de força e o outro de flexibilidade, constando de 18 membros em cada um. Os autores observaram que a perda da flexibilidade durante a terceira idade está mais associada ao decréscimo na elasticidade muscular do que apenas à amplitude articular, tendo como resultado dos testes que ambos apresentaram melhoras na realização de tarefas cotidianas, porém, o tempo de execução destas foi aprimorado nas idosas que se enquadravam nos testes de força.

    Sousa e Marques (2002 apud RAMOS, 2003) realizaram estudo com idosos, efetuou o treino de força ao longo de 12 semanas, com freqüência semanal de 3 dias alternados, sendo que nas duas primeiras semanas utilizou-se da carga de 50% de 1RM e nas duas semanas finais usou-se aproximadamente 80% de 1RM, observando que com este tipo de treino houve aumentos significativos na força muscular em torno de 32 a 48%.

    O equilíbrio dos idosos é um tema que tem recebido grande atenção no meio científico, devido à falta de capacidade de manter-se em pé por períodos moderados de tempo, baseado nisto Okuma (1998) alia o desequilíbrio ao aumento no número de quedas em idosos, referente à perda de força e massa muscular, concomitante a atrofia muscular, principalmente nas regiões apendiculares do corpo humano, a qual leva a uma instabilidade osteomioarticular, compromete a execução de atividades diárias, como caminhar, abaixar para pegar um objeto no chão e etc., não estando relacionado à capacidade aeróbica.

    O aumento das quedas acontece em parte devido à diminuição do equilíbrio, força muscular dentre outros fatores intervenientes. A prática regular de atividade física pode proporcionar melhoria ou manutenção dessas variáveis,com verificado no estudo realizado por (SILVA 1998).

    Em estudo de ANTONIAZZI, et al.1999, foi aplicado um programa de 3 meses de treinamento com pesos para membros superiores e inferiores em 15 indivíduos de 50 a 70 anos de idade e observaram além dos aumentos significantes da força muscular, diminuição significante da freqüência cardíaca de repouso (5 a 6 %), melhora no tempo de permanência no teste ergométrico (em torno de 15%) e do consumo máximo de oxigênio (13 a 16%).

Conclusão

    Estudos relacionados ao processo de envelhecimento estabelecem a Sarcopenia como característica principal na senescência aliado ao estilo de vida da população estudada e à contribuição do exercício de força principalmente, sobre as estruturas fisiológicas dos gerontes. A preocupação com a proporção demográfica populacional envelhecida e os problemas patológicos prevalentes neste público tem elevado a importância e o quantitativo de estudos na Educação Física e nos exercícios resistidos, este têm recebido grande destaque quanto aos seus efeitos, principalmente na força e massa muscular, para que sejam modelos e métodos que atuem de forma ascendente na promoção de saúde para os idosos. No entanto, as publicações sobre este tipo de exercício físico e seus benefícios durante o processo de envelhecimento são recentes, necessitando de maiores abordagens neste âmbito.

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EFDeportes.com, Revista Digital · Año 16 · N° 157 | Buenos Aires, Junio de 2011  
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